Entre várias outras, uma das razões pela qual House M.D. é possívelmente a minha série favorita, a seguir a Firefly, (pelo menos por enquanto já que me falta dar conta da série "Heroes", "Lost", etc...) prende-se com a forma como o personagem principal, e as outras também, vão crescendo e mudando com incrivel sucesso, pelo menos em termos do meu escrutínio pessoal. Já gostei e detestei todas as personagens (com excepção talvez do Wilson - onde já vai o clube dos poetas mortos), num momento ou noutro, embora mais umas que outras. Este efeito é, no entanto, muito mais intensificado no que diz respeito à personagem principal que Hugh Laurie (grande, grande Prince George em Black Adder! Quem diria!) carrega com um grau de excelência só comparável à eficácia na ausência de sotaque.
Entre todos os momentos, são as conversas entre House e Wilson que constituem alguns dos meus momentos preferidos. Porque o primeiro faz coisas ao segundo que talvez nenhum de nós aceitasse com tal bonomia, mas também porque o segundo consegue irritar ou por vezes criar um instante de hesitação que nenhum real idiota sentiria perante as mesmas circunstâncias. No fundo, parecem um pouco como miudos a comparar habilidades, mas com a sofisticação própria da inteligência acima da média, e da desconexão com o real que a mesma traz não raras vezes. House até me faz lembrar algumas pessoas, e confesso que já fiz de Wilson mais vezes do que gostaria de admitir. Mas tudo aquilo parece tão genuíno, tão próprio das coisas que a imperfeição das relações que temos com as pessoas são capazes de provocar e está tão bem escrito, que cada segundo é um absoluto prazer. E sim, parece que vicia.
Até que ponto alguém poderia levar mesmo uma amizade até rebentar com ela?
Até que ponto é que a aceitação de um amigo pode esticar?
(...)
Em semana e meia despachei a terceira série, e agora é esperar pela quarta em DVD, porque acompanhar os horários da série na TV não me é possível. Enfim, adiante.Enjoy!