Quando te peguei naquilo que tinhas como mão, percebi que havia pouco a fazer. Não havia morte. Havia pouca ausência de silêncio. Que quer isso dizer. Falo das poucas palavras, das coisas pequenas que deixavas sair a espaços, permeada com a percepção da tua incapacidade. Até o toque dos teus dedos, como uma miúda que tacteia no escuro, era medroso. Era inseguro porque à teimosia das tuas perguntas estava associada a tua nova resolução, ainda que o rio que deixavas correr pela cara abaixo desmentisse tudo como uma empolada resolução de ano novo.
Os teus olhos não eram os mesmos, mas não por causa do inchaço. A tua confusão era a minha confusão, e os abraços possiveis mais ameçavam parecer-se a encontrões na rua, dados pelos desnorteados que seguram demasiadas coisas em braços delgados.
Olhei e vi apenas o longo discorrer do conforto, permeado pelas ansiedades que já não te reconheço como tuas. Depois, multiplico-te pela número de coisas em caras que vejo, e reconheço-te, já cansado, por toda a parte. Identifico-te num alinhamento de criminosos suaves de todos os dias, percebo que as perguntas são inúteis, e sei-te como a medida de controlo do meu sangue. Aquele que ainda bombeia, percebendo-te como a cerca de madeira podre que espera pelo Verão e a pintura das felicidades adiadas.

