ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, janeiro 28, 2008


A crítica assemelha-se ao acto de respirar. Cedo ou tarde lá vai ter de aparecer uma. Existir é, num momento ou noutro, chatear os cornos a alguém que, por mais ou menos razões, resolve implicar connosco. Certo é que, ou merecemos ou não merecemos, e a coisa fica por aí. É pacífico. Por mais pacholas que possamos ser para alguém, existem uns quantos fígados que até fervem quando entram em contacto com a nossa presença. É inevitável.
O problema surge quando não entendemos as críticas, ou quando elas emergem de uma descontextualização que nos deixa (pelo menos a mim deixa) boquiabertos porque soa quase a traição. São críticas que são absolutamente insubstanciadas, e ainda por cima, surgem por detrás de um conhecimento que deveria ser imune a tais reparos, e não certamente a outros.
Aquela ideia de que alguém simplesmente nos conota com uma certa forma de pequenez, simplesmente porque os modos de exploração do mundo circundante não se assemelham, é das coisas mais complicadas de assimilar. Magoa porque surge no seio de uma intimidade e um conhecimento onde se pede a verdade, sim, mas nunca a descoberta de uma percepção redutora à custa de olhares moldados pela pretensa experiência de vida.
Aqueles que nos conhece(ra?)m e sabem o que somos, sabem como crescemos, como nunca ficámos quedos porque nunca desistimos daquilo que nos move e nos corta ao mesmo tempo, não deveriam ter a prerrogativa de enfiar a faca onde o tecido é mais desprotegido. Não deveriam ter a percepção falsa de que o seu mundo simplesmente parece mais completo não porque num haja viagem e noutro não, mas porque as viagens são simplesmente diferentes. E o tom casual com que é supostamente dito, à guisa de familiaridade ou intimidade, não esconde uma lógica trapalhona onde a unidade conceptual do que somos é obliterada. Não esconde o carácter incompleto irreconhecido, mas defendido ao reconhecer a suposta debilidade do outro pobre pateta, que por acaso até abriu sempre os braços e até tem em consideração aquilo que aquela pessoa lhe diz.
É duro desiludirmos alguém. E inevitavelmente, acaba por acontecer. Mas quando desconhecemos a razão, quando o motivo para tal juízo aparece como uma surpresa constituida por exposição (quase?) condescendente, à tristeza segue-se o único passo lógico.
É melhor pregarmos para outra freguesia, porque a nossa cantiga afinal sempre soou a uma gavota barroca, quando deveria e julgávamos ser algo parecido à Fiona Apple num entardecer glorioso de Outono.
Custa como a merda, mas segue-se.
E a modos que é assim...
Atiramos o precioso óbvio, mas...


quarta-feira, outubro 10, 2007


Foto By Fipas



Conheço pessoas que são perseguidas por algo que dificilmente definem, e que se enquadra perfeitamente na velhinha canção do Variações. Carregam-se a si próprios em busca de um senso de identidade com coisas que, em algumas ocasiões, nem sequer sabem ainda o que são, ou como podem contribuir para um pouco da realização descansada, ainda que sempre parcial.




Sôfregas, ansiosas, cheias de coragem para dar um passinho mais adiante, sem grandes certezas quanto ao suposto poiso de relaxamento ou objectivo concreto, sofremos sempre um pouco por elas ao ver a inquietação que lhes vai roubando o sono. Achamo-nos impotentes para apontar qualquer sugestão de caminho em direcção não à paz desmorta e macilenta, mas aquele estado de progressão onde encontram as reais possibilidades (sim, porque ninguém me tira da cabeça que não temos mais que isso) de dar de caras com algo parecido a estados intermitentes de felicidade.




Falam connosco, e confortamo-las, talvez conscientes também das nossas insuficiências quanto à capacidade para calar esses desmandos de vontade. Passamos a mão pela sua face, dizemos meia dúzia de palavras feitas de presença, confiança e conforto, e sorriem-nos. Sorriem pela nossa permanência teimosa, como ramos de raízes entrelaçadas, mas talvez um pouco conscientes de que pouco podemos fazer para tal desorientação sem pistas.




Nunca os apressamos a partir, mas sabemos que de nada adianta. Seguem o seu caminho, sorriem na percepção dos passos que os levam, e pelo menos pedem que reconheçamos a vontade de crescer em raíz, ainda que não haja terra ou humus que os alimente.




Mais ou menos próximos, observar com as mãos estendidas é o mínimo (ou talvez mesmo o máximo) que se pode fazer.




Abandoná-los à sua sorte é como dizer que o vento tem livre arbítrio.