Existem momentos que nos deixam completamente sem palavras, corroídos por um senso de repugnância e revolta que chega a causar marcas físicas. O meu estômago que o diga, porque a noite passada foi complicadíssima.
Em primeiro lugar, uma extensíssima vénia a Peter Mullan. Ainda não tinha visto o seu grande "Magdalene Sisters", e fiquei estarrecido.
Por vezes questionava algum do meu ( não vale a pena ser hipocritamente meigo) desprezo e repugnância por religiões institucionalizadas, pelos seus atentados á liberdade pessoal e ao pensamento livre e esclarecido, pela manutenção de dogmas à custa de uma ameaça de tormento no pós-vida, ou seja, pelo medo e não pela iluminação. E isto porque até partilhava alguns dos valores em conceito, especialmente no que dizia respeito ao cuidado pelos mais fracos, pelos indefesos, e o desejo de paz e entendimento relativamente ao próximo.
(Claro que para mim o que interessa é estimar e respeitar o próximo, e não uma qualquer entidade supostamente superior que munida de um berbequim mágico supostamente terá criado a cosmogonia como a conhecemos. Ainda ninguém me explicou como é que se baniu a teoria da evolução de muitas escolas, em troca de uma palhaçada primordial feita de maçãs e serpentes e coisas que tais. Só uma pergunta - e a consanguinidade? Bem, se calhar é por isso que o mundo está como está, mas a verdade é que a consaguinidade também causa danos físicos além da demência, pelo que o facto de existir tanta gente em boas condições físicas, deita esta hipótese por terra. Mas adiante... )
Mas a verdade é que as páginas feias acerca das religiões institucionalizadas são cada vez maiores e mais numerosas. Desde Inquisição, à aplicação da doutrina radical do Corão (transformando as mulheres e pessoas em geral em animais acéfalos e sem direito a liberdade intelectual e muitas vezes física) , a "Hell House" ( a minha preferida e das mais horripilantes de todas) , a atitude passiva e ou mesmo criminosamente cúmplice do Vaticano na II Guerra Mundial , e agora, as lavandarias ou ou Asilos de Madalena.
O filme em causa tem um enredo romanceado, mas baseia-se no depoimento de algumas das sobreviventes, que graças a uma sociedade criminosamente pactuante, eram submetidas a um regime de escravatura, violência psíquica e não raras vezes física, além de humilhação. Esse regime era aplicado em dezenas de instituições a cerca de trinta mil mulheres consideradas como "perdidas" graças ao código religioso implementado na sociedade irlandesa. Sociedade esta que de alguma forma apoiava este tipo de situações, e que era o seu sustentáculo, em plena segunda metade do século vinte. As Lavandarias de Madalena era uma espécie de tapete para onde se varriam as manchas incomodativas de uma sociedade que aplicava rigidamente um código dogmático cada vez mais incompreensível e fechado sobre si mesmo.
Quand contactados para comentar, os responsáveis pela religição institucionalizada no país responderam da seguinte forma:
The association that represents the nuns, or the Conference of Religious of Ireland, declined an interview. It, however, provided CBS a statement saying, the Sisters accept the part they played in this regrettable era and asked that it be examined in context(1). The statement also admits that many former Magdalenes had painful memories and welcomed the opportunity for them to speak with us.
But when the CBS reporter knocked on the door, he was told, "There's no one to speak." CBS NEWS, 3 de Agosto de 2003 (1) Qual contexto? Estávamos em 2000 na altura da entrevista e em 1970 na altura dos relatos! Muito longe da idade média, parece-me...
De resto, não surpreende esta atitude, porque como tem sido feito ao longo dos séculos, a atitude das instituições que usam o código dogmático de uma qualquer religião tem sido esta. Uma espécie de autismo e arrongância próprias de quem não tem de facto qualquer explicação. Porque ela não existe, claro.
Eu entendo a religião, apesar de agnóstico, como uma experiência individual, baseada na liberdade pessoal de criar e viver de acordo com determinados valores, crenças e sobretudo, algo que deveria servir para o crescimento da mente e psique humana, ao invés de se manifestar por uma doutrina assente em dogmatismos que raramente têm alguma coisa a ver com a natureza humana e a sua diversidade, e que apresentam um ódio visceral e mal sustentado pela expressão da liberdade individual. A sustentação de um código de conduta com base no medo a uma entidade superior que nos pode mandar para dentro de uma panela como ingredientes eternos para uma caldeirada á fragateira, ao invés de sustentar o amor ao próximo pela compreensãoda sua natureza e a benevolência em conceito própria de um imperativo categórico, mostra bem a natureza desse código.
Será possível que não haja uma falsidade intrínseca a uma doutrina que estatui a superioridade de algo que comanda o amor porque ele quer, e não porque aquele é bom em si? Ame-se por medo a algo, e não porque amar em si é positivo? Isto não faz confusão a ninguém?
A verdade é que as atrocidades se têm vindo a repetir ao longo dos séculos, e chegam aos dias de hoje, como neste caso concreto. E obviamente que os culpados são os que usam da pior forma os desde logo discutíveis dogmas. O problema é que se multiplicam os fenómenos desta natureza, e têm sempre por base a doutrina em causa. Se as disposições fossem de outra natureza, talvez as coisas fossem diferentes. Se acompanhassem os tempos, por exemplo, sem perder de vista obviamente a matriz. Trata-se tão somente de ser tolerante, de evoluir. De ser, no fundo, humano, porque já lá dizia o outro, "divino é aquele que sabe ser humano".
Aconselho a ver este filme por todas as razões e mais alguma. Por ser bom cinema, porque os actores são óptimos, e porque não obstante ser perturbadora, a história é real, ilustrativa, e sobretudo, pedagógica e denunciante.
E perante isto pergunto-me, com a pele arrepiada. Que mais haverá por aí?
Por trás de bourkas, e muros, e hábitos e lenga-lengas?
Só pode ser assustador.
ESTAÇÕES DIFERENTES
"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
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segunda-feira, julho 12, 2004
sexta-feira, julho 09, 2004
Bem, talvez seja hoje que o nosso P.R lá diga de sua justiça. A verdade é que se trata de uma decisão penosa, que de alguma forma poderia ser resolvida se qualquer um dos contendores apresentasse gente de qualidade nas suas fileiras.
No lado laranja, porque não António Borges? Ou Catroga? Ou Laborinho Lúcio?
Do lado Rosa, porque não Vitorino? Ou Jorge Coelho? Ou mesmo Sócrates?
Talvez porque os nomeáveis sejam demasiado espertos para se atolarem na miséria franciscana que é a classe politica portuguesa dos dias de hoje. Mas ainda há gente de valor por aí, que talvez se chegue á frente. Dos dois lados, julgo eu.
Excepto do PP. Daí, como se provou pela maravilhosa administração de Portas e o sorvedouro financeiro de submarinos e tanques, pela estupidez constrangedora e difícil de esconder da Ministra Cardona, e pela Secretária de Estado da Educação Mariana "Bíblias manuscritas Cascais".
Vejamos o que faz Sampaio.
Imaginem o que faria Portas na pasta dos negócios estrangeiros. Já imaginaram? Pois, se calhar eleições antecipadas é provavelmente a melhor opção. A não ser que Cavaco se chegasse á frente... Ou Vitorino, o meu preferido desde já.
Boa sorte, Sr. Presidente. Em ultima instância, que se devolva á democracia a capacidade de escolher o seu destino.
No lado laranja, porque não António Borges? Ou Catroga? Ou Laborinho Lúcio?
Do lado Rosa, porque não Vitorino? Ou Jorge Coelho? Ou mesmo Sócrates?
Talvez porque os nomeáveis sejam demasiado espertos para se atolarem na miséria franciscana que é a classe politica portuguesa dos dias de hoje. Mas ainda há gente de valor por aí, que talvez se chegue á frente. Dos dois lados, julgo eu.
Excepto do PP. Daí, como se provou pela maravilhosa administração de Portas e o sorvedouro financeiro de submarinos e tanques, pela estupidez constrangedora e difícil de esconder da Ministra Cardona, e pela Secretária de Estado da Educação Mariana "Bíblias manuscritas Cascais".
Vejamos o que faz Sampaio.
Imaginem o que faria Portas na pasta dos negócios estrangeiros. Já imaginaram? Pois, se calhar eleições antecipadas é provavelmente a melhor opção. A não ser que Cavaco se chegasse á frente... Ou Vitorino, o meu preferido desde já.
Boa sorte, Sr. Presidente. Em ultima instância, que se devolva á democracia a capacidade de escolher o seu destino.
O Regime mais execrável do Mundo volta a dar o arda sua (des) graça...
O gigante chinês cresce á custa da opressão do seu povo, perpetrada por um governo totalitário que despreza quaisquer ideias de direitos humanos e cívicos, que se desenvolve económicamente á custa de trabalho (quase) escravo, que considera a liberdade de expressão como uma maleita vinda dos Infernos, e nada numa poça fétida de corrupção.
Mas ao que parece é um exemplo de desenvolvimento económico.
É realmente o mundo ao contrário.
Uma vergonha mundial que passa incólume...
O gigante chinês cresce á custa da opressão do seu povo, perpetrada por um governo totalitário que despreza quaisquer ideias de direitos humanos e cívicos, que se desenvolve económicamente á custa de trabalho (quase) escravo, que considera a liberdade de expressão como uma maleita vinda dos Infernos, e nada numa poça fétida de corrupção.
Mas ao que parece é um exemplo de desenvolvimento económico.
É realmente o mundo ao contrário.
Uma vergonha mundial que passa incólume...
terça-feira, julho 06, 2004
Ontem terminou uma das melhores séries que vi nos ultimos tempos. Penso que teria resultado melhor em filme completo, mas dada a extensão não se tornava exequível.
Bem sei que muitos dos homofóbicos e Cesares das Neves que por aí andam devem ter benzido a televisão ou pendurado uns quantos terços nas arestas protuberantes do aparelho, mas a verdade é que, para mim, é uma obra fantástica, cheia de diálogos e situações que marcam e deixam memória, e sobretudo porque se trata de uma reflexão profunda acerca do preconceito sem cair em discurso panfletário.
A lógica é sempre a mesma. Acho que a imensa falta de humildade de que sofrem certas pessoas resulta precisamente da ausência de capacidade de perspectiva. De tentar interiorizar e perceber as motivações, gostos e visões do outro. Aquilo que para mim é mais que tolerância, mas sim, humanidade básica.
Anjos na América mostrou um cenário que o "Philadelphia" de Tom Hanks já mostrara, mas em meu ver, de forma muito mais contundente, irónica e crua, sem deixar de ser terno ou comovente.
Deve ser chato para alguns tipos que se faça uma reflexão profunda sem cair naquele fatalismo nihilista e enegrecido de que nada tem solução. Foi isso que Kushner fez. Revelar uma realidade que, muito á semelhança do discurso de Almodovar, recai numa verdade universal. Se o amor existe, em todas as suas formas, tudo acaba por gravitar em torno dele, sendo dispicienda a forma como se revela.
Não sei porque é que o facto de existirem seres humanos que gostam uns ds outros, por vezes independentemente de sexo ou forma, chateia tanta gente.
Talvez porque para uns, o facto do pai da família nuclear encher de porrada os petizes é mais aceitável que outras formas de família.
Mas o mundo muda. A irracionalidade de ódios subjectivos não vence sempre. Infelizmente para eles.
Excelente.
Bem sei que muitos dos homofóbicos e Cesares das Neves que por aí andam devem ter benzido a televisão ou pendurado uns quantos terços nas arestas protuberantes do aparelho, mas a verdade é que, para mim, é uma obra fantástica, cheia de diálogos e situações que marcam e deixam memória, e sobretudo porque se trata de uma reflexão profunda acerca do preconceito sem cair em discurso panfletário.
A lógica é sempre a mesma. Acho que a imensa falta de humildade de que sofrem certas pessoas resulta precisamente da ausência de capacidade de perspectiva. De tentar interiorizar e perceber as motivações, gostos e visões do outro. Aquilo que para mim é mais que tolerância, mas sim, humanidade básica.
Anjos na América mostrou um cenário que o "Philadelphia" de Tom Hanks já mostrara, mas em meu ver, de forma muito mais contundente, irónica e crua, sem deixar de ser terno ou comovente.
Deve ser chato para alguns tipos que se faça uma reflexão profunda sem cair naquele fatalismo nihilista e enegrecido de que nada tem solução. Foi isso que Kushner fez. Revelar uma realidade que, muito á semelhança do discurso de Almodovar, recai numa verdade universal. Se o amor existe, em todas as suas formas, tudo acaba por gravitar em torno dele, sendo dispicienda a forma como se revela.
Não sei porque é que o facto de existirem seres humanos que gostam uns ds outros, por vezes independentemente de sexo ou forma, chateia tanta gente.
Talvez porque para uns, o facto do pai da família nuclear encher de porrada os petizes é mais aceitável que outras formas de família.
Mas o mundo muda. A irracionalidade de ódios subjectivos não vence sempre. Infelizmente para eles.
Excelente.
Bem, quanto ao Portugal X Grécia, não vou alongar-me no óbvio.
A eficácia e o jogo pobre e feio ganharam sobre uma tentativa de fazer do desporto aquilo que deve ser. Uma competição que dê prazer a quem vê, porque é destes que ela depende.
Isto não significa que se retire o mérito aos jogadores gregos. Muito pelo contrário. Podemos não gostar dos seus métodos, mas a eficácia e a contundência objectiva com que abordaram cada jogo efectuado mostram uma vitória da táctica, do jogo de cérebros.
O futebol fica mais feio e a crise de afluência pode incrementar-se. A Grécia foi a Itália deste Europeu.
Ganhou merecidamente? Sim, porque levou o seu esquema a sério e não cometeu erros.
Mas foi bonito de ver? Jogam mais á bola?
Acho que não.
De qualquer forma, não sei como se redije em grego, mas fica provado que lá para as bandas helénicas, a melhor ataque é mesmo a defesa.
Parabéns rapazes! Demos uma mostra de brio, categoria e esforço. Chegamos muito mais longe do que eu me atrevi a pensar.
Viva Portugal!
O país segue dentro de momentos.
A eficácia e o jogo pobre e feio ganharam sobre uma tentativa de fazer do desporto aquilo que deve ser. Uma competição que dê prazer a quem vê, porque é destes que ela depende.
Isto não significa que se retire o mérito aos jogadores gregos. Muito pelo contrário. Podemos não gostar dos seus métodos, mas a eficácia e a contundência objectiva com que abordaram cada jogo efectuado mostram uma vitória da táctica, do jogo de cérebros.
O futebol fica mais feio e a crise de afluência pode incrementar-se. A Grécia foi a Itália deste Europeu.
Ganhou merecidamente? Sim, porque levou o seu esquema a sério e não cometeu erros.
Mas foi bonito de ver? Jogam mais á bola?
Acho que não.
De qualquer forma, não sei como se redije em grego, mas fica provado que lá para as bandas helénicas, a melhor ataque é mesmo a defesa.
Parabéns rapazes! Demos uma mostra de brio, categoria e esforço. Chegamos muito mais longe do que eu me atrevi a pensar.
Viva Portugal!
O país segue dentro de momentos.
quinta-feira, julho 01, 2004
Estou neste momento a terminar o livro de DBC Pierre - Vernon God Little.
Além de ser uma maravilha, escrito numa prosa furiosamente irónica mas sem cair em cinismos inanes e, felizmente!, sem o fedor do pós-modernismo, é estranhamente comovente. Lê-se de um sopro, e só lamento não ter mais tempo diário para ler como gostaria, mas a verdade é que, no meu modesto ver, vem cada vez mais na senda de uma corrente de opinião que diz algo muito acertado.
Se falarmos/escrevermos com o coração aberto, procurando ver e dizer o máximo da verdade mesmo que dentro da necessária mentira que é a ficção, então o resultado só pode ser bom e ter qualidade.
Quanto aos arautos da desgraça que dizem que a ficção está morta, só posso lamentar a sua escolha e ter alguma pena deles. São pessoas que simplesmente acham que imaginar e sonhar, contando ou ouvindo histórias, não serve para nada. Pobres Diabos...
Além de ser uma maravilha, escrito numa prosa furiosamente irónica mas sem cair em cinismos inanes e, felizmente!, sem o fedor do pós-modernismo, é estranhamente comovente. Lê-se de um sopro, e só lamento não ter mais tempo diário para ler como gostaria, mas a verdade é que, no meu modesto ver, vem cada vez mais na senda de uma corrente de opinião que diz algo muito acertado.
Se falarmos/escrevermos com o coração aberto, procurando ver e dizer o máximo da verdade mesmo que dentro da necessária mentira que é a ficção, então o resultado só pode ser bom e ter qualidade.
Quanto aos arautos da desgraça que dizem que a ficção está morta, só posso lamentar a sua escolha e ter alguma pena deles. São pessoas que simplesmente acham que imaginar e sonhar, contando ou ouvindo histórias, não serve para nada. Pobres Diabos...
Já quase toda a gente falou na questão da sucessão governativa.
E para além do folclore esquerda vs direita, onde uns simplesmente acham que a legitimidade democrática está garantida porque se mantém a cor partidária, e outros julgam que existe uma crise política instalada que retira aquela referida legitimidade a quem seja indigitado por preferência interpartidárias, existem algumas questões que eu julgo ser importante questionar:
1 - A ida de Barroso para o seu novo cargo é prestigiante para Portugal. Se Vitorino era melhor? Obviamente, de longe, mas ainda assim é um lugar que nos prestigia. A juntar a essa circunstância, se ganharmos o Euro, andamos na boca do mundo durante muito tempo. Tornamo-nos visíveis. E isso é sempre bom, especialmente num cenário de "quase pós-recessão económica".
2 - A ida de Barroso significa uma perda de legitimidade democrática? Sem dúvida. A maioria foi decapitada, e á semelhança da Hydra de Lerna, despontam outras cabeças por todos o lados, cabeças essas que não demoraram um segundo para ser morderem e atacarem com ferocidade. A crise política está instalada, e como tal, qualquer que seja o grupo indigitado, terá sempre o presente envenenado próprio da falta de reconhecimento democrático. As pessoas não votaram naqueles projectos de governantes, não há qualquer expressão volitiva numa reestruturação que deveria estar a cabo de um acto eleitoral. Embora muitos deliberadamente se esqueçam, a demissão de Durão Barroso constituiu um acto voluntário da sua parte, e está quebrado o compromisso com o país. Não parece existir outra forma que não a consulta sufrágica, porque se o problema foi criado por quem governa, a solução é, por outro lado, dividida entre quem lá está e quem os lá colocou. Se o povo tornar a sufragar esta maioria, então ela terá mais 4 anos para provar o que quiser, e governar em posse de toda a legitimidade democrática necessária ao desempenho de tais funções.
3 - O cenário de eleições antecipadas também não é o ideal para mim por várias razões:
a) Preferiria um líder socialista que não Ferro Rodrigues, que em meu ver não tem estaleca para estas lides, e sobretudo, que esse líder fosse António Vitorino ou Jorge Coelho, ou talvez Sócrates. Mas os dois primeiros, com grande destaque para Vitorino, parecem-me ser os únicos capazes de liderar a oposição talvez na sua posição de Governo.
b) Eleições antecipadas vão paralizar o país durante três meses. Tudo o que sejam reformas e atracção de investimento vão parar á arca frigorífica para um período criogénico de meses, o que de alguma forma vem barrar o ciclo de fim de recessão/princípio de retoma. No entanto muitos dos analistas, até mesmo Vitor Constâncio na sua qualidade de Governador do Banco de Portugal diz que a instabilidade pode surgir de qualquer dos quadrantes, por isso, o risco é equitativo. Eu prefiro um risco sufragado, sinceramente.
c) Temo que de algumas reformas, como é hábito neste país, seja feita tábua rasa. Algumas destas medidas são idiotas e devem ser remodeladas imediatamente ( hospitais S.A., passes sociais pagos segundo o IRS, a reforma elistista e absurda da justiça), mas outras fazem parte de um ciclo que tem custos ao ser interrompido.
4 - No entanto, e tendo em conta a essência do principio da representatividade democrática, penso que a nomeação de um governo de substituição, especialmente com Santana (show-off) Lopes á frente, é algo que não respeita esse princípio e é feito na base de uma descricionariedade que embora não esbarre na legalidade, parece-me destituído de legitimidade política.
5 - Se o Primeiro Ministro resolveu evadir-se, o que é um direito que lhe assiste, e que penso que também tem benefícios, a verdade é que não o pode fazer sem ter em mente as consequências políticas desse acto, especialmente num momento de fragilidade pós-Europeias. Esta passagem de testemunho automático e em sede de bastidores não faz muito sentido, e embora seja uma prerrogativa constitucional, espero que o Presidente da República tenha em mente que em última instância, quem escolhe os governantes são os eleitores, os cidadãos, os Portugueses.
E que aí ganhe quem tem de ganhar, de acordo com a manifestação de vontade sufrágica de quem tem de a emitir.
Embora esteja longe de ser a solução ideal neste momento, é bem melhor que a alternativa.
Por isso inclino-me para eleições antecipadas, pela simples e directa racionalidade ínsita no princípio da legimitidade democrática.
Inclinações e convicções políticas à parte, pois fora ao contrário e eu teria exactamente a mesma opinião, como tive a quando da queda do Governo de Guterres.
Sr. Presidente, boa sorte.
Portugal, mais sorte ainda.
E para além do folclore esquerda vs direita, onde uns simplesmente acham que a legitimidade democrática está garantida porque se mantém a cor partidária, e outros julgam que existe uma crise política instalada que retira aquela referida legitimidade a quem seja indigitado por preferência interpartidárias, existem algumas questões que eu julgo ser importante questionar:
1 - A ida de Barroso para o seu novo cargo é prestigiante para Portugal. Se Vitorino era melhor? Obviamente, de longe, mas ainda assim é um lugar que nos prestigia. A juntar a essa circunstância, se ganharmos o Euro, andamos na boca do mundo durante muito tempo. Tornamo-nos visíveis. E isso é sempre bom, especialmente num cenário de "quase pós-recessão económica".
2 - A ida de Barroso significa uma perda de legitimidade democrática? Sem dúvida. A maioria foi decapitada, e á semelhança da Hydra de Lerna, despontam outras cabeças por todos o lados, cabeças essas que não demoraram um segundo para ser morderem e atacarem com ferocidade. A crise política está instalada, e como tal, qualquer que seja o grupo indigitado, terá sempre o presente envenenado próprio da falta de reconhecimento democrático. As pessoas não votaram naqueles projectos de governantes, não há qualquer expressão volitiva numa reestruturação que deveria estar a cabo de um acto eleitoral. Embora muitos deliberadamente se esqueçam, a demissão de Durão Barroso constituiu um acto voluntário da sua parte, e está quebrado o compromisso com o país. Não parece existir outra forma que não a consulta sufrágica, porque se o problema foi criado por quem governa, a solução é, por outro lado, dividida entre quem lá está e quem os lá colocou. Se o povo tornar a sufragar esta maioria, então ela terá mais 4 anos para provar o que quiser, e governar em posse de toda a legitimidade democrática necessária ao desempenho de tais funções.
3 - O cenário de eleições antecipadas também não é o ideal para mim por várias razões:
a) Preferiria um líder socialista que não Ferro Rodrigues, que em meu ver não tem estaleca para estas lides, e sobretudo, que esse líder fosse António Vitorino ou Jorge Coelho, ou talvez Sócrates. Mas os dois primeiros, com grande destaque para Vitorino, parecem-me ser os únicos capazes de liderar a oposição talvez na sua posição de Governo.
b) Eleições antecipadas vão paralizar o país durante três meses. Tudo o que sejam reformas e atracção de investimento vão parar á arca frigorífica para um período criogénico de meses, o que de alguma forma vem barrar o ciclo de fim de recessão/princípio de retoma. No entanto muitos dos analistas, até mesmo Vitor Constâncio na sua qualidade de Governador do Banco de Portugal diz que a instabilidade pode surgir de qualquer dos quadrantes, por isso, o risco é equitativo. Eu prefiro um risco sufragado, sinceramente.
c) Temo que de algumas reformas, como é hábito neste país, seja feita tábua rasa. Algumas destas medidas são idiotas e devem ser remodeladas imediatamente ( hospitais S.A., passes sociais pagos segundo o IRS, a reforma elistista e absurda da justiça), mas outras fazem parte de um ciclo que tem custos ao ser interrompido.
4 - No entanto, e tendo em conta a essência do principio da representatividade democrática, penso que a nomeação de um governo de substituição, especialmente com Santana (show-off) Lopes á frente, é algo que não respeita esse princípio e é feito na base de uma descricionariedade que embora não esbarre na legalidade, parece-me destituído de legitimidade política.
5 - Se o Primeiro Ministro resolveu evadir-se, o que é um direito que lhe assiste, e que penso que também tem benefícios, a verdade é que não o pode fazer sem ter em mente as consequências políticas desse acto, especialmente num momento de fragilidade pós-Europeias. Esta passagem de testemunho automático e em sede de bastidores não faz muito sentido, e embora seja uma prerrogativa constitucional, espero que o Presidente da República tenha em mente que em última instância, quem escolhe os governantes são os eleitores, os cidadãos, os Portugueses.
E que aí ganhe quem tem de ganhar, de acordo com a manifestação de vontade sufrágica de quem tem de a emitir.
Embora esteja longe de ser a solução ideal neste momento, é bem melhor que a alternativa.
Por isso inclino-me para eleições antecipadas, pela simples e directa racionalidade ínsita no princípio da legimitidade democrática.
Inclinações e convicções políticas à parte, pois fora ao contrário e eu teria exactamente a mesma opinião, como tive a quando da queda do Governo de Guterres.
Sr. Presidente, boa sorte.
Portugal, mais sorte ainda.
Mais uma vez venho expressar publicamente a reforma do meu discurso, porque eu era um dos descrentes na campanha da selecção em 2004. Como português e amante de desporto em geral, estaria sempre com a selecção, mas mais uma vez confesso que a minha expectativa não era com certeza esta que agora grassa pelo país. Era mais pessimista, principalmente porque o futebol em Portugal está cada vez mais parecido com um circo de vaidades que outra coisa qualquer.
Mas este brasileiro, como disse um amigo meu, é "macaco". É um estratega e sobretudo, é macaco velho. Ontem Figo calou todas as vozes dissonantes, ao mostrar como é que a vontade e a humildade fazem parte da pessoa e só se perdem se as pessoas assim o quiserem. Fez sprints de 50 metros, jogou, fez jogar, cortou e recuperou bolas e ia fazendo um golo de antologia, ou como diria o Tio Gabi, um golo de bandeira. Figo expressou aquilo que é a atitude segundo Scolari, e aquela que normalmente significa vitória. A atitude, a raça e o desejo de ganhar. Figo fez um jogo de raiva, e Portugal um jogo de confiança. Todos ganharam no final, e Scolari tem aqui uma influência muito importante.
Como um daqueles que (ainda) acha que dez estádios foram um disparate, mas que tem de morder a língua mais uma vez quanto ás suas expectativas relativamente á equipa da quinas, venho por este meio penitenciar--me, expresssando no entanto uma imensa alegria por fazer parte do país cuja selecção vem mostrando a melhor forma de ganhar seja o que for - através do esforço, da humildade, da luta, do desejo, da excelência, que se traduz num pleno merecimento.
As vedetas foram todas para casa. Sobraram aqueles que querem jogar á bola.
Portugal, peço-te desculpa e anseio vivamente por uma vitória histórica no Domingo, para que possa celebrar ainda mais o facto de viver em tempos tão interessantes.
FORÇA PORTUGAL!!!!!
VAMOS DAR-LHES O CHECO-MATE!
Mas este brasileiro, como disse um amigo meu, é "macaco". É um estratega e sobretudo, é macaco velho. Ontem Figo calou todas as vozes dissonantes, ao mostrar como é que a vontade e a humildade fazem parte da pessoa e só se perdem se as pessoas assim o quiserem. Fez sprints de 50 metros, jogou, fez jogar, cortou e recuperou bolas e ia fazendo um golo de antologia, ou como diria o Tio Gabi, um golo de bandeira. Figo expressou aquilo que é a atitude segundo Scolari, e aquela que normalmente significa vitória. A atitude, a raça e o desejo de ganhar. Figo fez um jogo de raiva, e Portugal um jogo de confiança. Todos ganharam no final, e Scolari tem aqui uma influência muito importante.
Como um daqueles que (ainda) acha que dez estádios foram um disparate, mas que tem de morder a língua mais uma vez quanto ás suas expectativas relativamente á equipa da quinas, venho por este meio penitenciar--me, expresssando no entanto uma imensa alegria por fazer parte do país cuja selecção vem mostrando a melhor forma de ganhar seja o que for - através do esforço, da humildade, da luta, do desejo, da excelência, que se traduz num pleno merecimento.
As vedetas foram todas para casa. Sobraram aqueles que querem jogar á bola.
Portugal, peço-te desculpa e anseio vivamente por uma vitória histórica no Domingo, para que possa celebrar ainda mais o facto de viver em tempos tão interessantes.
FORÇA PORTUGAL!!!!!
VAMOS DAR-LHES O CHECO-MATE!
quarta-feira, junho 30, 2004
Mariana Cascais em Estado de Choque!!!
"O Supremo Tribunal de Justiça Americano não autorizou a aplicação de uma lei federal destinada a impedir o acesso de menores à pornografia na Internet, considerando que tal posição poderia violar os direitos constitucionais de liberdade de expressão." - In Público de hoje.
A Secretária de Estado da Educação deve estar neste momento a receber assistência médica.
Felizmente que lá nas terras do Tio Sam alguém ainda tem juízo suficiente. Deixa-me sempre perplexo esta alergia a mostrar determinados conteúdos a crianças e não outros.
Porque raios é que não faz mal deixar uma criança ver um filme cheio de porrada criar bicho, e mortes, e sangue, mas é mais inaceitável que veja uma mamas ou mesmo uma cena de cópula.
Não há responsabilidade dos pais? Não são eles que devem controlar o acesso aos conteúdos, na medida do possível?
Sinceramente, entre violência e sexo, porque raios é que a primeira aparece sempre como algo mais aceitável???
"O Supremo Tribunal de Justiça Americano não autorizou a aplicação de uma lei federal destinada a impedir o acesso de menores à pornografia na Internet, considerando que tal posição poderia violar os direitos constitucionais de liberdade de expressão." - In Público de hoje.
A Secretária de Estado da Educação deve estar neste momento a receber assistência médica.
Felizmente que lá nas terras do Tio Sam alguém ainda tem juízo suficiente. Deixa-me sempre perplexo esta alergia a mostrar determinados conteúdos a crianças e não outros.
Porque raios é que não faz mal deixar uma criança ver um filme cheio de porrada criar bicho, e mortes, e sangue, mas é mais inaceitável que veja uma mamas ou mesmo uma cena de cópula.
Não há responsabilidade dos pais? Não são eles que devem controlar o acesso aos conteúdos, na medida do possível?
Sinceramente, entre violência e sexo, porque raios é que a primeira aparece sempre como algo mais aceitável???
Bem, o Verão já está aí, e as férias aproximam-se.
E para que os energúmenos, para não lhes chamar mesmo aquilo que são (fdp) que abandonam animais á sua sorte porque querem ir de férias descansados ( porra, como é que conseguem...), eis informação importante. Agora já não há desculpas, que de resto, já antes não existiam.
Animais em Férias - Intercâmbio e Lares Provisórios
Contactar :
Liga Portuguesa dos Direitos do Animal
Tel: 21 457 84 13 ou 21 458 18 18
Email: lpda@lpda.pt ou sampaiomc@netcabo.pt
Não se esqueçam.. Sim, é com vocês!!!!
Juro que se algum dia apanho um tipo qualquer a abandonar um animal na auto estrada, como já me contaram, paro o carro e acho que vai haver uma cena....
Não abandonem os animais. Não há necessidade, eles não merecem.
Se não desejam ter um animal, não tenham. Mas abandono é crime!
E para que os energúmenos, para não lhes chamar mesmo aquilo que são (fdp) que abandonam animais á sua sorte porque querem ir de férias descansados ( porra, como é que conseguem...), eis informação importante. Agora já não há desculpas, que de resto, já antes não existiam.
Animais em Férias - Intercâmbio e Lares Provisórios
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Liga Portuguesa dos Direitos do Animal
Tel: 21 457 84 13 ou 21 458 18 18
Email: lpda@lpda.pt ou sampaiomc@netcabo.pt
Não se esqueçam.. Sim, é com vocês!!!!
Juro que se algum dia apanho um tipo qualquer a abandonar um animal na auto estrada, como já me contaram, paro o carro e acho que vai haver uma cena....
Não abandonem os animais. Não há necessidade, eles não merecem.
Se não desejam ter um animal, não tenham. Mas abandono é crime!
terça-feira, junho 22, 2004
A Noite e os Noctívagos.
Há algum tempo que não saio à noite
E digo-o com alguma saudade, pelo menos parcialmente, mas com um senso de estranheza perante a ausência de necessidade de ir por aí dar umas voltas.
Nunca tive uma ideia muito clara sobre a noite. Parecia-me uma divisão clara entre o alardear de um claro instinto de caça, e um desejo claro de diversão,embora alicerçado na bebida e num maior ou menos desejo de dançar. Julgo que o intuito principal era ver alguém, perceber quem ali andava de um lado para o outro, numa lógica de possibilidade, fosse ela qual fosse e quão remota pudesse ser. Digo era porque me refiro ao passado claro, porque julgo que as coisas ainda não devem ter mudado muito. Bolas, só passaram seis meses...
Brincadeiras à parte, e pegando nesta última ideia da caça, entrar num local noturno relativamente popular é verificar toda a espécie de artimanhas, mais ou menos subtis, para chamar qualquer tipo de atenção aos restantes membros da reunião acidental. A evolução do vestuário feminino, que em muitos casos me permito louvar, trouxe uma espécie de código estético que acentua o interesse masculino num automatismo. Já quanto às mulheres, arrisco a dizer que ninguém sabe muito bem do que gostam nem para onde olham, e é certinho que num grupo de mentes livres e pensantes, não existirá uma única opinião dominante. Isto torna o sucesso masculino em locais como este, bem como na maioria dos outros, uma absoluta lotaria.
A verdade é que o cenário é sempre o mesmo, ou quase sempre.
As mulheres caminham ou dançam, mostram a graça e a morfologia do corpo mais ou menos ajudado pela natureza ou roupas lisonjeiras. Há uma segurança inerente à linguagem corporal que simula comunicação, embora a mensagem seja a maior parte ds vezes errónea.
Os homens observam de longe, com olhares mais ou menos tímidos, gestos mais ou menos trapalhões, incapazes de conter a honestidade dos seus impulsos através de um simulacro de elegância ou contenção. Há uma tensão constante, uma lógica de desconhecimento onde os homens arriscam tudo num instante completamente adverso. Não há forma de sussurar uma frase bonita em meio ao barulho, e ainda que este não existisse, sem predisposição não existem abordagens inteligentes. Há uma consciência clara por parte das mulheres de que neste jogo pouco ou nada arriscam, já que a instituição como a conhecemos joga a iniciativa para as mãos dos seres hesitantes que evitam dançar e procuram rapidamente o fundo do copo, quiçás á procura de coragem líquida.
Nos locais que frequentei, ou frequento, as coisas não são fáceis. Oito ou nove em cada dez tentativas de contacto redundam numa humilhação rápida mas brutal, perpetrada com uma mestria gelada por parte da mulher abordada. Grande parte delas são educadas e declinam qualquer inciativa com um sorriso e um pedido de desculpas, mas uma mancha significativa percebe o cheiro a sangue e não hesita em espezinhar o animal se assim puder. Trata-se de um jogo de poder, como em tantas outras coisas. Há quem não se intimide e mantenha uma postura ainda mais altiva em resposta. E normalmente essa afronta produz resultados, vá lá saber-se porquê...
Este tipo de informação é omnipresente. Olhamos á distância para aqueles que rodeiam o bar e não é difícil perceber a razão pela qual muitos não arriscam, ou desistem depois da primeira miserável tentativa. Há uma espécie de inacessibilidade, que não sei se é própria das metrópoles, através da qual as pessoas concluem coisas sem ouvir a primeira palavra, e onde não há compaixão ou simpatia para quem traz o que não foi pedido. Muitas mulheres partem do princípio que quem se lhes dirige traz logo uma espécie de carregador sexual a rebentar pelas costuras, ao passo que muitos dos idiotas que por acaso têm a sorte rara de ser abordados por uma mulher colocam-lhe uma etiqueta de mercadoria em saldo e passam á frente. Ou então por cima, se é que me faço entender.
As pessoas não se tentam conhecer. Há uma agenda muito clara, rituais impiedosos em que as forças são contantemente medidas, em que os tremendos esforços(, grande parte deles dispendidos em ginásios e coisas que tais,)para produzir o elixir corporal da atracção redundam apenas no gozo pela capacidade de exercer poder. Na noite as palavras que se trocam são as necessárias, e não as essenciais para comunicar.
Pode perceber-se a contenção e retraimento de uns, e a implacável gestão de proximidade de outras. O que não entende são as queixas mútuas de parte a parte, e o queixume quase murmurado de que é cada vez mais difícil conhecer alguém, especialmente na noite.
Eu posso ser parcial realmente, mas quem é que se quer arriscar a falar com alguém que muito provavelmente aproveitará a oportunidade para destruir aquele universo de coragem que foi necessário criar?
Como vos tinha dito, nunca entendi bem a noite. A cortina que separa os dois sexos, os jogos de poder, as atenções desejadas e descartadas, como marcas de presença numa caminhada rápida e longa. "Agora que já vi que me viste e quiseste, podes passar adiante", é a versão moderna do analogamente dizia Moliére.
Um dia destes vou sair à noite. Para ver como andam as coisas. Para me perceber da imobilidade de que são feitos locais onde as pessoas vão para se verem umas ás outras, mas que nunca comunicam entre si.
E se alguém me oferecer uma palavra, isso será o melhor impulso.
E uma surpresa, porque até gosto de conversar.
Para quem?
Se alguma vez acontecer, contar-vos-ei.
Mas não contem muito com isso...
Cartas a Sónia VII
A liberdade é o espaço e tempo para pensar. É a contemplação da beleza que para variar não nos foge, são os aromas de lugares desconhecidos em beijos de vento.
A liberdade é a pequena tristeza dispensada por cada segundo que nunca mais volta.
A liberdade são cinco dedos da tua mão, fechados sobre tudo o que é meu, ainda que não me ocorresse dar-to neste instante.
A liberdade é o espaço e tempo para pensar. É a contemplação da beleza que para variar não nos foge, são os aromas de lugares desconhecidos em beijos de vento.
A liberdade é a pequena tristeza dispensada por cada segundo que nunca mais volta.
A liberdade são cinco dedos da tua mão, fechados sobre tudo o que é meu, ainda que não me ocorresse dar-to neste instante.
"I find I'm so excited, I can barely sit still or hold a thought in my head. I think it the excitement only a free man can feel, a free man at the start of a long journey whose conclusion is uncertain. I hope I can make it across the border. I hope to see my friend, and shake his hand. I hope the Pacific is as blue as it has been in my dreams. I hope." - Red
E este é provavelmente o segundo...
E este é provavelmente o segundo...
I had always heard your entire life flashes in front of your eyes the second before you die. First of all, that one second isn't a second at all, it stretches forever, like an ocean of time. For me, it was lying on my back at Boy Scout Camp, watching falling stars. And yellow leaves, from the maple trees that lined our street. Or my grandmother's hands, and the way her skin seemed like paper. And the first time I saw my cousin Tony's brand new Firebird.
And Janie… and Janie.
And… Carolyn.
I guess I could be really pissed off about what happened to me, but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst. And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain. And I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life.
You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry…
you will someday. - Lester Burnham
Mais uma vez o meu momento de cinema preferido. Sem mais palavras...
And Janie… and Janie.
And… Carolyn.
I guess I could be really pissed off about what happened to me, but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst. And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain. And I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life.
You have no idea what I'm talking about, I'm sure. But don't worry…
you will someday. - Lester Burnham
Mais uma vez o meu momento de cinema preferido. Sem mais palavras...
segunda-feira, junho 21, 2004
Sim, conforme tinha dito, cá estou eu a morder a língua.
Portugal deu ontem uma demonstração de qualidade, classe, mas sobretudo, de vontade, de querer, de "ganas", sem querer ironizar em demasia com os nossos vizinhos e amigos espanhóis. E desde já devo dizer que as declarações dos jogadores espanhóis foram bastante diferentes das proferidas pela imprensa de Castela. Declarações elegantes, desportivas e sobretudo realistas. Portugal foi de facto melhor. Sim, melhor, jogou mais à bola, foi mais capaz, quis mais. E por muito que este léxico aparente andar afastado das bocas tugas, a verdade é que aqueles moços mostraram ontem como a vontade e o empenho simplesmente varrem cansaços e birras para longe. Que grande jogo de futebol.
Digo morder a língua porque eu fui um daqueles que disse que Portugal dificilmente passaria da primeira fase. Parecia-me haver demasiada desreponsabilização, demasiadas desculpas, fosse pela pressão, pelo ambiente, ou pelo estado da relva. O primeiro jogo parecia uma continuação da paupérrima campanha de preparação para esta competição. E com base nisto, julguei sinceramente que Portugal iria sujeitar-se a mais um rosário de desculpas e motivos aparentes ou factuais para explicar mais um desaire.
Para quem pratica e aprecia desporto há tanto tempo e apreende o conceito do que é a competitividade, embora em moldes muito mais modestos como é o meu caso, foi possível perceber a mudança de atitude, a entrega ao jogo e a urgência em dar um recital de habilidade e vontade. E quero eu pensar, de retribuição ao país, à sua manifesta e eterna simpatia e apoio.
Mordo a língua e tenho em mente que numa conjuntura tão complicada, o Euro será tão somente uma espécie de copo a mais numa sexta à noite depois da exaustão. Mas ainda assim, e na lógica contrária que tanto se propala por aí, há espaço para osesforços, os triunfos e para o gozo destes últimos. Esperemos que a nação esteja num caminho semelhante, em que aquilo que é importante venha a ser glorificado, após tantos esforços, para que o gozo de lograr as vitórias seja ainda maior pela derivação necessária de um merecimento colectivo.
Ontem à noite a taquicardia mostrou-me que o senso de pertença é de facto a mais instintiva das emoções. Aquela a que, aposto, ninguém está alheio, por muito que o professe. Os partidários da Neura 2004 também estão a pular, nem que seja um bocadinho, porque esta é a noção de identidade, de "nós", do conjunto que de alguma forma espero que preconize outra espécie de triunfos.
Olhem a Grécia. Supostamente à nossa frente, mas entre piscinas sem cobertura e infraestruturas simplesmente abandonadas, tudo lhes vai acontecendo.
A verdade é que dez estádios continuam a ser demasiados, que talvez o investimento que se faça em futebol no nosso país seja excessivo, que os verdadeiros problemas não se escondem por detrás de um sonho c0lectivo que se baseia simplesmente na magia de pertencer, de fazer parte, de partilhar. Ainda estamos em maus lençóis apesar de tudo.
Mas que diabo, deixem-nos saborear.
Mostrar que por uma vez, a vontade e humildade foram de facto a chave para que fossemos melhores.
Como podemos realmente ser.
Mordo a língua, e penalizo-me a mim mesmo por ter sido descrente. Nunca um acto de contrição me soube tão bem.
Viva Portugal!!!
Viva o país de bandeira à janela!
Portugal deu ontem uma demonstração de qualidade, classe, mas sobretudo, de vontade, de querer, de "ganas", sem querer ironizar em demasia com os nossos vizinhos e amigos espanhóis. E desde já devo dizer que as declarações dos jogadores espanhóis foram bastante diferentes das proferidas pela imprensa de Castela. Declarações elegantes, desportivas e sobretudo realistas. Portugal foi de facto melhor. Sim, melhor, jogou mais à bola, foi mais capaz, quis mais. E por muito que este léxico aparente andar afastado das bocas tugas, a verdade é que aqueles moços mostraram ontem como a vontade e o empenho simplesmente varrem cansaços e birras para longe. Que grande jogo de futebol.
Digo morder a língua porque eu fui um daqueles que disse que Portugal dificilmente passaria da primeira fase. Parecia-me haver demasiada desreponsabilização, demasiadas desculpas, fosse pela pressão, pelo ambiente, ou pelo estado da relva. O primeiro jogo parecia uma continuação da paupérrima campanha de preparação para esta competição. E com base nisto, julguei sinceramente que Portugal iria sujeitar-se a mais um rosário de desculpas e motivos aparentes ou factuais para explicar mais um desaire.
Para quem pratica e aprecia desporto há tanto tempo e apreende o conceito do que é a competitividade, embora em moldes muito mais modestos como é o meu caso, foi possível perceber a mudança de atitude, a entrega ao jogo e a urgência em dar um recital de habilidade e vontade. E quero eu pensar, de retribuição ao país, à sua manifesta e eterna simpatia e apoio.
Mordo a língua e tenho em mente que numa conjuntura tão complicada, o Euro será tão somente uma espécie de copo a mais numa sexta à noite depois da exaustão. Mas ainda assim, e na lógica contrária que tanto se propala por aí, há espaço para osesforços, os triunfos e para o gozo destes últimos. Esperemos que a nação esteja num caminho semelhante, em que aquilo que é importante venha a ser glorificado, após tantos esforços, para que o gozo de lograr as vitórias seja ainda maior pela derivação necessária de um merecimento colectivo.
Ontem à noite a taquicardia mostrou-me que o senso de pertença é de facto a mais instintiva das emoções. Aquela a que, aposto, ninguém está alheio, por muito que o professe. Os partidários da Neura 2004 também estão a pular, nem que seja um bocadinho, porque esta é a noção de identidade, de "nós", do conjunto que de alguma forma espero que preconize outra espécie de triunfos.
Olhem a Grécia. Supostamente à nossa frente, mas entre piscinas sem cobertura e infraestruturas simplesmente abandonadas, tudo lhes vai acontecendo.
A verdade é que dez estádios continuam a ser demasiados, que talvez o investimento que se faça em futebol no nosso país seja excessivo, que os verdadeiros problemas não se escondem por detrás de um sonho c0lectivo que se baseia simplesmente na magia de pertencer, de fazer parte, de partilhar. Ainda estamos em maus lençóis apesar de tudo.
Mas que diabo, deixem-nos saborear.
Mostrar que por uma vez, a vontade e humildade foram de facto a chave para que fossemos melhores.
Como podemos realmente ser.
Mordo a língua, e penalizo-me a mim mesmo por ter sido descrente. Nunca um acto de contrição me soube tão bem.
Viva Portugal!!!
Viva o país de bandeira à janela!
sexta-feira, junho 18, 2004
Não deve ser novidade para ninguém, mas não sentem por vezes quem a vida nos escapa por entre os dedos? Que o controlo fixado pelas nossas afirmadas capacidades racionais perde-se numa espécie de expectativa perene?
Que os esforços que de alguma forma evidenciamos para resolver os problemas e as alternâncias de estados de alma nada significam, como se tudo não passasse de uma aleatoriedade feitas de humores alternativos e voláteis?
Sempre recusei aceitar um papel determinativo nas questões da sorte, do acaso feliz, ou o que o queiram chamar. A verdade é que sempre pensei que a aleatoriedade podia combater-se com a firmeza mantida em duas ou três coisas.
Mas depois evoluímos, crescemos, maturamos aquilo que sentimos. Perdemos o destemor perante as alternativas. O mundo ainda é feito de escolhas, mas as preferências solidificaram-se. Há uma consciência muito maior do caminho a seguir.
E é precisamente isto que parece não chegar. É isto que fundamenta o esforço feito e as opções tomadas. E ainda assim, a relação causa-efeito é uma possibilidade, e não um ansiado axioma.
Que os esforços que de alguma forma evidenciamos para resolver os problemas e as alternâncias de estados de alma nada significam, como se tudo não passasse de uma aleatoriedade feitas de humores alternativos e voláteis?
Sempre recusei aceitar um papel determinativo nas questões da sorte, do acaso feliz, ou o que o queiram chamar. A verdade é que sempre pensei que a aleatoriedade podia combater-se com a firmeza mantida em duas ou três coisas.
Mas depois evoluímos, crescemos, maturamos aquilo que sentimos. Perdemos o destemor perante as alternativas. O mundo ainda é feito de escolhas, mas as preferências solidificaram-se. Há uma consciência muito maior do caminho a seguir.
E é precisamente isto que parece não chegar. É isto que fundamenta o esforço feito e as opções tomadas. E ainda assim, a relação causa-efeito é uma possibilidade, e não um ansiado axioma.
terça-feira, junho 15, 2004
Bem, são simpáticos os moços.
I am an Intellectual

Which America Hating Minority Are You?
Take More Robert & Tim Quizzes
Watch Robert & Tim Cartoons

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Para mim, no momento presente, o mais belo e intenso rosto do cinema. Porque para além da estonteante beleza da forma, está um olhar que simplesmente não se aprende, nem se simula. Um olhar arrasadoramente humano, preso entre uma sensualidade inevitável e um calor perscrutador.
A natureza tem destas obras.
O problema do pessimismo é que assenta numa lógica de continuidade descendente. Pressupõe um chão, um fim, uma lógica terminal e destrutiva que em última instância se transforma em niilismo.
Já o optimismo cresce, voa, seja quimera, mitologia ou simples ingenuidade parcial, tem os céus e o espaço para ganhar, e está associado ao sonho. Tem sempre espaço para onde crescer. ainda que só se imagine.
O optimismo pode não ter qualquer efeito prático, mas o pessimimo só contraria essa ideia numa única caracteristica. Um efeito de contracção da realidade até que ela acabe por implodir.
É por isso que até me rio com os cínicos, mas não gosto muito deles. Sempre desconfiei de pessoas que supostamente alardeam uma horrível finitude como sinónimo da ordem das coisas, e no entanto não se revêm completamente nela.
Mais valem os sonhos, por mais insubstancias que possam ser.
Já o optimismo cresce, voa, seja quimera, mitologia ou simples ingenuidade parcial, tem os céus e o espaço para ganhar, e está associado ao sonho. Tem sempre espaço para onde crescer. ainda que só se imagine.
O optimismo pode não ter qualquer efeito prático, mas o pessimimo só contraria essa ideia numa única caracteristica. Um efeito de contracção da realidade até que ela acabe por implodir.
É por isso que até me rio com os cínicos, mas não gosto muito deles. Sempre desconfiei de pessoas que supostamente alardeam uma horrível finitude como sinónimo da ordem das coisas, e no entanto não se revêm completamente nela.
Mais valem os sonhos, por mais insubstancias que possam ser.
It is death, it is death, it is life, it is life; this is the man who enabled me to live as I climb up step by step toward sunlight!!!
Este pedaço magnífico de texto constitui o conjunto de palavras que são entoadas no "Haka" dos All Blacks, cantado obviamente em Maori.
Aqui se demonstra como a sabedoria popular e a transmissão de conhecimento e arte através da mitologia, como no caso dos Gregos, é capaz de coisas fantásticas, de uma beleza tão suave como paradoxalmente marcante e inolvidável. E quem já viu um Haka, sabe o quanto impressiona.
Para mim, depois de ver o filme de Nikki Karo, estes fenómenos ganharam outra dimensão...
Este pedaço magnífico de texto constitui o conjunto de palavras que são entoadas no "Haka" dos All Blacks, cantado obviamente em Maori.
Aqui se demonstra como a sabedoria popular e a transmissão de conhecimento e arte através da mitologia, como no caso dos Gregos, é capaz de coisas fantásticas, de uma beleza tão suave como paradoxalmente marcante e inolvidável. E quem já viu um Haka, sabe o quanto impressiona.
Para mim, depois de ver o filme de Nikki Karo, estes fenómenos ganharam outra dimensão...
Vou utilizar um truque velho para o aumento das visitas, no sentido de mascarar a falta de interesse evidente.
Pode dizer-se que é um truque à TVI, ou à "Zé" Eduardo Moniz...
Só para ver o que acontece. Lá vai...
Marisa Cruz
Rabos
Mamas
Euro 2004
Selecção Nacional
Bola
Futebol
Casa Pia
Sexo
Explícito
Beckham
E para abrandar:
Lorenz
Poe
Gomez
Pikea
DBC Pierre
É que um tipo pode vender-se, mas não completamente, que diabo...
Pode dizer-se que é um truque à TVI, ou à "Zé" Eduardo Moniz...
Só para ver o que acontece. Lá vai...
Marisa Cruz
Rabos
Mamas
Euro 2004
Selecção Nacional
Bola
Futebol
Casa Pia
Sexo
Explícito
Beckham
E para abrandar:
Lorenz
Poe
Gomez
Pikea
DBC Pierre
É que um tipo pode vender-se, mas não completamente, que diabo...
segunda-feira, junho 14, 2004
Portugal-1 Grécia-2
O eterno problema das expectativas, talvez o início da prova de que todo o investimento que se faz em futebol no nosso país tarda em mostrar o retorno necessário. Bem sei que cada vez que digo isto, levo com a campanha vitoriosa do Porto. É verdade, e faço aqui o acto de contricção, mas dois anos de preparação e um treinador de 60.000 contos mês para uma exibição tão fraquinha merecem pelo menos uma reflexão.
Obviamente que não estou vacinado contra a "tugamania", e roí as unhas e praguejei como toda a gente ao ver aquele jogo de inauguração. E sim, tenho esperança que a malta vai arrepiar caminho e mostrar a qualidade que obviamente tem.
Simplesmente gostaria de dizer que não esperava por algo como isto, mas não posso.
Gostaria muito que assim não fosse, mas a minha primeira impressão, muito antes de começar o Europeu e na altura em que andámos a levar sarabandas nos jogos de preparação, é que dificilmente passaremos da primeira fase.
Espero que na quinta feira esteja aqui a morder a lingua, e que eles me provem errado. Seria o melhor acto de contricção que fiz até hoje, sinceramente...
O eterno problema das expectativas, talvez o início da prova de que todo o investimento que se faz em futebol no nosso país tarda em mostrar o retorno necessário. Bem sei que cada vez que digo isto, levo com a campanha vitoriosa do Porto. É verdade, e faço aqui o acto de contricção, mas dois anos de preparação e um treinador de 60.000 contos mês para uma exibição tão fraquinha merecem pelo menos uma reflexão.
Obviamente que não estou vacinado contra a "tugamania", e roí as unhas e praguejei como toda a gente ao ver aquele jogo de inauguração. E sim, tenho esperança que a malta vai arrepiar caminho e mostrar a qualidade que obviamente tem.
Simplesmente gostaria de dizer que não esperava por algo como isto, mas não posso.
Gostaria muito que assim não fosse, mas a minha primeira impressão, muito antes de começar o Europeu e na altura em que andámos a levar sarabandas nos jogos de preparação, é que dificilmente passaremos da primeira fase.
Espero que na quinta feira esteja aqui a morder a lingua, e que eles me provem errado. Seria o melhor acto de contricção que fiz até hoje, sinceramente...
A morte do Prof Sousa Franco apanha-nos de surpresa e deixa-nos sem reacção. Acontece a meio de uma escaramuça por poder local, obviamente incitada pelos lideres das facções em causa. No fundo, em meio a um pano de fundo pouco digno, julgo eu.
Foi meu professor, e embora não fosse muito adepto da sua lógica pedagógica, é impossível reconhecer a enorme capacidade deste professor universitário que morre de forma inesperada e terrível.
Aqui, também o meu voto de consternação e pesar.
A morte a mim parece-me sempre uma traição... não sei bem porquê.
Foi meu professor, e embora não fosse muito adepto da sua lógica pedagógica, é impossível reconhecer a enorme capacidade deste professor universitário que morre de forma inesperada e terrível.
Aqui, também o meu voto de consternação e pesar.
A morte a mim parece-me sempre uma traição... não sei bem porquê.
quarta-feira, junho 09, 2004
E pronto...
Lá se foi o Rock In Rio.
Lá vem o Euro, e as Europeias.
E é destes dois gigantescos detalhes que depende o real rumo do país daqui em diante.
Ah, e a resolução dos escandalos de corrupção e pedofilia, claro...
Agora imagine-se que a selecção não tem uma boa campanha, que a tendência política do país muda significativamente e que não existem condenações nos casos da Casa Pia ou Apito Dourado?
Quem é que irá apanhar os cacos do país que restará?
Lá se foi o Rock In Rio.
Lá vem o Euro, e as Europeias.
E é destes dois gigantescos detalhes que depende o real rumo do país daqui em diante.
Ah, e a resolução dos escandalos de corrupção e pedofilia, claro...
Agora imagine-se que a selecção não tem uma boa campanha, que a tendência política do país muda significativamente e que não existem condenações nos casos da Casa Pia ou Apito Dourado?
Quem é que irá apanhar os cacos do país que restará?
Não há comentários perante uma notícia como esta.
Só gostava de saber é como é possível que hajam pessoas que consigam efectuar uma simples sinapse neuronal e que ainda apoiem esta administração do idiota da aldeia global. Um idiota perigoso, o que é pior...
Mas até onde é que pode ir a evidência????
Como é que alguém consegue refutar uma coisa destas????
Relatório de juristas da Casa Branca
Presidente dos EUA não está vinculado às leis internacionais sobre tortura - In Público de 7-06-2004
AFP, Reuters
Juristas da Casa Branca consideram que o Presidente dos EUA não está vinculado às leis internacionais sobre a tortura quando está em causa o interesse supremo do país. Portanto, e segundo estas opiniões, os militares americanos envolvidos no escândalo dos abusos contra detidos iraquianos não podem ser acusados judicialmente se tiverem cumprido ordens do próprio George W. Bush.
Segundo o relatório confidencial, citado na edição de hoje do "Wall Street Journal", o Presidente dos EUA "dispõe de poderes virtualmente ilimitados para conduzir uma guerra como entender, sem que o Congresso, os tribunais ou as leis internacionais possam interferir". Como chefe supremo das forças armadas, o Presidente tem, de acordo com o texto, poderes para aprovar quase todas as acções físicas e psicológicas a usar durante interrogatórios.
O documento considera que os agentes do Governo de Washington que torturaram prisioneiros em obediência a ordens do Presidente não podem ser acusados nem processados. Por outro lado, esses agentes podem sempre argumentar terem tido de recorrer a métodos de tortura para obterem informações susceptíveis de impedirem atentados terroristas.
O grupo de peritos do Pentágono (juristas civis e militares) elaborou o relatório — que questiona os meios de contornar as leis americanas, bem como as convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra — em Março de 2003, a ordens do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que, por sua vez, tinha recebido um pedido por parte dos responsáveis pelo campo de detenção da base americana de Guantanamo (Cuba). Os responsáveis queixavam-se de não conseguirem, através dos métodos convencionais, retirar muitas informações dos prisioneiros, essencialmente combatentes afegãos e taliban, presos sem julgamento desde a guerra do Afeganistão.
As organizações de defesa dos direitos humanos têm denunciado a situação de Guantanamo, acusando as autoridades dos EUA de não facilitarem o acesso aos detidos ou destes a um advogado. Os EUA têm rebatido com o argumento de que sempre defenderam e agiram conforme às convenções de Genebra, tratando os prisioneiros de guerra humanamente.
Segundo o "Wall Street Journal", desconhece-se se Bush terá alguma vez lido ou tomado conhecimento do relatório. Uma fonte do Pentágono citada pelo jornal americano reconhece que alguns dos peritos consultados colocaram objecções a alguns dos métodos de interrogatório sugeridos, mas acabaram por assinar o documento, em Abril de 2003, pouco depois da ofensiva liderada por Washington contra o Iraque ter começado.
Só gostava de saber é como é possível que hajam pessoas que consigam efectuar uma simples sinapse neuronal e que ainda apoiem esta administração do idiota da aldeia global. Um idiota perigoso, o que é pior...
Mas até onde é que pode ir a evidência????
Como é que alguém consegue refutar uma coisa destas????
Relatório de juristas da Casa Branca
Presidente dos EUA não está vinculado às leis internacionais sobre tortura - In Público de 7-06-2004
AFP, Reuters
Juristas da Casa Branca consideram que o Presidente dos EUA não está vinculado às leis internacionais sobre a tortura quando está em causa o interesse supremo do país. Portanto, e segundo estas opiniões, os militares americanos envolvidos no escândalo dos abusos contra detidos iraquianos não podem ser acusados judicialmente se tiverem cumprido ordens do próprio George W. Bush.
Segundo o relatório confidencial, citado na edição de hoje do "Wall Street Journal", o Presidente dos EUA "dispõe de poderes virtualmente ilimitados para conduzir uma guerra como entender, sem que o Congresso, os tribunais ou as leis internacionais possam interferir". Como chefe supremo das forças armadas, o Presidente tem, de acordo com o texto, poderes para aprovar quase todas as acções físicas e psicológicas a usar durante interrogatórios.
O documento considera que os agentes do Governo de Washington que torturaram prisioneiros em obediência a ordens do Presidente não podem ser acusados nem processados. Por outro lado, esses agentes podem sempre argumentar terem tido de recorrer a métodos de tortura para obterem informações susceptíveis de impedirem atentados terroristas.
O grupo de peritos do Pentágono (juristas civis e militares) elaborou o relatório — que questiona os meios de contornar as leis americanas, bem como as convenções de Genebra sobre o tratamento de prisioneiros de guerra — em Março de 2003, a ordens do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que, por sua vez, tinha recebido um pedido por parte dos responsáveis pelo campo de detenção da base americana de Guantanamo (Cuba). Os responsáveis queixavam-se de não conseguirem, através dos métodos convencionais, retirar muitas informações dos prisioneiros, essencialmente combatentes afegãos e taliban, presos sem julgamento desde a guerra do Afeganistão.
As organizações de defesa dos direitos humanos têm denunciado a situação de Guantanamo, acusando as autoridades dos EUA de não facilitarem o acesso aos detidos ou destes a um advogado. Os EUA têm rebatido com o argumento de que sempre defenderam e agiram conforme às convenções de Genebra, tratando os prisioneiros de guerra humanamente.
Segundo o "Wall Street Journal", desconhece-se se Bush terá alguma vez lido ou tomado conhecimento do relatório. Uma fonte do Pentágono citada pelo jornal americano reconhece que alguns dos peritos consultados colocaram objecções a alguns dos métodos de interrogatório sugeridos, mas acabaram por assinar o documento, em Abril de 2003, pouco depois da ofensiva liderada por Washington contra o Iraque ter começado.
quarta-feira, junho 02, 2004
A noção de triunfo pessoal radica numa lógica necessariamente comparativa. No universo da meritocracia contemporânea, as pressões deixam de ser exclusivamente económicas para se tornarem uma espécie de selo identificativo. Há uma expectativa relativa aos elementos objectivos da vida de cada um, uma espécie de verificação de galões, de desejo de identificação. No fundo, há um retorno à lógica de confronto de expectativas versus a panóplia de façanhas. E mais notório ainda, é como isso cresce dentro de nós, como as exigências se tornam autocráticas para o próprio. No fundo, encontrar o caminho é complicado, e não ter uma noção clara de que caminho é esse acaba por ser uma reformulação do conceito de pecado social, mas mais de dentro para fora do que o oposto.
E depois há a vida pessoal. Aquela que assenta no que provavelmente justifica as nossas andanças por aqui enquanto espirito finito. Há, e já dizia DAvid Kelley, uma convicção de que a nossa vida pessoal cuida de si mesma. Que é um direito adquirido e que acaba por materializar-se mais cedo ou mais tarde, porque a função social objectivo-produtiva está cumprida.O tempo é queimado sem piedade, os livros ficam por ler e as cores do dia por ver. Aguarda-se pela compaixão emocional dos que nos amam porque está craida a convicção de que essa é uma obrigação que veio com a embalagem. A de fixar uma afeição e depois simplesmente lidar com ela num reforço de intenção, e cada vez menos de facto.
Mas a verdade é que sendo a depressão e as doenças mentais a praga social do século, associada à galopante transformação do modelo social, esta teoria mostra as suas fraquezas e incoerências. Mostra a tristeza mal escondida de quem está a ser empurrado mas simula uma marcha volitiva entusiástica. Há demasiados ecos de Huxley e Orwell neste cenário.Ou mais Darwin que Lorenz, sei lá...
A nossa interacção afectiva com o mundo que nos rodeia não é um luxo. As emoções podem ficar esquecidas até um certo ponto, mas cedo ou tarde cobram a sua parte. E fazem-nos de forma quieta. É complicado pensar que pode não haver amor para todos aí fora. Que não há necessariamente um texto para cada panela, que as pessoas podem efectivamente encontrar-se mais por necessidade de resistência que por uma qualquer epifania afectiva. Sinceramente, o crescimento das taxas de separação entre as pessoas ( dizer só divórcios é redutor), para mim, assenta nesta premissa. São dois focos de pressão. Não há milagres.
Talvez julguem que estou a ser pessimista, mas pelo contrário. A minha ideia é bem simples. A resistência verificada é que fornece um gozo na esperança a que cada um de nós se pode permitir. Pelo menos no meu caso. Amor e quejandos acontecem, felizmente. Mas não é a sobrevivência objectiva que garante a sua existência, e muito menos um direito a esta.
Preparar o futuro tem mais que um significado...
A mim , no fundo, falta-me fazer o caminho inverso, julgo eu.
E depois há a vida pessoal. Aquela que assenta no que provavelmente justifica as nossas andanças por aqui enquanto espirito finito. Há, e já dizia DAvid Kelley, uma convicção de que a nossa vida pessoal cuida de si mesma. Que é um direito adquirido e que acaba por materializar-se mais cedo ou mais tarde, porque a função social objectivo-produtiva está cumprida.O tempo é queimado sem piedade, os livros ficam por ler e as cores do dia por ver. Aguarda-se pela compaixão emocional dos que nos amam porque está craida a convicção de que essa é uma obrigação que veio com a embalagem. A de fixar uma afeição e depois simplesmente lidar com ela num reforço de intenção, e cada vez menos de facto.
Mas a verdade é que sendo a depressão e as doenças mentais a praga social do século, associada à galopante transformação do modelo social, esta teoria mostra as suas fraquezas e incoerências. Mostra a tristeza mal escondida de quem está a ser empurrado mas simula uma marcha volitiva entusiástica. Há demasiados ecos de Huxley e Orwell neste cenário.Ou mais Darwin que Lorenz, sei lá...
A nossa interacção afectiva com o mundo que nos rodeia não é um luxo. As emoções podem ficar esquecidas até um certo ponto, mas cedo ou tarde cobram a sua parte. E fazem-nos de forma quieta. É complicado pensar que pode não haver amor para todos aí fora. Que não há necessariamente um texto para cada panela, que as pessoas podem efectivamente encontrar-se mais por necessidade de resistência que por uma qualquer epifania afectiva. Sinceramente, o crescimento das taxas de separação entre as pessoas ( dizer só divórcios é redutor), para mim, assenta nesta premissa. São dois focos de pressão. Não há milagres.
Talvez julguem que estou a ser pessimista, mas pelo contrário. A minha ideia é bem simples. A resistência verificada é que fornece um gozo na esperança a que cada um de nós se pode permitir. Pelo menos no meu caso. Amor e quejandos acontecem, felizmente. Mas não é a sobrevivência objectiva que garante a sua existência, e muito menos um direito a esta.
Preparar o futuro tem mais que um significado...
A mim , no fundo, falta-me fazer o caminho inverso, julgo eu.
Absolutamente Assombroso...
Charlize Theron,apesar de fazer um papel exceelente, não mostrou, em meu ver, a magia desta menina. O Dvd tem, nos seus conteúdos, a audição de Keisha Castle-Hughes, e deixem-me que vos diga que é de sentir arrepios na pele. É talento destilado, puro, incontido. As intervenções dela mostram uma maturidade ternurenta que vai muito para além dos seus tenros anos, e a antevisão do que provavelmente será uma mulher de estarrecer, em todos os sentidos possíveis.
A história é maravilhosa. A realização de Nikki Karo é tocante e inspirada. a música um absoluto deleite. E não há aquele pessimismo trade mark próprio de muita da cultura de hoje.
Vi ontem que o Óscar de melhor actriz foi mal atribuído, na minha modesta opinião.
Vejam o quanto antes...
Charlize Theron,apesar de fazer um papel exceelente, não mostrou, em meu ver, a magia desta menina. O Dvd tem, nos seus conteúdos, a audição de Keisha Castle-Hughes, e deixem-me que vos diga que é de sentir arrepios na pele. É talento destilado, puro, incontido. As intervenções dela mostram uma maturidade ternurenta que vai muito para além dos seus tenros anos, e a antevisão do que provavelmente será uma mulher de estarrecer, em todos os sentidos possíveis.
A história é maravilhosa. A realização de Nikki Karo é tocante e inspirada. a música um absoluto deleite. E não há aquele pessimismo trade mark próprio de muita da cultura de hoje.
Vi ontem que o Óscar de melhor actriz foi mal atribuído, na minha modesta opinião.
Vejam o quanto antes...
sexta-feira, maio 28, 2004
A BOA FÉ...
Realmente não há limites para a vergonha e a palhaçada. É impressionante como se consegue verificar onde está a má e a boa fé.
O imbecil e caduco Figueiredo Lopes, que faz lembrar aqueles professores da Faculdade de Direito perdidos na sua retórica cambaleante e jurássica, vem agora dizer que os inspectores não têm qualquer crédito sobre o Estado relativamente aos 2,7 milhões de Euros de horas extraordinárias.
Ou seja, verifica-se uma posição de responsabilidade e brio para com a situação do país em ocasiões tão importantes como o Rock in Rio e o Euro, cancelando-se as greves previstas para estes eventos, o que me pareceu acertado. E depois desta prova de sentido de estado e serviço ao país, o governo, mais propriamente o Ministério do inenarrável Figueiredo Lopes vem dizer que nada devem aos inspectores do SEF.
Os profissionais ameaçam retomar as greves, e sinceramente, onde raios é que está a argumentação para retirar-lhes a razão que lhes assiste? Depois de uma prova de profissionalismo, o Governo ainda lhes tenta impingir que o melhor que têm a fazer é portarem-se bem porque não têm direito a um chavo. Será que face a esta vergonhosa actuação do MAI, ainda subsistem as críticas aos profissionais do SEF se decidirem reactivar o protesto?
Afinal de contas, quem é que mostrou a má fé?
Figueiredo Lopes não só é remodelável comó é uma espécie de campo minado político com pernas.
Uma absoluta vergonha.
Antes questionava a justeza da greve, porque parecia deixar o país numa situação complicada e insustentável devido ás solicitações. Neste momento não restam dúvidas que andam a brincar com estes profissionais, e como tal, se a greve for adiante, penso que a razão começa a assistir-lhes.
Até quando é que continuarão as asneiras initerruptas de parte significativa deste executivo. Ou também vão tapar esta com a manta do défice, que por sua vez tem excepções curiosas para o BCP e afins....
Realmente não há limites para a vergonha e a palhaçada. É impressionante como se consegue verificar onde está a má e a boa fé.
O imbecil e caduco Figueiredo Lopes, que faz lembrar aqueles professores da Faculdade de Direito perdidos na sua retórica cambaleante e jurássica, vem agora dizer que os inspectores não têm qualquer crédito sobre o Estado relativamente aos 2,7 milhões de Euros de horas extraordinárias.
Ou seja, verifica-se uma posição de responsabilidade e brio para com a situação do país em ocasiões tão importantes como o Rock in Rio e o Euro, cancelando-se as greves previstas para estes eventos, o que me pareceu acertado. E depois desta prova de sentido de estado e serviço ao país, o governo, mais propriamente o Ministério do inenarrável Figueiredo Lopes vem dizer que nada devem aos inspectores do SEF.
Os profissionais ameaçam retomar as greves, e sinceramente, onde raios é que está a argumentação para retirar-lhes a razão que lhes assiste? Depois de uma prova de profissionalismo, o Governo ainda lhes tenta impingir que o melhor que têm a fazer é portarem-se bem porque não têm direito a um chavo. Será que face a esta vergonhosa actuação do MAI, ainda subsistem as críticas aos profissionais do SEF se decidirem reactivar o protesto?
Afinal de contas, quem é que mostrou a má fé?
Figueiredo Lopes não só é remodelável comó é uma espécie de campo minado político com pernas.
Uma absoluta vergonha.
Antes questionava a justeza da greve, porque parecia deixar o país numa situação complicada e insustentável devido ás solicitações. Neste momento não restam dúvidas que andam a brincar com estes profissionais, e como tal, se a greve for adiante, penso que a razão começa a assistir-lhes.
Até quando é que continuarão as asneiras initerruptas de parte significativa deste executivo. Ou também vão tapar esta com a manta do défice, que por sua vez tem excepções curiosas para o BCP e afins....
quinta-feira, maio 27, 2004
terça-feira, maio 25, 2004
segunda-feira, maio 24, 2004
O dia a dia de blogs e mesmo diálogos entre as pessoas assenta numa espécie de ritual reiterado. Vejo que todos se preocupam com o que muitos, ou alguns dizem, com a situação do mundo, com aquilo que acontece perante os nosso olhos e para o qual ninguém encontra uma explicação que se assemelhe minimamente a algo racional. Basta pensar na situação do Médio Oriente, a negação da Disney em distribuir o filme de Michael Moore ( que segundo dizem é o seu melhor e acerta na mouche ainda mais que em outras ocasiões), o discurso de Durão Barroso no congresso ( no qual deve ter falado de um país que não o nosso com certeza), e por aí fora.
Mas pergunto-me o que se passa com as realidades quotidianas. O espaço pessoal, o amor, os problemas da atracção, os enigmas da amizade diária e solícita. Onde andam as coisas que realmente preocupam as pessoas no seu dia a dia quando desligam o interruptor da análise macro? As idiossincrasias de personalidade, a vida em minutos que constitui a maioria das questões que o dia desperto realmente nos coloca?
Bem sei que quem ler isto julgar-me-à ingénuo ou mesmo infantil, mas a verdade é que não é somente a codificação civico/política que domina o passo dos meus dias. Existem os outros e depois ando cá eu. E há tanto para perguntar que não tem base documental, pelo menos estricta...
Desculpem lá...
Mas pergunto-me o que se passa com as realidades quotidianas. O espaço pessoal, o amor, os problemas da atracção, os enigmas da amizade diária e solícita. Onde andam as coisas que realmente preocupam as pessoas no seu dia a dia quando desligam o interruptor da análise macro? As idiossincrasias de personalidade, a vida em minutos que constitui a maioria das questões que o dia desperto realmente nos coloca?
Bem sei que quem ler isto julgar-me-à ingénuo ou mesmo infantil, mas a verdade é que não é somente a codificação civico/política que domina o passo dos meus dias. Existem os outros e depois ando cá eu. E há tanto para perguntar que não tem base documental, pelo menos estricta...
Desculpem lá...
The Eternal Sunshine of the Spotless Mind.
Confesso que de Alexander Pope pouco conhecia, à parte das máximas que conhecidas mas que nem sequer sabia lhe pertencerem, tais como "Fools rush in where Angels fear to tread." ou "To err is human, to forgive is divine."
Li umas poucas coisas acerca da sua vida e percebi que se tratava de um fervoroso e satírico homem de letras, carcomido pela doença e mal estar físico. As enfermidades relacionadas com a Tuberculose fizeram com que este poeta não chegasse sequer ao metro e meio, além de padecer de dores frequentes. Além de poeta era tradutor, tendo efectuado uma monumental tradução da Odisseia de Homero em seis volumes.
Mas é o seu poema "Eloisa to Abelard" que é evocado no filme referido no título que me chamou á atenção. Aliás, o filme inteiro, a temática, a personagem de Clementine e toda a abordagem ao amor, aos seus contributos para a psique e o poder imenso da memória enquanto a riqueza que permanece realmente, já que o prazer e a vivência existem em momentos curtos e electrizantes.
Michael Gondry é responsável, em meu ver, por um magnífico truque de magia, reinventando, por um lado, e mencionado por outro, uma dimensão real, dura, mas tremendamente ternurenta do amor enquanto fenómeno que, bem vistas as coisas, até inconscientemente nos condiciona.
Clementine é uma pérola de argumento, de história, de um certo imaginário masculino, o meu pelo menos. É um caos maravilhosamente controlado, temível, mas ao mesmo tempo com a dimensão terrena que não a coloca naquele patamar daqueles que constituem a nossa imaginação e nunca o toque terreno. Aliás, é ela própria que se desmistifica em jeito de aviso rodoviário. Mas, para mim, permanece uma evocação aquela qualidade de seres que nunca permite que a vida tenha a última palavra.
A realização é feita a retalho, como um puzzle que se vai construindo passo a passo, de trás para a frente. No fundo, todo o filme parece um sonho, feito das suas efemeridades e momento etéreos, mas com uma enorme vantagem. Quando acordamos vemos que o objecto fixo pelo nosso inconsciente está lá, e que a memória guarde aquilo que feliz e realmente aconteceu.
"The Eternal Sunshine of the Spotless Mind", traduzido para "Despertas da Mente" ( ok, podia ser pior, como geralmente é...) é para mim a mais magnífica história de amor que vi filmada nos ultimos tempos. É impressionante como Kauffman consegue dar uma visão pungente e tocante do amor, sem cair por um segundo que seja na tentação do sentimentalismo.
Maravilhoso. Nos ultimos tempos, só o filme "Big Fish" de Tim Burton me emocionou mais, talvez pelo facto de que a figura paterna e cheia de histórias me diz tanto.
Mas se tinha gostado de Adaptation, tiro o meu chapéu a esta história de Kauffman. Uma absoluta pérola.
Confesso que de Alexander Pope pouco conhecia, à parte das máximas que conhecidas mas que nem sequer sabia lhe pertencerem, tais como "Fools rush in where Angels fear to tread." ou "To err is human, to forgive is divine."
Li umas poucas coisas acerca da sua vida e percebi que se tratava de um fervoroso e satírico homem de letras, carcomido pela doença e mal estar físico. As enfermidades relacionadas com a Tuberculose fizeram com que este poeta não chegasse sequer ao metro e meio, além de padecer de dores frequentes. Além de poeta era tradutor, tendo efectuado uma monumental tradução da Odisseia de Homero em seis volumes.
Mas é o seu poema "Eloisa to Abelard" que é evocado no filme referido no título que me chamou á atenção. Aliás, o filme inteiro, a temática, a personagem de Clementine e toda a abordagem ao amor, aos seus contributos para a psique e o poder imenso da memória enquanto a riqueza que permanece realmente, já que o prazer e a vivência existem em momentos curtos e electrizantes.
Michael Gondry é responsável, em meu ver, por um magnífico truque de magia, reinventando, por um lado, e mencionado por outro, uma dimensão real, dura, mas tremendamente ternurenta do amor enquanto fenómeno que, bem vistas as coisas, até inconscientemente nos condiciona.
Clementine é uma pérola de argumento, de história, de um certo imaginário masculino, o meu pelo menos. É um caos maravilhosamente controlado, temível, mas ao mesmo tempo com a dimensão terrena que não a coloca naquele patamar daqueles que constituem a nossa imaginação e nunca o toque terreno. Aliás, é ela própria que se desmistifica em jeito de aviso rodoviário. Mas, para mim, permanece uma evocação aquela qualidade de seres que nunca permite que a vida tenha a última palavra.
A realização é feita a retalho, como um puzzle que se vai construindo passo a passo, de trás para a frente. No fundo, todo o filme parece um sonho, feito das suas efemeridades e momento etéreos, mas com uma enorme vantagem. Quando acordamos vemos que o objecto fixo pelo nosso inconsciente está lá, e que a memória guarde aquilo que feliz e realmente aconteceu.
"The Eternal Sunshine of the Spotless Mind", traduzido para "Despertas da Mente" ( ok, podia ser pior, como geralmente é...) é para mim a mais magnífica história de amor que vi filmada nos ultimos tempos. É impressionante como Kauffman consegue dar uma visão pungente e tocante do amor, sem cair por um segundo que seja na tentação do sentimentalismo.
Maravilhoso. Nos ultimos tempos, só o filme "Big Fish" de Tim Burton me emocionou mais, talvez pelo facto de que a figura paterna e cheia de histórias me diz tanto.
Mas se tinha gostado de Adaptation, tiro o meu chapéu a esta história de Kauffman. Uma absoluta pérola.
Mais uma vítima dos reality shows...
Nem vou comentar os reality shows que, para mim, representam o toque no mais baixo a que a televisão alguma vez chegou. A palavra exploração é um eufemismo demasiado brando para esta espécie maldita de entretenimento.
Mas parece que deixa mais marcas.
Em suma, ou reaparecem Seinfelds, Frasiers, Macbeals, etc, etc, ou as quecas debaixo de edredons de padrões discutíveis serão o padrão pelo qual a qualidade televisiva( se é que tal conceito existe) é medida.
Ao menos sejam honestos e tirem o cobertor da frente...
Nem vou comentar os reality shows que, para mim, representam o toque no mais baixo a que a televisão alguma vez chegou. A palavra exploração é um eufemismo demasiado brando para esta espécie maldita de entretenimento.
Mas parece que deixa mais marcas.
Em suma, ou reaparecem Seinfelds, Frasiers, Macbeals, etc, etc, ou as quecas debaixo de edredons de padrões discutíveis serão o padrão pelo qual a qualidade televisiva( se é que tal conceito existe) é medida.
Ao menos sejam honestos e tirem o cobertor da frente...
sexta-feira, maio 21, 2004
quarta-feira, maio 19, 2004
A lógica que implica que algo como um blog seja diário é inamovível. Mas o tempo que há é o tempo que temos, e talvez quando tiver um PC em casa a coisa se componha.
E se é verdade que nem todos os os dias teremos algo dingo de nota para dizer, existem outros onde o entusiasmo tem de sofrer uma filtragem, sob pena de atravancar a paciência de quem se arrisca a ler.
Falta falta faz mesmo uma máquina digital. Porque os meus dias são feitos de tantas imagens quanto palavras, e nada como discorrer sobre as memórias correlativas de uma imagem que se grava porque deixa marca....
E se é verdade que nem todos os os dias teremos algo dingo de nota para dizer, existem outros onde o entusiasmo tem de sofrer uma filtragem, sob pena de atravancar a paciência de quem se arrisca a ler.
Falta falta faz mesmo uma máquina digital. Porque os meus dias são feitos de tantas imagens quanto palavras, e nada como discorrer sobre as memórias correlativas de uma imagem que se grava porque deixa marca....
Pois é... Há quem diga que a realidade supera a ficção.
E do Ny Times de hoje, é um artigo enorme, mas vale bem a pena para fãs do Sr. Conan Doyle.
The Curious Incident of the Boxes
By SARAH LYALL
Published: May 19, 2004
European Pressphoto Agency
Arthur Conan Doyle artifacts are to be auctioned by Christie’s today.
LONDON, May 18 — For 25 years the cardboard boxes, more than a dozen of them, sat in a corner of a London office, gathering dust while lawyers argued about whom they belonged to and scholars dreamed about what was inside. But the auction this Wednesday of their contents, once belonging to Arthur Conan Doyle, the creator of Sherlock Holmes, has provoked another fight and a mystery almost worthy of Holmes himself.
The Conan Doyle archive — including his unpublished first novel, a rich cache of family letters and handwritten literary notebooks full of research and musings about works in progress — is expected to bring in about £1 million to £1.5 million ($1.8 million to $2.7 million), according to Christie's, which is handling the sale. But even as that auction house has attracted a stream of Conan Doyle enthusiasts thrilled at the newly released material, it has also been sharply criticized by some scholars and members of Parliament for allowing the sale because they say crucial legal questions remain unresolved.
They also say that the material is too important to be sold off piecemeal. "This will make it impossible for one academic or team of researchers ever to access the entire collection for a definitive biography of Conan Doyle," Kevin Pringle, a spokesman for Alex Salmond, a member of Parliament from the Scottish National Party, said of the auction. "The material will be scattered to the four winds."
Adding to the sense of unease is the mysterious death of Richard Lancelyn Green, a leading Conan Doyle scholar and private collector, and a vociferous opponent of the sale. On March 27 Mr. Lancelyn Green, 50, a former chairman of the Sherlock Holmes Society of London and the author of several well-received books on Conan Doyle, was found garroted to death, strangled by a shoelace wrapped around a wooden kitchen spoon used to tighten its grip.
Mr. Lancelyn Green had become increasingly agitated and worried for his safety in the days before he died, several friends and family members told the inquest into his death. The coroner in the case said that he could not rule out murder and recorded an open verdict, meaning that he did not conclude what led to Mr. Lancelyn Green's death, although he said that he "would not wish to stress the importance of any conspiracy theories."
Owen Dudley Edwards, a reader in history at the University of Edinburgh and a Conan Doyle scholar who was a close friend of Mr. Lancelyn Green, said he did not believe Mr. Lancelyn Green committed suicide. The two had teamed up to stop the Christie's sale, he said, and Mr. Lancelyn Green had been concerned that people connected to it would seek to damage his reputation.
"I think he was bewildered by the sale, as we all were," Mr. Dudley Edwards said. "But I was speaking to him about 12 hours before his death, and I didn't have the slightest impression of him being suicidal."
Everyone seems to agree on one thing: the materials to be sold are a treasure trove. "I would say that some of it is very important," said Catherine Cooke, curator of the Sherlock Holmes collection at the Marylebone Library in London. She singled out letters from Conan Doyle's younger brother, Innes, and oldest son, Kingsley, who both served in World War I and died of illnesses contracted during or just after it.
There is also fascinating correspondence with public figures like Winston Churchill, P. G. Wodehouse, Theodore Roosevelt and Oscar Wilde. There is Conan Doyle's tan lizard-skin wallet, left as it was when he died in 1930, its contents yellowed and faded. There are little cartoons he drew, presumably for his children, and ample materials related to lesser-known aspects of his life, including his early career as a doctor; his campaign to convince the British military to issue its soldiers body armor; his involvement with cricket; and his experiences as a medic in the Boer War in South Africa.~
There is also an unpublished novel — Conan Doyle's first, written in the mid-1890's — about a certain Mr. Smith and his battles with gout, among other things. Conan Doyle thought the manuscript had been lost in the mail and once wrote that "my shock at its disappearance would be as nothing to my horror if it were suddenly to appear again — in print."
Tom Lamb, director of the book department at Christie's in London, said the papers represented a valuable "personal corpus" for Conan Doyle. While many other of his manuscripts and papers, sold off by his profligate sons years ago, are more concerned with public aspects of his life, Mr. Lamb said, "This material gives you the clues to Conan Doyle the man."
The unavailability of the material has frustrated and tantalized Conan Doyle scholars for years. A 1949 biography by the American mystery writer John Dickson Carr drew on the papers and included a list without going into detail about their contents, and a French biographer read them in the 1960's, but no researchers have been allowed to see them since. "Having access to these papers will really open things up," Miss Cooke said. But like some other Conan Doyle scholars, she is troubled by the sale, she said. There is the fear that the collection would be broken up and sold to anonymous collectors uninterested in making them available to academics. And there is a concern about the murky disposition of what remains of Conan Doyle's prodigious estate.
After the deaths of Conan Doyle and his second wife, Jean, the bulk of the estate went to one of their sons, Adrian. Portions were sold by him and his brother, Denis, although Adrian kept a core group of private papers intact. Neither Denis nor Adrian had children; nor did their sister, Jean. By the late 1980's, with the family having feuded for years over the remaining papers, the only direct relatives left were Adrian's widow, Anna Conan Doyle; and Jean, who had become Dame Jean Bromet. They agreed that they would each get a 50-percent interest in the papers. Dame Jean, who died in 1997, bequeathed hers to the British Library; Anna, who died in 1990, bequeathed hers to three distant relatives whose names have not been made public. It is Anna's portion that is for sale.
The idea seems to have been that the material would be split evenly. But curiously only 2 of a total of 15 boxes went to the British Library, the library says. That state of affairs has led scholars like Mr. Dudley Edwards, who was friendly with Dame Jean and who would like to see the whole collection in the hands of the British Library, to question the division of the materials.
"It's very difficult to see how the division could have been equal between Anna and Jean since there are only a few papers for Jean against this enormous tranche of stuff for Anna," Mr. Dudley Edwards said.
British Library officials said that they had asked Anna Conan Doyle's beneficiaries for a list of how the material was divided but were turned down.
"We have received assurances from the executors that the division represents what Dame Jean's wishes were," said Clive Field, director of scholarship and collections at the British Library. "We're not necessarily challenging the legality, but what we're saying is that their assurances should be capable of being validated by documentary material, which they're not providing to us. This is a matter of significant national and international interest, and as a public body we must exercise due diligence."
A spokeswoman for Christie's, Clare Roberts, said the auction house was satisfied that its sale was proper. "Dame Jean had those items in her possession that she owned at the time of her death, and she left them in her will to the British Library," Ms. Roberts said. "In terms of how the family's split up things between them, that's nothing to do with us."
E do Ny Times de hoje, é um artigo enorme, mas vale bem a pena para fãs do Sr. Conan Doyle.
The Curious Incident of the Boxes
By SARAH LYALL
Published: May 19, 2004
European Pressphoto Agency
Arthur Conan Doyle artifacts are to be auctioned by Christie’s today.
LONDON, May 18 — For 25 years the cardboard boxes, more than a dozen of them, sat in a corner of a London office, gathering dust while lawyers argued about whom they belonged to and scholars dreamed about what was inside. But the auction this Wednesday of their contents, once belonging to Arthur Conan Doyle, the creator of Sherlock Holmes, has provoked another fight and a mystery almost worthy of Holmes himself.
The Conan Doyle archive — including his unpublished first novel, a rich cache of family letters and handwritten literary notebooks full of research and musings about works in progress — is expected to bring in about £1 million to £1.5 million ($1.8 million to $2.7 million), according to Christie's, which is handling the sale. But even as that auction house has attracted a stream of Conan Doyle enthusiasts thrilled at the newly released material, it has also been sharply criticized by some scholars and members of Parliament for allowing the sale because they say crucial legal questions remain unresolved.
They also say that the material is too important to be sold off piecemeal. "This will make it impossible for one academic or team of researchers ever to access the entire collection for a definitive biography of Conan Doyle," Kevin Pringle, a spokesman for Alex Salmond, a member of Parliament from the Scottish National Party, said of the auction. "The material will be scattered to the four winds."
Adding to the sense of unease is the mysterious death of Richard Lancelyn Green, a leading Conan Doyle scholar and private collector, and a vociferous opponent of the sale. On March 27 Mr. Lancelyn Green, 50, a former chairman of the Sherlock Holmes Society of London and the author of several well-received books on Conan Doyle, was found garroted to death, strangled by a shoelace wrapped around a wooden kitchen spoon used to tighten its grip.
Mr. Lancelyn Green had become increasingly agitated and worried for his safety in the days before he died, several friends and family members told the inquest into his death. The coroner in the case said that he could not rule out murder and recorded an open verdict, meaning that he did not conclude what led to Mr. Lancelyn Green's death, although he said that he "would not wish to stress the importance of any conspiracy theories."
Owen Dudley Edwards, a reader in history at the University of Edinburgh and a Conan Doyle scholar who was a close friend of Mr. Lancelyn Green, said he did not believe Mr. Lancelyn Green committed suicide. The two had teamed up to stop the Christie's sale, he said, and Mr. Lancelyn Green had been concerned that people connected to it would seek to damage his reputation.
"I think he was bewildered by the sale, as we all were," Mr. Dudley Edwards said. "But I was speaking to him about 12 hours before his death, and I didn't have the slightest impression of him being suicidal."
Everyone seems to agree on one thing: the materials to be sold are a treasure trove. "I would say that some of it is very important," said Catherine Cooke, curator of the Sherlock Holmes collection at the Marylebone Library in London. She singled out letters from Conan Doyle's younger brother, Innes, and oldest son, Kingsley, who both served in World War I and died of illnesses contracted during or just after it.
There is also fascinating correspondence with public figures like Winston Churchill, P. G. Wodehouse, Theodore Roosevelt and Oscar Wilde. There is Conan Doyle's tan lizard-skin wallet, left as it was when he died in 1930, its contents yellowed and faded. There are little cartoons he drew, presumably for his children, and ample materials related to lesser-known aspects of his life, including his early career as a doctor; his campaign to convince the British military to issue its soldiers body armor; his involvement with cricket; and his experiences as a medic in the Boer War in South Africa.~
There is also an unpublished novel — Conan Doyle's first, written in the mid-1890's — about a certain Mr. Smith and his battles with gout, among other things. Conan Doyle thought the manuscript had been lost in the mail and once wrote that "my shock at its disappearance would be as nothing to my horror if it were suddenly to appear again — in print."
Tom Lamb, director of the book department at Christie's in London, said the papers represented a valuable "personal corpus" for Conan Doyle. While many other of his manuscripts and papers, sold off by his profligate sons years ago, are more concerned with public aspects of his life, Mr. Lamb said, "This material gives you the clues to Conan Doyle the man."
The unavailability of the material has frustrated and tantalized Conan Doyle scholars for years. A 1949 biography by the American mystery writer John Dickson Carr drew on the papers and included a list without going into detail about their contents, and a French biographer read them in the 1960's, but no researchers have been allowed to see them since. "Having access to these papers will really open things up," Miss Cooke said. But like some other Conan Doyle scholars, she is troubled by the sale, she said. There is the fear that the collection would be broken up and sold to anonymous collectors uninterested in making them available to academics. And there is a concern about the murky disposition of what remains of Conan Doyle's prodigious estate.
After the deaths of Conan Doyle and his second wife, Jean, the bulk of the estate went to one of their sons, Adrian. Portions were sold by him and his brother, Denis, although Adrian kept a core group of private papers intact. Neither Denis nor Adrian had children; nor did their sister, Jean. By the late 1980's, with the family having feuded for years over the remaining papers, the only direct relatives left were Adrian's widow, Anna Conan Doyle; and Jean, who had become Dame Jean Bromet. They agreed that they would each get a 50-percent interest in the papers. Dame Jean, who died in 1997, bequeathed hers to the British Library; Anna, who died in 1990, bequeathed hers to three distant relatives whose names have not been made public. It is Anna's portion that is for sale.
The idea seems to have been that the material would be split evenly. But curiously only 2 of a total of 15 boxes went to the British Library, the library says. That state of affairs has led scholars like Mr. Dudley Edwards, who was friendly with Dame Jean and who would like to see the whole collection in the hands of the British Library, to question the division of the materials.
"It's very difficult to see how the division could have been equal between Anna and Jean since there are only a few papers for Jean against this enormous tranche of stuff for Anna," Mr. Dudley Edwards said.
British Library officials said that they had asked Anna Conan Doyle's beneficiaries for a list of how the material was divided but were turned down.
"We have received assurances from the executors that the division represents what Dame Jean's wishes were," said Clive Field, director of scholarship and collections at the British Library. "We're not necessarily challenging the legality, but what we're saying is that their assurances should be capable of being validated by documentary material, which they're not providing to us. This is a matter of significant national and international interest, and as a public body we must exercise due diligence."
A spokeswoman for Christie's, Clare Roberts, said the auction house was satisfied that its sale was proper. "Dame Jean had those items in her possession that she owned at the time of her death, and she left them in her will to the British Library," Ms. Roberts said. "In terms of how the family's split up things between them, that's nothing to do with us."
Onde é que eu já li e ouvi isto?
Ah... já sei...
Deve ser no Verão do ano que vem... Qualquer coisa pré-eleitoral...
Ah... já sei...
Deve ser no Verão do ano que vem... Qualquer coisa pré-eleitoral...
segunda-feira, maio 17, 2004
Schism
I know the pieces fit cuz I watched them fall away
mildewed and smoldering
fundamental differing
pure intention juxtaposed will set two lovers souls in motion
disintegrating as it goes testing our communication
the light that fueled our fire then has burned a hole between us so
we cannot see to reach an end crippling our communication.
I know the pieces fit cuz I watched them tumble down
no fault
none to blame it doesn't mean I don't desire to
point the finger
blame the other
watch the temple topple over.
To bring the pieces back together
rediscover communication.
The poetry that comes from the squaring off between
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance.
There was a time that the pieces fit
but I watched them fall away.
Mildewed and smoldering
strangled by our coveting
I've done the the math enough to know the dangers of a second guessing
Doomed to crumble unless we grow
and strengthen our communication
cold silence has a tendency to atrophy any sense of compassion
between supposed lovers
between supposed brothers.
And I know the pieces fit.
Tool ( Maynard James Keenan )
I know the pieces fit cuz I watched them fall away
mildewed and smoldering
fundamental differing
pure intention juxtaposed will set two lovers souls in motion
disintegrating as it goes testing our communication
the light that fueled our fire then has burned a hole between us so
we cannot see to reach an end crippling our communication.
I know the pieces fit cuz I watched them tumble down
no fault
none to blame it doesn't mean I don't desire to
point the finger
blame the other
watch the temple topple over.
To bring the pieces back together
rediscover communication.
The poetry that comes from the squaring off between
And the circling is worth it.
Finding beauty in the dissonance.
There was a time that the pieces fit
but I watched them fall away.
Mildewed and smoldering
strangled by our coveting
I've done the the math enough to know the dangers of a second guessing
Doomed to crumble unless we grow
and strengthen our communication
cold silence has a tendency to atrophy any sense of compassion
between supposed lovers
between supposed brothers.
And I know the pieces fit.
Tool ( Maynard James Keenan )
The Grudge
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what we will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Terrified of being wrong. Ultimatum prison cell.
Saturn ascends, choose one or ten. Hang on or be humbled again.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Saturn ascends, comes round again.
Saturn ascends, the one, the ten. Ignorant to the damage done.
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what you will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Wear the grudge like a crown. Desperate to control.
Unable to forgive. And we're sinking deeper.
Defining, confining, sinking deeper. Controlling, defining, and we're sinking
deeper.
Saturn comes back around to show you everything
Let's you choose what you will not see and then
Drags you down like a stone or lifts you up again
Spits you out like a child, light and innocent.
Saturn comes back around. Lifts you up like a child or
Drags you down like a stone to
Consume you till you choose to let this go.
Choose to let this go.
Give away the stone. Let the oceans take and transmutate this cold and fated
anchor.
Give away the stone. Let the waters kiss and transmutate these leaden grudges
into gold.
Let go.
Tool ( Maynard James Keenan )
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what we will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Terrified of being wrong. Ultimatum prison cell.
Saturn ascends, choose one or ten. Hang on or be humbled again.
Clutch it like a cornerstone. Otherwise it all comes down.
Justify denials and grip it to the lonesome end.
Saturn ascends, comes round again.
Saturn ascends, the one, the ten. Ignorant to the damage done.
Wear your grudge like a crown of negativity.
Calculate what you will or will not tolerate.
Desperate to control all and everything.
Unable to forgive your scarlet lettermen.
Wear the grudge like a crown. Desperate to control.
Unable to forgive. And we're sinking deeper.
Defining, confining, sinking deeper. Controlling, defining, and we're sinking
deeper.
Saturn comes back around to show you everything
Let's you choose what you will not see and then
Drags you down like a stone or lifts you up again
Spits you out like a child, light and innocent.
Saturn comes back around. Lifts you up like a child or
Drags you down like a stone to
Consume you till you choose to let this go.
Choose to let this go.
Give away the stone. Let the oceans take and transmutate this cold and fated
anchor.
Give away the stone. Let the waters kiss and transmutate these leaden grudges
into gold.
Let go.
Tool ( Maynard James Keenan )
Nothingman
Once divided...nothing left to subtract...
Some words when spoken...can't be taken back...
Walks on his own...with thoughts he can't help thinking...
Future's above...but in the past he's slow and sinking...
Caught a bolt 'a lightnin'...cursed the day he let it go...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
She once believed...in every story he had to tell...
One day she stiffened...took the other side...
Empty stares...from each corner of a shared prison cell...
One just escapes...one's left inside the well...
And he who forgets...will be destined to remember...oh...oh...oh...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Oh, she don't want him...
Oh, she won't feed him...after he's flown away...
Oh, into the sun...ah, into the sun...
Burn...burn...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Nothingman...
Coulda' been something...
Nothingman...
Oh...ohh...ohh...
P. Jam
Once divided...nothing left to subtract...
Some words when spoken...can't be taken back...
Walks on his own...with thoughts he can't help thinking...
Future's above...but in the past he's slow and sinking...
Caught a bolt 'a lightnin'...cursed the day he let it go...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
She once believed...in every story he had to tell...
One day she stiffened...took the other side...
Empty stares...from each corner of a shared prison cell...
One just escapes...one's left inside the well...
And he who forgets...will be destined to remember...oh...oh...oh...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Oh, she don't want him...
Oh, she won't feed him...after he's flown away...
Oh, into the sun...ah, into the sun...
Burn...burn...
Nothingman...
Isn't it something?
Nothingman...
Nothingman...
Coulda' been something...
Nothingman...
Oh...ohh...ohh...
P. Jam
Some Devil
One last kiss one only
Then I'll let you go
Hard for you I've fallen
But you can't break my fall
I'm broken don't break me
When I hit the ground
Some devil some angel
Has got me to the bones
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Too drunk and still drinking
It's just the way I feel
It's alright
Is what you told me
Cause what we had was so beautiful
Feel heavy like floating
At the bottom of the sea
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Some devil is stuck inside of me
I cannot set it free
I wish, I wish I was dead and you were grieving
Just so that you could know
Some angel is stuck inside of me
But I cannot set you free
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Such a long and lonely time
Stuck inside of me
Dave Matthews
One last kiss one only
Then I'll let you go
Hard for you I've fallen
But you can't break my fall
I'm broken don't break me
When I hit the ground
Some devil some angel
Has got me to the bones
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Too drunk and still drinking
It's just the way I feel
It's alright
Is what you told me
Cause what we had was so beautiful
Feel heavy like floating
At the bottom of the sea
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Is such a long and lonely time
Some devil is stuck inside of me
I cannot set it free
I wish, I wish I was dead and you were grieving
Just so that you could know
Some angel is stuck inside of me
But I cannot set you free
You said always and forever
Now I believe you baby
You said always and forever
Such a long and lonely time
Stuck inside of me
Dave Matthews
sexta-feira, maio 14, 2004
Depois de tantas tentativas, acho que vou optar por enviar contos. Histórias pequenas, fragmentos. Talvez as cartas de rejeição sejam mais criativas.
A verdade é que escrever não é uma escolha, a mais das vezes, mas sim uma compulsão. O único problema é não existirem tantas histórias quantas as palavras que estão dispostas a contá-las.
A verdade é que escrever não é uma escolha, a mais das vezes, mas sim uma compulsão. O único problema é não existirem tantas histórias quantas as palavras que estão dispostas a contá-las.
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Filme a estrear brevemente, e cuja premissa parece prometer imensamente. A investigar aqui...
Filme a estrear brevemente, e cuja premissa parece prometer imensamente. A investigar aqui...
Um escritor, uma influência sui generis
Donald Goines foi uma figura estranha, improvável e que influenciou um meio cultural que embora me diga pouco, deixa marcas nas gerações logo a seguir á minha e mesmo mais recentes. Falo do universo do RAP, mais propriamente, do "gangsta" rap. Gangs de subúrbios, droga e quejandos.
Um escritor que era igualmente um criminoso de carreira e que foi morto a tiro juntamente com a mulher.
Uma biografia feita de denúncia e queda numa espiral de dor e dependência que acabou por nunca se mostrar resolúvel.
A explorar pelos interessados.
Donald Goines foi uma figura estranha, improvável e que influenciou um meio cultural que embora me diga pouco, deixa marcas nas gerações logo a seguir á minha e mesmo mais recentes. Falo do universo do RAP, mais propriamente, do "gangsta" rap. Gangs de subúrbios, droga e quejandos.
Um escritor que era igualmente um criminoso de carreira e que foi morto a tiro juntamente com a mulher.
Uma biografia feita de denúncia e queda numa espiral de dor e dependência que acabou por nunca se mostrar resolúvel.
A explorar pelos interessados.
quinta-feira, maio 13, 2004
terça-feira, maio 11, 2004
Vi o Kill Bill I ontem á noite.
E sinceramente, não consegui interiorizar toda o hype que girou em torno desta obra.
É indiscutivelmente bem filmada, incrementando de forma visível a vénia ás referências que povoam todo o filme. Se todos os filmes de artes maricais fossem filmados desta forma, eu teria com certeza uns filmes do Van DAmme, Bruce Lee, Jackie Chan ou Jet Li lá em casa. Além disso, é o filme que Tarantino quis fazer, borrifando-se nas convenções e estreitamento convencional da chamada "inteligentzia" cultural.
Mas a questão do argumento deixa-me um pouco perplexo, porque me achei perdido no meio de uma hora e quarenta feita de porrada de criar bicho e com a motivação dramática e esquema narrativo de um qualquer filme de artes marciais/vingança do estilo " mataste o meu irmão agora vou limpar o sarampo a ti e a todos os teus amigos".
Nem os diálogos, exceptuando alguma da troca de ideias entre Bill e os personagens que entram em contacto com ele, e a conversa entre o artesão construtor de espadas e a "Noiva", ficam na memória. Além disso, uma das coisas que sempre me aconteceu em todos os outros filmes do Tarantino foi rir-me ás bandeiras despregadas com os seus diálogos e criação de situações bizarras mas construidas com inteligência e originalidade singular. Aqui não me consegui rir, e esforcei-me. A conversa entre os personagens não flui com a graça e mestria de obras anteriores, julgo eu.
Tentei muito sentir algo daquilo que me ocorreu com toda a outra filmografia, mas talvez o problema seja meu, ou então será resolvido com o visionamento do segundo volume. A verdade é que este primeiro "installment" não me encheu as medidas, e dei comigo simplesmente a apreciar a forma como a câmara toma conta das acção, esquecendo um argumento que não se deixa memorizar.
Que pena.
Adorava que este Kill Bill me marcasse, ficasse lá na memória. Mas por agora fica apenas uma recordação fugaz e simpática, que espero fervorosamente se transforme numa marca positiva após KIll Bill Volume II.
E sinceramente, não consegui interiorizar toda o hype que girou em torno desta obra.
É indiscutivelmente bem filmada, incrementando de forma visível a vénia ás referências que povoam todo o filme. Se todos os filmes de artes maricais fossem filmados desta forma, eu teria com certeza uns filmes do Van DAmme, Bruce Lee, Jackie Chan ou Jet Li lá em casa. Além disso, é o filme que Tarantino quis fazer, borrifando-se nas convenções e estreitamento convencional da chamada "inteligentzia" cultural.
Mas a questão do argumento deixa-me um pouco perplexo, porque me achei perdido no meio de uma hora e quarenta feita de porrada de criar bicho e com a motivação dramática e esquema narrativo de um qualquer filme de artes marciais/vingança do estilo " mataste o meu irmão agora vou limpar o sarampo a ti e a todos os teus amigos".
Nem os diálogos, exceptuando alguma da troca de ideias entre Bill e os personagens que entram em contacto com ele, e a conversa entre o artesão construtor de espadas e a "Noiva", ficam na memória. Além disso, uma das coisas que sempre me aconteceu em todos os outros filmes do Tarantino foi rir-me ás bandeiras despregadas com os seus diálogos e criação de situações bizarras mas construidas com inteligência e originalidade singular. Aqui não me consegui rir, e esforcei-me. A conversa entre os personagens não flui com a graça e mestria de obras anteriores, julgo eu.
Tentei muito sentir algo daquilo que me ocorreu com toda a outra filmografia, mas talvez o problema seja meu, ou então será resolvido com o visionamento do segundo volume. A verdade é que este primeiro "installment" não me encheu as medidas, e dei comigo simplesmente a apreciar a forma como a câmara toma conta das acção, esquecendo um argumento que não se deixa memorizar.
Que pena.
Adorava que este Kill Bill me marcasse, ficasse lá na memória. Mas por agora fica apenas uma recordação fugaz e simpática, que espero fervorosamente se transforme numa marca positiva após KIll Bill Volume II.
How to Catch Fish in Vermont: No Bait, No Tackle, Just Bullets
By PAM BELLUCK
Every spring in Vermont, hunters break out their artillery and head to the marshes to exercise their right to bear arms against fish.
NY Times de hoje
´
Mais uma vez digo...
Os americanos não ajudam muito a sua imagem além fronteiras...
Por muito boa vontade que se tenha.
By PAM BELLUCK
Every spring in Vermont, hunters break out their artillery and head to the marshes to exercise their right to bear arms against fish.
NY Times de hoje
´
Mais uma vez digo...
Os americanos não ajudam muito a sua imagem além fronteiras...
Por muito boa vontade que se tenha.
sexta-feira, maio 07, 2004
Dracula Vampíria - Maravilha da Natureza
Não sei se Bram Stoker viu esta flor.
É provável que não a tenha visto, até porque julgo que a designação dada a esta flor é posterior á obra de Stoker.
Mas quer ele se tenha inspirado nesta flor, ou alguém se tenha inspirado na obra para lhe dar um nome, em qualquer dos casos, a adequação é óbvia.
Uma flor inquietante, um rasgo de loucura fantasmagórica no design da Natureza.
Não sei se Bram Stoker viu esta flor.
É provável que não a tenha visto, até porque julgo que a designação dada a esta flor é posterior á obra de Stoker.
Mas quer ele se tenha inspirado nesta flor, ou alguém se tenha inspirado na obra para lhe dar um nome, em qualquer dos casos, a adequação é óbvia.
Uma flor inquietante, um rasgo de loucura fantasmagórica no design da Natureza.
quinta-feira, maio 06, 2004
Uma coisa que estes tempos me ensinaram, e os que viriam a seguir, é que a nossa pretensa capacidade para aturar merdas daqueles que amamos só se compara à obrigação que julgamos que esses mesmos têm de aturar as nossas. Há uma espécie de injustiça diária, como se os nossos actos negativos fossem sempre neutros e, em proporção inversa, os positivos tivessem a relevância de uma montanha descarregada numa qualquer savana de África. Claro que existem pessoas mais generosas que outras. Umas que comentem menos erros que as suas contrapartes. Mas como qualquer conflito inflamado, aqueles que se apoiam em coisas voláteis como o amor rapidamente perdem a identificação da sua génese. É um pouco como justificar o início de uma guerra. O que fica sempre é o conflito, os efeitos, as imagens das agressões. Ténis de mesa. Só isso
Segundo Margarida Rebelo Pinto, o homem ideal é um metrossexual instintivamente monogâmico, rico e que não gosta de futebol.
Eu não sou grande fã de futebol.
Sou responsavelmente monogâmico, porque classificar esse conceito enquanto instinto, é uma quimera ingénua.
Quanto ao resto, não sei de que se trata...
Eu não sou grande fã de futebol.
Sou responsavelmente monogâmico, porque classificar esse conceito enquanto instinto, é uma quimera ingénua.
Quanto ao resto, não sei de que se trata...
O amor é uma forma decrença que desqualifica qualquer religião em termos de capacidade para aceitar o absurdo, o inexplicável e mesmo a espaços, dogmático.
Mas que raio de outro conceito é que nos leva a encontrar tão eficazes explicações para eventos que, a acontecerem na plenitude da racionalidade, levariam a um repúdio imediato, á ausência de paciência, de tolerância e sobretudo, a uma perplexidade absoluta?
O mais próximo só mesmo a religião.
Mas eu cá prefiro este outro conceito.
Ainda que as desculpas esfarrapadas que invento para mim mesmo sejam mais complicadas.
Ao menos estas sou eu que escolho e tenho a perfeita noção da figura parva que possa fazer. E mesmo o Bem último é superior neste caso.
Para já não há abstinência. De espécie alguma, diga-se...
Mas que raio de outro conceito é que nos leva a encontrar tão eficazes explicações para eventos que, a acontecerem na plenitude da racionalidade, levariam a um repúdio imediato, á ausência de paciência, de tolerância e sobretudo, a uma perplexidade absoluta?
O mais próximo só mesmo a religião.
Mas eu cá prefiro este outro conceito.
Ainda que as desculpas esfarrapadas que invento para mim mesmo sejam mais complicadas.
Ao menos estas sou eu que escolho e tenho a perfeita noção da figura parva que possa fazer. E mesmo o Bem último é superior neste caso.
Para já não há abstinência. De espécie alguma, diga-se...
quinta-feira, abril 29, 2004
Para quem diz que o mal não existe, ou que o qualifica como uma abstracção
Recomendo um estômago forte.
Mas sobretudo, uma capacidade hercúlea de tentar perspectivar o inaceitável, o horroroso, o incompreensível. E sobretudo, o verdadeiro significado da velha metáfora da avestruz, daquelas que habitam o chamado mundo ocidental civilizado.
Bem sei que já aqui falei disto, mas voltei a encontrar-me com um artigo, e a pele voltou a arrepiar-se.
Nem sei que vos diga depois de ler isto...
Recomendo um estômago forte.
Mas sobretudo, uma capacidade hercúlea de tentar perspectivar o inaceitável, o horroroso, o incompreensível. E sobretudo, o verdadeiro significado da velha metáfora da avestruz, daquelas que habitam o chamado mundo ocidental civilizado.
Bem sei que já aqui falei disto, mas voltei a encontrar-me com um artigo, e a pele voltou a arrepiar-se.
Nem sei que vos diga depois de ler isto...
quarta-feira, abril 28, 2004
Completamente de acordo!!!!!
(ver post sobre Salman Rushdie e a sua esposa)
A não ser que ela faça parte da academia sueca. Seria o melhor 2 em 1 da história da humanidade.
E eu que pensava que mulheres destas só gostavam de tipos com guitarras a tira-colo, hábitos de higiene discutíveis, afeição dedicada a psicotrópicos, ocasional mão pesada e tendência poligâmica intracelular irreprimível.
Um gajo também se pode enganar, não?
(ver post sobre Salman Rushdie e a sua esposa)
A não ser que ela faça parte da academia sueca. Seria o melhor 2 em 1 da história da humanidade.
E eu que pensava que mulheres destas só gostavam de tipos com guitarras a tira-colo, hábitos de higiene discutíveis, afeição dedicada a psicotrópicos, ocasional mão pesada e tendência poligâmica intracelular irreprimível.
Um gajo também se pode enganar, não?
Porra, "Zé" Eduardo... andas a perder tempo.....
Germany's Big Brother features lesbian kisses
Germany's Big Brother TV show, which started at the weekend, has featured lesbian sex, a woman having an orgasm in the bath and kinky spanking scenes in a sauna.
On Monday night viewers got more than they bargained for after tuning into the RTL2 channel. The show started off with female contestants Jeannine and Franzi drinking a bottle of sparkling wine to loosen inhibitions.
Jeannine then announced she wanted sex, saying "I don't care with who", before playing with 24-year-old Franzi in the sauna. Then she switched to bald-headed, Jerry, who jumped into a whirlpool bath with the pair of them before another contestant, Achim, got involved.
There was spanking, massaging, lots of groaning and even oral sex. At one point in a bedroom Jeannine cried out with pleasure as male contestant Mark joined in. There were also lesbian kisses between Franzi and Jeannine. Jeannine said at one point: "Your kisses are sweet like chocolate mousse."
Endemol, the production company, had no regrets. Producer Rainer Laux said: "Sex is a positive thing. It shows they are having a good time." (completamente de acordo, amigo. Ainda por cima se vende, porque não caraças??? Afinal de contas já podes deixar de lado aquele projecto das execuções em directo...)
One viewer who called the channel to complain said: "And this was only the edited version. I thought I had tuned into a porno channel by mistake."
Germany's Big Brother features lesbian kisses
Germany's Big Brother TV show, which started at the weekend, has featured lesbian sex, a woman having an orgasm in the bath and kinky spanking scenes in a sauna.
On Monday night viewers got more than they bargained for after tuning into the RTL2 channel. The show started off with female contestants Jeannine and Franzi drinking a bottle of sparkling wine to loosen inhibitions.
Jeannine then announced she wanted sex, saying "I don't care with who", before playing with 24-year-old Franzi in the sauna. Then she switched to bald-headed, Jerry, who jumped into a whirlpool bath with the pair of them before another contestant, Achim, got involved.
There was spanking, massaging, lots of groaning and even oral sex. At one point in a bedroom Jeannine cried out with pleasure as male contestant Mark joined in. There were also lesbian kisses between Franzi and Jeannine. Jeannine said at one point: "Your kisses are sweet like chocolate mousse."
Endemol, the production company, had no regrets. Producer Rainer Laux said: "Sex is a positive thing. It shows they are having a good time." (completamente de acordo, amigo. Ainda por cima se vende, porque não caraças??? Afinal de contas já podes deixar de lado aquele projecto das execuções em directo...)
One viewer who called the channel to complain said: "And this was only the edited version. I thought I had tuned into a porno channel by mistake."
"O primeiro vestígio da beleza
é a cólera dos versos necessários"
Carlos Oliveira
Maravilhosos e certeiros versos "roubados", com as minhas profundas desculpas, ao Glória Fácil
é a cólera dos versos necessários"
Carlos Oliveira
Maravilhosos e certeiros versos "roubados", com as minhas profundas desculpas, ao Glória Fácil
E ela diz isto a frio, apanhando uma pessoa desprevenida
Ainda por cima temos pontos de vista em comum quanto aos intérpretes dessa arte milenar do striptease....
Ainda por cima temos pontos de vista em comum quanto aos intérpretes dessa arte milenar do striptease....
Mas alguém tinha dúvidas?
Está explicado o estado de César das Neves, Maria José Nogueira Pinto, Mariana Cascais, entre outros sofredores....
Está explicado o estado de César das Neves, Maria José Nogueira Pinto, Mariana Cascais, entre outros sofredores....
Não li o livro de Dan Brown, por isso não tenho uma ideia exacta daquilo que está a causar tanta celeuma dentro da instituição católico-octopóide.
Mas em última instância, se Cristo tivesse realmente casado e constituido família com Maria Madalena, não o traria mais próximo da natureza humana? Não seria um ícone mitológico muito mais credível e sobretudo, mais ajustado a essa mesma natureza?
Mas em última instância, se Cristo tivesse realmente casado e constituido família com Maria Madalena, não o traria mais próximo da natureza humana? Não seria um ícone mitológico muito mais credível e sobretudo, mais ajustado a essa mesma natureza?
Relativamente ao post sobre o despedimento dos jornalistas do 1º de Janeiro, eis o local da discórdia.
Talvez o estilo não seja dos melhores, mas as práticas ilícitas que fundamentam os relatos são, no mínimo, abjectas. E a exposição é, no mínimo, compreensível.
Talvez o estilo não seja dos melhores, mas as práticas ilícitas que fundamentam os relatos são, no mínimo, abjectas. E a exposição é, no mínimo, compreensível.
Hubert Selby Jr., Escritor de "Last Exit to Brooklyn" morre aos 75 anos de idade
Nunca li o livro, infelizmente, mas vi o filme, e comprovo tudo o que é dito acerca do livro. Brutal, revelador, directo, e honesto.
Escrito por um sobrevivente á II Guerra Mundial que se viviou na morfina que lhe fora ministrada durante tratamentos á tuberculose que acabaria por ceifar-lhe a vida, muito mais tarde.
Mas o mais impressionante é que falamos de um homem que não tinha formação académica em letras, nunca lera senão livros escolares até á sua idade adulta, e que acabou por dar seminários acerca da escrita. Só prova que a honestidade em tentar contar uma história, seja ela mais ou menos fantasiosa, só sobrevive se se tentar contar a verdade até mesmo dentro da mentira. Fica igualmente provado que a regurgitação de autores mais ou menos obscuros e a sobranceria cultural não significam qualidade, mas uma espécie de obscurantismo subjectivo.
A literatura e as boas histórias não dependem da extensão do curriculum académico, ou das influências anotadas e colocadas em roda pé, à guisa de homenagem aturada porque alguns autores são considerdos fundamentais pela corrente cultural da altura. Caraças, Dickens foi vilipendiado de toda a forma e feitio no seu tempo, o que prova bem o calibre daqueles que se chamam críticos e da sua tendência para marcar posições com base na corrente cultural daquele ano.
Bem, mas quando Nabokov dizia que Shakespeare não sabia escrever, fica provado que, como disse o J, grandes homens também podem dizer grandes disparates. Os críticos acham que não devem ter cuidado nenhum, que devem simplesmente disfarçar os seus ódios em discursos herméticos supostamente académicos e forçados. Estão errados
P.S. - Eu não gosto de Margarida Rebelo Pinto e quejandos. Acho que não são honestos. Cozinham uma fórmula e depois aplicam-na, não de forma muito diferente da cultura pop Big Brother de hoje em dia. Generalizam com a facilidade de quem nunca procura os motivos. Mas cada vez mais simpatizo, não com ela, mas com uma certa atitude de resistência, especialmente contra quem critica, mas nunca produziu uma linha de ficção que seja, e quando produzem.. bem, os resultados não são sempre felizes.
Nunca li o livro, infelizmente, mas vi o filme, e comprovo tudo o que é dito acerca do livro. Brutal, revelador, directo, e honesto.
Escrito por um sobrevivente á II Guerra Mundial que se viviou na morfina que lhe fora ministrada durante tratamentos á tuberculose que acabaria por ceifar-lhe a vida, muito mais tarde.
Mas o mais impressionante é que falamos de um homem que não tinha formação académica em letras, nunca lera senão livros escolares até á sua idade adulta, e que acabou por dar seminários acerca da escrita. Só prova que a honestidade em tentar contar uma história, seja ela mais ou menos fantasiosa, só sobrevive se se tentar contar a verdade até mesmo dentro da mentira. Fica igualmente provado que a regurgitação de autores mais ou menos obscuros e a sobranceria cultural não significam qualidade, mas uma espécie de obscurantismo subjectivo.
A literatura e as boas histórias não dependem da extensão do curriculum académico, ou das influências anotadas e colocadas em roda pé, à guisa de homenagem aturada porque alguns autores são considerdos fundamentais pela corrente cultural da altura. Caraças, Dickens foi vilipendiado de toda a forma e feitio no seu tempo, o que prova bem o calibre daqueles que se chamam críticos e da sua tendência para marcar posições com base na corrente cultural daquele ano.
Bem, mas quando Nabokov dizia que Shakespeare não sabia escrever, fica provado que, como disse o J, grandes homens também podem dizer grandes disparates. Os críticos acham que não devem ter cuidado nenhum, que devem simplesmente disfarçar os seus ódios em discursos herméticos supostamente académicos e forçados. Estão errados
P.S. - Eu não gosto de Margarida Rebelo Pinto e quejandos. Acho que não são honestos. Cozinham uma fórmula e depois aplicam-na, não de forma muito diferente da cultura pop Big Brother de hoje em dia. Generalizam com a facilidade de quem nunca procura os motivos. Mas cada vez mais simpatizo, não com ela, mas com uma certa atitude de resistência, especialmente contra quem critica, mas nunca produziu uma linha de ficção que seja, e quando produzem.. bem, os resultados não são sempre felizes.
terça-feira, abril 27, 2004
É a velha história da protecção das práticas ilícitas defendidas com o argumento de que dentro da empresa, a hierarquia pode determinar tudo, em todas as circunstâncias, porque a suposta autonomia privada assim o permite.
Obviamente que os mais liberais dirão que a empresa não pode admitir ser prejudicada pelos seus próprios funcionários, mas quando estamos a falar de jornalismo, e sobretudo quando esse suposto dano é merecido porque as práticas que lhe deram origem são efectivamente ilícitas e reprováveis não só pela lei mas pelo juízo social, então julgo que o primeiro argumento é falacioso e sobretudo incorrecto. Seria a mesma coisa que dizer que um funcionário que fosse maltratado e sujeito a toda a espécie de irregularidade laboral só pudesse dar conhecimento dessa situação depois de se despedir.
Além disso, como muitos saberão, a credibilidade de alguém que é despedido e depois relata as ilicitudes dá precisamente a imagem de alguém que compactuou com a situação e só porque foi despedido a revela, por despeito.
Mas é a lógica empresarial a dar a nota dominante, como de resto, e infelizmente, começa a ser cada vez mais comum nos dias de hoje. Lamentável.
"Conflito entre o dever de lealdade e a liberdade de expressão
Blogue Provocou Despedimento de Jornalistas
´Jornal Público de Segunda-feira, 26 de Abril de 2004
Pedro Fonseca
Três jornalistas do diário "O Primeiro de Janeiro" foram, na semana passada, despedidos por terem participado num blogue e nele descreverem algumas práticas comerciais do diário nortenho. Trata-se do primeiro caso em Portugal de despedimento motivado pela escrita em blogues, apesar de o mesmo já ter sucedido noutros países.
Sérgio Moreira criou o blogue "Diário de Um Jornalista" (diariodeumjornalista.blogspot.com) em 30 de Março e rapidamente o abriu a colegas para ali relatarem em público alguns procedimentos internos do jornal - nomeadamente no departamento responsável pelas chamadas edições especiais (suplementos temáticos). Joel Pinto e uma outra jornalista juntaram-se a um grupo de seis pessoas, no total, que passaram a animar o blogue. Foram os três despedidos na semana passada.
O "Diário" chamou a atenção para o facto e gerou alguma discussão nos últimos dias nalguns blogues interessados no jornalismo pelas práticas ali descritas. O seu aparecimento levou mesmo à criação do "Diário de Uma Jornalista no Desemprego" e, num tom mais irónico, ao "Diário de Um Jardineiro".
Manuel Pinto, provedor do "Jornal de Notícias" e um dos membros do blogue "Jornalismo e Comunicação" (webjornal.blogspot.com), chamou-lhes os "novos proletários do jornalismo" e, noutro texto, considerou que "os materiais como o destes blogues vão ser importantes nos estudos que se vierem a fazer sobre os caminhos que trilha hoje o jornalismo".
Para Sérgio Moreira, a criação do "Diário" blogue "foi o culminar de um crescendo de frustrações e preocupações" destes jornalistas, "e que, infelizmente, não tinham correspondência por parte dos editores". E assume que todas as situações relatadas "são verdadeiras", como explicou por E-mail a Computadores.
Segundo Joel Pinto, aquele espaço na Web servia para revelar as "experiências pessoais no jornal" e, "como era um blogue inocente, nem nos preocupámos com o facto de ser público ou privado". "Até mencionamos qual era o jornal em questão, tal a simplicidade com que encarávamos o blogue".
Foi para "denunciar determinadas situações e também - porque não? - brincar com as coisas", refere Ricardo Simães, outro dos "bloggers" do "Diário" e que trabalhou no jornal entre Setembro de 2002 e Julho de 2003.
Os jornalistas não deram conhecimento aos seus superiores da criação do blogue, até porque sabiam "de antemão que as chefias não iriam gostar"; mas o seu criador assume saber que se tratava de "um local de acesso público e, mais cedo ou mais tarde, iria ser descoberto". E salienta que o problema "não está no que escrevemos" mas "na coragem de denunciar estas situações".
As situações, segundo explicam, estão relacionadas com o facto de o departamento comercial combinar a escrita de artigos com o fecho de contratos publicitários. "O nosso trabalho era em função dos contratos de publicidade que eles assinavam; não havendo contratos, não havia entrevistas marcadas", salienta Joel Pinto. "Os delegados comerciais contactam as empresas ou as instituições ou entidades a estarem presentes num determinado trabalho e, em troca de um valor pago em publicidade, o jornal oferece-lhe um espaço redactorial, no qual os responsáveis dessas empresas podem falar do trabalho que fazem e dos projectos que têm". Para a direcção da empresa, "o interesse imediato é o de celebrar contratos de publicidade e não o de vender jornais", refere.
Reclamando ainda das exageradas condições de trabalho, Joel Pinto - que afirma ter tido um contrato de estagiário de 1º ano durante dois anos e meio -, salienta que "nem o próprio Sindicato [dos Jornalistas] se interessa por estas questões, tanto mais que eles não reconhecem o nosso trabalho como sendo jornalismo". O blogue "foi o único meio que encontrámos para nos exprimir livremente".
Quanto ao dever de lealdade que gere as relações entre empregador e funcionários (ver caixa "O que diz o sindicato"), o mesmo jornalista questiona, entre outras queixas, "qual é a lealdade de existir um departamento editorial que não correspondia às exigências fundamentadas dos seus profissionais", lembrando que "o comportamento de um funcionário perante a empresa reflecte o comportamento da empresa perante o funcionário".
Os autores do blogue mantiveram o anonimato e não nomearam as pessoas criticadas nos seus textos, até ao passado dia 21, quando falaram directamente de José Freitas, o responsável do departamento de publicações especiais do diário.
Joel Pinto foi despedido "apesar de ter um contrato de trabalho em vigor há mais de um ano", não vai receber qualquer indemnização nem sabe se receberá o vencimento de Abril. O blogue "vai continuar a crescer e todas as situações reais serão diariamente denunciadas", refere Sérgio Moreira. "Talvez dessa forma o nosso esforço seja recompensado e os que ficaram possam ter melhores condições".
As "chefias deveriam, desde sempre, ter criado condições para que não fizesse sentido existir um blogue como o 'Diário'", refere Ricardo Simães. E "deveriam aproveitar esta celeuma para repensar o que tem sido a prática do 'Janeiro' desde há algum tempo; deveriam reconhecer os erros", refere.
Computadores tentou - repetidamente mas sem sucesso - contactar, por via telefónica e por E-mail, José Freitas. Apenas conseguiu chegar à fala com Carla Marques, uma das editoras dos referidos suplementos, que remeteu o assunto para o seu superior. Nassalete Miranda, directora editorial de "O Primeiro de Janeiro", estava indisponível na sexta-feira e Eduardo Costa, administrador da empresa, como os restantes, não respondeu às tentativas de contacto telefónico."
Obviamente que os mais liberais dirão que a empresa não pode admitir ser prejudicada pelos seus próprios funcionários, mas quando estamos a falar de jornalismo, e sobretudo quando esse suposto dano é merecido porque as práticas que lhe deram origem são efectivamente ilícitas e reprováveis não só pela lei mas pelo juízo social, então julgo que o primeiro argumento é falacioso e sobretudo incorrecto. Seria a mesma coisa que dizer que um funcionário que fosse maltratado e sujeito a toda a espécie de irregularidade laboral só pudesse dar conhecimento dessa situação depois de se despedir.
Além disso, como muitos saberão, a credibilidade de alguém que é despedido e depois relata as ilicitudes dá precisamente a imagem de alguém que compactuou com a situação e só porque foi despedido a revela, por despeito.
Mas é a lógica empresarial a dar a nota dominante, como de resto, e infelizmente, começa a ser cada vez mais comum nos dias de hoje. Lamentável.
"Conflito entre o dever de lealdade e a liberdade de expressão
Blogue Provocou Despedimento de Jornalistas
´Jornal Público de Segunda-feira, 26 de Abril de 2004
Pedro Fonseca
Três jornalistas do diário "O Primeiro de Janeiro" foram, na semana passada, despedidos por terem participado num blogue e nele descreverem algumas práticas comerciais do diário nortenho. Trata-se do primeiro caso em Portugal de despedimento motivado pela escrita em blogues, apesar de o mesmo já ter sucedido noutros países.
Sérgio Moreira criou o blogue "Diário de Um Jornalista" (diariodeumjornalista.blogspot.com) em 30 de Março e rapidamente o abriu a colegas para ali relatarem em público alguns procedimentos internos do jornal - nomeadamente no departamento responsável pelas chamadas edições especiais (suplementos temáticos). Joel Pinto e uma outra jornalista juntaram-se a um grupo de seis pessoas, no total, que passaram a animar o blogue. Foram os três despedidos na semana passada.
O "Diário" chamou a atenção para o facto e gerou alguma discussão nos últimos dias nalguns blogues interessados no jornalismo pelas práticas ali descritas. O seu aparecimento levou mesmo à criação do "Diário de Uma Jornalista no Desemprego" e, num tom mais irónico, ao "Diário de Um Jardineiro".
Manuel Pinto, provedor do "Jornal de Notícias" e um dos membros do blogue "Jornalismo e Comunicação" (webjornal.blogspot.com), chamou-lhes os "novos proletários do jornalismo" e, noutro texto, considerou que "os materiais como o destes blogues vão ser importantes nos estudos que se vierem a fazer sobre os caminhos que trilha hoje o jornalismo".
Para Sérgio Moreira, a criação do "Diário" blogue "foi o culminar de um crescendo de frustrações e preocupações" destes jornalistas, "e que, infelizmente, não tinham correspondência por parte dos editores". E assume que todas as situações relatadas "são verdadeiras", como explicou por E-mail a Computadores.
Segundo Joel Pinto, aquele espaço na Web servia para revelar as "experiências pessoais no jornal" e, "como era um blogue inocente, nem nos preocupámos com o facto de ser público ou privado". "Até mencionamos qual era o jornal em questão, tal a simplicidade com que encarávamos o blogue".
Foi para "denunciar determinadas situações e também - porque não? - brincar com as coisas", refere Ricardo Simães, outro dos "bloggers" do "Diário" e que trabalhou no jornal entre Setembro de 2002 e Julho de 2003.
Os jornalistas não deram conhecimento aos seus superiores da criação do blogue, até porque sabiam "de antemão que as chefias não iriam gostar"; mas o seu criador assume saber que se tratava de "um local de acesso público e, mais cedo ou mais tarde, iria ser descoberto". E salienta que o problema "não está no que escrevemos" mas "na coragem de denunciar estas situações".
As situações, segundo explicam, estão relacionadas com o facto de o departamento comercial combinar a escrita de artigos com o fecho de contratos publicitários. "O nosso trabalho era em função dos contratos de publicidade que eles assinavam; não havendo contratos, não havia entrevistas marcadas", salienta Joel Pinto. "Os delegados comerciais contactam as empresas ou as instituições ou entidades a estarem presentes num determinado trabalho e, em troca de um valor pago em publicidade, o jornal oferece-lhe um espaço redactorial, no qual os responsáveis dessas empresas podem falar do trabalho que fazem e dos projectos que têm". Para a direcção da empresa, "o interesse imediato é o de celebrar contratos de publicidade e não o de vender jornais", refere.
Reclamando ainda das exageradas condições de trabalho, Joel Pinto - que afirma ter tido um contrato de estagiário de 1º ano durante dois anos e meio -, salienta que "nem o próprio Sindicato [dos Jornalistas] se interessa por estas questões, tanto mais que eles não reconhecem o nosso trabalho como sendo jornalismo". O blogue "foi o único meio que encontrámos para nos exprimir livremente".
Quanto ao dever de lealdade que gere as relações entre empregador e funcionários (ver caixa "O que diz o sindicato"), o mesmo jornalista questiona, entre outras queixas, "qual é a lealdade de existir um departamento editorial que não correspondia às exigências fundamentadas dos seus profissionais", lembrando que "o comportamento de um funcionário perante a empresa reflecte o comportamento da empresa perante o funcionário".
Os autores do blogue mantiveram o anonimato e não nomearam as pessoas criticadas nos seus textos, até ao passado dia 21, quando falaram directamente de José Freitas, o responsável do departamento de publicações especiais do diário.
Joel Pinto foi despedido "apesar de ter um contrato de trabalho em vigor há mais de um ano", não vai receber qualquer indemnização nem sabe se receberá o vencimento de Abril. O blogue "vai continuar a crescer e todas as situações reais serão diariamente denunciadas", refere Sérgio Moreira. "Talvez dessa forma o nosso esforço seja recompensado e os que ficaram possam ter melhores condições".
As "chefias deveriam, desde sempre, ter criado condições para que não fizesse sentido existir um blogue como o 'Diário'", refere Ricardo Simães. E "deveriam aproveitar esta celeuma para repensar o que tem sido a prática do 'Janeiro' desde há algum tempo; deveriam reconhecer os erros", refere.
Computadores tentou - repetidamente mas sem sucesso - contactar, por via telefónica e por E-mail, José Freitas. Apenas conseguiu chegar à fala com Carla Marques, uma das editoras dos referidos suplementos, que remeteu o assunto para o seu superior. Nassalete Miranda, directora editorial de "O Primeiro de Janeiro", estava indisponível na sexta-feira e Eduardo Costa, administrador da empresa, como os restantes, não respondeu às tentativas de contacto telefónico."
sexta-feira, abril 23, 2004
A deambular pela Internet no outro dia à noite, descobri que o livro "Of Mice and Men", do John Steinbeck, que li recentemente, esteve numa lista de livros banidos mesmo dentro dos próprios EUA. E sinceramente, além de ter gostado muito da história e da forma como ela a conta, não consigo encontrar um único motivo pelo qual alguém possa ter banido aquele livro seja lá de que estante for. Especialmente pela perda que é não o ler.
Não entendo.
Não entendo.
terça-feira, abril 20, 2004
O que me chateia nos pessimistas e exageradamente cínicos é o facto de gostarem por acidente, por inevitabilidade, praguejando esse tipo de situação como uma fatalidade, quando no mínimo é uma feliz incongruência da parte deles.
Será assim tão difícil interiorizar a noção onde se gosta de gostar? Ou o passar dos tempos colocou-nos numa dualidade absoluta onde os extremos da pieguice, por um lado, e a dureza, por outro, não conhecem espectros feitos de tonalidades?
Será assim tão difícil interiorizar a noção onde se gosta de gostar? Ou o passar dos tempos colocou-nos numa dualidade absoluta onde os extremos da pieguice, por um lado, e a dureza, por outro, não conhecem espectros feitos de tonalidades?
O Chefe da MacDonalds morre de ataque cardíaco
Este é um dos casos em que, ao contrário do que dizia o meu homónimo, a ironia não fez bem ao sangue....
Este é um dos casos em que, ao contrário do que dizia o meu homónimo, a ironia não fez bem ao sangue....
Paulo Portas e César das Neves, infelizes sofredores de uma doença civilizacional...
"A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença provocada pela ansiedade, que provoca no paciente pensamentos, impulsos e imagens recorrentes, considerados "inadequados ou intrusivos" pelo doente, caracterizou Paulo Figueiredo. Para reduzir este mal-estar geral e para aliviar a ansiedade, os doentes desenvolvem determinados actos e rituais, como "lavar as mãos 400 vezes por dia para afastar a ideia da sujidade"
No "Público" de hoje - (leiam todo o artigo)
Vejam como a patologia se aplica perfeitamente ao discurso de Portas sobre a imigração e de César das Neves sobre os homossexuais e heterossexuais que acham que têm direito a uma sexualidade plena.
Pronto, está explicado...
"A perturbação obsessivo-compulsiva é uma doença provocada pela ansiedade, que provoca no paciente pensamentos, impulsos e imagens recorrentes, considerados "inadequados ou intrusivos" pelo doente, caracterizou Paulo Figueiredo. Para reduzir este mal-estar geral e para aliviar a ansiedade, os doentes desenvolvem determinados actos e rituais, como "lavar as mãos 400 vezes por dia para afastar a ideia da sujidade"
No "Público" de hoje - (leiam todo o artigo)
Vejam como a patologia se aplica perfeitamente ao discurso de Portas sobre a imigração e de César das Neves sobre os homossexuais e heterossexuais que acham que têm direito a uma sexualidade plena.
Pronto, está explicado...
Electroencefalogramas revelam cartão de militancia
Pois é. Ao que parece as tendências políticas podem efectivamente partir de uma concepção endógena e genética. Claro que se trata ainda de uma experiência, mas tendo em conta muitas pessoas da nossa classe política, a única desculpa que podem ter realmente traduz-se numa imposição genética.
E os remédios, como o bom senso e quejandos, há muito que parecem ter perdido a força e eficácia terapêutica.
E depois há gente verdadeiramente doente como
este tipo, cuja cura se desconhece e por acaso ocupa um lugar de poder há anos infindos. E voltando a citar Robert.E. Howard ( J. cá está ele novamente), desde quando é que ser doido ou pobre de espírito é óbice para que alguém se torne líder de Homens?
E querem alimárias destas para Presidente da Assembléia da República...
Pois é. Ao que parece as tendências políticas podem efectivamente partir de uma concepção endógena e genética. Claro que se trata ainda de uma experiência, mas tendo em conta muitas pessoas da nossa classe política, a única desculpa que podem ter realmente traduz-se numa imposição genética.
E os remédios, como o bom senso e quejandos, há muito que parecem ter perdido a força e eficácia terapêutica.
E depois há gente verdadeiramente doente como
este tipo, cuja cura se desconhece e por acaso ocupa um lugar de poder há anos infindos. E voltando a citar Robert.E. Howard ( J. cá está ele novamente), desde quando é que ser doido ou pobre de espírito é óbice para que alguém se torne líder de Homens?
E querem alimárias destas para Presidente da Assembléia da República...
sexta-feira, abril 16, 2004
Frank Norris, the author of McTeague, said something like this: "What should I care if they, i.e., the critics, single me out for sneers and laughter? I never truckled, I never lied. I told the truth." And that's always been the bottom line for me. The story and the people in it may be make believe but I need to ask myself over and over if I've told the truth about the way real people would behave in a similar situation.
Stephen King
É impressionante como tanta gente se esquece deste princípio básico, lá do alto da cabotinice supostamente instruida. Como se esquecem que o monopólio da verdade não assenta em meia dúzia de tipos que acham que, lá por liderarem a mais recente corrente literária, se acham autorizados a desconsiderar toda a gente que não segue os seus critérios e gostos.
Stephen King
É impressionante como tanta gente se esquece deste princípio básico, lá do alto da cabotinice supostamente instruida. Como se esquecem que o monopólio da verdade não assenta em meia dúzia de tipos que acham que, lá por liderarem a mais recente corrente literária, se acham autorizados a desconsiderar toda a gente que não segue os seus critérios e gostos.
Bem, já que estou numa de divulgação, siga para bingo.
Desta vez é Frank Miller um velho conhecido, que se excedeu com Sin City, um arrasador trabalho de arte num comic saído do mais delirante e violento film noir imaginável.
Mas o seu trabalho de viragem, já precedido da saga do homem sem Medo, Daredevil ( outro filme que estragou completamente uma magnífica BD), é Dark Knight Returns, uma visão apocaliptica do retorno de um Batman com pouco menos de sessenta anos e muitas obsessões num mundo estranho. Uma maravilha. Está publicado pela Devir a um preço muito razoável, e mais uma vez, os apreciadores não devem perder.
Desta vez é Frank Miller um velho conhecido, que se excedeu com Sin City, um arrasador trabalho de arte num comic saído do mais delirante e violento film noir imaginável.
Mas o seu trabalho de viragem, já precedido da saga do homem sem Medo, Daredevil ( outro filme que estragou completamente uma magnífica BD), é Dark Knight Returns, uma visão apocaliptica do retorno de um Batman com pouco menos de sessenta anos e muitas obsessões num mundo estranho. Uma maravilha. Está publicado pela Devir a um preço muito razoável, e mais uma vez, os apreciadores não devem perder.
Este senhor, de seu nome Alan Moore, é provavelmente um dos artistas mais influentes na cena BD dos ultimos anos. Depois da palhaçada que foi o desmembramento da sua obra "League of Extraordinary Gentlemen" num filme que não faz a mínima justiça á obra escrita e desenhada, fala-se na adaptação de Watchmen, talvez uma das melhores obras de BD feitas até hoje. Espero que saibam respeitar desta vez aquela que é uma obra plena de iconoclastia subtil, fantástica e arrasadora, sem deixar de ser mágica. Basta lembrar os trabalhos dele na saga Swamp Thing.
Quem for apreciador e não sofrer daquela tendência terrível e sobranceira para considerar a BD como uma arte inferior, aconselho a devorar tudo o que este tipo produz, porque a qualidade é garantida. Rato de biblioteca, Moore dá-nos a sensação de ler histórias cheias, abrangentes, e sobretudo, assustadoras porque tocantes.
Um absoluto prazer.
quarta-feira, abril 14, 2004
Um grande e velho amigo guia-nos através de uma sugestão de indumentária. Foi o meu primeiro e talvez melhor sorriso do dia.
Grande Abraço, Bird ( Tem algo a ver com o Charlie Parker?)
Grande Abraço, Bird ( Tem algo a ver com o Charlie Parker?)
Socorro... Quem salvará o Monsanto?
Mas não há ninguém que veja esta atrocidade?
Sim, estou a repetir-me, mas é demasiado grave o que se avizinha...
Mas não há ninguém que veja esta atrocidade?
Sim, estou a repetir-me, mas é demasiado grave o que se avizinha...
Abro o Público de hoje e constato que a maioria eleita para a Câmara de Lisboa não quer considerar o parque florestal do Monsanto como área protegida.
É caso para dizer que já nem se dão ao trabalho de disfarçar, e temo pelo momento em que este maravilhoso pulmão da cidade de Lisboa venha a ser invadido pela ganância e interesses imobiliários.
Que absoluta vergonha. Que triste desperdício...
É caso para dizer que já nem se dão ao trabalho de disfarçar, e temo pelo momento em que este maravilhoso pulmão da cidade de Lisboa venha a ser invadido pela ganância e interesses imobiliários.
Que absoluta vergonha. Que triste desperdício...
quarta-feira, abril 07, 2004
É uma constante que tenho visto em pessoas com um certo alinhamento político religioso esta espécie de alergia á ficção, como se fosse uma espécie de género menor ou coisa que o valha. Além de ser um preconceito de quem tem uma qualquer espécie de aversão à criação e imaginação, como se fossem coisas indignas, é contraposto com outra espécie, desta vez de sobranceira, como se a raiz da dita cultura séria radicasse nessa teimosia com o que chama de realidade.
E depois vivem a vida completamente ligados a um mito, a uma fantasia, que gera uma corrente de opinião e crença gigantescas. Os polícias da realidade acham-se assim rendidos a uma história mitológica, na qual crêem através do recurso à imaginação que gera algo sobre o qual não se deve pensar, mas simplesmente acreditar.
Em que é que ficamos?
O que é impressionante é que essas mesmas pessoas apoiam-se numa corrente de opinião. Se o Village Voice diz que a ficção está morta, vá lá saber-se porque estranhos desígnios dos gurus da chamada cultura "séria", então é vê-los a seguir a prédica sem perguntas, à semelhança do que fazem perante outras situações.
É isto a glorificação da realidade?
Ou a religião surge como a excepção a essa regra de qualificação?
Aqui existe, no mínimo, incoerência, já para não falar na cabotinice intelectual do costume.
Enfim.
E depois vivem a vida completamente ligados a um mito, a uma fantasia, que gera uma corrente de opinião e crença gigantescas. Os polícias da realidade acham-se assim rendidos a uma história mitológica, na qual crêem através do recurso à imaginação que gera algo sobre o qual não se deve pensar, mas simplesmente acreditar.
Em que é que ficamos?
O que é impressionante é que essas mesmas pessoas apoiam-se numa corrente de opinião. Se o Village Voice diz que a ficção está morta, vá lá saber-se porque estranhos desígnios dos gurus da chamada cultura "séria", então é vê-los a seguir a prédica sem perguntas, à semelhança do que fazem perante outras situações.
É isto a glorificação da realidade?
Ou a religião surge como a excepção a essa regra de qualificação?
Aqui existe, no mínimo, incoerência, já para não falar na cabotinice intelectual do costume.
Enfim.
"Maldito é o Homem que vive em época decadente." Robert E. Howard
"Roubado" ao magnífico Cruzes Canhoto
"Roubado" ao magnífico Cruzes Canhoto
"Ao contrário de muitas pessoas que têm uma qualquer pancada na cabeça, a não ser que aceitemos que todos têm tal coisa, eu sempre me dei bem com o meu pai. Talvez porque fosse fácil admirá-lo, ou porque nunca fora económico no afecto que distribuía, ou porque era uma pessoa que recebia um terço da generosidade com que brindara tanta gente durante toda a sua vida. Não conseguíamos conversar de forma muito aprofundada, e ainda não conseguimos fazê-lo, mas isso não surpreende na maioria das situações que conheço, especialmente no que diz respeito às pessoas da minha idade. Divertimo-nos a ver a bola, a trocar ideias à mesa dos almoços cheios de tias e sobrinhos, mas não consigo contar-lhe nada acerca de uma qualquer melancolia trazida por um livro, ou uma peça de música ou uma mulher mais esquiva. Dificilmente poderia discutir o meu ultimo e mirabolante projecto literário que certamente acabaria devolvido na minha caixa de correio ou muito bem aproveitado para rascunho numa qualquer secretária.
Acho que este é sem duvida um fenómeno recorrente. Talvez não nas gerações que seguem a minha, mas a noção que tenho é que salvo alguns indivíduos que se enchem de bravura e estão preparados para ouvir tudo da boca dos filhos, a maioria dos progenitores conscienciosos não arriscam entrar na esfera mais privada e íntima da prole. Talvez porque nesse local moram determinadas formas de sentir, como o sofrimento, e pode ser demasiado penoso saber até que ponto a descendência pode estar a sofrer sem que se possa intervir. Ou então não falam a mesma linguagem, porque a musica não é a mesma, os livros também não, e o panorama político lança mensagens diferentes no mesmo anuncio para cada uma das gerações que o vejam. Eu e o meu pai éramos, como ainda somos, compinchas, amigos da bola, conversadores de boa vontade que os laços de sangue arrastavam para uma intimidade mais incómoda por vezes, mas inevitável. "
Excerto de ficção ou quase...
Acho que este é sem duvida um fenómeno recorrente. Talvez não nas gerações que seguem a minha, mas a noção que tenho é que salvo alguns indivíduos que se enchem de bravura e estão preparados para ouvir tudo da boca dos filhos, a maioria dos progenitores conscienciosos não arriscam entrar na esfera mais privada e íntima da prole. Talvez porque nesse local moram determinadas formas de sentir, como o sofrimento, e pode ser demasiado penoso saber até que ponto a descendência pode estar a sofrer sem que se possa intervir. Ou então não falam a mesma linguagem, porque a musica não é a mesma, os livros também não, e o panorama político lança mensagens diferentes no mesmo anuncio para cada uma das gerações que o vejam. Eu e o meu pai éramos, como ainda somos, compinchas, amigos da bola, conversadores de boa vontade que os laços de sangue arrastavam para uma intimidade mais incómoda por vezes, mas inevitável. "
Excerto de ficção ou quase...
segunda-feira, março 29, 2004
CARTAS A SÓNIA VI
Não é fácil ser humano. Humano naquela asserção em que a inspiração junto de outros manifesta-se por uma combinação entre uma firme e paradoxal crença racionalizante nas pessoas. Apesar de tudo, pensarás.
A verdade é que ser humano, daqueles que nos envergonham porque a meio da sua naturalidade jorram um elemento composto de humildade e ambição na personalidade, é um feito absoluto, em meu ver. Porque está lá conservada uma espécie muito peculiar de inocência. Aquela que reconhece o cinismo e até bebe uns cafés com ele de quando em vez.
Aquilo que mais me espanta é como consegues fazer isso tudo.
Como consegues ir perdoando, descobrindo, e agregando, mesmo quando muitas pessoas olham para o outro lado, em busca da descomplicação.
Ser indefeso perante alguém que se mostra num acto contínuo de querer bem e querer justo, é para mim simplesmente natural.
Seres tu, explica muita coisa.
Especialmente a razão pela qual somos levados a isolar apenas alguns seres humanos, precisamente aqueles que o conseguem ser.
Com toda a complexidade e sentimentos contraditórios.
Com toda a dificuldade e desejado visionarismo.
Não é facil ser humano.
Como é que fazes?
Não é fácil ser humano. Humano naquela asserção em que a inspiração junto de outros manifesta-se por uma combinação entre uma firme e paradoxal crença racionalizante nas pessoas. Apesar de tudo, pensarás.
A verdade é que ser humano, daqueles que nos envergonham porque a meio da sua naturalidade jorram um elemento composto de humildade e ambição na personalidade, é um feito absoluto, em meu ver. Porque está lá conservada uma espécie muito peculiar de inocência. Aquela que reconhece o cinismo e até bebe uns cafés com ele de quando em vez.
Aquilo que mais me espanta é como consegues fazer isso tudo.
Como consegues ir perdoando, descobrindo, e agregando, mesmo quando muitas pessoas olham para o outro lado, em busca da descomplicação.
Ser indefeso perante alguém que se mostra num acto contínuo de querer bem e querer justo, é para mim simplesmente natural.
Seres tu, explica muita coisa.
Especialmente a razão pela qual somos levados a isolar apenas alguns seres humanos, precisamente aqueles que o conseguem ser.
Com toda a complexidade e sentimentos contraditórios.
Com toda a dificuldade e desejado visionarismo.
Não é facil ser humano.
Como é que fazes?
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