A crítica assemelha-se ao acto de respirar. Cedo ou tarde lá vai ter de aparecer uma. Existir é, num momento ou noutro, chatear os cornos a alguém que, por mais ou menos razões, resolve implicar connosco. Certo é que, ou merecemos ou não merecemos, e a coisa fica por aí. É pacífico. Por mais pacholas que possamos ser para alguém, existem uns quantos fígados que até fervem quando entram em contacto com a nossa presença. É inevitável.
O problema surge quando não entendemos as críticas, ou quando elas emergem de uma descontextualização que nos deixa (pelo menos a mim deixa) boquiabertos porque soa quase a traição. São críticas que são absolutamente insubstanciadas, e ainda por cima, surgem por detrás de um conhecimento que deveria ser imune a tais reparos, e não certamente a outros.
Aquela ideia de que alguém simplesmente nos conota com uma certa forma de pequenez, simplesmente porque os modos de exploração do mundo circundante não se assemelham, é das coisas mais complicadas de assimilar. Magoa porque surge no seio de uma intimidade e um conhecimento onde se pede a verdade, sim, mas nunca a descoberta de uma percepção redutora à custa de olhares moldados pela pretensa experiência de vida.
Aqueles que nos conhece(ra?)m e sabem o que somos, sabem como crescemos, como nunca ficámos quedos porque nunca desistimos daquilo que nos move e nos corta ao mesmo tempo, não deveriam ter a prerrogativa de enfiar a faca onde o tecido é mais desprotegido. Não deveriam ter a percepção falsa de que o seu mundo simplesmente parece mais completo não porque num haja viagem e noutro não, mas porque as viagens são simplesmente diferentes. E o tom casual com que é supostamente dito, à guisa de familiaridade ou intimidade, não esconde uma lógica trapalhona onde a unidade conceptual do que somos é obliterada. Não esconde o carácter incompleto irreconhecido, mas defendido ao reconhecer a suposta debilidade do outro pobre pateta, que por acaso até abriu sempre os braços e até tem em consideração aquilo que aquela pessoa lhe diz.
É duro desiludirmos alguém. E inevitavelmente, acaba por acontecer. Mas quando desconhecemos a razão, quando o motivo para tal juízo aparece como uma surpresa constituida por exposição (quase?) condescendente, à tristeza segue-se o único passo lógico.
É melhor pregarmos para outra freguesia, porque a nossa cantiga afinal sempre soou a uma gavota barroca, quando deveria e julgávamos ser algo parecido à Fiona Apple num entardecer glorioso de Outono.
Custa como a merda, mas segue-se.
E a modos que é assim...
Atiramos o precioso óbvio, mas...
Atiramos o precioso óbvio, mas...
