Em resposta a este post da A , e talvez porque já fui muito mais fundamentalista relativamente a algumas coisas do que sou hoje, arrisco uma explicação.
Não passa de uma tentativa, baseada unicamente em observação e alguma experiência de vida, mas nestas coisas qualquer esforço de consolidação conceptual perder-se-à, porque não existe um único coração que funcione como qualquer outro.
Razões de infidelidade?
Bem, é um tema complicado e muitos daqueles que conheço e que um dia disseram que nunca o fariam acabaram por meter a pata na poça. Existe uma miríade de razões, e sim, não é exclusivo dos homens.
Isso daria um outro tema, ou seja, a capacidade das mulheres em serem discretas.
Mas voltando a este, julgo que o maior dos perigos é o próprio mundo em que vivemos, e a quantidade de pressões e solicitações a que estamos sujeitos. Conhecemos centenas de pessoas, de personalidades, de formas de ser e parecer, e isso cria uma referência que cresce todos os dias. E pode existir um dia no qual alguém tem algo que simplesmente nos baralha o equilíbrio. (Claro que existem as pessoas que têm uma natureza propícia a isso, e como tal, para eles a monogamia, nem que seja na forma tentada, é uma quimera.) E alguém pode ter uma vida equilibrada, recorrentes momentos de felicidade (porque a felicidade contínua é inexistente), e ainda assim deparar-se com algo que pode perturbar esse equilíbrio. Algo que pode nem tem a ver com cupidez, lascívia, desejo de aventura, reforço, compensação, ou pode ser tudo isto junto. O mais perigoso é aquilo que encontra um espaço dentro de nós, ainda que o que já lá está nunca tenha de se mexer um centímetro.É raro acontecer, mas a verdade é que a traição pode simplesmente ser um azar, um tropeção. E a tentação é tão velha como a própria história do amor e da posse, e sem ela, os outros dois poderiam perder muita da sau força e substância.
Porque "encornam" as pessoas? Bem, existem explicações puramente pragmáticas e simples. E depois existem outras, que se prendem com a velha noção de que por vezes podemos ser apanhados de surpresa. Por coisas que nem sequer sabíamos que existiam, e que pela sua natureza, não podem ser encaradas como alternativa. Em 90% dos casos, conseguimos escapar. Mas julgo que ninguem está livre dessa possibilidade, embora muitos tenham a sorte de passar á margem, assobiando para o alto, e sublimando o que têm.
Sorte, ou talvez mais falta dela, julgo eu.
Porque motivos, a bem dizer, talvez não existam mesmo...