ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, outubro 30, 2007



Já aqui falei do ressabiamento de algumas mulheres, mas juro que cada vez o percebo menos, especialmente porque começa a engrossar fileiras.

É uma espécie de condescendência misturada com acrimónia, e o mais curioso é que é atirado como se de facto pudesse passar por mais do que um preconceito inflamado e em muitos casos, apenas patético. E o pior, é que em nada se diferencia do machismo mais básico, traduzidos ambos numa lógica de inferiorização despida de qualquer argumentação que não sejam as velhinhas quimeras dos "homens todos iguais", e "todos uns bandidos" e por aí fora.


Há tempos tive uma conversa curiosa com uma amiga, onde se debatia uma certa capacidade que alguns (ok... muitos) os homens possuem para ser menos focados num único objecto de afeição do que as mulheres. Além de achar que isso são tretas, porque há mulheres tão capazes de pular a cerca como homens, a verdade é que a predação, caso exista, é produto de personalidade e não hormonas diferenciadas. Está no sangue da pessoa, e na sua capacidade de seduzir, ou não. É assim, simples e pragmático.


Mas sim, admitindo que isso até possa ser verdade, eu gostaria que algumas mulheres fossem homens por uma semana. Que sentissem na pele o que é ser homem, só para verem como é, antes de lançarem generalizações acerca de coisas que nem desconfiam. Que percebessem o que acontece quando a programação genética dá umas ordens absolutamente imbecis, mas incrivelmente convincentes. Assim como algumas mulheres terão com os sapatos e quejandos, ou desculpam tudo com o SPM. (Ou talvez alguma encontre uma explicação perfeitamente racional para ter 50 pares de sapatos em casa...). Umas naturalidades servem, outras já são discutíveis... Enfim...


Brincadeiras à parte, é evidente que é a confronto perante as diferenças que dificulta tudo. Porque de parte a parte existem irracionalidades e coisas que talvez não se entendam perfeitamente, mas enquanto se extremam posições, surgem as incongruências, e muitos idiotas com meia dúzia de lérias acabam por levar à certa quem no fundo deseja ser levada e finge para si mesma crer em historietas coladas a cuspo. E a taxa de sucesso de tais artistas é tal que obviamente não posso associar a falta de inteligência da contraparte, mas sim um desejo de crer, mesmo quando a coisa cheira mal à légua. É exactamente o mesmo raciocínio do macho latino que nunca duvida de todos os orgamos das suas parceiras, ainda que todas tenham fingido. No fundo, há lá a possibilidade, mas a alternativa é muito melhor. Se brilha, soa e por momentos parece ouro, então deve ser. E depois é um asnear que nunca mais acaba...


Recear esta espécie de afirmação de um suposto girl power, é dar-lhe a importância que não tem, e sobretudo, mostrar que perante a inversão de papéis, o simulacro de poder cria maus hábitos e atitudes discutíveis, sejam elas masculinas ou femininas.