A ideia da generalização sempre me pareceu errada, e na verdade quanto mais cruzo caminhos com outras pessoas, mais essa noção ganha consistência.
Existe uma espécie de fio condutor que me atrevo a defender e sobre o qual reflito, mas tenho plena consciência que as diferenças intrínsecas a cada um dos conjuntos de valores e coerências complexas que vou encontrando são, por si só, pequenos mundos. E somos déspotas desses pequenos mundos, creio, na medida em que os vamos regendo conforme aquele instante parece verdadeiro e coincidente com o que a voz profunda nos vai ditando.
As originalidades não findam. As pessoas encontram e encontram-se nas mais variadas formas de suster o que lhes parece fundamental. Reagem humanamente porque o seu quadro surge pintado das matizes que, à beira de todas as formas de auto-consciência, lhes parecem adequadas.
A ideia da diferença sempre me foi cara, mas ganhou e ganha a cada dia uma dimensão mais apurada. Não creio, (nem hoje, nem nunca), no relativismo absoluto. Há para mim alguma perspectiva sempre defensável e comprovável de bem e mal, de humanidade e desumanidade, de certo ou errado. Mas é no esforço de construção e aproveitamento das diferenças de abordagem que vivem aquelas coisas que nos acompanham, e aquelas que morrem por serem margens sem sequer projectos de ponte.
As pessoas que me têm vindo a ensinar cada vez mais coisas destas sabem quem são, e por isso mesmo, apesar de nem sempre ser agradável (como se alguma vez o pudesse ser), sabem que é inestimável. A fé é também mais pequena, mas contra isso...
Síndrome de culpa católica (para um agnóstico é a osmose em conceito mais estranha do mundo), dialecto urso, vozes de gatos, felizes ditaduras da vontade, diferenças acérrimas, isolamentos ao olhar, segredos emocionais, planaltos de conforto interno, seja lá o que for. Vou recolhendo o que posso, o que me dão, e afinal de contas, o melhor que posso fazer é sempre o melhor que puder fazer.
Mesmo com o pessimismo debaixo do braço, ainda há surpresas debaixo do sol.