ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

Mostrar mensagens com a etiqueta receios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta receios. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, junho 09, 2008


A história de Pedro e o Lobo tem uma sabedoria realmente ímpar. Há algo nos velhos contos, nas velhas morais que, devidamente adaptadas, acabam por ter alguma lógica quase imbatível, porque existem poucas coisas irrefutáveis, se é que existe alguma.

Nos dias que correm a medida da tristeza dos outros, e dos efeitos da solidão inter-pares parece-me, com demasiada frequência, mal avaliada. E isso porque talvez vivamos numa era em que se grita demasiadas vezes pelo Lobo.
Os anti-depressivos são os smarties fashion de uma lógica em espiral, onde vejo pessoas assentarem em escoras externas e não reforo de alicerces. Não faltasse o dinheiro, e já muitíssima gente tería importado os gurus ou os terapeutas para cada semana em que as coisas corressem menos bem. Os lobos que aparecem assemelham-se a cães, mas da pradaria, pequenitos, felpudos e com dentes fortes, é um facto, mas para roer oleaginosas.
Qualquer merdita parece motivo para encharcamento em andas químicas, e com isso estraçalham-se muito boas tentativas de furar lógicas de solidão. As pessoas que realmente sentem na pele os efeitos de uma tristeza ou impacto sensível, encolhem-se, em medo, em vergonha, porque muitos deles simplesmente não sabem definir o que os come internamente, de forma a poderem parecer "complexos" e não correrem o risco de não passar de "malucos".

E depois surgem os problemas.
Os problemas sérios. Aqueles que efectivamente podem encurralar a pessoa dentro de si mesma até que a roda do hamster finalmente lhe rebente o coração em esforço. Surgem as questões acerca das invisibilidades, dos ecos, das excentricidades que não passam de genuínas formas de ansiar empatia. Grita-se lobo. E morre-se. Em carne ou pior, no resto.
cada um quebrará o condicionamento da forma que melhor sabe. Alguns deles inclusive fá-lo-ão, lamentavelmente, pela violência sobre si ou sobre outros.

Talvez, sei lá eu, baste criar uma linguagem. Uma espécie de molde para laços que se desejam fortes, e perguntas suficientes para que sejam vários a querer responder como quem aprende. Mas julgo que urge olhar. Ver um bocadinho. Trautear uma mesma música e olhar nos olhos como quem, se ainda não vê, está à espera de o fazer.

Grite-se Lobo. Se for real, nem é necessário fazê-lo a plenos pulmões.
Acho eu.