ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, julho 23, 2008

A ideia da generalização sempre me pareceu errada, e na verdade quanto mais cruzo caminhos com outras pessoas, mais essa noção ganha consistência.
Existe uma espécie de fio condutor que me atrevo a defender e sobre o qual reflito, mas tenho plena consciência que as diferenças intrínsecas a cada um dos conjuntos de valores e coerências complexas que vou encontrando são, por si só, pequenos mundos. E somos déspotas desses pequenos mundos, creio, na medida em que os vamos regendo conforme aquele instante parece verdadeiro e coincidente com o que a voz profunda nos vai ditando.
As originalidades não findam. As pessoas encontram e encontram-se nas mais variadas formas de suster o que lhes parece fundamental. Reagem humanamente porque o seu quadro surge pintado das matizes que, à beira de todas as formas de auto-consciência, lhes parecem adequadas.
A ideia da diferença sempre me foi cara, mas ganhou e ganha a cada dia uma dimensão mais apurada. Não creio, (nem hoje, nem nunca), no relativismo absoluto. Há para mim alguma perspectiva sempre defensável e comprovável de bem e mal, de humanidade e desumanidade, de certo ou errado. Mas é no esforço de construção e aproveitamento das diferenças de abordagem que vivem aquelas coisas que nos acompanham, e aquelas que morrem por serem margens sem sequer projectos de ponte.
As pessoas que me têm vindo a ensinar cada vez mais coisas destas sabem quem são, e por isso mesmo, apesar de nem sempre ser agradável (como se alguma vez o pudesse ser), sabem que é inestimável. A fé é também mais pequena, mas contra isso...
Síndrome de culpa católica (para um agnóstico é a osmose em conceito mais estranha do mundo), dialecto urso, vozes de gatos, felizes ditaduras da vontade, diferenças acérrimas, isolamentos ao olhar, segredos emocionais, planaltos de conforto interno, seja lá o que for. Vou recolhendo o que posso, o que me dão, e afinal de contas, o melhor que posso fazer é sempre o melhor que puder fazer.
Mesmo com o pessimismo debaixo do braço, ainda há surpresas debaixo do sol.