A verdade é que a certa altura, mesmo quando estamos cobertos pela ideia de que fazemos o melhor que podemos, ou que estamos a tentar fazer alguma coisa, somos incapazes de qualificar algumas atitudes e ideias como as asneiras ou idiotices absurdamente profundas que são. A estupidez é tão imensa que ensurdece, e damos connosco a afogarmo-nos na própria parvoíce, como se as soluções para quaisquer buracos no asfalto pessoal pudessem resolver-se com ausência de gravidade a substituir cascalho e alcatrão.
A visão geral é nossa, e as tendências analíticas externas estão certas, porque a visão que se lhes apresenta é plena de argumentação. E cada um sabe o que vê, o que está assente em cada perspectiva, a mais das vezes escorada pela afeição que lhes causa tal reacção.
E ao ver o caleidoscópio, os fragmentos surgem como a mais antiga história do mundo, inevitavelmente estilhaçada como qualquer coração foi e será sempre. Vestir uma capita de optimismo assemelha-se a arrancar unhas à vez, e no entanto tentamos. Tenta-se sempre porque mesmo na estupidez que em silêncio lá vamos reconhecendo, existe um desespero parcial que fala sempre mais alto e que conduz a uma inevitabilidade.
Hoje de manhã enterrei um pequeno animal de estimação que morreu ontem no seu aquário. É a coisa mais insignificante do mundo e bordejará o ridículo, mas por vezes não conseguimos escapar à noção trazida pelos pequenos detalhes que iluminam a tristeza da nossa própria incapacidade em sermos aquilo que todos os esforços feitos almejam.
Tentamos e tentamos e a cada morte parcial construimos o contorno que projectará a sombra do que também somos.