
«Pais e Educadores Reforçam campanha contra "A bússola dourada", filme que promove ateísmo entre crianças
WASHINGTON DC, 30 Nov. 07 / 12:00 am (ACI) .
A Liga Católica dos Estados Unidos lançou uma campanha para advertir dos perigos do novo filme "A bússola dourada" (The Golden Compass) que se estréia na próxima semana e que pretende "conduzir aos crianças ao ateísmo".
O filme, interpretado por Nicole Kidman e Daniel Craig, é a adaptação do primeiro de três livros intitulados "Os Reinos do Norte", no qual o poder está nas mãos do "Magisterium" (alusão ao Magistério da Igreja) que deveria ser uma espécie de "ordem religiosa que sufoca a individualidade e controla as almas das crianças , atitude contra a qual se erige a menina Lyra Belacqua, possuidora da bússola dourada" que contém a verdade suprema.
Conforme explica o Presidente da Liga Católica dos Estados Unidos, Bill Donohue, Pullman promove assim o ateísmo e busca "denegrir a cristandade aos olhos das crianças" com sua trilogia intitulada "Fronteiras do Universo". Por essa razão exorta aos cristãos a "afastar-se deste filme, porque sabe que o filme incitará a ler os livros: Pais ingênuos que levam seus filhos a ver o filme podem ser impulsionados a comprar os três livros como presente de Natal".
O segundo livro, "A Faca Subtil" é mais "explícito no seu ódio ao cristianismo que o primeiro, e a terceira entrega ("A luneta âmbar") é mais flagrante" destaca Donohue, quem também explica que o filme está apoiado na menos ofensiva das três obras.
Ante esta agressão à fé católica, a Liga põe à disposição dos fiéis o relatório "A bússola dourada: propósitos desmascarados", que se pode adquirir na Internet.»
O filme, interpretado por Nicole Kidman e Daniel Craig, é a adaptação do primeiro de três livros intitulados "Os Reinos do Norte", no qual o poder está nas mãos do "Magisterium" (alusão ao Magistério da Igreja) que deveria ser uma espécie de "ordem religiosa que sufoca a individualidade e controla as almas das crianças , atitude contra a qual se erige a menina Lyra Belacqua, possuidora da bússola dourada" que contém a verdade suprema.
Conforme explica o Presidente da Liga Católica dos Estados Unidos, Bill Donohue, Pullman promove assim o ateísmo e busca "denegrir a cristandade aos olhos das crianças" com sua trilogia intitulada "Fronteiras do Universo". Por essa razão exorta aos cristãos a "afastar-se deste filme, porque sabe que o filme incitará a ler os livros: Pais ingênuos que levam seus filhos a ver o filme podem ser impulsionados a comprar os três livros como presente de Natal".
O segundo livro, "A Faca Subtil" é mais "explícito no seu ódio ao cristianismo que o primeiro, e a terceira entrega ("A luneta âmbar") é mais flagrante" destaca Donohue, quem também explica que o filme está apoiado na menos ofensiva das três obras.
Ante esta agressão à fé católica, a Liga põe à disposição dos fiéis o relatório "A bússola dourada: propósitos desmascarados", que se pode adquirir na Internet.»
O disparate completo está aqui. O artigo e as palavras de Donahue seriam rísiveis, se a sua ridicularia não fosse perigosa. É disparate atrás de disparate, próprio de quem nao tem ideias para combater ideias, mas sim a censura e dogmas como resposta à discordância com a cartilha.
Não só o teor de todo site é assustador (para além de involuntariamente cómico) , como de resto faz lembrar aquilo que os católicos não gostam de relembrar, que ainda hoje em dia existe algo impensável, ainda que em conceito, designado "Index Librorum Prohibitorum."
Este index vigorou até 1966 enquanto parte da lei canónica, mas que ainda assim, tendo sido banido como norma, permaneceu como sustentáculo de referência moral contra o que será supostamente conhecimento passível de ferir as ideias pré-feitas da doutrina católica. Nessa data, a Congregação para a Doutrina da Fé cessou a publicação desse Index, mas afirmou que o conceito subjacente ao mesmo ainda serviria como "guia moral para relemebrar as consciências dos fieis para que estes evitem ler aquilo que pode ser perigoso para a fé e a moral", podendo a Igreja emitir um Admonitium ou um aviso aos fiéis sobre a suposta periculosidade de um determinado livro. Referências aqui.
Eu sempre pensei que o verdadeiro perigo fosse a ignorância e a ingerência na liberdade de pensamento individual, mas estou certamente errado. Ou segundo estes moços, herético, o que já não me chateia nada. Se Cristo realmente existir, eu pergunto-me se ele estará realmente preocupado com o que eu leio, se isso representar pensamento ou o impulso para crescer e aprender, com o contributo de ideias novas, e a capacidade de perguntar para avançar. Se realmente for essa a posição dele, não contém comigo para o pão e vinho.
Estes amigos da Liga Católica Americana (que se diz protectora dos direitos civis.. hum... censura, direitos civis... há aqui qualquer coisa que não joga...), que já antes perseguiram o desgraçado do Harry Potter (com os resultados que se viu - JK Rowling deve uma boa fatia do seu pecúlio aos irados do Vaticano, com certeza. A ironia faz bem ao sangue e estes moços, melhor do que ninguém, deveriam saber que Deus não dorme...), resolveram agora virar-se para a saga de Phillip Pullman, começar a descascar na suposta "anti-religiosidade" que a obra encerra, e a óbvia censura que deve ser feita à mesma. Sobre a manutenção pelo menos do espírito do Index, ler por exemplo aqui a propósito da antiga polémica Dan Brown...
Se eu já tinha vontade de ler as obras, confesso que a mesma redobrou. Porque aquilo que qualquer religião organizada ataca tão ferozmente é normalmente interessante e faz pensar. Pensar nem que seja no que levará instituições que já deveriam ter crescido a continuarem ataques pífios e ridículos à liberdade de pensamento, enfiando a carapuça cada vez que alguma obra supostamente ataca uma religião de massa. Dir-se-ia mania da perseguição, ou outra coisa mais sinistra, em meu ver. Pullman agradecerá. Quanto mais a Igreja descascar nas suas obras, mas elas se venderão, o que em meu ver parece um tiro no pé, mas enfim. A verdade é que argumentação para tais virulentos ataques é, normalmente, pouco menos que ridícula.
A verdade é que as religiões de massas, de cariz ainda profundamente dogmático, continuam a dar contínuos passos atrás, e se de facto é verdade que até partilho de muitos valores das designadas religiões "principais" - Amor ao próximo, exercício da bondade, etc - a liberdade de pensamento é algo que deveria ser sagrado, embora para muitos na comunidade religiosa, continue a ser sacrílego.
E assim não me parece que cheguem lá...