ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, junho 05, 2007

Ouvindo hoje a TSF, fiquei com uma ideia curiosa na cabeça.
Curiosa ou assustadora, consoante a lógica que se lhe aplique. Eu prefiro encará-la como um desafio, embora admita que as forças de constrangimento sejam sérias o suficiente para que o optimismo seja, no limite, moderado.
Todos falam em globalização. É uma realidade. Mas eu nem sequer vou abordar a questão económica, e aparentes contradicções dessa realidade. Falo sim da formatação comportamental, e alguma confusão quase difamatória relativamente à individualidade, tantas vezes confundida com individualismo.
A individualidade é o elogio do característico. É a percepção do pessoal, do próprio, da diferenciação indefinível. Expressa-se pela consciência da liberdade pessoal e o esforço construtivo, através de juízos éticos e estéticos para encontrar uma identificação. Essa identificação, em meu modesto ver, cresce e dignifica-se com a partilha. A experiência da liberdade pessoal sublima-se com a feliz contaminação da aprendizagem mútua. Somos mais e melhores quando aproveitamos o que de bom e entendível a individualidade de outro nos traz.
A multiculturalidade, e a interpenetração de influências é algo já amplamente debatido e reconhecido como positivo (Não confundir com relativismo cultural absoluto, que rejeito veementemente).
Mas é na expressão da evolução diária que subsiste o gozo e beleza da expressão da liberdade pessoal. O reconhecimento da justiça, dos juízos éticos, do esforço de exploração criativa e de partilha, para que o universo de cada um seja cada vez mais seu, no respeito da sua idiossincrasia, mas em colaboração com os outros.
É por isso que me preocupa a ideia da formatação.
A pressão esmagadora das conformidades, dos medianos, dos trilhos pavimentados, sem altos ou raízes de pergunta que possam crescer por baixo e estalem esse pavimento. Preocupa que a individualidade seja confundida com individualismo, que as ideias de reacção sejam esmagadas por um discurso de conformismo e aceitação de uma qualquer noção de poder omnipresente. Chateia-me que a diferença, que as perguntas nos olhares e nas formas de estar possam de alguma forma ser catalogadas como desvios.
A globalização deveria ser feita da contaminação por conhecimento e oportunidades, não por uma "new world order" em que a competição se sobrepõe claramente à colaboração, atingindo mesmo as esferas pessoais. A evolução não põe de parte a comunicação, julgo eu. Porque quando isso acontece, o mundo das pessoas fractura, violentamente, se assim tiver de ser.
E todos lamentam.
A verdade é que a individualidade não sobrevive sem a percepção do outro. Eu creio que a mesma deve ser feita em termos de conhecimento e descoberta de formas de colaboração, como um par de idiossincrasias que se alimentam mutuamente.
No fundo, desiludido ou não com as pessoas, a verdade é que as mesmas são a fonte da minha individualidade. Só assim ela fará sentido, e como tal, é na expressão da discordância que desenharei esse contorno.
Custe o que custar.