As pessoas que me conhecem sabem que eu e o Paulo Portas pouco temos em comum. Ou nada mesmo. Mas o desacordo não é sinónimo de autismo, e como não me revejo nessa postura, tenho de aplaudir as palavras do senhor relativamente a esta palhaçada sem limites que são as provas de aferição, e principalmente, o descaso com que foi abordado o problema dos erros de português.
Gostaria de saber quem foi o idiota, o brilhante estratega pedagógico que achou justificável fazer-se provas sem avaliação, e pior, que deu instruções para que os erros de português não fossem tidos em conta para efeitos da avaliação (que não avalia ninguém - salsada total!!!) dos alunos. Mas desde quando é que se deve aceitar que os alunos escrevam mal, desde que apanhem o sentido do texto? Mas é a ortografia despicienda? Será que se grunhirmos em direcção ao conceito da resposta, ela também conta?
A questão da "passagem" obrigatória até ao 9º ano já é um disparate do tamanho de um prédio. Motivar miúdos que acham que passam independentemente do que façam é algo que somente a malta do gabinete é que pode achar exequível. Mas permitir que os alunos escrevam de forma errada, que soletrem mal, que cometam toda a espécie de enormidades à nossa querida língua, que é já tão atacada nestes tempos é uma estratégia cujos proveitos dificilmente consigo perspectivar. Quem beneficiará com isto? Será o tradutor que espetou no ecrã de cinema que o assassino do filme em questão seria um "prevertido"? Este idiota deverá continuar a ser incompetente e a multiplicar pontapés destes na semântica?
A avaliação é uma condição indispensável da pedagogia, em meu modesto ver. Obviamente que os conteúdos devem ser ministrados de forma competente, e de maneira a chegar a todos nas melhores condições possíveis, mas deixar que os erros, as falhas e as asneiras passem incólumes é perpetuar uma cultura de miserabilismo e incompetência, com custos muito altos para... os alunos e futuros profissionais.
É de facto uma educação de faz-de-conta, onde a malta vê as asneiras, mas como são bem intencionadas, nem nos preocupamos em corrigir e voltar a ensinar, consolidando a aprendizagem.
E se este tipo de opções continuar, a nossa fraca capacidade para competir e responsabilizar no campo das qualificações e saberes tenderá com certeza a eternizar-se.
Tenham paciência!!!
E se este tipo de opções continuar, a nossa fraca capacidade para competir e responsabilizar no campo das qualificações e saberes tenderá com certeza a eternizar-se.
Tenham paciência!!!