A teimosia não se limita a trocar argumentos numa altercação, seja ela vocabular ou não. Existem persistências em cada um de nós que são muito simplesmente diálogos internos com as nossas noções de estabilidade, e lá está, teimosia.
Essas persistências são, afinal, irredutibilidades e incapacidades, e, sinceramente, acho que toda a gente as tem. Eu tenho-as, e reconheço-as, quando tenho essa oportunidade, naqueles que se deixam ver um bocadinho mais.
Claro que há burros velhos que não aprendem línguas, ou por vezes, nem sequer a soletrar. E convivemos com eles na medida em que se fazem entender na medida em que queremos saber o que dizem, o que trazem consigo. E no medo que tenho, do que essas persistências contêm de nocivo para eles, tento de alguma forma dizer algo não se aparente tanto com um histriónico zurrar. O ruído ensurdece-os, e no meio dele, posso perder a capacidade de lhes dizer do amor que lhes tenho, da pequena quota de pertença que lhes é devida, ainda que eles acabem por não sabê-lo nunca muito bem. E de ajudar, claro, ou ser sequer útil...
São, como em tudo, segredos e esperanças que temos.
Como se calhar espero que eventualmente tenham relativamente a mim, a nós, a todos.