ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, maio 22, 2007

Dá efectivamente muito que pensar. A cassete dos "imperativos do mercado" tem mais buracos que um queijo suíço...
Não sou economista, e tento apenas informar-me o mais possível, na perspectiva de um leigo que no entanto tenta raciocinar e chega à conclusão que dificilmente se explicam cortes de pessoal numa empresa onde os administradores ganham 300 vezes o que ganha o operacional mais básico na estrutura produtiva. Como alguém me disse, a empresa que tem máquinas com 20 anos, mas um conselho de administração com Audis TDI à porta, não pode explicar-se com imperativos de mercado.
O Presidente do Banco de Portugal não pode vir falar de rigidez de legislação laboral, e de necessidade de contenção salarial, e depois encomendar alguns BMW série 7 ( + ou - 20 000 contos cada) para se transportar de um lado para o outro.
As contradicções estão à vista. E são imensas.
Considero apenas triste e de uma hipocrisia tremenda falar-se em condicionantes de mercado quando o mesmo pode claramente ser regulado, e a ganância do lucro sem contrapartidas de evolução ou progresso ser controlada pelos árbitros - os Estados. Se existirem regras, a selvajeria não se generaliza.
Se afinal de contas não passamos mesmo de factores de produção, de simples elementos na roda dentada, então a ideia de competência e profissionalismo rapidamente é substituída por qualquer pessoa que possa ser espremida o mais possível, pagando o menos possível. E isto parece-me, no mínimo, perigoso e anacrónico, próprio de outras eras negras da história social.
Acredito numa economia de mercado, no valor da concorrência, da competência e profissionalismo, mas nunca a todo o custo, e jamais sem regras. Os árbritos devem ser rigorosos e as regras são para cumprir, porque o sucesso deve ser sempre obtido com as pessoas, e não à custa delas, porque cedo ou tarde, a pressão é demasiada, e algo vai estalar e a derrocada é inevitável. Não entreguem o peixe, mas sim as canas, e que os fiscais vigiem os rios. Assim será mesmo através do valor e trabalho que as pessoas chegarão a algum lado, e não pela eficácia da sua implacabilidade competitiva.
"Nenhuma força de mercado impõe que um administrador tenha que ganhar um salário de 12 milhões de dólares por ano – nem sequer de 2 milhões; mas os conselhos de directores e as comissões de compensação corporativas formadas por amigalhaços podem assumir esta generosidade à custa dos trabalhadores. E é este mesmo grupo de fabricantes de decisões, em conjunto com os funcionários políticos que eles apoiam e subsidiam, que afirmarão enganadoramente, por exemplo, que são as forças do mercado, a pressão inflacionária, e a potencial perda de postos de trabalho que os obrigam a bloquear as tentativas para aumentar o ridículo salário mínimo nos Estados Unidos de 5,15 dólares por hora, e que se mantém há uma década.(...)
Stephen J. Fortunato Jr. - Membro do Supremo Tribunal de Justiça de Rhode Island. Os seus ensaios e análises têm sido publicados no Georgetown Journal of Legal Ethics, no Harvard Law Journal, no In These Times e noutras publicações.