Assim como muitas vezes não sabemos o que se passa com as pessoas, em termos do seu bem estar e equilibrio mental e emocional, o mesmo pode ser dito de cada um sobre si mesmo.
O conjunto de razões que assistem a um auto-diagnóstico são, muitas vezes, determináveis. Temos à mão sempre meia dúzia de explicações para as inflexões dos dias, para os padecimentos que tornam o passar das horas mais complicado.
Ninguém ignora que todos os conceitos são feitos de elementos constituintes. As partes dão pistas, mas é o elemento imaterial da conjugação que constrói esse mesmo conceito. E esse, a mais das vezes, é uma cola imaterial que nos imbui de um espírito ou disposição dificilmente erradicável. Está lá, e a ausência de explicação torna-a omnipresente, como uma disposição por coisa alguma, ou o recortar do humor sem tesoura.
Em consequência, os toques parecem mais ásperos. As vozes demasiado altas. As exposições e os confrontos pequenos rapidamente se transformam em batalhas campais. Os lábios estão mais repuxados para o brilho dos dentes. Os avisos surgem a toda a hora. Os locais de segurança, onde se observa com alguma distância, parecem almofadas de céu. Tudo custa mais. Está mais perro e deslocado.
A ausência de respostas para tal patologia surge então como uma ferrugem generalizada da pessoa. E da ausência de medo passa-se à fortificação, onde nos consumimos para poder redistribuir aquilo que somos. O estalido dos grilhões não tem qualquer parecença com vontade, mas é audível assim mesmo.
E saber o "porquê" talvez seja negar o "quê".
Com sorte, é infalível.