Há que dar os parabéns ao Porto.
Arrogâncias e criancices à parte, o hoem é de facto um treinador excepcional, e o Porto mostrou que a coesão de uma equipa e o incontornável senso de missão colectiva valem mais que algumas galáxias....
Parabéns Porto.
E Portugal, já agora...
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
Stephen King - "Different Seasons"
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quinta-feira, maio 27, 2004
terça-feira, maio 25, 2004
segunda-feira, maio 24, 2004
O dia a dia de blogs e mesmo diálogos entre as pessoas assenta numa espécie de ritual reiterado. Vejo que todos se preocupam com o que muitos, ou alguns dizem, com a situação do mundo, com aquilo que acontece perante os nosso olhos e para o qual ninguém encontra uma explicação que se assemelhe minimamente a algo racional. Basta pensar na situação do Médio Oriente, a negação da Disney em distribuir o filme de Michael Moore ( que segundo dizem é o seu melhor e acerta na mouche ainda mais que em outras ocasiões), o discurso de Durão Barroso no congresso ( no qual deve ter falado de um país que não o nosso com certeza), e por aí fora.
Mas pergunto-me o que se passa com as realidades quotidianas. O espaço pessoal, o amor, os problemas da atracção, os enigmas da amizade diária e solícita. Onde andam as coisas que realmente preocupam as pessoas no seu dia a dia quando desligam o interruptor da análise macro? As idiossincrasias de personalidade, a vida em minutos que constitui a maioria das questões que o dia desperto realmente nos coloca?
Bem sei que quem ler isto julgar-me-à ingénuo ou mesmo infantil, mas a verdade é que não é somente a codificação civico/política que domina o passo dos meus dias. Existem os outros e depois ando cá eu. E há tanto para perguntar que não tem base documental, pelo menos estricta...
Desculpem lá...
Mas pergunto-me o que se passa com as realidades quotidianas. O espaço pessoal, o amor, os problemas da atracção, os enigmas da amizade diária e solícita. Onde andam as coisas que realmente preocupam as pessoas no seu dia a dia quando desligam o interruptor da análise macro? As idiossincrasias de personalidade, a vida em minutos que constitui a maioria das questões que o dia desperto realmente nos coloca?
Bem sei que quem ler isto julgar-me-à ingénuo ou mesmo infantil, mas a verdade é que não é somente a codificação civico/política que domina o passo dos meus dias. Existem os outros e depois ando cá eu. E há tanto para perguntar que não tem base documental, pelo menos estricta...
Desculpem lá...
The Eternal Sunshine of the Spotless Mind.
Confesso que de Alexander Pope pouco conhecia, à parte das máximas que conhecidas mas que nem sequer sabia lhe pertencerem, tais como "Fools rush in where Angels fear to tread." ou "To err is human, to forgive is divine."
Li umas poucas coisas acerca da sua vida e percebi que se tratava de um fervoroso e satírico homem de letras, carcomido pela doença e mal estar físico. As enfermidades relacionadas com a Tuberculose fizeram com que este poeta não chegasse sequer ao metro e meio, além de padecer de dores frequentes. Além de poeta era tradutor, tendo efectuado uma monumental tradução da Odisseia de Homero em seis volumes.
Mas é o seu poema "Eloisa to Abelard" que é evocado no filme referido no título que me chamou á atenção. Aliás, o filme inteiro, a temática, a personagem de Clementine e toda a abordagem ao amor, aos seus contributos para a psique e o poder imenso da memória enquanto a riqueza que permanece realmente, já que o prazer e a vivência existem em momentos curtos e electrizantes.
Michael Gondry é responsável, em meu ver, por um magnífico truque de magia, reinventando, por um lado, e mencionado por outro, uma dimensão real, dura, mas tremendamente ternurenta do amor enquanto fenómeno que, bem vistas as coisas, até inconscientemente nos condiciona.
Clementine é uma pérola de argumento, de história, de um certo imaginário masculino, o meu pelo menos. É um caos maravilhosamente controlado, temível, mas ao mesmo tempo com a dimensão terrena que não a coloca naquele patamar daqueles que constituem a nossa imaginação e nunca o toque terreno. Aliás, é ela própria que se desmistifica em jeito de aviso rodoviário. Mas, para mim, permanece uma evocação aquela qualidade de seres que nunca permite que a vida tenha a última palavra.
A realização é feita a retalho, como um puzzle que se vai construindo passo a passo, de trás para a frente. No fundo, todo o filme parece um sonho, feito das suas efemeridades e momento etéreos, mas com uma enorme vantagem. Quando acordamos vemos que o objecto fixo pelo nosso inconsciente está lá, e que a memória guarde aquilo que feliz e realmente aconteceu.
"The Eternal Sunshine of the Spotless Mind", traduzido para "Despertas da Mente" ( ok, podia ser pior, como geralmente é...) é para mim a mais magnífica história de amor que vi filmada nos ultimos tempos. É impressionante como Kauffman consegue dar uma visão pungente e tocante do amor, sem cair por um segundo que seja na tentação do sentimentalismo.
Maravilhoso. Nos ultimos tempos, só o filme "Big Fish" de Tim Burton me emocionou mais, talvez pelo facto de que a figura paterna e cheia de histórias me diz tanto.
Mas se tinha gostado de Adaptation, tiro o meu chapéu a esta história de Kauffman. Uma absoluta pérola.
Confesso que de Alexander Pope pouco conhecia, à parte das máximas que conhecidas mas que nem sequer sabia lhe pertencerem, tais como "Fools rush in where Angels fear to tread." ou "To err is human, to forgive is divine."
Li umas poucas coisas acerca da sua vida e percebi que se tratava de um fervoroso e satírico homem de letras, carcomido pela doença e mal estar físico. As enfermidades relacionadas com a Tuberculose fizeram com que este poeta não chegasse sequer ao metro e meio, além de padecer de dores frequentes. Além de poeta era tradutor, tendo efectuado uma monumental tradução da Odisseia de Homero em seis volumes.
Mas é o seu poema "Eloisa to Abelard" que é evocado no filme referido no título que me chamou á atenção. Aliás, o filme inteiro, a temática, a personagem de Clementine e toda a abordagem ao amor, aos seus contributos para a psique e o poder imenso da memória enquanto a riqueza que permanece realmente, já que o prazer e a vivência existem em momentos curtos e electrizantes.
Michael Gondry é responsável, em meu ver, por um magnífico truque de magia, reinventando, por um lado, e mencionado por outro, uma dimensão real, dura, mas tremendamente ternurenta do amor enquanto fenómeno que, bem vistas as coisas, até inconscientemente nos condiciona.
Clementine é uma pérola de argumento, de história, de um certo imaginário masculino, o meu pelo menos. É um caos maravilhosamente controlado, temível, mas ao mesmo tempo com a dimensão terrena que não a coloca naquele patamar daqueles que constituem a nossa imaginação e nunca o toque terreno. Aliás, é ela própria que se desmistifica em jeito de aviso rodoviário. Mas, para mim, permanece uma evocação aquela qualidade de seres que nunca permite que a vida tenha a última palavra.
A realização é feita a retalho, como um puzzle que se vai construindo passo a passo, de trás para a frente. No fundo, todo o filme parece um sonho, feito das suas efemeridades e momento etéreos, mas com uma enorme vantagem. Quando acordamos vemos que o objecto fixo pelo nosso inconsciente está lá, e que a memória guarde aquilo que feliz e realmente aconteceu.
"The Eternal Sunshine of the Spotless Mind", traduzido para "Despertas da Mente" ( ok, podia ser pior, como geralmente é...) é para mim a mais magnífica história de amor que vi filmada nos ultimos tempos. É impressionante como Kauffman consegue dar uma visão pungente e tocante do amor, sem cair por um segundo que seja na tentação do sentimentalismo.
Maravilhoso. Nos ultimos tempos, só o filme "Big Fish" de Tim Burton me emocionou mais, talvez pelo facto de que a figura paterna e cheia de histórias me diz tanto.
Mas se tinha gostado de Adaptation, tiro o meu chapéu a esta história de Kauffman. Uma absoluta pérola.
Mais uma vítima dos reality shows...
Nem vou comentar os reality shows que, para mim, representam o toque no mais baixo a que a televisão alguma vez chegou. A palavra exploração é um eufemismo demasiado brando para esta espécie maldita de entretenimento.
Mas parece que deixa mais marcas.
Em suma, ou reaparecem Seinfelds, Frasiers, Macbeals, etc, etc, ou as quecas debaixo de edredons de padrões discutíveis serão o padrão pelo qual a qualidade televisiva( se é que tal conceito existe) é medida.
Ao menos sejam honestos e tirem o cobertor da frente...
Nem vou comentar os reality shows que, para mim, representam o toque no mais baixo a que a televisão alguma vez chegou. A palavra exploração é um eufemismo demasiado brando para esta espécie maldita de entretenimento.
Mas parece que deixa mais marcas.
Em suma, ou reaparecem Seinfelds, Frasiers, Macbeals, etc, etc, ou as quecas debaixo de edredons de padrões discutíveis serão o padrão pelo qual a qualidade televisiva( se é que tal conceito existe) é medida.
Ao menos sejam honestos e tirem o cobertor da frente...
sexta-feira, maio 21, 2004
quarta-feira, maio 19, 2004
A lógica que implica que algo como um blog seja diário é inamovível. Mas o tempo que há é o tempo que temos, e talvez quando tiver um PC em casa a coisa se componha.
E se é verdade que nem todos os os dias teremos algo dingo de nota para dizer, existem outros onde o entusiasmo tem de sofrer uma filtragem, sob pena de atravancar a paciência de quem se arrisca a ler.
Falta falta faz mesmo uma máquina digital. Porque os meus dias são feitos de tantas imagens quanto palavras, e nada como discorrer sobre as memórias correlativas de uma imagem que se grava porque deixa marca....
E se é verdade que nem todos os os dias teremos algo dingo de nota para dizer, existem outros onde o entusiasmo tem de sofrer uma filtragem, sob pena de atravancar a paciência de quem se arrisca a ler.
Falta falta faz mesmo uma máquina digital. Porque os meus dias são feitos de tantas imagens quanto palavras, e nada como discorrer sobre as memórias correlativas de uma imagem que se grava porque deixa marca....
Pois é... Há quem diga que a realidade supera a ficção.
E do Ny Times de hoje, é um artigo enorme, mas vale bem a pena para fãs do Sr. Conan Doyle.
The Curious Incident of the Boxes
By SARAH LYALL
Published: May 19, 2004
European Pressphoto Agency
Arthur Conan Doyle artifacts are to be auctioned by Christie’s today.
LONDON, May 18 — For 25 years the cardboard boxes, more than a dozen of them, sat in a corner of a London office, gathering dust while lawyers argued about whom they belonged to and scholars dreamed about what was inside. But the auction this Wednesday of their contents, once belonging to Arthur Conan Doyle, the creator of Sherlock Holmes, has provoked another fight and a mystery almost worthy of Holmes himself.
The Conan Doyle archive — including his unpublished first novel, a rich cache of family letters and handwritten literary notebooks full of research and musings about works in progress — is expected to bring in about £1 million to £1.5 million ($1.8 million to $2.7 million), according to Christie's, which is handling the sale. But even as that auction house has attracted a stream of Conan Doyle enthusiasts thrilled at the newly released material, it has also been sharply criticized by some scholars and members of Parliament for allowing the sale because they say crucial legal questions remain unresolved.
They also say that the material is too important to be sold off piecemeal. "This will make it impossible for one academic or team of researchers ever to access the entire collection for a definitive biography of Conan Doyle," Kevin Pringle, a spokesman for Alex Salmond, a member of Parliament from the Scottish National Party, said of the auction. "The material will be scattered to the four winds."
Adding to the sense of unease is the mysterious death of Richard Lancelyn Green, a leading Conan Doyle scholar and private collector, and a vociferous opponent of the sale. On March 27 Mr. Lancelyn Green, 50, a former chairman of the Sherlock Holmes Society of London and the author of several well-received books on Conan Doyle, was found garroted to death, strangled by a shoelace wrapped around a wooden kitchen spoon used to tighten its grip.
Mr. Lancelyn Green had become increasingly agitated and worried for his safety in the days before he died, several friends and family members told the inquest into his death. The coroner in the case said that he could not rule out murder and recorded an open verdict, meaning that he did not conclude what led to Mr. Lancelyn Green's death, although he said that he "would not wish to stress the importance of any conspiracy theories."
Owen Dudley Edwards, a reader in history at the University of Edinburgh and a Conan Doyle scholar who was a close friend of Mr. Lancelyn Green, said he did not believe Mr. Lancelyn Green committed suicide. The two had teamed up to stop the Christie's sale, he said, and Mr. Lancelyn Green had been concerned that people connected to it would seek to damage his reputation.
"I think he was bewildered by the sale, as we all were," Mr. Dudley Edwards said. "But I was speaking to him about 12 hours before his death, and I didn't have the slightest impression of him being suicidal."
Everyone seems to agree on one thing: the materials to be sold are a treasure trove. "I would say that some of it is very important," said Catherine Cooke, curator of the Sherlock Holmes collection at the Marylebone Library in London. She singled out letters from Conan Doyle's younger brother, Innes, and oldest son, Kingsley, who both served in World War I and died of illnesses contracted during or just after it.
There is also fascinating correspondence with public figures like Winston Churchill, P. G. Wodehouse, Theodore Roosevelt and Oscar Wilde. There is Conan Doyle's tan lizard-skin wallet, left as it was when he died in 1930, its contents yellowed and faded. There are little cartoons he drew, presumably for his children, and ample materials related to lesser-known aspects of his life, including his early career as a doctor; his campaign to convince the British military to issue its soldiers body armor; his involvement with cricket; and his experiences as a medic in the Boer War in South Africa.~
There is also an unpublished novel — Conan Doyle's first, written in the mid-1890's — about a certain Mr. Smith and his battles with gout, among other things. Conan Doyle thought the manuscript had been lost in the mail and once wrote that "my shock at its disappearance would be as nothing to my horror if it were suddenly to appear again — in print."
Tom Lamb, director of the book department at Christie's in London, said the papers represented a valuable "personal corpus" for Conan Doyle. While many other of his manuscripts and papers, sold off by his profligate sons years ago, are more concerned with public aspects of his life, Mr. Lamb said, "This material gives you the clues to Conan Doyle the man."
The unavailability of the material has frustrated and tantalized Conan Doyle scholars for years. A 1949 biography by the American mystery writer John Dickson Carr drew on the papers and included a list without going into detail about their contents, and a French biographer read them in the 1960's, but no researchers have been allowed to see them since. "Having access to these papers will really open things up," Miss Cooke said. But like some other Conan Doyle scholars, she is troubled by the sale, she said. There is the fear that the collection would be broken up and sold to anonymous collectors uninterested in making them available to academics. And there is a concern about the murky disposition of what remains of Conan Doyle's prodigious estate.
After the deaths of Conan Doyle and his second wife, Jean, the bulk of the estate went to one of their sons, Adrian. Portions were sold by him and his brother, Denis, although Adrian kept a core group of private papers intact. Neither Denis nor Adrian had children; nor did their sister, Jean. By the late 1980's, with the family having feuded for years over the remaining papers, the only direct relatives left were Adrian's widow, Anna Conan Doyle; and Jean, who had become Dame Jean Bromet. They agreed that they would each get a 50-percent interest in the papers. Dame Jean, who died in 1997, bequeathed hers to the British Library; Anna, who died in 1990, bequeathed hers to three distant relatives whose names have not been made public. It is Anna's portion that is for sale.
The idea seems to have been that the material would be split evenly. But curiously only 2 of a total of 15 boxes went to the British Library, the library says. That state of affairs has led scholars like Mr. Dudley Edwards, who was friendly with Dame Jean and who would like to see the whole collection in the hands of the British Library, to question the division of the materials.
"It's very difficult to see how the division could have been equal between Anna and Jean since there are only a few papers for Jean against this enormous tranche of stuff for Anna," Mr. Dudley Edwards said.
British Library officials said that they had asked Anna Conan Doyle's beneficiaries for a list of how the material was divided but were turned down.
"We have received assurances from the executors that the division represents what Dame Jean's wishes were," said Clive Field, director of scholarship and collections at the British Library. "We're not necessarily challenging the legality, but what we're saying is that their assurances should be capable of being validated by documentary material, which they're not providing to us. This is a matter of significant national and international interest, and as a public body we must exercise due diligence."
A spokeswoman for Christie's, Clare Roberts, said the auction house was satisfied that its sale was proper. "Dame Jean had those items in her possession that she owned at the time of her death, and she left them in her will to the British Library," Ms. Roberts said. "In terms of how the family's split up things between them, that's nothing to do with us."
E do Ny Times de hoje, é um artigo enorme, mas vale bem a pena para fãs do Sr. Conan Doyle.
The Curious Incident of the Boxes
By SARAH LYALL
Published: May 19, 2004
European Pressphoto Agency
Arthur Conan Doyle artifacts are to be auctioned by Christie’s today.
LONDON, May 18 — For 25 years the cardboard boxes, more than a dozen of them, sat in a corner of a London office, gathering dust while lawyers argued about whom they belonged to and scholars dreamed about what was inside. But the auction this Wednesday of their contents, once belonging to Arthur Conan Doyle, the creator of Sherlock Holmes, has provoked another fight and a mystery almost worthy of Holmes himself.
The Conan Doyle archive — including his unpublished first novel, a rich cache of family letters and handwritten literary notebooks full of research and musings about works in progress — is expected to bring in about £1 million to £1.5 million ($1.8 million to $2.7 million), according to Christie's, which is handling the sale. But even as that auction house has attracted a stream of Conan Doyle enthusiasts thrilled at the newly released material, it has also been sharply criticized by some scholars and members of Parliament for allowing the sale because they say crucial legal questions remain unresolved.
They also say that the material is too important to be sold off piecemeal. "This will make it impossible for one academic or team of researchers ever to access the entire collection for a definitive biography of Conan Doyle," Kevin Pringle, a spokesman for Alex Salmond, a member of Parliament from the Scottish National Party, said of the auction. "The material will be scattered to the four winds."
Adding to the sense of unease is the mysterious death of Richard Lancelyn Green, a leading Conan Doyle scholar and private collector, and a vociferous opponent of the sale. On March 27 Mr. Lancelyn Green, 50, a former chairman of the Sherlock Holmes Society of London and the author of several well-received books on Conan Doyle, was found garroted to death, strangled by a shoelace wrapped around a wooden kitchen spoon used to tighten its grip.
Mr. Lancelyn Green had become increasingly agitated and worried for his safety in the days before he died, several friends and family members told the inquest into his death. The coroner in the case said that he could not rule out murder and recorded an open verdict, meaning that he did not conclude what led to Mr. Lancelyn Green's death, although he said that he "would not wish to stress the importance of any conspiracy theories."
Owen Dudley Edwards, a reader in history at the University of Edinburgh and a Conan Doyle scholar who was a close friend of Mr. Lancelyn Green, said he did not believe Mr. Lancelyn Green committed suicide. The two had teamed up to stop the Christie's sale, he said, and Mr. Lancelyn Green had been concerned that people connected to it would seek to damage his reputation.
"I think he was bewildered by the sale, as we all were," Mr. Dudley Edwards said. "But I was speaking to him about 12 hours before his death, and I didn't have the slightest impression of him being suicidal."
Everyone seems to agree on one thing: the materials to be sold are a treasure trove. "I would say that some of it is very important," said Catherine Cooke, curator of the Sherlock Holmes collection at the Marylebone Library in London. She singled out letters from Conan Doyle's younger brother, Innes, and oldest son, Kingsley, who both served in World War I and died of illnesses contracted during or just after it.
There is also fascinating correspondence with public figures like Winston Churchill, P. G. Wodehouse, Theodore Roosevelt and Oscar Wilde. There is Conan Doyle's tan lizard-skin wallet, left as it was when he died in 1930, its contents yellowed and faded. There are little cartoons he drew, presumably for his children, and ample materials related to lesser-known aspects of his life, including his early career as a doctor; his campaign to convince the British military to issue its soldiers body armor; his involvement with cricket; and his experiences as a medic in the Boer War in South Africa.~
There is also an unpublished novel — Conan Doyle's first, written in the mid-1890's — about a certain Mr. Smith and his battles with gout, among other things. Conan Doyle thought the manuscript had been lost in the mail and once wrote that "my shock at its disappearance would be as nothing to my horror if it were suddenly to appear again — in print."
Tom Lamb, director of the book department at Christie's in London, said the papers represented a valuable "personal corpus" for Conan Doyle. While many other of his manuscripts and papers, sold off by his profligate sons years ago, are more concerned with public aspects of his life, Mr. Lamb said, "This material gives you the clues to Conan Doyle the man."
The unavailability of the material has frustrated and tantalized Conan Doyle scholars for years. A 1949 biography by the American mystery writer John Dickson Carr drew on the papers and included a list without going into detail about their contents, and a French biographer read them in the 1960's, but no researchers have been allowed to see them since. "Having access to these papers will really open things up," Miss Cooke said. But like some other Conan Doyle scholars, she is troubled by the sale, she said. There is the fear that the collection would be broken up and sold to anonymous collectors uninterested in making them available to academics. And there is a concern about the murky disposition of what remains of Conan Doyle's prodigious estate.
After the deaths of Conan Doyle and his second wife, Jean, the bulk of the estate went to one of their sons, Adrian. Portions were sold by him and his brother, Denis, although Adrian kept a core group of private papers intact. Neither Denis nor Adrian had children; nor did their sister, Jean. By the late 1980's, with the family having feuded for years over the remaining papers, the only direct relatives left were Adrian's widow, Anna Conan Doyle; and Jean, who had become Dame Jean Bromet. They agreed that they would each get a 50-percent interest in the papers. Dame Jean, who died in 1997, bequeathed hers to the British Library; Anna, who died in 1990, bequeathed hers to three distant relatives whose names have not been made public. It is Anna's portion that is for sale.
The idea seems to have been that the material would be split evenly. But curiously only 2 of a total of 15 boxes went to the British Library, the library says. That state of affairs has led scholars like Mr. Dudley Edwards, who was friendly with Dame Jean and who would like to see the whole collection in the hands of the British Library, to question the division of the materials.
"It's very difficult to see how the division could have been equal between Anna and Jean since there are only a few papers for Jean against this enormous tranche of stuff for Anna," Mr. Dudley Edwards said.
British Library officials said that they had asked Anna Conan Doyle's beneficiaries for a list of how the material was divided but were turned down.
"We have received assurances from the executors that the division represents what Dame Jean's wishes were," said Clive Field, director of scholarship and collections at the British Library. "We're not necessarily challenging the legality, but what we're saying is that their assurances should be capable of being validated by documentary material, which they're not providing to us. This is a matter of significant national and international interest, and as a public body we must exercise due diligence."
A spokeswoman for Christie's, Clare Roberts, said the auction house was satisfied that its sale was proper. "Dame Jean had those items in her possession that she owned at the time of her death, and she left them in her will to the British Library," Ms. Roberts said. "In terms of how the family's split up things between them, that's nothing to do with us."
Onde é que eu já li e ouvi isto?
Ah... já sei...
Deve ser no Verão do ano que vem... Qualquer coisa pré-eleitoral...
Ah... já sei...
Deve ser no Verão do ano que vem... Qualquer coisa pré-eleitoral...
segunda-feira, maio 17, 2004
Schism
I know the pieces fit cuz I watched them fall away
mildewed and smoldering
fundamental differing
pure intention juxtaposed will set two lovers souls in motion
disintegrating as it goes testing our communication
the light that fueled our fire then has burned a hole between us so
we cannot see to reach an end crippling our communication.
I know the pieces fit cuz I watched them tumble down
no fault
none to blame it doesn't mean I don't desire to
point the finger
blame the other
watch the temple topple over.
To bring the pieces back together
rediscover communication.
The poetry that comes from the squaring off between
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance.
There was a time that the pieces fit
but I watched them fall away.
Mildewed and smoldering
strangled by our coveting
I've done the the math enough to know the dangers of a second guessing
Doomed to crumble unless we grow
and strengthen our communication
cold silence has a tendency to atrophy any sense of compassion
between supposed lovers
between supposed brothers.
And I know the pieces fit.
Tool ( Maynard James Keenan )
I know the pieces fit cuz I watched them fall away
mildewed and smoldering
fundamental differing
pure intention juxtaposed will set two lovers souls in motion
disintegrating as it goes testing our communication
the light that fueled our fire then has burned a hole between us so
we cannot see to reach an end crippling our communication.
I know the pieces fit cuz I watched them tumble down
no fault
none to blame it doesn't mean I don't desire to
point the finger
blame the other
watch the temple topple over.
To bring the pieces back together
rediscover communication.
The poetry that comes from the squaring off between
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance.
There was a time that the pieces fit
but I watched them fall away.
Mildewed and smoldering
strangled by our coveting
I've done the the math enough to know the dangers of a second guessing
Doomed to crumble unless we grow
and strengthen our communication
cold silence has a tendency to atrophy any sense of compassion
between supposed lovers
between supposed brothers.
And I know the pieces fit.
Tool ( Maynard James Keenan )
The Grudge
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what we will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Terrified of being wrong. Ultimatum prison cell.
Saturn ascends, choose one or ten. Hang on or be humbled again.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Saturn ascends, comes round again.
Saturn ascends, the one, the ten. Ignorant to the damage done.
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what you will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Wear the grudge like a crown. Desperate to control.
Unable to forgive. And we're sinking deeper.
Defining, confining, sinking deeper. Controlling, defining, and we're sinking
deeper.
Saturn comes back around to show you everything
Let's you choose what you will not see and then
Drags you down like a stone or lifts you up again
Spits you out like a child, light and innocent.
Saturn comes back around. Lifts you up like a child or
Drags you down like a stone to
Consume you till you choose to let this go.
Choose to let this go.
Give away the stone. Let the oceans take and transmutate this cold and fated
anchor.
Give away the stone. Let the waters kiss and transmutate these leaden grudges
into gold.
Let go.
Tool ( Maynard James Keenan )
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what we will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Terrified of being wrong. Ultimatum prison cell.
Saturn ascends, choose one or ten. Hang on or be humbled again.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Saturn ascends, comes round again.
Saturn ascends, the one, the ten. Ignorant to the damage done.
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what you will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Wear the grudge like a crown. Desperate to control.
Unable to forgive. And we're sinking deeper.
Defining, confining, sinking deeper. Controlling, defining, and we're sinking
deeper.
Saturn comes back around to show you everything
Let's you choose what you will not see and then
Drags you down like a stone or lifts you up again
Spits you out like a child, light and innocent.
Saturn comes back around. Lifts you up like a child or
Drags you down like a stone to
Consume you till you choose to let this go.
Choose to let this go.
Give away the stone. Let the oceans take and transmutate this cold and fated
anchor.
Give away the stone. Let the waters kiss and transmutate these leaden grudges
into gold.
Let go.
Tool ( Maynard James Keenan )
Nothingman
Once divided...nothing left to subtract...
Some words when spoken...can't be taken back...
Walks on his own...with thoughts he can't help thinking...
Future's above...but in the past he's slow and sinking...
Caught a bolt 'a lightnin'...cursed the day he let it go...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
She once believed...in every story he had to tell...
One day she stiffened...took the other side...
Empty stares...from each corner of a shared prison cell...
One just escapes...one's left inside the well...
And he who forgets...will be destined to remember...oh...oh...oh...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Oh, she don't want him...
Oh, she won't feed him...after he's flown away...
Oh, into the sun...ah, into the sun...
Burn...burn...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Nothingman...
Coulda' been something...
Nothingman...
Oh...ohh...ohh...
P. Jam
Once divided...nothing left to subtract...
Some words when spoken...can't be taken back...
Walks on his own...with thoughts he can't help thinking...
Future's above...but in the past he's slow and sinking...
Caught a bolt 'a lightnin'...cursed the day he let it go...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
She once believed...in every story he had to tell...
One day she stiffened...took the other side...
Empty stares...from each corner of a shared prison cell...
One just escapes...one's left inside the well...
And he who forgets...will be destined to remember...oh...oh...oh...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Oh, she don't want him...
Oh, she won't feed him...after he's flown away...
Oh, into the sun...ah, into the sun...
Burn...burn...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Nothingman...
Coulda' been something...
Nothingman...
Oh...ohh...ohh...
P. Jam
Some Devil
One last kiss one only
Then I'll let you go
Hard for you I've fallen
But you can't break my fall
I'm broken don't break me
When I hit the ground
Some devil some angel
Has got me to the bones
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Too drunk and still drinking
It's just the way I feel
It's alright
Is what you told me
Cause what we had was so beautiful
Feel heavy like floating
At the bottom of the sea
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Some devil is stuck inside of me
I cannot set it free
I wish, I wish I was dead and you were grieving
Just so that you could know
Some angel is stuck inside of me
But I cannot set you free
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Such a long and lonely time
Stuck inside of me
Dave Matthews
One last kiss one only
Then I'll let you go
Hard for you I've fallen
But you can't break my fall
I'm broken don't break me
When I hit the ground
Some devil some angel
Has got me to the bones
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Too drunk and still drinking
It's just the way I feel
It's alright
Is what you told me
Cause what we had was so beautiful
Feel heavy like floating
At the bottom of the sea
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Some devil is stuck inside of me
I cannot set it free
I wish, I wish I was dead and you were grieving
Just so that you could know
Some angel is stuck inside of me
But I cannot set you free
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Such a long and lonely time
Stuck inside of me
Dave Matthews
sexta-feira, maio 14, 2004
Depois de tantas tentativas, acho que vou optar por enviar contos. Histórias pequenas, fragmentos. Talvez as cartas de rejeição sejam mais criativas.
A verdade é que escrever não é uma escolha, a mais das vezes, mas sim uma compulsão. O único problema é não existirem tantas histórias quantas as palavras que estão dispostas a contá-las.
A verdade é que escrever não é uma escolha, a mais das vezes, mas sim uma compulsão. O único problema é não existirem tantas histórias quantas as palavras que estão dispostas a contá-las.
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Filme a estrear brevemente, e cuja premissa parece prometer imensamente. A investigar aqui...
Filme a estrear brevemente, e cuja premissa parece prometer imensamente. A investigar aqui...
Um escritor, uma influência sui generis
Donald Goines foi uma figura estranha, improvável e que influenciou um meio cultural que embora me diga pouco, deixa marcas nas gerações logo a seguir á minha e mesmo mais recentes. Falo do universo do RAP, mais propriamente, do "gangsta" rap. Gangs de subúrbios, droga e quejandos.
Um escritor que era igualmente um criminoso de carreira e que foi morto a tiro juntamente com a mulher.
Uma biografia feita de denúncia e queda numa espiral de dor e dependência que acabou por nunca se mostrar resolúvel.
A explorar pelos interessados.
Donald Goines foi uma figura estranha, improvável e que influenciou um meio cultural que embora me diga pouco, deixa marcas nas gerações logo a seguir á minha e mesmo mais recentes. Falo do universo do RAP, mais propriamente, do "gangsta" rap. Gangs de subúrbios, droga e quejandos.
Um escritor que era igualmente um criminoso de carreira e que foi morto a tiro juntamente com a mulher.
Uma biografia feita de denúncia e queda numa espiral de dor e dependência que acabou por nunca se mostrar resolúvel.
A explorar pelos interessados.
quinta-feira, maio 13, 2004
terça-feira, maio 11, 2004
Vi o Kill Bill I ontem á noite.
E sinceramente, não consegui interiorizar toda o hype que girou em torno desta obra.
É indiscutivelmente bem filmada, incrementando de forma visível a vénia ás referências que povoam todo o filme. Se todos os filmes de artes maricais fossem filmados desta forma, eu teria com certeza uns filmes do Van DAmme, Bruce Lee, Jackie Chan ou Jet Li lá em casa. Além disso, é o filme que Tarantino quis fazer, borrifando-se nas convenções e estreitamento convencional da chamada "inteligentzia" cultural.
Mas a questão do argumento deixa-me um pouco perplexo, porque me achei perdido no meio de uma hora e quarenta feita de porrada de criar bicho e com a motivação dramática e esquema narrativo de um qualquer filme de artes marciais/vingança do estilo " mataste o meu irmão agora vou limpar o sarampo a ti e a todos os teus amigos".
Nem os diálogos, exceptuando alguma da troca de ideias entre Bill e os personagens que entram em contacto com ele, e a conversa entre o artesão construtor de espadas e a "Noiva", ficam na memória. Além disso, uma das coisas que sempre me aconteceu em todos os outros filmes do Tarantino foi rir-me ás bandeiras despregadas com os seus diálogos e criação de situações bizarras mas construidas com inteligência e originalidade singular. Aqui não me consegui rir, e esforcei-me. A conversa entre os personagens não flui com a graça e mestria de obras anteriores, julgo eu.
Tentei muito sentir algo daquilo que me ocorreu com toda a outra filmografia, mas talvez o problema seja meu, ou então será resolvido com o visionamento do segundo volume. A verdade é que este primeiro "installment" não me encheu as medidas, e dei comigo simplesmente a apreciar a forma como a câmara toma conta das acção, esquecendo um argumento que não se deixa memorizar.
Que pena.
Adorava que este Kill Bill me marcasse, ficasse lá na memória. Mas por agora fica apenas uma recordação fugaz e simpática, que espero fervorosamente se transforme numa marca positiva após KIll Bill Volume II.
E sinceramente, não consegui interiorizar toda o hype que girou em torno desta obra.
É indiscutivelmente bem filmada, incrementando de forma visível a vénia ás referências que povoam todo o filme. Se todos os filmes de artes maricais fossem filmados desta forma, eu teria com certeza uns filmes do Van DAmme, Bruce Lee, Jackie Chan ou Jet Li lá em casa. Além disso, é o filme que Tarantino quis fazer, borrifando-se nas convenções e estreitamento convencional da chamada "inteligentzia" cultural.
Mas a questão do argumento deixa-me um pouco perplexo, porque me achei perdido no meio de uma hora e quarenta feita de porrada de criar bicho e com a motivação dramática e esquema narrativo de um qualquer filme de artes marciais/vingança do estilo " mataste o meu irmão agora vou limpar o sarampo a ti e a todos os teus amigos".
Nem os diálogos, exceptuando alguma da troca de ideias entre Bill e os personagens que entram em contacto com ele, e a conversa entre o artesão construtor de espadas e a "Noiva", ficam na memória. Além disso, uma das coisas que sempre me aconteceu em todos os outros filmes do Tarantino foi rir-me ás bandeiras despregadas com os seus diálogos e criação de situações bizarras mas construidas com inteligência e originalidade singular. Aqui não me consegui rir, e esforcei-me. A conversa entre os personagens não flui com a graça e mestria de obras anteriores, julgo eu.
Tentei muito sentir algo daquilo que me ocorreu com toda a outra filmografia, mas talvez o problema seja meu, ou então será resolvido com o visionamento do segundo volume. A verdade é que este primeiro "installment" não me encheu as medidas, e dei comigo simplesmente a apreciar a forma como a câmara toma conta das acção, esquecendo um argumento que não se deixa memorizar.
Que pena.
Adorava que este Kill Bill me marcasse, ficasse lá na memória. Mas por agora fica apenas uma recordação fugaz e simpática, que espero fervorosamente se transforme numa marca positiva após KIll Bill Volume II.
How to Catch Fish in Vermont: No Bait, No Tackle, Just Bullets
By PAM BELLUCK
Every spring in Vermont, hunters break out their artillery and head to the marshes to exercise their right to bear arms against fish.
NY Times de hoje
´
Mais uma vez digo...
Os americanos não ajudam muito a sua imagem além fronteiras...
Por muito boa vontade que se tenha.
By PAM BELLUCK
Every spring in Vermont, hunters break out their artillery and head to the marshes to exercise their right to bear arms against fish.
NY Times de hoje
´
Mais uma vez digo...
Os americanos não ajudam muito a sua imagem além fronteiras...
Por muito boa vontade que se tenha.
sexta-feira, maio 07, 2004
Dracula Vampíria - Maravilha da Natureza
Não sei se Bram Stoker viu esta flor.
É provável que não a tenha visto, até porque julgo que a designação dada a esta flor é posterior á obra de Stoker.
Mas quer ele se tenha inspirado nesta flor, ou alguém se tenha inspirado na obra para lhe dar um nome, em qualquer dos casos, a adequação é óbvia.
Uma flor inquietante, um rasgo de loucura fantasmagórica no design da Natureza.
Não sei se Bram Stoker viu esta flor.
É provável que não a tenha visto, até porque julgo que a designação dada a esta flor é posterior á obra de Stoker.
Mas quer ele se tenha inspirado nesta flor, ou alguém se tenha inspirado na obra para lhe dar um nome, em qualquer dos casos, a adequação é óbvia.
Uma flor inquietante, um rasgo de loucura fantasmagórica no design da Natureza.
quinta-feira, maio 06, 2004
Uma coisa que estes tempos me ensinaram, e os que viriam a seguir, é que a nossa pretensa capacidade para aturar merdas daqueles que amamos só se compara à obrigação que julgamos que esses mesmos têm de aturar as nossas. Há uma espécie de injustiça diária, como se os nossos actos negativos fossem sempre neutros e, em proporção inversa, os positivos tivessem a relevância de uma montanha descarregada numa qualquer savana de África. Claro que existem pessoas mais generosas que outras. Umas que comentem menos erros que as suas contrapartes. Mas como qualquer conflito inflamado, aqueles que se apoiam em coisas voláteis como o amor rapidamente perdem a identificação da sua génese. É um pouco como justificar o início de uma guerra. O que fica sempre é o conflito, os efeitos, as imagens das agressões. Ténis de mesa. Só isso
Segundo Margarida Rebelo Pinto, o homem ideal é um metrossexual instintivamente monogâmico, rico e que não gosta de futebol.
Eu não sou grande fã de futebol.
Sou responsavelmente monogâmico, porque classificar esse conceito enquanto instinto, é uma quimera ingénua.
Quanto ao resto, não sei de que se trata...
Eu não sou grande fã de futebol.
Sou responsavelmente monogâmico, porque classificar esse conceito enquanto instinto, é uma quimera ingénua.
Quanto ao resto, não sei de que se trata...
O amor é uma forma decrença que desqualifica qualquer religião em termos de capacidade para aceitar o absurdo, o inexplicável e mesmo a espaços, dogmático.
Mas que raio de outro conceito é que nos leva a encontrar tão eficazes explicações para eventos que, a acontecerem na plenitude da racionalidade, levariam a um repúdio imediato, á ausência de paciência, de tolerância e sobretudo, a uma perplexidade absoluta?
O mais próximo só mesmo a religião.
Mas eu cá prefiro este outro conceito.
Ainda que as desculpas esfarrapadas que invento para mim mesmo sejam mais complicadas.
Ao menos estas sou eu que escolho e tenho a perfeita noção da figura parva que possa fazer. E mesmo o Bem último é superior neste caso.
Para já não há abstinência. De espécie alguma, diga-se...
Mas que raio de outro conceito é que nos leva a encontrar tão eficazes explicações para eventos que, a acontecerem na plenitude da racionalidade, levariam a um repúdio imediato, á ausência de paciência, de tolerância e sobretudo, a uma perplexidade absoluta?
O mais próximo só mesmo a religião.
Mas eu cá prefiro este outro conceito.
Ainda que as desculpas esfarrapadas que invento para mim mesmo sejam mais complicadas.
Ao menos estas sou eu que escolho e tenho a perfeita noção da figura parva que possa fazer. E mesmo o Bem último é superior neste caso.
Para já não há abstinência. De espécie alguma, diga-se...
quinta-feira, abril 29, 2004
Para quem diz que o mal não existe, ou que o qualifica como uma abstracção
Recomendo um estômago forte.
Mas sobretudo, uma capacidade hercúlea de tentar perspectivar o inaceitável, o horroroso, o incompreensível. E sobretudo, o verdadeiro significado da velha metáfora da avestruz, daquelas que habitam o chamado mundo ocidental civilizado.
Bem sei que já aqui falei disto, mas voltei a encontrar-me com um artigo, e a pele voltou a arrepiar-se.
Nem sei que vos diga depois de ler isto...
Recomendo um estômago forte.
Mas sobretudo, uma capacidade hercúlea de tentar perspectivar o inaceitável, o horroroso, o incompreensível. E sobretudo, o verdadeiro significado da velha metáfora da avestruz, daquelas que habitam o chamado mundo ocidental civilizado.
Bem sei que já aqui falei disto, mas voltei a encontrar-me com um artigo, e a pele voltou a arrepiar-se.
Nem sei que vos diga depois de ler isto...
quarta-feira, abril 28, 2004
Completamente de acordo!!!!!
(ver post sobre Salman Rushdie e a sua esposa)
A não ser que ela faça parte da academia sueca. Seria o melhor 2 em 1 da história da humanidade.
E eu que pensava que mulheres destas só gostavam de tipos com guitarras a tira-colo, hábitos de higiene discutíveis, afeição dedicada a psicotrópicos, ocasional mão pesada e tendência poligâmica intracelular irreprimível.
Um gajo também se pode enganar, não?
(ver post sobre Salman Rushdie e a sua esposa)
A não ser que ela faça parte da academia sueca. Seria o melhor 2 em 1 da história da humanidade.
E eu que pensava que mulheres destas só gostavam de tipos com guitarras a tira-colo, hábitos de higiene discutíveis, afeição dedicada a psicotrópicos, ocasional mão pesada e tendência poligâmica intracelular irreprimível.
Um gajo também se pode enganar, não?
Porra, "Zé" Eduardo... andas a perder tempo.....
Germany's Big Brother features lesbian kisses
Germany's Big Brother TV show, which started at the weekend, has featured lesbian sex, a woman having an orgasm in the bath and kinky spanking scenes in a sauna.
On Monday night viewers got more than they bargained for after tuning into the RTL2 channel. The show started off with female contestants Jeannine and Franzi drinking a bottle of sparkling wine to loosen inhibitions.
Jeannine then announced she wanted sex, saying "I don't care with who", before playing with 24-year-old Franzi in the sauna. Then she switched to bald-headed, Jerry, who jumped into a whirlpool bath with the pair of them before another contestant, Achim, got involved.
There was spanking, massaging, lots of groaning and even oral sex. At one point in a bedroom Jeannine cried out with pleasure as male contestant Mark joined in. There were also lesbian kisses between Franzi and Jeannine. Jeannine said at one point: "Your kisses are sweet like chocolate mousse."
Endemol, the production company, had no regrets. Producer Rainer Laux said: "Sex is a positive thing. It shows they are having a good time." (completamente de acordo, amigo. Ainda por cima se vende, porque não caraças??? Afinal de contas já podes deixar de lado aquele projecto das execuções em directo...)
One viewer who called the channel to complain said: "And this was only the edited version. I thought I had tuned into a porno channel by mistake."
Germany's Big Brother features lesbian kisses
Germany's Big Brother TV show, which started at the weekend, has featured lesbian sex, a woman having an orgasm in the bath and kinky spanking scenes in a sauna.
On Monday night viewers got more than they bargained for after tuning into the RTL2 channel. The show started off with female contestants Jeannine and Franzi drinking a bottle of sparkling wine to loosen inhibitions.
Jeannine then announced she wanted sex, saying "I don't care with who", before playing with 24-year-old Franzi in the sauna. Then she switched to bald-headed, Jerry, who jumped into a whirlpool bath with the pair of them before another contestant, Achim, got involved.
There was spanking, massaging, lots of groaning and even oral sex. At one point in a bedroom Jeannine cried out with pleasure as male contestant Mark joined in. There were also lesbian kisses between Franzi and Jeannine. Jeannine said at one point: "Your kisses are sweet like chocolate mousse."
Endemol, the production company, had no regrets. Producer Rainer Laux said: "Sex is a positive thing. It shows they are having a good time." (completamente de acordo, amigo. Ainda por cima se vende, porque não caraças??? Afinal de contas já podes deixar de lado aquele projecto das execuções em directo...)
One viewer who called the channel to complain said: "And this was only the edited version. I thought I had tuned into a porno channel by mistake."
"O primeiro vestígio da beleza
é a cólera dos versos necessários"
Carlos Oliveira
Maravilhosos e certeiros versos "roubados", com as minhas profundas desculpas, ao Glória Fácil
é a cólera dos versos necessários"
Carlos Oliveira
Maravilhosos e certeiros versos "roubados", com as minhas profundas desculpas, ao Glória Fácil
E ela diz isto a frio, apanhando uma pessoa desprevenida
Ainda por cima temos pontos de vista em comum quanto aos intérpretes dessa arte milenar do striptease....
Ainda por cima temos pontos de vista em comum quanto aos intérpretes dessa arte milenar do striptease....
Mas alguém tinha dúvidas?
Está explicado o estado de César das Neves, Maria José Nogueira Pinto, Mariana Cascais, entre outros sofredores....
Está explicado o estado de César das Neves, Maria José Nogueira Pinto, Mariana Cascais, entre outros sofredores....
Não li o livro de Dan Brown, por isso não tenho uma ideia exacta daquilo que está a causar tanta celeuma dentro da instituição católico-octopóide.
Mas em última instância, se Cristo tivesse realmente casado e constituido família com Maria Madalena, não o traria mais próximo da natureza humana? Não seria um ícone mitológico muito mais credível e sobretudo, mais ajustado a essa mesma natureza?
Mas em última instância, se Cristo tivesse realmente casado e constituido família com Maria Madalena, não o traria mais próximo da natureza humana? Não seria um ícone mitológico muito mais credível e sobretudo, mais ajustado a essa mesma natureza?
Relativamente ao post sobre o despedimento dos jornalistas do 1º de Janeiro, eis o local da discórdia.
Talvez o estilo não seja dos melhores, mas as práticas ilícitas que fundamentam os relatos são, no mínimo, abjectas. E a exposição é, no mínimo, compreensível.
Talvez o estilo não seja dos melhores, mas as práticas ilícitas que fundamentam os relatos são, no mínimo, abjectas. E a exposição é, no mínimo, compreensível.
Hubert Selby Jr., Escritor de "Last Exit to Brooklyn" morre aos 75 anos de idade
Nunca li o livro, infelizmente, mas vi o filme, e comprovo tudo o que é dito acerca do livro. Brutal, revelador, directo, e honesto.
Escrito por um sobrevivente á II Guerra Mundial que se viviou na morfina que lhe fora ministrada durante tratamentos á tuberculose que acabaria por ceifar-lhe a vida, muito mais tarde.
Mas o mais impressionante é que falamos de um homem que não tinha formação académica em letras, nunca lera senão livros escolares até á sua idade adulta, e que acabou por dar seminários acerca da escrita. Só prova que a honestidade em tentar contar uma história, seja ela mais ou menos fantasiosa, só sobrevive se se tentar contar a verdade até mesmo dentro da mentira. Fica igualmente provado que a regurgitação de autores mais ou menos obscuros e a sobranceria cultural não significam qualidade, mas uma espécie de obscurantismo subjectivo.
A literatura e as boas histórias não dependem da extensão do curriculum académico, ou das influências anotadas e colocadas em roda pé, à guisa de homenagem aturada porque alguns autores são considerdos fundamentais pela corrente cultural da altura. Caraças, Dickens foi vilipendiado de toda a forma e feitio no seu tempo, o que prova bem o calibre daqueles que se chamam críticos e da sua tendência para marcar posições com base na corrente cultural daquele ano.
Bem, mas quando Nabokov dizia que Shakespeare não sabia escrever, fica provado que, como disse o J, grandes homens também podem dizer grandes disparates. Os críticos acham que não devem ter cuidado nenhum, que devem simplesmente disfarçar os seus ódios em discursos herméticos supostamente académicos e forçados. Estão errados
P.S. - Eu não gosto de Margarida Rebelo Pinto e quejandos. Acho que não são honestos. Cozinham uma fórmula e depois aplicam-na, não de forma muito diferente da cultura pop Big Brother de hoje em dia. Generalizam com a facilidade de quem nunca procura os motivos. Mas cada vez mais simpatizo, não com ela, mas com uma certa atitude de resistência, especialmente contra quem critica, mas nunca produziu uma linha de ficção que seja, e quando produzem.. bem, os resultados não são sempre felizes.
Nunca li o livro, infelizmente, mas vi o filme, e comprovo tudo o que é dito acerca do livro. Brutal, revelador, directo, e honesto.
Escrito por um sobrevivente á II Guerra Mundial que se viviou na morfina que lhe fora ministrada durante tratamentos á tuberculose que acabaria por ceifar-lhe a vida, muito mais tarde.
Mas o mais impressionante é que falamos de um homem que não tinha formação académica em letras, nunca lera senão livros escolares até á sua idade adulta, e que acabou por dar seminários acerca da escrita. Só prova que a honestidade em tentar contar uma história, seja ela mais ou menos fantasiosa, só sobrevive se se tentar contar a verdade até mesmo dentro da mentira. Fica igualmente provado que a regurgitação de autores mais ou menos obscuros e a sobranceria cultural não significam qualidade, mas uma espécie de obscurantismo subjectivo.
A literatura e as boas histórias não dependem da extensão do curriculum académico, ou das influências anotadas e colocadas em roda pé, à guisa de homenagem aturada porque alguns autores são considerdos fundamentais pela corrente cultural da altura. Caraças, Dickens foi vilipendiado de toda a forma e feitio no seu tempo, o que prova bem o calibre daqueles que se chamam críticos e da sua tendência para marcar posições com base na corrente cultural daquele ano.
Bem, mas quando Nabokov dizia que Shakespeare não sabia escrever, fica provado que, como disse o J, grandes homens também podem dizer grandes disparates. Os críticos acham que não devem ter cuidado nenhum, que devem simplesmente disfarçar os seus ódios em discursos herméticos supostamente académicos e forçados. Estão errados
P.S. - Eu não gosto de Margarida Rebelo Pinto e quejandos. Acho que não são honestos. Cozinham uma fórmula e depois aplicam-na, não de forma muito diferente da cultura pop Big Brother de hoje em dia. Generalizam com a facilidade de quem nunca procura os motivos. Mas cada vez mais simpatizo, não com ela, mas com uma certa atitude de resistência, especialmente contra quem critica, mas nunca produziu uma linha de ficção que seja, e quando produzem.. bem, os resultados não são sempre felizes.
terça-feira, abril 27, 2004
É a velha história da protecção das práticas ilícitas defendidas com o argumento de que dentro da empresa, a hierarquia pode determinar tudo, em todas as circunstâncias, porque a suposta autonomia privada assim o permite.
Obviamente que os mais liberais dirão que a empresa não pode admitir ser prejudicada pelos seus próprios funcionários, mas quando estamos a falar de jornalismo, e sobretudo quando esse suposto dano é merecido porque as práticas que lhe deram origem são efectivamente ilícitas e reprováveis não só pela lei mas pelo juízo social, então julgo que o primeiro argumento é falacioso e sobretudo incorrecto. Seria a mesma coisa que dizer que um funcionário que fosse maltratado e sujeito a toda a espécie de irregularidade laboral só pudesse dar conhecimento dessa situação depois de se despedir.
Além disso, como muitos saberão, a credibilidade de alguém que é despedido e depois relata as ilicitudes dá precisamente a imagem de alguém que compactuou com a situação e só porque foi despedido a revela, por despeito.
Mas é a lógica empresarial a dar a nota dominante, como de resto, e infelizmente, começa a ser cada vez mais comum nos dias de hoje. Lamentável.
"Conflito entre o dever de lealdade e a liberdade de expressão
Blogue Provocou Despedimento de Jornalistas
´Jornal Público de Segunda-feira, 26 de Abril de 2004
Pedro Fonseca
Três jornalistas do diário "O Primeiro de Janeiro" foram, na semana passada, despedidos por terem participado num blogue e nele descreverem algumas práticas comerciais do diário nortenho. Trata-se do primeiro caso em Portugal de despedimento motivado pela escrita em blogues, apesar de o mesmo já ter sucedido noutros países.
Sérgio Moreira criou o blogue "Diário de Um Jornalista" (diariodeumjornalista.blogspot.com) em 30 de Março e rapidamente o abriu a colegas para ali relatarem em público alguns procedimentos internos do jornal - nomeadamente no departamento responsável pelas chamadas edições especiais (suplementos temáticos). Joel Pinto e uma outra jornalista juntaram-se a um grupo de seis pessoas, no total, que passaram a animar o blogue. Foram os três despedidos na semana passada.
O "Diário" chamou a atenção para o facto e gerou alguma discussão nos últimos dias nalguns blogues interessados no jornalismo pelas práticas ali descritas. O seu aparecimento levou mesmo à criação do "Diário de Uma Jornalista no Desemprego" e, num tom mais irónico, ao "Diário de Um Jardineiro".
Manuel Pinto, provedor do "Jornal de Notícias" e um dos membros do blogue "Jornalismo e Comunicação" (webjornal.blogspot.com), chamou-lhes os "novos proletários do jornalismo" e, noutro texto, considerou que "os materiais como o destes blogues vão ser importantes nos estudos que se vierem a fazer sobre os caminhos que trilha hoje o jornalismo".
Para Sérgio Moreira, a criação do "Diário" blogue "foi o culminar de um crescendo de frustrações e preocupações" destes jornalistas, "e que, infelizmente, não tinham correspondência por parte dos editores". E assume que todas as situações relatadas "são verdadeiras", como explicou por E-mail a Computadores.
Segundo Joel Pinto, aquele espaço na Web servia para revelar as "experiências pessoais no jornal" e, "como era um blogue inocente, nem nos preocupámos com o facto de ser público ou privado". "Até mencionamos qual era o jornal em questão, tal a simplicidade com que encarávamos o blogue".
Foi para "denunciar determinadas situações e também - porque não? - brincar com as coisas", refere Ricardo Simães, outro dos "bloggers" do "Diário" e que trabalhou no jornal entre Setembro de 2002 e Julho de 2003.
Os jornalistas não deram conhecimento aos seus superiores da criação do blogue, até porque sabiam "de antemão que as chefias não iriam gostar"; mas o seu criador assume saber que se tratava de "um local de acesso público e, mais cedo ou mais tarde, iria ser descoberto". E salienta que o problema "não está no que escrevemos" mas "na coragem de denunciar estas situações".
As situações, segundo explicam, estão relacionadas com o facto de o departamento comercial combinar a escrita de artigos com o fecho de contratos publicitários. "O nosso trabalho era em função dos contratos de publicidade que eles assinavam; não havendo contratos, não havia entrevistas marcadas", salienta Joel Pinto. "Os delegados comerciais contactam as empresas ou as instituições ou entidades a estarem presentes num determinado trabalho e, em troca de um valor pago em publicidade, o jornal oferece-lhe um espaço redactorial, no qual os responsáveis dessas empresas podem falar do trabalho que fazem e dos projectos que têm". Para a direcção da empresa, "o interesse imediato é o de celebrar contratos de publicidade e não o de vender jornais", refere.
Reclamando ainda das exageradas condições de trabalho, Joel Pinto - que afirma ter tido um contrato de estagiário de 1º ano durante dois anos e meio -, salienta que "nem o próprio Sindicato [dos Jornalistas] se interessa por estas questões, tanto mais que eles não reconhecem o nosso trabalho como sendo jornalismo". O blogue "foi o único meio que encontrámos para nos exprimir livremente".
Quanto ao dever de lealdade que gere as relações entre empregador e funcionários (ver caixa "O que diz o sindicato"), o mesmo jornalista questiona, entre outras queixas, "qual é a lealdade de existir um departamento editorial que não correspondia às exigências fundamentadas dos seus profissionais", lembrando que "o comportamento de um funcionário perante a empresa reflecte o comportamento da empresa perante o funcionário".
Os autores do blogue mantiveram o anonimato e não nomearam as pessoas criticadas nos seus textos, até ao passado dia 21, quando falaram directamente de José Freitas, o responsável do departamento de publicações especiais do diário.
Joel Pinto foi despedido "apesar de ter um contrato de trabalho em vigor há mais de um ano", não vai receber qualquer indemnização nem sabe se receberá o vencimento de Abril. O blogue "vai continuar a crescer e todas as situações reais serão diariamente denunciadas", refere Sérgio Moreira. "Talvez dessa forma o nosso esforço seja recompensado e os que ficaram possam ter melhores condições".
As "chefias deveriam, desde sempre, ter criado condições para que não fizesse sentido existir um blogue como o 'Diário'", refere Ricardo Simães. E "deveriam aproveitar esta celeuma para repensar o que tem sido a prática do 'Janeiro' desde há algum tempo; deveriam reconhecer os erros", refere.
Computadores tentou - repetidamente mas sem sucesso - contactar, por via telefónica e por E-mail, José Freitas. Apenas conseguiu chegar à fala com Carla Marques, uma das editoras dos referidos suplementos, que remeteu o assunto para o seu superior. Nassalete Miranda, directora editorial de "O Primeiro de Janeiro", estava indisponível na sexta-feira e Eduardo Costa, administrador da empresa, como os restantes, não respondeu às tentativas de contacto telefónico."
Obviamente que os mais liberais dirão que a empresa não pode admitir ser prejudicada pelos seus próprios funcionários, mas quando estamos a falar de jornalismo, e sobretudo quando esse suposto dano é merecido porque as práticas que lhe deram origem são efectivamente ilícitas e reprováveis não só pela lei mas pelo juízo social, então julgo que o primeiro argumento é falacioso e sobretudo incorrecto. Seria a mesma coisa que dizer que um funcionário que fosse maltratado e sujeito a toda a espécie de irregularidade laboral só pudesse dar conhecimento dessa situação depois de se despedir.
Além disso, como muitos saberão, a credibilidade de alguém que é despedido e depois relata as ilicitudes dá precisamente a imagem de alguém que compactuou com a situação e só porque foi despedido a revela, por despeito.
Mas é a lógica empresarial a dar a nota dominante, como de resto, e infelizmente, começa a ser cada vez mais comum nos dias de hoje. Lamentável.
"Conflito entre o dever de lealdade e a liberdade de expressão
Blogue Provocou Despedimento de Jornalistas
´Jornal Público de Segunda-feira, 26 de Abril de 2004
Pedro Fonseca
Três jornalistas do diário "O Primeiro de Janeiro" foram, na semana passada, despedidos por terem participado num blogue e nele descreverem algumas práticas comerciais do diário nortenho. Trata-se do primeiro caso em Portugal de despedimento motivado pela escrita em blogues, apesar de o mesmo já ter sucedido noutros países.
Sérgio Moreira criou o blogue "Diário de Um Jornalista" (diariodeumjornalista.blogspot.com) em 30 de Março e rapidamente o abriu a colegas para ali relatarem em público alguns procedimentos internos do jornal - nomeadamente no departamento responsável pelas chamadas edições especiais (suplementos temáticos). Joel Pinto e uma outra jornalista juntaram-se a um grupo de seis pessoas, no total, que passaram a animar o blogue. Foram os três despedidos na semana passada.
O "Diário" chamou a atenção para o facto e gerou alguma discussão nos últimos dias nalguns blogues interessados no jornalismo pelas práticas ali descritas. O seu aparecimento levou mesmo à criação do "Diário de Uma Jornalista no Desemprego" e, num tom mais irónico, ao "Diário de Um Jardineiro".
Manuel Pinto, provedor do "Jornal de Notícias" e um dos membros do blogue "Jornalismo e Comunicação" (webjornal.blogspot.com), chamou-lhes os "novos proletários do jornalismo" e, noutro texto, considerou que "os materiais como o destes blogues vão ser importantes nos estudos que se vierem a fazer sobre os caminhos que trilha hoje o jornalismo".
Para Sérgio Moreira, a criação do "Diário" blogue "foi o culminar de um crescendo de frustrações e preocupações" destes jornalistas, "e que, infelizmente, não tinham correspondência por parte dos editores". E assume que todas as situações relatadas "são verdadeiras", como explicou por E-mail a Computadores.
Segundo Joel Pinto, aquele espaço na Web servia para revelar as "experiências pessoais no jornal" e, "como era um blogue inocente, nem nos preocupámos com o facto de ser público ou privado". "Até mencionamos qual era o jornal em questão, tal a simplicidade com que encarávamos o blogue".
Foi para "denunciar determinadas situações e também - porque não? - brincar com as coisas", refere Ricardo Simães, outro dos "bloggers" do "Diário" e que trabalhou no jornal entre Setembro de 2002 e Julho de 2003.
Os jornalistas não deram conhecimento aos seus superiores da criação do blogue, até porque sabiam "de antemão que as chefias não iriam gostar"; mas o seu criador assume saber que se tratava de "um local de acesso público e, mais cedo ou mais tarde, iria ser descoberto". E salienta que o problema "não está no que escrevemos" mas "na coragem de denunciar estas situações".
As situações, segundo explicam, estão relacionadas com o facto de o departamento comercial combinar a escrita de artigos com o fecho de contratos publicitários. "O nosso trabalho era em função dos contratos de publicidade que eles assinavam; não havendo contratos, não havia entrevistas marcadas", salienta Joel Pinto. "Os delegados comerciais contactam as empresas ou as instituições ou entidades a estarem presentes num determinado trabalho e, em troca de um valor pago em publicidade, o jornal oferece-lhe um espaço redactorial, no qual os responsáveis dessas empresas podem falar do trabalho que fazem e dos projectos que têm". Para a direcção da empresa, "o interesse imediato é o de celebrar contratos de publicidade e não o de vender jornais", refere.
Reclamando ainda das exageradas condições de trabalho, Joel Pinto - que afirma ter tido um contrato de estagiário de 1º ano durante dois anos e meio -, salienta que "nem o próprio Sindicato [dos Jornalistas] se interessa por estas questões, tanto mais que eles não reconhecem o nosso trabalho como sendo jornalismo". O blogue "foi o único meio que encontrámos para nos exprimir livremente".
Quanto ao dever de lealdade que gere as relações entre empregador e funcionários (ver caixa "O que diz o sindicato"), o mesmo jornalista questiona, entre outras queixas, "qual é a lealdade de existir um departamento editorial que não correspondia às exigências fundamentadas dos seus profissionais", lembrando que "o comportamento de um funcionário perante a empresa reflecte o comportamento da empresa perante o funcionário".
Os autores do blogue mantiveram o anonimato e não nomearam as pessoas criticadas nos seus textos, até ao passado dia 21, quando falaram directamente de José Freitas, o responsável do departamento de publicações especiais do diário.
Joel Pinto foi despedido "apesar de ter um contrato de trabalho em vigor há mais de um ano", não vai receber qualquer indemnização nem sabe se receberá o vencimento de Abril. O blogue "vai continuar a crescer e todas as situações reais serão diariamente denunciadas", refere Sérgio Moreira. "Talvez dessa forma o nosso esforço seja recompensado e os que ficaram possam ter melhores condições".
As "chefias deveriam, desde sempre, ter criado condições para que não fizesse sentido existir um blogue como o 'Diário'", refere Ricardo Simães. E "deveriam aproveitar esta celeuma para repensar o que tem sido a prática do 'Janeiro' desde há algum tempo; deveriam reconhecer os erros", refere.
Computadores tentou - repetidamente mas sem sucesso - contactar, por via telefónica e por E-mail, José Freitas. Apenas conseguiu chegar à fala com Carla Marques, uma das editoras dos referidos suplementos, que remeteu o assunto para o seu superior. Nassalete Miranda, directora editorial de "O Primeiro de Janeiro", estava indisponível na sexta-feira e Eduardo Costa, administrador da empresa, como os restantes, não respondeu às tentativas de contacto telefónico."
sexta-feira, abril 23, 2004
A deambular pela Internet no outro dia à noite, descobri que o livro "Of Mice and Men", do John Steinbeck, que li recentemente, esteve numa lista de livros banidos mesmo dentro dos próprios EUA. E sinceramente, além de ter gostado muito da história e da forma como ela a conta, não consigo encontrar um único motivo pelo qual alguém possa ter banido aquele livro seja lá de que estante for. Especialmente pela perda que é não o ler.
Não entendo.
Não entendo.
terça-feira, abril 20, 2004
O que me chateia nos pessimistas e exageradamente cínicos é o facto de gostarem por acidente, por inevitabilidade, praguejando esse tipo de situação como uma fatalidade, quando no mínimo é uma feliz incongruência da parte deles.
Será assim tão difícil interiorizar a noção onde se gosta de gostar? Ou o passar dos tempos colocou-nos numa dualidade absoluta onde os extremos da pieguice, por um lado, e a dureza, por outro, não conhecem espectros feitos de tonalidades?
Será assim tão difícil interiorizar a noção onde se gosta de gostar? Ou o passar dos tempos colocou-nos numa dualidade absoluta onde os extremos da pieguice, por um lado, e a dureza, por outro, não conhecem espectros feitos de tonalidades?
O Chefe da MacDonalds morre de ataque cardíaco
Este é um dos casos em que, ao contrário do que dizia o meu homónimo, a ironia não fez bem ao sangue....
Este é um dos casos em que, ao contrário do que dizia o meu homónimo, a ironia não fez bem ao sangue....
Paulo Portas e César das Neves, infelizes sofredores de uma doença civilizacional...
"A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença provocada pela ansiedade, que provoca no paciente pensamentos, impulsos e imagens recorrentes, considerados "inadequados ou intrusivos" pelo doente, caracterizou Paulo Figueiredo. Para reduzir este mal-estar geral e para aliviar a ansiedade, os doentes desenvolvem determinados actos e rituais, como "lavar as mãos 400 vezes por dia para afastar a ideia da sujidade"
No "Público" de hoje - (leiam todo o artigo)
Vejam como a patologia se aplica perfeitamente ao discurso de Portas sobre a imigração e de César das Neves sobre os homossexuais e heterossexuais que acham que têm direito a uma sexualidade plena.
Pronto, está explicado...
"A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença provocada pela ansiedade, que provoca no paciente pensamentos, impulsos e imagens recorrentes, considerados "inadequados ou intrusivos" pelo doente, caracterizou Paulo Figueiredo. Para reduzir este mal-estar geral e para aliviar a ansiedade, os doentes desenvolvem determinados actos e rituais, como "lavar as mãos 400 vezes por dia para afastar a ideia da sujidade"
No "Público" de hoje - (leiam todo o artigo)
Vejam como a patologia se aplica perfeitamente ao discurso de Portas sobre a imigração e de César das Neves sobre os homossexuais e heterossexuais que acham que têm direito a uma sexualidade plena.
Pronto, está explicado...
Electroencefalogramas revelam cartão de militancia
Pois é. Ao que parece as tendências políticas podem efectivamente partir de uma concepção endógena e genética. Claro que se trata ainda de uma experiência, mas tendo em conta muitas pessoas da nossa classe política, a única desculpa que podem ter realmente traduz-se numa imposição genética.
E os remédios, como o bom senso e quejandos, há muito que parecem ter perdido a força e eficácia terapêutica.
E depois há gente verdadeiramente doente como
este tipo, cuja cura se desconhece e por acaso ocupa um lugar de poder há anos infindos. E voltando a citar Robert.E. Howard ( J. cá está ele novamente), desde quando é que ser doido ou pobre de espírito é óbice para que alguém se torne líder de Homens?
E querem alimárias destas para Presidente da Assembléia da República...
Pois é. Ao que parece as tendências políticas podem efectivamente partir de uma concepção endógena e genética. Claro que se trata ainda de uma experiência, mas tendo em conta muitas pessoas da nossa classe política, a única desculpa que podem ter realmente traduz-se numa imposição genética.
E os remédios, como o bom senso e quejandos, há muito que parecem ter perdido a força e eficácia terapêutica.
E depois há gente verdadeiramente doente como
este tipo, cuja cura se desconhece e por acaso ocupa um lugar de poder há anos infindos. E voltando a citar Robert.E. Howard ( J. cá está ele novamente), desde quando é que ser doido ou pobre de espírito é óbice para que alguém se torne líder de Homens?
E querem alimárias destas para Presidente da Assembléia da República...
sexta-feira, abril 16, 2004
Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.
Stephen King
É impressionante como tanta gente se esquece deste princípio básico, lá do alto da cabotinice supostamente instruida. Como se esquecem que o monopólio da verdade não assenta em meia dúzia de tipos que acham que, lá por liderarem a mais recente corrente literária, se acham autorizados a desconsiderar toda a gente que não segue os seus critérios e gostos.
Stephen King
É impressionante como tanta gente se esquece deste princípio básico, lá do alto da cabotinice supostamente instruida. Como se esquecem que o monopólio da verdade não assenta em meia dúzia de tipos que acham que, lá por liderarem a mais recente corrente literária, se acham autorizados a desconsiderar toda a gente que não segue os seus critérios e gostos.
Bem, já que estou numa de divulgação, siga para bingo.
Desta vez é Frank Miller um velho conhecido, que se excedeu com Sin City, um arrasador trabalho de arte num comic saído do mais delirante e violento film noir imaginável.
Mas o seu trabalho de viragem, já precedido da saga do homem sem Medo, Daredevil ( outro filme que estragou completamente uma magnífica BD), é Dark Knight Returns, uma visão apocaliptica do retorno de um Batman com pouco menos de sessenta anos e muitas obsessões num mundo estranho. Uma maravilha. Está publicado pela Devir a um preço muito razoável, e mais uma vez, os apreciadores não devem perder.
Desta vez é Frank Miller um velho conhecido, que se excedeu com Sin City, um arrasador trabalho de arte num comic saído do mais delirante e violento film noir imaginável.
Mas o seu trabalho de viragem, já precedido da saga do homem sem Medo, Daredevil ( outro filme que estragou completamente uma magnífica BD), é Dark Knight Returns, uma visão apocaliptica do retorno de um Batman com pouco menos de sessenta anos e muitas obsessões num mundo estranho. Uma maravilha. Está publicado pela Devir a um preço muito razoável, e mais uma vez, os apreciadores não devem perder.
Este senhor, de seu nome Alan Moore, é provavelmente um dos artistas mais influentes na cena BD dos ultimos anos. Depois da palhaçada que foi o desmembramento da sua obra "League of Extraordinary Gentlemen" num filme que não faz a mínima justiça á obra escrita e desenhada, fala-se na adaptação de Watchmen, talvez uma das melhores obras de BD feitas até hoje. Espero que saibam respeitar desta vez aquela que é uma obra plena de iconoclastia subtil, fantástica e arrasadora, sem deixar de ser mágica. Basta lembrar os trabalhos dele na saga Swamp Thing.
Quem for apreciador e não sofrer daquela tendência terrível e sobranceira para considerar a BD como uma arte inferior, aconselho a devorar tudo o que este tipo produz, porque a qualidade é garantida. Rato de biblioteca, Moore dá-nos a sensação de ler histórias cheias, abrangentes, e sobretudo, assustadoras porque tocantes.
Um absoluto prazer.
quarta-feira, abril 14, 2004
Um grande e velho amigo guia-nos através de uma sugestão de indumentária. Foi o meu primeiro e talvez melhor sorriso do dia.
Grande Abraço, Bird ( Tem algo a ver com o Charlie Parker?)
Grande Abraço, Bird ( Tem algo a ver com o Charlie Parker?)
Socorro... Quem salvará o Monsanto?
Mas não há ninguém que veja esta atrocidade?
Sim, estou a repetir-me, mas é demasiado grave o que se avizinha...
Mas não há ninguém que veja esta atrocidade?
Sim, estou a repetir-me, mas é demasiado grave o que se avizinha...
Abro o Público de hoje e constato que a maioria eleita para a Câmara de Lisboa não quer considerar o parque florestal do Monsanto como área protegida.
É caso para dizer que já nem se dão ao trabalho de disfarçar, e temo pelo momento em que este maravilhoso pulmão da cidade de Lisboa venha a ser invadido pela ganância e interesses imobiliários.
Que absoluta vergonha. Que triste desperdício...
É caso para dizer que já nem se dão ao trabalho de disfarçar, e temo pelo momento em que este maravilhoso pulmão da cidade de Lisboa venha a ser invadido pela ganância e interesses imobiliários.
Que absoluta vergonha. Que triste desperdício...
quarta-feira, abril 07, 2004
É uma constante que tenho visto em pessoas com um certo alinhamento político religioso esta espécie de alergia á ficção, como se fosse uma espécie de género menor ou coisa que o valha. Além de ser um preconceito de quem tem uma qualquer espécie de aversão à criação e imaginação, como se fossem coisas indignas, é contraposto com outra espécie, desta vez de sobranceira, como se a raiz da dita cultura séria radicasse nessa teimosia com o que chama de realidade.
E depois vivem a vida completamente ligados a um mito, a uma fantasia, que gera uma corrente de opinião e crença gigantescas. Os polícias da realidade acham-se assim rendidos a uma história mitológica, na qual crêem através do recurso à imaginação que gera algo sobre o qual não se deve pensar, mas simplesmente acreditar.
Em que é que ficamos?
O que é impressionante é que essas mesmas pessoas apoiam-se numa corrente de opinião. Se o Village Voice diz que a ficção está morta, vá lá saber-se porque estranhos desígnios dos gurus da chamada cultura "séria", então é vê-los a seguir a prédica sem perguntas, à semelhança do que fazem perante outras situações.
É isto a glorificação da realidade?
Ou a religião surge como a excepção a essa regra de qualificação?
Aqui existe, no mínimo, incoerência, já para não falar na cabotinice intelectual do costume.
Enfim.
E depois vivem a vida completamente ligados a um mito, a uma fantasia, que gera uma corrente de opinião e crença gigantescas. Os polícias da realidade acham-se assim rendidos a uma história mitológica, na qual crêem através do recurso à imaginação que gera algo sobre o qual não se deve pensar, mas simplesmente acreditar.
Em que é que ficamos?
O que é impressionante é que essas mesmas pessoas apoiam-se numa corrente de opinião. Se o Village Voice diz que a ficção está morta, vá lá saber-se porque estranhos desígnios dos gurus da chamada cultura "séria", então é vê-los a seguir a prédica sem perguntas, à semelhança do que fazem perante outras situações.
É isto a glorificação da realidade?
Ou a religião surge como a excepção a essa regra de qualificação?
Aqui existe, no mínimo, incoerência, já para não falar na cabotinice intelectual do costume.
Enfim.
"Maldito é o Homem que vive em época decadente." Robert E. Howard
"Roubado" ao magnífico Cruzes Canhoto
"Roubado" ao magnífico Cruzes Canhoto
"Ao contrário de muitas pessoas que têm uma qualquer pancada na cabeça, a não ser que aceitemos que todos têm tal coisa, eu sempre me dei bem com o meu pai. Talvez porque fosse fácil admirá-lo, ou porque nunca fora económico no afecto que distribuía, ou porque era uma pessoa que recebia um terço da generosidade com que brindara tanta gente durante toda a sua vida. Não conseguíamos conversar de forma muito aprofundada, e ainda não conseguimos fazê-lo, mas isso não surpreende na maioria das situações que conheço, especialmente no que diz respeito às pessoas da minha idade. Divertimo-nos a ver a bola, a trocar ideias à mesa dos almoços cheios de tias e sobrinhos, mas não consigo contar-lhe nada acerca de uma qualquer melancolia trazida por um livro, ou uma peça de música ou uma mulher mais esquiva. Dificilmente poderia discutir o meu ultimo e mirabolante projecto literário que certamente acabaria devolvido na minha caixa de correio ou muito bem aproveitado para rascunho numa qualquer secretária.
Acho que este é sem duvida um fenómeno recorrente. Talvez não nas gerações que seguem a minha, mas a noção que tenho é que salvo alguns indivíduos que se enchem de bravura e estão preparados para ouvir tudo da boca dos filhos, a maioria dos progenitores conscienciosos não arriscam entrar na esfera mais privada e íntima da prole. Talvez porque nesse local moram determinadas formas de sentir, como o sofrimento, e pode ser demasiado penoso saber até que ponto a descendência pode estar a sofrer sem que se possa intervir. Ou então não falam a mesma linguagem, porque a musica não é a mesma, os livros também não, e o panorama político lança mensagens diferentes no mesmo anuncio para cada uma das gerações que o vejam. Eu e o meu pai éramos, como ainda somos, compinchas, amigos da bola, conversadores de boa vontade que os laços de sangue arrastavam para uma intimidade mais incómoda por vezes, mas inevitável. "
Excerto de ficção ou quase...
Acho que este é sem duvida um fenómeno recorrente. Talvez não nas gerações que seguem a minha, mas a noção que tenho é que salvo alguns indivíduos que se enchem de bravura e estão preparados para ouvir tudo da boca dos filhos, a maioria dos progenitores conscienciosos não arriscam entrar na esfera mais privada e íntima da prole. Talvez porque nesse local moram determinadas formas de sentir, como o sofrimento, e pode ser demasiado penoso saber até que ponto a descendência pode estar a sofrer sem que se possa intervir. Ou então não falam a mesma linguagem, porque a musica não é a mesma, os livros também não, e o panorama político lança mensagens diferentes no mesmo anuncio para cada uma das gerações que o vejam. Eu e o meu pai éramos, como ainda somos, compinchas, amigos da bola, conversadores de boa vontade que os laços de sangue arrastavam para uma intimidade mais incómoda por vezes, mas inevitável. "
Excerto de ficção ou quase...
segunda-feira, março 29, 2004
CARTAS A SÓNIA VI
Não é fácil ser humano. Humano naquela asserção em que a inspiração junto de outros manifesta-se por uma combinação entre uma firme e paradoxal crença racionalizante nas pessoas. Apesar de tudo, pensarás.
A verdade é que ser humano, daqueles que nos envergonham porque a meio da sua naturalidade jorram um elemento composto de humildade e ambição na personalidade, é um feito absoluto, em meu ver. Porque está lá conservada uma espécie muito peculiar de inocência. Aquela que reconhece o cinismo e até bebe uns cafés com ele de quando em vez.
Aquilo que mais me espanta é como consegues fazer isso tudo.
Como consegues ir perdoando, descobrindo, e agregando, mesmo quando muitas pessoas olham para o outro lado, em busca da descomplicação.
Ser indefeso perante alguém que se mostra num acto contínuo de querer bem e querer justo, é para mim simplesmente natural.
Seres tu, explica muita coisa.
Especialmente a razão pela qual somos levados a isolar apenas alguns seres humanos, precisamente aqueles que o conseguem ser.
Com toda a complexidade e sentimentos contraditórios.
Com toda a dificuldade e desejado visionarismo.
Não é facil ser humano.
Como é que fazes?
Não é fácil ser humano. Humano naquela asserção em que a inspiração junto de outros manifesta-se por uma combinação entre uma firme e paradoxal crença racionalizante nas pessoas. Apesar de tudo, pensarás.
A verdade é que ser humano, daqueles que nos envergonham porque a meio da sua naturalidade jorram um elemento composto de humildade e ambição na personalidade, é um feito absoluto, em meu ver. Porque está lá conservada uma espécie muito peculiar de inocência. Aquela que reconhece o cinismo e até bebe uns cafés com ele de quando em vez.
Aquilo que mais me espanta é como consegues fazer isso tudo.
Como consegues ir perdoando, descobrindo, e agregando, mesmo quando muitas pessoas olham para o outro lado, em busca da descomplicação.
Ser indefeso perante alguém que se mostra num acto contínuo de querer bem e querer justo, é para mim simplesmente natural.
Seres tu, explica muita coisa.
Especialmente a razão pela qual somos levados a isolar apenas alguns seres humanos, precisamente aqueles que o conseguem ser.
Com toda a complexidade e sentimentos contraditórios.
Com toda a dificuldade e desejado visionarismo.
Não é facil ser humano.
Como é que fazes?
A minha Amiga Ana falou há tempos da pena de morte, e da complicada discussão que há em torno da questão.
Tendo tido contacto com pessoas que trabalharam na polícia judiciária na altura em que fazia pesquisa para uma história, e sabendo o que eles vêm diariamente, e daquilo que algumas pessoas são capazes de fazer ás outras, eu entendo a hesitação que ela tem em desconsiderar absolutamente a pena de morte.
Quando ouvimos falar em pessoas que metem bebés em microondas ou matam pensionistas á martelada para lhe roubar pouco mais que dez Euros, o distanciamento racional é uma tarefa complicada. Basta fazer o velhor truque da personalização da dor, do choque e da revolta.
Basta imaginar que é à nossa mulher, amgio ou filho que abrem a garganta de um lado a outro. Ou que os mutilam na pré-morte. Ou que os sujeitam a todo o tipo de sevícias imagináveis, e a imaginação humana para o horror é , aparentemente, infindável.
Imagino a minha mulher sujeita a um acto desta sorte. Imagino ter de confrontar a morte dela, e conhecer do sofrimento, do medo, da dor que a precedeu. Se desejaria matar o agressor? Provavelmente. E com as minhas próprias mãos, com certeza.
Mas a criação das leis, da ideia de Estado de Direito, do manancial de direitos que assistem á verdadeira e desejável forma de democracia não pressupõe uma movimento de elevação relativamente á pena de retribuição pura? Do olho por olho? Não é a utilização da morte uma incoerência? Embora o nosso sentido de justiça e retribuição seja manifestado provavelmente em agressão tendente á morte, não deve ele ser refreado, sob pena de se tornar complicadíssimo traçar uma linha?
O historial de tantos assassinos em série, daqueles que povoam os pesadelos e argumentos mais ou menos conseguidos de alguns filmes e livros, denota normalmente um historial de abuso e violência psíquica e mental.
O pai, (ou mãe - embora seja muito mais raro, é verdade) , que viola o filho, que o espanca, que gera um senso de alheamento da realidade mas não uma perda de sanidade, criando assim um assassino de sangue frio e crueldade inumana, não deveria sofrer também qualquer espécie de condenação?
Eu não tenho posição completamente firme sobre a questão.
Julgo que é complicado não sentir um desejo de morte perante, por exemplo, violadores e mutiladores de crianças.
Mas também sei que a ideia do contrato social que forma os estados e as sociedades assenta num caminho que desejavelmente será melhor que a simples organização com base em soluções "Salomanianas".
Seria justo matar uma pessoa desse calibre?
Talvez, assim como á luz de uma justiça precisa, Salomão poderia ter cortado o miudo em duas postas.
Mas tanto um como outro não me parecem a solução adequada.
A pena de morte pode ser o produto de um impulso até justificado, mas não deve ser o estandarte identificativo de um Estado de Direito.
"Que a punição convenha ao crime", já lá dizia o japonês.
Em Democracia, é encontrar esta adequação que significa o desafio, e não simplesmente desfazermo-nos do problema pela morte, como se a sociedade pudesse irresponsabilizar-se dos actos perpetrados por algo que por ela foi produzido.
A pena de morte não me parece solução, porque em certa medida, duvido que qualquer uma das testemunhas que tenham visto uma execução do autor de crimes contra si ou a sua familia/amigos, tenha sentido qualquer felicidade, alívio ou contentamento. Sinceramente, penso que o que fica deve ser um vazio, uma inexplicabilidade perante algo que não fez sentido nem no momento do crime, nem na suposta e devida punição ou retribuição.
No fundo, amiga Ana Albergaria, dou-te meia razão.
Porque é, e será sempre um assunto complicadíssimo de racionalizar.
Mas esta é a minha opinião.
Tendo tido contacto com pessoas que trabalharam na polícia judiciária na altura em que fazia pesquisa para uma história, e sabendo o que eles vêm diariamente, e daquilo que algumas pessoas são capazes de fazer ás outras, eu entendo a hesitação que ela tem em desconsiderar absolutamente a pena de morte.
Quando ouvimos falar em pessoas que metem bebés em microondas ou matam pensionistas á martelada para lhe roubar pouco mais que dez Euros, o distanciamento racional é uma tarefa complicada. Basta fazer o velhor truque da personalização da dor, do choque e da revolta.
Basta imaginar que é à nossa mulher, amgio ou filho que abrem a garganta de um lado a outro. Ou que os mutilam na pré-morte. Ou que os sujeitam a todo o tipo de sevícias imagináveis, e a imaginação humana para o horror é , aparentemente, infindável.
Imagino a minha mulher sujeita a um acto desta sorte. Imagino ter de confrontar a morte dela, e conhecer do sofrimento, do medo, da dor que a precedeu. Se desejaria matar o agressor? Provavelmente. E com as minhas próprias mãos, com certeza.
Mas a criação das leis, da ideia de Estado de Direito, do manancial de direitos que assistem á verdadeira e desejável forma de democracia não pressupõe uma movimento de elevação relativamente á pena de retribuição pura? Do olho por olho? Não é a utilização da morte uma incoerência? Embora o nosso sentido de justiça e retribuição seja manifestado provavelmente em agressão tendente á morte, não deve ele ser refreado, sob pena de se tornar complicadíssimo traçar uma linha?
O historial de tantos assassinos em série, daqueles que povoam os pesadelos e argumentos mais ou menos conseguidos de alguns filmes e livros, denota normalmente um historial de abuso e violência psíquica e mental.
O pai, (ou mãe - embora seja muito mais raro, é verdade) , que viola o filho, que o espanca, que gera um senso de alheamento da realidade mas não uma perda de sanidade, criando assim um assassino de sangue frio e crueldade inumana, não deveria sofrer também qualquer espécie de condenação?
Eu não tenho posição completamente firme sobre a questão.
Julgo que é complicado não sentir um desejo de morte perante, por exemplo, violadores e mutiladores de crianças.
Mas também sei que a ideia do contrato social que forma os estados e as sociedades assenta num caminho que desejavelmente será melhor que a simples organização com base em soluções "Salomanianas".
Seria justo matar uma pessoa desse calibre?
Talvez, assim como á luz de uma justiça precisa, Salomão poderia ter cortado o miudo em duas postas.
Mas tanto um como outro não me parecem a solução adequada.
A pena de morte pode ser o produto de um impulso até justificado, mas não deve ser o estandarte identificativo de um Estado de Direito.
"Que a punição convenha ao crime", já lá dizia o japonês.
Em Democracia, é encontrar esta adequação que significa o desafio, e não simplesmente desfazermo-nos do problema pela morte, como se a sociedade pudesse irresponsabilizar-se dos actos perpetrados por algo que por ela foi produzido.
A pena de morte não me parece solução, porque em certa medida, duvido que qualquer uma das testemunhas que tenham visto uma execução do autor de crimes contra si ou a sua familia/amigos, tenha sentido qualquer felicidade, alívio ou contentamento. Sinceramente, penso que o que fica deve ser um vazio, uma inexplicabilidade perante algo que não fez sentido nem no momento do crime, nem na suposta e devida punição ou retribuição.
No fundo, amiga Ana Albergaria, dou-te meia razão.
Porque é, e será sempre um assunto complicadíssimo de racionalizar.
Mas esta é a minha opinião.
Ando rendido aos audiobooks. E digo o termo em inglês porque a produção nacional de tal instrumento, que torna os períodos de viagem automóvel num absoluto prazer, é inexistente.
Será que alguém alguma vez terá a iluminada ideia de começar a juntar uns actores e dar voz a livros, permitindo que as pessoas possam aproveitar o tempo imbecil que se passa no trânsito?
Espero que sim.
Nem que seja Margarida Rebelo Pinto, lida pela Fernanda Serrano ou a Paula Bobonne. Pensando bem, é melhor não dar ideias...
Mas fica o pensamento.
Para já, restam as magníficas edições inglesas, feitas prazer de leitura através de um truque que até nos leva á infância.
Que coisa será melhor que retornar a um ponto no qual as histórias nos são contadas? O prazer de ouvir alguém que tem algo um pouco mais longo, complexo e recompensador para dizer.
Vivam os livros em suporte audio!
Que alguém se lembre de os começar a traduzir.
Que alguém comece a pensar em contar histórias...
Será que alguém alguma vez terá a iluminada ideia de começar a juntar uns actores e dar voz a livros, permitindo que as pessoas possam aproveitar o tempo imbecil que se passa no trânsito?
Espero que sim.
Nem que seja Margarida Rebelo Pinto, lida pela Fernanda Serrano ou a Paula Bobonne. Pensando bem, é melhor não dar ideias...
Mas fica o pensamento.
Para já, restam as magníficas edições inglesas, feitas prazer de leitura através de um truque que até nos leva á infância.
Que coisa será melhor que retornar a um ponto no qual as histórias nos são contadas? O prazer de ouvir alguém que tem algo um pouco mais longo, complexo e recompensador para dizer.
Vivam os livros em suporte audio!
Que alguém se lembre de os começar a traduzir.
Que alguém comece a pensar em contar histórias...
A dor de cotovelo
Esta sempre foi uma das minhas perplexidades. Como é que alguém consegue falar à boca cheia, com um snobismo que realmente revela o calibre de certas pessoas e a incapacidade para uma tão necessária humildade?
Como é que alguém que escreve, calcando o estilo de um cronista que, enfim, é no mínimo discutível, pode tecer determinadas considerações acerca de um Prémio Nobel, alguém que mostrou ao mundo a capacidade que tinha ínsita na sua obra?
Mas para este amigo, a academia sueca só tem momentos de lucidez alternados, o que comprova a falta de imparcialidade na análise da obra de alguém, fazendo uma avaliação pelo critério de posicionamento político, que como se sabe, é do piorio.
Ezra Pound era um fascizóide de primeira água. Mas a sua obra provavelmente transcende o seu posicionamento político. Mas para este "sopeiro", isso já é irrelevante.
A dor de cotovelo está, neste caso, associada á lata ou falta de capacidade de auto-análise. Porque o tamanho da lata e descaramento que é necessário ter para falar de alguém que ficará para sempre na história das letras, quando a única coisa que se consegue produzir é um estilo de escrita e opinião passado a papel químico de alguém que acha porreiro ser um Bad Boy que fala mal de tudo, ultrapassa aquilo que é, em meu ver, mensurável.
Pode não gostar-se da obra de Saramago. Gaita, eu só consegui ler dois livros dele e não é ás suas páginas que vou quando quero reler algo que me dá efectivamente prazer, ou que seja terapêutico.
Mas é preciso realmente não ter qualquer noção das realidades quando se compara o Prémio Nobel a um cágado, e quando não se tem senão um blogzinho miserável, como este, que começa a não ser sequer levado a sério, tal é a dimensão da soberda presente nas suas afirmações.
A dor de cotovelo é uma coisa complicada.
Esta sempre foi uma das minhas perplexidades. Como é que alguém consegue falar à boca cheia, com um snobismo que realmente revela o calibre de certas pessoas e a incapacidade para uma tão necessária humildade?
Como é que alguém que escreve, calcando o estilo de um cronista que, enfim, é no mínimo discutível, pode tecer determinadas considerações acerca de um Prémio Nobel, alguém que mostrou ao mundo a capacidade que tinha ínsita na sua obra?
Mas para este amigo, a academia sueca só tem momentos de lucidez alternados, o que comprova a falta de imparcialidade na análise da obra de alguém, fazendo uma avaliação pelo critério de posicionamento político, que como se sabe, é do piorio.
Ezra Pound era um fascizóide de primeira água. Mas a sua obra provavelmente transcende o seu posicionamento político. Mas para este "sopeiro", isso já é irrelevante.
A dor de cotovelo está, neste caso, associada á lata ou falta de capacidade de auto-análise. Porque o tamanho da lata e descaramento que é necessário ter para falar de alguém que ficará para sempre na história das letras, quando a única coisa que se consegue produzir é um estilo de escrita e opinião passado a papel químico de alguém que acha porreiro ser um Bad Boy que fala mal de tudo, ultrapassa aquilo que é, em meu ver, mensurável.
Pode não gostar-se da obra de Saramago. Gaita, eu só consegui ler dois livros dele e não é ás suas páginas que vou quando quero reler algo que me dá efectivamente prazer, ou que seja terapêutico.
Mas é preciso realmente não ter qualquer noção das realidades quando se compara o Prémio Nobel a um cágado, e quando não se tem senão um blogzinho miserável, como este, que começa a não ser sequer levado a sério, tal é a dimensão da soberda presente nas suas afirmações.
A dor de cotovelo é uma coisa complicada.
quinta-feira, março 25, 2004
Criado Scriptorium moderno com 50 mil noviços arranjados à pressão...
A primeira pergunta que me ocorre é bem simples... para quê?
A segunda observação prende-se com uma curiosidade.
A secretária de Estado da Educação, Mariana Cascais, assinalou o início do projecto, ontem, na Escola Gabriel Pereira, em Évora, ao escrever o primeiro versículo do Salmo I.
Ora esta senhora foi a mesma que recusou colaborar com os projectos de áreas curriculares de educação sexual e distribuição de preservativos nas escolas, numa demonstração de irresponsabilidade social que roça o cómico. Aliás, como do suposto crachá da moralidade Neoblanc.
É esclarecedor ver onde estão as prioridades desta senhora, como, e infelizmente, estão as de muitas pessoas. Só que essas não têm responsabilidades ao nível da educação dos jovens e alunos das escolas, podendo dar-se ao luxo de enterrar a cabeça na areia e não ver o mundo como ele é.
Lamentável... mas cada vez mais típico neste país de hoje...
A primeira pergunta que me ocorre é bem simples... para quê?
A segunda observação prende-se com uma curiosidade.
A secretária de Estado da Educação, Mariana Cascais, assinalou o início do projecto, ontem, na Escola Gabriel Pereira, em Évora, ao escrever o primeiro versículo do Salmo I.
Ora esta senhora foi a mesma que recusou colaborar com os projectos de áreas curriculares de educação sexual e distribuição de preservativos nas escolas, numa demonstração de irresponsabilidade social que roça o cómico. Aliás, como do suposto crachá da moralidade Neoblanc.
É esclarecedor ver onde estão as prioridades desta senhora, como, e infelizmente, estão as de muitas pessoas. Só que essas não têm responsabilidades ao nível da educação dos jovens e alunos das escolas, podendo dar-se ao luxo de enterrar a cabeça na areia e não ver o mundo como ele é.
Lamentável... mas cada vez mais típico neste país de hoje...
terça-feira, março 23, 2004
Como é que é possível?
Como é que se consegue ser tão reaccionário? Tão segregacionista e elistista ao ponto de desprezar tudo o que não marcha ao ritmo daquela forma de pensamento?
Os exemplos de seguidismo são sempre lamentáveis, mas seguidismo "clonelike" a um personagem como João Pereira Coutinho é no mínimo cómico.
Vejam com os vossos próprios olhos.
Como é que se consegue ser tão reaccionário? Tão segregacionista e elistista ao ponto de desprezar tudo o que não marcha ao ritmo daquela forma de pensamento?
Os exemplos de seguidismo são sempre lamentáveis, mas seguidismo "clonelike" a um personagem como João Pereira Coutinho é no mínimo cómico.
Vejam com os vossos próprios olhos.
segunda-feira, março 22, 2004
O que é exactamente a misoginia, mas quando aplicada de forma inversa?
Será femininismo? Sinceramente que não sei.
Aquilo que me ocorre dizer sobre o assunto é que a querela, ainda que acesa e carburante, não o faz por si só, mas sim alimentada com gente com acesso a muita lenha seca e oca. E ainda por cima, em certa medida, apoiada em justificações que são no mínimo, estranhas formas de ocupação mental, e defesa de bizarros territórios.
Eu cá digo sim ao eterno masculino, porque a suposta evidência da mente do homem é uma terrível falácia, e o amor complexo não é de forma nenhuma feudo do belo sexo.
Não sei porque me ocorreu isto agora.
Desculpem lá...
Será femininismo? Sinceramente que não sei.
Aquilo que me ocorre dizer sobre o assunto é que a querela, ainda que acesa e carburante, não o faz por si só, mas sim alimentada com gente com acesso a muita lenha seca e oca. E ainda por cima, em certa medida, apoiada em justificações que são no mínimo, estranhas formas de ocupação mental, e defesa de bizarros territórios.
Eu cá digo sim ao eterno masculino, porque a suposta evidência da mente do homem é uma terrível falácia, e o amor complexo não é de forma nenhuma feudo do belo sexo.
Não sei porque me ocorreu isto agora.
Desculpem lá...
Não vou ver a Paixão de Cristo.
Eis porquê...
Como se já não bastasse de fanatismos no mundo de hoje.
Eis porquê...
Como se já não bastasse de fanatismos no mundo de hoje.
sexta-feira, março 19, 2004
A beleza pode ser problema. De uma magnífica espécie, mas ainda assim, um problema.
Anda por aí, e apresenta-se com a naturalidade implacável de algo que existe positivamente sem intenção, que acrescenta sem esforço, que provoca reflexão dividida entre um estado taciturno e estranhamente esperançoso.
É como imaginar a captura de um instante perfeito submetido á ilusão da persistência da retina, ou seja, que se repete indefenidamente, com vida.
Quem já viu uma mulher bonita a dançar quando o sabe fazer, entenderá o que quero dizer.
Anda por aí, e apresenta-se com a naturalidade implacável de algo que existe positivamente sem intenção, que acrescenta sem esforço, que provoca reflexão dividida entre um estado taciturno e estranhamente esperançoso.
É como imaginar a captura de um instante perfeito submetido á ilusão da persistência da retina, ou seja, que se repete indefenidamente, com vida.
Quem já viu uma mulher bonita a dançar quando o sabe fazer, entenderá o que quero dizer.
Empire of Lights - R. Magritte
Este quadro maravilhoso evoca sempre a mesma ideia para mim. Uma miscelânea fantástica de luz e sombra, de mistério, distância, tensão prévia a uma série de acontecimentos.
É uma história, onde tudo se mistura e integra, á semelhança da natureza composta de que somos feitos.
Só desejaria conseguir contar uma história que de alguma forma reflectisse a sensação deste quadro.
O deambular entre a luz e a sombra, a aura de medo e a promessa de céu azul e claro num mesmo cenário. A inquietação, a projecção do silêncio como antecâmara dos ruídos da noite.
Este é um quadro que me fala de medo, a representação gráfica da genial história de Henry James - "The Turn of The Screw".
É a subtileza de um verdadeiro mergulho na imaginação perante aquilo que parece absolutamente normal, mas não o é. Porque ao olhar para este quadro, vejo tanta coisa que não está lá.
O facto de William Friedkin ter criado uma das mais emblemáticas imagens do cinema com base neste quadro prova que realmente não há acasos, e que os momentos de real génio surgem sempre como uma primeira aparição de algo sublime.
Vivemos num estado onde o positivismo jurídico produz pérolas como a que vamos ler a seguir, especialmente no que concerne ás normas programáticas, se bem que isto nem sequer é uma norma propriamente dita, mas enfim.
Não se instituiu a educação sexual nas escolas, porque alguns retardados julgam que fere uma qualquer noção de moral acerca da qual nem vale a pena discutir pela ridicularia que reveste, nem se permite, ao contrário do resto da Europa, a criação de uma lei que permita a Interrupção Voluntária da Gravidez dentro de prazos legalmente estabelecidos e em condições dignas, com devido acompanhamento médico.
O Estado Português, através do seu orgão legislativo, á guisa da mais proficiente das avestruzes, prefere ignorar a realidade com base num critério moral acerca de questões que nem sequer deveriam estar sob alçada do pode político/legislativo, e produz pessegadas como esta.
Uma chouriçada programática, ainda que bem intencionada, e que supostamente é apresentada como a solução para uma questões tão importantes como a IVG, a gravidez adolescente, a propagação de doenças sexualmente transmissíveis e a educação sexual.
Tendo em conta que a Secretária de Estado da Educação que
tem delírios mentais como este -
"Mariana Cascais, secretária de Estado da Educação e militante do CDS-PP, defendeu recentemente, em entrevista ao "Diário de Notícias", que não deveria existir uma disciplina específica para a educação sexual, contrariando o espírito de um projecto em elaboração pelo grupo parlamentar do PSD. Mariana Cascais disse ainda discordar da possibilidade de haver preservativos nas escolas, uma medida prevista na lei em vigor, da responsabilidade do PS."
-In Público de 11-03-2004 -
aceitam-se desde já apostas.
Eu aposto (probabilidades de 1000 contra 1) como na melhor das hipóteses, o documento infra transcrito vai ficar como está, ou seja, uma declaração de intenções que não passa disso mesmo, que alguém acredita que substitui a responsabilidade do Estado em resolver este problema e não fingir que ele não existe. Ou seja, as boas intenções e nada mais, apresentadas como um pungente "nós fizemos o que podíamos".
Leiam o documento e riam.
Eu cá comecei o dia com uma gargalhada sentida.
Resolução da Assembleia da República n.º 28/2004
Medidas de prevenção no âmbito da interrupção voluntária da gravidez
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo ( han, já viram? recomenda, sugere, mas força obrigatória geral? nope, sorry) o seguinte:
1 - Na área da educação:
1.1 - Apostar na educação para a saúde, criando uma área curricular autónoma de formação e desenvolvimento pessoal dirigida especificamente aos alunos do 3.º ao 9.º ano de escolaridade;
1.2 - Esta área curricular, ou disciplina, a partir do 7.º ano, deve ser obrigatória, salvaguardando a responsabilidade dos pais, nos termos da Constituição e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, sujeita a avaliação, e vocacionada para a educação dos comportamentos nos domínios da civilidade e da saúde física e mental, com especial prioridade à saúde sexual e reprodutiva;
1.3 - Dotar cada centro de apoio social escolar (CASE) dos recursos indispensáveis à promoção da saúde, bem como ao apoio, acompanhamento e rastreio dos alunos em situação de risco, nomeadamente nos domínios da alimentação, do consumo de substâncias aditivas que geram dependências e da saúde sexual;
1.4 - Instituir a figura do tutor escolar vocacionado para a ajuda e o aconselhamento e para a primeira abordagem no despiste e identificação de situações de risco entre os alunos, bem como na articulação com a intervenção especializada ao nível dos CASE;
1.5 - Promover acções de informação, formação e prevenção junto das comunidades educativas visando a circunscrição das condutas e práticas de agressão e violência sobre e entre menores;
1.6 - Criar condições de flexibilização de horários escolares e de exames com vista a que os mesmos se adeqúem à continuação do percurso escolar das mães ou grávidas adolescentes e jovens.
2 - Na área do apoio à maternidade:
2.1 - Criar condições especiais no acesso a creches e jardins-de-infância por parte dos filhos de jovens mães estudantes com o objectivo de lhes permitir a manutenção no sistema de ensino;
2.2 - Reforçar a fiscalização das empresas no que respeita ao cumprimento da lei sobre a protecção da maternidade e da paternidade;
2.3 - Apoiar as instituições particulares de solidariedade social que prestam ajuda e aconselhamento a jovens mães em situação de carência económica ou de vulnerabilidade social;
2.4 - Estimular a criação e o desenvolvimento dos centros de apoio à vida com o objectivo de apoiar mães grávidas solteiras e mães com dificuldades económicas e sociais;
2.5 - Flexibilizar os mecanismos de atribuição de licenças de maternidade, ajustando-os melhor ao objectivo da conciliação de responsabilidades familiares e profissionais;
2.6 - Acompanhar o cumprimento da Lei da Adopção no sentido da sua plena aplicação e da sua premência, tendo em conta as alterações de procedimentos e práticas nos domínios da segurança social, da justiça e da saúde.
3 - Na área do planeamento familiar:
3.1 - Garantir que todas as farmácias, de forma permanente, assegurem a dispensa de todos os meios e métodos contraceptivos previstos na legislação em vigor;
3.2 - Promover a efectiva articulação entre os centros de atendimento a jovens, os centros de saúde e os hospitais da área de referência, bem como com as unidades móveis de saúde, com o objectivo de alargar a efectiva cobertura de consultas de planeamento familiar e de saúde materna a um grupo particularmente vulnerável como são os adolescentes e jovens;
3.3 - Reforçar as condições de acesso aos meios e métodos contraceptivos de forma a prevenir e evitar a gravidez indesejada e ou inesperada, especialmente em grupos particularmente vulneráveis, devido a exclusão social, carência económica ou dificuldades de acesso à rede de saúde pública;
3.4 - Reduzir os tempos de espera das cirurgias de laqueação e de vasectomias.
4 - Na área da interrupção voluntária da gravidez:
4.1 - Garantir, através de orientações precisas aos hospitais do SNS, o integral e atempado cumprimento da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, garantindo às mulheres, em situação que preencha as condições legais, a interrupção voluntária;
4.2 - Em caso de impossibilidade, o hospital deve garantir o imediato acesso a outro estabelecimento público ou privado, suportando o SNS os respectivos encargos;
4.3 - Apresentar um relatório anual na Assembleia da República sobre o grau de cumprimento da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez.
Aprovada em 3 de Março de 2004.
O Presidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral.
Não se instituiu a educação sexual nas escolas, porque alguns retardados julgam que fere uma qualquer noção de moral acerca da qual nem vale a pena discutir pela ridicularia que reveste, nem se permite, ao contrário do resto da Europa, a criação de uma lei que permita a Interrupção Voluntária da Gravidez dentro de prazos legalmente estabelecidos e em condições dignas, com devido acompanhamento médico.
O Estado Português, através do seu orgão legislativo, á guisa da mais proficiente das avestruzes, prefere ignorar a realidade com base num critério moral acerca de questões que nem sequer deveriam estar sob alçada do pode político/legislativo, e produz pessegadas como esta.
Uma chouriçada programática, ainda que bem intencionada, e que supostamente é apresentada como a solução para uma questões tão importantes como a IVG, a gravidez adolescente, a propagação de doenças sexualmente transmissíveis e a educação sexual.
Tendo em conta que a Secretária de Estado da Educação que
tem delírios mentais como este -
"Mariana Cascais, secretária de Estado da Educação e militante do CDS-PP, defendeu recentemente, em entrevista ao "Diário de Notícias", que não deveria existir uma disciplina específica para a educação sexual, contrariando o espírito de um projecto em elaboração pelo grupo parlamentar do PSD. Mariana Cascais disse ainda discordar da possibilidade de haver preservativos nas escolas, uma medida prevista na lei em vigor, da responsabilidade do PS."
-In Público de 11-03-2004 -
aceitam-se desde já apostas.
Eu aposto (probabilidades de 1000 contra 1) como na melhor das hipóteses, o documento infra transcrito vai ficar como está, ou seja, uma declaração de intenções que não passa disso mesmo, que alguém acredita que substitui a responsabilidade do Estado em resolver este problema e não fingir que ele não existe. Ou seja, as boas intenções e nada mais, apresentadas como um pungente "nós fizemos o que podíamos".
Leiam o documento e riam.
Eu cá comecei o dia com uma gargalhada sentida.
Resolução da Assembleia da República n.º 28/2004
Medidas de prevenção no âmbito da interrupção voluntária da gravidez
A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo ( han, já viram? recomenda, sugere, mas força obrigatória geral? nope, sorry) o seguinte:
1 - Na área da educação:
1.1 - Apostar na educação para a saúde, criando uma área curricular autónoma de formação e desenvolvimento pessoal dirigida especificamente aos alunos do 3.º ao 9.º ano de escolaridade;
1.2 - Esta área curricular, ou disciplina, a partir do 7.º ano, deve ser obrigatória, salvaguardando a responsabilidade dos pais, nos termos da Constituição e da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, sujeita a avaliação, e vocacionada para a educação dos comportamentos nos domínios da civilidade e da saúde física e mental, com especial prioridade à saúde sexual e reprodutiva;
1.3 - Dotar cada centro de apoio social escolar (CASE) dos recursos indispensáveis à promoção da saúde, bem como ao apoio, acompanhamento e rastreio dos alunos em situação de risco, nomeadamente nos domínios da alimentação, do consumo de substâncias aditivas que geram dependências e da saúde sexual;
1.4 - Instituir a figura do tutor escolar vocacionado para a ajuda e o aconselhamento e para a primeira abordagem no despiste e identificação de situações de risco entre os alunos, bem como na articulação com a intervenção especializada ao nível dos CASE;
1.5 - Promover acções de informação, formação e prevenção junto das comunidades educativas visando a circunscrição das condutas e práticas de agressão e violência sobre e entre menores;
1.6 - Criar condições de flexibilização de horários escolares e de exames com vista a que os mesmos se adeqúem à continuação do percurso escolar das mães ou grávidas adolescentes e jovens.
2 - Na área do apoio à maternidade:
2.1 - Criar condições especiais no acesso a creches e jardins-de-infância por parte dos filhos de jovens mães estudantes com o objectivo de lhes permitir a manutenção no sistema de ensino;
2.2 - Reforçar a fiscalização das empresas no que respeita ao cumprimento da lei sobre a protecção da maternidade e da paternidade;
2.3 - Apoiar as instituições particulares de solidariedade social que prestam ajuda e aconselhamento a jovens mães em situação de carência económica ou de vulnerabilidade social;
2.4 - Estimular a criação e o desenvolvimento dos centros de apoio à vida com o objectivo de apoiar mães grávidas solteiras e mães com dificuldades económicas e sociais;
2.5 - Flexibilizar os mecanismos de atribuição de licenças de maternidade, ajustando-os melhor ao objectivo da conciliação de responsabilidades familiares e profissionais;
2.6 - Acompanhar o cumprimento da Lei da Adopção no sentido da sua plena aplicação e da sua premência, tendo em conta as alterações de procedimentos e práticas nos domínios da segurança social, da justiça e da saúde.
3 - Na área do planeamento familiar:
3.1 - Garantir que todas as farmácias, de forma permanente, assegurem a dispensa de todos os meios e métodos contraceptivos previstos na legislação em vigor;
3.2 - Promover a efectiva articulação entre os centros de atendimento a jovens, os centros de saúde e os hospitais da área de referência, bem como com as unidades móveis de saúde, com o objectivo de alargar a efectiva cobertura de consultas de planeamento familiar e de saúde materna a um grupo particularmente vulnerável como são os adolescentes e jovens;
3.3 - Reforçar as condições de acesso aos meios e métodos contraceptivos de forma a prevenir e evitar a gravidez indesejada e ou inesperada, especialmente em grupos particularmente vulneráveis, devido a exclusão social, carência económica ou dificuldades de acesso à rede de saúde pública;
3.4 - Reduzir os tempos de espera das cirurgias de laqueação e de vasectomias.
4 - Na área da interrupção voluntária da gravidez:
4.1 - Garantir, através de orientações precisas aos hospitais do SNS, o integral e atempado cumprimento da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, garantindo às mulheres, em situação que preencha as condições legais, a interrupção voluntária;
4.2 - Em caso de impossibilidade, o hospital deve garantir o imediato acesso a outro estabelecimento público ou privado, suportando o SNS os respectivos encargos;
4.3 - Apresentar um relatório anual na Assembleia da República sobre o grau de cumprimento da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez.
Aprovada em 3 de Março de 2004.
O Presidente da Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral.
quinta-feira, março 18, 2004
Tenho de agradecer aos amigos obreiros pela simpatia e a atenção ao juntar-me ao seu núcleo duro de escolhas.
A responsabilidade cresce, e de alguma forma, os meus disparates não podem ser em tão grande monta.
Vamos lá ver o que se pode fazer.
Obrigado e um abraço
A responsabilidade cresce, e de alguma forma, os meus disparates não podem ser em tão grande monta.
Vamos lá ver o que se pode fazer.
Obrigado e um abraço
quarta-feira, março 17, 2004
Um Amigo reencontrado, de outras andanças, de outras conversas.
O caso típico da pessoa com a qual até podemos não concordar, mas com quem se consegue sempre conversar, racionalizar e sobretudo, desfrutar da comunicação no seu melhor.
Macguffin amigo, um abraço de reencontro, e passemos á conversa, que espero longa.
Um dia destes explico a razão pela qual passei de interventor a observador no Pastilhas.
Abraços de Urso
O caso típico da pessoa com a qual até podemos não concordar, mas com quem se consegue sempre conversar, racionalizar e sobretudo, desfrutar da comunicação no seu melhor.
Macguffin amigo, um abraço de reencontro, e passemos á conversa, que espero longa.
Um dia destes explico a razão pela qual passei de interventor a observador no Pastilhas.
Abraços de Urso
terça-feira, março 16, 2004
Apesar de talvez ser inutil, vou continuar a escrever.
As histórias atormentam-me. Sonho, acordo, como com elas. É para lá que quero ir, mas as obrigações terrenas obrigam-me a ser apenas um visitante, um passageiro de caneta, ou mais propriamente, de teclado na mão.
Mas não há problema.
Em que outro cenário é que podemos ser um deus criador, ainda que o mundo feito corra o risco de não agradar?
É o hino interno da liberdade, julgo eu. O problema é que não tenho grande voz...
Mas ando a treinar.
As histórias atormentam-me. Sonho, acordo, como com elas. É para lá que quero ir, mas as obrigações terrenas obrigam-me a ser apenas um visitante, um passageiro de caneta, ou mais propriamente, de teclado na mão.
Mas não há problema.
Em que outro cenário é que podemos ser um deus criador, ainda que o mundo feito corra o risco de não agradar?
É o hino interno da liberdade, julgo eu. O problema é que não tenho grande voz...
Mas ando a treinar.
Relativamente ao que sucedeu em Espanha, os comentários são já sobejamente conhecidos, e sobretudo, a aura de violência e cobardida inqualificável que fica no ar empesta como uma espécie de névoa poluída. Não há justificação alguma para uma situação ocorrida em Espanha, simplesmente porque a morte premeditada e cobarde não merece qualquer comentário sequer exemplificativo.
No entanto, e conforme se pode ler em vários jornais ao longo dos últimos dias, a atitude do Governo Espanhol mostra bem o calibre de determinadas pessoas, facções, ou ideologias. Mostra igualmente a capacidade mutante de determinado tipo de pessoas ou governantes, que logram imitar a mais reticente das lapas quando confrontadas com o rochedo do poder.
O grande problema, e aqui devo dizer, de uma certa direita elitista e cultivadora das diferenças apríorísticas, é a sobranceria. A soberba e a cabotinice que avalia as pessoas (eleitorado) como uma espécie de massa informe e não pensante, que engolirá passivamente a mais grosseira mentira que lhe quiserem vender.
Esconder o que se passou com base num esticar da corda eleitoralista, é passível de um daqueles clips da Euro News, onde se lê a legenda - " No Comments".
É um desrespeito pelas pessoas, pela democracia. Mas foi a mesma que reagiu, ainda que alguns opinion makers, os mesmos que andam calados que nem ratos acerca das ADM, ficassem de cara amarrada, agarrados ao jargão militante disparado ás cegas.
Não foram os atentados que custaram as eleições ao PP. Foi a tentativa de os varrer para debaixo do tapete numa sociedade de informação, onde pelos bons ou maus motivos, tudo acaba por saber-se.
Só espero que a tendência pegue, sinceramente. Porque talvez não melhoremos muito, mas há que impedir que tudo fique ainda pior.
No entanto, e conforme se pode ler em vários jornais ao longo dos últimos dias, a atitude do Governo Espanhol mostra bem o calibre de determinadas pessoas, facções, ou ideologias. Mostra igualmente a capacidade mutante de determinado tipo de pessoas ou governantes, que logram imitar a mais reticente das lapas quando confrontadas com o rochedo do poder.
O grande problema, e aqui devo dizer, de uma certa direita elitista e cultivadora das diferenças apríorísticas, é a sobranceria. A soberba e a cabotinice que avalia as pessoas (eleitorado) como uma espécie de massa informe e não pensante, que engolirá passivamente a mais grosseira mentira que lhe quiserem vender.
Esconder o que se passou com base num esticar da corda eleitoralista, é passível de um daqueles clips da Euro News, onde se lê a legenda - " No Comments".
É um desrespeito pelas pessoas, pela democracia. Mas foi a mesma que reagiu, ainda que alguns opinion makers, os mesmos que andam calados que nem ratos acerca das ADM, ficassem de cara amarrada, agarrados ao jargão militante disparado ás cegas.
Não foram os atentados que custaram as eleições ao PP. Foi a tentativa de os varrer para debaixo do tapete numa sociedade de informação, onde pelos bons ou maus motivos, tudo acaba por saber-se.
Só espero que a tendência pegue, sinceramente. Porque talvez não melhoremos muito, mas há que impedir que tudo fique ainda pior.
Bem, depois de uma ausêcia prolongada, devido a compromissos de outra ordem, menos prazenteiros, mas infelizmente mais prementes, eis-me de volta. No entanto esta ausência vai continuar, embora de forma intermitente, uma vez que esses compromissos tendem a persistir e perdurar no tempo.
Mas quando tiver o quartel general em ordem, entenda-se, local e tempo para pesquisar e dizer algumas coisas que julgo importantes, voltarei em força.
A todos quantos dão uma perninha pelo estaminé, o meu muito obrigado.
Até breve e continuemos.
Mas quando tiver o quartel general em ordem, entenda-se, local e tempo para pesquisar e dizer algumas coisas que julgo importantes, voltarei em força.
A todos quantos dão uma perninha pelo estaminé, o meu muito obrigado.
Até breve e continuemos.
segunda-feira, março 01, 2004
Pois é... foram 11.
Bem sei que alguma da chamada crítica esclarecida dirá que os Óscares são políticos e bla´, blá, blá... por aí fora.
Muitos dirão que o feito de Peter Jackson esteve envolvido numa onda de simpatia pela persistência do autor, e como tal, levou onze estatuetas.
A verdade é que, á semelhança do que acontece em demasiadas ocasiões, a chamada "inteligentzia" (provavelmente soletrei mal) tentará a todo o custo minimizar aquele que foi um feito magnífico, uma proeza, incorporada numa transposição do intransponível. Talvez com isto acabe a sobranceria cultural de uma certa parcela da sociedade que qualifica os chamados géneros menores e maiores de acordo com a sua concepção do que é a qualidade cultural. A mesma tendência cultural que minimiza a comédia e os géneros fantásticos, sem ao menos terem a mínima noção da dificuldade que é fazer rir ou ter uma real e prolífica imaginação. Talvez comece a mudar.
Enfim, pelo menos alguma da crítica reconheceu a qualidade deste maravilhoso épico, e a honestidade simultaneamente rigorosa e ternurenta com que Jackson filmou o Senhor dos Anéis.
Foram 11. Merecidos.
Fica no entanto um reconhecimento rendido a todos os outros filmes, em especial Mystic River e Lost in Translation, pela energia, honestidade e beleza crua das suas problemáticas e a forma inspirada como foram filmadas. Bill Murray, és grande!
E atenção a Big Fish, uma pequena maravilha que foge á porcaria do estereótipo cultural dos dias de hoje em que só aquilo que é feio, porco e mau é que tem qualidade. Tim Burton mostrou o seu virtuosismo e poder para filmar o imaginário num filme que está injustamente afastado da agitação dos prémios e reconhecimentos.
Abraço a todos.
SK
Bem sei que alguma da chamada crítica esclarecida dirá que os Óscares são políticos e bla´, blá, blá... por aí fora.
Muitos dirão que o feito de Peter Jackson esteve envolvido numa onda de simpatia pela persistência do autor, e como tal, levou onze estatuetas.
A verdade é que, á semelhança do que acontece em demasiadas ocasiões, a chamada "inteligentzia" (provavelmente soletrei mal) tentará a todo o custo minimizar aquele que foi um feito magnífico, uma proeza, incorporada numa transposição do intransponível. Talvez com isto acabe a sobranceria cultural de uma certa parcela da sociedade que qualifica os chamados géneros menores e maiores de acordo com a sua concepção do que é a qualidade cultural. A mesma tendência cultural que minimiza a comédia e os géneros fantásticos, sem ao menos terem a mínima noção da dificuldade que é fazer rir ou ter uma real e prolífica imaginação. Talvez comece a mudar.
Enfim, pelo menos alguma da crítica reconheceu a qualidade deste maravilhoso épico, e a honestidade simultaneamente rigorosa e ternurenta com que Jackson filmou o Senhor dos Anéis.
Foram 11. Merecidos.
Fica no entanto um reconhecimento rendido a todos os outros filmes, em especial Mystic River e Lost in Translation, pela energia, honestidade e beleza crua das suas problemáticas e a forma inspirada como foram filmadas. Bill Murray, és grande!
E atenção a Big Fish, uma pequena maravilha que foge á porcaria do estereótipo cultural dos dias de hoje em que só aquilo que é feio, porco e mau é que tem qualidade. Tim Burton mostrou o seu virtuosismo e poder para filmar o imaginário num filme que está injustamente afastado da agitação dos prémios e reconhecimentos.
Abraço a todos.
SK
sexta-feira, fevereiro 20, 2004
Um homem de extrema direita sem pejo de dizer alarvidades xenófobas e segregacionistas sobre a imigração, e outro que sendo responsável pela comissão nacional de adopção, prefere ver as crianças em orfanatos e famílias de acolhimento ao invés de entregues a uma família ou pai homossexual, mesmo que essa pessoa tenha todas as capacidades de lhe dar um bom lar e todo o afecto necessário a um crescimento saudável.
Foi neste tipos que a maioria de Portugal votou.
Sinceramente, acho que vou apanhar o próximo barco para o Ártico.
Foi neste tipos que a maioria de Portugal votou.
Sinceramente, acho que vou apanhar o próximo barco para o Ártico.
De volta ás lides.
Numa semana em que a França reconheceu o casamento de uma mulher com um defunto, onde os conservadores do Irão irão ( cacofonias e repetições à parte ) ganhar as eleições por falta de opsição, lançando o país nas profundezas da idade média, onde a promissora e talentosa Scarlet Johansson mostrou histeria dispensável na entrega de um prémio, na qual começa o Fantasporto que eu, débil económico crónico, vou ter de deixar para o ano que vem novamente, e está um frio inimaginável que vai transformar o CArnaval nacional no espectáculo confrangedor do costume.
Enfim, parafraseando Dave Mathews, é uma situação típica nestes tempos típicos.
Abraço a todos
Numa semana em que a França reconheceu o casamento de uma mulher com um defunto, onde os conservadores do Irão irão ( cacofonias e repetições à parte ) ganhar as eleições por falta de opsição, lançando o país nas profundezas da idade média, onde a promissora e talentosa Scarlet Johansson mostrou histeria dispensável na entrega de um prémio, na qual começa o Fantasporto que eu, débil económico crónico, vou ter de deixar para o ano que vem novamente, e está um frio inimaginável que vai transformar o CArnaval nacional no espectáculo confrangedor do costume.
Enfim, parafraseando Dave Mathews, é uma situação típica nestes tempos típicos.
Abraço a todos
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Sim, vem aí o dia dos namorados, uma espécie de oásis para o comércio no meio de uma época dificil com pagamento de cartões de crédito, prendas atrassadas do Natal e a ausência de aumentos no vencimento.
Sim pode ser que seja uma patranha comercialóide.
Mas para mim, existir mais uma desculpa para fazer uma surpresa ou ir a qualquer lado com a cara metade não me parece má de todo. Há coisas piores.
E de resto a consciência só pesa se as prendas e gestos só aparecem por meio destes (falsos) gatilhos. Caso contrário, é mais um evento que pode realmente ser agradável.
Agora cada um saberá de si, verdade?
Aos tímidos, talvez seja uma espécie de trégua desculpabilizante. A desculpa para escrever aquela carta temível. Fazer uma figura ridícula, e esperar que a coragem sirva como alavanca do intento do amor.
Nem sempre resulta. Mas os riscos foram feitos para serem corridos. Alguns, pelo menos.
Boa sorte, e bom dia de São VAlentim, que perdeu a cabeça por causa de uma mulher - literalmente....
Sim pode ser que seja uma patranha comercialóide.
Mas para mim, existir mais uma desculpa para fazer uma surpresa ou ir a qualquer lado com a cara metade não me parece má de todo. Há coisas piores.
E de resto a consciência só pesa se as prendas e gestos só aparecem por meio destes (falsos) gatilhos. Caso contrário, é mais um evento que pode realmente ser agradável.
Agora cada um saberá de si, verdade?
Aos tímidos, talvez seja uma espécie de trégua desculpabilizante. A desculpa para escrever aquela carta temível. Fazer uma figura ridícula, e esperar que a coragem sirva como alavanca do intento do amor.
Nem sempre resulta. Mas os riscos foram feitos para serem corridos. Alguns, pelo menos.
Boa sorte, e bom dia de São VAlentim, que perdeu a cabeça por causa de uma mulher - literalmente....
Como sempre, tiro o chapéu a este senhor. Quando entrei em contacto com ele, e mais tarde, depois de um estudo interessado mais que rigoroso, chego á conclusão de que é o que tenho de mais próximo com uma religião ou código ético. De forma eclética, claro, mas ainda assim...
Kant achava que só eramos livres quando perseguiamos o Bem. Embora possa ser discutível, eu creio nele. Era alguém que tinha fé no facto de que os homens algum dia criassem juízo e dessem passos em direcção á harmonia, num crescimento constante imparável.
Sou ingénuo e acho que é possível.
Sou maioritariamente kantiano. Sempre fui. Que fazer?
Bicentenário da morte comemora-se hoje
Immanuel Kant: o filósofo dos Direitos Humanos
Helena Ferro de Gouveia, Frankfurt
PÚBLICO
Immanuel Kant (1724-1804), nascido no seio de uma família humilde, foi enterrado como um monarca. No dia do seu funeral, a vida em Königsberg, na Prússia oriental, actual Kalininegrado, parou. O caixão foi acompanhado por milhares de pessoas e ecoaram os sinos de todas as igrejas da cidade.
Hoje, decorridos 200 anos sobre a morte do grande filósofo dos direitos humanos, da igualdade perante a lei, da cidadania mundial, da paz universal e acima de tudo do "Sapere Aude", a emancipação da razão, a Alemanha assinala a data com uma série de colóquios universitários, com a exibição na televisão pública do filme "Kant Reloaded" e com uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer, a Kalininegrado. A Universidade de Bona disponibilizou na Internet, em acesso gratuito, o maior banco de dados mundial sobre o filósofo assim como as suas obras completas e cartas pessoais (www.ikp.uni-bonn.de/kant).
Rir é bom para a digestão
Mesmo a tempo do bicentenário surgiram numerosas publicações dedicadas ao autor da "Crítica da Razão Pura" (1781). Três delas, publicadas em Novembro de 2003, são biografias - "Kant" de Manfred Kuehn, "Immanuel Kant" de Steffan Dietzsch e "Kants Welt" de Manfred Geier - que questionam o retrato estereotipado de Kant traçado por Henrich Heine e que se inscreveu nos manuais de filosofia: um homem que obedecia às virtudes prussianas, cuja vida era absolutamente disciplinada, modesta e puritana. "Viveu uma vida de solteirão, mecanicamente ordenada, quase abstracta", escreveu Heine.
Um pensador genial com um quotidiano monótono? As novas obras biográficas mostram um outro filósofo que jogava com gosto às cartas, que apreciava uma boa refeição ou um espectáculo de teatro, que gostava de anedotas - claro que por motivo racional: o riso estimula a digestão - que se interessava pela política mundial. Naturalmente que não foram apenas os aspectos privados de Kant que mereceram a atenção dos autores (todos reconhecidos especialistas no obra do filósofo da Aufklaerung), mas a sua vida intelectual, as suas ideias e como estas foram influenciadas pelo clima da época.
Filósofo da Revolução Francesa
Kant viveu numa época conturbada, marcada por grandes mutações sociais, políticas e religiosas. A "orientação teológica" da Filosofia é posta em causa - Deus vai sendo progressivamente substituído pela ciência, tendência contra a qual Kant vigorosamente lutará - e a soberania intelectual do homem passa, com o Iluminismo, a repousar na ciência, que adquiriu, depois de Isaac Newton, um estatuto de dignidade e credibilidade recusado a outras formas de pensamento.
Na perspectiva política, o fenómeno mais relevante é a configuração do Estado moderno e de novas formas de organização do poder. Os escritos políticos de Kant datam já da maturidade e são fortemente influenciados por dois acontecimentos históricos da altura: a Revolução Francesa (1789) e a Revolução Americana (1776).
Não é em vão que foi classificado por Heine, Marx e Hengels como o filósofo da Revolução Francesa. Há de facto alguma analogia entre ambas as revoluções e o pensamento kantiano: a emancipação do homem face à autoridade e a afirmação da liberdade. De tal forma que o eco de Kant é tão importante na França como na Alemanha.
Para o investigador francês Etienne François, "se Kant é considerado na França como uma referência incontornável, na Alemanha é visto como uma etapa da pensamento filosófico" uma vez que não existem entre os filósofos que verdadeiramente são significativos nenhum que se tenha subtraído a um posicionamento relativamente a Kant.
A filiação de Kant até Juergen Habermas "é assumida e reivindicada". O próprio artigo primeiro da Lei Fundamental alemã - "A dignidade do homem é intocável" - é, ainda de acordo com Etienne François, claramente de inspiração kantiana. O pensamento kantiano surge como um elemento fundador no processo de construção europeia que coloca a dignidade humana, a reflexão e a ética no cerne dos seus objectivos. O projecto de Tratado Constitucional europeu reivindica também no seu preâmbulo o legado do Iluminismo.
Fischer em Kalininegrado
O bicentenário é ocasião para o chefe da diplomacia germânica inaugurar um consulado alemão em Kalininegrado, um enclave russo entre a Lituânia e a Polónia, onde o filósofo do Aufklaerung nasceu, ensinou e morreu. A ex-Königsberg, no mar Báltico, foi a capital dos reis da Prússia, tendo sido conquistada pelo Exército Vermelho durante a II Guerra mundial, e rebaptizada, em 1946, como Kalininegrado, em homenagem ao dirigente soviético Mikhail Kalinine. Nesta cidade não se encontra hoje nem a casa natal do filósofo nem aquela onde ele morreu, mas existe um museu Kant, assim como uma estátua do pensador em frente à Universidade - oferecida pela condessa alemã e grande dama do jornalismo Marion von Doenhoff.
O seu túmulo situa-se numa das extremidades da catedral, parcialmente arrasada pelos bombardeamentos de 1944-45, e nele está inscrito: "Duas coisas preenchem o espírito de uma admiração e de uma veneração crescentes e renovadas, à medida que a reflexão nelas incide: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim."
Kant achava que só eramos livres quando perseguiamos o Bem. Embora possa ser discutível, eu creio nele. Era alguém que tinha fé no facto de que os homens algum dia criassem juízo e dessem passos em direcção á harmonia, num crescimento constante imparável.
Sou ingénuo e acho que é possível.
Sou maioritariamente kantiano. Sempre fui. Que fazer?
Bicentenário da morte comemora-se hoje
Immanuel Kant: o filósofo dos Direitos Humanos
Helena Ferro de Gouveia, Frankfurt
PÚBLICO
Immanuel Kant (1724-1804), nascido no seio de uma família humilde, foi enterrado como um monarca. No dia do seu funeral, a vida em Königsberg, na Prússia oriental, actual Kalininegrado, parou. O caixão foi acompanhado por milhares de pessoas e ecoaram os sinos de todas as igrejas da cidade.
Hoje, decorridos 200 anos sobre a morte do grande filósofo dos direitos humanos, da igualdade perante a lei, da cidadania mundial, da paz universal e acima de tudo do "Sapere Aude", a emancipação da razão, a Alemanha assinala a data com uma série de colóquios universitários, com a exibição na televisão pública do filme "Kant Reloaded" e com uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Joschka Fischer, a Kalininegrado. A Universidade de Bona disponibilizou na Internet, em acesso gratuito, o maior banco de dados mundial sobre o filósofo assim como as suas obras completas e cartas pessoais (www.ikp.uni-bonn.de/kant).
Rir é bom para a digestão
Mesmo a tempo do bicentenário surgiram numerosas publicações dedicadas ao autor da "Crítica da Razão Pura" (1781). Três delas, publicadas em Novembro de 2003, são biografias - "Kant" de Manfred Kuehn, "Immanuel Kant" de Steffan Dietzsch e "Kants Welt" de Manfred Geier - que questionam o retrato estereotipado de Kant traçado por Henrich Heine e que se inscreveu nos manuais de filosofia: um homem que obedecia às virtudes prussianas, cuja vida era absolutamente disciplinada, modesta e puritana. "Viveu uma vida de solteirão, mecanicamente ordenada, quase abstracta", escreveu Heine.
Um pensador genial com um quotidiano monótono? As novas obras biográficas mostram um outro filósofo que jogava com gosto às cartas, que apreciava uma boa refeição ou um espectáculo de teatro, que gostava de anedotas - claro que por motivo racional: o riso estimula a digestão - que se interessava pela política mundial. Naturalmente que não foram apenas os aspectos privados de Kant que mereceram a atenção dos autores (todos reconhecidos especialistas no obra do filósofo da Aufklaerung), mas a sua vida intelectual, as suas ideias e como estas foram influenciadas pelo clima da época.
Filósofo da Revolução Francesa
Kant viveu numa época conturbada, marcada por grandes mutações sociais, políticas e religiosas. A "orientação teológica" da Filosofia é posta em causa - Deus vai sendo progressivamente substituído pela ciência, tendência contra a qual Kant vigorosamente lutará - e a soberania intelectual do homem passa, com o Iluminismo, a repousar na ciência, que adquiriu, depois de Isaac Newton, um estatuto de dignidade e credibilidade recusado a outras formas de pensamento.
Na perspectiva política, o fenómeno mais relevante é a configuração do Estado moderno e de novas formas de organização do poder. Os escritos políticos de Kant datam já da maturidade e são fortemente influenciados por dois acontecimentos históricos da altura: a Revolução Francesa (1789) e a Revolução Americana (1776).
Não é em vão que foi classificado por Heine, Marx e Hengels como o filósofo da Revolução Francesa. Há de facto alguma analogia entre ambas as revoluções e o pensamento kantiano: a emancipação do homem face à autoridade e a afirmação da liberdade. De tal forma que o eco de Kant é tão importante na França como na Alemanha.
Para o investigador francês Etienne François, "se Kant é considerado na França como uma referência incontornável, na Alemanha é visto como uma etapa da pensamento filosófico" uma vez que não existem entre os filósofos que verdadeiramente são significativos nenhum que se tenha subtraído a um posicionamento relativamente a Kant.
A filiação de Kant até Juergen Habermas "é assumida e reivindicada". O próprio artigo primeiro da Lei Fundamental alemã - "A dignidade do homem é intocável" - é, ainda de acordo com Etienne François, claramente de inspiração kantiana. O pensamento kantiano surge como um elemento fundador no processo de construção europeia que coloca a dignidade humana, a reflexão e a ética no cerne dos seus objectivos. O projecto de Tratado Constitucional europeu reivindica também no seu preâmbulo o legado do Iluminismo.
Fischer em Kalininegrado
O bicentenário é ocasião para o chefe da diplomacia germânica inaugurar um consulado alemão em Kalininegrado, um enclave russo entre a Lituânia e a Polónia, onde o filósofo do Aufklaerung nasceu, ensinou e morreu. A ex-Königsberg, no mar Báltico, foi a capital dos reis da Prússia, tendo sido conquistada pelo Exército Vermelho durante a II Guerra mundial, e rebaptizada, em 1946, como Kalininegrado, em homenagem ao dirigente soviético Mikhail Kalinine. Nesta cidade não se encontra hoje nem a casa natal do filósofo nem aquela onde ele morreu, mas existe um museu Kant, assim como uma estátua do pensador em frente à Universidade - oferecida pela condessa alemã e grande dama do jornalismo Marion von Doenhoff.
O seu túmulo situa-se numa das extremidades da catedral, parcialmente arrasada pelos bombardeamentos de 1944-45, e nele está inscrito: "Duas coisas preenchem o espírito de uma admiração e de uma veneração crescentes e renovadas, à medida que a reflexão nelas incide: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim."
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
CARTAS A SÓNIA IV
Não há qualquer dúvida de que são as pessoas das quais mais gostamos que têm a maior capacidade para nos magoar. E não se pense que isto é uma qualquer manobra de injustiça maquiavélica por parte dessas pessoas. Não. Bem vistas as coisas, a culpa é essencialmente nossa, originada no nascimento e progressão dos nossos afectos. Somos nós que damos as coordenadas para o local onde está enterrado, como dizia King, o nosso coração secreto. Somos nós que colocamos guardas sonolentos e medrosos à porta, e deixamo-nos invadir.
A genealogia do amor tem uma morfologia muito própria. Assenta nas tentativas de explicação da irracionalidade, e cozinha num caldeirão fervente sentimentos paradoxalmente próximos e afastados. O significado por vezes deixa uma pessoa perplexa quanto à possibilidade da sua coexistência, mas a verdade é que arrisco a dizer que a pessoa que amamos é precisamente aquela que mais vontade dá de lhe apertarmos o pescoço.
Podemos efectivamente reparar nos detalhes, criar uma linha média das expectativas, e dançar por cima de brasas alternadas que são afinal o cumprimento ou frustração daquelas. Criamos acusações, damos connosco a tomar atitudes que dez segundos depois não fazem qualquer sentido e nos deixam de costas nuas perante a vergastada da consciência racional. Mas tomamo-las. há algo de irresistível, quase ao nível do pormenor verificado com um espírito ébrio, que torna a dinâmica do amor uma contenda onde, à semelhança de tantos combates, metade das baixas não tem explicação. Ou a bem dizer, quase todas.
Há algo que esperamos ver sempre nos olhos da pessoa que amamos. É uma espécie de acompanhamento, uma diferença lógica entre a sua capacidade de dar e a auto-preservação que mantém. Como se guardasse alguns segredos e mantivesse aquela individualidade que nos leva à loucura suave da descoberta. O enamoramento feito das saudades reiteradas pela ausência e as descobertas segundo Lavoisier. Amamos aqueles que são capazes de transformar, mas que no fundo se mantêm construídos pelos seus compostos. É a progressão na mente e corpo do outro que faz do amor uma espécie de ritual de ciclos, onde a simples capacidade de ver o outro sem tempo ou espaço se torna a delicia maior. Sinceramente, e apesar de existirem milhares de justificativas para tal situação, julgo que o fundamento do amor, seja em busca ou manutenção, ou simplesmente na vivência, reside num detalhe simples. A irracionalidade em que nos coloca, as dores que traz em alternância, aquele estado de aperto onde respirar é uma luta, mas sem o qual a vida parece um saco vazio, onde a paz desejada soa sempre a recompensa oca e insossa. No amor nunca se quer realmente paz. Entendimento sim, mas paz real? O próprio sexo é uma ausência de paz, e as dores de perseguição, que parecem maiores que cordilheiras de granito, são um paradoxo que a tranquilidade pode anular, sob pena de cansar como um caminho sem curvas.
Discordo que o amor seja, em alguns instantes, sempre obsessivo. Há quem diga que o é sempre quando é real, mas eu não tenho essa ideia. O amor pode criar pensamentos estranhos, não condizentes com a noção de vida que as pessoas originariamente tinham, mas nunca o consegui despir de uma fundamentação mínima. Como quase tudo aquilo que é completo e maravilhoso, o amor é uma entidade composta, e o grande temor que causa justifica-se na sua capacidade de transmutação, passando de ícone de perfeição a monstro sádico. O amor não é equilibrado constantemente, porque a sua sobrevivência depende disso. Há alguma lógica fervente nos seus desequilíbrios, naquele sofrimento que parece injustificado. Repudia o excesso, mas não há forma de dar a volta ao texto. Disseque-se o amor e teremos uma iguaria parcialmente venenosa. Como o Fugu ( prato de peixe japonês venenoso mas servido como sashimi ou sushi em restaurantes) , é preciso ter cuidado para não morrer pela ingestão desse veneno, mas é a intensidade das emoções, tactos e acontecimentos, aquela sensação de ter metade do pé no vazio que torna tudo tão urgente, misterioso e parcialmente incompreensível. E tão necessário. O amor é uma aventura em que a perspectiva de que os heróis se safem porque são bons rapazes não existe sempre. Pode muito bem ser uma história sem redenção ou exposição de catarse. Um conto negro. Mas sendo um conceito paradoxal, também há justiça no amor. A mente humana não é tão autista que não consiga justificar determinadas genealogias no seu objecto de desejo, e é efectivamente comum gostar-se daqueles de quem amamos, ao contrário do que dizem alguns. Eu creio firmemente nisso.
A verdade é que nem sempre é fácil ajustarmo-nos ao que consideramos ser as vivências do amor. Tal como podemos achar piada a uma cicatriz antiga, a dor que a causou é sempre de má memória, pelo menos no curto prazo. E pior que a dor, é a dor associada ao medo, e o medo é condimento natural do amor. Acontece pelo simples facto de gerarmos um sentimento inexplicavelmente forte, feito de sensualidade, posse e entrega relativamente a alguém que pela sua naturalidade se torna o baluarte de diferença onde parece que tudo é semelhante.
Existem milhares de teorias. Sinceramente, eu julgo que cada pessoa terá a sua, mesmo aqueles que julgam o amor como uma espécie de ferramenta manobrável. As culatras costumam ser bem traiçoeiras para essas pessoas, mas isso são outras histórias.
O amor é uma caldeirada. Uma confusão. Uma abstracção feita das noções próprias do que são as ditas verdades, e apoiadas em convicções inabaláveis. É estúpido, muitas vezes ridículo, ao ponto de muitos se escudarem numa elegância asséptica, porque a linguagem de carne, sangue é lágrimas do amor não é fácil, confortável ou mesmo imaginativa a mais das vezes. As palavras no calor da refrega não são musicais, e só no afastamento do amor, na pausa em que a memória ou antecipação nos permite visualizá-lo é que nasce algo que não arrepia a espinha ou constrange. Mas as mãos em cima da grelha ardente produzem sempre reacções e palavras que o descontrolo torna vulneráveis e trapalhonas. Pessoa dizia que as cartas de amor eram ridículas. Eu digo sinceramente que todo o discurso do amor em chamas é ridículo, e normalmente é um veiculo incompleto para o oceano de intenção que é querer viver o amor num determinado momento.
Mas o gozo que provoca a especulação acerca dele, faz com que tantos o tenham tentado, e que cada miúdo cheio de feromonas tente ainda e sempre escrever as piores cartas imagináveis, cheias de termos que dão a volta ao estômago do observador imparcial. O problema com muitos dos discursos sentimentaloides e lamechas, é que tentam simular e publicitar aquilo que só faz sentido quando o mundo lá fora parou, e não resta senão o inferno da exteriorização de algo que come o interior com dentes incandescentes. A contenção dessa fúria do amor produz textos, frases, gestos, música belíssima, porque é a glorificação um pouco distante de um milagre de intenção. Quem a produz continua a ser devorado por si mesmo, mas num misto de recordação e antecipação, como a diástole, o momento em que a gota de chuva viaja no ar, o encandeamento após o relâmpago, a pausa entre inspiração e expiração, o último segundo da peça antes dos aplausos.
Por isso, todo este discurso surge na óptica de quem se esforça por entender a totalidade do amor. Aquilo que traz, leva, produz ou destrói. Tentado desesperadamente não fugir para aquela linguagem de dentro da fogueira, mascarando a minha ridicularia o mais possível. Não é fácil levar o embrulho todo para casa, mas na resistência do amor está igualmente a fundamentação do outro.
E na minha mente, tu és como um singular e perfeito truque de magia feito por um ilusionista inexperiente. A única deixa imponente e arrasadora de um uma actuação mediana. Aquele acorde inexplicável no meio de um arranjo musical comum. A pincelada de génio no meio de um quadro de elevador.
Por qualquer razão, partida em milhares de argumentos objectivos, e milhões de ausências de argumentação, tu surges como a singularidade no meio do já conhecido, debatido e analisado. És a redescoberta de ti mesma que me vais emprestando. E por saber tanto de ti quanto há ainda por saber, torna o amor agitado, mas orgulhosamente vivo, como uma criança irrequieta, mas que no fundo sabe onde as suas fundações permanecem.
Em suma, é nessa soma de tudo, de dores e prazeres alternantes, que volto a descobrir-te neste segundo e naquele já mais à frente.
E só me fica uma conclusão…
O amor é isto.
Não há qualquer dúvida de que são as pessoas das quais mais gostamos que têm a maior capacidade para nos magoar. E não se pense que isto é uma qualquer manobra de injustiça maquiavélica por parte dessas pessoas. Não. Bem vistas as coisas, a culpa é essencialmente nossa, originada no nascimento e progressão dos nossos afectos. Somos nós que damos as coordenadas para o local onde está enterrado, como dizia King, o nosso coração secreto. Somos nós que colocamos guardas sonolentos e medrosos à porta, e deixamo-nos invadir.
A genealogia do amor tem uma morfologia muito própria. Assenta nas tentativas de explicação da irracionalidade, e cozinha num caldeirão fervente sentimentos paradoxalmente próximos e afastados. O significado por vezes deixa uma pessoa perplexa quanto à possibilidade da sua coexistência, mas a verdade é que arrisco a dizer que a pessoa que amamos é precisamente aquela que mais vontade dá de lhe apertarmos o pescoço.
Podemos efectivamente reparar nos detalhes, criar uma linha média das expectativas, e dançar por cima de brasas alternadas que são afinal o cumprimento ou frustração daquelas. Criamos acusações, damos connosco a tomar atitudes que dez segundos depois não fazem qualquer sentido e nos deixam de costas nuas perante a vergastada da consciência racional. Mas tomamo-las. há algo de irresistível, quase ao nível do pormenor verificado com um espírito ébrio, que torna a dinâmica do amor uma contenda onde, à semelhança de tantos combates, metade das baixas não tem explicação. Ou a bem dizer, quase todas.
Há algo que esperamos ver sempre nos olhos da pessoa que amamos. É uma espécie de acompanhamento, uma diferença lógica entre a sua capacidade de dar e a auto-preservação que mantém. Como se guardasse alguns segredos e mantivesse aquela individualidade que nos leva à loucura suave da descoberta. O enamoramento feito das saudades reiteradas pela ausência e as descobertas segundo Lavoisier. Amamos aqueles que são capazes de transformar, mas que no fundo se mantêm construídos pelos seus compostos. É a progressão na mente e corpo do outro que faz do amor uma espécie de ritual de ciclos, onde a simples capacidade de ver o outro sem tempo ou espaço se torna a delicia maior. Sinceramente, e apesar de existirem milhares de justificativas para tal situação, julgo que o fundamento do amor, seja em busca ou manutenção, ou simplesmente na vivência, reside num detalhe simples. A irracionalidade em que nos coloca, as dores que traz em alternância, aquele estado de aperto onde respirar é uma luta, mas sem o qual a vida parece um saco vazio, onde a paz desejada soa sempre a recompensa oca e insossa. No amor nunca se quer realmente paz. Entendimento sim, mas paz real? O próprio sexo é uma ausência de paz, e as dores de perseguição, que parecem maiores que cordilheiras de granito, são um paradoxo que a tranquilidade pode anular, sob pena de cansar como um caminho sem curvas.
Discordo que o amor seja, em alguns instantes, sempre obsessivo. Há quem diga que o é sempre quando é real, mas eu não tenho essa ideia. O amor pode criar pensamentos estranhos, não condizentes com a noção de vida que as pessoas originariamente tinham, mas nunca o consegui despir de uma fundamentação mínima. Como quase tudo aquilo que é completo e maravilhoso, o amor é uma entidade composta, e o grande temor que causa justifica-se na sua capacidade de transmutação, passando de ícone de perfeição a monstro sádico. O amor não é equilibrado constantemente, porque a sua sobrevivência depende disso. Há alguma lógica fervente nos seus desequilíbrios, naquele sofrimento que parece injustificado. Repudia o excesso, mas não há forma de dar a volta ao texto. Disseque-se o amor e teremos uma iguaria parcialmente venenosa. Como o Fugu ( prato de peixe japonês venenoso mas servido como sashimi ou sushi em restaurantes) , é preciso ter cuidado para não morrer pela ingestão desse veneno, mas é a intensidade das emoções, tactos e acontecimentos, aquela sensação de ter metade do pé no vazio que torna tudo tão urgente, misterioso e parcialmente incompreensível. E tão necessário. O amor é uma aventura em que a perspectiva de que os heróis se safem porque são bons rapazes não existe sempre. Pode muito bem ser uma história sem redenção ou exposição de catarse. Um conto negro. Mas sendo um conceito paradoxal, também há justiça no amor. A mente humana não é tão autista que não consiga justificar determinadas genealogias no seu objecto de desejo, e é efectivamente comum gostar-se daqueles de quem amamos, ao contrário do que dizem alguns. Eu creio firmemente nisso.
A verdade é que nem sempre é fácil ajustarmo-nos ao que consideramos ser as vivências do amor. Tal como podemos achar piada a uma cicatriz antiga, a dor que a causou é sempre de má memória, pelo menos no curto prazo. E pior que a dor, é a dor associada ao medo, e o medo é condimento natural do amor. Acontece pelo simples facto de gerarmos um sentimento inexplicavelmente forte, feito de sensualidade, posse e entrega relativamente a alguém que pela sua naturalidade se torna o baluarte de diferença onde parece que tudo é semelhante.
Existem milhares de teorias. Sinceramente, eu julgo que cada pessoa terá a sua, mesmo aqueles que julgam o amor como uma espécie de ferramenta manobrável. As culatras costumam ser bem traiçoeiras para essas pessoas, mas isso são outras histórias.
O amor é uma caldeirada. Uma confusão. Uma abstracção feita das noções próprias do que são as ditas verdades, e apoiadas em convicções inabaláveis. É estúpido, muitas vezes ridículo, ao ponto de muitos se escudarem numa elegância asséptica, porque a linguagem de carne, sangue é lágrimas do amor não é fácil, confortável ou mesmo imaginativa a mais das vezes. As palavras no calor da refrega não são musicais, e só no afastamento do amor, na pausa em que a memória ou antecipação nos permite visualizá-lo é que nasce algo que não arrepia a espinha ou constrange. Mas as mãos em cima da grelha ardente produzem sempre reacções e palavras que o descontrolo torna vulneráveis e trapalhonas. Pessoa dizia que as cartas de amor eram ridículas. Eu digo sinceramente que todo o discurso do amor em chamas é ridículo, e normalmente é um veiculo incompleto para o oceano de intenção que é querer viver o amor num determinado momento.
Mas o gozo que provoca a especulação acerca dele, faz com que tantos o tenham tentado, e que cada miúdo cheio de feromonas tente ainda e sempre escrever as piores cartas imagináveis, cheias de termos que dão a volta ao estômago do observador imparcial. O problema com muitos dos discursos sentimentaloides e lamechas, é que tentam simular e publicitar aquilo que só faz sentido quando o mundo lá fora parou, e não resta senão o inferno da exteriorização de algo que come o interior com dentes incandescentes. A contenção dessa fúria do amor produz textos, frases, gestos, música belíssima, porque é a glorificação um pouco distante de um milagre de intenção. Quem a produz continua a ser devorado por si mesmo, mas num misto de recordação e antecipação, como a diástole, o momento em que a gota de chuva viaja no ar, o encandeamento após o relâmpago, a pausa entre inspiração e expiração, o último segundo da peça antes dos aplausos.
Por isso, todo este discurso surge na óptica de quem se esforça por entender a totalidade do amor. Aquilo que traz, leva, produz ou destrói. Tentado desesperadamente não fugir para aquela linguagem de dentro da fogueira, mascarando a minha ridicularia o mais possível. Não é fácil levar o embrulho todo para casa, mas na resistência do amor está igualmente a fundamentação do outro.
E na minha mente, tu és como um singular e perfeito truque de magia feito por um ilusionista inexperiente. A única deixa imponente e arrasadora de um uma actuação mediana. Aquele acorde inexplicável no meio de um arranjo musical comum. A pincelada de génio no meio de um quadro de elevador.
Por qualquer razão, partida em milhares de argumentos objectivos, e milhões de ausências de argumentação, tu surges como a singularidade no meio do já conhecido, debatido e analisado. És a redescoberta de ti mesma que me vais emprestando. E por saber tanto de ti quanto há ainda por saber, torna o amor agitado, mas orgulhosamente vivo, como uma criança irrequieta, mas que no fundo sabe onde as suas fundações permanecem.
Em suma, é nessa soma de tudo, de dores e prazeres alternantes, que volto a descobrir-te neste segundo e naquele já mais à frente.
E só me fica uma conclusão…
O amor é isto.
Uma amiga minha está embrenhada no mundo mágico da prole, de ser a dadora de vida, de ver e testemunhar aquilo que o clichê identifica como milagre da vida, mas que não há outra forma de designar.
Não havendo forma de expressar o seu contentamento e rendição a tal estado afectivo, fica aqui a nota á mensagem de "Instinto" que me enviou.
E merece cada segundo.
E depois dizem que as mulheres não têm todas as prerrogativas...
Não havendo forma de expressar o seu contentamento e rendição a tal estado afectivo, fica aqui a nota á mensagem de "Instinto" que me enviou.
E merece cada segundo.
E depois dizem que as mulheres não têm todas as prerrogativas...
As pessoas, em meu ver, com uma dose excessiva de paranóia, culpam os meios de informação pela crescente onda de violência e a transposição etária, digamos assim, da capacidade para cometer crimes atrozes.
Mas quando no início do século passado se cantava a seguinte rima nos recreios...
Lizzie Borden took an axe
And gave her mother forty whacks.
And when she saw what she had done,
She gave her father forty-one.
... eu pergunto-me se haverá alguma sustentabilidade nos protestos de alguns sectores da sociedade civil. Não são as crianças por natureza seres de imaginação fértil? Não existirá a necessidade de olhar para elas como seres complexos? Não terá existido sempre violência na juventude imberbe? As chamadas "nursery rimes" são em grande parte plenas de violência.
Eu só consigo recordar vezes sem conta o livro de William Golding, e perceber um paralelo quase imediato.
Os jovens que na ilha se corrompem e rendem á selvageria inimaginável, são seres deixados á sua própria sorte, seguindo uma determinada propensão. Não acontece o mesmo hoje em dia, onde as pressões do mundo designado como produtivo obriga a que as pessoas deixem os seus filhos um pouco à sua sorte? Não são os homens que propalam a importância da estrutura familiar os mesmos que tentam a todo o custo abolir leis laborais que protegem as pessoas que vivem para além do seu trabalho? Que tentam cercear a liberdade de acesso aos meios culturais menos fáceis ou evidentes?
Não parece tudo isto um pouco confuso? E contraditório?
Mas quando no início do século passado se cantava a seguinte rima nos recreios...
Lizzie Borden took an axe
And gave her mother forty whacks.
And when she saw what she had done,
She gave her father forty-one.
... eu pergunto-me se haverá alguma sustentabilidade nos protestos de alguns sectores da sociedade civil. Não são as crianças por natureza seres de imaginação fértil? Não existirá a necessidade de olhar para elas como seres complexos? Não terá existido sempre violência na juventude imberbe? As chamadas "nursery rimes" são em grande parte plenas de violência.
Eu só consigo recordar vezes sem conta o livro de William Golding, e perceber um paralelo quase imediato.
Os jovens que na ilha se corrompem e rendem á selvageria inimaginável, são seres deixados á sua própria sorte, seguindo uma determinada propensão. Não acontece o mesmo hoje em dia, onde as pressões do mundo designado como produtivo obriga a que as pessoas deixem os seus filhos um pouco à sua sorte? Não são os homens que propalam a importância da estrutura familiar os mesmos que tentam a todo o custo abolir leis laborais que protegem as pessoas que vivem para além do seu trabalho? Que tentam cercear a liberdade de acesso aos meios culturais menos fáceis ou evidentes?
Não parece tudo isto um pouco confuso? E contraditório?
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