ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, setembro 20, 2004

A CRIANÇA REI

Já sei que vou ser espancado por isto, mas olha, que se lixe. Se é diário, é diário, e além disso, nem protestos tenho nos comentários, portanto mais vale abrir o cesto e ddeixar os gatos esgatanharem-se à vontade.
O tópico é a criança-rei. A criança que manda. O mundo que se construiu em torno de uma qualquer sacralização excessiva do papel da paternidade, e uma espécie de doutrina feliz do auto-abandono. Ou seja, que mais me importa se tenho lá os ratos de tapete em casa? ( rug-rats - culpem os anglófonos)
A verdade é que cada vez ais vejo as pessoas dizerem com um ar alegre que não lêm um livro, que não vão ao cinema, que não cuidam do corpo, que não fazem praticamente nada na sua esfera social, porque há os petizes, e os petizes são tudo e mais alguma coisa.
Longe de mim colocar isso em causa, já que não sou pai e não tenho a dimensão do fenómeno bem segura. Mas caraças, quando ouço pessoas dizer que já nem a sua dimensão erotizada exercitam porque entre as fraldas, as comidas, as escolas e mais o diabo a quatro, já não resta energia para nada, eu pergunto se as pessoas abraçam esta espécie de deserção completa da vida própria com um absoluto sorriso nos lábios. E uma vez que as mães, por recorte biologico, estão mais sujeitas a isto, pergunto-me igualmente se existe uma admiração muito grande perante situações que correm mal, precisamente porque o elemento masculino se tornou o "provider" e pouco mais.
A verdade é que há este endeusamento dos míudos, e sobretudo, uma espécie de transferência absoluta, em muitos casos, ( não em todos, claro), da totalidade do ser individual. Há quem diga que se encontra um objectivo ultimo e fundamental na vida. Não duvido. Mas há tanta necessidade de auto-abdicação? Será que o destino é tornarmo-nos inexistentes em detrimento de alguém?
E principalmente nesta geração, onde não se doseia nada, onde ou se dá tudo, ou não se dá nada, onde se confundem as capacidades de provisão material com o processo de conhecimento e criação de laços entre os indivíduos, produto desta cada vez mais mecânica e fria sociedade moderna da meritocracia.

Aguarda-se o espancamento dos pais extremosos....

quinta-feira, setembro 16, 2004

Como já disse no passado, não sei quem são os meus leitores, se é que os há. É por isso que isto mais se presta a ser um diário para relembrar momentos do meu tempo, do que um espaço realmente dialéctico.
Mas tenho muita pena que não seja ao contrário. Digo, não sem alguma vergonha, que tenho uma inveja (saudável acho eu) daqueles blogs onde alguém chega, comenta, e por vezes se ergue uma salganhada divertida.
Pode ser que qualquer dia...
Estou a matutar num projecto... VAmos ver se com ele, as coisas arrancam

Abraços!
Há algo na anatomia feminina que acho simplesmente delicioso.
Há muito, mas este é um detalhe que, sem prejuízo de alguém já o ter chamado a si como preferência, guardo como se fosse meu.
A forma como o pescoço se desdobra nos ossos da clavícula, acabando nos ombros nús, faz das camisolas abaixo da linha destes um pequeno milagre estético . Os ombros nús , como a linha das costas nuas, são um tesouro estético da imagem feminina.
Eis como está o país...
Quod erat demonstrandum, Jorge Sampaio....
A solidão e o medo são dois conceitos equiparados.
Porque ambos vivem da ausência de um fim à vista.
E porque essa ideia, ainda que ilusória, acaba por recriá-los.
SÃO DOIDOS ESTES BRETÕES...

Ontem uma mancha da população inglesa, da mesma laia que os defensores de touradas e lutas de cães e galos, ( ou seja gente que se diverte a ver sangue, morte e tortura de animais inocentes ), irrompeu pelo Parlamento Inglês a pedir justificações à Câmara dos Comuns a propósito de uma lei que proibirá uma das práticas mais bárbaras de que há memória, ou seja, a caça á raposa. O argumento é a mesma palhaçada de sempre, ou seja, a tradição.
Quando comento isto com defensores das touradas, aparece sempre o argumento falacioso de que também matamos animais para comer e blá, blá,blá... Falacioso porque encerra em si mesmo a resposta contrária, ou seja, para comer. Não por desporto, não pelo desejo de ver o animal sofrer, não pela visão do sangue disfarçado de uma qualquer contenda divertida ou galharda.
Mas ainda que este argumento pudesse alguma vez ter cabimento, pergunto qual então a aplicação do conceito na caça á raposa. Alguém a come? É gourmet algures, sem ser para lobos?
Não. É apenas a questão do "desporto". Persegue-se e retalha-se um animal até à morte porque alguns imbecis se cham entediados e resolvem fazer a sua versão da Cavalgada das Valquírias ou da carga do General Custer.
Exemplo desta estupidez inqualificável são as declarações de uma mulher ao lado do seu cavalo que diz:
"Well, for one, it's a sport I have been practicing all my life, and that I love, and that because of this bill, It's going to be taken away from me. Secondly, me and my hunsband have a business. We produce riding boots and this bill will automaticaly have impact on our business. "
1º Argumento - Estúpido e de uma inconsciência ambiental que custa a crer. Na antiguidade também existiam outros desportos que geravam tradição, mas foram abolidos. O imperador Nero era fã de alguns dos mais radicais. A fundamentação para perseguição e morte de uma espécie protegia é o "desporto". Repugnante.
2º Argumento - Ainda mais idiota. Esta senhora quer fazer-nos crer que a botas de montar só se vendem para a caça à raposa, privilégio para quem tem cavalos e propriedades, o que está bem claro, se trata de da maiora da população. Aliás, a dita senhora, vestida num fato que deve custar mais que o ordenado de muita gente naquele país, ao lado de um cavalo que deve custar tanto ou mais que a minha casa, quer-nos fazer crer que vive de botas para montar exclusivas para a caça á raposa.
Sinceramente, há alguém que ache realmente piada a perseguir um animal do tamanho de um cão pequeno, até à exaustão, para depois lhe espetar um balázio e vê-lo a ser retalhado pelos cães de caça? Há alguém que ache graça a este horror?
76% dos britânicos acham que não, e a lei vai ser aprovada.
Mas há gente que resiste a isto em nome da "tradição", como se ela justificasse este ou outros actos.
Que mundo de merda este....

quarta-feira, setembro 15, 2004

COITUS.. ININTERRUPTUS...?
Embora seja um assunto que se presta a muitas piadas, ou a um olhar sobranceiro por parte de quem enche o peito e afirma que tem coisas mais importantes em que pensar, há algo que passa pela cabeça de quase toda a gente. E esse algo prende-se com as disfunções sexuais entre casais, especialmente no que diz respeito aos comportamentos, ás iniciativas e sobretudo, à chamada frequência. Para quem está absolutamente casado, junto ou enamorado da sua vertente prática ou para/profissional, isto de nada serve. Para quem não se preocupa com isso por outras razões, entenda-se líbido bem comportadinha, a mesma premissa se aplica.
Mas confesso que me interessei.
Existe uma tonelada de informação, provavelmente alguma mais fidedigna que outra, a qual mostra perspectivas completa e diametralmente opostas. A questão prende-se com as perspectivas que são demonstradas, e que de alguma forma criam uma espécie de código ou corrente de opinião sobre estas coisas.
Dos mais identificativos deve ser o código Cosmo. Caraças, uma espécie de filosofia pós moderna e caótica, cheia de dúvidas que assentam mais nas fixações de cada um do que propriamente no desejo de realmente ver o que se passa do outro lado. A geração Cosmo fala de mulheres que, afastando as capas vermelhas que têm nas costas, fazem tudo e mais alguma coisa, levam a assertividade profissional e social a um ponto inimaginável e são uma espécie de manual ilustrado acerca da teoria geral do erotismo e seus componentes. São amantes perfeitas, preocupadas, exigentes com o seu prazer e atletas de treino e iniciativa constante. Olhando para pérolas como a criação de Candace Bushnell e quejandos, são mulheres cuja líbido está ligada a um reactor de alta potência, com abastecimento quase ilimitado. O mais engraçado é que essa espécie não se vê frequentemente. Falando com amigas e conhecidas, toda a gente se ri e interioriza algumas das parábolas, mas os contos da sua vida de dia a dia em nada se assemelham ao protótipo veiculado pela sociedade. Se formos a fazer um inquérito realmente honesto, talvez nos surpreendamos com facto de que a maioria das mulheres inteligentes e sexys que conhecemos não tem uma actividade sexual que encaixe minimamente nos padrões da informação veiculada. Os mitos grassam por todo o lado, mas o relato diário pouco difere dos demais.
Surgem as justificações do stress, do cansaço, da altura do ano, da desconformidade dos apetites, e por aí fora. Os relatos de seres estupendamente sexuados e activos parecem uma espécie de abstracção provinda de um video de ginástica da Jane Fonda ou da Carmen Electra. E as disfunções e desencontros levam a muitas coisas, entre as quais mesmo ao termo das relações, porque cad uma das partes julga a sua reinvindicação como justa.
E a questão sobrevém.
O que é a normalidade, se é que tal coisa existe?
Qual é a chamada frequência? Seremos sempre vitimas do quotidiano?
Se a expontaneidade não tem respostas absolutas, será que se pode encarar como um treino para atingir um bom resultado posterior e melhoria das reacções instintivas e automáticas?
Porque será que genericamente parece existir relatos de um desencontro entre a libido masculina e feminina?
O sexo poderá realmente ser só um detalhe entre muitos outros numa relação, seja ela mais ou menos séria, ou é mesmo a bitola pela qual se mede a saúde ( e já agora a satisfação) do envolvimento? Não será o sexo uma das expressão máxima da diferenciação afectiva e sensorial de uma ( ou mais que uma, para os imaginativos mais liberais) pessoa perante as outras? Não é o impulso que temos expresso na atracção sexual pelo outro que o diferencia de qualquer outra pessoa que nos leve a produzir um juízo estético?
No fundo, o que é que as pessoas, homens e mulheres podem esperar? Ou devem?
Será que na sociedade do sexo e do trabalho, o primeiro só pode realmente competir com o segundo em férias?
Não será a resignação perante essa desaquação uma espécie de comodismo perigoso?
Sinceramente, a disparidade de opiniões é tão grande, que cabe a quem pode definir o seu cenário, e pouco mais.
Mas a ideia que tenho é que os cenários ideiais apresentados, que atravessam desde publicações periódicas á literatura, não identificam sequer quem os apresenta, mas são uma espécie de cartão de visita indicativo, e quiça, programático. Wishfull thinking, talvez?
Sei lá...
COMPLETO ASCO

Se querem ter o estômago às voltas aqui têm!
Lixo mental, racismo, ignorância, etc, etc... há lá de tudo.

Já agora alguém avise aqueles (ausência de qualificação possível aqui - preencha como quiser) que os advérbios aos quais se junta o sufixo mente á forma feminina do adjectivo nunca levam acento...

Como é que possível?
The Temperance Card
You are the Temperance card. Temperance is the
blending of elements to produce stability. We
say that someone is temperate when they are
pleasant and easy going. Temperance achieves
balance through merging, so a temperate person
is one who feels whole. Creative genius is
often found in the ability to unite two
previously unconnected ideas. Aleister Crowley
considers this one of the most important facets
of this card and names the card Art. He refers
to a generation of a third element out of two
previously existing elements. In the same way,
the artist has the ability to create a painting
from canvas and some tubes of coloured paint.
The temperate person is also inclined to think
about philosophy. Temperance leads to a calm
and rational logic but can also look beyond
everyday knowledge for the truth. Image from
The Stone Tarot deck.
http://hometown.aol.com/newtarotdeck/
Which Tarot Card Are You?
brought to you by

MALTA SIMPÁTICA II....

terça-feira, setembro 14, 2004

Não falei do 9/11 propositadamente.
Porque perante a magnitude de certos horrores, e o aproveitamento que deles se faz para desencadear a pior política externa de que há memória, e que redunda na co-responsabilidade nesta crise petrolífera que nos assola, não há muito a dizer.
Eu estive no alto do Empire State Building, consideravelmente mais pequeno que as duas torres do WTC, e não consigo imaginar, ou talvez não queira, o que será o horror visto de dentro daquelas janelas, do alto daqueles edifícios.
E como não imaginando, nada consigo dizer, foi por isso que me abstive de relembrar.
Porque o esquecimento não agracia todas as coisas.
"MANDONNA"

Virgem, Sevilhana, Erótic,a agora cabalista... ufff... A mulher não pára.
O problema é conseguir separar todas estas formas de "expressão" de uma campanha de marketing bem planeada. A menina agora reinventou-se, mas como dizia um cronista de rádio no outro dia, parece já não haver muito por onde inventar.
Pessoalmente a senhora nunca me disse nada, especialmente porque a música parecia ser sempre a ultima preocupação da sua actividade. Mas como não sou fã de POP, e muito menos de Super Pop, a rainha deste género passa-me ao lado, como alguém que efectivamente mostrou garra enquanto mulher de negócios, mas pouco mais.
É um triunfo da perseverança, mas sinceramente, a histeria é-me incompreensível...
"Parnabens!"

Um ano de Barnabé, ou seja, de qualidade, de humor, de investigação, denúncia e sobretudo, resistência fundamentada ao neoliberalismo selvagem.

Parabéns Amigos!


sexta-feira, setembro 10, 2004

PERGUNTAS, PERGUNTAS....

Eu sei que é uma perplexidade algo... bem...

As senhoras que esclareçam.

A chamada Cueca Fio dental ou tanga, oferece algum conforto que não seja (para nós) visual? Para uma peça de vestuário ( ou deveria dizer peça de estético e atraente "desnudário") que hoje em dia move milhões na industria de confecção, acho que a pergunta se justifica...

Que querem? Por (muitas) vezes estas coisas também me passam pela cabeça...


HUMOR INVOLUNTÁRIO... OU TALVEZ NÃO...


O New York Times tem, na sua página de abertura, um link onde se pode ler Personalize your weather. Deve ser bem prático para a agricultura ou as férias de Verão, se bem que este ano muita gente deve ter baralhado os comandos de HTML.

Ainda na primeira página desse diário (por vezes sisudo) de referência, surge um artigo sobre o incremento fantástico que têm tido as autobiografias de celebridades. A celebridade agraciada com uma foto na primeira página é nem mais nem menos que a renomadíssima diva do circuito dos filmes para adultos-Jenna Jameson- que tem conhecido um sucesso considerável com a sua autobiografia chamada "How to Make Love like a Porn Star".
Dentro deste mesmo artigo, informam-nos de que alguém vai publicar um livro chamado "Very Naughty Origami" que ensina, entre outras coisas, a construir uma orgia em pequenas figurinhas de papel. Lá se vão as pombas e dos dragões feitos de guardanapo ou extracto multibanco, dando lugar aos pénis, malta na ramboiada geral e sabe-se lá que mais... Ora, tendo em conta que a "Manga" também é japonesa, penso que os nossos amigos do sol nascente não porão objecções a esta expansão temática da sua arte milenar.

Melhor que tudo isto só mesmos estes amigos!!!





DA PRÓXIMA VEZ QUE NÃO FIZER UM TELEFONEMA OU NÃO RESPONDER A UMA MENSAGEM...


Algumas pessoas teimam em queixar-se que os telefonemas escasseam, que as missivas morrem e que os rostos parecem desvanecer-se.
Algumas têm razão no seu protesto, porque de alguma forma os seus esforços parecem não ter qualquer efeito.
Outras repousam num status quo que de alguma forma parece representar um constante estado de desculpa, de razão plausível, o que, mesmo que seja verdade, retira qualquer razão ao que clamam. É que nestas coisas do ritmo urbano, mais do que nunca, só angariamos dos outros metade daquilo que damos, e mesmo assim, com esforço.
Certas coisas nunca estão garantidas.
Não existe piloto automático para a presença. Ou a afeição material.
AINDA A MERITOCRACIA

Antecipando as respostas inflamadas do infeliz liberal que por algum acaso cá vier parar, expresso apenas algumas angustias quanto o tema em epígrafe.
A meritocracia cresce, e a passos largos. O exponencial crescimento do acesso aos cursos superiores, a criação e vinda de teorias de eficiência que pouco se afastam de uma escravatura a soldo, a competição desde idades demasiado tenras para entender que o outro nem sempre tem de ser nosso concorrente, tudo são elementos de uma atitude que se pode comparar aos hábitos de um hamster. Correr rápido, ter a ilusão de ir a qualquer lado e morrer com a noção de brevidade iluminada nos ultimos pensamentos.
Não tenho dúvidas de que a ambição de crescer e progredir enquanto ser humano, produtivo e cultural é valiosa e em certa medida, inestimável. Mas não é isso que se pede. Pede-se o "overachievment", o corredor de maratona que tem de atravessar as sucessivas metas nem que tenha de o fazer num cambaleio agonizante. Pede-se aquela palavra odiosa que mascara o abuso de muitas exigências - "a (absoluta) disponibilidade.
Em face a este statuos quo, tenho várias perguntas:

  1. Alguns dos argumentos aventados prendem-se com o facto de se querer ganhar dinheiro para ter coisas, ou para providenciar à pessoas amadas uma vida melhor. Será que tudo isso substitui a presença da pessoa, o seu contributo, a sua carne e espírito junto dos que dele gostam? Será que vale a pena ver a alegre cifra do extracto multibanco, que permite a casa de multiplos quartos constantemente vazia, o carro dos anúncios selectos para ir e voltar do trabalho e quase nada mais, a roupa da moda para as reuniões e viagens,os restaurantes finos para jantar quase exclusivamente com clientes?
  2. Outra das razões apresentadas prende-se com o bem estar da prole. E aqui sou insuspeito para falar,jaque a paternidade não me fascina por aí além (embora espere que isso mude, a sério!). Será que a conta bancária, que paga os colégios, as roupas da Sacoor e quejandos, os brinquedos caros e anestesiantes, substituem a presença, a intervenção dos progenitores, o seu papel educador e emocional? Será que as desculpas para os horários impossíveis, entram na percepção de um petiz que não faz ideia porque raios é que o pai/mãe passa dias sem o ver? É engraçado como os liberais aqui baixam sempre a bola. Não tem resposta para esta situação, porque lidam com uma incompreeensão que é genuína e se está a cagar para estatísticas. A incompreensão de quem só deseja a contrapartida do afecto que lhes é entregue.
  3. Porque razão é que gente casada com a carreira tem famílias? Sinceramente, para quê? É pelo estatuto? É porque ficabem perante o conselho de administração? É que na minha óptica, quem tem objectivos desses, perfeitamente legítimos, não tem espaço, nem desejo de ter família, amigos ou a chamada vida pessoal. Mas no entanto, tenta ter tudo, mesmo sabendo por onde é que a corrente quebrará. É igualmente legítimo ter esse desejo, até porque me custa a crer que, ( excepção de talvez Jardim Gonçalves e quejandos) essas pessoas não acusem o vazio no seu dia a dia, mas até que ponto será justo sujeitar os entes queridos a esse malabarismo do tempo?
  4. Embora não seja novidade para ninguém, a verdade é que o dinheiro acaba por ser a resposta. Não há tempo para ver um filme enroscado no sofá, uma noite de Inverno e com um alguidar de pipocas á frente, mas de quando em vez lá dá para ir ao restaurante onde os empregados até sacodem a gravilha das solas recortadas dos sapatos e fazem uma limpeza a seco ao casaco da senhora enquanto ela janta. Não se lê um livro, ou se procura uma musica, mas porra, quem é que tem tempo e cabeça para ler essas merdas complicadas quando toda a energia mental foi simplesmente espremida como um limão inchado, precisamente para ter este ecran de plasma de 1,5m, onde curiosamente, nunca se vê filme algum porque nao há tempo.
  5. Será que alguêm vê mesmo um valor intrinseco em ser definido pelo seu trabalho?Não ter espaço para ser humano, para ser preguiçoso, sexual, curioso, hedonista, ou partede uma família, seja ela de sangue ou amizade?
  6. Já nem vou falar no sexo. Porque se eles não comerem as secretárias no 234ª serão do ano, ou elas não derem uma volta com o diletante que por acaso tem tempo e dinheiro para fazer desportos radicais na Gronelandia ou no deserto de Gobi, o cansaço é sempre muito, e "há sempre coisas mais importantes em que pensar".
  7. A verdade é que dita família nuclear está em declínio, e quem mais torce para que ela viva, é quem menos condições dá para que isso seja possível. São aqueles a quem repugna os direitos laborais, o direito enquanto ser cultural e mesmo desportivo. A contradicção essencial é por demais óbvia. São os que compram as famílias com o tal "bem estar".
  8. Os sinais de tristeza e perturbação social são alarmantes. A depressão, a obesidade e as demais doenças relacionadas com o stress estão a arrefecer e estilhaçar todas as chamads estruturas gregárias modernas. A obsessão do"conseguir para mostrar"está a ultrapassar em larga escala"o criar para ser". As pessoas crescem num impulso de ambição competitiva selvagem, onde a ambição que se instila não é ser melhor ou mais sustentado, mas conseguir um espaço de poder onde gravitem aqueles que potencialmente criticam.

A meritocracia é uma realidade, e cresce cada vez mais. As pessoas cada vez menos desculpam um distanciamento perante um escalão de elasticidade economia/social. A humildade é confundida e acusada de preguiça, e o estatuto consegue-se pelo betão, a chapa e os circuitos integrados.

E a minha pergunta mantem-se a mesma.

Porque tentam algumas dessas pessoas ter uma família? Um(a) namorado(a)? Ou alguns amigos? Ao contrário do que dizia Ovídio, nem sempre nos mantemos vivos, ainda que não estejamos presentes.

Digo isto em tom de tristeza, e não de acusação. Em tom de expectativa, de um oxalá, porque a esta altura, é tudo quanto me(nos) parece restar.

quinta-feira, setembro 09, 2004

SIMPÁTICOS OS MOÇOS...





U2.jpg
You're in touch with the world, and you have a very
strong opinion on things like politics and war.
Even if you do end up changing your image in
the future, most of us will still like you.


What band from the 80s are you?
brought to you by Quizilla

quarta-feira, setembro 08, 2004

AOS VISITANTES


A consistência é uma coisa engraçada.
Durante muito tempo, e posso dizer, que nos ultimos seis meses ou mais, a minha média de visitas ronda as dez ou quinze diárias. O que significa que em média, devem existir certa de oito pessoas que se dão ao trabalho de visitar este estaminé com alguma regularidade.
Não sei quem são, á excepção de uma ou duas que comentam regularmente, nem que seja para me cumprimentarem, mas ainda assim agradeço aos dez pacientes peregrinos que deambulam por aqui todos os dias, cheios de uma paciência homérica para passar os olhos nesta prosa.
Não concordo com ele muitas vezes, mas o amigo PAcheco Pereira dizia algo que julgo acertado ao referir que quando escrevemos algo, é sempre para alguém, porque a exteriorização deseja sempre alguma espécie de eco. Sinceramente, e contra mim falo, não acredito que exista algo como escrever para o próprio. Se está cá fora, então sinceramente, espero que alguém leia. E acho que toda a gente é assim, talvez á excepção do Sallinger, mas enfim...
Seja como for, obrigado pelos poucos fieis que pacientemente acompanham este diário.
Bem hajam.


quinta-feira, setembro 02, 2004

Não sei se o Verão acabou.
Mas a cidade começou.
Seja como for, o panorama é algo cinzento... para já.
EM RONDA AOS BLOGS

Ainda sobre a IVG, a minha amiga Ana dá um toque da sua classe. Como habitualmente, de resto.
Realce-se ainda a resposta ao J. , relativamente á questão do racismo e anti-semitismo em França. Igualmente esclarecedor, interessante, de argumentação estruturadíssima, embora hajam alguns pontos, pequeno, com os quais não concordo inteiramente.
Vale bem a pena ler.

quarta-feira, setembro 01, 2004

http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?19592c11&901

Assine a petição contra a ilegalidade praticada pelo Estado Português contra o movimento "Women on Waves".
Contra a pouca vergonha e a hipocrisia.

COM A(S) "PORTAS" NA CARA

Nem vou entrar numa discussão sobre a interrupção da Interrupção Voluntária da Gravidez. Bastou ver ontem o debate na SIC Notícias para ver até que ponto o autismo e a contradicção inquinam o discurso dos chamados "defensores da vida". Achei especialmente interessante a afirmação da deputada presente que afirmou que a grande parte das IVG em Portugal não são feitas em consequência da ignorância das pessoas. Isto vindo de uma representante de uma facção política que achou que a educação sexual nas escolas não é importante, e que a instalação de máquinas de preservativos ou a distribuição dos mesmos nessas escolas não deve ocorrer porque esse não é o papel das mesmas, e por mais algum argumento que de tão ridiculo que deve ser, nem vem à praça pública. Isto vindo de quem com certeza não conhece o retrato do país que temos. Isto vindo de quem não tem a mínima ideia do que significa uma caixa de preservativos para o orçamento de familias que passam fome, o que significa que esta senhora também deve achar que as pessoas além de não comer, também não têm direito a f.... !!!!
Isto vindo de quem acha que as pessoas recorrem ao aborto como meio anti-concepcional, como quem faz uma limpeza de pele, o que sendo esta pessoa uma mulher, não sei o que fará dela, sinceramente...
Desculpem o vernáculo, mas a hipocrisia, a ignorância consciente e a total falta de vergonha na cara tiram-me do sério...
Mas essa não é a discussão.
A decisão de Paulo Portas é ilegal. Não há qualquer forma de justificar a restricção á livre circulação de cidadãos comunitários com base no argumento de um juízo de prognose quanto á probabilidade de eventualmente se vir a cometer um ilícito criminal. É uma espécie de sanção preventiva sem elementos, indicios ou mesmo actos preparatórios para o dito ilícito. Nem justifica uma providencia cautelar ou mesmo medida de coacção. É, antes de mais, um disparate jurídico, e um disparate político, que mostra bem o calibre do Ministro da Defesa.
Só num país como este é que um ministro gay e homofóbico (!) que professa uma religião que condena e discrimina a minoria a que o mesmo faz parte, poderia atentar contra os direitos, liberdades e garantias dos seus cidadãos.
De Santana, nem um pio...


CARTAS A SÓNIA VIII
(POSTAL DE ANIVERSÁRIO)

Aniversário.
Hoje completas mais um ano, uma jornada em volta do sol. Uma órbita. Uma passagem pelo céu.
Existiam tantas coisas que poderia dizer-te, tantas citações de pessoas bem mais hábeis que eu passíveis de celebrar numa frase um evento de renovação e recordação de vida.
É engraçado pensar numa jornada, em tantas coisas que foram feitas, vividas, e construidas. Nos teus detalhes, nas ocasiões em que te riste das minhas piadas ou mais frequente e merecidamente, das minhas idiotices.
Falar em delícia dos sabores. Das brincadeiras da reinvenção. Do engano feito á anedota do tempo. Da teimosia da tua silhueta, assim como das tuas fantásticas e propositadas ingenuidades. Do aroma das tuas promessas sem palavras, das tuas concretizações sem recuos.
Relembrar o teu poder, a tua intenção, a glória da tua independencia, o sofrimento nunca comiserado pela verificação necessária das injustiças sem camuflagem.
Relembrar a tua escolha, a tua paciência, as insistências e perguntas por fazer.
Hoje é o teu aniversário. Não que ele seja necessário para recordar o que disse acima, mas porque ele representa mais um ano de tudo isto. Mais um ano de ti. Mais um ano ganho.
Parabéns.
A ti porque fazes anos.
A mim porque os vejo contigo, porque assim o teimas em continuar a escolher.
E a toda a gente que partilhe o mundo contigo, por isso mesmo.

Teu

JACK THE RIPPER VS PATRICK BATEMAN


Ontem ( 31 de Agosto), em 1888, Jack The Ripper ( que acho sempre prefer�vel a Jack o Estripador) fez a sua primeira vítima. Mary Ann Nichols. Morta e esventrada.
Embora fosse prática horrivelmente comum os ataques com armas brancas a mulheres no cenário urbano da Londres Vitoriana, e especialmente entre as classes sociais mais desfavorecidas e geralmente adstritas aos trabalhos mais duros e mal pagos, este homem, que muitos clamam saber quem era, deu talvez início ao que hoje em dia é falado com alguma naturalidade. O chamado assassino em série, O psicopata. O predador patológico que incute o medo da violência sem razão aparente.
Pensando em Vlad e outros personagens ( gaita, qualquer comandante do exército espanhol de Pizarro deveria ser um psicopata da pior espécie, assim como a maioria dos inquisidores medievais), Jack não é o percursor dessa ideia, mas foi o primeiro que deu ao mundo uma mostra de violência descontextualizada, de uma espécie de missão cujo propósito se desconhecia e bebia do medo próprio do imaginário colectivo. Foi o primeiro a ser conhecido e empolado como um monstro que caminhava com pés de homem. Uma estrela dos media, tal como Wilde já tinha sido, embora por motivos bem diferentes. ( em Maio de 1895 fora condenado a dois anos de trabalhos forçados).
Jack the Ripper forçou o olhar do mundo moderno para o seu lado negro, pelo fascinio do voyeurismo talvez no seu pior lado. A nação convulsionou-se, a Rainha Vitória suou um bocado, mas sobretudo, nascera o objecto conceptual capaz de gerar reflexão, literatura, avanço na ciencia, e mesmo uma estranha consciência de que os nosso medos são igualmente uma fonte de atracção. Provou, como Poe já aflorara, que a mente humana tem camadas estranhas, terríveis, e que em ultima análise, importa saber como funcionam, para entender e em ultima análise, combater.
Recordo o livro de Brett Easton Ellis, e sinceramente, além de ter achado um livro estranho e a espaços maçador ( gaita, quem é que tem paci�ncia para ler a biografia completa de Hughey Lewis and the News ???), está inserido numa tentativa de desmistificação do elemento medo associado à psicopatia violenta, no meio do principal interesse de denúncia social ao vazio do movimento huppie. Mas Patrick Bateman não é Jack The Ripper, e não só porque o primeiro existiu e o segundo não passa de uma personagem literária. Penso estar mais assente na ideia de que ao passo que Jack tinha uma aura de incompreensão e mistério, Bateman é produto da racionalização extrema que em última análise se propõe demonstrar a relação causa-efeito em qualquer situação.
E sem querer parecer ingénuo ou sequer pouco rigoroso, penso que Jack mostrava ou dava a ideia, cronologica e socialmente condicionada é certo, de que o mal podia existir, como uma tendência desviante mas tão impulsiva e natural como as emoções que lhe são antagónicas. Bateman mostra uma espécie de racionalização extrema, apoiada na explicação de um mundo condicionador que pode levar a estados de desiquilibrio capazes de produzir atrocidades que eu nem gosto de pensar.
Sinceramente, penso que ambas são correctas.
Acho que o mal consciente, e não originário em qualquer desiquilibrio psicologico, existe. Basta pensar em tantos actores da história para tirar essa conclusão. É só imaginar os tormentos pequenos e mesquinhos a que algumas pessoas votam outras todos os dias, para chegar a essa conclusão.
No entanto, também acho que a maioria das suas manifestações são criações da pressão social nos seus piores vectores - da pobreza, ignorância e medo, e violência consequente.
Digamos que é uma distinção entre o mal de génese endógena, e aquele que tem génese externa, induzida e reactiva.

O que Jack The Ripper expôs há 106 anos atrás, foi afinal não mais do que uma demonstração pública e vociferada do que o ser humano é capaz de fazer ao seu semelhante. Ele próprio dizia que iria parir o Século XX, e de uma certa perspectiva, foi isso mesmo que acabou por fazer...
E quando olho para o que temos aprendido com isso, não fico lá muito tranquilizado.
Nunca sei até onde as pessoas querem realmente ver, e o quão dormentes podem sentir-se...

sexta-feira, agosto 27, 2004

O REGRESSO DE J.

Disse e volto a dizê-lo.
Um dos melhores bloguistas ou blogueadores ou seja lá qual for o termo, está de volta.
J. do Cruzes Canhoto volta ás lides e no seu estilo habitual, como parte do excelente elenco deste blog.
Informadíssimo, coerente, lógico e sempre, mas sempre divertido.
J., é com genuíno gosto que te vejo de volta.
Abraços

quarta-feira, agosto 25, 2004

A lebre e a cenoura...

É certo que nada disto é novidade, e que tantas pessoas fazem tantas outras perguntas acerca do tema.
Mas analisando certos fenómenos que têm cruzado a minha pessoal ultimamente, pergunto-me realmente onde está a noção de estratégia para a fruição da vida com outros. Eu explico.
Sinceramente, o que querem as pessoas? Especificando um pouco mais, o que querem as mulheres?
Porque raios existe uma propensão para as situações complicadas, para a previsão mais do que certa que as incompatibilidades, e as consequentes e mútuas agressões, superam em muito os chamados momentos de alívio, onde tudo parece assemelhar-se a uma central eléctrica pronta a debitar energia? Será que estas pessoas só vivem bem na alternância, procurando um tal estado de frenesim agressivo e angustiante, que encarem a vida enquanto plena somente no momento em que se passa ao estado alternativo? Será que vivem o amor como uma espécie de sucessão de oásis surgidos em meioa a um deserto fervente e constante?
Até que ponto é que se conhecem as irrecuperabilidades do outro, em termos da nossa subjectividade, e ainda assim se faz o juízo arrogante de que serão capazes de o mudar. E desgraçado daquele que o fizer, pois é corrido a trote de caixa num piscar de olhos.
A verdade é que existem muitos casos nos quais a agressividade não existe, porque não tem de existir. E de alguma forma isso é confundido com falta de intensidade, ou talvez uma tangibilidade que retira o caráctr de via sacra que fundamenta o amor de tantas mulheres que conheço.
Tendo em conta a inestimável liberdade de cada um, é indiscutivel que cada um tem o direito a seguir o percurso que deseje. Mas são as queixas subsequentes, o falso desejo de um cenário alternativo e o sofrimento imputado sempre a factores alheios que me irritam profundamente. Porque revelam uma espécie de rixa com as voltas do destino, como se esse mesmo destino não fosse moldado por juízos e impulsos estéticos/afectivos pertencentes a quem se queixa. Como se quisessem fazer crer que não estão a ter exactamente aquilo que pedem. Como se de alguma forma pudessem desejar outra coisa qualquer.
Amor também é poder. Mas não julgo que todos os desiquilibrios se justifiquem.
Se alguém achas desejável viver relações de inferno, de confusão, de eterno mal estar salpicado com momentos de alivio, como nos intervalos das ressacas, está no seu direito, porque o amor vive-se como se pode.
Mas as queixas, atribuindo responsabilidade a outros ou outras coisas, quando a escolha é do próprio, soa a desonestidade, e o que é pior, a falta de legitimidade. Podemos sempre lamentar a nossa pouca sorte. Mas quando a prevemos, e lidamos com ela precisamente porque a mesma assim se forma, existe, e dificilmente mudará, então o sofrimento tem apenas um causador. Aquele que se queixa, que escolheu, e que de alguma forma, não encontrará redenção junto daqueles que que rejeita precisamente porque lhe podem dar o oposto.
Vejo amigos meus nesta situação, e aborrece-me.
Parece injusto, e pior que tudo, doentio.

A eles, um abraço de melhoras...


The Lovely Bones, de Alice Sebold, é uma agradável surpresa, e um livro pungente e ternurento. Ainda não o terminei, mas esta obra lê-se como a experiencia de uma brisa ao fim de um dia quente. Por vezes arrepia, outras vezes refresca, outras ainda embala ou entristece, mas vai tocando sempre.
Ainda para mais, escrito por uma mulher, abre um pouco a porta sobre o seu universo, sobre as imagens e conceitos que passam pela mente de uma menina de 14 anos que morre e vê o seu mundo de um céu sem qualquer referência religiosa, o que me agradou de sobremaneira.
E fala de monstros. Daqueles que por aí andam.
Especial atenção a um excerto no qual se tenta explicar a um menino de 4 anos que a irmão morreu e não volta...
Recomendo.
Talvez volte a falar dele depois de o terminar.


DESPORTO NACIONAL....
QUAL DESPORTO NACIONAL???

Benfica e Leiria foram á viola.
Não vi o jogo do Leiria, mas vi o do Benfica, e ficou espelhada a realidade do desporto nacional, e dos resultados do aburdo investimento em futebol que se faz em Portugal. O Benfica levou um banho de bola de uma equipa modesta.
Somando isto á vergonha que foi a participação da selecção de putos mimados que enxovalhou o espirito olimpico e a imagem do país, a pergunta repete-se.
Porque raios é que só se investe em futebol no nosso país? Com a qualidade medíocre da nossa Superliga e as barracas nas competições internacionais. O Porto foi uma fantástica miragem, que não espelha de todo a restante realidade desportiva do país.
Além de ser uma idiotice reveladora de falta de visão estratégica, torna-nos, mais uma vez, impares nas atitudes incompreensíveis para com as realidades que podem levar o nome do país aos ouvidos do mundo.
O professor Moniz Pereira disse uma vez que a investir-se dez por cento no atletismo daquilo que se investe no futebol, tinhamos gerações de atletas de altíssimo nivel, uns atrás dos outros.
O andebol e o voleibol viram alguma luz ao fundo do túnel, mas depressa voltaram ao anonimato, suplantados por uma competição onde o sono é a nota dominante.
Do basquetebol é bom nem falar. Quando jogamos com selecções um pouco mais cotadas, como no caso do torneio realizado na Polónia, 20 pontos abaixo é a margem mínima.
Por cada escola de basquetebol que luta com dificuldades para sobreviver, existem dez escolas de futebol, com meios para tudo e mais alguma coisa.
Se querem um bom exemplo, vejam a Espanha.
Dos melhores, senão o melhor campeonato de futebol do mundo.
Uma liga de basquetebol muito competitiva, que ganhou já varios titulos europeus.
O andebol com resultados muito competitivos.
Campeões Europeus de clubes em hoquei em patins, se não me falha a memória.
E foram medalha de prata no volei de praia!!!!
E porquê?
Porque se investe na formação, na multidisciplinaridade desportiva.
A selecção espanhola tem sido, ao longo de vários anos, uma desilusão em todas as competições internacionais onde entra, sendo reiterada e prematuramente eliminada. Mas o trabalho de progressão e a visão estratégica produziram uma selecção que, a par dos EUA e a Lituania, é grande candidata à medalha de ouro.
Por isso eu pergunto.
Mas porquê este investimento no futebol?
Estaremos condenados a ser os eternos indigentes em tudo o que não seja dar chutos numa bola dentro de um relvado? É que mesmo aí os resultados são o que se sabe...


Uns são filhos da mãe, outro são....



País de tanga.
Contenção. Cinto apertado.
Santana paga 600 contos liquidos a uma mulher para lhe arranjar as patilhas e afastar as santanetes para uma distância segura.
Santana dá ordens para a contratação de mais assessores de imprensa. Um para ler a secção de política, outro a de desporto, outro a de economia, e com certeza um para ler e descodificar a Banda Desenhada.
Rio Rio paga a assessor cerca de 1700 contos mensais.
Milhares de pessoas não têm aumentos há dois anos, e tomando como exemplo o custo dos combustíveis, o poder de compra desce vertiginosamente. Somos os últimos da Europa nessa categoria, tirando os novos Membros, e no entanto as nossas contas de supermercado pouco diferem das do Luxemburgo, país com o maior poder de compra da Europa, a cerca de 200% (!!!) da média Europeia...

Não há limites para a vergonha?
Foi para isto que Sampaio reconduziu SAntana Lopes?
Foi para isto que se furtou aos eleitores a possiblidade de escolherem a sua governação?
A falta de moralidade está tão vísivel, que qualquer espécie de discurso apaziguador da opinião publica soa a gozo. A desrespeito.

Pobre país...

quarta-feira, agosto 18, 2004

PARA QUANDO A REVISTA "MÁRIO"?
Antes eram as revistas femininas. Cheias de conselhos para os ditos tempos modernos, encorajando a uma titude feroz e idependente, conjugada com receitas e mexericos. Era, e são publicações que não dão bom nome ás mulheres, e com as quais, felizmente, muitas se não identificam. Até porque acho que a mulher Cosmo não existe, mas enfim, a perseguição às abstracções também cria ideias.
Agora surgem as ditas revistas masculinas, onde salvo raríssimas excepções, o discurso é imbuído de um tom a roçar a boçalidade, onde todos aqueles que se querem reputar como homens á séria devem regurgitar todas as informações possíveis e imaginárias sobre futebol, nada em cerveja e exibir todas as demonstrações de machismo bacoco que sejam possíveis. Entre o leitor alvo destas revistas e o Zezé Camarinha, as distâncias parecem terrivelmente curtas.
E porquê esta linguagem ou esta simbologia?
É certo que gostamos mulheres bonitas. É certo que a monogamia é um desafio constante. É certo que a cerveja gelada é um imenso prazer. É certo que um bom jogo de futebol é algo agradável.
Mas porque raios é que surgem estas pragas editoriais, onde o discurso e o tom empresta ao leitor uma espécie de código identificativo com o universo testosterona, como se esse fosse realmente o denominador comum para aqueles que se denominam como homens? Já para não falar no tom homofóbico constante e um suposto humor á lá "levanta-te e ri" que chega a ser confrangedor.
Eu não identifico as mulheres como Cosmo Girls.
Será que elas nos identificam como homofóbicos beberricadores de cerveja, com níveis impensáveis de testosterona e uma obcessão, por isso mesmo contraditória com os nossos abdominais?
Para mim é apenas uma extensão da péssima linguagem televisiva dos dias de hoje. Mas vá lá. Ao folhear na banca, sempre dá para rir um pouco.
Comprei um exemplar de cada uma dessas publicações. Não há salvação possível, embora uma delas tenha um tom mais inteligente e elegante que as outras (Men's Health).
É assim tão complicado abordar temas inter género de forma divertida, irreverente, mas com inteligência?




segunda-feira, agosto 16, 2004

ICONOCLASTIA

Retorno ao blog depois de férias atribuladas e sem grandes espaços para o prazer do ócio, já que a saúde pregou-me algumas partidas.
Recomeço,no entanto, por falar um bocadinho da queda de ídolos, do valor da humildade, da verificação da eficácia dos velhos truques ou de algumas antigas receitas. Mesmo após algumas leituras feitas ao longo dos anos, conjugadas pela experiência num jogo que acho simplesmente apaixonante, o comportamento da selecção americana não deixou de me surpreender.
Não só foi simplesmente esmagada no seu jogo inaugural com Porto Rico, mas reduzida a uma dimensão de vulgaridade estranha. Os figurantes do unico e verdadeiro Dream Team devem ter assitido a esta exibição com um sabor bem amargo na boca. Os jogadores não correm, não saltam, não têm alegria de jogo, parece que estão ali a fazer aum frete tremendo. Chega a ser um insulto ao espirito olímpico.
Mas mais estranho, tendo em conta as circunstâncias presentes e o orgulho americano, é a falta de desejo em vingar uma imagem vergonhosa dada em Indianápolis. Como se os jogadores se estivessem a borrifar para aquela camisola ( como o lindo serviço que fizemos contra o Iraque, por exemplo), passeando numa sobranceria própria de quem não está para se chatear.
Como disse um amigo meu, esta não é a Dream Team, mas sim a Scream Team.
A seguir vem a Grécia. Se os americanos resolverem acordar, coitados dos helénicos. Se se mantiverem naquela modorra, a grécia vai simplesmente passear em casa. Continuando a iconoclastia.

segunda-feira, agosto 02, 2004






Parece um pouco idiotico, mas a verdde é que me esqueci de prevenir que iria de férias. E como o meu acesso ao computador é limitado, algumas das postas que surgiram na mente, especialmente no que diz respeito ao programa de prevenção de fogos que não foi cumprido e o afastamento do primeiro homem que fez com que a TAP desse lucro desde os anos 70, salvo erro, terão de ficar para depois.


Estou em vias de escrever um argumento, o que me leva o tempo de escrita.


Até breve



quinta-feira, julho 22, 2004

Segundo as generalidade das estatísticas, a depressão afecta cerca de 5% da população mundial. Se somos cerca de seis biliões e meio de alminhas isso resulta em qualquer coisa como 319 milhões de pessoas que não sabem o que fazer perante o túnel negro que se vai fechando em torno delas.
O sofrimento inerte cresce a cada dia em ritmos alucinantes, e é necessário ter em conta que estes montantes dizem respeito apenas aos casos declarados. Nestas coisas, devido ao preconceito social, a vergonha encerra muitos casos graves em casa. À semelhança da violência doméstica e da imigração ilegal, estes são números de referência que fazem antever uma realidade muito mais preocupante.
Nos Estados Unidos, terra dos estudos e análises, calcula-se que 35 a 40 milhões de pessoas, (10% da população, portanto) sofre ou já sofreu pelo menos um episódio daquilo a que chamam depressão “major”, que se caracteriza por um desenvolvimento intensificado da distimia, doença psíquica que se caracteriza por uma patologia mais suave e duradoura no tempo. Esta é também conhecida pelo temível epíteto da depressão crónica. Estudos revelam que podem ser necessários dois anos até que as terapêuticas consigam efeitos que perdurem no tempo. Em Portugal, três milhões de pessoas sofrem de doenças mentais, entre elas a depressão nas suas várias espécies.
Esta maleita não é sexualmente discriminatória, já que embora haja mais prevalência nas mulheres (4,5 a 9,3%) comparativamente aos homens (2,3 a 3,2%), não é raro o especialista que denuncia o manto de secretismo em que as pessoas envolvem estas patologias. Aliás, no caso masculino, a maior parte dos casos passa despercebido e protegido da onda de vergonha e estranheza com que a sociedade presenteia este tipo de fenómenos, especialmente em Portugal. E isto ocorre por duas razões. Em primeiro lugar porque as doenças do foro psíquico são encaradas como preguiça, capricho ou egocentrismo. Em segundo lugar, porque existem muitas pessoas que de facto usam uma simulação da sintomatologia para defenderem as suas próprias agendas pessoais, afastando a necessária atenção dos reais problemas.

De acordo com um estudo elaborado pelo INFARMED e publicado em Setembro de 2002 , “ (…) se se mantiverem as tendências da transição demográfica e epidemiológica, a carga da depressão representará, em 2020, 5,7% da carga total de doenças, tornando-se a segunda maior causa de AVAI (anos de vida ajustado por incapacidade) perdidos ”. Em termos de consequências, conclui o mesmo estudo que “ (…)os antidepressivos, a terceira classe terapêutica a nível mundial, tiveram em 2000 um aumento de 18%, representando 4,2% do mercado farmacêutico global.”
Sendo a doença com a 4ª maior taxa de incidência e incapacitação em todo o mundo, e a 2ª no chamado “mundo desenvolvido”, a depressão, na sua escala ascendente, tem provocado desequilíbrios tremendos a nível social, e mesmo económico. O custo económico é tremendo, seja em termos de absentismo ou perda de produtividade. Nos Estados Unidos, mais uma vez, a depressão clínica custa às estruturas produtivas mais de 36 biliões de dólares anualmente. No Reino Unido ascende ao bilião de libras no mesmo período de tempo.
O chamado “mal obscuro”, muito recorrente nas obras de Edgar Allan Poe Virgínia Woolf, Sylvia Plath, William Faulkner, William Blake, Edvard Munch, ou dos nossos Camilo Castelo Branco, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca e Antero de Quental , acabou por ser uma realidade também nas suas vidas, ou na forma como terminaram, em alguns casos.
Segundo os especialistas, e reduzindo obviamente o espectro de análise às múltiplas morfologias do fenómeno, pode dizer-se que as causas das chamadas “doenças afectivas” não estão absolutamente determinadas, já que podem ser concorrentes ou podem surgir isoladamente.
Nesta óptica, a depressão pode ser endógena - de cariz biológico e normalmente derivada do património genético que padece de desequilíbrios ao nível das funções do cérebro e sistema nervoso ( o mau funcionamento dos dois principais neurotransmissores, a serotonina e a noradrenalina, sendo que, a título de exemplo, a falta da primeira resulta em altos níveis de agressividade).
Pode no entanto ser reactiva, ou seja, depender de condicionantes do meio ambiente. É a desgraça imposta do exterior que simplesmente dizima as defesas e mergulha a pessoa num estado de desesperança. É um intenso cavalgar na onda da tristeza. Alguns definem como um crescendo de ideias que começam a soterrar outras mais positivas debaixo de uma avalanche de pessimismo quotidiano.
As origens deste tipo de problemas são apenas avançadas através de uma série de teorias de morfologias dispares. É quase unânime a ideia de que ninguém conseguiu isolar um único processo de causa-efeito, não biológico, que explique o facto de algumas pessoas conseguirem suportar o seu horror existencial e outras não. No entanto, uma das teorias avançadas como causa provável é realmente interessante. Arrisco a dizer que nos é familiar, e provavelmente tão velha como a história dos maus tratos físicos e mentais. Se pensarmos que muitas mulheres sob o jugo determinados regimes ou práticas sociais teocráticas não conseguem entender outra realidade senão a sua, podemos arriscar uma conclusão. Quando não se conhece mais nada senão a dor, a indignidade e a violência perante tudo aquilo que alguém é, o que quer ou representa, não parece estranho que se comece a deslocar o senso de responsabilidade para o próprio, encarando a negatividade e a violência como algo merecido em virtude da incapacidade própria. Estas mulheres encaram os espancamentos diários como algo de normal e próprio da sua condição. Crêem firmemente numa suposta inferioridade, induzida desde a infância tenra por um circuito social que desculpa tais práticas no escudo do relativismo cultural. Aprendem a ser indefesas e a tolerar a violência como um enquadramento do seu papel na vida social.
Este conceito, que se pensa poder ser uma das origens de algumas das mais comuns e perigosas formas de depressão, designa-se “learned helplessness”, ou seja, qualquer coisa como “aprendizagem do vulnerabilidade absoluta” ou o “cultivo do indefeso”. No fundo é um processo pavloviano, e sendo o homem um animal de hábitos, como provavelmente serão todos os animais, esta ideia de inferioridade gera uma tristeza inultrapassável pelos próprios meios, indutora de estados depressivos e suas correspondentes consequências. As pessoas aprender a crer e a justificar a sua suposta inutilidade e ausência de valor, e agem com o despojamento próprio da ausência de amor próprio ou dignidade pessoal. Nestes cenários, a própria vida alcança preços bem baixos.
As pressões do mundo actual e a progressão do doutrina da meritocracia estão a desenvolver uma patologia que em breves anos será a segunda maleita mais incapacitante do mundo. Um clima de terror está instalado, traduzido em cargas de stress inimagináveis, ocultas por baixo da linguagem do progresso e da evolução, embora muito boa gente não aparente sequer saber para onde vai.
O distanciamento entre famílias é uma realidade, assim como entre as pessoas e os seus receptáculos de afeição e convivência. A ignorância de outros factores de existência que não assentem nas provas a dar em qualquer sector ou matéria são encaradas com reprovação e escárnio. A ideia não é aprender ou progredir no conhecimento. É ganhar. Vencer. A contemplação e humanismo simples são devorados pela aplicabilidade da teoria selectiva darwiniana. As flores de Yeates morrem, e as estatísticas assustam por meio minuto, acompanhadas pelas lágrimas de crocodilo próprias de sistemas políticos dominados pela insanidade de progressão para um objectivo raramente definido.
No Japão, suicidam-se mais de 30 000 pessoas por ano. Ali as pessoas não vão de férias com medo de serem substituídas ou engolidas pela máquina do utilitarismo puro. O stress e ansiedade são monstruosos e formam este cenário dantesco feito de números que cinco minutos depois são prontamente substituídos pelo anúncio ao iogurte magro no qual a mulher esbelta e perfeita, de pele bronzeada e olhos cobiçosos faz a apologia da vida em prol da saúde e da defesa do individuo. Tecem-se encómios ao crescimento e poder económico, mas as mortes ficam como uma espécie de mal necessário, o preço do ideal. São as peças de desgaste que a engrenagem rejeita para prosseguir na sua caminhada circular e sem alcance.
A tristeza mata. Directa ou indirectamente, mas os dados começam a ser irrefutáveis. E é a comunidade médica e cientifica a concluí-lo, ao falar em epidemia mundial. Portugal não está isento de incidência ou de responsabilidades, embora detenha em grande medida um olhar sobranceiro e desconfiado relativamente a estes fenómenos.
Cada um dos mundos pessoais e interiores é terrivelmente único, provavelmente susceptível e necessitado de uma adaptação interpretativa. Porque as explicações, por vezes, são tão despidas de forma interpretável à semelhança da imaginação própria da unicidade de cada pessoa. Como dizia uma amiga minha, "por vezes as coisas são demasiado pessoais para fazerem sentido". Mas isso não significa que podem ou devem morrer encarceradas.

Assim testemunhava uma outra vítima do “mal obscuro”:

Na vida, para mim, não há deleite.
Ando a chorar convulsa noite e dia...
E não tenho uma sombra fugidia
Onde poise a cabeça, onde me deite!
E nem flor de lilás tenho que enfeite
A minha atroz, imensa nostalgia!...
A minha pobre mãe tão branca e fria
Deu-me a beber a mágoa no seu leite!


Florbela Espanca
 
Paul Thomas Anderson, numa entrevista a propósito de Magnólia, quando um jornalista o acusou de ter realizado um filme moral, disse somente que não entendia a acusação, quando ele tinha feito um filme na tentativa de demonstrar que provavelmente não andamos a fazer o que deviamos uns pelos outros. Mas devíamos fazer. Pelo menos o mínimo. Não se trata de moralização. Trata-se de sobrevivência.
 
Eu, com honesta esperança, subscrevo,
 
 

 
 
 Condicionado por aquilo que é a vida quotidiana, as responsabilidades e a necessidade de sobreviver em substância, não tenho acesso a toda a informação que desejava.
 Não me posso dar ao luxo de ler obras completas, saltito entre livros de vários autores e de variados assuntos, de Stephen King, a Eça, passando por Henry James e acabando recentemente em Coetzee ou DBC Pierre.
 E sei que é de uma ingenuidade tremenda, mas julgo que as ideias e tormentos de quem deseja expressar algo são muito mais simples e tocantes do que as discursos entrelaçados herméticos dos supostos analistas querem fazer crer.
 Nunca tinha lido Coetzee, lá está, e fiquei maravilhado com "Disgrace" .  É daqueles livros, como outros há, que nos enchem de desespero quando temos de enfrentar a página em branco. Magistral na sua simplicidade, no destilamento da dor, na originalidade da redenção possível, na universalidade. Mas sobretudo na honestidade. Na pungência de uma história sem alçapões que acaba por ser estranhamente tocante. 
 É a honestidade que faz uma boa história. A técnica demonstrada de coração fechado é uma impostura cínica, apenas defensável no campo científico.
 Por isso vou continuar a arriscar. Tenho histórias para contar. Talvez interessem, talvez não. A segunda hipótese é a mais provável. No entanto é a honestidade, ou o desejo desta que as faz emergir. Tenho de expirar. Nada posso fazer quanto a isso.

 

segunda-feira, julho 19, 2004

VATICANO FAZ A PRIMEIRA ENCOMENDA
 

Bom artigo do New York Times que explica uma evidência clara, ou seja, que qualquer forma artificial de limita uma liberdade ou põe em causa o livre arbítrio, cria uma uma clara falsidade na relação entre as pessoas. Existem estudos para a criação de uma substancia que inibe a acção de neurotransmissores que provocam a infidelidade, ou seja, criando um condicionamento químico  para cumprir um ditame moral e social que deverá sempre partir do livre arbitrio e do desejo de cada um em assumir compromissos ou tomar opções. Porque se o livre arbítrio não existe, o resultado está sempre inquinado por uma falsidade inamovível. Se alguém não me trair, não porque não o deseja fazer, mas porque o cérebro está quimicamente alterado no sentido de não o permitir, acho que ficaria muito mais chateado com a segunda premissa do que com a primeira.

Como diz o jornalista:

  "Then again, the study was done on voles. I don't know that I've ever seen a vole, but if they're like moles, only smaller, with pointier noses (which for some reason is how I picture them), I doubt that they're subject to the inner agonies that human males feel regarding sex and love. Most of us -- me, for example -- are good boys, basically, who occasionally ''huddle around'' and then feel awful about it. Or maybe we never stray, yet we still feel awful because we wish we had. Human beings are a self-conscious mess. Even if our sexual inclinations could be realigned through genetic tinkering, we'd still be free to decline the treatment, counteract it with another procedure or regret it once we'd had it. The voles didn't know what was being done to change them, and they had no choice about whether to let it happen. One day, the temptation to stray just vanished as if by divine intervention. But we'll have to freely decide whether to circumscribe our own forbidden desires -- a mental trap no rodent needs to fear. " 
 


Para quê dizer mais....

quarta-feira, julho 14, 2004

Pois... é bem verdade

Ao ver o estado do país, é incrível como me mantenho um optimista incorrigível...



You are DORY!
What Finding Nemo Character are You?

brought to you by Quizilla
Bem o génio falou novamente.
Está morto, mas isso toda a gente sabe. Custa a aceitar, como várias derivações da chamad lei da vida.
E diz algo que eu creio ser a razão para determinar se uma obra vale ou nao a pena.
Claro que a inteligência cultural portuguesa, e não só, acha que a qualidade está encerrada debaixo de definições herméticas e um jorro de citações obscuras.
Mas a sinceridade, o desejo de dizer a verdade mesmo dentro da mentira (que é, por exemplo a ficção), a capacidade de ser sincero, são as coisas que garantem o respeito a uma criação, mesmo que a estética própria não se sinta apaixonada pela morfologia dessa obra.
Sinceramente, julgo que a falta de qualidade de muitas coisas deriva da sua incapacidade de querer ser sincero. De tomar como assente qual o desejo presente e claro em contar de uma história, tocar uma musica ou pintar o quadro.
De que vale o apuro técnico se tudo é cinismo?
Bem, é a velha história do embrulho oco, julgo eu.
Mas o mestre é que sabia, mais uma vez...


In 1991, Ray Charles was asked what he would like listeners to take from his music. "What would please me," he replied, "is if people would say, 'One thing about Ray's music, it's sincere. You may not like everything he does, but it's real. It's always genuine.' If I got that kind of accolade for the rest of my career, or even after I'm dead, that would please me very much."
Bem o génio fala novamente.

E diz algo que eu creio ser a razão para determinar se uma obra vale ou nao a pena.
Claro que a inteligência cultural portuguesa, e não só, acha que a qualidade está encerrada debaixo de definições herméticas e um jorro de citações obscuras.
Mas a sinceridade, o desejo de dizer a verdade mesmo dentro da mentira (que é, por exemplo a ficção), a capacidade de ser sincero, são as coisas que garantem o respeito a uma criação, mesmo que a estética própria não se sinta apaixonada pela morfologia dessa obra.
Sinceramente, julgo que a falta de qualidade de muitas coisas deriva da sua incapacidade de querer ser sincero. De tomar como assente qual o desejo presente e claro em contar de uma história, tocar uma musica ou pintar o quadro.
De que vale o apuro técnico se tudo é cinismo?
Bem, é a velha história do embrulho oco, julgo eu.
Mas o mestre é que sabia, mais uma vez...


In 1991, Ray Charles was asked what he would like listeners to take from his music. "What would please me," he replied, "is if people would say, 'One thing about Ray's music, it's sincere. You may not like everything he does, but it's real. It's always genuine.' If I got that kind of accolade for the rest of my career, or even after I'm dead, that would please me very much."
Uma demonstração, feita de forma clara e engraçada por um génio.
Assim fica demonstrado que qualquer forma de preconceito é produto de uma estupidez para além do mensurável.
Espero que César das Neves seja obrigado a ver os Anjos na América e La Mala Educacion 2500 vezes, para perceber o quão afastado está das noções básicas de justiça, igualdade e simples humanidade.

Ray Charles dixit:


Such accomplishments are all the more remarkable given the crushing poverty of his childhood and the blindness, seemingly caused by the glaucoma he contracted at age six. Born Ray Charles Robinson in Albany, Georgia, in 1930, he grew up in Greenville, Florida. His mother insisted that there was nothing he could not do if he set his mind to it, telling him, "You're blind -- you ain't stupid." She sent him to the Florida School for the Deaf and Blind in St. Augustine. The vicious racism of the segregated South did not escape him there. "Imagine separating kids according to color when we couldn't even see each other," he said later. "Now ain't that a bitch!"

Leiam o resto do magnífico artigo aqui.

terça-feira, julho 13, 2004

Ontem terminou um dos melhores blogues nacionais.
Uma voz tremendamente informada que contestava com factos e razão a prosápia neo-realista de quem acha que a economia de mercado é de facto a única força orientadora do mundo.
No meio de tanta desgraça política, cala-se uma voz importante.
Espero que reconsideres, J.
Com quem é que eu vou falar de Alan Moore ou Robert e Howard?
Estou com esperanças que reconsidere.

Abraço forte.

segunda-feira, julho 12, 2004

Da situação política

Em primeiro lugar, e talvez isto surpreenda alguns daqueles que me conhecem, sou que caso as personagens a indigitar para a governação fossem outras, sobretudo não Santana Lopes ( por alguma razão é que Cavaco Silva nunca lhe deu um ministério), julgo que a melhor solução fosse mesmo a continuidade, essencialmente pelos custos económicos de uma estagnação do país. Se o novo Governo fosse constituído por alguém mais digno do cargo, e se rodeasse de pessoas capazes, como por exemplo Laborinho Lúcio ou Angelo Correia e quejandos, penso que a solução pela continuidade da legislatura teria sido a correcta.
Assim, com o playboy capa de revistas como Caras e Lux, conhecido por ter estoirado a Figueira da Foz deixando-a individada até ao ano 2050 ( á semelhança de outro aneurisma cerebral chamado Alberto João Jardim), parece-me um castigo injusto para o país que sofreu o que sofreu para cumprir um pacto de estabilidade idiota( que a França e Alemanha simplesmente não cumpriram), e ainda assim não viu a consolidação orçamental ocorrer como previsto.
Santana Lopes é um homem com capacidade para eleições, e a segunda metade da legislatura será precisamente o caminho para o segundo mandato deste partido, à custa do estoiro do que mal e porcamente se terá amealhado. A imbecilidade que é o projecto do túnel do Marquês mostra bem o calibre do rapaz.
Sinceramente, talvez até seja preferível deixar este pandemónio, e esperar que António Vitorino pegue nisto e dê a coça necessária a Santana daqui a dois anos. Aí a alternativa de Governo será mais credível e alicerçada em qualidade do que seria agora, com Ferro Rodrigues. É um homem tecnicamente capaz, mas sem estaleca para estas andanças. Espero voltar a vê-lo como Ministro.
A decisão de Sampaio acaba por ser algo inesperada, mas dentro de uma lógica que sempre mostrou nos seus mandatos. As legislaturas devem ir até ao fim, e ele levou esse princípio á prática. Embora perigosa, é uma decisão legítima e dentro do escopo dos seus poderes constitucionais.
O que vai acontecer agora é uma vigília ainda maior sobre a actuação do Governo, e nessa óptica, vamos lá ver como é que Santana vai descalçar a bota.
Quanto á reacção da esquerda, eu pergunto-me o que teriam feito os direitistas se a coisa fosse invertida. Ou querem fazer-me crer que se Sampaio tivesse optado por eleições, que aquelas expressões de deferência pela decisão presidencial se manteriam? Pois, claro que não...
A verdade é que a esquerda reagiu mal, como seria de esperar, e é verdade que algumas coisas poderiam ser evitadas. Não concordo com a mistura entre relações pessoais e alinhamentos políticos. A racionalidade da decisão assentava numa alternativa que fosse menos gravosa, e na legitimidade democrática, não em concordâncias partidáras. Aí estou de acordo.
Mas uma coisa é certa, a decisão de Ferro Rodrigues é correcta. Esta derrota na alteração da tendência governativa tem responsabilidade políticas, e como tal, por não ter logrado o objectivo demite-se. Como qualquer líder que assaca responsabilidades políticas em alturas cruciais... excepto o Portas, claro...mas alienígenas não contam, bem sei...
Outra coisa que não é escamoteável é a responsabilidade política que a direita afirma não ter. Depois de levar uma sarabanda em eleições, e de ter um primeiro ministro que dá á sola porque lhe é mais conveniente ( e tenham lá paciência e não me digam que como P. da Comissão Europeia ele será mais fundamental ao país do que era como PM nesta fase da legislatura - recordem que o PM do Luxemburgo recusou o mesmíssimo cargo), ninguém assaca responsabilidades políticas nenhumas ao nível da maioria governativa. Os sinais do eleitorado passaram ao lado da arrogância típica de direita porque como qualquer bom elitista, julgam que a malta que vota não sabe o que faz. E este governo, independentemente de eu achar que a solução encontrada foi talvez a possível face à encruzilhada situacional do país, está ferido de ilegitimidade, porque não foi nestes governantes que o país votou. E há muito eleitorado de centro-direita que me diz que não votou neste gajo e que nem sabe o que ele vai para lá fazer.
Mas é a lógica lapa ao poder, da qual Portas é um exemplo claro. Depois de ter o nome badalado mais de mil vezes no caso Moderna, acha-se ainda e sempre legitimado e acima de suspeita. Duarte Lima e António Vitorino, em casos bem menos graves, demitiram-se. Portas ficou porque como qualquer boa lapa, só á facada é que se descola da rocha de poder. Triste.
Sinceramente, penso que qualquer das decisões teria custos, e que esperemos ser esta a melhor, tendo em conta a necessidade de concluir ciclos económicos. Uma paragem de meio ano poderia ser uma facada no coração do país.
Mas a verdade é que a falta de legitimidade democrática vai espicaçar muito a vida política nos anos que se seguem, e concensos importantes que poderiam ser conquistados poderão estar fora de cogitação, como disse a minha querida Polly Jean. E a responsabilidade política dessa situação cabe inteiramente à maioria e especialmente ao líder demissionário. Apesar de eu achar que até será bom para Portugal ter um presidente da comissão Europeia português, por muito fantoche que ele se apreste a ser, segundo todos os analistas políticos.
Para terminar, vejo indignação perante as reacções à esquerda, mas ninguém comenta as boçalidades de João Jardim, que bem ao seu estilo monarca de trazer por casa, comentou desta forma a situação:
"Não quero saber da reacção do PS para nada!"
"No fundo lamento, porque ele era tão fraco que era precisamente o adversário que calhava ao PSD!"
"Cumprimento o P:R: pelo seu patrotismo!!!"
As boçalidades de um palhaço que por uma benesse partidária, foi o único que não viu a bolsa fechar cordões, que constrói túneis de dez metros com o meu dinheiro e detracta o território Continental a torto e a direito, pedindo independencia, mas sempre convicto de que os EUROS lá vão cair.
Não vejo qual a diferença entre este sapo gordo e asqueroso, e as tendência totalizantes de Bloco de Esquerda e quejandos. É que ao menos estes agem como contra poder e reguladores, ao passo que Jardim é rei d única monarquia existente dentro de um sistema republicano e constitucionalista. Caso único no mundo!
Vamos ver o que faz Santana.
Mas tenho muito medo, e acho que mais pessoas deveriam ter.
O populismo assusta-me sempre.
Existem momentos que nos deixam completamente sem palavras, corroídos por um senso de repugnância e revolta que chega a causar marcas físicas. O meu estômago que o diga, porque a noite passada foi complicadíssima.
Em primeiro lugar, uma extensíssima vénia a Peter Mullan. Ainda não tinha visto o seu grande "Magdalene Sisters", e fiquei estarrecido.
Por vezes questionava algum do meu ( não vale a pena ser hipocritamente meigo) desprezo e repugnância por religiões institucionalizadas, pelos seus atentados á liberdade pessoal e ao pensamento livre e esclarecido, pela manutenção de dogmas à custa de uma ameaça de tormento no pós-vida, ou seja, pelo medo e não pela iluminação. E isto porque até partilhava alguns dos valores em conceito, especialmente no que dizia respeito ao cuidado pelos mais fracos, pelos indefesos, e o desejo de paz e entendimento relativamente ao próximo.
(Claro que para mim o que interessa é estimar e respeitar o próximo, e não uma qualquer entidade supostamente superior que munida de um berbequim mágico supostamente terá criado a cosmogonia como a conhecemos. Ainda ninguém me explicou como é que se baniu a teoria da evolução de muitas escolas, em troca de uma palhaçada primordial feita de maçãs e serpentes e coisas que tais. Só uma pergunta - e a consanguinidade? Bem, se calhar é por isso que o mundo está como está, mas a verdade é que a consaguinidade também causa danos físicos além da demência, pelo que o facto de existir tanta gente em boas condições físicas, deita esta hipótese por terra. Mas adiante... )

Mas a verdade é que as páginas feias acerca das religiões institucionalizadas são cada vez maiores e mais numerosas. Desde Inquisição, à aplicação da doutrina radical do Corão (transformando as mulheres e pessoas em geral em animais acéfalos e sem direito a liberdade intelectual e muitas vezes física) , a "Hell House" ( a minha preferida e das mais horripilantes de todas) , a atitude passiva e ou mesmo criminosamente cúmplice do Vaticano na II Guerra Mundial , e agora, as lavandarias ou ou Asilos de Madalena.

O filme em causa tem um enredo romanceado, mas baseia-se no depoimento de algumas das sobreviventes, que graças a uma sociedade criminosamente pactuante, eram submetidas a um regime de escravatura, violência psíquica e não raras vezes física, além de humilhação. Esse regime era aplicado em dezenas de instituições a cerca de trinta mil mulheres consideradas como "perdidas" graças ao código religioso implementado na sociedade irlandesa. Sociedade esta que de alguma forma apoiava este tipo de situações, e que era o seu sustentáculo, em plena segunda metade do século vinte. As Lavandarias de Madalena era uma espécie de tapete para onde se varriam as manchas incomodativas de uma sociedade que aplicava rigidamente um código dogmático cada vez mais incompreensível e fechado sobre si mesmo.
Quand contactados para comentar, os responsáveis pela religição institucionalizada no país responderam da seguinte forma:

The association that represents the nuns, or the Conference of Religious of Ireland, declined an interview. It, however, provided CBS a statement saying, the Sisters accept the part they played in this regrettable era and asked that it be examined in context(1). The statement also admits that many former Magdalenes had painful memories and welcomed the opportunity for them to speak with us.

But when the CBS reporter knocked on the door, he was told, "There's no one to speak." CBS NEWS, 3 de Agosto de 2003 (1) Qual contexto? Estávamos em 2000 na altura da entrevista e em 1970 na altura dos relatos! Muito longe da idade média, parece-me...


De resto, não surpreende esta atitude, porque como tem sido feito ao longo dos séculos, a atitude das instituições que usam o código dogmático de uma qualquer religião tem sido esta. Uma espécie de autismo e arrongância próprias de quem não tem de facto qualquer explicação. Porque ela não existe, claro.

Eu entendo a religião, apesar de agnóstico, como uma experiência individual, baseada na liberdade pessoal de criar e viver de acordo com determinados valores, crenças e sobretudo, algo que deveria servir para o crescimento da mente e psique humana, ao invés de se manifestar por uma doutrina assente em dogmatismos que raramente têm alguma coisa a ver com a natureza humana e a sua diversidade, e que apresentam um ódio visceral e mal sustentado pela expressão da liberdade individual. A sustentação de um código de conduta com base no medo a uma entidade superior que nos pode mandar para dentro de uma panela como ingredientes eternos para uma caldeirada á fragateira, ao invés de sustentar o amor ao próximo pela compreensãoda sua natureza e a benevolência em conceito própria de um imperativo categórico, mostra bem a natureza desse código.
Será possível que não haja uma falsidade intrínseca a uma doutrina que estatui a superioridade de algo que comanda o amor porque ele quer, e não porque aquele é bom em si? Ame-se por medo a algo, e não porque amar em si é positivo? Isto não faz confusão a ninguém?
A verdade é que as atrocidades se têm vindo a repetir ao longo dos séculos, e chegam aos dias de hoje, como neste caso concreto. E obviamente que os culpados são os que usam da pior forma os desde logo discutíveis dogmas. O problema é que se multiplicam os fenómenos desta natureza, e têm sempre por base a doutrina em causa. Se as disposições fossem de outra natureza, talvez as coisas fossem diferentes. Se acompanhassem os tempos, por exemplo, sem perder de vista obviamente a matriz. Trata-se tão somente de ser tolerante, de evoluir. De ser, no fundo, humano, porque já lá dizia o outro, "divino é aquele que sabe ser humano".
Aconselho a ver este filme por todas as razões e mais alguma. Por ser bom cinema, porque os actores são óptimos, e porque não obstante ser perturbadora, a história é real, ilustrativa, e sobretudo, pedagógica e denunciante.
E perante isto pergunto-me, com a pele arrepiada. Que mais haverá por aí?
Por trás de bourkas, e muros, e hábitos e lenga-lengas?
Só pode ser assustador.

sexta-feira, julho 09, 2004

Bem, talvez seja hoje que o nosso P.R lá diga de sua justiça. A verdade é que se trata de uma decisão penosa, que de alguma forma poderia ser resolvida se qualquer um dos contendores apresentasse gente de qualidade nas suas fileiras.

No lado laranja, porque não António Borges? Ou Catroga? Ou Laborinho Lúcio?

Do lado Rosa, porque não Vitorino? Ou Jorge Coelho? Ou mesmo Sócrates?

Talvez porque os nomeáveis sejam demasiado espertos para se atolarem na miséria franciscana que é a classe politica portuguesa dos dias de hoje. Mas ainda há gente de valor por aí, que talvez se chegue á frente. Dos dois lados, julgo eu.
Excepto do PP. Daí, como se provou pela maravilhosa administração de Portas e o sorvedouro financeiro de submarinos e tanques, pela estupidez constrangedora e difícil de esconder da Ministra Cardona, e pela Secretária de Estado da Educação Mariana "Bíblias manuscritas Cascais".

Vejamos o que faz Sampaio.
Imaginem o que faria Portas na pasta dos negócios estrangeiros. Já imaginaram? Pois, se calhar eleições antecipadas é provavelmente a melhor opção. A não ser que Cavaco se chegasse á frente... Ou Vitorino, o meu preferido desde já.

Boa sorte, Sr. Presidente. Em ultima instância, que se devolva á democracia a capacidade de escolher o seu destino.
O Regime mais execrável do Mundo volta a dar o arda sua (des) graça...

O gigante chinês cresce á custa da opressão do seu povo, perpetrada por um governo totalitário que despreza quaisquer ideias de direitos humanos e cívicos, que se desenvolve económicamente á custa de trabalho (quase) escravo, que considera a liberdade de expressão como uma maleita vinda dos Infernos, e nada numa poça fétida de corrupção.
Mas ao que parece é um exemplo de desenvolvimento económico.
É realmente o mundo ao contrário.
Uma vergonha mundial que passa incólume...

terça-feira, julho 06, 2004

Ontem terminou uma das melhores séries que vi nos ultimos tempos. Penso que teria resultado melhor em filme completo, mas dada a extensão não se tornava exequível.
Bem sei que muitos dos homofóbicos e Cesares das Neves que por aí andam devem ter benzido a televisão ou pendurado uns quantos terços nas arestas protuberantes do aparelho, mas a verdade é que, para mim, é uma obra fantástica, cheia de diálogos e situações que marcam e deixam memória, e sobretudo porque se trata de uma reflexão profunda acerca do preconceito sem cair em discurso panfletário.
A lógica é sempre a mesma. Acho que a imensa falta de humildade de que sofrem certas pessoas resulta precisamente da ausência de capacidade de perspectiva. De tentar interiorizar e perceber as motivações, gostos e visões do outro. Aquilo que para mim é mais que tolerância, mas sim, humanidade básica.
Anjos na América mostrou um cenário que o "Philadelphia" de Tom Hanks já mostrara, mas em meu ver, de forma muito mais contundente, irónica e crua, sem deixar de ser terno ou comovente.
Deve ser chato para alguns tipos que se faça uma reflexão profunda sem cair naquele fatalismo nihilista e enegrecido de que nada tem solução. Foi isso que Kushner fez. Revelar uma realidade que, muito á semelhança do discurso de Almodovar, recai numa verdade universal. Se o amor existe, em todas as suas formas, tudo acaba por gravitar em torno dele, sendo dispicienda a forma como se revela.
Não sei porque é que o facto de existirem seres humanos que gostam uns ds outros, por vezes independentemente de sexo ou forma, chateia tanta gente.
Talvez porque para uns, o facto do pai da família nuclear encher de porrada os petizes é mais aceitável que outras formas de família.
Mas o mundo muda. A irracionalidade de ódios subjectivos não vence sempre. Infelizmente para eles.

Excelente.
Bem, quanto ao Portugal X Grécia, não vou alongar-me no óbvio.
A eficácia e o jogo pobre e feio ganharam sobre uma tentativa de fazer do desporto aquilo que deve ser. Uma competição que dê prazer a quem vê, porque é destes que ela depende.
Isto não significa que se retire o mérito aos jogadores gregos. Muito pelo contrário. Podemos não gostar dos seus métodos, mas a eficácia e a contundência objectiva com que abordaram cada jogo efectuado mostram uma vitória da táctica, do jogo de cérebros.
O futebol fica mais feio e a crise de afluência pode incrementar-se. A Grécia foi a Itália deste Europeu.
Ganhou merecidamente? Sim, porque levou o seu esquema a sério e não cometeu erros.
Mas foi bonito de ver? Jogam mais á bola?
Acho que não.

De qualquer forma, não sei como se redije em grego, mas fica provado que lá para as bandas helénicas, a melhor ataque é mesmo a defesa.

Parabéns rapazes! Demos uma mostra de brio, categoria e esforço. Chegamos muito mais longe do que eu me atrevi a pensar.
Viva Portugal!

O país segue dentro de momentos.

quinta-feira, julho 01, 2004

Estou neste momento a terminar o livro de DBC Pierre - Vernon God Little.
Além de ser uma maravilha, escrito numa prosa furiosamente irónica mas sem cair em cinismos inanes e, felizmente!, sem o fedor do pós-modernismo, é estranhamente comovente. Lê-se de um sopro, e só lamento não ter mais tempo diário para ler como gostaria, mas a verdade é que, no meu modesto ver, vem cada vez mais na senda de uma corrente de opinião que diz algo muito acertado.
Se falarmos/escrevermos com o coração aberto, procurando ver e dizer o máximo da verdade mesmo que dentro da necessária mentira que é a ficção, então o resultado só pode ser bom e ter qualidade.
Quanto aos arautos da desgraça que dizem que a ficção está morta, só posso lamentar a sua escolha e ter alguma pena deles. São pessoas que simplesmente acham que imaginar e sonhar, contando ou ouvindo histórias, não serve para nada. Pobres Diabos...
Já quase toda a gente falou na questão da sucessão governativa.
E para além do folclore esquerda vs direita, onde uns simplesmente acham que a legitimidade democrática está garantida porque se mantém a cor partidária, e outros julgam que existe uma crise política instalada que retira aquela referida legitimidade a quem seja indigitado por preferência interpartidárias, existem algumas questões que eu julgo ser importante questionar:

1 - A ida de Barroso para o seu novo cargo é prestigiante para Portugal. Se Vitorino era melhor? Obviamente, de longe, mas ainda assim é um lugar que nos prestigia. A juntar a essa circunstância, se ganharmos o Euro, andamos na boca do mundo durante muito tempo. Tornamo-nos visíveis. E isso é sempre bom, especialmente num cenário de "quase pós-recessão económica".

2 - A ida de Barroso significa uma perda de legitimidade democrática? Sem dúvida. A maioria foi decapitada, e á semelhança da Hydra de Lerna, despontam outras cabeças por todos o lados, cabeças essas que não demoraram um segundo para ser morderem e atacarem com ferocidade. A crise política está instalada, e como tal, qualquer que seja o grupo indigitado, terá sempre o presente envenenado próprio da falta de reconhecimento democrático. As pessoas não votaram naqueles projectos de governantes, não há qualquer expressão volitiva numa reestruturação que deveria estar a cabo de um acto eleitoral. Embora muitos deliberadamente se esqueçam, a demissão de Durão Barroso constituiu um acto voluntário da sua parte, e está quebrado o compromisso com o país. Não parece existir outra forma que não a consulta sufrágica, porque se o problema foi criado por quem governa, a solução é, por outro lado, dividida entre quem lá está e quem os lá colocou. Se o povo tornar a sufragar esta maioria, então ela terá mais 4 anos para provar o que quiser, e governar em posse de toda a legitimidade democrática necessária ao desempenho de tais funções.

3 - O cenário de eleições antecipadas também não é o ideal para mim por várias razões:

a) Preferiria um líder socialista que não Ferro Rodrigues, que em meu ver não tem estaleca para estas lides, e sobretudo, que esse líder fosse António Vitorino ou Jorge Coelho, ou talvez Sócrates. Mas os dois primeiros, com grande destaque para Vitorino, parecem-me ser os únicos capazes de liderar a oposição talvez na sua posição de Governo.

b) Eleições antecipadas vão paralizar o país durante três meses. Tudo o que sejam reformas e atracção de investimento vão parar á arca frigorífica para um período criogénico de meses, o que de alguma forma vem barrar o ciclo de fim de recessão/princípio de retoma. No entanto muitos dos analistas, até mesmo Vitor Constâncio na sua qualidade de Governador do Banco de Portugal diz que a instabilidade pode surgir de qualquer dos quadrantes, por isso, o risco é equitativo. Eu prefiro um risco sufragado, sinceramente.

c) Temo que de algumas reformas, como é hábito neste país, seja feita tábua rasa. Algumas destas medidas são idiotas e devem ser remodeladas imediatamente ( hospitais S.A., passes sociais pagos segundo o IRS, a reforma elistista e absurda da justiça), mas outras fazem parte de um ciclo que tem custos ao ser interrompido.

4 - No entanto, e tendo em conta a essência do principio da representatividade democrática, penso que a nomeação de um governo de substituição, especialmente com Santana (show-off) Lopes á frente, é algo que não respeita esse princípio e é feito na base de uma descricionariedade que embora não esbarre na legalidade, parece-me destituído de legitimidade política.

5 - Se o Primeiro Ministro resolveu evadir-se, o que é um direito que lhe assiste, e que penso que também tem benefícios, a verdade é que não o pode fazer sem ter em mente as consequências políticas desse acto, especialmente num momento de fragilidade pós-Europeias. Esta passagem de testemunho automático e em sede de bastidores não faz muito sentido, e embora seja uma prerrogativa constitucional, espero que o Presidente da República tenha em mente que em última instância, quem escolhe os governantes são os eleitores, os cidadãos, os Portugueses.
E que aí ganhe quem tem de ganhar, de acordo com a manifestação de vontade sufrágica de quem tem de a emitir.
Embora esteja longe de ser a solução ideal neste momento, é bem melhor que a alternativa.
Por isso inclino-me para eleições antecipadas, pela simples e directa racionalidade ínsita no princípio da legimitidade democrática.
Inclinações e convicções políticas à parte, pois fora ao contrário e eu teria exactamente a mesma opinião, como tive a quando da queda do Governo de Guterres.

Sr. Presidente, boa sorte.
Portugal, mais sorte ainda.



Mais uma vez venho expressar publicamente a reforma do meu discurso, porque eu era um dos descrentes na campanha da selecção em 2004. Como português e amante de desporto em geral, estaria sempre com a selecção, mas mais uma vez confesso que a minha expectativa não era com certeza esta que agora grassa pelo país. Era mais pessimista, principalmente porque o futebol em Portugal está cada vez mais parecido com um circo de vaidades que outra coisa qualquer.
Mas este brasileiro, como disse um amigo meu, é "macaco". É um estratega e sobretudo, é macaco velho. Ontem Figo calou todas as vozes dissonantes, ao mostrar como é que a vontade e a humildade fazem parte da pessoa e só se perdem se as pessoas assim o quiserem. Fez sprints de 50 metros, jogou, fez jogar, cortou e recuperou bolas e ia fazendo um golo de antologia, ou como diria o Tio Gabi, um golo de bandeira. Figo expressou aquilo que é a atitude segundo Scolari, e aquela que normalmente significa vitória. A atitude, a raça e o desejo de ganhar. Figo fez um jogo de raiva, e Portugal um jogo de confiança. Todos ganharam no final, e Scolari tem aqui uma influência muito importante.
Como um daqueles que (ainda) acha que dez estádios foram um disparate, mas que tem de morder a língua mais uma vez quanto ás suas expectativas relativamente á equipa da quinas, venho por este meio penitenciar--me, expresssando no entanto uma imensa alegria por fazer parte do país cuja selecção vem mostrando a melhor forma de ganhar seja o que for - através do esforço, da humildade, da luta, do desejo, da excelência, que se traduz num pleno merecimento.
As vedetas foram todas para casa. Sobraram aqueles que querem jogar á bola.
Portugal, peço-te desculpa e anseio vivamente por uma vitória histórica no Domingo, para que possa celebrar ainda mais o facto de viver em tempos tão interessantes.

FORÇA PORTUGAL!!!!!
VAMOS DAR-LHES O CHECO-MATE!