ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, dezembro 03, 2007




«Pais e Educadores Reforçam campanha contra "A bússola dourada", filme que promove ateísmo entre crianças

WASHINGTON DC, 30 Nov. 07 / 12:00 am (ACI) .


A Liga Católica dos Estados Unidos lançou uma campanha para advertir dos perigos do novo filme "A bússola dourada" (The Golden Compass) que se estréia na próxima semana e que pretende "conduzir aos crianças ao ateísmo".

O filme, interpretado por Nicole Kidman e Daniel Craig, é a adaptação do primeiro de três livros intitulados "Os Reinos do Norte", no qual o poder está nas mãos do "Magisterium" (alusão ao Magistério da Igreja) que deveria ser uma espécie de "ordem religiosa que sufoca a individualidade e controla as almas das crianças , atitude contra a qual se erige a menina Lyra Belacqua, possuidora da bússola dourada" que contém a verdade suprema.

Conforme explica o Presidente da Liga Católica dos Estados Unidos, Bill Donohue, Pullman promove assim o ateísmo e busca "denegrir a cristandade aos olhos das crianças" com sua trilogia intitulada "Fronteiras do Universo". Por essa razão exorta aos cristãos a "afastar-se deste filme, porque sabe que o filme incitará a ler os livros: Pais ingênuos que levam seus filhos a ver o filme podem ser impulsionados a comprar os três livros como presente de Natal".

O segundo livro, "A Faca Subtil" é mais "explícito no seu ódio ao cristianismo que o primeiro, e a terceira entrega ("A luneta âmbar") é mais flagrante" destaca Donohue, quem também explica que o filme está apoiado na menos ofensiva das três obras.

Ante esta agressão à fé católica, a Liga põe à disposição dos fiéis o relatório "A bússola dourada: propósitos desmascarados", que se pode adquirir na Internet.»





O disparate completo está aqui. O artigo e as palavras de Donahue seriam rísiveis, se a sua ridicularia não fosse perigosa. É disparate atrás de disparate, próprio de quem nao tem ideias para combater ideias, mas sim a censura e dogmas como resposta à discordância com a cartilha.


Não só o teor de todo site é assustador (para além de involuntariamente cómico) , como de resto faz lembrar aquilo que os católicos não gostam de relembrar, que ainda hoje em dia existe algo impensável, ainda que em conceito, designado "Index Librorum Prohibitorum."

Este index vigorou até 1966 enquanto parte da lei canónica, mas que ainda assim, tendo sido banido como norma, permaneceu como sustentáculo de referência moral contra o que será supostamente conhecimento passível de ferir as ideias pré-feitas da doutrina católica. Nessa data, a Congregação para a Doutrina da Fé cessou a publicação desse Index, mas afirmou que o conceito subjacente ao mesmo ainda serviria como "guia moral para relemebrar as consciências dos fieis para que estes evitem ler aquilo que pode ser perigoso para a fé e a moral", podendo a Igreja emitir um Admonitium ou um aviso aos fiéis sobre a suposta periculosidade de um determinado livro. Referências aqui.



Eu sempre pensei que o verdadeiro perigo fosse a ignorância e a ingerência na liberdade de pensamento individual, mas estou certamente errado. Ou segundo estes moços, herético, o que já não me chateia nada. Se Cristo realmente existir, eu pergunto-me se ele estará realmente preocupado com o que eu leio, se isso representar pensamento ou o impulso para crescer e aprender, com o contributo de ideias novas, e a capacidade de perguntar para avançar. Se realmente for essa a posição dele, não contém comigo para o pão e vinho.



Estes amigos da Liga Católica Americana (que se diz protectora dos direitos civis.. hum... censura, direitos civis... há aqui qualquer coisa que não joga...), que já antes perseguiram o desgraçado do Harry Potter (com os resultados que se viu - JK Rowling deve uma boa fatia do seu pecúlio aos irados do Vaticano, com certeza. A ironia faz bem ao sangue e estes moços, melhor do que ninguém, deveriam saber que Deus não dorme...), resolveram agora virar-se para a saga de Phillip Pullman, começar a descascar na suposta "anti-religiosidade" que a obra encerra, e a óbvia censura que deve ser feita à mesma. Sobre a manutenção pelo menos do espírito do Index, ler por exemplo aqui a propósito da antiga polémica Dan Brown...


Se eu já tinha vontade de ler as obras, confesso que a mesma redobrou. Porque aquilo que qualquer religião organizada ataca tão ferozmente é normalmente interessante e faz pensar. Pensar nem que seja no que levará instituições que já deveriam ter crescido a continuarem ataques pífios e ridículos à liberdade de pensamento, enfiando a carapuça cada vez que alguma obra supostamente ataca uma religião de massa. Dir-se-ia mania da perseguição, ou outra coisa mais sinistra, em meu ver. Pullman agradecerá. Quanto mais a Igreja descascar nas suas obras, mas elas se venderão, o que em meu ver parece um tiro no pé, mas enfim. A verdade é que argumentação para tais virulentos ataques é, normalmente, pouco menos que ridícula.

A verdade é que as religiões de massas, de cariz ainda profundamente dogmático, continuam a dar contínuos passos atrás, e se de facto é verdade que até partilho de muitos valores das designadas religiões "principais" - Amor ao próximo, exercício da bondade, etc - a liberdade de pensamento é algo que deveria ser sagrado, embora para muitos na comunidade religiosa, continue a ser sacrílego.
E assim não me parece que cheguem lá...







sexta-feira, junho 15, 2007

Cardinal faults Amnesty on abortion By NICOLE WINFIELD
Associated Press Writer © 2007 The Associated Press
On today's Houstou Chronicle - 15-06-2007
"VATICAN CITY — A Vatican cardinal said Wednesday that Roman Catholics shouldn't contribute to Amnesty International because the group adopted a new policy calling for access to abortion services for women under certain circumstances.
The human rights organization reversed its longtime neutral stance on abortion in April and adopted a policy urging governments to ensure access to abortion services for women in the case of rape, incest or when pregnancy represents a risk to the mother's life or a grave risk to her health.
Cardinal Renato Martino, who heads the Vatican's justice and peace department, criticized the policy, saying it represented a betrayal of Amnesty's goals of ensuring human rights around the world. "The inevitable consequence of this decision, according to the cardinal, will be the suspension of any financing to Amnesty on the part of Catholic organizations and also individual Catholics," according to a statement from Martino's office.
In a statement, Amnesty said it had never received any financing from the Vatican or from official Roman Catholic organizations. Spokesman Riccardo Nourey acknowledged that the group may well have received financing from "Catholic-inspired" groups as well as individuals, but not from organizations that are an official extension of the Catholic Church. In fact, Amnesty's statutes specifically say that the London-based organization is independent of any government, political party, church, religious confession or other group.
In the statement, Amnesty explained that its new abortion policy came about as part of its global Stop Violence Against Women campaign. The group, winner of the 1977 Nobel Peace Prize, said it recognized that women and girls were victims of gender-based violence and bear the consequences of "the abuse of their sexual and reproductive rights." Amnesty says it isn't taking a position on whether abortion is right or wrong, and will not campaign generally for abortion rights. But it says it decided to make the policy so it could address abortion as it relates to its core work of ensuring the right to health for women and fighting violence against women.
Martino, who was the Vatican's U.N. envoy for 16 years, often makes headlines with his pronouncements on issues of the day: He has expressed support for genetically modified foods, saying they could help feed the world's hungry; and he has backed scientists who question the gravity of climate change. The statement from Martino's office was carried by the official Vatican Radio. However, the statement on the Vatican Radio Web site omitted a key phrase from the original in which Martino says even individual Catholics should withhold financing for Amnesty. A Martino spokesman said he didn't know why Vatican Radio had omitted the section, but insisted that the cardinal fully meant that individual Catholics should suspend donations to the group. Martino's office issued the statement to expand on the cardinal's comments that appeared in an interview with the National Catholic Register, a U.S. Catholic weekly."


Os tipos andavam sossegados, e eu também. Em espécie de política "live and let live". Mas a Igreja não pode passar muito tempo sem deixar escapar um dos seus homéricos disparates, como é este caso.
De acordo com o cardeal supra citado, a política da AI sobre aborto em reacção a acções de violência sexual levada a cabo sobre mulheres deve ser fundamento para cessação de apoios à organização.
Para além de ser um disparate idiota e monumental, (semelhante a ir a África e dizer a países com problemas de sobrepopulação e disseminação preocupante de DST que o preservativo era pecado), pode causar problemas a estas organizações, que em muitos casos também dependem de donativos da generalidade das pessoas e de mecenas. Bem vistas as coisas, criar esta mancha de desaprovação sobre uma organização com tanta importância como a AI, aprovando implicitamente os resultados de violações, é algo que só vem juntar-se ao rol de disparates anacrónicos e dogmáticos de uma das várias religiões dominantes no mundo, que se preocupam, no plano dos principios (e de muitas concretizações), mais com a cartilha que com as pessoas a quem deveriam dirigir-se.

E depois perguntam-me porque raio sou agnóstico.