ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, junho 06, 2007





AT THE MOVIES III





(Atenção, alguns spoilers! Se não viu o filme, não leia este post!)


Bem, é uma autêntica salada russa, confusa, com tantas linhas de história, algumas delas que nem sequer se concluem (o que raios acontece à Calipso? Vai-se simplesmente embora, transformada em caranguejinhos?), estendida até à exaustão. Só se safa realmente o grande Depp e a personagem de Sparrow que impede o filme de mergulhar no total desgoverno, embora ande lá muito perto.


Sparrow faz-me lembrar outro magistral excêntrico, o Ichabod Crane de Depp naquele que ainda é o meu filme favorito do Burton, o espantoso Sleepy Hollow. É uma personagem completamente radiosa, hilariante e imprevisível no meio de tanta formatação de capa e espada. Não seria justo dizer que os personagens não são algo complexos. Barbossa, por exemplo, deambula entre o bruto sanguinário e trapaceiro, e o defensor de liberdade, e a própria Miss Swann lançou o inefável Jack para as entranhas do Kraken, portanto a coisa não se centra no dualismo dos bons e maus rapazes (e raparigas, diga-se).


No entanto, o filme perde-se. Gore Verbinsky parece um mau condutor a tentar segurar um Ferrari, e são só curvas e contra curvas mal calculadas, trajectórias e resoluções dramáticas em mudança primária, estendidas até à exaustão, já que o filme é extremamente longo. Não se perdia nada em cortar meia horita.

Diverte, sim, é um facto. As imagens e os efeitos são laboriosamente criados para dar a sensação de espectáculo e fantástico, mas este é um número 3 que se distancia muito da agradável surpresa que fora o primeiro capítulo desta saga (o primeiro filme é, em meu ver, um bom filme de acção e aventura, relembrando e inovando a imagem dos corsários e as intrigas de capa, espada e rum de outros tempos).

No fundo, Hollywood faz o mesmo novamente. Espreme a mama do potencial lucro até que nada mais resta senão muito barulho e pouca substância perante o potencial que uma aventura destas teria. Fica a sensação de vazio, de desperdício, como um estomago saciado reclama invariavelmente depois de um enfardamento de MacDonalds.

Bem pelo menos fica-nos o conforto em saber que Depp fará a versão "Burtoniana" de Sweeny Todd, que desde já antecipo com grande expectativa, e para piratas, tenho lá este para ler, quando o sol e o trabalho me permitirem espraiar na areia e saber o que realmente se passava nos barcos com as caveiras e os ossos cruzados asteados.