ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, março 29, 2007

Há uma diferença substancial entre mau-feitio e feitio impossível.

O mau feitio pode ser divertido, agradável, porque com um pouco de razoabilidade e conversa sã, os pontos de vista podem não encontrar-se, mas de alguma forma encaixam-se como várias perspectivas de um problema. Esse tipo de feitio tem uma verve geralmente humorística, e muito genuína, a qual acaba por ser também motivo de proximidade.
Esse mau feitio por vezes não nos poupa, felizmente.
A minha namorada tem mau feitio. Ok, invulgar, mas cabe neste conceito.
A minha mãe tem mau feitio.
O meu irmão também, ui, de que maneira!
(O meu pai é outra história. É o único homem que conheço que é mais pato que eu, mas também muito mais encantador, uma história viva. Tem mau feitio, mas são demasiados anos a ver as coisas à sua maneira.)
Alguns dos (poucos?) amigos que se instalam realmente no meu coração também têm mau feitio segundo esta perspectiva. Sobem-lhes os azeites e pronto, é ficar de lado e ver, deleitado.
Mas no fundo, quase sempre se consegue conversar, argumentar, chegar a qualquer lado.
Numa outras perpectiva existem exemplos na blogosfera, com cujo mau feitio por vezes discordo, mas com o qual normalmente convivo bem, gosto muito de ler, e aprendo muita coisa também em concordância.
Além disso, esse mau feitio não é constante. É de ondas, por gatilhos, e debelável, parece-me.
Claro que em alguns casos é motivado pelo que leio, noutros pelo que leio somado ao conhecimento das pessoas, que são inclusive minhas amigas.
Ver aqui , aqui , aqui , só como óptimos e altamente recomendáveis exemplos. Mas há mais.
E depois há o feitio impossível.
A malta que nasceu para embirrar, para "desconstruir" (palavra da moda, eu sei), para criticar tudo e todos, geralmente com base em preconceitos ou egocentrismo de altifalante.
A malta que sobranceiramente não abre espaço para diálogo. Os gajos que interrompem tudo e todos nas conversas de grupo, julgando serem combativos quando estão a ser desagradavelmente "estardalhaçosos".
As pessoas de feitio impossível não racionalizam. Não jogam à bola, mas levam-na para casa. Para essas pessoas, consenso é sinónimo de vitória unilateral, e acordo significa impasse ou ignorância alheia.
As pessoas de feitio impossível são intratáveis, e algumas vezes disfarçam-no, até que se torna demasiado tarde para evitar danos, o que só aumenta a incidência desse mesmo feitio.
São tatuagens que não se deixam disfarçar por qualquer artista, por mais habilidoso que este seja, ou por maior que seja a mais valia que oferece.
E claro está, gosto de pessoas com bom feitio.
Não moleza, mas o desejo de solucionar.
Para eles, mais palavras outro dia.
Desculpem-me.
Não é defeito, é feitio...