ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, abril 18, 2007







A partir de uma iniciativa revelada aqui, e previamente exposta aqui, (um deles um excelente blog que conheço e urge visitar, o outro que agora começo a descobrir mas parece igualmente de grande qualidade), chega este momento verdadeiramente surpreendente e hilariante. Desmanchei-me a rir a ver isto, provavelmente porque é tão certeiro como engraçado, e deu-me cá uma vontade de fazer uma lista ou arrazoado pessoal de queixas, que olhem, lá vai! Não rimará, nem pode tomar a forma de música, mas olhem, é o que temos. E de alguma forma isto faz-me lembrar um magnífico momento de um grande filme do Spike Lee , embora a lógica não seja bem a mesma destes coros, mais descontraídos e bem humorados.


Coro de queixas de Portugal/Lisboa:
Os idiotas continuam a comer pipocas com a boca aberta e a atenter os telemóveis no cinema.
Mas qual é a parte do anúncio "por favor desligue o telemóvel" que não entendem?
Alguns velhotes continuam a confundir idade com noção de respeito pelas filas.
Os chicos espertos ainda levam a melhor, especialmente aqueles que constroem estados com dinheiro que não têm e à custa de dívidas ao fisco que não pagam.
Grande parte dos "empreendedores" julga que por supostamente dar emprego, as leis não se lhe aplicam. E quando são apanhados, já não pregam o que praticam.
A extrema direita portuguesa ameaça crianças de colo.
No recibo de ordenado raramente há consolo.
Os construtores civis julgam que a manutenção dos seus Mercedes justifica o preço de casas que não se vendem, ou que a vender-se, não se conseguem pagar. Os juros, pela mão do BCE, são sempre a caminho da estratosfera.
A televisão nacional anda perto do aneurisma cerebral. A indigência atinge novos píncaros na produção ou adaptação nacional. Por volta da uma manhã os neurónios conseguem voltar a estremecer, mas há que acordar no dia a seguir e ganhar para viver.
As revistas do coração continuam a vender a ideia de é uma vida boa aquela que não se consegue ter. A ideia de que o sucesso é feito da facilidade em vender-se, humilhar-se, para aparecer.
O Paulo Porta ainda não desapareceu. O Marques Mendes não cresceu.
A Câmara de Lisboa faz tunéis e obras a granel. Tem mais arguidos constituidos que um gang ou cartel.
A personalidade mais popular para os internautas portugueses é o Nuno Gomes.
O jornal com mais tiragem é o 24 horas.
Lares e creches são fortunas, a pagar por aqueles que são cada vez mais impulsionados para não ter a disponibilidade que aliviaria a dependência de tais instituições. Mas a malta ganha um ou dois milhares, e não milhões. O crédito está mal parado. Mas o vizinho do lado tem na sala um plasma, e vê o filme, regalado.
Malfadados sejam os tipos que contornam as rotundas por fora, os que falam ao telemóvel sem auricular e depois se queixam de ficar sem carta, os que deitam lixo para o chão mesmo com caixotes à volta. A malta que não recicla porque acha que devem ir buscar o papel e plástico à porta.
Os CDS a vinte euros, e os DVDs a 30 e a netcabo a 35 mês. O dilema não se coloca para muitos.
O sistema de transportes só funciona no coração da cidade. Os acessos oriundos dos arredores criam ataques de ansiedade. O carro é inevitabilidade.
E por aí fora...
Quem quiser contribuir para este coro de queixas pois acrescente, e rubricaremos uma versão final. Talvez alguém lhe adicione uma música e nos juntemos aos rapazes e raparigas aí de cima.