Acho que não é sentimento alheio a ninguém, pelo menos num momento que seja da sua vida, no qual nos achamos perguntadores. Sim, bem sei que perguntar é normal. É diário. É como um vaso sanguíneo que tudo abastece na capacidade e necessidade de pensar.
Mas dou comigo a fechar-me no silêncio e ouvir as coisas de outros e a pensar que por mais perguntas que faça, os cuidados parecem não chegar. É ilógico e estúpido pensar que poderei sequer tomar mais do que duas atitudes seguidas que serão abrangentes. Consensuais. Se até o coração recebe e expulsa no intervalar de um mero segundo, porque será que teimo em tentar algo diferente com os seus donos? Pois, não sei, mas a confusão é feita disso mesmo, e é ela que assenta no começo da teimosia e no fim dos objectivos.
A verdade é que raramente a visão que granjeamos, e eu obviamente sou tudo menos excepção, parece aplicável. Há demasiada resistência dos feudos, e as ideias mais marcadas estão entrincheiradas em cidades estados de ideias e sentimentos de tal forma fortificados que são mais as vezes que saem para a guerra que aquelas em que há armistícios.
E no entanto, como nunca se deve fazer perante qualquer dogma, lá teimo em perguntar, em olhar para as coisas, tentar colocá-las num patamar de entendimento o mais transversal e comum possível, e que diabo, falho muito porque não sou senão a linearidade das minhas intenções, a paixão de qualquer coisa parecida com honestidade interna e a necessária debelidade associada às coisas que contam.
E no real afecto a que me permito na peugada de alguns que são poucos, não resta senão a ideia de que se tentar nunca é uma questão, acertar muitas vezes não passa de uma qualquer sorte. Por isso, mais vale perguntar. E uma e outra vez, por mais estupido que (eu) possa parecer.
A verdade é que nada mais fará isso de forma mais eficaz que certa forma de silêncio.
Por vezes o oráculo lá fala sem adivinhas...