ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quarta-feira, outubro 20, 2004

Parábola de Ti...

So familiar and overwhelmingly warm
This one, this form I hold now.
Embracing you, this reality here,
This one, this form I hold now, so
Wide eyed and hopeful.
Wide eyed and hopefully wild.
We barely remember what came before this precious moment,
Choosing to be here right now.
Hold on, stay inside...This body holding me, reminding me that I am not alone in
This body makes me feel eternal.
All this pain is an illusion

Maynard James Keenan
Sei que me estou a repetir, mas o que
é que querem..
"Parabol" - dos Tool - Album - "Laterallus."
A Stranger
Cast the calming apple
Up and over satellites
To draw out the timid wild one
To convince you it's alright
And I listen for the whisper
Of your sweet insanity
while I formulate
Denials of your affect on me
You're a stranger
So what do I care
You vanish today
Not the first time I hear
All the lies
What am I to do with all this silence
Shy away, shy away phantom
Run away terrified child
Won't you move away you ??
I'm better off without
Tearing my will down
Maynard James Keenan - Perfect Circle - "A Stranger"
O que assombra o meu CD nestes dias mais cinzentos.
Fantástico. Se acompanhar a leitura de Neil Gaiman, é ainda melhor...

Ontem revi um daqueles filmes que muita gente adora detestar para manter aquela postura de ser aculturado e esclarecido, pertencente á elite que engolfa Hanneke e que julga que tudo o resto deve ser queimado em autos de fé crítica.

Como fã de Shakespeare, acho o filme uma deliciosa reinvenção, uma homenagem justa e até tocante a vários temas, entre eles o amor pela arte e sua integridade. Sim, não tem o toque cinzento e frio do realismo puro, duro e feio, mas desde quando é que isso é sinónimo de qualidade? Se assim fosse, o cinema era só documentário, porque tudo o resto é imaginação.

No entanto que me ficou daquele filme é igualmente um senso de admiração. De contemplação até um pouco rendida e que me demonstra algo indesmentível. É impressionante até que ponto a mulher é mais bonita, mais intensa e complexa. Até que ponto a forma como ri pode transformar tudo e dar-lhe uma solenidade e poder imensos.
Conforme li noutro dia numa revista, é na pele que tudo começa, pois é através dela que chegamos ao Céu ou ao Inferno. Curiosamente, isto vinha de um senhor (Paul Valery) o qual afirmou a certa altura que o cinema era um desperdício de inteligência...
Ironias á parte, há de facto fragmentos da vida que por vezes escapam ao inexorável buraco negro característico de uma importante parcela da natureza humana. São momentos belos, únicos, e sobretudo, mostram-nos até que ponto a criatividade pode ser um bálsamo que dá valor a preciosos minutos. E não é isso que vale a pena, afinal?
Elucidativo
Para curiosos e descobridores de musica nova, eis uma ajuda e um guia.
Nem sempre concordo com eles, e a linha editorial é por vezes algo snob e demasiado bota abaixo, mas está sempre por dentro do que de melhor e menos conhecido se faz por aí.
Visita obrigatória, e façam como eu. Se eles dispararem a matar sobre um album ou musico de quem gostamos, recordem-se que opiniões são como os rabos... o resto do silogismo recuso-me a reproduzir.


Se isto for realmente verdade, então chegamos mesmo ao fim...

Já não basta o chorrilho de disparates feito ao nível das campanhas de sensibilização para a educação sexual, dos quais Mariana Cascais é rainha e senhora (quantas bíblias já terá copiado?), agora vamos dar armas á malta jovem porque afinal de contas, é só por uma questão de segurança...
Até onde pode ir este (des)Governo Santanista?

Socorro!!!!


Morais Sarmento e Gomes da Silva constituem mais uma porção de creme desmaquilhante deste Governo que já não faz disparates no meio da governação, mas inverte essa proporção.
A ultima de Morais Sarmento é digna de figurar nos anais da história. E não digo anais dispiciendamente...

Aguarda-se a todo o momento o disparate de César das Neves

Pois é, parece que as evidências estão aí.
A normalidade é ser humano. O resto são balelas segregacionistas de malta que teima em usar palas cavalares e proferir discursos ainda piores.
Parabéns, Mr.Alan Hollinghurst!
Que a mentalidades estejam realmente a evoluir, ao contrário do que ventilam as prédicas do autista social citado em epígrafe.
O dia começou bem. :)

segunda-feira, outubro 18, 2004

MUITOS CORPOS MAS POUQUÍSSIMA GENTE?
Depois de alguma reclusão forçada, resolvi dar um giro nocturno no Sábado, para ver, como é costumeiro dizer-se, como param as modas.
Graças á gentil companhia de uma amiga de longa data e mais outros amigos, pude descobrir aquele que supostamente é o local que esta na "berra". E verdade seja dita que o termo é bem aplicado, porque eram os mais variados berros que se ouviam por toda a parte.
Entrei no local graças ao assentimento que o porteiro deu ás moças que me acompanhavam, como é de resto costumeiro. Se tentasse entrar sozinho ainda a esta altura me encontrava na porta de entrada, junto ao restante rebanho forçado. Isso caso tivesse paciência, o que não aconteceria por certo, mas enfim, adiante.
subimos umas escadas que davam para uma divisão parca em espaço e que servia de acesso ás primeiras casas de banho, onde as moças se amontoavam, e a entrada para um suposto nirvana, com a tabuleta privado escrita nuns caracteres estranhos. O tipo que estava á porta era baixo mas largo que nem uma casa, como sempre, e olhou-nos de lado quando fizemos menção de entrar. Mas mais uma vez as moças fazem milagres e lá entrámos.
Confesso, talvez devido a um período de reclusão mais ou menos longo, que a urticária começou imediatamente a surgir. Os olhares não enganavam, e davam a entender que haviamos entrado numa espécie de clube privado. As minhas pobre calças e camisa denunciavam a ausência de status, e como tal, a estranheza por frequentar aquel local supostamente reservado á nata. valeu-me a decoração do local que era bem engraçada e original.
Recordei um acontecimento engraçado que se passou com os U2 na altura em que faziam a promoção ao "Joshua Tree". Tinham ido a Las Vegas ver o Frank Sinatra, que a páginas tantas lhe lança o seguinte: "you guys don't spend a dime on your clothes". Bono Vox, anos mais tarde, em plena entrevista acerca da digressão com o fantástico "Achtung Baby", recordava esta cena, dentro de uma limousine branca, com um fato de designer de alta costura, em sorriso de paródia, e que dizia "Well Frank, as you can see, times have changed!".
Saímos do privado e entramos num local semelhante a tantos outros. Bares cheios de filas, pistas de dança e acesso pejados de pessoas. Pessoas essas que quando não dançavam, passeavam do lado para o outro, para serem vistas e verem o que se passava. Cabelos, roupas e acessórios clinicamente arranjados para aquela que parece ser a actividade preferida nos locais de diversão noturna - ver e ser visto. Há mais calor e proximidade entre pessoas numa camara frigorífica do que havia naquele local, mas parece ser um código bem aceite por todos.
Há uma espécie de diversão estranha e manter a distância. Algumas mulheres perdem horas do seu dia, arranjam-se ao pormenor, para depois ter o prazer de passear qualquer coisa que desconheço e fazer a sua quota parte de rejeições perante as tentativas de aproximação. Chegou a pensar se algumas não mantêm uma espécie de marcador destas situações. Também sejamos francos, as abordagens normalmente não são felizes, o que nos leva a reflectir acerca da outra face deste fenómeno. Há tão poucos sorrisos que até faz impressão. Parece um jogo de tensão constante. Uma espera penosa, sei lá...
A minha perplexidade prende-se com algo que sempre me acompanhou noutras ocasiões, e que me parece mais acérrima em Portugal. Porque raio é que as pessoas procuram locais cheios, e rejeitam os vazios, se a intenção dessas pessoas não é interagir? Se o intuito é dançar, não será uma pista quase vazia um local muito mais propício do que uma casa cheia que nem um odre one cada ondulação do corpo significa um choque com o vizinho do lado? Se a inevitabilidade é repúdiar contactos ( e demonstrar o enfado que isso provoca), não seria mais lógico procurar locais onde isso fosse menos propício?
Pergunto - porquê ir procurar a companhia de estranhos, se o intuito é que permaneçam estranho, e por isso mesmo, se verifique a ausência de companhia?
Depois de deambular um tanto, conversar um pouco com os meus amigos na varanda e beber um whisky absolutamente mal servido, tentei trazer este tópico para a conversa, para saber se havia uma partilha de opiniões. Aparentemente toda a gente achava isto normal. O que era giro era ir para um local onde estivesse muita gente. Interagir nem sequer estava nos planos mais mediatos. É a norma maioritariamente aceite. As pessoas estão ali ao lado, mas aparentemente não servem outro propósito que não o de observadores e observados.
Volta e meia vê-se um sorriso á distância, e alguns olhares tristes.
Engulo o resto da minha bebida, e após algum tempo de conversa vou-me embora. A saída é mais um cabo dos trabalhos, já que a fila para as caixas é infinda. Vejo mais uns olhares, mais umas toilettes bem programadas, mais um enorme distanciamento entre estranhos. O local está à cunha e ninguém interage com ninguém.
Vou para casa cansado, e sobretudo, reflectindo sobre aquilo que não muda e parece cada vez mais incrementar-se. As metrópoles, ( pelo menos Lisboa assim parece), assemelham-se mesmo aquela velha ideia do isolamento no meio da multidão. Acho que é por isso que as pessoas não se arriscam a ir a locais destes sozinhas. Talvez porque voltem mais isoladas do que foram.
Os códigos são estranhos, e eu pessoalmente não os entendo. Procuram-se os números mas não a companhia.
Mas que diabo, eu saio pouco.
Para quem faz disto um hábito, com certeza as coisas serão diferentes...
Ou não?



Como é que este tipo pode ser director do Público? Como é que um homem que tem tanta experiência em jornalismo pode achar que alguém como Rocco Buttiglione deixaria as suas convicções de parte na condução da pasta que lhe fora proposta?
Achar que alguém capaz de afirmações daquele calibre seja isento e objectivo na condução das suas políticas é, no mínimo, ingenuidade. Porque aqui não se trata de atacar o catolecismo ( porque é doutrina que já faz mal a si mesma que chegue) mas sim ideias que assentam em discriminações absurdas e inqualificáveis. Alguém consegue crer que um comissário que ficaria responsável , por exemplo, por assuntos relativos á não discriminação, não levaria estas ideias segregacionistas e machistas para a construção das suas políticas?
Acusar as pessoas que se insurgiram contra algo assim de anti-clericalismo é de uma pobreza de espírito primária e a todas vacuidade de argumentos.
De JMF já espero tudo, sinceramente....

sexta-feira, outubro 15, 2004



"No Amor, o Homem Deve Tomar a Iniciativa

O pudor inibe a mulher de provocar certas carícias, mas sente prazer em recebê-las quando outro as começa. Sim, um homem tem em demasiada conta as suas qualidades físicas, se espera que seja a mulher a primeira a rogar. É ao homem que compete começar, é ao homem que compete pronunciar as palavras suplicantes; a ela acolher favorávelmente as suas brandas preces. Queres possuí-la? pede. Ela deseja tanto como tu ser rogada. Explica-lhe a causa e a origem do teu amor. Júpiter dirigia-se suplicante às antigas heroínas; apesar do seu poder, nenhuma o vinha provocar. Mas se as tuas preces se quebram na distância dum orgulho desdenhoso, abandona o que começaste e recua. Como elas desejam o que lhes escapa, e detestam o que está ao seu alcance! Sendo menos insistente, não mais serás repelido. E a esperança de alcançares os teus fins nem sempre deve aparecer nos teus pedidos; que o amor penetre sob o nome da amizade. Vi mulheres esquivas serem enganadas desta maneira: o que fora seu cortesão, tornara-se seu amante."
Ovídio, in 'A Arte de Amar'
Caraças, o homem viveu entre 43 e 17 A.C.!!!
A natureza humana acaba por ser como todas as outras formas de evolução dos organismos. Leva milénios a sofrer alterações... Mas que é injusto, lá isso é...
Ainda não tenho palavras para este poema...


" COISAS DE PARTIR

Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.
Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:

tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?
E se já não respiras? Se eu não te vejo mais

por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?
Faço eroticamente respiração contigo:

primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras."

Ana Luís Amaral
NA MOUCHE...


"Há, para começar, uma necessidade física. Se a solidão fizesse sentido não seria preciso mostrá-la, à espera que alguém a reconhecesse."

Miguel Esteves Cardoso, "roubado" aqui, com as devidas desculpas.
Ontem, graças ao Canal 11 ( NTV), pude rever melhor o debate presidencial americano.
Alguém ainda tem dúvidas que Kerry ganhou em quase toda a linha? Que Bush, com aquele semi-sorriso idiota e o chorrilho de contradicções levantadas, permanece a maior inexplicabilidade da história do Estado americano? Que não passa de um idiota perigoso?
Esperemos que daquia duas semanas e meia, seja essa a convicção dos americanos, ou estamos num sarilho impossível de resolver.
O barril de petróleo chegou as 55 dólares. Isto só por si deveria ser argumento suficiente. E há tantos outros...
Miguel Esteves Cardoso, numa crónica cujo nome lamentavelmente não me recordo, falou uma vez na falta de graça das relações onde não existe um mínimo de tumultuosidade. E tendo a concordar parcialmente com ele. Não há realmente maior privilégio do que termos a sensação de que a cumplicidade com alguém vai ao ponto de podermos mandá-los passear quando as coisas azedam minimamente. E depois voltar, e conjugar ideias, e aumentar a dinâmica da relação, seja ela de amizade ou amor.
Relação onde ninguém ( ocasionalmente) discute ou se zanga indicia algo de muito mais complicado. A indiferença. E essa ninguém lhe liga....

Isto é aquilo que realmente nos deveria preocupar. É perante factos destes que os discursos idiotas de que as pessoas não querem trabalhar perdem a sua prosápia. É perante isto que quem gosta de alvitrar sentenças quando tem o cu bem sentado perde a pouca credibilidade que já tinha. Porque efectivamente existem pessoas que por mais que lutem, que se esforcem, não conseguem chegar a esse panteão do sucesso tão propalado por quem normalmente lá chega á custa de heranças ou contactos políticos e afins.
Esta é uma realidade que não esconde a sua cara feia perante as ideias tão demagógicas que saem da boca daqueles que insistem no valor do trabalho ( que eu também concordo), mas que esquecem que as pessoas muitas vezes não têm por onde subir, por mais que desejem fazê-lo.

quinta-feira, outubro 14, 2004

O Governo prepara-se para inverter o ónus da prova em casas de evasão fiscal. Embora eu seja partidário absoluto do sistema que preconiza o principio do acusatório, não me repugna nada que se use uma derivação do sistema inquisitório para acabar coma pouca vergonha do pessoal que vai levantar o cheque da segurança social de Mercedes, ou pede abono de família para os filhos que andam no colégio, ao qual os leva de helicóptero.
Agora resta saber é quem é que terá de o comprovar, e se a eficácia da inspecção geral de finanças acompanha estas boas intenções. É que a verificar-se tal situação, PSL vai ter muitos amigos à procura de papéis, ou numa azáfama para imprimir outros tantos.
Ainda na linha política, parece que Bush levou outra rabecada no ultimo debate, e neste momento as sondagens equiparam-se, com cada uma das publicações alinhadas a cada um dos lados a dar uma ligeira vantagem a cada um dos candidatos que apoia. Mas Kerry vai ganhando os debates, e parece que as coisas podem finalmente sair do pesadelo que é o jugo daquele que é provavelmente o mais estúpido e irresponsável de todos os governantes de países do dito primeiro e segundo mundos. Esperemos! Faltam 3 semanas...
Uma última nota, ainda sobre o Prof. Marcelo e as trapalhadas do Governo. O facto do comentador Marcelo poder ter aproveitado a situação para agenda pessoal e política, não está obviamente de parte. A minha ingenuidade e da grande maioria das pessoas não vai a esse ponto, julgo eu. Mas isso não põe de lado nem mascara minimamente a postura inaceitável dos responsáveis envolvidos, especialmente se existe pressão relativa ao conteúdo de uma crónica ou expressão de opinião. A verdade é que o executivo e seus representantes tomaram uma postura perigosa e inaceitável num Estado de Direito, mostrando a prepotência de quem se julga acima da crítica. A comprovarem-se as pressões, é realmente muito grave e retira a ultima réstia de legitimidade que este executivo poderia alguma vez ter tido..
Certo dia, no meio de uma consulta a um site internacional em busca de novidades no universo LMC (Livros, Música e Cinema), descobri que alguém teve o bom senso de colocar á venda, ( finalmente!) os DVD da série Millenium, do Chris Carter, em meu ver, até melhor que o clássico X-Files. É uma oportunidade para rever a postura física irreal e a voz triste de Lance Henriksen numa série cheia de ambiente e originalidade.
Para fãs do género, como eu, é uma oportunidade de ouro.
E o Natal aproxima-se...
Embora possa parecer um cliché terrível, a verdade é que existem poucas coisas que se comparem ao prazer de vermos rir com gosto alguém de quem realmente gostamos. É vê-los em liberdade absoluta em meio a uma torrente de prazer involuntário. É uma das mais significativas formas de partilha entre duas pessoas, porque ao recolher a alegria para si, quem ri acaba por dispensá-la sem saber.
Excelente.
DELICIOSO

[Sedução]

"Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti
até que a dor alegre recomece."

[Maria Gabriela LLansol, "roubado" aqui com as minhas desculpas.
Não deve ser novidade, mas este continua a ser um dos melhores locais da blogoesfera. Do saber enciclopédico, ao esclarecimento e ponderação fundamentada da opinião, passando pela ironia mordaz e bem semeada, há lá de tudo. E com qualidade. Concorde-se ou não.
Visita obrigatória.


terça-feira, outubro 12, 2004

ALARME GERAL

O dia começou bem...

O NY Times fala da intenção da Igreja Católica entrar na campanha eleitoral norte americana, em prol de Bush ( claro), o que demonstra o incremento do autismo de uma instituição cada vez mais desfasada da realidade e das pessoas a quem supostamente se dirige. Como é que é possível tanta intolerância e incogruência numa doutrina social que se denomina como "de amor ao próximo"... enfim..
Ah, o argumento principal para sustentar a simpatia da igreja católica é a posição oposicionista da casa branca relativamente ao aborto e ás uniões homossexuais. Ou seja, a palhaçada do costume...

Alberto João Jardim faz queixa ao governo por causa da intervenção da PJ no seu reinado. Mais uma vergonha para o nosso país, com a qual a bancada parlamentar do PSD compactua, como se pode ler no Público de hoje.

Santana Lopes desmentiu o Ministro das Finanças, numa clara acção de propaganda que só agora começa. Que se preparem os portugueses pois vai começar a época das falsas vacas gordas. Há eleições para ganhar, afinal de contas...

O nosso Duralho escolheu um reaccionário misógino e homofóbico, com um discurso absolutamente imbecil, para comissário da Justiça, Liberdade e Segurança, ideia "brilhante" essa que foi imediatamente vetada por quem ainda tem dois dedos de testa nas nossas instituições comunitárias. Rocco Buttiglione representa do pior que o mundo e as instituições democráticas poder conter, na manutenção da sua tacanhez e formas dissimuladas de preconceito e tirania social. Um escarro que nem sequer deveria ser presidente de junta de freguesia, quanto mais comissário para uma pasta como a que está em análise.


Enfim, uma tristeza... A Europa tem de facto memópria fraca, e a Itália está no top da produção de personagens inqualificáveis. Pelos vistos Berlusconi tem uma legião de sequazes... Isto não faz lembrar nada?





segunda-feira, outubro 11, 2004

Um sinal dos tempos?
Pensem lá bem desde quando é que não ouvem o "Parabéns a você" cantado pausada e completamente?
Desde quando é que as pessoas aceleram as ultimas estrofes até que o final seja qualquer coisa como:

"dklfsldkjfhsfj festa fgdlksdlkgsdkalmas skfdjhgfjghsdlghsdl menina/o tal uma salva de palmas!!!!"

Pois é...
Os hábitos moldam as pessoas. Ainda que sejam emprestados de outras andanças e de ambientes que não eram os seus, a verdade é que aqueles automatismos do que parece correcto e apropriado surgem como uma letargia gosmenta junto da capacidade que as pessoas têm para diversificar. No fundo, para estar vivas de acordo com a mínima correspondência ao seu "plano".
Há quem o faça e sorria, ou quem empreste o seu sorriso como uma reacção aos pequenos desesperos de um dia a dia que pode sempre ser bem mais do que se julga.
Muitas pessoas julgam que as famílias, ou começos destas, podem substituir a vivência do ser individual enquanto parte de outro conjunto. Aquele conjunto das pessoas que nos rodeiam, que nos dão outra perspectiva, que nos mostram que o mundo não está encerrado em si mesmo ou naquela estrutura.
A verdade é que a inércia pode vencer. Vem pelo cansaço. Pela imensa fome que é aplacada de forma artificial pelas imensas máximas que supostamente fazem a elegia das transicções. Sinceramente, acho que é sempre idade para tudo, porque quem diz o contrário nunca assistiu ao espectáculo pueril que é a disputa de amor em anos mais avançados, ou a forma dos jogos mascarada pela suposta sabedoria de alguns anos.
Mas há novidades. Podemos ler mil livros, saber um milhão de coisas, dominar dez milhões de conceitos. A confusão está lá sempre, e toda, mas toda a gente tem a sua Rosebud.
O que a idade traz é um caminhar diferente e olhos mais treinados.
Mas nunca a desnecessidade dos outros ou de ter uma constante fome na vida. Não se vive sem se perseguir. Seja lá o que for.

Qual é mesmo o segredo para a saúde dos relacionamentos?
Embora muitas apostas se possam fazer, eu ponho o meu dinheiro na reinvenção. Mas a reinvenção que também nasce do esforço, da vontade.
A troca de amor pressupõe um elemento volitivo intencional, por muito que isso horrorize algumas pessoas. Sinceramente, acho que a maior injustiça feita ao amor entre as pessoas foi pensar-se que ele vive sozinho, como um motor contínuo que compensa a eventual falta de generosidade, empenho e procura das mais variadas formas de prazer.
A morte do amor é o comodismo.
Não tenho a mínima dúvida....

quinta-feira, outubro 07, 2004

REPUGNÂNCIA ......


Quinta das Celebridades...
Censura á liberdade de imprensa e ao comentário, tentanto impor contraditório onde nunca existiu, especialmente quando o mesmo Professor "martelava" forte e feio em Guterres e quejandos.
A TVI mostrou o esgoto fedorento em que se tornou, e eu, assustado e triste, verifico que as pessoas a consomem cada vez mais, assim como o fazem com o jornal 24 Horas. A TVI tornou-se o ícone do pior telelixo de que há memória, demonstrando que a ideia de cultura é algo absolutamente arredio da sua forma de estar e fazer comunicação social. Uma vergonha á qual só os próprios parecem alheios e que espero que o país reaja. Mas tenho poucas esperanças.

... E PERPLEXIDADE...

Embora como um apartidário mais identificado com a esquerda, não reconheço este PSD, demasiado parecido com o PP e constituido por uma cambada de idiotas que só demonstram que não fazem mesmo ideia daquilo que fazem. O PSD que eu conhecia era discutível nas suas opções, mas era constitudo por algumas pessoas que sabiam o que faziam, que demonstravam alguma competência política e seriedade. Recordo Angelo Correia, Laborinho Lúcio, e claro, o próprio Cavaco Silva.
Mas este PSD, boçal como só A. João Jardim sabe ser, feito de gente que nada faz nem sabe fazer, que a cada dia que passa aumenta o curriculo da asneira para niveis impensáveis, traz a vergonha a quem com ele se identifica ou nele milita. Mostra o pior do aparelho político partidário, e é absolutamente transparente quanto á sua forma de estar. Rui Gomes da Silva mostrou mais uma vez a face de um governo feito de incompetentes, de gente sem tino nem senso, de pessoas que julgam que o país e as pessoas se governam como uma multinacional implantada na Malásia.

Adaptando Almeida Garret
"País, quem és tu?.."
"Ninguém... eu não sou nada nem ninguém..."

sexta-feira, outubro 01, 2004

ADVERTÊNCIA...

Amigos, devido á minha total inépcia em HTML, o local dos comentários está deslocado, parecendo colado ao post anterior, e não ao que realmente pertence. Portanto, se desejarem fazer algum comentário, façam sempre no local para o efeito abaixo do post, ainda que aquele pareça colado à parte superior do post anterior.
E já agora, aos que o façam e por aqui passam, novamente um muito obrigado.

quinta-feira, setembro 30, 2004

Pensando numa amiga, vejo esta situação da colocação de professores, com a barracada da Compta e o diabo a quatro, e imagino o que deve ser a angústia daqueles que dia a pós dia ligam o pc, vão á página do Ministério e encontram aquela mensagem.
Ainda há erros, segundo consta, mas parece que a coisa arranca.
Não sei onde é que ela vai ser colocada, mas espero que tenha sido poupada aos ultimos erros.
E pensando bem, acaba por ser o clima que enganou a organização do ano lectivo. Com 30º de temperatura em Outubro, mais parece que as aulas começam em Agosto...
Está então tudo explicado.
Acessor de Comunicação de Santana ganha mais de 10 000 € por mês, segundo o Público de hoje.
Mais que ele (Santana), mais que o Presidente, mais do que o país pode suportar.
E os aumentos propostos de 2,5% são supostamente para dar o exemplo de contenção.
De quê?
De que uns são filhos da mãe, e outros claramente filhos de outra coisa qualquer...
De que não há limites para a vergonha...

Recordo agora o personagem Lenny no filme Strange Days.
Um homem perdido, com uma noção bem clara do que tinha mais valor que qualquer outra coisa. Despedaçado, tenta remar contra as evidências, tentando recuperar um amor que perde sem merecer, numa lógica implacavelmente prática e fria que lhe mostra que o exercício virtuoso do altruismo traz sempre mais chatice que compensação.
Ainda assim, o salve-se quem puder nunca deve ser o axioma para a dita realidade.
Até porque em ultima instância, nem os conservadores mais cínicos acreditam nela. Não passam de míudos que regurgitam as citações dos seus mais queridos, e depois se refugiam num sofrimento surdo, baço, cheio de protesto.
A maldade tem muitas gradações, e isso não é novidade para ninguém.
Mas se Bush for reeleito, que mensagem é que fica no ar senão a prevalência da estupidez e da impunidade?


Hoje estreia Sharks Tale.
Amanhã lá estou eu, na sessão da meia noite, a rir-me com o Martin Scorcese a dar voz a um peixe balão.
Este filme parece prometer, segundo dizem, uma resposta aquática á altura do magnífico Finding Nemo.
Vamos lá ver isso.
Recentemente tive a felicidade de escrever para cinema.
Um pequeno guião para uma curta metragem.
Ainda está em fase de acabamento, mas em breve estará completo e seguir-se-á a transformação em imagem.
Raras vezes na minha vida senti uma realização tão grande. É de facto um privilégio poder criar algo, ter uma visão por, muito modesta que seja, alguém sentir que alguém quer espreitar para dentro do local onde andámos a alucinar.
Obrigado.
Sinceramente.
PROCURA-SE..? MAS COMO????
Devido a acontecimentos recentes, vejo-me numa posição privilegiada para analisar um certo fenómeno. Algo que deriva da imensa distância que as metrópoles colocam entre as pessoas, mas também das chamadas estratégias de aplicação prática para combate à solidão ou coisa análoga. Senão vejamos...
Qual dos vosso, meus, amigos é que está solteiro(a)? E digo solteiro no sentido da ausência de relação minimamente estável, porque o papel passado é somente uma convenção socio-contratual que a mim ainda me arrepia.
Existem provavelmente três casos tipo, embora saiba de antemão que existem provavelmente mil variedades de razões para o mesmo fenómeno.
Existe o caso mais paradigmático. O homem ou mulher eterna e divertidamente perdido no estado estético "Kieerkgaardiano". São aquelas pessoas cujo charme, imagem e condição económica permitem um distanciamento mediato relativamente ás outras pessoas. Ou seja, são aqueles que marcam os outros, deixam impressão, e esse poder permite-lhes pura e simplesmente ir colhendo as flores quando lhes apetece, tendo em conta que o prado parece estender-se indefinidamente. No fundo as suas qualidades fazem deles pessoas com a capacidade de requisitar os outros quando querem, mantendo um distanciamento honesto e feito de independência cuja qual os mais enamorados ou persistentes teimam em querer quebrar. poder-se-ia argumentar que essas pessoas acabarão por sentir o vazio da falta de pertença, mas talvez não seja assim. Talvez porque quando desejem, acabam por pertencer a qualquer lado. Normalmente são aquelas pessoas que olhamos à distancia, louvamos o seu riso livre e espirito de independencia absoluta. Se tivermos sorte, conseguimos não nos enamorar destas pessoas, evitando assim cicatrizes de escaramuças emocionais impossíveis. Não é Azincourt ou Aljubarrota. Não há esforço heróico que valha, ou abnegação. No fulcro, essas pessoas acabam por ser inconquistáveis, porque talvez esperem um espelho da sua própria perfeição. Acredito que com o tempo acabarão por pagar a factura da sua própria vida, mas até lá talvez tenham vivido o suficiente para encher três tempos dos restantes tipos de vida.
Depois existe o celibatário(a) teimoso. Seja por devoção e entrega a um trabalho específico, ou porque a exigência requer um encaixe absoluto nos seus hábitos celibatários, este é um ser que crê profundamente num determinismo emocional. É o maior defensor do destino, e de alguma forma acredita que todo o seu esforço resultará num arranjo automático, por suposto merecimento, da sua vida emocional. É o tipo que não procura, que não arrisca, que de alguma forma carrega o seu paradigma ou protótipo na mala mental, e só retira a proposta da mesma quando o projecto é feito de encaixes perfeitos. Leva talvez a vida mais complicada porque acaba por sofrer imenso. A solidão desgasta-o, esfarela a sua resistência como um jacto de areia contra um osso velho. Mas ainda assim não há meios termos. De alguma forma, a determinação do seu objectivo é um código de identificação. E de aplicação universal.
No fim existem as pessoas que de alguma forma andam perdidas e não possuem qualquer das estratégias acima referidas. Levam o seu dia a dia com um ouvido atento ao mundo. O seu percurso social leva-as a ver as mesmas pessoas dia após dia, e o isolamento urbano da multidão impede uma convivência alternativa bem sucedida. A noite, como se sabe, não providencia essas possibilidades, já que os objectivos estão bem traçados. Ver, ser visto, partilhar o mesmo espaço, mas não interagir. Na noite não se conhece ninguém. No entanto, quando tal acontece, trata-se de um felicíssimo acaso, ou de uma estratégia bem definida que por acaso encontra feedback do outro lado. A própria falta de uma certa qualidade de vida impede a criação de espaços pessoais para experimentar a companhia de estranhos. É só entrar num local qualquer e ver que as pessoas estão todas num mesmo local, mas não interagem, não se conhecem. Vêm e são vistas, e as coisas por aí ficam, na grande maioria dos casos.
Eu pergunto-me se as pessoas têm a noção da dificuldade que é conhecer alguém a partir dos tempos em que se abandona a faculdade. É impressionante como o universo se comprime, e o circuito social começa a ser feito de casais, de gente que se identifica num conceito de união, seja ela mais ou menos coesa. Ao contrário do que se diz, o terror de ficar sozinho ou de comparecer a jantares e copofonias sem a cara metade está destinado a todos aqueles que até fazem por isso, mas que não conseguem que alguém com o mínimo de caracteristicas exigidas gravite na sua esfera.
Ao falar com a maioria dos meus amigos e conhecidos, e partilhar e experimentar a sua companhia e contributo humano, verifico sempre que a esmagadora maioria tem uma situação amorosa constituida, por mais desiquilibrada que seja. Sinceramente, alguém encontra uma pessoa bem parecida, culta, humana e com uma dose de desvario provocatório/sensual que esteja sozinha? ( tirando aqueles dois primeiros grupos?) O relacionamento até pode ser um desastre, e as trocas e baldrocas uma realidade, mas como e onde é que alguém que esteja perto dos trinta consegue realmente conhecer alguém?
Recordando dois amigos meus nesta situação, e ouvindo as suas angústias, recordo aquela frase de Carrie Fisher no filme "When Harry Met Sally".
"Ainda bem que já não ando perdido lá fora na selva"...
Será assim?
O que faz a saudade por alguém que está temporariamente longe...
Como é que eu faria para a encontrar, se tivesse de o fazer hoje em dia?

quarta-feira, setembro 29, 2004

VAI SER UMA ROMARIA ÁS COMPRAS!

A malta do Gato Fedorento vai editar um DVD em Novembro!
Para mim é uma certeza absoluta e consumada. Vai lá para casa, bem junto ao magnífico Fawlty Towers, Black Adder, Monty Python e por aí fora.
Agora só me resta perguntar uma coisa.
RTP, para quando também a edição em DVD do TAL CANAL????
Quando?????
Vá lá, tratem disso! Acreditem que vende!



segunda-feira, setembro 20, 2004

Bem, requiem para o único momento de humor matinal da rádio portuguesa.
Sim, tirando o Markl, os outros estavam a perder alguma da qualidade que os tinha afamado. Pedro Ribeiro deve ter-se esquecido que a piada do John Cleese, por exemplo, esteve sempre naquela magnífica capacidade de manter a (falsa compostura), para depois explodir com um par de cuecas na cabeça, o impagável Gumby, ou suar as estopinhas em fatos de gosto discutivel, (O fabuloso Fawlty Towers). Nos ultimos tempos, Pedro Ribeiro, com os seus gritinhos, estava a tentar ser engraçado á força, o que era confrangedor. Basta ver agora o ser registo mais sóbrio na RCP, e percebe-se porque é que vale a pena ouvi-lo em detrimento dos inenarráveis locutores da MEGAFM (argh!), ou mesmo da insuportável Arroja com as suas "grandes malhas" e os seus "do best".
A Maria era simpática, inteligente, e cheia daquela irreverência própria das mulheres que são giras, sabem-no, mas nunca usam esse mecanismo para olhar os outros com sobranceria. Algumas das gargalhadas eram um bocadinho excessivas, mas caraças, ninguém é perfeito, verdade? E em compensação tinha uma veia certeira para as piadas sexuais subtis.
Markl sempre em grande. É num estilo Monty Pythoniano, cheio de nonsense, mas é o tipo responsável pelo gag da Ultima Ceia e do julgamento que opõe o Pai Natal ao Menino Jesus. Dois clássicos absolutos, imortalizados pelo Herman. ( Quando ele ainda era um comediante inteligente, e não este mutante apimbalhado que por aí deambula. O Gato Fedorento é o sucessor do humor inteligente e irresistível em Portugal.)
Nuno Markl sempre teve, e penso que continua a ter, aquela veia nonsense do tipo que conta as maiores anormalidades com um tom sério. Em televisão não funciona, temo dizê-lo, mas em rádio é imbatível.
Vai fazer falta aquela piada nonsense a caminho do trabalho.
Como o que resta nem vale a pena comentar, só espero que consiga comprar a porcaria do leitor de CD para o carro ( que custa uma pipa de massa) e voltar a ouvir os meus audiobooks ou cd de música.
A rádio matinal simplesmente não oferece nada que valha a pena nos dias de hoje... o que é uma pena.
Impinge-se a fórmula Big Show Sic e siga o baile. As playlists são uma porcaria absoluta. A rádio cada vez mais se parece com a TV, o que é uma pena, realmente. Os bons programas são como as series - ficam para a madrugada e afins...


A CRIANÇA REI

Já sei que vou ser espancado por isto, mas olha, que se lixe. Se é diário, é diário, e além disso, nem protestos tenho nos comentários, portanto mais vale abrir o cesto e ddeixar os gatos esgatanharem-se à vontade.
O tópico é a criança-rei. A criança que manda. O mundo que se construiu em torno de uma qualquer sacralização excessiva do papel da paternidade, e uma espécie de doutrina feliz do auto-abandono. Ou seja, que mais me importa se tenho lá os ratos de tapete em casa? ( rug-rats - culpem os anglófonos)
A verdade é que cada vez ais vejo as pessoas dizerem com um ar alegre que não lêm um livro, que não vão ao cinema, que não cuidam do corpo, que não fazem praticamente nada na sua esfera social, porque há os petizes, e os petizes são tudo e mais alguma coisa.
Longe de mim colocar isso em causa, já que não sou pai e não tenho a dimensão do fenómeno bem segura. Mas caraças, quando ouço pessoas dizer que já nem a sua dimensão erotizada exercitam porque entre as fraldas, as comidas, as escolas e mais o diabo a quatro, já não resta energia para nada, eu pergunto se as pessoas abraçam esta espécie de deserção completa da vida própria com um absoluto sorriso nos lábios. E uma vez que as mães, por recorte biologico, estão mais sujeitas a isto, pergunto-me igualmente se existe uma admiração muito grande perante situações que correm mal, precisamente porque o elemento masculino se tornou o "provider" e pouco mais.
A verdade é que há este endeusamento dos míudos, e sobretudo, uma espécie de transferência absoluta, em muitos casos, ( não em todos, claro), da totalidade do ser individual. Há quem diga que se encontra um objectivo ultimo e fundamental na vida. Não duvido. Mas há tanta necessidade de auto-abdicação? Será que o destino é tornarmo-nos inexistentes em detrimento de alguém?
E principalmente nesta geração, onde não se doseia nada, onde ou se dá tudo, ou não se dá nada, onde se confundem as capacidades de provisão material com o processo de conhecimento e criação de laços entre os indivíduos, produto desta cada vez mais mecânica e fria sociedade moderna da meritocracia.

Aguarda-se o espancamento dos pais extremosos....

quinta-feira, setembro 16, 2004

Como já disse no passado, não sei quem são os meus leitores, se é que os há. É por isso que isto mais se presta a ser um diário para relembrar momentos do meu tempo, do que um espaço realmente dialéctico.
Mas tenho muita pena que não seja ao contrário. Digo, não sem alguma vergonha, que tenho uma inveja (saudável acho eu) daqueles blogs onde alguém chega, comenta, e por vezes se ergue uma salganhada divertida.
Pode ser que qualquer dia...
Estou a matutar num projecto... VAmos ver se com ele, as coisas arrancam

Abraços!
Há algo na anatomia feminina que acho simplesmente delicioso.
Há muito, mas este é um detalhe que, sem prejuízo de alguém já o ter chamado a si como preferência, guardo como se fosse meu.
A forma como o pescoço se desdobra nos ossos da clavícula, acabando nos ombros nús, faz das camisolas abaixo da linha destes um pequeno milagre estético . Os ombros nús , como a linha das costas nuas, são um tesouro estético da imagem feminina.
Eis como está o país...
Quod erat demonstrandum, Jorge Sampaio....
A solidão e o medo são dois conceitos equiparados.
Porque ambos vivem da ausência de um fim à vista.
E porque essa ideia, ainda que ilusória, acaba por recriá-los.
SÃO DOIDOS ESTES BRETÕES...

Ontem uma mancha da população inglesa, da mesma laia que os defensores de touradas e lutas de cães e galos, ( ou seja gente que se diverte a ver sangue, morte e tortura de animais inocentes ), irrompeu pelo Parlamento Inglês a pedir justificações à Câmara dos Comuns a propósito de uma lei que proibirá uma das práticas mais bárbaras de que há memória, ou seja, a caça á raposa. O argumento é a mesma palhaçada de sempre, ou seja, a tradição.
Quando comento isto com defensores das touradas, aparece sempre o argumento falacioso de que também matamos animais para comer e blá, blá,blá... Falacioso porque encerra em si mesmo a resposta contrária, ou seja, para comer. Não por desporto, não pelo desejo de ver o animal sofrer, não pela visão do sangue disfarçado de uma qualquer contenda divertida ou galharda.
Mas ainda que este argumento pudesse alguma vez ter cabimento, pergunto qual então a aplicação do conceito na caça á raposa. Alguém a come? É gourmet algures, sem ser para lobos?
Não. É apenas a questão do "desporto". Persegue-se e retalha-se um animal até à morte porque alguns imbecis se cham entediados e resolvem fazer a sua versão da Cavalgada das Valquírias ou da carga do General Custer.
Exemplo desta estupidez inqualificável são as declarações de uma mulher ao lado do seu cavalo que diz:
"Well, for one, it's a sport I have been practicing all my life, and that I love, and that because of this bill, It's going to be taken away from me. Secondly, me and my hunsband have a business. We produce riding boots and this bill will automaticaly have impact on our business. "
1º Argumento - Estúpido e de uma inconsciência ambiental que custa a crer. Na antiguidade também existiam outros desportos que geravam tradição, mas foram abolidos. O imperador Nero era fã de alguns dos mais radicais. A fundamentação para perseguição e morte de uma espécie protegia é o "desporto". Repugnante.
2º Argumento - Ainda mais idiota. Esta senhora quer fazer-nos crer que a botas de montar só se vendem para a caça à raposa, privilégio para quem tem cavalos e propriedades, o que está bem claro, se trata de da maiora da população. Aliás, a dita senhora, vestida num fato que deve custar mais que o ordenado de muita gente naquele país, ao lado de um cavalo que deve custar tanto ou mais que a minha casa, quer-nos fazer crer que vive de botas para montar exclusivas para a caça á raposa.
Sinceramente, há alguém que ache realmente piada a perseguir um animal do tamanho de um cão pequeno, até à exaustão, para depois lhe espetar um balázio e vê-lo a ser retalhado pelos cães de caça? Há alguém que ache graça a este horror?
76% dos britânicos acham que não, e a lei vai ser aprovada.
Mas há gente que resiste a isto em nome da "tradição", como se ela justificasse este ou outros actos.
Que mundo de merda este....

quarta-feira, setembro 15, 2004

COITUS.. ININTERRUPTUS...?
Embora seja um assunto que se presta a muitas piadas, ou a um olhar sobranceiro por parte de quem enche o peito e afirma que tem coisas mais importantes em que pensar, há algo que passa pela cabeça de quase toda a gente. E esse algo prende-se com as disfunções sexuais entre casais, especialmente no que diz respeito aos comportamentos, ás iniciativas e sobretudo, à chamada frequência. Para quem está absolutamente casado, junto ou enamorado da sua vertente prática ou para/profissional, isto de nada serve. Para quem não se preocupa com isso por outras razões, entenda-se líbido bem comportadinha, a mesma premissa se aplica.
Mas confesso que me interessei.
Existe uma tonelada de informação, provavelmente alguma mais fidedigna que outra, a qual mostra perspectivas completa e diametralmente opostas. A questão prende-se com as perspectivas que são demonstradas, e que de alguma forma criam uma espécie de código ou corrente de opinião sobre estas coisas.
Dos mais identificativos deve ser o código Cosmo. Caraças, uma espécie de filosofia pós moderna e caótica, cheia de dúvidas que assentam mais nas fixações de cada um do que propriamente no desejo de realmente ver o que se passa do outro lado. A geração Cosmo fala de mulheres que, afastando as capas vermelhas que têm nas costas, fazem tudo e mais alguma coisa, levam a assertividade profissional e social a um ponto inimaginável e são uma espécie de manual ilustrado acerca da teoria geral do erotismo e seus componentes. São amantes perfeitas, preocupadas, exigentes com o seu prazer e atletas de treino e iniciativa constante. Olhando para pérolas como a criação de Candace Bushnell e quejandos, são mulheres cuja líbido está ligada a um reactor de alta potência, com abastecimento quase ilimitado. O mais engraçado é que essa espécie não se vê frequentemente. Falando com amigas e conhecidas, toda a gente se ri e interioriza algumas das parábolas, mas os contos da sua vida de dia a dia em nada se assemelham ao protótipo veiculado pela sociedade. Se formos a fazer um inquérito realmente honesto, talvez nos surpreendamos com facto de que a maioria das mulheres inteligentes e sexys que conhecemos não tem uma actividade sexual que encaixe minimamente nos padrões da informação veiculada. Os mitos grassam por todo o lado, mas o relato diário pouco difere dos demais.
Surgem as justificações do stress, do cansaço, da altura do ano, da desconformidade dos apetites, e por aí fora. Os relatos de seres estupendamente sexuados e activos parecem uma espécie de abstracção provinda de um video de ginástica da Jane Fonda ou da Carmen Electra. E as disfunções e desencontros levam a muitas coisas, entre as quais mesmo ao termo das relações, porque cad uma das partes julga a sua reinvindicação como justa.
E a questão sobrevém.
O que é a normalidade, se é que tal coisa existe?
Qual é a chamada frequência? Seremos sempre vitimas do quotidiano?
Se a expontaneidade não tem respostas absolutas, será que se pode encarar como um treino para atingir um bom resultado posterior e melhoria das reacções instintivas e automáticas?
Porque será que genericamente parece existir relatos de um desencontro entre a libido masculina e feminina?
O sexo poderá realmente ser só um detalhe entre muitos outros numa relação, seja ela mais ou menos séria, ou é mesmo a bitola pela qual se mede a saúde ( e já agora a satisfação) do envolvimento? Não será o sexo uma das expressão máxima da diferenciação afectiva e sensorial de uma ( ou mais que uma, para os imaginativos mais liberais) pessoa perante as outras? Não é o impulso que temos expresso na atracção sexual pelo outro que o diferencia de qualquer outra pessoa que nos leve a produzir um juízo estético?
No fundo, o que é que as pessoas, homens e mulheres podem esperar? Ou devem?
Será que na sociedade do sexo e do trabalho, o primeiro só pode realmente competir com o segundo em férias?
Não será a resignação perante essa desaquação uma espécie de comodismo perigoso?
Sinceramente, a disparidade de opiniões é tão grande, que cabe a quem pode definir o seu cenário, e pouco mais.
Mas a ideia que tenho é que os cenários ideiais apresentados, que atravessam desde publicações periódicas á literatura, não identificam sequer quem os apresenta, mas são uma espécie de cartão de visita indicativo, e quiça, programático. Wishfull thinking, talvez?
Sei lá...
COMPLETO ASCO

Se querem ter o estômago às voltas aqui têm!
Lixo mental, racismo, ignorância, etc, etc... há lá de tudo.

Já agora alguém avise aqueles (ausência de qualificação possível aqui - preencha como quiser) que os advérbios aos quais se junta o sufixo mente á forma feminina do adjectivo nunca levam acento...

Como é que possível?
The Temperance Card
You are the Temperance card. Temperance is the
blending of elements to produce stability. We
say that someone is temperate when they are
pleasant and easy going. Temperance achieves
balance through merging, so a temperate person
is one who feels whole. Creative genius is
often found in the ability to unite two
previously unconnected ideas. Aleister Crowley
considers this one of the most important facets
of this card and names the card Art. He refers
to a generation of a third element out of two
previously existing elements. In the same way,
the artist has the ability to create a painting
from canvas and some tubes of coloured paint.
The temperate person is also inclined to think
about philosophy. Temperance leads to a calm
and rational logic but can also look beyond
everyday knowledge for the truth. Image from
The Stone Tarot deck.
http://hometown.aol.com/newtarotdeck/
Which Tarot Card Are You?
brought to you by

MALTA SIMPÁTICA II....

terça-feira, setembro 14, 2004

Não falei do 9/11 propositadamente.
Porque perante a magnitude de certos horrores, e o aproveitamento que deles se faz para desencadear a pior política externa de que há memória, e que redunda na co-responsabilidade nesta crise petrolífera que nos assola, não há muito a dizer.
Eu estive no alto do Empire State Building, consideravelmente mais pequeno que as duas torres do WTC, e não consigo imaginar, ou talvez não queira, o que será o horror visto de dentro daquelas janelas, do alto daqueles edifícios.
E como não imaginando, nada consigo dizer, foi por isso que me abstive de relembrar.
Porque o esquecimento não agracia todas as coisas.
"MANDONNA"

Virgem, Sevilhana, Erótic,a agora cabalista... ufff... A mulher não pára.
O problema é conseguir separar todas estas formas de "expressão" de uma campanha de marketing bem planeada. A menina agora reinventou-se, mas como dizia um cronista de rádio no outro dia, parece já não haver muito por onde inventar.
Pessoalmente a senhora nunca me disse nada, especialmente porque a música parecia ser sempre a ultima preocupação da sua actividade. Mas como não sou fã de POP, e muito menos de Super Pop, a rainha deste género passa-me ao lado, como alguém que efectivamente mostrou garra enquanto mulher de negócios, mas pouco mais.
É um triunfo da perseverança, mas sinceramente, a histeria é-me incompreensível...
"Parnabens!"

Um ano de Barnabé, ou seja, de qualidade, de humor, de investigação, denúncia e sobretudo, resistência fundamentada ao neoliberalismo selvagem.

Parabéns Amigos!


sexta-feira, setembro 10, 2004

PERGUNTAS, PERGUNTAS....

Eu sei que é uma perplexidade algo... bem...

As senhoras que esclareçam.

A chamada Cueca Fio dental ou tanga, oferece algum conforto que não seja (para nós) visual? Para uma peça de vestuário ( ou deveria dizer peça de estético e atraente "desnudário") que hoje em dia move milhões na industria de confecção, acho que a pergunta se justifica...

Que querem? Por (muitas) vezes estas coisas também me passam pela cabeça...


HUMOR INVOLUNTÁRIO... OU TALVEZ NÃO...


O New York Times tem, na sua página de abertura, um link onde se pode ler Personalize your weather. Deve ser bem prático para a agricultura ou as férias de Verão, se bem que este ano muita gente deve ter baralhado os comandos de HTML.

Ainda na primeira página desse diário (por vezes sisudo) de referência, surge um artigo sobre o incremento fantástico que têm tido as autobiografias de celebridades. A celebridade agraciada com uma foto na primeira página é nem mais nem menos que a renomadíssima diva do circuito dos filmes para adultos-Jenna Jameson- que tem conhecido um sucesso considerável com a sua autobiografia chamada "How to Make Love like a Porn Star".
Dentro deste mesmo artigo, informam-nos de que alguém vai publicar um livro chamado "Very Naughty Origami" que ensina, entre outras coisas, a construir uma orgia em pequenas figurinhas de papel. Lá se vão as pombas e dos dragões feitos de guardanapo ou extracto multibanco, dando lugar aos pénis, malta na ramboiada geral e sabe-se lá que mais... Ora, tendo em conta que a "Manga" também é japonesa, penso que os nossos amigos do sol nascente não porão objecções a esta expansão temática da sua arte milenar.

Melhor que tudo isto só mesmos estes amigos!!!





DA PRÓXIMA VEZ QUE NÃO FIZER UM TELEFONEMA OU NÃO RESPONDER A UMA MENSAGEM...


Algumas pessoas teimam em queixar-se que os telefonemas escasseam, que as missivas morrem e que os rostos parecem desvanecer-se.
Algumas têm razão no seu protesto, porque de alguma forma os seus esforços parecem não ter qualquer efeito.
Outras repousam num status quo que de alguma forma parece representar um constante estado de desculpa, de razão plausível, o que, mesmo que seja verdade, retira qualquer razão ao que clamam. É que nestas coisas do ritmo urbano, mais do que nunca, só angariamos dos outros metade daquilo que damos, e mesmo assim, com esforço.
Certas coisas nunca estão garantidas.
Não existe piloto automático para a presença. Ou a afeição material.
AINDA A MERITOCRACIA

Antecipando as respostas inflamadas do infeliz liberal que por algum acaso cá vier parar, expresso apenas algumas angustias quanto o tema em epígrafe.
A meritocracia cresce, e a passos largos. O exponencial crescimento do acesso aos cursos superiores, a criação e vinda de teorias de eficiência que pouco se afastam de uma escravatura a soldo, a competição desde idades demasiado tenras para entender que o outro nem sempre tem de ser nosso concorrente, tudo são elementos de uma atitude que se pode comparar aos hábitos de um hamster. Correr rápido, ter a ilusão de ir a qualquer lado e morrer com a noção de brevidade iluminada nos ultimos pensamentos.
Não tenho dúvidas de que a ambição de crescer e progredir enquanto ser humano, produtivo e cultural é valiosa e em certa medida, inestimável. Mas não é isso que se pede. Pede-se o "overachievment", o corredor de maratona que tem de atravessar as sucessivas metas nem que tenha de o fazer num cambaleio agonizante. Pede-se aquela palavra odiosa que mascara o abuso de muitas exigências - "a (absoluta) disponibilidade.
Em face a este statuos quo, tenho várias perguntas:

  1. Alguns dos argumentos aventados prendem-se com o facto de se querer ganhar dinheiro para ter coisas, ou para providenciar à pessoas amadas uma vida melhor. Será que tudo isso substitui a presença da pessoa, o seu contributo, a sua carne e espírito junto dos que dele gostam? Será que vale a pena ver a alegre cifra do extracto multibanco, que permite a casa de multiplos quartos constantemente vazia, o carro dos anúncios selectos para ir e voltar do trabalho e quase nada mais, a roupa da moda para as reuniões e viagens,os restaurantes finos para jantar quase exclusivamente com clientes?
  2. Outra das razões apresentadas prende-se com o bem estar da prole. E aqui sou insuspeito para falar,jaque a paternidade não me fascina por aí além (embora espere que isso mude, a sério!). Será que a conta bancária, que paga os colégios, as roupas da Sacoor e quejandos, os brinquedos caros e anestesiantes, substituem a presença, a intervenção dos progenitores, o seu papel educador e emocional? Será que as desculpas para os horários impossíveis, entram na percepção de um petiz que não faz ideia porque raios é que o pai/mãe passa dias sem o ver? É engraçado como os liberais aqui baixam sempre a bola. Não tem resposta para esta situação, porque lidam com uma incompreeensão que é genuína e se está a cagar para estatísticas. A incompreensão de quem só deseja a contrapartida do afecto que lhes é entregue.
  3. Porque razão é que gente casada com a carreira tem famílias? Sinceramente, para quê? É pelo estatuto? É porque ficabem perante o conselho de administração? É que na minha óptica, quem tem objectivos desses, perfeitamente legítimos, não tem espaço, nem desejo de ter família, amigos ou a chamada vida pessoal. Mas no entanto, tenta ter tudo, mesmo sabendo por onde é que a corrente quebrará. É igualmente legítimo ter esse desejo, até porque me custa a crer que, ( excepção de talvez Jardim Gonçalves e quejandos) essas pessoas não acusem o vazio no seu dia a dia, mas até que ponto será justo sujeitar os entes queridos a esse malabarismo do tempo?
  4. Embora não seja novidade para ninguém, a verdade é que o dinheiro acaba por ser a resposta. Não há tempo para ver um filme enroscado no sofá, uma noite de Inverno e com um alguidar de pipocas á frente, mas de quando em vez lá dá para ir ao restaurante onde os empregados até sacodem a gravilha das solas recortadas dos sapatos e fazem uma limpeza a seco ao casaco da senhora enquanto ela janta. Não se lê um livro, ou se procura uma musica, mas porra, quem é que tem tempo e cabeça para ler essas merdas complicadas quando toda a energia mental foi simplesmente espremida como um limão inchado, precisamente para ter este ecran de plasma de 1,5m, onde curiosamente, nunca se vê filme algum porque nao há tempo.
  5. Será que alguêm vê mesmo um valor intrinseco em ser definido pelo seu trabalho?Não ter espaço para ser humano, para ser preguiçoso, sexual, curioso, hedonista, ou partede uma família, seja ela de sangue ou amizade?
  6. Já nem vou falar no sexo. Porque se eles não comerem as secretárias no 234ª serão do ano, ou elas não derem uma volta com o diletante que por acaso tem tempo e dinheiro para fazer desportos radicais na Gronelandia ou no deserto de Gobi, o cansaço é sempre muito, e "há sempre coisas mais importantes em que pensar".
  7. A verdade é que dita família nuclear está em declínio, e quem mais torce para que ela viva, é quem menos condições dá para que isso seja possível. São aqueles a quem repugna os direitos laborais, o direito enquanto ser cultural e mesmo desportivo. A contradicção essencial é por demais óbvia. São os que compram as famílias com o tal "bem estar".
  8. Os sinais de tristeza e perturbação social são alarmantes. A depressão, a obesidade e as demais doenças relacionadas com o stress estão a arrefecer e estilhaçar todas as chamads estruturas gregárias modernas. A obsessão do"conseguir para mostrar"está a ultrapassar em larga escala"o criar para ser". As pessoas crescem num impulso de ambição competitiva selvagem, onde a ambição que se instila não é ser melhor ou mais sustentado, mas conseguir um espaço de poder onde gravitem aqueles que potencialmente criticam.

A meritocracia é uma realidade, e cresce cada vez mais. As pessoas cada vez menos desculpam um distanciamento perante um escalão de elasticidade economia/social. A humildade é confundida e acusada de preguiça, e o estatuto consegue-se pelo betão, a chapa e os circuitos integrados.

E a minha pergunta mantem-se a mesma.

Porque tentam algumas dessas pessoas ter uma família? Um(a) namorado(a)? Ou alguns amigos? Ao contrário do que dizia Ovídio, nem sempre nos mantemos vivos, ainda que não estejamos presentes.

Digo isto em tom de tristeza, e não de acusação. Em tom de expectativa, de um oxalá, porque a esta altura, é tudo quanto me(nos) parece restar.

quinta-feira, setembro 09, 2004

SIMPÁTICOS OS MOÇOS...





U2.jpg
You're in touch with the world, and you have a very
strong opinion on things like politics and war.
Even if you do end up changing your image in
the future, most of us will still like you.


What band from the 80s are you?
brought to you by Quizilla

quarta-feira, setembro 08, 2004

AOS VISITANTES


A consistência é uma coisa engraçada.
Durante muito tempo, e posso dizer, que nos ultimos seis meses ou mais, a minha média de visitas ronda as dez ou quinze diárias. O que significa que em média, devem existir certa de oito pessoas que se dão ao trabalho de visitar este estaminé com alguma regularidade.
Não sei quem são, á excepção de uma ou duas que comentam regularmente, nem que seja para me cumprimentarem, mas ainda assim agradeço aos dez pacientes peregrinos que deambulam por aqui todos os dias, cheios de uma paciência homérica para passar os olhos nesta prosa.
Não concordo com ele muitas vezes, mas o amigo PAcheco Pereira dizia algo que julgo acertado ao referir que quando escrevemos algo, é sempre para alguém, porque a exteriorização deseja sempre alguma espécie de eco. Sinceramente, e contra mim falo, não acredito que exista algo como escrever para o próprio. Se está cá fora, então sinceramente, espero que alguém leia. E acho que toda a gente é assim, talvez á excepção do Sallinger, mas enfim...
Seja como for, obrigado pelos poucos fieis que pacientemente acompanham este diário.
Bem hajam.


quinta-feira, setembro 02, 2004

Não sei se o Verão acabou.
Mas a cidade começou.
Seja como for, o panorama é algo cinzento... para já.
EM RONDA AOS BLOGS

Ainda sobre a IVG, a minha amiga Ana dá um toque da sua classe. Como habitualmente, de resto.
Realce-se ainda a resposta ao J. , relativamente á questão do racismo e anti-semitismo em França. Igualmente esclarecedor, interessante, de argumentação estruturadíssima, embora hajam alguns pontos, pequeno, com os quais não concordo inteiramente.
Vale bem a pena ler.

quarta-feira, setembro 01, 2004

http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?19592c11&901

Assine a petição contra a ilegalidade praticada pelo Estado Português contra o movimento "Women on Waves".
Contra a pouca vergonha e a hipocrisia.

COM A(S) "PORTAS" NA CARA

Nem vou entrar numa discussão sobre a interrupção da Interrupção Voluntária da Gravidez. Bastou ver ontem o debate na SIC Notícias para ver até que ponto o autismo e a contradicção inquinam o discurso dos chamados "defensores da vida". Achei especialmente interessante a afirmação da deputada presente que afirmou que a grande parte das IVG em Portugal não são feitas em consequência da ignorância das pessoas. Isto vindo de uma representante de uma facção política que achou que a educação sexual nas escolas não é importante, e que a instalação de máquinas de preservativos ou a distribuição dos mesmos nessas escolas não deve ocorrer porque esse não é o papel das mesmas, e por mais algum argumento que de tão ridiculo que deve ser, nem vem à praça pública. Isto vindo de quem com certeza não conhece o retrato do país que temos. Isto vindo de quem não tem a mínima ideia do que significa uma caixa de preservativos para o orçamento de familias que passam fome, o que significa que esta senhora também deve achar que as pessoas além de não comer, também não têm direito a f.... !!!!
Isto vindo de quem acha que as pessoas recorrem ao aborto como meio anti-concepcional, como quem faz uma limpeza de pele, o que sendo esta pessoa uma mulher, não sei o que fará dela, sinceramente...
Desculpem o vernáculo, mas a hipocrisia, a ignorância consciente e a total falta de vergonha na cara tiram-me do sério...
Mas essa não é a discussão.
A decisão de Paulo Portas é ilegal. Não há qualquer forma de justificar a restricção á livre circulação de cidadãos comunitários com base no argumento de um juízo de prognose quanto á probabilidade de eventualmente se vir a cometer um ilícito criminal. É uma espécie de sanção preventiva sem elementos, indicios ou mesmo actos preparatórios para o dito ilícito. Nem justifica uma providencia cautelar ou mesmo medida de coacção. É, antes de mais, um disparate jurídico, e um disparate político, que mostra bem o calibre do Ministro da Defesa.
Só num país como este é que um ministro gay e homofóbico (!) que professa uma religião que condena e discrimina a minoria a que o mesmo faz parte, poderia atentar contra os direitos, liberdades e garantias dos seus cidadãos.
De Santana, nem um pio...


CARTAS A SÓNIA VIII
(POSTAL DE ANIVERSÁRIO)

Aniversário.
Hoje completas mais um ano, uma jornada em volta do sol. Uma órbita. Uma passagem pelo céu.
Existiam tantas coisas que poderia dizer-te, tantas citações de pessoas bem mais hábeis que eu passíveis de celebrar numa frase um evento de renovação e recordação de vida.
É engraçado pensar numa jornada, em tantas coisas que foram feitas, vividas, e construidas. Nos teus detalhes, nas ocasiões em que te riste das minhas piadas ou mais frequente e merecidamente, das minhas idiotices.
Falar em delícia dos sabores. Das brincadeiras da reinvenção. Do engano feito á anedota do tempo. Da teimosia da tua silhueta, assim como das tuas fantásticas e propositadas ingenuidades. Do aroma das tuas promessas sem palavras, das tuas concretizações sem recuos.
Relembrar o teu poder, a tua intenção, a glória da tua independencia, o sofrimento nunca comiserado pela verificação necessária das injustiças sem camuflagem.
Relembrar a tua escolha, a tua paciência, as insistências e perguntas por fazer.
Hoje é o teu aniversário. Não que ele seja necessário para recordar o que disse acima, mas porque ele representa mais um ano de tudo isto. Mais um ano de ti. Mais um ano ganho.
Parabéns.
A ti porque fazes anos.
A mim porque os vejo contigo, porque assim o teimas em continuar a escolher.
E a toda a gente que partilhe o mundo contigo, por isso mesmo.

Teu

JACK THE RIPPER VS PATRICK BATEMAN


Ontem ( 31 de Agosto), em 1888, Jack The Ripper ( que acho sempre prefer�vel a Jack o Estripador) fez a sua primeira vítima. Mary Ann Nichols. Morta e esventrada.
Embora fosse prática horrivelmente comum os ataques com armas brancas a mulheres no cenário urbano da Londres Vitoriana, e especialmente entre as classes sociais mais desfavorecidas e geralmente adstritas aos trabalhos mais duros e mal pagos, este homem, que muitos clamam saber quem era, deu talvez início ao que hoje em dia é falado com alguma naturalidade. O chamado assassino em série, O psicopata. O predador patológico que incute o medo da violência sem razão aparente.
Pensando em Vlad e outros personagens ( gaita, qualquer comandante do exército espanhol de Pizarro deveria ser um psicopata da pior espécie, assim como a maioria dos inquisidores medievais), Jack não é o percursor dessa ideia, mas foi o primeiro que deu ao mundo uma mostra de violência descontextualizada, de uma espécie de missão cujo propósito se desconhecia e bebia do medo próprio do imaginário colectivo. Foi o primeiro a ser conhecido e empolado como um monstro que caminhava com pés de homem. Uma estrela dos media, tal como Wilde já tinha sido, embora por motivos bem diferentes. ( em Maio de 1895 fora condenado a dois anos de trabalhos forçados).
Jack the Ripper forçou o olhar do mundo moderno para o seu lado negro, pelo fascinio do voyeurismo talvez no seu pior lado. A nação convulsionou-se, a Rainha Vitória suou um bocado, mas sobretudo, nascera o objecto conceptual capaz de gerar reflexão, literatura, avanço na ciencia, e mesmo uma estranha consciência de que os nosso medos são igualmente uma fonte de atracção. Provou, como Poe já aflorara, que a mente humana tem camadas estranhas, terríveis, e que em ultima análise, importa saber como funcionam, para entender e em ultima análise, combater.
Recordo o livro de Brett Easton Ellis, e sinceramente, além de ter achado um livro estranho e a espaços maçador ( gaita, quem é que tem paci�ncia para ler a biografia completa de Hughey Lewis and the News ???), está inserido numa tentativa de desmistificação do elemento medo associado à psicopatia violenta, no meio do principal interesse de denúncia social ao vazio do movimento huppie. Mas Patrick Bateman não é Jack The Ripper, e não só porque o primeiro existiu e o segundo não passa de uma personagem literária. Penso estar mais assente na ideia de que ao passo que Jack tinha uma aura de incompreensão e mistério, Bateman é produto da racionalização extrema que em última análise se propõe demonstrar a relação causa-efeito em qualquer situação.
E sem querer parecer ingénuo ou sequer pouco rigoroso, penso que Jack mostrava ou dava a ideia, cronologica e socialmente condicionada é certo, de que o mal podia existir, como uma tendência desviante mas tão impulsiva e natural como as emoções que lhe são antagónicas. Bateman mostra uma espécie de racionalização extrema, apoiada na explicação de um mundo condicionador que pode levar a estados de desiquilibrio capazes de produzir atrocidades que eu nem gosto de pensar.
Sinceramente, penso que ambas são correctas.
Acho que o mal consciente, e não originário em qualquer desiquilibrio psicologico, existe. Basta pensar em tantos actores da história para tirar essa conclusão. É só imaginar os tormentos pequenos e mesquinhos a que algumas pessoas votam outras todos os dias, para chegar a essa conclusão.
No entanto, também acho que a maioria das suas manifestações são criações da pressão social nos seus piores vectores - da pobreza, ignorância e medo, e violência consequente.
Digamos que é uma distinção entre o mal de génese endógena, e aquele que tem génese externa, induzida e reactiva.

O que Jack The Ripper expôs há 106 anos atrás, foi afinal não mais do que uma demonstração pública e vociferada do que o ser humano é capaz de fazer ao seu semelhante. Ele próprio dizia que iria parir o Século XX, e de uma certa perspectiva, foi isso mesmo que acabou por fazer...
E quando olho para o que temos aprendido com isso, não fico lá muito tranquilizado.
Nunca sei até onde as pessoas querem realmente ver, e o quão dormentes podem sentir-se...

sexta-feira, agosto 27, 2004

O REGRESSO DE J.

Disse e volto a dizê-lo.
Um dos melhores bloguistas ou blogueadores ou seja lá qual for o termo, está de volta.
J. do Cruzes Canhoto volta ás lides e no seu estilo habitual, como parte do excelente elenco deste blog.
Informadíssimo, coerente, lógico e sempre, mas sempre divertido.
J., é com genuíno gosto que te vejo de volta.
Abraços

quarta-feira, agosto 25, 2004

A lebre e a cenoura...

É certo que nada disto é novidade, e que tantas pessoas fazem tantas outras perguntas acerca do tema.
Mas analisando certos fenómenos que têm cruzado a minha pessoal ultimamente, pergunto-me realmente onde está a noção de estratégia para a fruição da vida com outros. Eu explico.
Sinceramente, o que querem as pessoas? Especificando um pouco mais, o que querem as mulheres?
Porque raios existe uma propensão para as situações complicadas, para a previsão mais do que certa que as incompatibilidades, e as consequentes e mútuas agressões, superam em muito os chamados momentos de alívio, onde tudo parece assemelhar-se a uma central eléctrica pronta a debitar energia? Será que estas pessoas só vivem bem na alternância, procurando um tal estado de frenesim agressivo e angustiante, que encarem a vida enquanto plena somente no momento em que se passa ao estado alternativo? Será que vivem o amor como uma espécie de sucessão de oásis surgidos em meioa a um deserto fervente e constante?
Até que ponto é que se conhecem as irrecuperabilidades do outro, em termos da nossa subjectividade, e ainda assim se faz o juízo arrogante de que serão capazes de o mudar. E desgraçado daquele que o fizer, pois é corrido a trote de caixa num piscar de olhos.
A verdade é que existem muitos casos nos quais a agressividade não existe, porque não tem de existir. E de alguma forma isso é confundido com falta de intensidade, ou talvez uma tangibilidade que retira o caráctr de via sacra que fundamenta o amor de tantas mulheres que conheço.
Tendo em conta a inestimável liberdade de cada um, é indiscutivel que cada um tem o direito a seguir o percurso que deseje. Mas são as queixas subsequentes, o falso desejo de um cenário alternativo e o sofrimento imputado sempre a factores alheios que me irritam profundamente. Porque revelam uma espécie de rixa com as voltas do destino, como se esse mesmo destino não fosse moldado por juízos e impulsos estéticos/afectivos pertencentes a quem se queixa. Como se quisessem fazer crer que não estão a ter exactamente aquilo que pedem. Como se de alguma forma pudessem desejar outra coisa qualquer.
Amor também é poder. Mas não julgo que todos os desiquilibrios se justifiquem.
Se alguém achas desejável viver relações de inferno, de confusão, de eterno mal estar salpicado com momentos de alivio, como nos intervalos das ressacas, está no seu direito, porque o amor vive-se como se pode.
Mas as queixas, atribuindo responsabilidade a outros ou outras coisas, quando a escolha é do próprio, soa a desonestidade, e o que é pior, a falta de legitimidade. Podemos sempre lamentar a nossa pouca sorte. Mas quando a prevemos, e lidamos com ela precisamente porque a mesma assim se forma, existe, e dificilmente mudará, então o sofrimento tem apenas um causador. Aquele que se queixa, que escolheu, e que de alguma forma, não encontrará redenção junto daqueles que que rejeita precisamente porque lhe podem dar o oposto.
Vejo amigos meus nesta situação, e aborrece-me.
Parece injusto, e pior que tudo, doentio.

A eles, um abraço de melhoras...


The Lovely Bones, de Alice Sebold, é uma agradável surpresa, e um livro pungente e ternurento. Ainda não o terminei, mas esta obra lê-se como a experiencia de uma brisa ao fim de um dia quente. Por vezes arrepia, outras vezes refresca, outras ainda embala ou entristece, mas vai tocando sempre.
Ainda para mais, escrito por uma mulher, abre um pouco a porta sobre o seu universo, sobre as imagens e conceitos que passam pela mente de uma menina de 14 anos que morre e vê o seu mundo de um céu sem qualquer referência religiosa, o que me agradou de sobremaneira.
E fala de monstros. Daqueles que por aí andam.
Especial atenção a um excerto no qual se tenta explicar a um menino de 4 anos que a irmão morreu e não volta...
Recomendo.
Talvez volte a falar dele depois de o terminar.


DESPORTO NACIONAL....
QUAL DESPORTO NACIONAL???

Benfica e Leiria foram á viola.
Não vi o jogo do Leiria, mas vi o do Benfica, e ficou espelhada a realidade do desporto nacional, e dos resultados do aburdo investimento em futebol que se faz em Portugal. O Benfica levou um banho de bola de uma equipa modesta.
Somando isto á vergonha que foi a participação da selecção de putos mimados que enxovalhou o espirito olimpico e a imagem do país, a pergunta repete-se.
Porque raios é que só se investe em futebol no nosso país? Com a qualidade medíocre da nossa Superliga e as barracas nas competições internacionais. O Porto foi uma fantástica miragem, que não espelha de todo a restante realidade desportiva do país.
Além de ser uma idiotice reveladora de falta de visão estratégica, torna-nos, mais uma vez, impares nas atitudes incompreensíveis para com as realidades que podem levar o nome do país aos ouvidos do mundo.
O professor Moniz Pereira disse uma vez que a investir-se dez por cento no atletismo daquilo que se investe no futebol, tinhamos gerações de atletas de altíssimo nivel, uns atrás dos outros.
O andebol e o voleibol viram alguma luz ao fundo do túnel, mas depressa voltaram ao anonimato, suplantados por uma competição onde o sono é a nota dominante.
Do basquetebol é bom nem falar. Quando jogamos com selecções um pouco mais cotadas, como no caso do torneio realizado na Polónia, 20 pontos abaixo é a margem mínima.
Por cada escola de basquetebol que luta com dificuldades para sobreviver, existem dez escolas de futebol, com meios para tudo e mais alguma coisa.
Se querem um bom exemplo, vejam a Espanha.
Dos melhores, senão o melhor campeonato de futebol do mundo.
Uma liga de basquetebol muito competitiva, que ganhou já varios titulos europeus.
O andebol com resultados muito competitivos.
Campeões Europeus de clubes em hoquei em patins, se não me falha a memória.
E foram medalha de prata no volei de praia!!!!
E porquê?
Porque se investe na formação, na multidisciplinaridade desportiva.
A selecção espanhola tem sido, ao longo de vários anos, uma desilusão em todas as competições internacionais onde entra, sendo reiterada e prematuramente eliminada. Mas o trabalho de progressão e a visão estratégica produziram uma selecção que, a par dos EUA e a Lituania, é grande candidata à medalha de ouro.
Por isso eu pergunto.
Mas porquê este investimento no futebol?
Estaremos condenados a ser os eternos indigentes em tudo o que não seja dar chutos numa bola dentro de um relvado? É que mesmo aí os resultados são o que se sabe...


Uns são filhos da mãe, outro são....



País de tanga.
Contenção. Cinto apertado.
Santana paga 600 contos liquidos a uma mulher para lhe arranjar as patilhas e afastar as santanetes para uma distância segura.
Santana dá ordens para a contratação de mais assessores de imprensa. Um para ler a secção de política, outro a de desporto, outro a de economia, e com certeza um para ler e descodificar a Banda Desenhada.
Rio Rio paga a assessor cerca de 1700 contos mensais.
Milhares de pessoas não têm aumentos há dois anos, e tomando como exemplo o custo dos combustíveis, o poder de compra desce vertiginosamente. Somos os últimos da Europa nessa categoria, tirando os novos Membros, e no entanto as nossas contas de supermercado pouco diferem das do Luxemburgo, país com o maior poder de compra da Europa, a cerca de 200% (!!!) da média Europeia...

Não há limites para a vergonha?
Foi para isto que Sampaio reconduziu SAntana Lopes?
Foi para isto que se furtou aos eleitores a possiblidade de escolherem a sua governação?
A falta de moralidade está tão vísivel, que qualquer espécie de discurso apaziguador da opinião publica soa a gozo. A desrespeito.

Pobre país...

quarta-feira, agosto 18, 2004

PARA QUANDO A REVISTA "MÁRIO"?
Antes eram as revistas femininas. Cheias de conselhos para os ditos tempos modernos, encorajando a uma titude feroz e idependente, conjugada com receitas e mexericos. Era, e são publicações que não dão bom nome ás mulheres, e com as quais, felizmente, muitas se não identificam. Até porque acho que a mulher Cosmo não existe, mas enfim, a perseguição às abstracções também cria ideias.
Agora surgem as ditas revistas masculinas, onde salvo raríssimas excepções, o discurso é imbuído de um tom a roçar a boçalidade, onde todos aqueles que se querem reputar como homens á séria devem regurgitar todas as informações possíveis e imaginárias sobre futebol, nada em cerveja e exibir todas as demonstrações de machismo bacoco que sejam possíveis. Entre o leitor alvo destas revistas e o Zezé Camarinha, as distâncias parecem terrivelmente curtas.
E porquê esta linguagem ou esta simbologia?
É certo que gostamos mulheres bonitas. É certo que a monogamia é um desafio constante. É certo que a cerveja gelada é um imenso prazer. É certo que um bom jogo de futebol é algo agradável.
Mas porque raios é que surgem estas pragas editoriais, onde o discurso e o tom empresta ao leitor uma espécie de código identificativo com o universo testosterona, como se esse fosse realmente o denominador comum para aqueles que se denominam como homens? Já para não falar no tom homofóbico constante e um suposto humor á lá "levanta-te e ri" que chega a ser confrangedor.
Eu não identifico as mulheres como Cosmo Girls.
Será que elas nos identificam como homofóbicos beberricadores de cerveja, com níveis impensáveis de testosterona e uma obcessão, por isso mesmo contraditória com os nossos abdominais?
Para mim é apenas uma extensão da péssima linguagem televisiva dos dias de hoje. Mas vá lá. Ao folhear na banca, sempre dá para rir um pouco.
Comprei um exemplar de cada uma dessas publicações. Não há salvação possível, embora uma delas tenha um tom mais inteligente e elegante que as outras (Men's Health).
É assim tão complicado abordar temas inter género de forma divertida, irreverente, mas com inteligência?




segunda-feira, agosto 16, 2004

ICONOCLASTIA

Retorno ao blog depois de férias atribuladas e sem grandes espaços para o prazer do ócio, já que a saúde pregou-me algumas partidas.
Recomeço,no entanto, por falar um bocadinho da queda de ídolos, do valor da humildade, da verificação da eficácia dos velhos truques ou de algumas antigas receitas. Mesmo após algumas leituras feitas ao longo dos anos, conjugadas pela experiência num jogo que acho simplesmente apaixonante, o comportamento da selecção americana não deixou de me surpreender.
Não só foi simplesmente esmagada no seu jogo inaugural com Porto Rico, mas reduzida a uma dimensão de vulgaridade estranha. Os figurantes do unico e verdadeiro Dream Team devem ter assitido a esta exibição com um sabor bem amargo na boca. Os jogadores não correm, não saltam, não têm alegria de jogo, parece que estão ali a fazer aum frete tremendo. Chega a ser um insulto ao espirito olímpico.
Mas mais estranho, tendo em conta as circunstâncias presentes e o orgulho americano, é a falta de desejo em vingar uma imagem vergonhosa dada em Indianápolis. Como se os jogadores se estivessem a borrifar para aquela camisola ( como o lindo serviço que fizemos contra o Iraque, por exemplo), passeando numa sobranceria própria de quem não está para se chatear.
Como disse um amigo meu, esta não é a Dream Team, mas sim a Scream Team.
A seguir vem a Grécia. Se os americanos resolverem acordar, coitados dos helénicos. Se se mantiverem naquela modorra, a grécia vai simplesmente passear em casa. Continuando a iconoclastia.

segunda-feira, agosto 02, 2004






Parece um pouco idiotico, mas a verdde é que me esqueci de prevenir que iria de férias. E como o meu acesso ao computador é limitado, algumas das postas que surgiram na mente, especialmente no que diz respeito ao programa de prevenção de fogos que não foi cumprido e o afastamento do primeiro homem que fez com que a TAP desse lucro desde os anos 70, salvo erro, terão de ficar para depois.


Estou em vias de escrever um argumento, o que me leva o tempo de escrita.


Até breve