ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, setembro 20, 2004

A CRIANÇA REI

Já sei que vou ser espancado por isto, mas olha, que se lixe. Se é diário, é diário, e além disso, nem protestos tenho nos comentários, portanto mais vale abrir o cesto e ddeixar os gatos esgatanharem-se à vontade.
O tópico é a criança-rei. A criança que manda. O mundo que se construiu em torno de uma qualquer sacralização excessiva do papel da paternidade, e uma espécie de doutrina feliz do auto-abandono. Ou seja, que mais me importa se tenho lá os ratos de tapete em casa? ( rug-rats - culpem os anglófonos)
A verdade é que cada vez ais vejo as pessoas dizerem com um ar alegre que não lêm um livro, que não vão ao cinema, que não cuidam do corpo, que não fazem praticamente nada na sua esfera social, porque há os petizes, e os petizes são tudo e mais alguma coisa.
Longe de mim colocar isso em causa, já que não sou pai e não tenho a dimensão do fenómeno bem segura. Mas caraças, quando ouço pessoas dizer que já nem a sua dimensão erotizada exercitam porque entre as fraldas, as comidas, as escolas e mais o diabo a quatro, já não resta energia para nada, eu pergunto se as pessoas abraçam esta espécie de deserção completa da vida própria com um absoluto sorriso nos lábios. E uma vez que as mães, por recorte biologico, estão mais sujeitas a isto, pergunto-me igualmente se existe uma admiração muito grande perante situações que correm mal, precisamente porque o elemento masculino se tornou o "provider" e pouco mais.
A verdade é que há este endeusamento dos míudos, e sobretudo, uma espécie de transferência absoluta, em muitos casos, ( não em todos, claro), da totalidade do ser individual. Há quem diga que se encontra um objectivo ultimo e fundamental na vida. Não duvido. Mas há tanta necessidade de auto-abdicação? Será que o destino é tornarmo-nos inexistentes em detrimento de alguém?
E principalmente nesta geração, onde não se doseia nada, onde ou se dá tudo, ou não se dá nada, onde se confundem as capacidades de provisão material com o processo de conhecimento e criação de laços entre os indivíduos, produto desta cada vez mais mecânica e fria sociedade moderna da meritocracia.

Aguarda-se o espancamento dos pais extremosos....

quinta-feira, setembro 16, 2004

Como já disse no passado, não sei quem são os meus leitores, se é que os há. É por isso que isto mais se presta a ser um diário para relembrar momentos do meu tempo, do que um espaço realmente dialéctico.
Mas tenho muita pena que não seja ao contrário. Digo, não sem alguma vergonha, que tenho uma inveja (saudável acho eu) daqueles blogs onde alguém chega, comenta, e por vezes se ergue uma salganhada divertida.
Pode ser que qualquer dia...
Estou a matutar num projecto... VAmos ver se com ele, as coisas arrancam

Abraços!
Há algo na anatomia feminina que acho simplesmente delicioso.
Há muito, mas este é um detalhe que, sem prejuízo de alguém já o ter chamado a si como preferência, guardo como se fosse meu.
A forma como o pescoço se desdobra nos ossos da clavícula, acabando nos ombros nús, faz das camisolas abaixo da linha destes um pequeno milagre estético . Os ombros nús , como a linha das costas nuas, são um tesouro estético da imagem feminina.
Eis como está o país...
Quod erat demonstrandum, Jorge Sampaio....
A solidão e o medo são dois conceitos equiparados.
Porque ambos vivem da ausência de um fim à vista.
E porque essa ideia, ainda que ilusória, acaba por recriá-los.
SÃO DOIDOS ESTES BRETÕES...

Ontem uma mancha da população inglesa, da mesma laia que os defensores de touradas e lutas de cães e galos, ( ou seja gente que se diverte a ver sangue, morte e tortura de animais inocentes ), irrompeu pelo Parlamento Inglês a pedir justificações à Câmara dos Comuns a propósito de uma lei que proibirá uma das práticas mais bárbaras de que há memória, ou seja, a caça á raposa. O argumento é a mesma palhaçada de sempre, ou seja, a tradição.
Quando comento isto com defensores das touradas, aparece sempre o argumento falacioso de que também matamos animais para comer e blá, blá,blá... Falacioso porque encerra em si mesmo a resposta contrária, ou seja, para comer. Não por desporto, não pelo desejo de ver o animal sofrer, não pela visão do sangue disfarçado de uma qualquer contenda divertida ou galharda.
Mas ainda que este argumento pudesse alguma vez ter cabimento, pergunto qual então a aplicação do conceito na caça á raposa. Alguém a come? É gourmet algures, sem ser para lobos?
Não. É apenas a questão do "desporto". Persegue-se e retalha-se um animal até à morte porque alguns imbecis se cham entediados e resolvem fazer a sua versão da Cavalgada das Valquírias ou da carga do General Custer.
Exemplo desta estupidez inqualificável são as declarações de uma mulher ao lado do seu cavalo que diz:
"Well, for one, it's a sport I have been practicing all my life, and that I love, and that because of this bill, It's going to be taken away from me. Secondly, me and my hunsband have a business. We produce riding boots and this bill will automaticaly have impact on our business. "
1º Argumento - Estúpido e de uma inconsciência ambiental que custa a crer. Na antiguidade também existiam outros desportos que geravam tradição, mas foram abolidos. O imperador Nero era fã de alguns dos mais radicais. A fundamentação para perseguição e morte de uma espécie protegia é o "desporto". Repugnante.
2º Argumento - Ainda mais idiota. Esta senhora quer fazer-nos crer que a botas de montar só se vendem para a caça à raposa, privilégio para quem tem cavalos e propriedades, o que está bem claro, se trata de da maiora da população. Aliás, a dita senhora, vestida num fato que deve custar mais que o ordenado de muita gente naquele país, ao lado de um cavalo que deve custar tanto ou mais que a minha casa, quer-nos fazer crer que vive de botas para montar exclusivas para a caça á raposa.
Sinceramente, há alguém que ache realmente piada a perseguir um animal do tamanho de um cão pequeno, até à exaustão, para depois lhe espetar um balázio e vê-lo a ser retalhado pelos cães de caça? Há alguém que ache graça a este horror?
76% dos britânicos acham que não, e a lei vai ser aprovada.
Mas há gente que resiste a isto em nome da "tradição", como se ela justificasse este ou outros actos.
Que mundo de merda este....

quarta-feira, setembro 15, 2004

COITUS.. ININTERRUPTUS...?
Embora seja um assunto que se presta a muitas piadas, ou a um olhar sobranceiro por parte de quem enche o peito e afirma que tem coisas mais importantes em que pensar, há algo que passa pela cabeça de quase toda a gente. E esse algo prende-se com as disfunções sexuais entre casais, especialmente no que diz respeito aos comportamentos, ás iniciativas e sobretudo, à chamada frequência. Para quem está absolutamente casado, junto ou enamorado da sua vertente prática ou para/profissional, isto de nada serve. Para quem não se preocupa com isso por outras razões, entenda-se líbido bem comportadinha, a mesma premissa se aplica.
Mas confesso que me interessei.
Existe uma tonelada de informação, provavelmente alguma mais fidedigna que outra, a qual mostra perspectivas completa e diametralmente opostas. A questão prende-se com as perspectivas que são demonstradas, e que de alguma forma criam uma espécie de código ou corrente de opinião sobre estas coisas.
Dos mais identificativos deve ser o código Cosmo. Caraças, uma espécie de filosofia pós moderna e caótica, cheia de dúvidas que assentam mais nas fixações de cada um do que propriamente no desejo de realmente ver o que se passa do outro lado. A geração Cosmo fala de mulheres que, afastando as capas vermelhas que têm nas costas, fazem tudo e mais alguma coisa, levam a assertividade profissional e social a um ponto inimaginável e são uma espécie de manual ilustrado acerca da teoria geral do erotismo e seus componentes. São amantes perfeitas, preocupadas, exigentes com o seu prazer e atletas de treino e iniciativa constante. Olhando para pérolas como a criação de Candace Bushnell e quejandos, são mulheres cuja líbido está ligada a um reactor de alta potência, com abastecimento quase ilimitado. O mais engraçado é que essa espécie não se vê frequentemente. Falando com amigas e conhecidas, toda a gente se ri e interioriza algumas das parábolas, mas os contos da sua vida de dia a dia em nada se assemelham ao protótipo veiculado pela sociedade. Se formos a fazer um inquérito realmente honesto, talvez nos surpreendamos com facto de que a maioria das mulheres inteligentes e sexys que conhecemos não tem uma actividade sexual que encaixe minimamente nos padrões da informação veiculada. Os mitos grassam por todo o lado, mas o relato diário pouco difere dos demais.
Surgem as justificações do stress, do cansaço, da altura do ano, da desconformidade dos apetites, e por aí fora. Os relatos de seres estupendamente sexuados e activos parecem uma espécie de abstracção provinda de um video de ginástica da Jane Fonda ou da Carmen Electra. E as disfunções e desencontros levam a muitas coisas, entre as quais mesmo ao termo das relações, porque cad uma das partes julga a sua reinvindicação como justa.
E a questão sobrevém.
O que é a normalidade, se é que tal coisa existe?
Qual é a chamada frequência? Seremos sempre vitimas do quotidiano?
Se a expontaneidade não tem respostas absolutas, será que se pode encarar como um treino para atingir um bom resultado posterior e melhoria das reacções instintivas e automáticas?
Porque será que genericamente parece existir relatos de um desencontro entre a libido masculina e feminina?
O sexo poderá realmente ser só um detalhe entre muitos outros numa relação, seja ela mais ou menos séria, ou é mesmo a bitola pela qual se mede a saúde ( e já agora a satisfação) do envolvimento? Não será o sexo uma das expressão máxima da diferenciação afectiva e sensorial de uma ( ou mais que uma, para os imaginativos mais liberais) pessoa perante as outras? Não é o impulso que temos expresso na atracção sexual pelo outro que o diferencia de qualquer outra pessoa que nos leve a produzir um juízo estético?
No fundo, o que é que as pessoas, homens e mulheres podem esperar? Ou devem?
Será que na sociedade do sexo e do trabalho, o primeiro só pode realmente competir com o segundo em férias?
Não será a resignação perante essa desaquação uma espécie de comodismo perigoso?
Sinceramente, a disparidade de opiniões é tão grande, que cabe a quem pode definir o seu cenário, e pouco mais.
Mas a ideia que tenho é que os cenários ideiais apresentados, que atravessam desde publicações periódicas á literatura, não identificam sequer quem os apresenta, mas são uma espécie de cartão de visita indicativo, e quiça, programático. Wishfull thinking, talvez?
Sei lá...
COMPLETO ASCO

Se querem ter o estômago às voltas aqui têm!
Lixo mental, racismo, ignorância, etc, etc... há lá de tudo.

Já agora alguém avise aqueles (ausência de qualificação possível aqui - preencha como quiser) que os advérbios aos quais se junta o sufixo mente á forma feminina do adjectivo nunca levam acento...

Como é que possível?
The Temperance Card
You are the Temperance card. Temperance is the
blending of elements to produce stability. We
say that someone is temperate when they are
pleasant and easy going. Temperance achieves
balance through merging, so a temperate person
is one who feels whole. Creative genius is
often found in the ability to unite two
previously unconnected ideas. Aleister Crowley
considers this one of the most important facets
of this card and names the card Art. He refers
to a generation of a third element out of two
previously existing elements. In the same way,
the artist has the ability to create a painting
from canvas and some tubes of coloured paint.
The temperate person is also inclined to think
about philosophy. Temperance leads to a calm
and rational logic but can also look beyond
everyday knowledge for the truth. Image from
The Stone Tarot deck.
http://hometown.aol.com/newtarotdeck/
Which Tarot Card Are You?
brought to you by

MALTA SIMPÁTICA II....

terça-feira, setembro 14, 2004

Não falei do 9/11 propositadamente.
Porque perante a magnitude de certos horrores, e o aproveitamento que deles se faz para desencadear a pior política externa de que há memória, e que redunda na co-responsabilidade nesta crise petrolífera que nos assola, não há muito a dizer.
Eu estive no alto do Empire State Building, consideravelmente mais pequeno que as duas torres do WTC, e não consigo imaginar, ou talvez não queira, o que será o horror visto de dentro daquelas janelas, do alto daqueles edifícios.
E como não imaginando, nada consigo dizer, foi por isso que me abstive de relembrar.
Porque o esquecimento não agracia todas as coisas.
"MANDONNA"

Virgem, Sevilhana, Erótic,a agora cabalista... ufff... A mulher não pára.
O problema é conseguir separar todas estas formas de "expressão" de uma campanha de marketing bem planeada. A menina agora reinventou-se, mas como dizia um cronista de rádio no outro dia, parece já não haver muito por onde inventar.
Pessoalmente a senhora nunca me disse nada, especialmente porque a música parecia ser sempre a ultima preocupação da sua actividade. Mas como não sou fã de POP, e muito menos de Super Pop, a rainha deste género passa-me ao lado, como alguém que efectivamente mostrou garra enquanto mulher de negócios, mas pouco mais.
É um triunfo da perseverança, mas sinceramente, a histeria é-me incompreensível...
"Parnabens!"

Um ano de Barnabé, ou seja, de qualidade, de humor, de investigação, denúncia e sobretudo, resistência fundamentada ao neoliberalismo selvagem.

Parabéns Amigos!


sexta-feira, setembro 10, 2004

PERGUNTAS, PERGUNTAS....

Eu sei que é uma perplexidade algo... bem...

As senhoras que esclareçam.

A chamada Cueca Fio dental ou tanga, oferece algum conforto que não seja (para nós) visual? Para uma peça de vestuário ( ou deveria dizer peça de estético e atraente "desnudário") que hoje em dia move milhões na industria de confecção, acho que a pergunta se justifica...

Que querem? Por (muitas) vezes estas coisas também me passam pela cabeça...


HUMOR INVOLUNTÁRIO... OU TALVEZ NÃO...


O New York Times tem, na sua página de abertura, um link onde se pode ler Personalize your weather. Deve ser bem prático para a agricultura ou as férias de Verão, se bem que este ano muita gente deve ter baralhado os comandos de HTML.

Ainda na primeira página desse diário (por vezes sisudo) de referência, surge um artigo sobre o incremento fantástico que têm tido as autobiografias de celebridades. A celebridade agraciada com uma foto na primeira página é nem mais nem menos que a renomadíssima diva do circuito dos filmes para adultos-Jenna Jameson- que tem conhecido um sucesso considerável com a sua autobiografia chamada "How to Make Love like a Porn Star".
Dentro deste mesmo artigo, informam-nos de que alguém vai publicar um livro chamado "Very Naughty Origami" que ensina, entre outras coisas, a construir uma orgia em pequenas figurinhas de papel. Lá se vão as pombas e dos dragões feitos de guardanapo ou extracto multibanco, dando lugar aos pénis, malta na ramboiada geral e sabe-se lá que mais... Ora, tendo em conta que a "Manga" também é japonesa, penso que os nossos amigos do sol nascente não porão objecções a esta expansão temática da sua arte milenar.

Melhor que tudo isto só mesmos estes amigos!!!





DA PRÓXIMA VEZ QUE NÃO FIZER UM TELEFONEMA OU NÃO RESPONDER A UMA MENSAGEM...


Algumas pessoas teimam em queixar-se que os telefonemas escasseam, que as missivas morrem e que os rostos parecem desvanecer-se.
Algumas têm razão no seu protesto, porque de alguma forma os seus esforços parecem não ter qualquer efeito.
Outras repousam num status quo que de alguma forma parece representar um constante estado de desculpa, de razão plausível, o que, mesmo que seja verdade, retira qualquer razão ao que clamam. É que nestas coisas do ritmo urbano, mais do que nunca, só angariamos dos outros metade daquilo que damos, e mesmo assim, com esforço.
Certas coisas nunca estão garantidas.
Não existe piloto automático para a presença. Ou a afeição material.
AINDA A MERITOCRACIA

Antecipando as respostas inflamadas do infeliz liberal que por algum acaso cá vier parar, expresso apenas algumas angustias quanto o tema em epígrafe.
A meritocracia cresce, e a passos largos. O exponencial crescimento do acesso aos cursos superiores, a criação e vinda de teorias de eficiência que pouco se afastam de uma escravatura a soldo, a competição desde idades demasiado tenras para entender que o outro nem sempre tem de ser nosso concorrente, tudo são elementos de uma atitude que se pode comparar aos hábitos de um hamster. Correr rápido, ter a ilusão de ir a qualquer lado e morrer com a noção de brevidade iluminada nos ultimos pensamentos.
Não tenho dúvidas de que a ambição de crescer e progredir enquanto ser humano, produtivo e cultural é valiosa e em certa medida, inestimável. Mas não é isso que se pede. Pede-se o "overachievment", o corredor de maratona que tem de atravessar as sucessivas metas nem que tenha de o fazer num cambaleio agonizante. Pede-se aquela palavra odiosa que mascara o abuso de muitas exigências - "a (absoluta) disponibilidade.
Em face a este statuos quo, tenho várias perguntas:

  1. Alguns dos argumentos aventados prendem-se com o facto de se querer ganhar dinheiro para ter coisas, ou para providenciar à pessoas amadas uma vida melhor. Será que tudo isso substitui a presença da pessoa, o seu contributo, a sua carne e espírito junto dos que dele gostam? Será que vale a pena ver a alegre cifra do extracto multibanco, que permite a casa de multiplos quartos constantemente vazia, o carro dos anúncios selectos para ir e voltar do trabalho e quase nada mais, a roupa da moda para as reuniões e viagens,os restaurantes finos para jantar quase exclusivamente com clientes?
  2. Outra das razões apresentadas prende-se com o bem estar da prole. E aqui sou insuspeito para falar,jaque a paternidade não me fascina por aí além (embora espere que isso mude, a sério!). Será que a conta bancária, que paga os colégios, as roupas da Sacoor e quejandos, os brinquedos caros e anestesiantes, substituem a presença, a intervenção dos progenitores, o seu papel educador e emocional? Será que as desculpas para os horários impossíveis, entram na percepção de um petiz que não faz ideia porque raios é que o pai/mãe passa dias sem o ver? É engraçado como os liberais aqui baixam sempre a bola. Não tem resposta para esta situação, porque lidam com uma incompreeensão que é genuína e se está a cagar para estatísticas. A incompreensão de quem só deseja a contrapartida do afecto que lhes é entregue.
  3. Porque razão é que gente casada com a carreira tem famílias? Sinceramente, para quê? É pelo estatuto? É porque ficabem perante o conselho de administração? É que na minha óptica, quem tem objectivos desses, perfeitamente legítimos, não tem espaço, nem desejo de ter família, amigos ou a chamada vida pessoal. Mas no entanto, tenta ter tudo, mesmo sabendo por onde é que a corrente quebrará. É igualmente legítimo ter esse desejo, até porque me custa a crer que, ( excepção de talvez Jardim Gonçalves e quejandos) essas pessoas não acusem o vazio no seu dia a dia, mas até que ponto será justo sujeitar os entes queridos a esse malabarismo do tempo?
  4. Embora não seja novidade para ninguém, a verdade é que o dinheiro acaba por ser a resposta. Não há tempo para ver um filme enroscado no sofá, uma noite de Inverno e com um alguidar de pipocas á frente, mas de quando em vez lá dá para ir ao restaurante onde os empregados até sacodem a gravilha das solas recortadas dos sapatos e fazem uma limpeza a seco ao casaco da senhora enquanto ela janta. Não se lê um livro, ou se procura uma musica, mas porra, quem é que tem tempo e cabeça para ler essas merdas complicadas quando toda a energia mental foi simplesmente espremida como um limão inchado, precisamente para ter este ecran de plasma de 1,5m, onde curiosamente, nunca se vê filme algum porque nao há tempo.
  5. Será que alguêm vê mesmo um valor intrinseco em ser definido pelo seu trabalho?Não ter espaço para ser humano, para ser preguiçoso, sexual, curioso, hedonista, ou partede uma família, seja ela de sangue ou amizade?
  6. Já nem vou falar no sexo. Porque se eles não comerem as secretárias no 234ª serão do ano, ou elas não derem uma volta com o diletante que por acaso tem tempo e dinheiro para fazer desportos radicais na Gronelandia ou no deserto de Gobi, o cansaço é sempre muito, e "há sempre coisas mais importantes em que pensar".
  7. A verdade é que dita família nuclear está em declínio, e quem mais torce para que ela viva, é quem menos condições dá para que isso seja possível. São aqueles a quem repugna os direitos laborais, o direito enquanto ser cultural e mesmo desportivo. A contradicção essencial é por demais óbvia. São os que compram as famílias com o tal "bem estar".
  8. Os sinais de tristeza e perturbação social são alarmantes. A depressão, a obesidade e as demais doenças relacionadas com o stress estão a arrefecer e estilhaçar todas as chamads estruturas gregárias modernas. A obsessão do"conseguir para mostrar"está a ultrapassar em larga escala"o criar para ser". As pessoas crescem num impulso de ambição competitiva selvagem, onde a ambição que se instila não é ser melhor ou mais sustentado, mas conseguir um espaço de poder onde gravitem aqueles que potencialmente criticam.

A meritocracia é uma realidade, e cresce cada vez mais. As pessoas cada vez menos desculpam um distanciamento perante um escalão de elasticidade economia/social. A humildade é confundida e acusada de preguiça, e o estatuto consegue-se pelo betão, a chapa e os circuitos integrados.

E a minha pergunta mantem-se a mesma.

Porque tentam algumas dessas pessoas ter uma família? Um(a) namorado(a)? Ou alguns amigos? Ao contrário do que dizia Ovídio, nem sempre nos mantemos vivos, ainda que não estejamos presentes.

Digo isto em tom de tristeza, e não de acusação. Em tom de expectativa, de um oxalá, porque a esta altura, é tudo quanto me(nos) parece restar.

quinta-feira, setembro 09, 2004

SIMPÁTICOS OS MOÇOS...





U2.jpg
You're in touch with the world, and you have a very
strong opinion on things like politics and war.
Even if you do end up changing your image in
the future, most of us will still like you.


What band from the 80s are you?
brought to you by Quizilla

quarta-feira, setembro 08, 2004

AOS VISITANTES


A consistência é uma coisa engraçada.
Durante muito tempo, e posso dizer, que nos ultimos seis meses ou mais, a minha média de visitas ronda as dez ou quinze diárias. O que significa que em média, devem existir certa de oito pessoas que se dão ao trabalho de visitar este estaminé com alguma regularidade.
Não sei quem são, á excepção de uma ou duas que comentam regularmente, nem que seja para me cumprimentarem, mas ainda assim agradeço aos dez pacientes peregrinos que deambulam por aqui todos os dias, cheios de uma paciência homérica para passar os olhos nesta prosa.
Não concordo com ele muitas vezes, mas o amigo PAcheco Pereira dizia algo que julgo acertado ao referir que quando escrevemos algo, é sempre para alguém, porque a exteriorização deseja sempre alguma espécie de eco. Sinceramente, e contra mim falo, não acredito que exista algo como escrever para o próprio. Se está cá fora, então sinceramente, espero que alguém leia. E acho que toda a gente é assim, talvez á excepção do Sallinger, mas enfim...
Seja como for, obrigado pelos poucos fieis que pacientemente acompanham este diário.
Bem hajam.


quinta-feira, setembro 02, 2004

Não sei se o Verão acabou.
Mas a cidade começou.
Seja como for, o panorama é algo cinzento... para já.
EM RONDA AOS BLOGS

Ainda sobre a IVG, a minha amiga Ana dá um toque da sua classe. Como habitualmente, de resto.
Realce-se ainda a resposta ao J. , relativamente á questão do racismo e anti-semitismo em França. Igualmente esclarecedor, interessante, de argumentação estruturadíssima, embora hajam alguns pontos, pequeno, com os quais não concordo inteiramente.
Vale bem a pena ler.