Um homem de extrema direita sem pejo de dizer alarvidades xenófobas e segregacionistas sobre a imigração, e outro que sendo responsável pela comissão nacional de adopção, prefere ver as crianças em orfanatos e famílias de acolhimento ao invés de entregues a uma família ou pai homossexual, mesmo que essa pessoa tenha todas as capacidades de lhe dar um bom lar e todo o afecto necessário a um crescimento saudável.
Foi neste tipos que a maioria de Portugal votou.
Sinceramente, acho que vou apanhar o próximo barco para o Ártico.
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
Stephen King - "Different Seasons"
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sexta-feira, fevereiro 20, 2004
De volta ás lides.
Numa semana em que a França reconheceu o casamento de uma mulher com um defunto, onde os conservadores do Irão irão ( cacofonias e repetições à parte ) ganhar as eleições por falta de opsição, lançando o país nas profundezas da idade média, onde a promissora e talentosa Scarlet Johansson mostrou histeria dispensável na entrega de um prémio, na qual começa o Fantasporto que eu, débil económico crónico, vou ter de deixar para o ano que vem novamente, e está um frio inimaginável que vai transformar o CArnaval nacional no espectáculo confrangedor do costume.
Enfim, parafraseando Dave Mathews, é uma situação típica nestes tempos típicos.
Abraço a todos
Numa semana em que a França reconheceu o casamento de uma mulher com um defunto, onde os conservadores do Irão irão ( cacofonias e repetições à parte ) ganhar as eleições por falta de opsição, lançando o país nas profundezas da idade média, onde a promissora e talentosa Scarlet Johansson mostrou histeria dispensável na entrega de um prémio, na qual começa o Fantasporto que eu, débil económico crónico, vou ter de deixar para o ano que vem novamente, e está um frio inimaginável que vai transformar o CArnaval nacional no espectáculo confrangedor do costume.
Enfim, parafraseando Dave Mathews, é uma situação típica nestes tempos típicos.
Abraço a todos
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Sim, vem aí o dia dos namorados, uma espécie de oásis para o comércio no meio de uma época dificil com pagamento de cartões de crédito, prendas atrassadas do Natal e a ausência de aumentos no vencimento.
Sim pode ser que seja uma patranha comercialóide.
Mas para mim, existir mais uma desculpa para fazer uma surpresa ou ir a qualquer lado com a cara metade não me parece má de todo. Há coisas piores.
E de resto a consciência só pesa se as prendas e gestos só aparecem por meio destes (falsos) gatilhos. Caso contrário, é mais um evento que pode realmente ser agradável.
Agora cada um saberá de si, verdade?
Aos tímidos, talvez seja uma espécie de trégua desculpabilizante. A desculpa para escrever aquela carta temível. Fazer uma figura ridícula, e esperar que a coragem sirva como alavanca do intento do amor.
Nem sempre resulta. Mas os riscos foram feitos para serem corridos. Alguns, pelo menos.
Boa sorte, e bom dia de São VAlentim, que perdeu a cabeça por causa de uma mulher - literalmente....
Sim pode ser que seja uma patranha comercialóide.
Mas para mim, existir mais uma desculpa para fazer uma surpresa ou ir a qualquer lado com a cara metade não me parece má de todo. Há coisas piores.
E de resto a consciência só pesa se as prendas e gestos só aparecem por meio destes (falsos) gatilhos. Caso contrário, é mais um evento que pode realmente ser agradável.
Agora cada um saberá de si, verdade?
Aos tímidos, talvez seja uma espécie de trégua desculpabilizante. A desculpa para escrever aquela carta temível. Fazer uma figura ridícula, e esperar que a coragem sirva como alavanca do intento do amor.
Nem sempre resulta. Mas os riscos foram feitos para serem corridos. Alguns, pelo menos.
Boa sorte, e bom dia de São VAlentim, que perdeu a cabeça por causa de uma mulher - literalmente....
Como sempre, tiro o chapéu a este senhor. Quando entrei em contacto com ele, e mais tarde, depois de um estudo interessado mais que rigoroso, chego á conclusão de que é o que tenho de mais próximo com uma religião ou código ético. De forma eclética, claro, mas ainda assim...
Kant achava que só eramos livres quando perseguiamos o Bem. Embora possa ser discutível, eu creio nele. Era alguém que tinha fé no facto de que os homens algum dia criassem juízo e dessem passos em direcção á harmonia, num crescimento constante imparável.
Sou ingénuo e acho que é possível.
Sou maioritariamente kantiano. Sempre fui. Que fazer?
Bicentenário da morte comemora-se hoje
Immanuel Kant: o filósofo dos Direitos Humanos
Helena Ferro de Gouveia, Frankfurt
PÚBLICO
Immanuel Kant (1724-1804), nascido no seio de uma família humilde, foi enterrado como um monarca. No dia do seu funeral, a vida em Königsberg, na Prússia oriental, actual Kalininegrado, parou. O caixão foi acompanhado por milhares de pessoas e ecoaram os sinos de todas as igrejas da cidade.
Hoje, decorridos 200 anos sobre a morte do grande filósofo dos direitos humanos, da igualdade perante a lei, da cidadania mundial, da paz universal e acima de tudo do "Sapere Aude", a emancipação da razão, a Alemanha assinala a data com uma série de colóquios universitários, com a exibição na televisão pública do filme "Kant Reloaded" e com uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer, a Kalininegrado. A Universidade de Bona disponibilizou na Internet, em acesso gratuito, o maior banco de dados mundial sobre o filósofo assim como as suas obras completas e cartas pessoais (www.ikp.uni-bonn.de/kant).
Rir é bom para a digestão
Mesmo a tempo do bicentenário surgiram numerosas publicações dedicadas ao autor da "Crítica da Razão Pura" (1781). Três delas, publicadas em Novembro de 2003, são biografias - "Kant" de Manfred Kuehn, "Immanuel Kant" de Steffan Dietzsch e "Kants Welt" de Manfred Geier - que questionam o retrato estereotipado de Kant traçado por Henrich Heine e que se inscreveu nos manuais de filosofia: um homem que obedecia às virtudes prussianas, cuja vida era absolutamente disciplinada, modesta e puritana. "Viveu uma vida de solteirão, mecanicamente ordenada, quase abstracta", escreveu Heine.
Um pensador genial com um quotidiano monótono? As novas obras biográficas mostram um outro filósofo que jogava com gosto às cartas, que apreciava uma boa refeição ou um espectáculo de teatro, que gostava de anedotas - claro que por motivo racional: o riso estimula a digestão - que se interessava pela política mundial. Naturalmente que não foram apenas os aspectos privados de Kant que mereceram a atenção dos autores (todos reconhecidos especialistas no obra do filósofo da Aufklaerung), mas a sua vida intelectual, as suas ideias e como estas foram influenciadas pelo clima da época.
Filósofo da Revolução Francesa
Kant viveu numa época conturbada, marcada por grandes mutações sociais, políticas e religiosas. A "orientação teológica" da Filosofia é posta em causa - Deus vai sendo progressivamente substituído pela ciência, tendência contra a qual Kant vigorosamente lutará - e a soberania intelectual do homem passa, com o Iluminismo, a repousar na ciência, que adquiriu, depois de Isaac Newton, um estatuto de dignidade e credibilidade recusado a outras formas de pensamento.
Na perspectiva política, o fenómeno mais relevante é a configuração do Estado moderno e de novas formas de organização do poder. Os escritos políticos de Kant datam já da maturidade e são fortemente influenciados por dois acontecimentos históricos da altura: a Revolução Francesa (1789) e a Revolução Americana (1776).
Não é em vão que foi classificado por Heine, Marx e Hengels como o filósofo da Revolução Francesa. Há de facto alguma analogia entre ambas as revoluções e o pensamento kantiano: a emancipação do homem face à autoridade e a afirmação da liberdade. De tal forma que o eco de Kant é tão importante na França como na Alemanha.
Para o investigador francês Etienne François, "se Kant é considerado na França como uma referência incontornável, na Alemanha é visto como uma etapa da pensamento filosófico" uma vez que não existem entre os filósofos que verdadeiramente são significativos nenhum que se tenha subtraído a um posicionamento relativamente a Kant.
A filiação de Kant até Juergen Habermas "é assumida e reivindicada". O próprio artigo primeiro da Lei Fundamental alemã - "A dignidade do homem é intocável" - é, ainda de acordo com Etienne François, claramente de inspiração kantiana. O pensamento kantiano surge como um elemento fundador no processo de construção europeia que coloca a dignidade humana, a reflexão e a ética no cerne dos seus objectivos. O projecto de Tratado Constitucional europeu reivindica também no seu preâmbulo o legado do Iluminismo.
Fischer em Kalininegrado
O bicentenário é ocasião para o chefe da diplomacia germânica inaugurar um consulado alemão em Kalininegrado, um enclave russo entre a Lituânia e a Polónia, onde o filósofo do Aufklaerung nasceu, ensinou e morreu. A ex-Königsberg, no mar Báltico, foi a capital dos reis da Prússia, tendo sido conquistada pelo Exército Vermelho durante a II Guerra mundial, e rebaptizada, em 1946, como Kalininegrado, em homenagem ao dirigente soviético Mikhail Kalinine. Nesta cidade não se encontra hoje nem a casa natal do filósofo nem aquela onde ele morreu, mas existe um museu Kant, assim como uma estátua do pensador em frente à Universidade - oferecida pela condessa alemã e grande dama do jornalismo Marion von Doenhoff.
O seu túmulo situa-se numa das extremidades da catedral, parcialmente arrasada pelos bombardeamentos de 1944-45, e nele está inscrito: "Duas coisas preenchem o espírito de uma admiração e de uma veneração crescentes e renovadas, à medida que a reflexão nelas incide: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim."
Kant achava que só eramos livres quando perseguiamos o Bem. Embora possa ser discutível, eu creio nele. Era alguém que tinha fé no facto de que os homens algum dia criassem juízo e dessem passos em direcção á harmonia, num crescimento constante imparável.
Sou ingénuo e acho que é possível.
Sou maioritariamente kantiano. Sempre fui. Que fazer?
Bicentenário da morte comemora-se hoje
Immanuel Kant: o filósofo dos Direitos Humanos
Helena Ferro de Gouveia, Frankfurt
PÚBLICO
Immanuel Kant (1724-1804), nascido no seio de uma família humilde, foi enterrado como um monarca. No dia do seu funeral, a vida em Königsberg, na Prússia oriental, actual Kalininegrado, parou. O caixão foi acompanhado por milhares de pessoas e ecoaram os sinos de todas as igrejas da cidade.
Hoje, decorridos 200 anos sobre a morte do grande filósofo dos direitos humanos, da igualdade perante a lei, da cidadania mundial, da paz universal e acima de tudo do "Sapere Aude", a emancipação da razão, a Alemanha assinala a data com uma série de colóquios universitários, com a exibição na televisão pública do filme "Kant Reloaded" e com uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer, a Kalininegrado. A Universidade de Bona disponibilizou na Internet, em acesso gratuito, o maior banco de dados mundial sobre o filósofo assim como as suas obras completas e cartas pessoais (www.ikp.uni-bonn.de/kant).
Rir é bom para a digestão
Mesmo a tempo do bicentenário surgiram numerosas publicações dedicadas ao autor da "Crítica da Razão Pura" (1781). Três delas, publicadas em Novembro de 2003, são biografias - "Kant" de Manfred Kuehn, "Immanuel Kant" de Steffan Dietzsch e "Kants Welt" de Manfred Geier - que questionam o retrato estereotipado de Kant traçado por Henrich Heine e que se inscreveu nos manuais de filosofia: um homem que obedecia às virtudes prussianas, cuja vida era absolutamente disciplinada, modesta e puritana. "Viveu uma vida de solteirão, mecanicamente ordenada, quase abstracta", escreveu Heine.
Um pensador genial com um quotidiano monótono? As novas obras biográficas mostram um outro filósofo que jogava com gosto às cartas, que apreciava uma boa refeição ou um espectáculo de teatro, que gostava de anedotas - claro que por motivo racional: o riso estimula a digestão - que se interessava pela política mundial. Naturalmente que não foram apenas os aspectos privados de Kant que mereceram a atenção dos autores (todos reconhecidos especialistas no obra do filósofo da Aufklaerung), mas a sua vida intelectual, as suas ideias e como estas foram influenciadas pelo clima da época.
Filósofo da Revolução Francesa
Kant viveu numa época conturbada, marcada por grandes mutações sociais, políticas e religiosas. A "orientação teológica" da Filosofia é posta em causa - Deus vai sendo progressivamente substituído pela ciência, tendência contra a qual Kant vigorosamente lutará - e a soberania intelectual do homem passa, com o Iluminismo, a repousar na ciência, que adquiriu, depois de Isaac Newton, um estatuto de dignidade e credibilidade recusado a outras formas de pensamento.
Na perspectiva política, o fenómeno mais relevante é a configuração do Estado moderno e de novas formas de organização do poder. Os escritos políticos de Kant datam já da maturidade e são fortemente influenciados por dois acontecimentos históricos da altura: a Revolução Francesa (1789) e a Revolução Americana (1776).
Não é em vão que foi classificado por Heine, Marx e Hengels como o filósofo da Revolução Francesa. Há de facto alguma analogia entre ambas as revoluções e o pensamento kantiano: a emancipação do homem face à autoridade e a afirmação da liberdade. De tal forma que o eco de Kant é tão importante na França como na Alemanha.
Para o investigador francês Etienne François, "se Kant é considerado na França como uma referência incontornável, na Alemanha é visto como uma etapa da pensamento filosófico" uma vez que não existem entre os filósofos que verdadeiramente são significativos nenhum que se tenha subtraído a um posicionamento relativamente a Kant.
A filiação de Kant até Juergen Habermas "é assumida e reivindicada". O próprio artigo primeiro da Lei Fundamental alemã - "A dignidade do homem é intocável" - é, ainda de acordo com Etienne François, claramente de inspiração kantiana. O pensamento kantiano surge como um elemento fundador no processo de construção europeia que coloca a dignidade humana, a reflexão e a ética no cerne dos seus objectivos. O projecto de Tratado Constitucional europeu reivindica também no seu preâmbulo o legado do Iluminismo.
Fischer em Kalininegrado
O bicentenário é ocasião para o chefe da diplomacia germânica inaugurar um consulado alemão em Kalininegrado, um enclave russo entre a Lituânia e a Polónia, onde o filósofo do Aufklaerung nasceu, ensinou e morreu. A ex-Königsberg, no mar Báltico, foi a capital dos reis da Prússia, tendo sido conquistada pelo Exército Vermelho durante a II Guerra mundial, e rebaptizada, em 1946, como Kalininegrado, em homenagem ao dirigente soviético Mikhail Kalinine. Nesta cidade não se encontra hoje nem a casa natal do filósofo nem aquela onde ele morreu, mas existe um museu Kant, assim como uma estátua do pensador em frente à Universidade - oferecida pela condessa alemã e grande dama do jornalismo Marion von Doenhoff.
O seu túmulo situa-se numa das extremidades da catedral, parcialmente arrasada pelos bombardeamentos de 1944-45, e nele está inscrito: "Duas coisas preenchem o espírito de uma admiração e de uma veneração crescentes e renovadas, à medida que a reflexão nelas incide: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim."
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
CARTAS A SÓNIA IV
Não há qualquer dúvida de que são as pessoas das quais mais gostamos que têm a maior capacidade para nos magoar. E não se pense que isto é uma qualquer manobra de injustiça maquiavélica por parte dessas pessoas. Não. Bem vistas as coisas, a culpa é essencialmente nossa, originada no nascimento e progressão dos nossos afectos. Somos nós que damos as coordenadas para o local onde está enterrado, como dizia King, o nosso coração secreto. Somos nós que colocamos guardas sonolentos e medrosos à porta, e deixamo-nos invadir.
A genealogia do amor tem uma morfologia muito própria. Assenta nas tentativas de explicação da irracionalidade, e cozinha num caldeirão fervente sentimentos paradoxalmente próximos e afastados. O significado por vezes deixa uma pessoa perplexa quanto à possibilidade da sua coexistência, mas a verdade é que arrisco a dizer que a pessoa que amamos é precisamente aquela que mais vontade dá de lhe apertarmos o pescoço.
Podemos efectivamente reparar nos detalhes, criar uma linha média das expectativas, e dançar por cima de brasas alternadas que são afinal o cumprimento ou frustração daquelas. Criamos acusações, damos connosco a tomar atitudes que dez segundos depois não fazem qualquer sentido e nos deixam de costas nuas perante a vergastada da consciência racional. Mas tomamo-las. há algo de irresistível, quase ao nível do pormenor verificado com um espírito ébrio, que torna a dinâmica do amor uma contenda onde, à semelhança de tantos combates, metade das baixas não tem explicação. Ou a bem dizer, quase todas.
Há algo que esperamos ver sempre nos olhos da pessoa que amamos. É uma espécie de acompanhamento, uma diferença lógica entre a sua capacidade de dar e a auto-preservação que mantém. Como se guardasse alguns segredos e mantivesse aquela individualidade que nos leva à loucura suave da descoberta. O enamoramento feito das saudades reiteradas pela ausência e as descobertas segundo Lavoisier. Amamos aqueles que são capazes de transformar, mas que no fundo se mantêm construídos pelos seus compostos. É a progressão na mente e corpo do outro que faz do amor uma espécie de ritual de ciclos, onde a simples capacidade de ver o outro sem tempo ou espaço se torna a delicia maior. Sinceramente, e apesar de existirem milhares de justificativas para tal situação, julgo que o fundamento do amor, seja em busca ou manutenção, ou simplesmente na vivência, reside num detalhe simples. A irracionalidade em que nos coloca, as dores que traz em alternância, aquele estado de aperto onde respirar é uma luta, mas sem o qual a vida parece um saco vazio, onde a paz desejada soa sempre a recompensa oca e insossa. No amor nunca se quer realmente paz. Entendimento sim, mas paz real? O próprio sexo é uma ausência de paz, e as dores de perseguição, que parecem maiores que cordilheiras de granito, são um paradoxo que a tranquilidade pode anular, sob pena de cansar como um caminho sem curvas.
Discordo que o amor seja, em alguns instantes, sempre obsessivo. Há quem diga que o é sempre quando é real, mas eu não tenho essa ideia. O amor pode criar pensamentos estranhos, não condizentes com a noção de vida que as pessoas originariamente tinham, mas nunca o consegui despir de uma fundamentação mínima. Como quase tudo aquilo que é completo e maravilhoso, o amor é uma entidade composta, e o grande temor que causa justifica-se na sua capacidade de transmutação, passando de ícone de perfeição a monstro sádico. O amor não é equilibrado constantemente, porque a sua sobrevivência depende disso. Há alguma lógica fervente nos seus desequilíbrios, naquele sofrimento que parece injustificado. Repudia o excesso, mas não há forma de dar a volta ao texto. Disseque-se o amor e teremos uma iguaria parcialmente venenosa. Como o Fugu ( prato de peixe japonês venenoso mas servido como sashimi ou sushi em restaurantes) , é preciso ter cuidado para não morrer pela ingestão desse veneno, mas é a intensidade das emoções, tactos e acontecimentos, aquela sensação de ter metade do pé no vazio que torna tudo tão urgente, misterioso e parcialmente incompreensível. E tão necessário. O amor é uma aventura em que a perspectiva de que os heróis se safem porque são bons rapazes não existe sempre. Pode muito bem ser uma história sem redenção ou exposição de catarse. Um conto negro. Mas sendo um conceito paradoxal, também há justiça no amor. A mente humana não é tão autista que não consiga justificar determinadas genealogias no seu objecto de desejo, e é efectivamente comum gostar-se daqueles de quem amamos, ao contrário do que dizem alguns. Eu creio firmemente nisso.
A verdade é que nem sempre é fácil ajustarmo-nos ao que consideramos ser as vivências do amor. Tal como podemos achar piada a uma cicatriz antiga, a dor que a causou é sempre de má memória, pelo menos no curto prazo. E pior que a dor, é a dor associada ao medo, e o medo é condimento natural do amor. Acontece pelo simples facto de gerarmos um sentimento inexplicavelmente forte, feito de sensualidade, posse e entrega relativamente a alguém que pela sua naturalidade se torna o baluarte de diferença onde parece que tudo é semelhante.
Existem milhares de teorias. Sinceramente, eu julgo que cada pessoa terá a sua, mesmo aqueles que julgam o amor como uma espécie de ferramenta manobrável. As culatras costumam ser bem traiçoeiras para essas pessoas, mas isso são outras histórias.
O amor é uma caldeirada. Uma confusão. Uma abstracção feita das noções próprias do que são as ditas verdades, e apoiadas em convicções inabaláveis. É estúpido, muitas vezes ridículo, ao ponto de muitos se escudarem numa elegância asséptica, porque a linguagem de carne, sangue é lágrimas do amor não é fácil, confortável ou mesmo imaginativa a mais das vezes. As palavras no calor da refrega não são musicais, e só no afastamento do amor, na pausa em que a memória ou antecipação nos permite visualizá-lo é que nasce algo que não arrepia a espinha ou constrange. Mas as mãos em cima da grelha ardente produzem sempre reacções e palavras que o descontrolo torna vulneráveis e trapalhonas. Pessoa dizia que as cartas de amor eram ridículas. Eu digo sinceramente que todo o discurso do amor em chamas é ridículo, e normalmente é um veiculo incompleto para o oceano de intenção que é querer viver o amor num determinado momento.
Mas o gozo que provoca a especulação acerca dele, faz com que tantos o tenham tentado, e que cada miúdo cheio de feromonas tente ainda e sempre escrever as piores cartas imagináveis, cheias de termos que dão a volta ao estômago do observador imparcial. O problema com muitos dos discursos sentimentaloides e lamechas, é que tentam simular e publicitar aquilo que só faz sentido quando o mundo lá fora parou, e não resta senão o inferno da exteriorização de algo que come o interior com dentes incandescentes. A contenção dessa fúria do amor produz textos, frases, gestos, música belíssima, porque é a glorificação um pouco distante de um milagre de intenção. Quem a produz continua a ser devorado por si mesmo, mas num misto de recordação e antecipação, como a diástole, o momento em que a gota de chuva viaja no ar, o encandeamento após o relâmpago, a pausa entre inspiração e expiração, o último segundo da peça antes dos aplausos.
Por isso, todo este discurso surge na óptica de quem se esforça por entender a totalidade do amor. Aquilo que traz, leva, produz ou destrói. Tentado desesperadamente não fugir para aquela linguagem de dentro da fogueira, mascarando a minha ridicularia o mais possível. Não é fácil levar o embrulho todo para casa, mas na resistência do amor está igualmente a fundamentação do outro.
E na minha mente, tu és como um singular e perfeito truque de magia feito por um ilusionista inexperiente. A única deixa imponente e arrasadora de um uma actuação mediana. Aquele acorde inexplicável no meio de um arranjo musical comum. A pincelada de génio no meio de um quadro de elevador.
Por qualquer razão, partida em milhares de argumentos objectivos, e milhões de ausências de argumentação, tu surges como a singularidade no meio do já conhecido, debatido e analisado. És a redescoberta de ti mesma que me vais emprestando. E por saber tanto de ti quanto há ainda por saber, torna o amor agitado, mas orgulhosamente vivo, como uma criança irrequieta, mas que no fundo sabe onde as suas fundações permanecem.
Em suma, é nessa soma de tudo, de dores e prazeres alternantes, que volto a descobrir-te neste segundo e naquele já mais à frente.
E só me fica uma conclusão…
O amor é isto.
Não há qualquer dúvida de que são as pessoas das quais mais gostamos que têm a maior capacidade para nos magoar. E não se pense que isto é uma qualquer manobra de injustiça maquiavélica por parte dessas pessoas. Não. Bem vistas as coisas, a culpa é essencialmente nossa, originada no nascimento e progressão dos nossos afectos. Somos nós que damos as coordenadas para o local onde está enterrado, como dizia King, o nosso coração secreto. Somos nós que colocamos guardas sonolentos e medrosos à porta, e deixamo-nos invadir.
A genealogia do amor tem uma morfologia muito própria. Assenta nas tentativas de explicação da irracionalidade, e cozinha num caldeirão fervente sentimentos paradoxalmente próximos e afastados. O significado por vezes deixa uma pessoa perplexa quanto à possibilidade da sua coexistência, mas a verdade é que arrisco a dizer que a pessoa que amamos é precisamente aquela que mais vontade dá de lhe apertarmos o pescoço.
Podemos efectivamente reparar nos detalhes, criar uma linha média das expectativas, e dançar por cima de brasas alternadas que são afinal o cumprimento ou frustração daquelas. Criamos acusações, damos connosco a tomar atitudes que dez segundos depois não fazem qualquer sentido e nos deixam de costas nuas perante a vergastada da consciência racional. Mas tomamo-las. há algo de irresistível, quase ao nível do pormenor verificado com um espírito ébrio, que torna a dinâmica do amor uma contenda onde, à semelhança de tantos combates, metade das baixas não tem explicação. Ou a bem dizer, quase todas.
Há algo que esperamos ver sempre nos olhos da pessoa que amamos. É uma espécie de acompanhamento, uma diferença lógica entre a sua capacidade de dar e a auto-preservação que mantém. Como se guardasse alguns segredos e mantivesse aquela individualidade que nos leva à loucura suave da descoberta. O enamoramento feito das saudades reiteradas pela ausência e as descobertas segundo Lavoisier. Amamos aqueles que são capazes de transformar, mas que no fundo se mantêm construídos pelos seus compostos. É a progressão na mente e corpo do outro que faz do amor uma espécie de ritual de ciclos, onde a simples capacidade de ver o outro sem tempo ou espaço se torna a delicia maior. Sinceramente, e apesar de existirem milhares de justificativas para tal situação, julgo que o fundamento do amor, seja em busca ou manutenção, ou simplesmente na vivência, reside num detalhe simples. A irracionalidade em que nos coloca, as dores que traz em alternância, aquele estado de aperto onde respirar é uma luta, mas sem o qual a vida parece um saco vazio, onde a paz desejada soa sempre a recompensa oca e insossa. No amor nunca se quer realmente paz. Entendimento sim, mas paz real? O próprio sexo é uma ausência de paz, e as dores de perseguição, que parecem maiores que cordilheiras de granito, são um paradoxo que a tranquilidade pode anular, sob pena de cansar como um caminho sem curvas.
Discordo que o amor seja, em alguns instantes, sempre obsessivo. Há quem diga que o é sempre quando é real, mas eu não tenho essa ideia. O amor pode criar pensamentos estranhos, não condizentes com a noção de vida que as pessoas originariamente tinham, mas nunca o consegui despir de uma fundamentação mínima. Como quase tudo aquilo que é completo e maravilhoso, o amor é uma entidade composta, e o grande temor que causa justifica-se na sua capacidade de transmutação, passando de ícone de perfeição a monstro sádico. O amor não é equilibrado constantemente, porque a sua sobrevivência depende disso. Há alguma lógica fervente nos seus desequilíbrios, naquele sofrimento que parece injustificado. Repudia o excesso, mas não há forma de dar a volta ao texto. Disseque-se o amor e teremos uma iguaria parcialmente venenosa. Como o Fugu ( prato de peixe japonês venenoso mas servido como sashimi ou sushi em restaurantes) , é preciso ter cuidado para não morrer pela ingestão desse veneno, mas é a intensidade das emoções, tactos e acontecimentos, aquela sensação de ter metade do pé no vazio que torna tudo tão urgente, misterioso e parcialmente incompreensível. E tão necessário. O amor é uma aventura em que a perspectiva de que os heróis se safem porque são bons rapazes não existe sempre. Pode muito bem ser uma história sem redenção ou exposição de catarse. Um conto negro. Mas sendo um conceito paradoxal, também há justiça no amor. A mente humana não é tão autista que não consiga justificar determinadas genealogias no seu objecto de desejo, e é efectivamente comum gostar-se daqueles de quem amamos, ao contrário do que dizem alguns. Eu creio firmemente nisso.
A verdade é que nem sempre é fácil ajustarmo-nos ao que consideramos ser as vivências do amor. Tal como podemos achar piada a uma cicatriz antiga, a dor que a causou é sempre de má memória, pelo menos no curto prazo. E pior que a dor, é a dor associada ao medo, e o medo é condimento natural do amor. Acontece pelo simples facto de gerarmos um sentimento inexplicavelmente forte, feito de sensualidade, posse e entrega relativamente a alguém que pela sua naturalidade se torna o baluarte de diferença onde parece que tudo é semelhante.
Existem milhares de teorias. Sinceramente, eu julgo que cada pessoa terá a sua, mesmo aqueles que julgam o amor como uma espécie de ferramenta manobrável. As culatras costumam ser bem traiçoeiras para essas pessoas, mas isso são outras histórias.
O amor é uma caldeirada. Uma confusão. Uma abstracção feita das noções próprias do que são as ditas verdades, e apoiadas em convicções inabaláveis. É estúpido, muitas vezes ridículo, ao ponto de muitos se escudarem numa elegância asséptica, porque a linguagem de carne, sangue é lágrimas do amor não é fácil, confortável ou mesmo imaginativa a mais das vezes. As palavras no calor da refrega não são musicais, e só no afastamento do amor, na pausa em que a memória ou antecipação nos permite visualizá-lo é que nasce algo que não arrepia a espinha ou constrange. Mas as mãos em cima da grelha ardente produzem sempre reacções e palavras que o descontrolo torna vulneráveis e trapalhonas. Pessoa dizia que as cartas de amor eram ridículas. Eu digo sinceramente que todo o discurso do amor em chamas é ridículo, e normalmente é um veiculo incompleto para o oceano de intenção que é querer viver o amor num determinado momento.
Mas o gozo que provoca a especulação acerca dele, faz com que tantos o tenham tentado, e que cada miúdo cheio de feromonas tente ainda e sempre escrever as piores cartas imagináveis, cheias de termos que dão a volta ao estômago do observador imparcial. O problema com muitos dos discursos sentimentaloides e lamechas, é que tentam simular e publicitar aquilo que só faz sentido quando o mundo lá fora parou, e não resta senão o inferno da exteriorização de algo que come o interior com dentes incandescentes. A contenção dessa fúria do amor produz textos, frases, gestos, música belíssima, porque é a glorificação um pouco distante de um milagre de intenção. Quem a produz continua a ser devorado por si mesmo, mas num misto de recordação e antecipação, como a diástole, o momento em que a gota de chuva viaja no ar, o encandeamento após o relâmpago, a pausa entre inspiração e expiração, o último segundo da peça antes dos aplausos.
Por isso, todo este discurso surge na óptica de quem se esforça por entender a totalidade do amor. Aquilo que traz, leva, produz ou destrói. Tentado desesperadamente não fugir para aquela linguagem de dentro da fogueira, mascarando a minha ridicularia o mais possível. Não é fácil levar o embrulho todo para casa, mas na resistência do amor está igualmente a fundamentação do outro.
E na minha mente, tu és como um singular e perfeito truque de magia feito por um ilusionista inexperiente. A única deixa imponente e arrasadora de um uma actuação mediana. Aquele acorde inexplicável no meio de um arranjo musical comum. A pincelada de génio no meio de um quadro de elevador.
Por qualquer razão, partida em milhares de argumentos objectivos, e milhões de ausências de argumentação, tu surges como a singularidade no meio do já conhecido, debatido e analisado. És a redescoberta de ti mesma que me vais emprestando. E por saber tanto de ti quanto há ainda por saber, torna o amor agitado, mas orgulhosamente vivo, como uma criança irrequieta, mas que no fundo sabe onde as suas fundações permanecem.
Em suma, é nessa soma de tudo, de dores e prazeres alternantes, que volto a descobrir-te neste segundo e naquele já mais à frente.
E só me fica uma conclusão…
O amor é isto.
Uma amiga minha está embrenhada no mundo mágico da prole, de ser a dadora de vida, de ver e testemunhar aquilo que o clichê identifica como milagre da vida, mas que não há outra forma de designar.
Não havendo forma de expressar o seu contentamento e rendição a tal estado afectivo, fica aqui a nota á mensagem de "Instinto" que me enviou.
E merece cada segundo.
E depois dizem que as mulheres não têm todas as prerrogativas...
Não havendo forma de expressar o seu contentamento e rendição a tal estado afectivo, fica aqui a nota á mensagem de "Instinto" que me enviou.
E merece cada segundo.
E depois dizem que as mulheres não têm todas as prerrogativas...
As pessoas, em meu ver, com uma dose excessiva de paranóia, culpam os meios de informação pela crescente onda de violência e a transposição etária, digamos assim, da capacidade para cometer crimes atrozes.
Mas quando no início do século passado se cantava a seguinte rima nos recreios...
Lizzie Borden took an axe
And gave her mother forty whacks.
And when she saw what she had done,
She gave her father forty-one.
... eu pergunto-me se haverá alguma sustentabilidade nos protestos de alguns sectores da sociedade civil. Não são as crianças por natureza seres de imaginação fértil? Não existirá a necessidade de olhar para elas como seres complexos? Não terá existido sempre violência na juventude imberbe? As chamadas "nursery rimes" são em grande parte plenas de violência.
Eu só consigo recordar vezes sem conta o livro de William Golding, e perceber um paralelo quase imediato.
Os jovens que na ilha se corrompem e rendem á selvageria inimaginável, são seres deixados á sua própria sorte, seguindo uma determinada propensão. Não acontece o mesmo hoje em dia, onde as pressões do mundo designado como produtivo obriga a que as pessoas deixem os seus filhos um pouco à sua sorte? Não são os homens que propalam a importância da estrutura familiar os mesmos que tentam a todo o custo abolir leis laborais que protegem as pessoas que vivem para além do seu trabalho? Que tentam cercear a liberdade de acesso aos meios culturais menos fáceis ou evidentes?
Não parece tudo isto um pouco confuso? E contraditório?
Mas quando no início do século passado se cantava a seguinte rima nos recreios...
Lizzie Borden took an axe
And gave her mother forty whacks.
And when she saw what she had done,
She gave her father forty-one.
... eu pergunto-me se haverá alguma sustentabilidade nos protestos de alguns sectores da sociedade civil. Não são as crianças por natureza seres de imaginação fértil? Não existirá a necessidade de olhar para elas como seres complexos? Não terá existido sempre violência na juventude imberbe? As chamadas "nursery rimes" são em grande parte plenas de violência.
Eu só consigo recordar vezes sem conta o livro de William Golding, e perceber um paralelo quase imediato.
Os jovens que na ilha se corrompem e rendem á selvageria inimaginável, são seres deixados á sua própria sorte, seguindo uma determinada propensão. Não acontece o mesmo hoje em dia, onde as pressões do mundo designado como produtivo obriga a que as pessoas deixem os seus filhos um pouco à sua sorte? Não são os homens que propalam a importância da estrutura familiar os mesmos que tentam a todo o custo abolir leis laborais que protegem as pessoas que vivem para além do seu trabalho? Que tentam cercear a liberdade de acesso aos meios culturais menos fáceis ou evidentes?
Não parece tudo isto um pouco confuso? E contraditório?
terça-feira, janeiro 27, 2004
Fui ver "In America".
E que filme. Uma história simples, muito bonita, com dois fenómenos de interpretação de palmo e meio.
Pode ser tudo. Uma reflexão sobre a esperança e perserverança, sobre o medo, a culpa, mas aquilo que retive foi a capacidade de mergulhar profundamente em sentimentos reais, sem nunca fugir o pé para o "CAso da Vida TVI". Há uma contenção que a espaços desaba naquilo que é insuportavelmente emocional na vida de cada uma das personagens, e a bem ver, perfeitamente transponível para nós.
Talvez seja algo complicado de dizer, mas é um filme bonito, talvez dos mais bonitos pela simplicidade, realismo e ilusão simultânea que os afectos e laços inquebráveis podem proporcionar.
A não perder, acima de tudo porque o facto de amarmos algo ou alguém nunca nos coloca a salvo da nossa própria capacidade de causar dano ou felicidade.
Como podemos carregar um juízo de culpabilização do outro e um amor maior que tudo no mesmo saco mental e emocional?
Vejam a opinião de Sheridan...
E que filme. Uma história simples, muito bonita, com dois fenómenos de interpretação de palmo e meio.
Pode ser tudo. Uma reflexão sobre a esperança e perserverança, sobre o medo, a culpa, mas aquilo que retive foi a capacidade de mergulhar profundamente em sentimentos reais, sem nunca fugir o pé para o "CAso da Vida TVI". Há uma contenção que a espaços desaba naquilo que é insuportavelmente emocional na vida de cada uma das personagens, e a bem ver, perfeitamente transponível para nós.
Talvez seja algo complicado de dizer, mas é um filme bonito, talvez dos mais bonitos pela simplicidade, realismo e ilusão simultânea que os afectos e laços inquebráveis podem proporcionar.
A não perder, acima de tudo porque o facto de amarmos algo ou alguém nunca nos coloca a salvo da nossa própria capacidade de causar dano ou felicidade.
Como podemos carregar um juízo de culpabilização do outro e um amor maior que tudo no mesmo saco mental e emocional?
Vejam a opinião de Sheridan...
segunda-feira, janeiro 26, 2004
Féher, Angel Almeida, Paulo Pinto nomes que marcam um momento que os praticantes e fãs de desporto dificilmente esquecem pelas piores razões.
Jovens, atletas, aparentemente saudáveis, que num momento de profunda infelicidade morrem sem o que parece ser uma explicação aparente.
Parece impossível pensar numa morte por paragem cardíaca, aos vinte e quatro anos.
Parece impossível que a morte pareça sempre uma traição, uma coisa inconcebível e imcompreensível.
Ontem mal consegui dormir.
Á memória de Fehér, Paulo Pinto, Angel Almeida e Reggir Lewis, que morreram todos da mesma maneira, no campo onde faziam aquilo que mais gostavam, dando prazer e alegria aos outros.
Jovens, atletas, aparentemente saudáveis, que num momento de profunda infelicidade morrem sem o que parece ser uma explicação aparente.
Parece impossível pensar numa morte por paragem cardíaca, aos vinte e quatro anos.
Parece impossível que a morte pareça sempre uma traição, uma coisa inconcebível e imcompreensível.
Ontem mal consegui dormir.
Á memória de Fehér, Paulo Pinto, Angel Almeida e Reggir Lewis, que morreram todos da mesma maneira, no campo onde faziam aquilo que mais gostavam, dando prazer e alegria aos outros.
sexta-feira, janeiro 23, 2004
Eu não sou tipo de entrar em polémicas estéreis, especialmente quando o esforço é tendente e responder a alguém que tenta vestir uma pele ou calçar uns sapatos que não lhe servem. Alguém deveria dizer a esta "senhora" que a chamada cultura ou capacidade não se adquirem por contágio devido a proximidade que ela tem com pessoas que são condescendentes o suficiente para ouvir os seus disparates.
Sinceramente, só me recordo das bacoradas incessantes que lançava no programa que apresentava, com Julio Machado Vaz, e do quão risível é ver uma pessoa que nem sequer se apercebe do ridículo dos seus trejeitos e da sua soberba.
Vou comentar esta (b)posta de Anabela Mota Ribeiro, por indicação deste magnífico bloguista, e porque sinceramente é inacreditável a sobranceria, cabotinice e ainda por cima, falta de logica que brota das palavras da Dona AMR. Aliás, esta senhora é a demonstração física de um mito no qual nunca acreditei, mas que pelos vistos existe, ou seja, de que as pessoas com um palminho de cara a mais normalmente não mandam uma para a caixa.
Mas vamos pegar por partes:
Parece que isto, isto e isto se têm sentido algo incomodados com a minha participação na blogoesfera modesta e limitada por compromissos sociais e profissionais de quem tem uma vida "lá fora." Nem sei o que diga, se é que vale a pena dizer alguma coisa.
Aqui está a elevação cultural a falar, ou seja, referir-se ás pessoas como "isto". É a boa educação a falar e deve ser um assomo da corrente pós-modernista a vir ao de cima nesta senhora tão culta e por dentro da arte dita "séria". Bolas, isto é que é ironia de fino recorte! Esta senhora está na vanguarda da expressão cultural de nível superior! E ainda por cima tem compromissos sociais lá fora! Tenho de ir a correr comprar a Lux ou a Caras.
"Tolkien é um autor menor. Digo-o sem quaisquer hesitações. Tenha os adeptos incondicionais que tiver (e são muitos até num país pouco dado a leituras como o nosso a julgar pela quantidade de impropérios com que me encheram a caixa de correio), isso não faz dele mais do que um escritorzeco de contos de fadas desprovidos da contextualização mítico-social que confere validade a esse género literário."
Ainda bem que esta senhora sabe o que é o critério de gosto e qualidade literária, e o que confere validade seja a que espécie de literatura for. Aliás, Tolkien é um dos autores do Século, um dos livros mais lidos de sempre ( só secundado pela Bíblia), autor de uma obra que transcende qualquer espécie de ficção criada até hoje, pelo detalhe, pela problemática geopolítica abordada através daquilo a que ele chamou de aplicabilidade, mas para esta senhora é um escritorzeco de contos de fadas descontextualizadas. Um homem que levou mais de quinze anos a escrever a saga e quarenta a compor todo o background, criou um alfabeto e consequente linguagem de raíz, é um badameco qualquer que pôs ali uns dragões e puf, já está.
O que ainda ninguém disse a esta senhora, é que os nossos gostos pessoais não são o selo de garantia de qualidade, e lá porque não gostemos de algo, não significa que esse algo não seja bom ou tenha qualidade. Eu não gosto de Miles DAvis ou Charlie Parker , mas os homens era dois génios da música. Acho Balzac uma pincelada das antigas, mas é de facto um dos maiores escritores de sempre. AMR pode não gostar de Tolkien á vontade, é um direito seu, e pode defendê-lo, mas falta-lhe a autoridade intelectual para proferir um disparate como designar o escritor mais lido de sempre como um autorzeco. O ridículo vai ao ponto de confessar que ainda não leu as obras, o que ainda acentua mais esta cabotinice vazia de argumentos, como são as asneiradas que diz a mais das vezes.
Já agora, gostaria que ela me explicasse onde está a contextualização "mitico-social" ( seja lá o que isso for) no fantasma de Hamlet, no espectro dos Canterville, em Dorian Grey, na ressuscitada Catherine Earnshaw, Roderick Usher e outros que tais. Ou se calhar Poe, Shakespeare, Bronte ou Wilde não são literatura á seria... Aliás, no seu tempo, estes autores eram tratados abaixo de cão pelos críticos que tinham um discurso muito parecido com o desta senhora. Eram afinal apenas um bando de autorzecos, e assim permanceram...
De qualquer forma, fico positivamente satisfeita por ver que, afinal, há portugueses que lêem fora das classes ditas "intelectuais." Que leiam Tolkien, Harry Potter ou o Homem-Aranha tanto se me dá. Pelo menos, é um princípio e pode ser que um dia venham a descobrir o gosto pela literatura a sério.
Santa Maria Madalena. É mais um dos milagres de Fátima! Esta senhora sabe o que é literatura a sério. Ora quem defende isto com tal veemência, tem com certeza uma justificação, uma espécie de grelha de qualidade, talvez medida em termos quantitativos, como J. Evans Pritchard o fazia, através de um gráfico, no sempre agradável " Dead Poets Society".
Estou sinceramente à espera de receber no meu mail essa grelha, para poder perceber o que ando a ler. Caraças, isto são boas notícias!!!
Quanto às críticas dirigidas ao "Magazine" e à 2:, para evitar polémicas desnecessárias, basta-me dizer que nem um, nem a outra têm como público alvo os autores das críticas. Por isso, para quê perderem tempo com coisas que não vos interessam e que não compreenderão de qualquer maneira? Não será por falta de canais com o tipo de programação que vos agrada com certeza.
Esta então é a mais asquerosa das intervenções. É próprio dos vómitos elitistas de quem se julga esclarecido e iluminado relativamente á pobre da populaça que infesta o mundo onde esta senhora anda. Achei especialmente infeliz a alusão ao facto de que as pessoas não seriam capazes de entender os conteúdos do seu programazinho. É de uma prepotência e demonstração de mania das grandezas que roça o obsceno.
E estou aqui para ficar. Podem ter a certeza disso. Com polémicas ou sem elas. Citando o grande Honoré de Balzac, "Les existences faibles vivent dans les douleurs, au lieu de les changer en apophtegmes d'expérience, elles s'en saturent, et s'usent en rétrogradant chaque jour dans les malheurs consommés."
Isto é que são más notícias. Ou talvez não. É sempre bom ver que há um cantinho para rir na blogosfera, ainda que o humor produzido involuntariamente pelo autor.
O reino dos céus será desta senhora. Talvez ela entenda esta alusão primária, quem sabe...
E em resposta à pergunta "dele", não li os livros porque tenho as minhas prioridades e há coisas mais urgentes a ler.
Ora cá está espelhada toda a autoridade para poder formular uma opinião. Porque emprenhar pelos ouvidos é a fórmula mágica para conseguir fazer um juízo crítico fundamentado, porra, toda a gente sabe isso...
Até Gollum. A respeito deste último, há algo a dizer. A sua representação no filme é, obviamente, uma evocação do aspecto que o corpo dos doentes com SIDA em estado terminal assume. A demonização era desnecessária, quanto a mim.
Aqui não resisto, entre gargalhadas, a transcrever do Cruzes, o J que me desculpe - "São conhecidos os dons proféticos de Tolkien para descrever na década de 50 como seriam as vítimas da SIDA da década de 80".
Tanta referência ao triunfo dos homens bons e justos do Oeste perante os tiranos do Leste é obviamente uma referência ao mundo em que vivemos. E onde estão as mulheres? Relegadas para papéis secundários de serviçais e companheiras.
O disparate continua. Se a senhora em causa ler uma página que seja sobre a obra do autor, saberá que ele sempre negou a escrita de um livro alegórico, mas sim aplicável. A aplicabilidade reside na liberdade de adaptação do leitor, ao contrário da alegoria, intenção clara e calculada do autor.
Quanto à misoginia, talvez o homem até tenha sido, mas vimos o mesmo filme? Que eu saiba, o Rei Feiticeiro é morto por Ewoyn, a sobrinha do Rei Theoden.. para uma serviçal e submissa, tem umas grandes abébias. Já para não falar em Galadriel, mas enfim...
E pronto, cá fica.
Quanto a AMR, talvez um dia perceba que o seu papel nas intervenções televisivas ou outros quejandos, deve-se ao seu valor como bibelot engraçado, e abrande nos disparates.
Recomendo-lhe que leia ou oiça o discurso de Stephen King aquando da entrega do prémio que lhe foi concedido pela NBA ( não, Anabela, não são os tipos do basquetebol), e recue em tanta cagança para tão pouca competência. Saudações!
Aos restantes, um abraço.
Sinceramente, só me recordo das bacoradas incessantes que lançava no programa que apresentava, com Julio Machado Vaz, e do quão risível é ver uma pessoa que nem sequer se apercebe do ridículo dos seus trejeitos e da sua soberba.
Vou comentar esta (b)posta de Anabela Mota Ribeiro, por indicação deste magnífico bloguista, e porque sinceramente é inacreditável a sobranceria, cabotinice e ainda por cima, falta de logica que brota das palavras da Dona AMR. Aliás, esta senhora é a demonstração física de um mito no qual nunca acreditei, mas que pelos vistos existe, ou seja, de que as pessoas com um palminho de cara a mais normalmente não mandam uma para a caixa.
Mas vamos pegar por partes:
Parece que isto, isto e isto se têm sentido algo incomodados com a minha participação na blogoesfera modesta e limitada por compromissos sociais e profissionais de quem tem uma vida "lá fora." Nem sei o que diga, se é que vale a pena dizer alguma coisa.
Aqui está a elevação cultural a falar, ou seja, referir-se ás pessoas como "isto". É a boa educação a falar e deve ser um assomo da corrente pós-modernista a vir ao de cima nesta senhora tão culta e por dentro da arte dita "séria". Bolas, isto é que é ironia de fino recorte! Esta senhora está na vanguarda da expressão cultural de nível superior! E ainda por cima tem compromissos sociais lá fora! Tenho de ir a correr comprar a Lux ou a Caras.
"Tolkien é um autor menor. Digo-o sem quaisquer hesitações. Tenha os adeptos incondicionais que tiver (e são muitos até num país pouco dado a leituras como o nosso a julgar pela quantidade de impropérios com que me encheram a caixa de correio), isso não faz dele mais do que um escritorzeco de contos de fadas desprovidos da contextualização mítico-social que confere validade a esse género literário."
Ainda bem que esta senhora sabe o que é o critério de gosto e qualidade literária, e o que confere validade seja a que espécie de literatura for. Aliás, Tolkien é um dos autores do Século, um dos livros mais lidos de sempre ( só secundado pela Bíblia), autor de uma obra que transcende qualquer espécie de ficção criada até hoje, pelo detalhe, pela problemática geopolítica abordada através daquilo a que ele chamou de aplicabilidade, mas para esta senhora é um escritorzeco de contos de fadas descontextualizadas. Um homem que levou mais de quinze anos a escrever a saga e quarenta a compor todo o background, criou um alfabeto e consequente linguagem de raíz, é um badameco qualquer que pôs ali uns dragões e puf, já está.
O que ainda ninguém disse a esta senhora, é que os nossos gostos pessoais não são o selo de garantia de qualidade, e lá porque não gostemos de algo, não significa que esse algo não seja bom ou tenha qualidade. Eu não gosto de Miles DAvis ou Charlie Parker , mas os homens era dois génios da música. Acho Balzac uma pincelada das antigas, mas é de facto um dos maiores escritores de sempre. AMR pode não gostar de Tolkien á vontade, é um direito seu, e pode defendê-lo, mas falta-lhe a autoridade intelectual para proferir um disparate como designar o escritor mais lido de sempre como um autorzeco. O ridículo vai ao ponto de confessar que ainda não leu as obras, o que ainda acentua mais esta cabotinice vazia de argumentos, como são as asneiradas que diz a mais das vezes.
Já agora, gostaria que ela me explicasse onde está a contextualização "mitico-social" ( seja lá o que isso for) no fantasma de Hamlet, no espectro dos Canterville, em Dorian Grey, na ressuscitada Catherine Earnshaw, Roderick Usher e outros que tais. Ou se calhar Poe, Shakespeare, Bronte ou Wilde não são literatura á seria... Aliás, no seu tempo, estes autores eram tratados abaixo de cão pelos críticos que tinham um discurso muito parecido com o desta senhora. Eram afinal apenas um bando de autorzecos, e assim permanceram...
De qualquer forma, fico positivamente satisfeita por ver que, afinal, há portugueses que lêem fora das classes ditas "intelectuais." Que leiam Tolkien, Harry Potter ou o Homem-Aranha tanto se me dá. Pelo menos, é um princípio e pode ser que um dia venham a descobrir o gosto pela literatura a sério.
Santa Maria Madalena. É mais um dos milagres de Fátima! Esta senhora sabe o que é literatura a sério. Ora quem defende isto com tal veemência, tem com certeza uma justificação, uma espécie de grelha de qualidade, talvez medida em termos quantitativos, como J. Evans Pritchard o fazia, através de um gráfico, no sempre agradável " Dead Poets Society".
Estou sinceramente à espera de receber no meu mail essa grelha, para poder perceber o que ando a ler. Caraças, isto são boas notícias!!!
Quanto às críticas dirigidas ao "Magazine" e à 2:, para evitar polémicas desnecessárias, basta-me dizer que nem um, nem a outra têm como público alvo os autores das críticas. Por isso, para quê perderem tempo com coisas que não vos interessam e que não compreenderão de qualquer maneira? Não será por falta de canais com o tipo de programação que vos agrada com certeza.
Esta então é a mais asquerosa das intervenções. É próprio dos vómitos elitistas de quem se julga esclarecido e iluminado relativamente á pobre da populaça que infesta o mundo onde esta senhora anda. Achei especialmente infeliz a alusão ao facto de que as pessoas não seriam capazes de entender os conteúdos do seu programazinho. É de uma prepotência e demonstração de mania das grandezas que roça o obsceno.
E estou aqui para ficar. Podem ter a certeza disso. Com polémicas ou sem elas. Citando o grande Honoré de Balzac, "Les existences faibles vivent dans les douleurs, au lieu de les changer en apophtegmes d'expérience, elles s'en saturent, et s'usent en rétrogradant chaque jour dans les malheurs consommés."
Isto é que são más notícias. Ou talvez não. É sempre bom ver que há um cantinho para rir na blogosfera, ainda que o humor produzido involuntariamente pelo autor.
O reino dos céus será desta senhora. Talvez ela entenda esta alusão primária, quem sabe...
E em resposta à pergunta "dele", não li os livros porque tenho as minhas prioridades e há coisas mais urgentes a ler.
Ora cá está espelhada toda a autoridade para poder formular uma opinião. Porque emprenhar pelos ouvidos é a fórmula mágica para conseguir fazer um juízo crítico fundamentado, porra, toda a gente sabe isso...
Até Gollum. A respeito deste último, há algo a dizer. A sua representação no filme é, obviamente, uma evocação do aspecto que o corpo dos doentes com SIDA em estado terminal assume. A demonização era desnecessária, quanto a mim.
Aqui não resisto, entre gargalhadas, a transcrever do Cruzes, o J que me desculpe - "São conhecidos os dons proféticos de Tolkien para descrever na década de 50 como seriam as vítimas da SIDA da década de 80".
Tanta referência ao triunfo dos homens bons e justos do Oeste perante os tiranos do Leste é obviamente uma referência ao mundo em que vivemos. E onde estão as mulheres? Relegadas para papéis secundários de serviçais e companheiras.
O disparate continua. Se a senhora em causa ler uma página que seja sobre a obra do autor, saberá que ele sempre negou a escrita de um livro alegórico, mas sim aplicável. A aplicabilidade reside na liberdade de adaptação do leitor, ao contrário da alegoria, intenção clara e calculada do autor.
Quanto à misoginia, talvez o homem até tenha sido, mas vimos o mesmo filme? Que eu saiba, o Rei Feiticeiro é morto por Ewoyn, a sobrinha do Rei Theoden.. para uma serviçal e submissa, tem umas grandes abébias. Já para não falar em Galadriel, mas enfim...
E pronto, cá fica.
Quanto a AMR, talvez um dia perceba que o seu papel nas intervenções televisivas ou outros quejandos, deve-se ao seu valor como bibelot engraçado, e abrande nos disparates.
Recomendo-lhe que leia ou oiça o discurso de Stephen King aquando da entrega do prémio que lhe foi concedido pela NBA ( não, Anabela, não são os tipos do basquetebol), e recue em tanta cagança para tão pouca competência. Saudações!
Aos restantes, um abraço.
quinta-feira, janeiro 22, 2004
Mais um livro a reter, e que espero arranjar o tempo para ler.
A biografia de Carl Jung que ao que parece, era um safardana na pior espécie, apesar dos esforços da sua biógrafa.
Chegou a lançar uma bomba de Carnaval para perto de uma das suas filhas, deixando-a surda de um ouvido, aparecia em ocasiões sociais com a mulher num braço e a amante ( a quem chamava a outra esposa), no outro, entre outras proezas.
Andou de candeias ás avessas com Freud e quase foi o psiquiatra de Hitler.
"Jung" - de Dierdre Bair.
A biografia de Carl Jung que ao que parece, era um safardana na pior espécie, apesar dos esforços da sua biógrafa.
Chegou a lançar uma bomba de Carnaval para perto de uma das suas filhas, deixando-a surda de um ouvido, aparecia em ocasiões sociais com a mulher num braço e a amante ( a quem chamava a outra esposa), no outro, entre outras proezas.
Andou de candeias ás avessas com Freud e quase foi o psiquiatra de Hitler.
"Jung" - de Dierdre Bair.
"Our Fathers" de David France.
O repugnante universo da pedofilia na Igreja Católica Americana relatado num livro que segundo o Times, vale a pena ler.
Acho que vou á Amazon fazer uma encomenda...
"Here is the incredible criminal history of the Rev. Joseph Birmingham, "methodically moving from boy to boy like a champion at a pie-eating contest" and nicknamed Father Burning-hand by one of his many victims."
E pensar que alguns escritores de ficção têm dificuldade em criar monstros, quando a realidade está pejada deles...
O repugnante universo da pedofilia na Igreja Católica Americana relatado num livro que segundo o Times, vale a pena ler.
Acho que vou á Amazon fazer uma encomenda...
"Here is the incredible criminal history of the Rev. Joseph Birmingham, "methodically moving from boy to boy like a champion at a pie-eating contest" and nicknamed Father Burning-hand by one of his many victims."
E pensar que alguns escritores de ficção têm dificuldade em criar monstros, quando a realidade está pejada deles...
Um Vergonhoso, Triste e Recorrente Fenómeno
O mais impressionante em todas estas situações é verificar como é que as pessoas conseguem odiar de morte a diferença, sem qualquer outro motivo que não um ressentimento injustificado. Até porque para quem trabalha com imigração, que é o meu caso, sabe que os argumentos económicos para justificar racismo são uma falácia já antiga e que não engana ninguém, à excepção do Paulinho das Feiras.
Enfim, dá logo volta ao estômago começar assim o dia, mas são as noticias do mundo...
O mais impressionante em todas estas situações é verificar como é que as pessoas conseguem odiar de morte a diferença, sem qualquer outro motivo que não um ressentimento injustificado. Até porque para quem trabalha com imigração, que é o meu caso, sabe que os argumentos económicos para justificar racismo são uma falácia já antiga e que não engana ninguém, à excepção do Paulinho das Feiras.
Enfim, dá logo volta ao estômago começar assim o dia, mas são as noticias do mundo...
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Embora já haja ecos deste evento em todas as publicações ou blogs, ou o que for, ainda estou a beliscar-me enquanto recordo a frase daquele senhor cujo nome nem memorizei e que crê que a mulher violada que engravide deveria ter a criança.
A minha cara metade deu um pulo de metro e meio no sofá e disse apenas isto:
"Só um homem é que poderia ter uma tirada destas. Alguém que não sabe do que fala".
Eu concordo com a IVG até ás dez semanas. Concordo que a defesa do valor vida nos moldes em que os ditos defensores da mesma o apresentam é uma falácia, uma vez que se descartam da noção de qualidade de vida e consequentes direitos humanos daqueles que alguém força a vir ao mundo. Esses senhores são os mesmos que vociferam contra o uso do preservativo, que propalam a abstinência, entre outros disparates. Aqueles que não sabem que em África um preservativo custa o equivalente a metade do rendimento mensal, e que muitas pessoas nem sequer sabem o que isso é. Pessoas que nascem apenas para morrer em condições que a nosso conforto nem sequer consegue imaginar como são. Mas segundo esses movimentos, nasceram e iso é que é importante. Agora desenrasquem-se.
Mas adiante.
O que realmente me chamou a atenção é existirem homens a ditar sentenças sobre algo que é um universo que a nós está vedado. Eu nunca saberei o que é ter uma escolha para procriar ou não, e como se posiciona o meu corpo ou consciência relativamente a essa matéria.
Por isso, qualquer lei que obste a uma escolha, que criminalize algo que critério cientifico nenhum consegue determinar, ou seja, o conceito de vida propriamente dito, é um tropeção moral onde deveria existir direito e objectividade relativa a uma autodeterminação de consciência individual.
O disparate que aquele senhor proferiu, como tantos naquela noite, é apenas uma prova de alguém que fala de cor, sem ter a mínima noção de como as coisas são ao nível do desespero que é para alguém ter de recorrer ao aborto.
A minha cara metade deu um pulo de metro e meio no sofá e disse apenas isto:
"Só um homem é que poderia ter uma tirada destas. Alguém que não sabe do que fala".
Eu concordo com a IVG até ás dez semanas. Concordo que a defesa do valor vida nos moldes em que os ditos defensores da mesma o apresentam é uma falácia, uma vez que se descartam da noção de qualidade de vida e consequentes direitos humanos daqueles que alguém força a vir ao mundo. Esses senhores são os mesmos que vociferam contra o uso do preservativo, que propalam a abstinência, entre outros disparates. Aqueles que não sabem que em África um preservativo custa o equivalente a metade do rendimento mensal, e que muitas pessoas nem sequer sabem o que isso é. Pessoas que nascem apenas para morrer em condições que a nosso conforto nem sequer consegue imaginar como são. Mas segundo esses movimentos, nasceram e iso é que é importante. Agora desenrasquem-se.
Mas adiante.
O que realmente me chamou a atenção é existirem homens a ditar sentenças sobre algo que é um universo que a nós está vedado. Eu nunca saberei o que é ter uma escolha para procriar ou não, e como se posiciona o meu corpo ou consciência relativamente a essa matéria.
Por isso, qualquer lei que obste a uma escolha, que criminalize algo que critério cientifico nenhum consegue determinar, ou seja, o conceito de vida propriamente dito, é um tropeção moral onde deveria existir direito e objectividade relativa a uma autodeterminação de consciência individual.
O disparate que aquele senhor proferiu, como tantos naquela noite, é apenas uma prova de alguém que fala de cor, sem ter a mínima noção de como as coisas são ao nível do desespero que é para alguém ter de recorrer ao aborto.
Hoje de manhã ouvi a música dos Marretas.
E realmente existem coisas que tempo ou modernidade alguma conseguem por de parte. Aquela música ainda me faz arrepiar a pele, colocar um sorriso na cara e expressar uma ternura interna por algo que era e é um tiro na mouche.
Os Marretas, assim como os tresloucados da Warner nos seus episódios de seis a sete minutos são um delírio que ainda hoje não dispenso, apesar do olhar pouco entusiasta de quem tem de me aturar todos os dias.
A verdade é que a maioria dos meus amores reais surge e permanece, vem de dias antigos, vive de noções basilares do que era belo, engraçado, terno, importante, expresso em coisas como os Marretas ou o Tulicreme, do qual falou a Ana Albergaria.
Não me entendam mal. Não sou um saudosista, e muito menos um conservador ( cruzes canhoto, irra!), simplesmente tendo a afeiçoar-me ao que surge e fica com a naturalidade de ser simplesmente o que é.
Vou ouvir os Marretas mais uma vez, desculpem lá.
E realmente existem coisas que tempo ou modernidade alguma conseguem por de parte. Aquela música ainda me faz arrepiar a pele, colocar um sorriso na cara e expressar uma ternura interna por algo que era e é um tiro na mouche.
Os Marretas, assim como os tresloucados da Warner nos seus episódios de seis a sete minutos são um delírio que ainda hoje não dispenso, apesar do olhar pouco entusiasta de quem tem de me aturar todos os dias.
A verdade é que a maioria dos meus amores reais surge e permanece, vem de dias antigos, vive de noções basilares do que era belo, engraçado, terno, importante, expresso em coisas como os Marretas ou o Tulicreme, do qual falou a Ana Albergaria.
Não me entendam mal. Não sou um saudosista, e muito menos um conservador ( cruzes canhoto, irra!), simplesmente tendo a afeiçoar-me ao que surge e fica com a naturalidade de ser simplesmente o que é.
Vou ouvir os Marretas mais uma vez, desculpem lá.
Passei de Martin Amis para Stephen King, e tenho Patricia Cornwell, Neil Gaiman ou William Faulkner em cima da mesa de cabeceira.
E parece que consigo ouvir as falanges de apoio do público dentro da minha cabeça a gritar para o seu favorito, um pouco á semelhança daquela cena hilariante da escolha da princesa no filme Shrek.
E isto porque cada um deles tem algo que eu posso andar á procura neste momento, mas o problema é decidir ou acertar na coincidência entre os apetites e a adequação.
Mas afinal de contas, não é essa a eterna dúvida acerca de cada coisa ou pessoa que amamos, nem que seja potencialmente?
E parece que consigo ouvir as falanges de apoio do público dentro da minha cabeça a gritar para o seu favorito, um pouco á semelhança daquela cena hilariante da escolha da princesa no filme Shrek.
E isto porque cada um deles tem algo que eu posso andar á procura neste momento, mas o problema é decidir ou acertar na coincidência entre os apetites e a adequação.
Mas afinal de contas, não é essa a eterna dúvida acerca de cada coisa ou pessoa que amamos, nem que seja potencialmente?
Estou-me completamente a borrifar.
Estou a escrever uma história como queria há muito tempo. Daquelas que os iluminados culturais designariam de escapista, mirabolante, fantasiosa, e o diabo a sete.
Embora vá insegura, (pois a minha musa apresenta-se como uma sobrevivente em muito mau estado de um descarrilamento e colisão frontal entre comboios), há muito tempo que as ideias não pulavam desta maneira. Provavelmente serão ideias de merda para muitos, mas eu só tenho um mandamento na escrita, e foi o meu amigo que o disse. Aliás, está em baixo, numa outra posta, a bold, mas eu transcrevo.
Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.
We understand that fiction is a lie to begin with. To ignore the truth inside the lie is to sin against the craft, in general, and one's own work in particular.
E essa é a verdade para mim. Tentar sempre dizer a verdade, fazer uma estimativa do que seriam as reacções normais, escrever com a honestidade espelhada no desejo de contar uma história, e no que penso que realmente acontece nesse delírio feito narrativa. Se corto esquinas, faço-o sem saber.
No fundo creio em cada história e conto-a como ela me aparece, seja passada num subúrbio de Lisboa, ou nessa mesma cidade uns largos anos no futuro, com golfinhos de volta ao Tejo.
E divertir-me tanto como me chateio, porque quem escreve só para se chatear, comete um acto de masoquismo puro que sinceramente não entendo.
Estou a escrever uma história como queria há muito tempo. Daquelas que os iluminados culturais designariam de escapista, mirabolante, fantasiosa, e o diabo a sete.
Embora vá insegura, (pois a minha musa apresenta-se como uma sobrevivente em muito mau estado de um descarrilamento e colisão frontal entre comboios), há muito tempo que as ideias não pulavam desta maneira. Provavelmente serão ideias de merda para muitos, mas eu só tenho um mandamento na escrita, e foi o meu amigo que o disse. Aliás, está em baixo, numa outra posta, a bold, mas eu transcrevo.
Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.
We understand that fiction is a lie to begin with. To ignore the truth inside the lie is to sin against the craft, in general, and one's own work in particular.
E essa é a verdade para mim. Tentar sempre dizer a verdade, fazer uma estimativa do que seriam as reacções normais, escrever com a honestidade espelhada no desejo de contar uma história, e no que penso que realmente acontece nesse delírio feito narrativa. Se corto esquinas, faço-o sem saber.
No fundo creio em cada história e conto-a como ela me aparece, seja passada num subúrbio de Lisboa, ou nessa mesma cidade uns largos anos no futuro, com golfinhos de volta ao Tejo.
E divertir-me tanto como me chateio, porque quem escreve só para se chatear, comete um acto de masoquismo puro que sinceramente não entendo.
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