ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, setembro 24, 2003

O Meu Amor Existe

O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe


Jorge Palma

Com a respectiva música e a voz de Palma é ainda melhor. Uma pequena pérola que ouço vezes sem conta e que de alguma forma nunca perde aquele encanto entristecido que constitui as músicas que nos acompanham nos momentos que perduram na memória. Excelente!

Abraços

terça-feira, setembro 23, 2003

Imaginar compensa?


E pergunto isto porquê? Porque o neorealismo feioso em que vivemos parece de alguma forma aceitar o contributo do cinismo como factor exclusivo para justificar qualidade.
Uma cambada de poeirentos parte do principio que a imaginação elemento de um reduto menor da expressão cultural, e o mundo inferioriza tudo aquilo que surja da simples capacidade de construir algo que não se assemelhe tanto ao que estamos fartos de ver.
Cascam em J.P.Jeunet, Larry e Andy Wachowski, Peter Jackson, Stephen King, Clive Barker, como cascaram em Poe, Tolkien, Doyle, etc, etc, etc...
Mas que complot é este contra a imaginação, contra a reorganização dos elementos da realidade para maravilhar, assutar, ou simplesmente mostrar algo diferente? Já para não falar na animação. Mas como é que a "Vaigem de Chihiro" não foi um dos melhores filmes, senão o melhor do ano passado? O que é que faltava para o neorealismo? Que Sen fizesse umas linhas de coca lá no balneário dos deuses?

É a sobranceria de sempre, que classifica os géneros ligados á imaginação e á comédia como sendo menores.
Mas têm esses senhores ideia do quão complicado é imaginar como deve de ser? Ou quão terrivelmente dificil é fazer rir?
Ou é a arrogância tão imensa que confundem as suas subjectividades com uma suposta grelha objectiva de qualidade, que pressupõem nos seus discursos mas nunca explicam?
Basta ler a maioria da crítica de cinema nacional e a conclusão é fácil.
Lamentável, mas fácil.

Abraços

P.S. ( falta apenas um mês para Matrix Revolutions!)
Porque será que a visão de uma linda mulher me dá, ocasionalmente, a vontade de ser invisível?
De me esconder, envolto numa leda tristeza, como se a imperfeição do mundo tivesse feito de mim um seu posto de observação ou sucursal?

Porque é que nessas alturas não consigo continuar a ser Kantiano?

Abraços




Falta pouco tempo...
Para quem não leu a obra, mas viu os filmes, aconselho-vos a apertar o cinto. É o culminar de toda a maravilha relativa á obra de Tolkien.

Abraços

Muita atenção quando jogarem á bola com o chefe.
Especialmente se ele for um cretino com tendência para abusar da autoridade, como este aqui...
Há gente perfeitamente estúpida, realmente...

Abraços


WAYNE SACKED AFTER 'RED CARD' FOR BOSS


10:30 - 22 September 2003

When referee Wayne Millin "blew the whistle" on his boss during a football game, he never thought he would lose his job two months later.

Wayne, from Nailsworth, had reported his boss - who was the manager of one of the teams playing - for swearing at him. And now the 35-year-old has been awarded £6,000 for unfair dismissal after he was made redundant from Just Labels Ltd at Brimscombe.

Wayne had worked for Just Labels until June when he received a letter informing him that he was no longer required by the company.

He claimed that he was unfairly dismissed after getting involved in an argument with his boss, Robert Smith, during a match featuring King's Stanley FC's second team, of which Mr Smith is manager.

Wayne has been a referee for just two years and was only refereeing the game last April after volunteering to take charge of the clash.

He said: "There were a lot of games to play at the end of last season and I volunteered to take on this match as an extra one to help out.

"When I told them in work that I would be in charge, we had a joke about it but when we got to the game I did what I do in every match and spoke to both teams, telling them that I would not accept abuse and so on.

"I didn't think it would be a tough game as neither team had anything to play for really, neither was going up or down, it was just a middle-of-the-table clash.

"When the game started, everything seemed to go well but then there was a tackle on the far side of the pitch which looked fair to me, so I waved play on."

However, Robert Smith did not agree with the decision and, following swearing and abusive comments from the touchline, Wayne told him he would be reporting him to the Gloucestershire Football Association (GFA).

Wayne said: "He seemed to think I was joking, but when the £7 fine arrived from the GFA a month later, my life was made hell in work.

"Nobody would speak to me, and it became really unbearable.

"Eventually I reported it to the union and, on their advice, handed in a letter of complaint about the treatment I was receiving.

"I handed that in on June 23, but on June 27, after being at work all day without anyone saying anything, I returned home to find a letter telling me I was being made redundant.

"I contacted the union, who told me that I had a good case for unfair dismissal, and I was eventually given £6,000 after winning my case and settling out of court.

"I am just pleased to have won. Nobody deserves to go through what I have been through in the last few months."

Robert Smith declined to comment when approached by The Citizen.

In - "The Citizen" - www.thisisgloucestershire.co.uk - 22-09-2003
Existem dias em que escrever se assemelha a tentar levantar um bloco de concreto com o dedo mindinho. Andamos á voltas, tocamos, empurramos, mas nada se mexe.
Mas como dizia SK na sua autobiografia "On Writing" ( que recomendo sem reservas) a musa não é uma mulher lindíssima,cheia de voluntariedade e "armada" de um saco de ideias. É mais um tipo parecido com o Luis de Matos, de fato de macaco e cartola, que passa de quando em vez para ver como estamos e nos empresta uma pitada de magia.
No fundo os processos de criação, pelo que me aprecebo, necessitam de tempo e alguns recursos, e é complicado encarar sempre tudo como trabalho. Tem de haver algo que se mova por si, como uma aleatoriedade simpática que nos carrega por alguns segundos, abrindo o tal buraco no papel ou no ecran.
Nesses períodos, o melhor é ler. Porque não tem o dia 36 horas então?

Adiante

Abraços

segunda-feira, setembro 22, 2003

Ontem á noite vejo na televisão uma notícia que sinceramente me deixa preocupado e perplexo. Alguns dos factos podem estar inexactos, pois estava a escrever algo ao mesmo tempo e a concentração era errática.
Um automóvel entra em contra mão, penso que era um jeep, e abalrroa dois automóveis, matando e ferindo pessoas.
Este seria um cenário pavorosamente normal nas nossas estradas, mas aquilo que me assustou foi ter percebido que existia intenção da parte do condutor em cometer a infracção e embater nos outros carros. Supostamente tratar-se-ia de um perverso sistema de apostas, baseado num desafio á morte através de um jogo de probabilidades e suposta perícia.
O resultado é o conhecido.
O mais aterrador é que estas coisas não são de hoje.Conheci pessoalmente o caso de um canalha que, para entreter as meninas que levava no carro, resolveu fazer terceira faixa na marginal. O resultado foi a morte de todas as pessoas envolvidas no posterior choque frontal, á excepção dele próprio. A gracinha e a ousadia custou quatro vidas.
Muitas vezes nos questionamos acerca da existência de algo verdadeiramente maligno. Como optimista que sou, tendo a procurar a explicação para tais "perturbações" no mecanismo de causa efeito.
Mas ao deparar-me com algo como isto, entendo que a maldade, nestes casos aliada á estupidez, existe de facto. Não mais é que um desrespeito absoluto pelo valor vida, e uma atitude consciente e intencional para produzir nada mais que dano injustificado a outrem.
E isso nunca consigo entender.
Pior ainda quando a existência de tais fenómenos está á mão de semear, provada com a clareza de uma manhã soalheira, fria e seca de Inverno.
E o descontentamento que deixa, leva a incómodas perguntas.

Vou por um pano preto por cima... desculpem.

Abraços


sexta-feira, setembro 19, 2003

Enviei um original para algumas editoras há cerca de quatro meses.
A verdade é que, até agora, apenas uma dela me respondeu,dando-me uma sarabanda subtil. As outras permanecem em silêncio, provavelmente com material para atear as lareiras das casas na Serra da Estrela quando o tempo arrefecer.
Previsível, mas ainda assim, chateia imenso.

Abraços
Governo corrige o discurso absurdo e extremista de Paulo Portas, que cada vez mais se parece com uma duplicada lavadinha de Heider.
Ao Ministro da Defesa é cada vez mais difí­cil esconder a sua tendnêcia para o extremismo de direita, a sua queda para o populismo e a demagogia na sua forma mais vulgar e estrondosamente óbvia.
Leio o Público hoje com agrado, e verifico que o Governo tomou uma decisão sensata, porque se é certo que não temos um paí­s que aguente uma polí­tica de porta aberta sem qualquer regra, também será absolutamente claro que uma importante parte do reforço no encaixe de verbas na segurança social e fisco deve-se às contribuições dos imigrantes. E se muitos destes não fossem explorados na ilegalidade por empresários inexcrupulosos e absolutamente criminosos, estes números aumentariam ainda mais. É engraçado ver como aqueles que Paulo Portas quer ver daqui para fora, num discurso de limpeza que até me revolve o estômago, contribuem mais para o orçamento de Estado e saúde financeira da Segurança Social ( que ele também quer ver destruí­da através da substituiç ão epelasseguradoras) que muitos dos seus amigos que integram a classe alta e sobranceira que caracteriza muitos dos elementos ou simpatizantes do PP, classe esta envolvida em casos que vão desde a Moderna a evasão fiscal gritante. Aliás, o caso da empresa de sondagens Amostra está tão mal explicadinho que prova precisamente a qualidade de lapa que Portas tem quanto ao poleiro do poder. Qualquer outro político já se teria demitido depois de tanta suspeita, mas este senhor mostra a sua sofreguidão em mandar e influenciar, mantendo-se num cargo para o qual a confiança polí­tica há muito que deveria ter sido retirada.
Ainda mais lamentável para um homem que enquanto director do Independente tanto se esforçou por descobrir fraudes e alimentar desconfianças, que tantas cabeças pediu por coisas que mais tarde nem sequer se vieram a provar, e que agora mostra a medida da sua incongruência e desonestidade intelectual e polí­tica.
Portas é uma caricatura perigosa daquela espécie de direita que não se importa em discutir ou pensar sobre nada, mas tão somente em acicatar segregacionismos e elitismos absolutamente infundamentados. Embora eu saiba que não, se este senhor fala por toda a direita, bem...um saneamento político já era oportuno.
Heider ou Le Pen á  escala nacional. Uma tristeza, uma vergonha.


Abraços
Hoje é Sexta Feira.
E há sempre uma pequena euforia.

Abraços
Ontem á noite vi o filme "Irreversível", e sinceramente não sei o que pensar.
Sim, bem sei que a chamada crítica letrada e auto intitulada especialista em condicionamento de subjectividades dirá que se trata de uma porra de uma obra prima, mas eu cá mantenho a minha. Não sei o que pensar.

Para começar, se eu fosse o Christopher Nolan, ficava lixado, porque a lógica de progressão regressiva da narrativa é copiada a decalque dessa obra genial que dá pelo nome de "Memento". É que tirando as piruetas da câmara, a premissa é exactamente a mesma, ou seja, as cenas entrelaçam-se numa progressão para trás. Tem algo de deja vu, verdade seja dita.

Os actores entregam-se, é verdade, se bem que Vincent Cassel ofusca todos os outros, incluindo a ex-esposa Belucci. A empatia é excelente, e até os figurantes fazem um trabalho credível e envolvente. Arrepiante, diria eu, mas isso é outra história.

No entanto aqueles tiques de realização que é suposto criar uma qualquer envolvência tornam o início do filme confuso e determinados planos são esticados para além daquilo que considero integrado no ritmo de um filme. A observação torna-se errática, e dei comigo a olhar para o lado porque já estava cansado de ver a câmara dar voltas e mais voltas, como se o operador tivesse caido de uma escada abaixo. É uma tentativa de criar estilo mas que até um certo ponto leva a que me pergunte qual o intuito.
E se a ideia é dar a noção de desorientação, inquietação, mal estar e stress, porque é que a cena da violação está filmada num plano estático? Padece de falta de coerência, se é que era esta a intenção do realizador.

Depois é a implausibilidade de imensas premissas e decisões dos protagonistas. A decisão dela de andar sozinha num local supostamente perigoso da cidade, ainda por cima já se sabendo grávida. A forma como o marido consegue entrar tão agressivamente num local que mais parece um sector do inferno mais carregado que já vi em cinema, é forçada.
A própria premissa do argumento está assim algo fragilizada pela plausibilidade de alguns acontecimentos.

E finalmente o choque. A brutalidade. A intenção claríssima de castigar o espectador até ao limite do suportável. E a minha pergunta é a mesma. Qual o intuito? É suposto ser um extremo exercício de realismo? Mas quem é que rebenta a cabeça de alguém com a mesma expressão de leve enfado com que se limpa um dejecto canino no passeio? Caraças... Eu sempre embirrei um bocadinho com aqueles que confundem o poder do choque e do desagradável com profundidade e sentido de comunicação de ideias. Eu posso sugerir uns sites com imagens parecidas e ainda mais brutais, que nunca mais na vida quero ver, e que nem por isso são considerados cinema de autor.
Noe resolve castigar-nos com algumas das cenas mais brutais e asquerosas que eu já vi em cinema ou qualquer outro local, e a minha questão é só esta. Qual é o intuito? A subtileza também conta para alguma coisa, certo?


E no entanto, para além disto tudo, não se pode dizer que o filme não funcione. Não tenciono vê-lo novamente, e não é um filme que tenha gostado. Mas não pode de forma nenhuma ser considerado um mau filme. Tem força e uma certa forma de atrevimento que torna o seu visionamento marcante.
Não sei se é mau ou bom.
Eu sinceramente não gostei, pelo mesmo motivo que detestei Saló do Pasolini. É daqueles filems que nem sequer percebo porque foi feito, nem qual a virtude senão uma tentativa de denúncia num contexto politico e histórico determinado. Acho que neste domínio, certas coisas absolutamente gratuitas são confundidas com sentido artistico e denuncia realista. Não sei que propósito servem, mas a mim nenhum com certeza.

Por estranho que pareça, recomendo e não recomendo.
Se forem sensíveis, este filme é uma absoluta tortura. Impiedoso mesmo. Uma jornada de nervos nos primeiros 50 minutos.
Se a curiosidade vos levar a melhor, preparem-se. É, acima de tudo, uma experiência.
Para mim, está lado a lado com Saló - de Pasolini, o Homem Elefante - de Lynch e SAving Private Ryan - de Spielberg, como um dos filmes mais difíceis de ver.
São os chamados filmes bigorna, pela pancada que nos dão na cabeça e a dor e incómodo que lá deixam.
Boa sorte.

Abraços

quinta-feira, setembro 18, 2003

Não há meninos, não há casório...

"No plans for kids? The church won't marry you

June 01 2003 at 02:24PM



Paris - A French couple has been refused a religious wedding ceremony by the Catholic church because they said they did not want to have children, Le Journal du Dimanche newspaper reported on Sunday.

The pair - named only as Anne and Christophe - told the parish priest in Saint-Remi de Forbach in northeastern France that they were afraid of passing on a nervous disorder from which Anne suffered.

"However, it was not a genetic illness. It posed a real problem because what they said is incompatible with canon law," said Philippe Hiegel, spokesperson for the Metz diocese.

In the Catholic marriage ceremony bride and groom must declare that they intend to have children and that they accept the "responsibility of spouse and parent," church officials told the paper.

"The priest had no choice but to refuse. If the marriage was ever disputed in a church court it would be declared void," said Jean-Marie Stock, the diocesan vicar-general.

Church officials explained that the marriage service can be offered to couples who cannot have children, or who want to delay having them, but an outright refusal to have children is a disqualification. - Sapa-AFP
"

Pois é, a minha Instituição favorita... ( not!!!) fê-lo novamente...
Não há filhotes, não há casório, que esta coisa de sexo por prazer são modernices.
Obviamente que a questão se prende com a lei canónica, a qual, em grande parte do seu conteúdo normativo, está desfasada da natureza humana e regula relacionamentos com uma doutrina comportamental por ideias de severidade, medo e privação.
Bolas, mas a religião não existe para acolher e beneficiar as pessoas? Ou a tolerância pela liberdade pessoal é perfeitamente incompatível com os dogmas do cristianismo?
Duh! Pergunta de retórica, claro...

Abraços
Comboio Fantasma? Não, muito mais imbecil e assustador do que isso...

O conceito desta espécie de purga para as massas crentes é algo de quase inacreditável. Sinceramente, até pode ser considerado divertido e risível, se for possível distanciarmo-nos do facto de que os seus craidores levam a sua invenção e pseudo-pedagogia associada muito a sério...

No ano passado George Ratliff realizou um documentário acerca deste fenómeno que teve e tem lugar ainda hoje na Trinity Christian School em Cedar Hill, Texas, e que supostamente se identifica como uma viagem de catarse através da exposição aos efeitos dos pecados. A mim parece-me que alguém andou a ver demasiadas vezes a laranja mecânica, e criou uma aberração fanática cheia de vontade de repisar preconceitos numa espécie de demonstração de moral pela lógica do choque.
Atenção que uma das reprentações teatraliza a homossexualidade como um demónio, bem como aborto, entre outros...
Sinceramente, até me custa falar mais sobre esta "criação" sem ficar com uma azia para três semanas, e deixo apenas um texto descritivo do excelente "Rotten Tomatoes" acerca do documentário em questão, o qual é por si mesmo elucidativo.

George Ratliff's stirring documentary sheds light on one of late-20th Century America's most confounding creations, the Hell House. Providing a bizarre twist on the traditional haunted house formula, Hell Houses are church-funded, elaborately staged productions that trade fictitious monsters for the so-called demons that haunt our everyday lives--demons such as abortion, suicide, and homosexuality. Brought to you by the parishioners at your local Pentecostal or Southern Baptist churches, Hell Houses aim to frighten nonbelievers into a life of purity (as they see it) by accepting Jesus Christ as their personal savior. Ratliff's impressively unobtrusive camera takes the audience behind the scenes of one of America's most notorious Hell Houses, sponsored by the Trinity Assembly of God Church in Cedar Hill, Texas, following the outlandish production from its pre-planning stages all the way through its wildly successful two-week run. Rather than merely presenting these people--and this spectacle--as an outrageous example of reverence gone bonkers, Ratliff takes the time to establish the humanity of each participant, which adds another layer to the film. Frustrating, hysterical, and stimulating, HELL HOUSE is a testament to the saying "truth is stranger than fiction."

This film screened in April 2002 in New York City as part of the Gen Art Film Festival.


Não são os deuses que devem estar loucos.
Para quê transferir responsabilidades, digo eu...
Sem mais comentários, e uma nota de admiração a George Ratliff que segundo as críticas que li, é considerado unanimente como um observador isento na sua obra.
Para quando nos nossos cinemas ou circuito Video/DVD?

Abraços!
"Temos uma experiência familiar da ordem, da constância, da perpétua renovação do mundo material que nos rodeia. Todas as suas partes são frágeis e transitórias, os seus elementos agitados e migratórios, todavia ele subsiste. Está unido por uma lei de permanência e, embora sempre a morrer, renasce a cada instante. A dissolução apenas dá origem a novos modos de organização; uma morte gera mil vidas. Cada hora, ao chegar é apenas um testemunho de quão passageiro e, no entanto, quão seguro e quão certo é o grande todo. É como uma imagem nas águas, sempre a mesma, embora as águas fluam constantemente. O sol entra no ocaso para tornar a despontar; os dias são engolidos pela noite pela escuridão da noite para dela nascerem tão novos como se nunca tivessem findado. A Primavera transforma-se no Verão, e, pelo Verão e pelo Outono, é transformada em Inverno, ainda mais confiante pelo seu regresso último, para triunfar daquela sepultura para a qual resolutamente se apressou desde a sua primeira hora. Lamentamos as flores de Maio porque se destinam a murchar; mas sabemos que Maio um dia obterá a sua vitória sobre Novembro pela revolução daquele círculo solene que nunca se detém, que nos ensina no cume da nossa esperança a ser sempre sóbrios e no mais profundo da desolação a nunca desesperar."

John Henry Newman
"The Second Spring"


William Peter Blatty utilizou este sermão de um padre jesuíta para dar voz a uma das suas personagens no seu notável romance "O Exorcista".
Um livro que é uma fantástica surpresa, ao contrário do que se possa pensar.
A não perder, juntamente com o filme de William Friedkin com o mesmo nome.
Sim, bem sei que o texto é optimista e que vai causar males de fígado aos realistas e conservadores empedernidos, mas felizmente a realidade também se pinta a outras cores, meus senhores.


Abraços




ADAPTATIONFabuloso, excelente e sobretudo, original sem cair num expressionismo incompreensível ou numa linguagem de simbolismos fechados e que se tornam eles sim um Oroboro.

Nicholas(s) CAge (s) é assobroso, Maryl Streep está ao seu nível de sempre, e deixem-me tirar o chapéu a Chris Cooper e a falta dos seus dentes da frente.Óscar muito bem atribuido, embora ele já estivesse excelente em muitos outros papéis, do qual destaco, como não podeia deixar de ser, o coronel gay de American Beauty. Realizado com mão fime mas plenamente entregue á história dos personagens, faz com a história flua sem se dar por ela, e sobretudo dando o ênfase necessário aos instante de reflexão e impacto emocional do filme, que tocam e colocam a massa cinzenta aos pulos. Já para não dizer o músculo peitoral interno. :)
As críticas ao final do filme, realizado e escrito por Donald Kaufman, são injustas na medida em que, conforme ele disse e muito bem, " everyone has he's own genre - What's yours?"
Vivemos dentro do Cool e desmiolado Donald, que empresta uma espécie de mapa de afeição em meio á demência desgraçada de Charlie.
E sobretudo há uma ideia de beleza, complexidade e multiplicidade de influências de que somos todos feitos, a ideia de que não somos cristalizados em nada como norma de identificação unitária e redutora. Não somos só Charlie, nem Donald, e congratulo-me por sentir que Kaufman e Jonze escolhem esta forma inteligentíssima e brilhante de mencionar que a inteligência e a qualidade do que se possa perseguir ou realizar não assenta numa espécie de código subentendido do que é qualidade.
Ou seja, o final é um elemento de positividade que não é deslocado nem fora de contexto. É afinal de contas, a real Adaptação. Aceitar a premissa da jornalista, abrir a porta para que a imaginação e a busca da orginalidade não aliene a forma positiva de encarar os desejos perante a própria vida.
Lamento profundamente que algumas pessoas com quem falei tenham este horror pós-moderno a tudo o que signifique a capacidade de um protagonista de uma história superar-se e de alguma forma encontrar algum encantamento, por pequeno que seja, no seu percurso de vida. Sinceramente, esta obsessão pela definição da qualidade em função da tinta negra que se lança sobre a história confunde-me um pouco. Que se passa com todas essas pessoas? Abram as janelas da cave e percebam que o sol também brilha de quando em vez. E que o dia também faz parte da existência, caraças! E que tal não significa qualquer traição á forma inteligente e sentida de contar uma história. Tenho mais isto a a agradecer a Kaufman e Jonze.
Para mim, na altura, um dos filmes do ano, e sobretudo uma pedrada no charco.

Abraços





Da MulherA Mulher é , para mim, uma fonte inesgotável de pensamento, irritação, fascínio, curiosidade. Por isso criei este post, ao qual voltarei em tempos futuros. Porque acho que nunca terei dito tudo o que posso sobre ela.

É uma homenagem trapalhona mas que é pelo menos sentida.
Se entenderem alguma coisa como generalização gratuita, peço desde já desculpa, dizendo também que se tratam de ideias e conclusões com base numa experiência e percurso pessoal junto das mulheres, a saber, o meu.

Apetece-me falar um bocadinho dessa eterna tensão entre os dois sexos, que até hoje ainda andam a ver exactamente o que pretendem um do outro.
Começando por termos mais práticos, a igualdade que deve ser defendida mais veementemente é a de vertente jurídica, ou seja, a que concede direitos, oportunidades e legitimidade para todas as coisas do mundo humano.
Mas quando se entra no relacionamento interpessoal, no domínio da abordagem do "eu" perante o mundo, as diferenças são mais que um objecto de estudo, uma evidência.
Somos iguais em muitas coisas, como somos diferentes.
Presumir certas igualdades será um exercício optimista pelo desejo de compreensão, mas talvez complicado devido ao plano de diversidade da natureza. porque realmente acho que a Natureza tem um plano. Não estivéssemos nós tão empenhados em dar cabo dele, e talvez víssemos a sua concluão, mas adiante...

E porquê?
Bem, a começar pela forma como a natureza desejou ordenar as coisas, ou seja, pela construção dos sexos, dos corpos e a função que desempenham nesse eterno jogo de suposições que é o relacionamento homem mulher.
Segundo as leis da natureza não racional, ou seja, dos animais ditos não racionais ( atenção que isto do não racional tem o que se lhe diga, mas para facilitar a discussão fiquemos por aqui) a beleza, a cor, aquilo que chama a atenção ficou por conta dos machos. São eles que detém as jubas, as penas coloridas, os cantos mais altos, as danças mais vigorosas. No fundo, os mecanismos de atracção dita evidente ficaram por conta dos machos na sua feroz luta por chamar a atenção.
Mas alguém resolveu pregar uma partida ao género humano, e baralhou as cartas todas.
À mulher foi concedida a beleza. A capacidade de exteriorizar um prolongamento do seu género que origina um fenómeno imediato de contemplação. Há algo na beleza, no simples facto de se tornar presente a presença feminina que desafia todas as subtilezas masculinas.
A pele lisa, os cabelos compridos, as curvas subtis, ao arranjo mágico do rosto, os trejeitos sensuais do corpo? tudo foi dado à mulher, ainda por cima numa lógica de (aparente) controlo do jogo da atracção.
Parece tudo menos justo!
A natureza pode ser sábia, mas nem por isso aparenta ser justa nesta situação em particular.
Face a tudo isto sempre achei a mulher um ser fascinante. Não só pelo seu carisma sexual, pela força da sua essência sensível, mas também pelas suas contradições, pelas suas fraquezas, pela sua tendência feroz para a territorialidade.
Quanto mais vou andando, mais percebo que menos sei, e que a melhor forma de se comunicar com o espírito feminino é desdramatizando a sua suposta complexidade, simplificando os conceitos, e realmente ouvindo o que ela pode ter a dizer. É ficar quieto, ouvir mais do que falar, mas ser firme.
A nossa suposta fraqueza hormonal é um mito. Porque ela é em si também um acto de vontade. É por isso que é tão engraçado estudar as mulheres. Especialmente para alguém como eu que nada sabe sobre elas, mas que tende sempre a querer descobrir.

O universo sexual feminino é um poço de originalidades e idiossincrasias. Tudo parece diferente de pessoa para pessoa, e não existem limites para os universos de interpretação social.
Mas digo desde já que discordo da ideia tão propalada da tendência recatada e monogâmica da mulher. Pode ser um elemento cultural, incutido profundamente, mas julgo que não radica em noções de inatismo. Este é um universo no qual penso que o corpo feminino grita tão alto como o masculino.
A natureza dá-nos a pista inicial.
A mulher tem mais 43 pontos erógenos, se não me falha a memória, e possui um órgão cuja utilidade é única e exclusivamente o prazer.
O facto de ter tantos pontos erógenos leva a duas conclusões. A primeira, que quase toda a mulher é em si um ponto erógeno, sendo que a pele pode ser veículo quase total para a ideia de toque e excitação. E a segunda é que talvez assim se explique a razão pela qual o toque é muito mais poderoso na mulher que a estimulação visual. Penso que se os homens se atrevessem a tocar mais, as coisas seriam diferentes. Mas a sociedade ordena-se por esses mecanismos de prudência, e de uma certa forma, é o que mantém uma certa ordem.
Já quanto ao famoso órgão, denominado por clítoris, ou "clit" nas designações "anglo-urbano-modernas", tem mais de oito mil fibras nervosas numa superfície externa de dois centímetros. Se considerarmos que o pénis tem 3 mil, a conclusão tira-se por si mesma.
Ou seja, o corpo da mulher foi construído para o prazer. Dela mesma, não do homem, reafirme-se já. A sensualidade que a mulher é capaz, endeusando-se, é um mistério. É uma extensão fantástica desta bomba de potencial sexuado, onde as imagens criadas emanam de uma capacidade para a recepção do toque. Talvez seja por isso que as mulheres seja curvas, sejam suavidade. Porque elas são toque, e para si mesmas, este é o rei do contacto com o exterior.

Ao contrário do que dizem alguns sectores mais prudentes, especialmente deste ressurgimento do dito neoconservadorismo, não julgo que haja, ou deva haver qualquer distinção na atitude perante a glória do corpo entre homens e mulheres.
Durante séculos existiu uma repressão das manifestações da libido feminina precisamente por receio da superioridade sexual. Os próprios instrumentos de tortura tinham um pendor de destruição dessa mesma superioridade. Como demonstração de que a força bruta teria sempre a ultima palavra, em todas as formas de subjugação conhecidas.
Sem surpresa, o género humano tende a destruir o que não entende por preguiça e comodismo mental. Depois do medo, claro.

Como havia dito, penso que a iniciativa na mulher não fica mal, ou não dá qualquer imagem de baixeza. Porque aquilo que é feito de forma gratuita fica mal a ambos os sexos, ao contrário do que se propalava há uns tempos. O conceito da mulher fácil é apenas uma espécie de muleta psicológica para explicar uma timidez mal aliada a um desejo de intimidação e domínio da caça. Qual é o tipo de arma ao ombro que quer andar a fugir dos coelhos? Tenho amigos que olham para a mulher como algo esquivo, que deve fugir para provar a sua qualidade. Eu, com o devido respeito, acho isso uma idiotice.

O grande problema é a falta de cedência de parte a parte. Ou seja, os hábitos e territórios separados por uma espécie de código de automatismos, e a desconsideração do que são os rituais alheios.
Há toda uma enorme série de códigos, signos e significados que atraem os dois sexos ao mesmo tempo que pressupunham clivagens. Porque penso que há um grande desejo de entender, de perceber, de interiorizar, ainda que seja pela pior razão do mundo, ou seja, o exercício de controlo.
A única coisa que digo é que se a mulher domina claramente o universo da sensualidade e sedução, então pergunta-se o que sobrou para os homens?
Sobram os milhões de páginas de poesia, literatura, de partituras, de telas, de objectos transformados.
Sobram os cantos de inspiração, as modificações do discurso, as mentiras encantadoras, as verdades rendidas. Sobram os passos no encalço do mistério. Sobramos nós, a tentação, a cobiça e um fascínio por vezes ressentido.

As hormonas podem explicar muita coisa. E explicam. Assim como o juízo estético. Por muito doloroso que seja, a beleza traz uma facilidade à imaginação. Um par de olhos ou uma curva perfeita da mama enche a taça da criação do olhar e engenho masculino. Era pelo menos isso que dizia Vinicius de Moraes e eu tendo a concordar com ele.

Mas o universo feminino, naquilo que tem de exasperante e por vezes aparente e gratuitamente complexo, tem uma outra face de riqueza e multifacetação que surpreende porque à medida que vamos crescendo e visualizando, menos vamos entendendo. E é a atitude que desarma, a vivência expressa em trejeitos que empresta à beleza um senso de fundamental mas simultaneamente apenas parte de um todo.

É uma crença que tenho, sinceramente, o que talvez explique muito do que não entendo, e ainda mais a falta de um senso de sedução eficaz.
Mas ainda assim, vale a pena ir aprendendo, penso eu.
ou pela lógica a mim aplicada, ir sabendo cada vez menos.




Abraços!




"



"...Andy Dufresne, who crawled through
a river of shit and came out clean
on the other side. Andy Dufresne,
headed for the Pacific.

Sometimes it makes me sad, though,
Andy being gone. I have to remind
myself that some birds aren't meant
to be caged, that's all. Their
feathers are just too bright...

...and when they fly away, the part
of you that knows it was a sin to
lock them up does rejoice...but still,
the place you live is that much more
drab and empty that they're gone.
I guess I just miss my friend. "


Shawshank Redemption - Frank Darambondt -Realizador
cena interpretada por Morgan Freeman a partir de um texto original de Stephen King"




Abraços!








RICKY:

It was one of those days when it's
a minute away from snowing and
there's this electricity in the
air, you can almost hear it, right?
And this bag was like, dancing with
me. Like a little kid begging me
to play with it. For fifteen
minutes. And that's the day I knew
there was this entire life behind
things, and ... this incredibly
benevolent force, that wanted me to
know there was no reason to be
afraid. Ever.

Video's a poor excuse. But it
helps me remember... and I need to
remember...

Sometimes there's so much beauty
in the world I feel like I can't
take it, like my heart's going to
cave in."





LESTER:
"I guess I could be pretty pissed
of f about what happened to me...
but it's hard to stay mad, when
there's so much beauty in the
world. Sometimes I feel like I'm
seeing it all at once, and it's too
much, my heart fills up like a
balloon that's about to burst...

And then I remember to relax, and
stop trying to hold on to it, and
then it flows through me like rain
and I can't feel anything but
gratitude for every single moment
of my stupid little life...

You have no idea what I'm talking
about, I'm sure... but don't
worry...

You will someday."


Quando vejo este filme, fico sem conseguir falar coerentemente durante meia hora. Pairo. E fico feliz por estar vivo para poder ter uma experiência como esta com uma criação artística. Se a arte consegue provocar-nos isto, explica absolutamente a irredutivel necessidade da sua existência.

Abraços

The Road Not Taken

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it wa grassy and wanted wear;
Though as for that, the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two road diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.



Robert Frost

Quantos de nós pensam que fazem exactamente isto?

Abraços


As fotos menos glamorosas das personalidades famosas

Pedindo desculpas desde já pela fraquíssima rima, ficam aqui algumas fotos instantâneas cujo destino não são os registos da Caras, da Vanity Fair, ou coisa que o valha.
Afinal de contas, eles também são humanos, verdade? Ainda que por vezes não pareçam.

Abraços


Robert Downey Junior, provavelmente pela 15ª prisão por posse de estupfacientes


Hugh Grant, depois de Divine Brown. Ela ficou rica a dar entrevistas, ele ficou sem a Elizabeth Hurley, que segundo parece, também não era flor que se cheirasse...

Nick Nolte depois de colocar os dedos na tomada.... não, foi apanhado a conduzir com alcool, e deve ter despejado metade na cabeça.