ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, março 26, 2008

“Temos uma experiência familiar da ordem, da constância, da perpétua renovação do mundo material que nos rodeia. Todas as suas partes são frágeis e transitórias, os seus elementos agitados e migratórios, todavia ele subsiste. Está unido por uma lei de permanencia e, embora sempre a morrer, renasce a cada instante. A dissolução apenas dá origem a novos modos de organização; uma morte gera mil vidas. Cada hora, ao chegar é apenas um testemunho de quão passageiro e, no entanto, quão seguro e quão certo é o grande todo. É como uma imagem nas águas, sempre a mesma, embora as águas fluam constantemente. O sol entra no ocaso para tornar a despontar; os dias são engolidos pela escuridão da noite para dela nascerem tão novos como se nunca tivessem findado. A Primavera transforma-se no Verão, e, pelo Verão e pelo Outono, é transformada em Inverno, ainda mais confiante pelo seu regresso último, para triunfar daquela sepultura para a qual resolutamente se apressou desde a sua primeira hora. Lamentamos as flores de Maio porque se destinam a murchar; mas sabemos que Maio um dia obterá a sua vitória sobre Novembro pela revolução daquele círculo solene que nunca se detém,que nos ensina no cume da nossa esperança a ser sempre sóbrios e no mais profundo da desolação a nunca desesperar.”

John Henry Newman - “The Second Spring”


(Um padre... quem me conhece, saberá o porquê da profunda ironia...)

terça-feira, janeiro 08, 2008


"Alguns consideram que tal coisa não existe. Que somos todos passíveis de remendos que nos transportam para uma dimensão imaculada da personalidade que supostamente temos. Mas os que assim pensam estão errados. Pelo menos parcialmente. A evolução não aponta apenas para um sentido. As pessoas danificadas não estão de forma alguma absolutamente incapazes. Ou tolhidas. Se for a pensar bem, elas simplesmente colocam um problema complicado aos que ainda assim as amam e aceitam. Abanam a cabeça em segredo, aceitam a punição e fazem o melhor que podem.
A avaria pode tornar a pessoa diferente, evoluída e pejada de uma percepção de si mesma ao ponto de nem sempre fazer aquilo que supostamente faz sentido. A dor é de marés, e ninguém pode parar a rotação da terra. Simples. Mas a humanidade condicionada é dolorosamente real. Por vezes, aposta fortemente. E é efectivamente capaz de sentir ou esperar. Mesmo em meio ao desespero da confusão, isso consegue prevalecer, ou a tristeza produzida pela denúncia que fazem de si mesmos não passaria de um fait-divers. E se gritamos, existe, se existe, tem efeito, e se tem efeito reconhece-se. Está vivo.
Ela pareceu ter lido isso a partir do meu silêncio, pois passou a mão pelo meu rosto e exibiu um sorriso estranho. Era o sorriso de quem põe Betadine num joelho esfolado. A repreensão surgia como a lógica de causa efeito, sem os panos quentes da cegueira benévola ou o abandono do repúdio. É o direito sagrado de cada pessoa poder lixar a sua vida conforme lhe aprouver, mas a liberdade não parecia garantir-me palmadinhas nas costas ou pontos no cartão da gasolineira. Ela era o beijo de retribuição, a entrega da mais simples ternura pelo esforço na perseguição da mesma. E a vergonha que sentia pela minha imobilidade não era suficiente para lhe dar espontaneidade. Bebia pelo sono, e adormecia pela facilidade."


... a caminho da via sacra da rejeição editorial :)