ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, abril 14, 2008


Dizer que não se exige é uma falácia. Pior, é uma hipocrisia acidental. Isso mesmo, esse conceito paradoxal mesmo. Uma hipocrisia acidental. A exigência faz parte da noção de sobrevivência que leva miúdos de tenra idade, sem a lição civilizacional do respeito pela partilha, a subjugar o semelhante porque a vontade surge soberana - Golding dixit.
A exigência é um instante de vontade potencial que mapeia o desejo.
E se para alguns, o amor explica todas as listas, desadequando-as, e para outros, as listas inabilitam a necessidade do amor, a verdade é que a exigência não surge sempre traduzida. Ela emana da percepção partilhada, de ondas de qualquer coisa que se parece com matéria. A exigência feita desejo é como uma luz que se deixa tocar. E para percebermos até onde estamos, o mínimo contorno tem de ser visível, o que, para mim, torna algo como o amor inteiramente inexplicável uma falsidade autocrática.
É naquilo que vemos e percebemos, perante os semelhantes, que o inexplicável cria os únicos. O amor, como o esquematismo kantiano, é a matéria que escolhe escorrer para moldes que de alguma forma existem, ainda que julguemos que só nos apercebemos deles no instante em que se enchem...
Quanto mais vivo, mais creio nisto, e mais o defendo.
Valoramos várias pessoas com milhões de características. Amamos aquelas que, "iguais" às outras, se tornam únicas, sem fazerem ponta de corno de ideia de como o fazem.
Ninguém é o que fazemos dessa pessoa, julgo eu, mas antes aquilo com que consegue insurgir-se, na petulância inconsciente da criação em que se torna, enganando-nos maravilhosamente ao obriga-nos a pensar que, afinal, conhecêmo-los desde sempre.
E exigimos porque num real amigo, amante ou familiar, é sempre isto que acontece.