ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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terça-feira, janeiro 27, 2004

Fui ver "In America".

E que filme. Uma história simples, muito bonita, com dois fenómenos de interpretação de palmo e meio.
Pode ser tudo. Uma reflexão sobre a esperança e perserverança, sobre o medo, a culpa, mas aquilo que retive foi a capacidade de mergulhar profundamente em sentimentos reais, sem nunca fugir o pé para o "CAso da Vida TVI". Há uma contenção que a espaços desaba naquilo que é insuportavelmente emocional na vida de cada uma das personagens, e a bem ver, perfeitamente transponível para nós.
Talvez seja algo complicado de dizer, mas é um filme bonito, talvez dos mais bonitos pela simplicidade, realismo e ilusão simultânea que os afectos e laços inquebráveis podem proporcionar.
A não perder, acima de tudo porque o facto de amarmos algo ou alguém nunca nos coloca a salvo da nossa própria capacidade de causar dano ou felicidade.
Como podemos carregar um juízo de culpabilização do outro e um amor maior que tudo no mesmo saco mental e emocional?
Vejam a opinião de Sheridan...

Todo o tipo de extremismo é uma imbecilidade perigosa.
Por mais que se ouçam relatos de sonegação de liberdades, a repugnância que tal facto instila é sempre renovada e mais pungente.
Seja onde for.
E só há uma palavra para a sonegação da liberdade de navegação na internet em Cuba. Repugnante.

segunda-feira, janeiro 26, 2004

Féher, Angel Almeida, Paulo Pinto nomes que marcam um momento que os praticantes e fãs de desporto dificilmente esquecem pelas piores razões.
Jovens, atletas, aparentemente saudáveis, que num momento de profunda infelicidade morrem sem o que parece ser uma explicação aparente.
Parece impossível pensar numa morte por paragem cardíaca, aos vinte e quatro anos.
Parece impossível que a morte pareça sempre uma traição, uma coisa inconcebível e imcompreensível.
Ontem mal consegui dormir.
Á memória de Fehér, Paulo Pinto, Angel Almeida e Reggir Lewis, que morreram todos da mesma maneira, no campo onde faziam aquilo que mais gostavam, dando prazer e alegria aos outros.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

Eu não sou tipo de entrar em polémicas estéreis, especialmente quando o esforço é tendente e responder a alguém que tenta vestir uma pele ou calçar uns sapatos que não lhe servem. Alguém deveria dizer a esta "senhora" que a chamada cultura ou capacidade não se adquirem por contágio devido a proximidade que ela tem com pessoas que são condescendentes o suficiente para ouvir os seus disparates.
Sinceramente, só me recordo das bacoradas incessantes que lançava no programa que apresentava, com Julio Machado Vaz, e do quão risível é ver uma pessoa que nem sequer se apercebe do ridículo dos seus trejeitos e da sua soberba.
Vou comentar esta (b)posta de Anabela Mota Ribeiro, por indicação deste magnífico bloguista, e porque sinceramente é inacreditável a sobranceria, cabotinice e ainda por cima, falta de logica que brota das palavras da Dona AMR. Aliás, esta senhora é a demonstração física de um mito no qual nunca acreditei, mas que pelos vistos existe, ou seja, de que as pessoas com um palminho de cara a mais normalmente não mandam uma para a caixa.

Mas vamos pegar por partes:


Parece que isto, isto e isto se têm sentido algo incomodados com a minha participação na blogoesfera modesta e limitada por compromissos sociais e profissionais de quem tem uma vida "lá fora." Nem sei o que diga, se é que vale a pena dizer alguma coisa.

Aqui está a elevação cultural a falar, ou seja, referir-se ás pessoas como "isto". É a boa educação a falar e deve ser um assomo da corrente pós-modernista a vir ao de cima nesta senhora tão culta e por dentro da arte dita "séria". Bolas, isto é que é ironia de fino recorte! Esta senhora está na vanguarda da expressão cultural de nível superior! E ainda por cima tem compromissos sociais lá fora! Tenho de ir a correr comprar a Lux ou a Caras.

"Tolkien é um autor menor. Digo-o sem quaisquer hesitações. Tenha os adeptos incondicionais que tiver (e são muitos até num país pouco dado a leituras como o nosso a julgar pela quantidade de impropérios com que me encheram a caixa de correio), isso não faz dele mais do que um escritorzeco de contos de fadas desprovidos da contextualização mítico-social que confere validade a esse género literário."

Ainda bem que esta senhora sabe o que é o critério de gosto e qualidade literária, e o que confere validade seja a que espécie de literatura for. Aliás, Tolkien é um dos autores do Século, um dos livros mais lidos de sempre ( só secundado pela Bíblia), autor de uma obra que transcende qualquer espécie de ficção criada até hoje, pelo detalhe, pela problemática geopolítica abordada através daquilo a que ele chamou de aplicabilidade, mas para esta senhora é um escritorzeco de contos de fadas descontextualizadas. Um homem que levou mais de quinze anos a escrever a saga e quarenta a compor todo o background, criou um alfabeto e consequente linguagem de raíz, é um badameco qualquer que pôs ali uns dragões e puf, já está.
O que ainda ninguém disse a esta senhora, é que os nossos gostos pessoais não são o selo de garantia de qualidade, e lá porque não gostemos de algo, não significa que esse algo não seja bom ou tenha qualidade. Eu não gosto de Miles DAvis ou Charlie Parker , mas os homens era dois génios da música. Acho Balzac uma pincelada das antigas, mas é de facto um dos maiores escritores de sempre. AMR pode não gostar de Tolkien á vontade, é um direito seu, e pode defendê-lo, mas falta-lhe a autoridade intelectual para proferir um disparate como designar o escritor mais lido de sempre como um autorzeco. O ridículo vai ao ponto de confessar que ainda não leu as obras, o que ainda acentua mais esta cabotinice vazia de argumentos, como são as asneiradas que diz a mais das vezes.
Já agora, gostaria que ela me explicasse onde está a contextualização "mitico-social" ( seja lá o que isso for) no fantasma de Hamlet, no espectro dos Canterville, em Dorian Grey, na ressuscitada Catherine Earnshaw, Roderick Usher e outros que tais. Ou se calhar Poe, Shakespeare, Bronte ou Wilde não são literatura á seria... Aliás, no seu tempo, estes autores eram tratados abaixo de cão pelos críticos que tinham um discurso muito parecido com o desta senhora. Eram afinal apenas um bando de autorzecos, e assim permanceram...


De qualquer forma, fico positivamente satisfeita por ver que, afinal, há portugueses que lêem fora das classes ditas "intelectuais." Que leiam Tolkien, Harry Potter ou o Homem-Aranha tanto se me dá. Pelo menos, é um princípio e pode ser que um dia venham a descobrir o gosto pela literatura a sério.

Santa Maria Madalena. É mais um dos milagres de Fátima! Esta senhora sabe o que é literatura a sério. Ora quem defende isto com tal veemência, tem com certeza uma justificação, uma espécie de grelha de qualidade, talvez medida em termos quantitativos, como J. Evans Pritchard o fazia, através de um gráfico, no sempre agradável " Dead Poets Society".
Estou sinceramente à espera de receber no meu mail essa grelha, para poder perceber o que ando a ler. Caraças, isto são boas notícias!!!



Quanto às críticas dirigidas ao "Magazine" e à 2:, para evitar polémicas desnecessárias, basta-me dizer que nem um, nem a outra têm como público alvo os autores das críticas. Por isso, para quê perderem tempo com coisas que não vos interessam e que não compreenderão de qualquer maneira? Não será por falta de canais com o tipo de programação que vos agrada com certeza.

Esta então é a mais asquerosa das intervenções. É próprio dos vómitos elitistas de quem se julga esclarecido e iluminado relativamente á pobre da populaça que infesta o mundo onde esta senhora anda. Achei especialmente infeliz a alusão ao facto de que as pessoas não seriam capazes de entender os conteúdos do seu programazinho. É de uma prepotência e demonstração de mania das grandezas que roça o obsceno.


E estou aqui para ficar. Podem ter a certeza disso. Com polémicas ou sem elas. Citando o grande Honoré de Balzac, "Les existences faibles vivent dans les douleurs, au lieu de les changer en apophtegmes d'expérience, elles s'en saturent, et s'usent en rétrogradant chaque jour dans les malheurs consommés."

Isto é que são más notícias. Ou talvez não. É sempre bom ver que há um cantinho para rir na blogosfera, ainda que o humor produzido involuntariamente pelo autor.
O reino dos céus será desta senhora. Talvez ela entenda esta alusão primária, quem sabe...


E em resposta à pergunta "dele", não li os livros porque tenho as minhas prioridades e há coisas mais urgentes a ler.

Ora cá está espelhada toda a autoridade para poder formular uma opinião. Porque emprenhar pelos ouvidos é a fórmula mágica para conseguir fazer um juízo crítico fundamentado, porra, toda a gente sabe isso...



Até Gollum. A respeito deste último, há algo a dizer. A sua representação no filme é, obviamente, uma evocação do aspecto que o corpo dos doentes com SIDA em estado terminal assume. A demonização era desnecessária, quanto a mim.

Aqui não resisto, entre gargalhadas, a transcrever do Cruzes, o J que me desculpe - "São conhecidos os dons proféticos de Tolkien para descrever na década de 50 como seriam as vítimas da SIDA da década de 80".


Tanta referência ao triunfo dos homens bons e justos do Oeste perante os tiranos do Leste é obviamente uma referência ao mundo em que vivemos. E onde estão as mulheres? Relegadas para papéis secundários de serviçais e companheiras.

O disparate continua. Se a senhora em causa ler uma página que seja sobre a obra do autor, saberá que ele sempre negou a escrita de um livro alegórico, mas sim aplicável. A aplicabilidade reside na liberdade de adaptação do leitor, ao contrário da alegoria, intenção clara e calculada do autor.
Quanto à misoginia, talvez o homem até tenha sido, mas vimos o mesmo filme? Que eu saiba, o Rei Feiticeiro é morto por Ewoyn, a sobrinha do Rei Theoden.. para uma serviçal e submissa, tem umas grandes abébias. Já para não falar em Galadriel, mas enfim...


E pronto, cá fica.
Quanto a AMR, talvez um dia perceba que o seu papel nas intervenções televisivas ou outros quejandos, deve-se ao seu valor como bibelot engraçado, e abrande nos disparates.
Recomendo-lhe que leia ou oiça o discurso de Stephen King aquando da entrega do prémio que lhe foi concedido pela NBA ( não, Anabela, não são os tipos do basquetebol), e recue em tanta cagança para tão pouca competência. Saudações!

Aos restantes, um abraço.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

Por alguma razão não consigo memorizar datas de aniversário.
Porque será?
Porque é que não esqueço a minha e recordo a de todos os outros, por exemplo?
Mais um livro a reter, e que espero arranjar o tempo para ler.

A biografia de Carl Jung que ao que parece, era um safardana na pior espécie, apesar dos esforços da sua biógrafa.
Chegou a lançar uma bomba de Carnaval para perto de uma das suas filhas, deixando-a surda de um ouvido, aparecia em ocasiões sociais com a mulher num braço e a amante ( a quem chamava a outra esposa), no outro, entre outras proezas.
Andou de candeias ás avessas com Freud e quase foi o psiquiatra de Hitler.

"Jung" - de Dierdre Bair.
"Our Fathers" de David France.

O repugnante universo da pedofilia na Igreja Católica Americana relatado num livro que segundo o Times, vale a pena ler.
Acho que vou á Amazon fazer uma encomenda...

"Here is the incredible criminal history of the Rev. Joseph Birmingham, "methodically moving from boy to boy like a champion at a pie-eating contest" and nicknamed Father Burning-hand by one of his many victims."

E pensar que alguns escritores de ficção têm dificuldade em criar monstros, quando a realidade está pejada deles...

Um Vergonhoso, Triste e Recorrente Fenómeno

O mais impressionante em todas estas situações é verificar como é que as pessoas conseguem odiar de morte a diferença, sem qualquer outro motivo que não um ressentimento injustificado. Até porque para quem trabalha com imigração, que é o meu caso, sabe que os argumentos económicos para justificar racismo são uma falácia já antiga e que não engana ninguém, à excepção do Paulinho das Feiras.
Enfim, dá logo volta ao estômago começar assim o dia, mas são as noticias do mundo...

quarta-feira, janeiro 21, 2004

Embora já haja ecos deste evento em todas as publicações ou blogs, ou o que for, ainda estou a beliscar-me enquanto recordo a frase daquele senhor cujo nome nem memorizei e que crê que a mulher violada que engravide deveria ter a criança.
A minha cara metade deu um pulo de metro e meio no sofá e disse apenas isto:

"Só um homem é que poderia ter uma tirada destas. Alguém que não sabe do que fala".

Eu concordo com a IVG até ás dez semanas. Concordo que a defesa do valor vida nos moldes em que os ditos defensores da mesma o apresentam é uma falácia, uma vez que se descartam da noção de qualidade de vida e consequentes direitos humanos daqueles que alguém força a vir ao mundo. Esses senhores são os mesmos que vociferam contra o uso do preservativo, que propalam a abstinência, entre outros disparates. Aqueles que não sabem que em África um preservativo custa o equivalente a metade do rendimento mensal, e que muitas pessoas nem sequer sabem o que isso é. Pessoas que nascem apenas para morrer em condições que a nosso conforto nem sequer consegue imaginar como são. Mas segundo esses movimentos, nasceram e iso é que é importante. Agora desenrasquem-se.

Mas adiante.
O que realmente me chamou a atenção é existirem homens a ditar sentenças sobre algo que é um universo que a nós está vedado. Eu nunca saberei o que é ter uma escolha para procriar ou não, e como se posiciona o meu corpo ou consciência relativamente a essa matéria.
Por isso, qualquer lei que obste a uma escolha, que criminalize algo que critério cientifico nenhum consegue determinar, ou seja, o conceito de vida propriamente dito, é um tropeção moral onde deveria existir direito e objectividade relativa a uma autodeterminação de consciência individual.
O disparate que aquele senhor proferiu, como tantos naquela noite, é apenas uma prova de alguém que fala de cor, sem ter a mínima noção de como as coisas são ao nível do desespero que é para alguém ter de recorrer ao aborto.

Hoje de manhã ouvi a música dos Marretas.
E realmente existem coisas que tempo ou modernidade alguma conseguem por de parte. Aquela música ainda me faz arrepiar a pele, colocar um sorriso na cara e expressar uma ternura interna por algo que era e é um tiro na mouche.
Os Marretas, assim como os tresloucados da Warner nos seus episódios de seis a sete minutos são um delírio que ainda hoje não dispenso, apesar do olhar pouco entusiasta de quem tem de me aturar todos os dias.
A verdade é que a maioria dos meus amores reais surge e permanece, vem de dias antigos, vive de noções basilares do que era belo, engraçado, terno, importante, expresso em coisas como os Marretas ou o Tulicreme, do qual falou a Ana Albergaria.
Não me entendam mal. Não sou um saudosista, e muito menos um conservador ( cruzes canhoto, irra!), simplesmente tendo a afeiçoar-me ao que surge e fica com a naturalidade de ser simplesmente o que é.
Vou ouvir os Marretas mais uma vez, desculpem lá.
Passei de Martin Amis para Stephen King, e tenho Patricia Cornwell, Neil Gaiman ou William Faulkner em cima da mesa de cabeceira.
E parece que consigo ouvir as falanges de apoio do público dentro da minha cabeça a gritar para o seu favorito, um pouco á semelhança daquela cena hilariante da escolha da princesa no filme Shrek.
E isto porque cada um deles tem algo que eu posso andar á procura neste momento, mas o problema é decidir ou acertar na coincidência entre os apetites e a adequação.
Mas afinal de contas, não é essa a eterna dúvida acerca de cada coisa ou pessoa que amamos, nem que seja potencialmente?
Estou-me completamente a borrifar.
Estou a escrever uma história como queria há muito tempo. Daquelas que os iluminados culturais designariam de escapista, mirabolante, fantasiosa, e o diabo a sete.
Embora vá insegura, (pois a minha musa apresenta-se como uma sobrevivente em muito mau estado de um descarrilamento e colisão frontal entre comboios), há muito tempo que as ideias não pulavam desta maneira. Provavelmente serão ideias de merda para muitos, mas eu só tenho um mandamento na escrita, e foi o meu amigo que o disse. Aliás, está em baixo, numa outra posta, a bold, mas eu transcrevo.


Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.

We understand that fiction is a lie to begin with. To ignore the truth inside the lie is to sin against the craft, in general, and one's own work in particular.



E essa é a verdade para mim. Tentar sempre dizer a verdade, fazer uma estimativa do que seriam as reacções normais, escrever com a honestidade espelhada no desejo de contar uma história, e no que penso que realmente acontece nesse delírio feito narrativa. Se corto esquinas, faço-o sem saber.
No fundo creio em cada história e conto-a como ela me aparece, seja passada num subúrbio de Lisboa, ou nessa mesma cidade uns largos anos no futuro, com golfinhos de volta ao Tejo.

E divertir-me tanto como me chateio, porque quem escreve só para se chatear, comete um acto de masoquismo puro que sinceramente não entendo.



Parece que a regulamentação da Lei de Imigração lá vai andar para a frente, apesar das brigas de comadres ao nível do Conselho de Ministros.
O que é mais impressionante é que o PP já nem se dá ao trabalho de camuflar as suas tendências conservadoras e segregacionistas, seja neste aspecto, seja na questão do aborto, e por aí fora.
Entrincheirados nos seus fatinhos de risca branca, não fazem a mínima ideia do que é a conjuntura do país em termos de imigração, e a dinâmica dos fluxos de pessoas que estão ligadas, muitas vezes pelas piores razões, ao fenómeno migratório.
O número proposto, 6500, é uma falácia, e mais do que isso, é uma análise completamente cegueta da realidade nacional. Basta recordar que estamos a menos de seis meses do Euro, sendo que as obras e preparativos finais vão absorver e necessitar de um numero muito mais elevado.
O que choca realmente, não são os 6500, mas a forma como se chega a esse número, sem um estudo sério, onde se ausculta os verdadeiros actores sociais relativamente ao impacto que algo assim terá. As empresas e seus orgãos associativos ou representativos, os Sindicatos, os trabalhadores, não foram ouvidos, ou levados a contribuir com o que são as suas necessidades. 6500 é um número para inglês ver, que facilitará aquilo que Gomes Canotilho chamou de modelo restrictivo.
A quota de 6500 cidadãos estrangeiros estará esgotada em Março. Acreditem no que vos digo.

quinta-feira, janeiro 15, 2004

Atenção.
Hoje é dia de estréias.

Atenção a Thirteen - para uma reflexão sobre a dolescência á la Larry Clark ( parece que anda a produzir seguidores)

- Underworld - Parece que é um pouco banhoso, mas os cenários e premissa parecem engraçados. No entanto para certos argumentistas e realizadores, a tentação para borrar a pintura é irresistível por demais.

- In The Cut - Será o Instinto Fatal versão Jane Campion? Ou algo diferente. Uma coisa é certa - Meg Ryan agarrou na menina romântica de excrescências vomitantes como " You've Got mail" e compôs uma bad girl, ao que parece. Vamos lá ver o que sai.

Mas para a semana esteia Lost in Translation! - Vamos lá ver se Sofia Copolla repete o brilharete que fez com "Virgin Suicides" ( que já agora se deveria ter traduzido os suicídio virgens e não virgens suicidas, mas entende-se a intuito) um dos meus filmes preferidos. PElo que ouço falar e leio, parece que voltou a dar cartas. Estarei lá para ver.
Viva! Viva!

Parece que a pouca vergonha italiana vai acabar e até um país que é governado por um fascismo higiénico teve o bom senso de dizer basta quando as coisas chegam a um tal ponto de falta de decência e vergonha na cara.
Depois do bloqueio das inaceitáveis leis medida, Berlusconi já náo tem mão no barco que nem sequer sabia conduzir. "Don Corleone" poderá não ter outra solução senão convocar eleições antecipadas, o que seria uma alegria para a Europa, e para quem olha para a confusão institucional em Itália como um embaraço Europeu.
Parece que o bom senso pode tirar férias, mas nunca abandona o posto de trabalho. Viva por isso!

terça-feira, janeiro 13, 2004

Mesmo que pudesse fazer algum comentário condigno, não me atreveria...



I came to Sweden characterized as a pessimist, though I am an optimist. Now something - perhaps the wonderful warmth of your hospitality - has changed me into a comic. That is a hard position to sustain. It reminds me of days long ago when as a poor teacher I would take turn about during the night with my wife, getting our infant daughter to sleep. I remember once, how at three o'clock in the morning when I began to creep away from the cradle with its sleeping child, she opened her eyes and remarked: "Daddy, say something funny".

However, the moment has come for me to put off the jester's cap and bells.

I do thank Sweden for its wonderfully warm hospitality and I do thank the Nobel Foundation and the Swedish Academy for the welcome and unexpected way in which they have, so to speak, struck me with lightning. I only wish all borders were as easy to cross and all international exchanges as friendly.

I have been in many countries and I have found there people examining their own love of life, sense of peril, their own common sense. The one thing they cannot understand is why that same love of life, sense of peril and above all common sense, is not invariably shared among their leaders and rulers.

Then let me use what I suppose is my last minute of worldwide attention to speak not as one of a nation but as one of mankind. I use it to reach all men and women of power. Go back. Step back now. Agreement between you does not need cleverness, elaboration, manoeuvres. It needs common sense, and above all, a daring generosity. Give, give, give!

It would succeed because it would meet with worldwide relief, acclaim and rejoicing: and unborn generations will bless your name.



William Golding - Discurso de aceitação do seu Prémio Nobel da Literatura em 1983
Embora seja uma ideia antiga, os livros audio, para ouvir durante as secas de trânsito são a melhor das invenções quando a rádio se limita a remoer vezes e vezes sem conta as mesmas xaropadas comercialóides uma e outra e outra vez.
Descobri agora, e recomendo.
Audiobooks, uma bela ideia.
Recentemente vi um filme extremamente interessante, um pouco a puxar para a visão nihilista do Larry Clark é certo, ( do qual não sou um grande fã), mas com várias ideias que essencialmente fazem boas e incómodas perguntas.
Fiquei com a clara e já reiterada ideia de que os anos de crescimento e assimilação da personalidade têm uma permeabilidade absoluta aos contributos dos pais ou responsáveis, e que podem fazer estragos irreparáveis.
Deu-me igualmente a sensação de que o tal vazio e simulacro de amoralidade é finito, e que o cinismo não é eternamente resistente.
Gostei da ideia de procura, mesmo quando não se faz a menor ideia do objecto daquela.
Se bem que um baldas, petulante e com a mania que os chatos comem alface não fala com a eloquência e ecletismo cultural que o protagonista apresenta. Mas o Calvin também não fala como um miúdo de seis anos, e eu gosto imenso da banda desenhada, que nem por esse detalhe deixa de acertar na mouche.
Um dia. Uma experiência. Mais um grande filme.
Qual?
Igby Goes Down, de Burr Steers, e atenção aos dois outros manos Kulkin, a anos luz do tipinho irritante dos "Sozinhos em Casa."

Certo autor disse uma vez que os amigos podem ser como os empregados de bar. Vão e vêm, passam algum tempo connosco, são-nos algo, trocamos algo com eles e vemos a sua dinâmica de presença na nossa vida.
Os mecanismos da afeição, as atracções e repulsas parcelares que fazem o arquétipo de uma relação de amizade, conhecem fases, ou não fossem um derivativo do amor.
Mas são perguntas engraçadas aquelas que fazemos quando os empregados de bar se vão embora, porque já nos deram o que haviamos pedido ou simplesmente levaram o que precisavam. O bulício do bar continua, e por vezes lá os vemos, em meio a toda a multidão que os envolve. E então penso sinceramente que é cada vez melhor e mais recomendável o cultivo de uma amizade com o dono ou maitre de um restaurante lento, onde tudo pode não ocorrer á velocidade que desejamos, mas onde a presença acaba por permitir que o prato apure e se torne prolongadamente único. E como em tantas outras questões não metafóricas, o fast food tem aquela qualidade de alternância esparsa, a ser experimentada somente de tempos a tempos. Sabe bem, é verdade, mas em nada se prolonga.


Não se trata de sexismo amigos...
A sério...

"Woman Causes Parking Garage Chaos
Mon Jan 12,10:00 AM ET Add Oddly Enough - Reuters to My Yahoo!

BERLIN (Reuters) - A German woman caused more than 100,000 euros ($128,300) of damage when an attempt to back out of her spot in a parking garage ended with her car on its roof and four other vehicles damaged, police said Monday.
Police said the woman reversed sharply out of her spot on the upper level of a multi-story parking in the southwestern town of Kirchen, writing off a parked Nissan and damaging a Mitsubishi next to it, police said.

She then accelerated forward, speeding through her original parking place and over a low protective wall -- pitching her Audi some six meters (20 feet) down on to a lower level of the car park.
The car crashed on to a Renault, hit a Citroen and finally came to rest on its roof.
Police said the woman was treated in hospital but that her injuries were not life-threatening. "A blood test was taken after suspicions she was under medication," a spokesman said.