E eis que o sol espreita.
O calor, como qualquer abraço forte, faz com que o corpo tenha consciência de algo mais que passa a tocar-lhe. O ar parece querer entrar para dentro da roupa, e até o cheiro da terra e dos locais onde passamos todos os dias se transforma, trazendo uma secura doce própria da luz que a Terra ganha ao inclinar-se mais um pouco expondo uma maior superficie da sua pele azul.
Eis que as pessoas começam a ganhar consciência que o que andava escondido terá uma terrível tendência para sair cá para fora, porque a pele também procura aquelas carícias de um mundo sem mãos ou lábios que só o calor traz. A propensão para o mundo e as pessoas intensifica-se, como se fossem audíveis os estalidos de uma electricidade pré-consumidora dos corpos.
Mas o calor também leva à contemplação. À percepção da pele e das morfologias.
Eis que o ginásio se torna novamente um local de peregrinação inútil para tantos, e o inferno para aqueles que nunca o perderam de vista e agora têm de apresentar um requerimento para conseguir fazer um treino de jeito.
E um gajo, lesionado, que tem de perder 5 kgs até Julho, começa cedo a perder a pachorra para a malta que vai descarregar o seu sentido de culpa para um local onde deveria verter suór, e nada mais faz que passear a nova roupa de ginásio que comprou assim que o sol se espreguiçou no céu.
As recorrências da incongruência socializante envergonham a precisão e fiabilidade os relógios suíços.
Bem, só me resta esperar que às horas a que vou, depois das aulas, a calmaria se tenha instalado, e uma pessoa lá consiga treinar em condições.
Ad augusta per angusta, já lá dizia o outro.