Como se pode ler neste interessante artigo do NY Times, parece que o positivismo jurídico dos tempos modernos está a dar que falar. Ao que se julga, as empresas em todo o mundo, mas especialmente nos EUA, estão a dar especial ênfase à ética como elemento necessário no desenvolvimento de qualquer actividade profissional, especialmente desde o escândalo Enron.
ESTAÇÕES DIFERENTES
Stephen King - "Different Seasons"
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terça-feira, março 29, 2005
Como se pode ler neste interessante artigo do NY Times, parece que o positivismo jurídico dos tempos modernos está a dar que falar. Ao que se julga, as empresas em todo o mundo, mas especialmente nos EUA, estão a dar especial ênfase à ética como elemento necessário no desenvolvimento de qualquer actividade profissional, especialmente desde o escândalo Enron.
segunda-feira, março 28, 2005
Primeiro o Bloff, agora estes amigos...
Mas que raio aconteceu com a entrada em funções do Governo?
quinta-feira, março 24, 2005
Digo com sinceridade, não sei o que isto quer dizer exactamente. E não é pelo facto de ter visto a versão romanceada da vida de J.L. Barrie, no excelente "Finding Neverland" que ganhei algum síndroma de Peter Pan. Se o tenho, já é pré-existente, e fundamenta-se numa lógica muito própria de fruição da vida no que ela tem de melhor.
quarta-feira, março 23, 2005
Ao que parece o papa não estão em recuperação como se pensava, e a saúde deteriora-se passo a passo. No mundo, ouve-se um coro de rezas pelas suas melhoras.
Ora, sendo este um homem supostamente santo, que há uma carrada de tempo que tem o céu garantido, e que será bem melhor que a agonia física que sofre neste momento, porque será este coro de preces fervorosas pedindo as melhoras?
Não estará o papa, de acordo com a própria doutrina da Igreja, prestes a passar para um local e plano de existência bem melhor? Não parece este medo da morte algo incongruente com a dita doutrina?
He was a loner, in part, by happenstance, his parents having vanished from his life because of quieter tragedies. Emily Parkhurst, who like many other residents of the Red Lake Indian Reservation knew nearly everyone killed or hurt in the shootings, said Mr. Weise's father shot himself to death four years ago. Not long after that, Mr. Weise's mother was in a serious car accident that left her using a wheelchair and living in a nursing home.
"It was a lot to handle for a kid with no one to guide him or help him," Ms. Parkhurst said. "Nobody took the time to get to know him either."
Bem, pelos vistos as histórias que antecedem tragédias têm um cunho comum. A miséria humana não raras vezes descamba em violência.
terça-feira, março 22, 2005
Porque em certos momentos, mesmo contra a nossa vontade, tornamo-nos mais extensos, e rearranjamo-nos, se queremos de facto sobreviver.
Por ora ficamos assim.
Espero que não afaste a generosa franja de leitores que tem aparecido.
Obrigado pela paciência, mais uma vez.
sexta-feira, março 18, 2005
Tretas.
As dores de crescimento nem sempre são necessárias ou fazem sentido. É ao contrário, por acaso. As dores de crescimento e dita construção pessoal que se justificam como tal são poucas, e têm um sabor misto. E são normalmente aquelas que esquecemos porque as transformamos no esforço necessário para ter atingido alguma felicidade a espaços.
As outras?
As outras ficam, fazem estragos, e desdramatização alguma consegue reparar alguns dos fragmentos que se soltam. Gostaria de dizer o contrário, é verdade, mas nunca recuperamos de algumas coisas. Nunca.
Haven't we, Cassiel?
To cast aside your loss and all of your sadness
And shuffle off that mortal coil and mortal madness
For we're here to pick you up and bring you home
Aren't we, Cassiel?
It's a place where you did not belong
Where time itself was mad and far too strong
Where life leapt up laughing and hit you hear on and hurt you
Didn't it hurt you, Cassiel?
While time outran you and trouble flew toward you
And you were there to greet itWeren't you, foolish Cassiel?
But here we are, we've come to call you home
And here you'll stay, never more to stray
Where you can kick off your boots of clay
Can't you, Cassiel?
For death and you did recklessly collide
And time ran out of you, and you ran out of time
Didn't you, Cassiel?
And all the clocks in all the world
May this once just skip a beat in memory of you
But then again those damn clocks, they probably won't
Will they, Cassiel?
One moment you are there
Then strangely you are gone
But on behalf of us all here
We're glad to have you home
Aren't we, dear Cassiel?
Nick Cave - Cassiel's Song
Faraway, So Close, a Banda Sonora.
Depois de dois anos á procura da mesma, uma alma caridosa vendeu-me um CD em segunda mão em perfeitíssimas condições. O filme, juntamente com o que o precede, foram para para mim uma experiência intensa. A ideia pareceu-me sempre brilhante, e sobretudo, representa o melhor período de Wenders.
A cores ou a preto e branco, que venha a humanidade.
quinta-feira, março 17, 2005

Todos nós, desde garotos até à idade adulta, temos heróis, personagens que nos inspiram e que se alguma forma nos levam a querer ser melhores. Nunca nos conseguimos colocar na pele desses seres porque a insubstancialidade da sua rectidão e coragem parecem intangíveis. Mas tendemos a chegar lá. Da melhor forma que pudermos.
Embora tenha mais alguns, imaginários ou não, Harper Lee mostrou-me uma das mais pungentes e tocantes noções de heroísmo. Ainda por cima na pessoa imaginária que saiu da sua caneta e lhe deu o Pullitzer em 1961.
Nas suas palavras:
"But there is one way in this country in which all men are created equal - there is one human institution that makes a pauper the equal of a Rockefeller, the stupid man the equal of an Einstein, and the ignorant man the equal of any college president. That institution, gentlemen, is a court. It can be the Supreme Court of the United States of the humblest J.P. court in the land, or this honorable court which you serve. Our courts have their faults, as does any human institution, but in this country our courts are the great levelers, and in our courts all men are created equal." - Atticus Finch, o dito herói de ficção, na defesa a Tom Robinson.

Todos nós, desde garotos até à idade adulta, temos heróis, personagens que nos inspiram e que se alguma forma nos levam a querer ser melhores. Nunca nos conseguimos colocar na pele desses seres porque a insubstancialidade da sua rectidão e coragem parecem intangíveis. Mas tendemos a chegar lá. Da melhor forma que pudermos.
Embora tenha mais alguns, imaginários ou não, Harper Lee mostrou-me uma das mais pungentes e tocantes noções de heroísmo. Ainda por cima na pessoa imaginária que saiu da sua caneta e lhe deu o Pullitzer em 1961.
Nas suas palavras:
"But there is one way in this country in which all men are created equal - there is one human institution that makes a pauper the equal of a Rockefeller, the stupid man the equal of an Einstein, and the ignorant man the equal of any college president. That institution, gentlemen, is a court. It can be the Supreme Court of the United States of the humblest J.P. court in the land, or this honorable court which you serve. Our courts have their faults, as does any human institution, but in this country our courts are the great levelers, and in our courts all men are created equal." - Atticus Finch, o dito herói de ficção, na defesa a Tom Robinson
quarta-feira, março 16, 2005
"A diplomat is a man who always remembers a woman's birthday but never remembers her age."
Robert Frost
"The older the fiddler, the sweeter the tune. "
English Proverb
"Age is strictly a case of mind over matter. If you don't mind, it doesn't matter."
Jack Benny
"It takes a lot of time to grow young"
Picasso
Sim, bem sei que é talvez pedir demais que se vá buscar inspiração a Edmond Rostand, Drummond de Andrade ou mesmo W.H.Auden para meter conversa com aquela pessoa especial que se deseja conhecer um pouco melhor, mas os serviços de mensagens e cartas de amor/flirt pré - feitas parecem retirados de um filme de terror série Z.
Ao deambular por locais onde estas pérolas abundam, é perceber um novo mundo de comédia, onde o inenarrável espreita a cada esquina, disfarçado de intenção bem humorada que por algum milagre de Santa Joana se pode transformar na frase mágica capaz de virar a face daquela pessoa que interessa.
Se pretende passar por humor não estratégico, a coisa ainda piora...
Vejamos alguns exemplos magníficos, e tentemos dissecá-los...
1 - "Oi! O seu pai é um pirata? é que você é um tesouro... "
Repare-se aqui na brilhante e inédita metáfora a relembrar R.L. Stevenson. Se bem que sendo "A Ilha do Tesouro" um romance juvenil, é bom que a PJ não esteja á escuta...
2 - "Tu és uma estrela que caiu do céu e para la não voltas mais, pois estás ao meu lado onde brilhas muito mais "
Máxima certamente submetida por um apoiante da expansão do mercado ibérico da energia e consequente fim do monopólio da EDP, onde a rima auto confiante brilha como a árvore de Natal que recentemente esteve junto ao CCB.
3 - "Vem me resgatar meu amor, meu amor, meu principe. Tu podes nem saber mas tu és o meu principe encantado e eu estou pronta para ser a tua Cinderela, tua princesa dedicada e apaixonada..."
Aqui está mais elaborada a ideia. Primeiro, note-se que a pessoa em causa tem claramente uma preferência pelo sangue azul e mostra-se desencantada com a estrutura republicana/constitucional do nosso Estado. Depois remonta ao clássico de Perault, cuja inspiração original remonta ao conto popular registado por Giambattista Basile denominado "La Gatta Cennerentola". Duas buchas certeiras. Um bom partido, aristocrata, e com conhecimento de literatura do Sec. XVII. Só se vislumbram coisas boas para o utilizador desta ferramenta...
4 - "O teu pai deve ser terrorista... Saiste cá uma bomba! "
La piece de resistance. Domínio da actualidade internacional aliado a uma noção de que o objecto de desejo dificilmente tratá os problemas inerentes á convivência mais longa, já que se aprestará a explodir mais cedo ou mais tarde. Como os autores destas coisas, de preferência...
5 - "Se a tua perna esquerda fosse Sexta-feira e a tua perna direita fosse Segunda-feira, que belo fim-de-semana eu passaria."
Para médicos. A especialidade é que me recuso a referir, sob pena de ferir a subtileza comovente desta máxima de conquista.
Já lá dizia o Cardeal Gonzaga, como é diferente o amor em Portugal....
- Em 1850, Nathaniel Hawthorne publica "A Letra Escarlate". Passada na America puritana, a intriga assenta numa exploração da culpa e do legalismo em detrimento das realidades humanas intrinsecas á vida em sociedade. É considerada uma das obras de referência da literatura norte-americana, embora o filme com a Demmi Moore seja uma pessegada completa...
- Em 1926 nascia Jerry Lewis, um dos reis da slapstick comedy. Durante a sua carreira acabaria por sofrer um acidente num dos seus gags físicos, o qual quase o deixaria paralisado, e com dores nas costas para o resto da vida. Participou em quase 50 filmes, alguns deles bem presentes na nossa memória. Jim Carrey é claramente o seu sucessor na comédia física e expressional.
- Nasce uma das melhores e até mais assustadoras actrizes da cena contemporânea - Isabelle Hupert, capaz de transformar um olhar dengoso em puro gelo, para depois cair em delírio, e sempre de forma convincente. Genial, multifacetada, talvez a actriz francesa mais renomada e reconhecida da actualidade. E com justiça, diga-se. Ainda tenho na memória a sua hilariante composição em "8 femmes" de François Ozon.
- Em 1898 morre Aubrey Beardsley, ilustrador de obras, entre outros, de Oscar Wilde. Autor de gravuras a tinta negra, ilustrou (de forma fantástica e hilariante) igualmente uma versão de da peça erótica e de sátira social de Aristofanes - Lisístrata.Ver aqui algumas das suas obras.
- Em 1521 Fernão de Magalhães chega às Filipinas, onde viria a morrer na batalha de Mactan, ás mãos de indigenas. Embora Magalhães nunca tivesse completado a circunavegação, 52 dos seus homens conseguiriam chegar a Espanha, em 1522, completando assim a volta ao mundo.
- Em 1916, é criado o Ministério do Trabalho.
- Em 1825 nasce Camilo Castelo Branco, em Lisboa. Dos mais desgraçados e brilhantes escritores portugueses.
No dia 16 de Março, o sol nasceu tímido e as nuves resolveram passear com pés de gente junto às estradas e caminhos. Alguém anunciou a vida de calor, de temperaturas que sobem, apesar do cinzento do céu.
Talvez augúrios bons. Esperemos que sim. Para além da seca e da hecatombe política da qual esperemos estar agora a emergir, existe todo um mundo de pessoas individualmente consideradas. Toda uma expectativa. Todo um mundo lá fora. Cheio de gente.
Vamos a ele.
terça-feira, março 15, 2005
Porque ao longo do dia cremos nelas com intensidades diferentes.
Às sete e cinquenta de uma manhã de sol somos capazes de esquecer tudo. De por para trás das costas todas as vulnerabilidades e mistificações da nossa estrutura affectiva e sensorial.
À hora do almoço o sol ganha o meio do céu e tudo é sujeito a uma escolha. Damos por nós a verificar que o esquecimento afinal não apareceu, e que mais vale fazer a triagem daquilo que pode ficar para trás. O peso da primeira metade do dia de trabalho assenta num misto de fome e expectativa pelo decorrer do tempo. Sente-se aquela pequena e omnipresente perda de um dia irrepetível.
Quando a tarde se instala, e a luz começa a fraquejar, uma salada de sensações começa a instalar-se na cabeça. O esquecimento prova-se, ou desmistifica-se, já que é nesta altura que as saudades seja lá do que for se instalam. O cansaço torna-nos mais analíticos, por um lado, mas monta a primeira tenda de resignação no que ficou para trás, perdido no deserto das decisões adiadas. E então podemos apreciar a luz que cai em cascata vermelha no céu, e reparar nos recortes de tudo o que significa o retorno ao tempo que é nosso. Aguçam-se os amores, fazem-se as chamadas, encontram-se aquelas deixas perdidas para a continuidade de uma história.
À noite aparece tudo quanto existe. As promessas escudam-se para dormir, ou estão realizadas. Tudo estremece. Tudo é um manancial apurado de emoções contraditórias, porque o dia finda, e algumas coisas ameaçam os sonhos, ou mesmo o dia seguinte. Mantemos a esperança intacta que o sono não mais é que a antecâmara de certas realizações.
E sonhamos com elas.
Com sorte, que raramente há, até passam á realidade.
Uma pessoa com quem já não falava há muito tempo, mas que conservou a frescura que os anos de trabalho subsequente não lhe conseguiram retirar. Alguém que mostrou o mesmo gosto pela vida, a mesma noção de que andamos cá para viver o mais que pudermos.
A mesma facilidade no riso, a mesma simpatia e inteligência aguçada.
É sempre bom reencontrar amigos que desta forma nos demonstram que não nos esqueceram. São pessoas que até se podem afastar por razões que a vida pragmática determina, mas que ainda assim quando retornam, demonstram que estiveram apenas alguns minutos afastadas.
Foi bom ver uma pessoa que após mil e uma chatices, conseguiu encontrar um equilibrio que lhe permite viver a vida de uma forma consentânea com os seus desejos. Sem grandes filmes e voracidades próprias desta febre meritocrática.
Marta, foi uma lufada de ar fresco rever-te.
Que continue tudo a correr pelo melhor.
Já é mais que merecido. :)
segunda-feira, março 14, 2005
... grande, grande Clint, Hillary e Morgan...
sexta-feira, março 11, 2005
"Yet here Leartes? aboord, aboord, for shame,
The winde sits in the shoulder of your saile,
And you are staid for, there my blessing with thee
And these few precepts in thy memory.
Be thou familiar, but by no meanes vulgare;
Those friends thou hast, and their adoptions tried,
Graple them to thee with a hoope of steele,
But do not dull the palme with entertaine,
Of euery new vnfleg'd courage,
Beware of entrance into a quarrell; but being in,
Beare it that the opposed may beware of thee,
Costly thy apparrell, as thy purse can buy.
But not exprest in fashion,
For the apparell oft proclaimes the man.
And they of France of the chiefe rancke and station
Are of a most select and generall chiefe in that:
This aboue all, to thy owne selfe be true,
And it must follow as the night the day,
Thou canst not then be false to any one,
Farewel, my blessing with thee."
Polonio a Laertes - Hamlet - W. Shakespeare
They that have power to hurt, and will do none,
That do not do the thing, they most do show,
Who moving others, are themselves as stone,
Unmoved, cold, and to temptation slow:
They rightly do inherit heaven's graces,
And husband nature's riches from expense,
They are the Lords and owners of their faces,
Others, but stewards of their excellence:
The summer's flower is to the summer sweet,
Though to itself, it only live and die,
But if that flower with base infection meet,
The basest weed out-braves his dignity:
For sweetest things turn sourest by their deeds,
Lilies that fester, smell far worse than weeds."
William Shakespeare
quarta-feira, março 09, 2005
Ora, a mim parece-me que isso pode ser encarado de duas formas.
Por defeito, ou excesso, de quem o vê, pratica, ou deseja.
Sinceramente, penso que embora se fale muito nele, há pouco sexo na sociedade, no seu quotidiano e no funcionamento do mesmo. E isto porque se vê pouca alegria em situações onde poderia haver pelo menos alguma. Porque o mau humor no trânsito matinal talvez não tenha necessariamente a ver com pouco sono, mas talvez o que conduziu ao mesmo, que não terá sido o que deveria.
Porque há uma avidez clara em ver o conceito, nem que seja de longe. E desengane-se quem pensa que esse fenómeno se resume a uma lógica de género... As mulheres há muito, ou na minha opinião, desde sempre que marcaram a sua posição na linha da frente desta matéria.
Por isso, náo concordo com esse grito de Aqui Del Rei.
Sinceramente, acho que há pouco sexo na sociedade. Como há pouco afecto, preocupação e iniciativa para com os outros. Assim como há pouca vontade de combater um certo comodismo.
Sexo a mais é uma contradição em termos...
terça-feira, março 08, 2005
Bem, pelo teor deste blog, não é surpresa nenhuma que são conceito que raramente abandona a minha esfera de cogitação. E bem sei que algumas pessoas julgam este dia como uma espécie de benesse condescendente, o que não me parece de forma alguma o caso.
Existe efectivamente desigualdade no mundo presente, e alguma dela até mesmo mantida pelas próprias mulheres relativamente às suas congéneres. E essa desigualdade tem de terminar, não significando obviamente a renúncia do direito á diferença que caracteriza ambos os universos de género.
As mulheres são uma unidade conceptual complexa, cheia de caminhos intrincados e fenómenos de sensibilidade. São uma unidade feita de silhueta que nos melhores casos se mistura com a essência interna até que uma coisa não seja passível de distinguir da outra. São a expressão máxima da sensualidade, porque a natureza assim as criou, e muitas vezes não têm a noção da forma como podem ser enaltecidas na imaginação da "parte contrária".
Sim, são a expressao máxima do sexo, ou não tivessem mais vinte e tal zonas erógenas que os homens, e fossem dotadas de um órgão cuja unica finalidade (que sorte!) é precisamente a estimulação e criação de prazer. Além disso, são multiorgásmicas e possuem um contorno de harmonia que, quando existe, é insuperável. São o contraponto de mistério necessário, por vezes enredado em demasiada complexidade auto infligida. São afinal de contas, a outra metade da sociedade, do mundo, e a fundamentação para uma série de comportamentos e criação artística.
O dia da mulher não significa condescendência, mas o reconhecimento da necessidade de tratar de forma igual o que é igual (direitos e deveres sociais, jurídicos e políticos) e de forma diferente o que é diferente (o direito e a necessidade da diferença para que sejamos todos mais completos). Mães, namoradas, amigas, amantes, eudcadoras, seja lá quem forem, no dia em que a igualdade perante o Estado de Direito for efectiva, então justifica-se o fim deste dia. Até lá, recorda-se a metade do mundo que tem direito a isso mesmo. A ser metade. Nem mais nem menos. Igual.
segunda-feira, março 07, 2005
Odeiam fraqueza ou vulnerabilidade. Mas pedem acessibilidade.
Odeiam obstinação. Mas pedem dinheiro e poder.
Odeiam cabotinismo. Mas pedem uma assumpção clara das qualidades, envoltas numa espécie de segurança blaze, como alguém que é demasiado modesto para saber que é perfeito. (*)
Além de não ser fácil, é cansativo, e mesmo injusto. Porque sinceramente, nunca achei as inseguranças de alguém como uma espécie de alvo a abater. Fazem parte daquilo que há de mais íntimo, e que quando confiado a alguém, deve ser tratado com o máximo cuidado, tentando ajudar ao máximo. Mas essa não é claramente a visão do sucesso requerido. E é por isso que por vezes temos tantas demonstrações de força que não passam de ataques perante a necessidade imperiosa de defesas...
Ainda vou pensar melhor sobre isto...
Mas o que vejo não me deixa total ou exactamente satisfeito...
Sinceramente.
(*)Nas palavras da Andie Macdowell no excelente "Groundhog Day" ( uma sequência de tentativas de suicídio e uma fuga de carro absolutamente hilariantes...)
Em Lisboa, raras são as pessoas e os locais onde a malta se junta para interagir. Amontoam-se para se observarem, para dardejar olhares curiosos ou simplesmente cheios de intenção qualificativa, mas fica-se por aí.
Talvez porque se identifique a interacção com uma espécie de rótulo de contacto necessariamente sexuado. Se for consensual, porque não? As pessoas devem sempre ter a satisfação inerente á sua liberdade pessoal, e consigo imaginar coisas bem piores que encontrar alguém que até nos provoca alguma coisa e nos leva seja a que experiencias for.
Mas caraças, é possível interagir. Trocar algumas palavras, ou quem sabe, iniciar seja lá o que for. Não é?
Seremos sempre mandatários do estigma social que identifica a noite como uma antecâmara de espécies complicadas de entrega? Algumas até confundidas com desespero?
Noutros países onde estive, especialmente Espanha, a coisa não se passa assim. Há de tudo, e as pessoas interagem nessa perspectiva. Aquela que simplesmente diz, "vamos ver que pasa..."
Acho que o termo é este:
Em Portugal falta descontracção e sobeja pré-intenção.
sexta-feira, março 04, 2005
errado.
Há o mundo inteiro. Há a promessa de sexta feira. Existem as solidões alheias e os entretenimentos da cultura.
Sim, há um mundo inteiro.
Vamos a ele?
quinta-feira, março 03, 2005
"Quietly though, a few districts around the country, from Indiana to Connecticut to Long Island, have begun to integrate breath-testing devices into the regular school day, a move that adds a new wrinkle to the ongoing struggle between students' privacy rights and a school's duty to limit drug and alcohol abuse. "
Bem, sou só eu, ou isto tem uns contornos muito Orwellianos para o meu gosto?...
Se bem que o direito á privacidade nos EUA ameaça tornar-se cada vez mais um luxo e não uma prerrogativa absoluta da cidadania livre e própria de um Estado de Direito...
Já não surpreende, mas assusta sempre...
quarta-feira, março 02, 2005
E acho que é precisamente por isso que existe um esforço tão grande em relativizar tudo. Desde perspectivas a valores. Porque falhar é o posicionamento da primeira, face ao enquadramento do segundo. Ser bem sucedido é exactamente a mesma coisa.
É por isso que vamos até onde podemos. É por isso que a real bondade, é sempre a possível.
É por isso que se calhar não devemos ser as melhores das pessoas, mas as melhores pessoas possível.
Digam o que disserem, certas coisas nunca saem de moda, mesmo que sejam só confessadas quando o exosesqueleto de pretensa elegância está pendurado no cabide.
No fundo, esse é que só vão até onde podem. E não raras vezes, podem muito pouco.
O cinismo puro é uma estrada sempre muito curta.
It's hard to listen to a hard hard heart
Beating close to mine
Pounding up against the stone and steel
Walls that I won't climb
Sometimes a hurt is so deep deep deep
You think that you're gonna drown
Sometimes all I can do is weep weep weep
With all this rain falling down
Strange how hard it rains now
Rows and rows of big dark clouds
When I'm holding on underneath this shroud
Rain
Its hard to know when to give up the fight
Two things you want will just never be right
Its never rained like it has to night before
Now I don't wanna beg you baby
For something maybe you could never giveI
'm not looking for the rest of your life
I just want another chance to live
Strange how hard it rains now
Rows and rows of big dark clouds
When I'm holding on underneath this shroud
Rain
Strange how hard it rains now
Rows and rows of big dark clouds
When I'm holding on underneath this shroud
Rain
Strange how hard it rains now
Rows and rows of big dark clouds
When I'm still alive underneath this shroud
Rain
Rain
Rain
Patty Griffin - "Rain"
A Kiss in Time
Ouçam esta música...
Só vos digo isto...
Porque é ciumento, porque se move adiante sem nos pedir licença
Porque ainda tem riso no ar e deixa de nos ligar
Quando nos ausentamos do mundo, e sentimos a falta das suas faces
Tentamos tornar-nos em linhas e fios do se tecido
Para que não fiquemos mortos vivos num conceito esquecido
E quando dou por mim a ver o retorno ao longe
Como se ele me chamasse em metáforas de alegria perfeita
Temo pelo fim do meu uso, a minha utilidade circunscrita
Porque não faço ideia se sou o que faço, ou porque o faço
Mas quando me tive de ausentar do mundo
Esperei sempre que ele não roubasse o meu pequeno espaço.
Bem, sendo esta uma preocupação em termos de saúde pública, será no entanto descabido temer o que a origina?
terça-feira, março 01, 2005
Joel: I remember that speech really well.
Clementine: I had you pegged, didn't I?
Joel: You had the whole human race pegged.
Clementine: Probably.
Joel: I still thought you were going to save me. Even after that. "
Eternal Sunshine of The Spotless Mind
Sem dúvida Joel... sem dúvida...
Conheço essa teimosia apenas bem demais... E a vida não sabe a nada sem ela, ainda que ocasionalmente.
"I'm telling you right off the bat I'm high maintenance."
Clementine, obrigado pela insofismável dica!
Um beijo a um conceito pelo qual é possível apaixonarmo-nos.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Sol, com possibilidade de alguma nuvem no horizonte.
As pessoas que passaram por mim hoje sorriam na sua grande maioria, e isso surpreendeu-me. Acho que estas semanas de trabalho alucinante toldaram a minha visão, ou então é este assomo de liberdade que faz tudo parecer um pouco diferente.
Acho que é um pouco como os índios Xuar. Temos de desaparecer para depois se tornar tão bom voltar. Para que a satisfação da saudade seja mesmo um prazer máximo, uma necessidade na dinâmica de continuidade das relações humanas.
Bom fim de semana!!!
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Para aqueles que já conhecem Alan Moore há alguns anos (Swamp Thing Saga - excelente!) esta figura não é inédita, e representa uma espécie de anti-herói confuso que aparece para desenrascar o dia quando as coisas se complicam, ou para lixar esse mesmo dia se assim lhe convier.
Ainda não vi o filme, mas ao que parece é uma das estrelas do Fantasporto, e se respeitaram integralmente a visão de Moore ( coisa que não fizeram no pútrido Liga de Cavalheiros Extraordinários - fabulosa BD, inenarrável adaptação...) entao preparem-se para uma viagem no minimo acidentada, e despida de maniqueismos simples. Constantine é a materialização humana do cinzento, herói e estupor, ocasionalmenbte abnegado e um safardana da pior espécie. Embora as minha expectativa seja de que o produtor e realizador não tenham tido os tomates para colocar a real forma de pensar de Moore no ecran, chamo a atenção para a série de BD chamada Hellblazer, e essa sim, é um deleite absoluto para apreciadores e não só.

Sandman, ou Orpheus, Ou Dream, ou Oneiros e os seus irmãos, "Os Eternos" (Endless) - Desire, Despair, Delirium, Destiny, Destruction and Death" são a sua criação máxima, e de uma originalidade desarmante. Os dois melhores talvez sejam mesmo Dream e a irmã Morte, sendo esta última uma pérola absoluta de humor negro e sagez.
Gaiman fala do amor, da morte e sobretudo, da capacidade de criar e viver de acordo com os nossos monstros, fazendo o melhor possível com a dualidade que a todos toca.
Recomendo absolutamente, e para os farisaicos que qualificam a BD como algo de menor, deixo a sugestão de abrirem um destes livros, e surpreenderem-se. E se ainda não estiverem convencidos, abram e leiam esta absoluta obra de arte deste outro senhor.
Have fun!
A verdade é que ela, em meio aos colegas, viu-se a brincar na neve sozinha, porque as pessoas simplesmente não podiam perder a compostura construída e associada á sua imagem e face. Em suma, estavam demasiado arranjadas, e preocupadas com isso mesmo, para aceitar uma bola de neve no cocuruto, ou simplesmente patinhar um bocadinho no manto branco.
O que nos diz isto? É apenas um acontecimento inconsequente, mas de alguma forma parece que as pessoas simplesmente já não se divertem. Já não se tomam atitudes menos compostas, já não se arrisca, já só existe rendição ao "adequado". Em suma, as pessoas são cada vez mais uma seca desmarcada, uma pasmaceira de rituais e procedimentos e adequação á normalidade. Se é isto que significa ser "adulto" e "responsável", podem rasgar o meu formulário de inscrição.
Só tenho pena que não neve aqui em Lisboa. Ou se calhar não...
Quanto a ti, só te posso dizer que deverias esperar no alto de uma árvore ou numa varanda escondida e despejar uma boa "pazada" de neve nos cabelos arranjados, nos batons e no cabelinho com gel. Just for laughs...
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Bem, não se trata de saber desistir, mas ter a noção de que aquilo que até poderíamos fazer não nos é permitido. Aquilo que significa argumentação pessoal e emocional acaba por ser apenas uma espécie de subentendido que fica lá nos locais escondidos da reflexão.
E existem essas alturas. Em que não temos outra opção senão mostrarmos a identidade que nos caracteriza, e esperar apenas que isso seja suficiente, que bastemos, que alguma da nossa qualidade possa ser um dístico daquilo que nos torne únicos, como afinal consideramos aqueles poucos a quem mostramos isto.
E essa torna-se a forma de não desistir. Ir em frente. Ser nós próprios porque em bom rigor, não há mais nada que possamos aspirar a ser, pelo menos no plano daquilo que constrói a nossa vida, e faz valer a pena cá andar.
Bonne chance para todos... e mesmo para mim, acho eu...
A descida da abstenção, não tão intensa como se previa ao início, mas que registou quase 3%, quer dizer alguma coisa. E quereria dizê-lo independentemente da força política que, através desse fenómeno, atingisse o melhor resultado. As pessoas mobilizaram-se, e de alguma forma, quiseram demonstrar o desejo de mudança, de que alguma coisa tem de ser feita, e com rapidez, sob pena de colapsarmos debaixo deste vendaval de instabilidade e trapalhadas que marcaram o último ano.
A alegria dos socialistas vai brevemente ser substituida pela percepção do que há a fazer. E é bom que o cheque de continuidade passado pelo povo sirva para por em pé um projecto, seja lá ele qual for, para que efectivamente se chegue a algum lado. Têm uma grande responsabilidade nas mãos, e este é um tempo em que a melhor gestão das dificuldades não é só desejável, como imperativa. A corda do país não mais se pode esticar.
Quanto ás facções derrotadas, penso que a reflexão é necessária e desejável. Sou sincero, e digo que talvez tenha sido o melhor que pudesse ter acontecido ao PSD. Talvez agora a escumalha santanista possa ser deportada para um oceano longínquo, e em alternativa surjam os homens realmente capazes e que de alguma forma dêem a face e competência certa a um partido tão necessário á democracia nacional como é o PSD. E isto porque uma oposição competente é tão necessária como um bom governo. É no confronto de ideias nas instituições que o equilibrio democrático se garante, julgo eu.
Mais uma nota para Portas, que caso confirme a sua saída, mostrou um sentido de responsabilidade politica de louvar, e ao contrário de Santana, teve a atitude correcta perante os circunstancialismos.
E agora o que vem aí? Nunca gostei de maiorias absolutas, porque são terrivelmente arriscadas. Mas no presente cenário, talvez seja a única solução para que os projectos não se fragmentem a meio, e para que deixemos de andar nesta dança dos cortes e interrupções. Portugal ainda não maturou politicamente para permitir a existência de um pacto de regime, o qual tornaria desnecessária qualquer maioria absoluta. Talvez quando se perceber que a politica não é uma luta de facções futebolísticas, mas um caminho para servir os cidadãos e o país, o tal pacto seja possível.
Esperemos que o optimismo seja possível.
Sem euforias, vamos lá ver o que vem. É que há mesmo muito por onde melhorar.
Boa sorte Portugal... Que a escolha feita não te morda os calcanhares.
sexta-feira, fevereiro 18, 2005
E porquê?
Bem, porque quando confrontado com plebiscito, as opiniões tendem a limar as arestas farpadas constantes dos choques injustos entre os dois géneros, porque não são apoiados em elementos objectivos da natureza própria de cada um deles. Ao assistir-se a uma discussão entre um grupo de homens e mulheres, como eu ontem tive a opportunidade de fazer, tem-se a noção de que tudo vai bem, e que o esclarecimento quanto às formas de discriminação e promoção de desigualdade dos géneros (entre si) é suficiente para determinar mudanças e reformas.
Mas depois apagam-se as luzes, as pessoas retornam aos seus grupos, á discussão sem o crivo crítico de quem avalia cada palavra dita em público, e as barricadas são erguidas.
Os olhares condescendentes, a avaliação da falta de determinado talento para determinada função ou actividade, as dificuldades de relacionamento, voltam ao discurso como a linguagem de um computador socialmente programado.
As ideias pré-feitas estão lá, na honestidade do instante em que são livres junto de outros.
E depois voltamos ao "talk-show", e o discurso retoma a sua clareza, a cristalina noção de que se é capaz de identificar o que está mal, e corrigir.
A igualdade de géneros tem de ser uma percepção imediata e subtil. Não podemos dar por ela. É como um árbitro num jogo. Se nem sequer dermos pela sua presença, é sinal de que o trabalho está ser bem feito.
Mas a verdade é que as pessoas acabam por alimentar um pouco a fogueira conceptual do feudo a que pertencem. A reeducação necessária para alterar isto parte não do reconhecimento dos problemas do próprio género, mas na capacidade de se colocar na pele do outro. Em ver a medida exacta em que se desconsidera o género oposto pelas suas supostas debilidades historica e socialmente comprovadas. É, no fundo, querer descobrir, e isso vai desde o universo sexual ás idiossincrasias ao nível sensorial e de interpretação de qualquer juízo crítico.
As diferenças existem, e ainda bem. É uma das componentes da sensação de integralidade que o potencial humano encerra. Os contributos de parte a parte, quando juntos, acabam por constituir algo muito mais completo, na realização do potencial humano nas ssua mais variadas vertentes.
Mas tem de se querer. A pressão entre pares tem de deixar de reagir pavlovianamente aos gatilhos sociais de reprovação pela diferença.
E sinceramente, em meio ao desejo de mudar, verifiquei uma grande preocupação em guardar e proteger elementos que contribuem directamente para a desigualdade, mascarados sob a capa do chamado senso comum.
Em suma, a desigualdade é muitas vezes mantida pelos próprios géneros, e mesmo no que diz respeito ao que eventualmente os prejudique.
Muitas mulheres continuam a achar que os homens não realizam as suas tarefas domésticas com o mínimo de competência. Que devem ter um poder económico considerável, ainda que ambição não signifique exactamente realização.
Muitos homens continuam a achar que as mulheres devem refrear a quantidade e intensidade das suas iniciativas, que o facto de tomarem as rédeas das sus proprias vontades, por exemplo, na aproximação ao sexo oposto, deve ser moderado. Continuam a achar que de alguma forma, a sua superioridade sexual ( alguém duvida disto?) lhes confere um certo papel subalternizado nas organizações e instituições.
Para mudar, tem de se querer. Para depois se esquecer, e se tornar natural.
Mas acho que ainda não se quer o suficiente.
E isso é algo triste...
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Deixando a lenga-lenga de denúncias relativas ao aproveitamente comercial, (com a qual concordo em parte, mas julgo só ter aplicabilidade de nos restantes dias do ano o número de gestos para com a cara metade for zero(!). Quem tiver atenções, neste dia tem apenas mais uma, o que não me parece mal...), há que fazer uma reflexão ao estado do amor nos dias de hoje. O que ele significa. Os problemas que pode acarretar. As dificuldades que parecem disseminadas um pouco por toda a parte.
Sinceramente, julgo que a grande maioria das dificuldades associadas ao amor e á convivência assentam na excessiva complicação. As pessoas tendem a complicar. Pura e simplesmente. Os chamados "complicómetros" carburam demasiado, quando provavelmente a simplicidade é a resposta mais directa. Arranjam-se milhares de desculpas, de pequenos problemas, que quando aliados à reais e necessárias chatices, fazem transbordar o copo. Esquece-se um detalhe importante que mais não é que aproveitar os tempos de bonomia urbana para poder desfrutar da pessoa, rir com ela, e fazer alguns disparates necessários.
No entanto, os sacrifícios com a paternidade, os cansaços multiplicados, a inércia que deles resulta, e uma espécie de regra de conduta "adulta", vão descascando os relacionamentos até que a carne viva que daí resulta se transforma em pequenas mas inumeras feridas. Não há como escamoterar as pressões de uma vida em meio ao frenesim da urbe, é verdade, mas ao contrário do que se julga, a diversão, especialmente aplicada ao amor, também dá trabalho. Não trabalho/sacrifício, mas trabalho na óptica das atitudes, dos esforços, da procura da surpresa e reinvenção do outro. Por vezes um pequeno gesto pode significar um mundo de diferença, e o cansaço não pode ser uma desculpa recorrente. Especialmente porque conduz a uma indiferença, aos dias que passam sem darmos por eles, e depois, instala-se a modorra, e com ela, a procura de coisas alternativas.
O Amor é em si mesmo um amante exigente. É conceito que exige alta e permanente manutenção. Não vive do ar nem dos raios do sol, como as plantas. Necessita que o façam viver em meio á diversão, a um senso de preenchimento e pertença que torna a vida mais engraçada e isto quanto haja alguém com quem partilhar as manifestações de beleza ou alegria que nos estão destinadas. O Amor não é meiguinho nem muito complacente. É um sugador de energia, uma atracção gravitacional da nossa essência única e que se expressa numa irracionalidade invisível, mas que nos condiciona como nenhuma outra. O Amor tem dentes. Garras. Tem um humor sarcástico de ocasionais maus fígados e ondas de ironia, mesmo quando misturado com as tais asas de que tanto se fala.
No Amor temos que se mutuamente como a Amazónia. Conhecidos, mas nunca totalmente explorados ou cartografados, porque a dinâmica da relação amorosa é precisamente ir descobrindo mais um planaltop escondido, mais uma planta rara. E isso só se faz pela simplicidade da abordagem pelo desejo de descobrir, pela ausência de negação ao prazer.
No fundo, para se viver o Amor, tem de se agir amorosamente, actuar no seu âmbito e de acordo com as idiossincrasias que o caracterizam.
Há que mexer o outro. Mesmo quando não parece possível. Porque, por exemplo, quanto mais nos rirmos com aquela pessoa, mais ela vai crescendo no nosso tempo, e nos mostrando mais clareiras escondidas, com a promessa de continuidade.
O Amor nunca está garantido. E é nesse medo doce que reside a sua continuidade.
Pelo menos é o que eu julgo.
Por isso, espero que ontem tenham tido um excelente dia. Uma nova posição sexual, um segredo escabroso, uma marotice compartilhada, um disparate divertido á vista de todos.
Espero que ontem quem ame e tenha companhia tenha descoberto mais um bocadinho, e celebrado por isso mesmo.
Felicidades a todos.
Talvez um dia eu volte a esse clã... Quem sabe?
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
De acordo com o Púlico de hoje, a população masculina anda a invadir as linhas de apoio á disfunção sexual, em busca de ajuda, de uma palavra de esclarecimento, e não duvido, de apoio.
Desconsiderando desde logo o ruído de fundo feito de chacota ( dir-se-ia um estertor de nervosismo e medo disfarçado de ridicularização), penso que é uma evolução fantástica aquela a que assistimos, porque de alguma forma está patente nesta busca de apoio uma preocupação com o outro, com a pessoa que está do lado de lá na dinâmica da relação sexual e, adaptando a cada caso, das mais variadas morfologias de afeição.
A verdade é que aparecem os preocupados, aqueles que de alguma forma tentam combater, por necessidade ou não, o estigma de que a sexualidade masculina é composta de dois estados bem diferenciados - ou se põe de pé, ou não.
Existe um universo da intimidade no masculino que pode gerar uma multiplicidade de situações e reacções, que constituem afinal a complexidade própria da nossa sexualidade, que não é, nem de perto nem de longe, tão aparente e translúcida nos seus elementos como muito se apregoa.
Embora seja algo que preocupe, porque é gerado em grande parte pela doença civilizacional e a sua correspondente maluqueira pela meritocracia, a verdade é que existindo esta preocupação significa que as mentalidades evoluem, e que a preocupação com o outro lado/metade da relação sexual é uma realidade.
E aqui tenho de chamar um pouco à atenção o público feminino, porque se é certo que uma percentagem significativa tem uma preocupação em entender e ajudar, tentando melhorar, outra talvez desconsidere a realidade que nos indica que a sexualidade masculina tem a sua complexidade, e os seus problemas, que, adianto já, podem ser bem complicados. A começar pela responsabilidade que está associada. A performance, quer se queira, quer não, é sempre uma preocupação. E quem diz que está livre dessa ideia, provavelmente não está a ser honesto consigo mesmo, quanto mais com os outros. E este é apenas um dos problemas...
No fundo, trata-se apenas de celebrar a liberdade, tentando entender o outro, tentando chegar mais longe, ao melhor, ao que vale mais a pena. Simplificando, mas indo á essência das coisas, para que estas melhorem!!!
No dia de hoje, desejo que todos aqueles que se vão poder amar ou tocar não passem por qualquer dificuldade, e celebrem um dia que, no melhor, faz pensar sobre o que se tem.
E que as conclusões a que se cheguem, sejam as melhores.
Felicidades!
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Não há qualquer espécie de dúvida relativamente a isto. Podemos esperar quanto muito fazer o melhor possível. Só isso.
Existem pessoas que habitam os nossos espaços obscuros, interessam-se pelos nossos tons negros, e procuram ver, de forma deliciosamente impiedosa, até que ponto a nossa identidade resiste às influências que a pode fazer oscilar ou mostrar as costuras do seu tecido.
Existem pessoas que com a maior honestidade, oferecem o melhor de todos os mundos, e com isso, engrandecem a nossa pequenez. Existem pessoas que sorriem para nós como deve de ser.
Existem pessoas que brandem a sua identidade com a coragem de quem viu e ainda assim não recaiu em descrédito. Existem pessoas em constante os terrenos onde pisam, porque a sua vivência é tão genuína que envergonham as estratégias intermédias relativas á facilidade dos dias, ao descanso da apatia, à tranquilidade podre da falta de questões.
Existem pessoas que perseguem por modo de vida. Com e sem objectos de afeição ou desejo realmente presentes.
Tudo é mais complicado do que parece.
Mas acabará por existir alguém que, ainda que não nos salve, traz um sorriso nessa ideia, e dá muito mais do que seria possível imaginar pela realidade simples. Sem clemências, com todo o mundo num esgar positivo. Alguém que não se rende porque o ridiculo do vazio é a própria definição deste. Acho que as pessoas que inspiram vivem desta forma. E temos a felicidade de nos cruzarmos com elas, em esquinas de altíssima improbabilidade.
Obrigado...
terça-feira, fevereiro 08, 2005
Os cinco sentidos misturam-se numa espécia de amálgama sortida, aparecendo á vez, como voluntários á força.
Recordamo-nos daqueles que não conseguimos salvar num gesto, e amamo-los numa desculpa e fraca promessa. Paramos tudo até ouvir o corpo que se detém. O mundo sem a respiração é um inferno de silêncio barulhento. O mundo não respira quando a razão da dor alheia se instala.
E isto porque a vergonha da inércia inevitável é compensada por abraços feitos de culpa não intencional.
Damos connosco a absorver inutilmente o peso do mundo exterior através de um olhar. Entendemos, e a compaixão cola-se ao peito como um dístico.
Esses instantes são aqueles em que nos tornamos maravilhosamente inúteis.
Param o tempo porque não conseguimos nunca salvar quem devemos.
Justamente aqueles que não pedem, os que são cheios de uma dignidade construida á custa do que não poderia nunca ser posto em causa.
Existem instantes que param o tempo. Porque o percurso deste nem sempre se suporta.
Ou justifica.
Existem universos num simples respirar, e as memórias não poupam ninguém.
E depois inventamos uma lógica de continuidade, falando aos outros
dizendo-lhes do que não vale a pena, da futilidade da persistência
e a teimosia dos desejos inventados que simplesmente não se vão embora.
A verdadeira face do poder são as dores extraídas numa recorrência.
Ficam ali, como madeira de sândalo que navega sem rumo por entre ondas de mar quente,
e baixamos os olhos, porque não há como enfrentar o fim invisível da estrada.
E depois vem a noite. Aparecem os finais das coisas irrepetíveis, e surge um beijo
perdido na tua magnificência. E depois sou insuficiente porque são memórias.
Memórias da cólera tornada necessária pelo medo.
É então que me torno o teu aleatório carrocel, e tudo é insuportável.
Porque há um mundo lá fora, e perguntei-me se a pergunta estava certa.
Passou o sorriso com asas, demasiado livre para ser suportável.
A graça que ficou como uma cinza á deriva no vento.
O silêncio do poder. A corrente feita do aço de ti.
Deixando poucas perguntas.
Ou saídas...
E se tu já não tens as asas
Explica-se a falta de sorriso dos anjos
Tragam-me a casca mortal
O som da morte em tambores e banjos
E porque os lábios estão selados,
e o brilho ilusório do espaço é nada
é apenas silêncio que nunca ouvi,
são recordações de uma manhã de inferno
Do vazio que se ameaça eterno
E depois falo contigo no silêncio dos passos
dos vizinhos que entram e saem
As vozes variam entre a prisão e a ausência
Entre o peso e a leveza
e fico sozinho com as perguntas
a raiva, que é apenas outra forma de vergonha
pelo amor do qual se tem a certeza.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
Como é que se consegue não ser suficiente.
Como é que se vive com isso?
Como é que conseguimos enfrentar a ideia de que tudo aquilo que fazemos, baseado numa lógica de positividade e afecto não serve de nada? Como é que se consegue de alguma forma racionalizar que o contributo das nossas acções não produz efeitos a qualquer nível?
Como é que se aprende a não bastar? A ser aquilo que não chega? A não perceber o mínimo sentido para as coisas precisamente porque as reacções dos destinatários surgem absolutamente diferentes daquilo que pedem?
Como é que se interioriza a futilidade dos nossos esforços? Como é que se consegue não ganhar importancia, não importa o esforço, a abnegação, a entrega? Como é que se lida com a indiferença injustificada? Como é que nos tornamos capazes de encarar qualquer generosidade como intrinsecamente boa, mas factualmente inútil?
Como é que conseguimos deixar de sentir alguma vergonha pelo que somos? Pela ingenuidade colocada em cada gesto tendente a dar alguma coisa? Como é que se aceitamos que uma certa linha condutora da vida quotidiana, assente num principio básico de não fazer mal e fazer bem se possível a alguém, seja insignificante?
Como é que deixamos de nos sentir insignificantes? Como é que ganhamos um espaço á base dos esforços benignos, se de alguma forma acaba por nada significar?
Como é que se propaga uma ideia contrária ao neo-realismo feiosos em que vivemos, através do simples acto de querer fazer mais que manter a elegância no contacto? Como é que se faz isso, se existe uma esquizofrenia clara na dinâmica da vivência entre as pessoas?
Como é que ultrapassamos o egoísmo se chegarmos á conclusão de que ele é uma falsa, mas necessária ferramenta de sobrevivência?
Como é que vivemos com o facto de nos envergonharmos por defender algo que parece perdido algures numa moderna e quixotesca cabeça? Como é que aceitamos e não cobramos a nós próprios a imensa tristeza de saber que não somos suficientemente importantes?
Como é que se faz tudo isto?
Como é que aceitamos tudo de todos e não somos aceites por quase nada? Como é que se consegue não ser alvo da mínima contemporização?
Como é que se organiza uma vida? Como é que podemos de alguma forma deixar o mapa para o coração secreto, se somos somente sujeitos à pilhagem e exposição?
Como é que se pode ser tão ingénuo?
Como?
domingo, fevereiro 06, 2005
Não restam dúvidas.
Quando surge a ideia de que alguma coisa está a ser bem feita, as pessoas tendem a optar pela solução alternativa, pelo previsível e não tão positivo desfecho. Pelo que não reclama, por aquilo de que previsivelmente se mostram disposíveis para afastar...
Conforme diria esta senhora, (com a qual eu provavelmente deveria discordar 9 em cada 10 vezes), "no good deed goes unpunished".
Não é novidade, mas custa sempre muito mais do que se esperaria.
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Aparecemos como o actor daquele filme que nunca realizaríamos.
E depois procuramos o sentido até encontrá-lo, construímos o arquétipo que é necessariamente auto-explicativo.
Depois doutrinamos em surdina, e arranjamos a sustentação.
Por vezes temos de ser o que não acharíamos possível.
Por vezes somos a nossa outra face.
Para que tudo chegue a um ponto em que podemos retornar a local de onde provavelmente nunca deveríamos ter saído.
Isto não faz de nós seres multifacetados, e si, carrascos para aqueles que escolhem não aguardar pela transformação do enredo em mensagem.
Mas quem é que os pode culpar?
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
À semelhança de outros países, onde o crescimento não é significado de desumanização, fica esta intenção. Será a senhora capz de o fazer? Não faço ideia, mas a ideia de que o crescimento deve ser feito com as pessoas e não apesar das pessoas é algo que deveria ficar bem retido na cabeça de alguns arautos da mensagem económica desumanizada.
(Começa a verificar-se que os efeitos da deslocação dos centros produtivos irá provocar, a médio prazo, uma convulsão social terrível, e isto só para citar um exemplo.
A pergunta que faço é a seguinte. Que importância terá o preço (baixo)dos produtos, se ninguém os puder comprar?)
Logo, como é óbvio, a política assemelha-se muito ao futebol, no seu pior.
Se, analisando rapidamente, virmos o Estado em que está o futebol percebemos porque raios estamos isolados na curva descendente do "sentimento económico" em toda a União Europeia.
Onde é que se apanha o avião?
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
W. H. Auden
Novamente, para um Amigo
A sensação de peso.
O esclarecimento agudo e afiado como uma lâmina.
Nas palavras de alguém que não descansa. Que teima em achar que não precisa.
Ao ouví-lo, senti um certo desgosto em razão do sangue e afeição.
Existem poucas coisas piores que a incapacidade de confortar alguém de quem se gosta.
Sentímo-nos traidores. Eleitores da escolha para não viver. Arautos de sobrevivência árdua, sabendo de antemão de alternativas.
Sentímo-nos parte do arranjo. Da lógica. Da pior forma de aceitação.
Há demasiado tempo que não consigo confortar aqueles de quem realmente gosto. Especialmente porque a única forma que tenho de o fazer, é gostando deles. Sem dever. Sem missão. Só com vontade.
Cabelo comprido, olhos escuros e um sorriso rasgado.
Passou e o vento calou-se.
Atrás das lentes, as íris procuravam curiosas uma esperança mal disfarçada de feedback.
E ela olhou e coçou o rosto. Sentiu as marcas que iam para além da pele. Penso que sorriu e olhou para o chão.
Quando as tabuletas apareceram, lá estava ela. Algo gasta, mas firme, a extremidade pontiaguda de madeira indicava a familiaridade de um sentido em cada um dos destinos.
E ela lá ficou. O ornamento voou e os olhos agigantaram-se.
Não li, como nunca faço, qualquer pensamento. Mas adivinhei cada pergunta e aproveitando a redundância de atitudes, questionei-me a mim mesmo.
O tempo que passe trará um outro ornamento.
Mas nunca uma imagem diferente.
E é aí que gosto de pensar. Que ela manteve o sorriso. Que o alargou. E que ao recordar, os passos a conduziram inconscientemente, enquanto a tabuleta caía...
Onde é que a independência absoluta ganhou este estatuto divino na récita dos mitos urbano/sociais?
Onde é que se foi angariar fundamentação para o "umbiguismo" dos trejeitos e hábitos?
De que é que tanta gente anda atrás?
O dinheiro tem assim tanta força? Claro que sem ele pouca coisa se faz, mas o processo de substituição começa a bordejar uma lógica de busca infrutífera.
E o mundo dá sinal.
Ouvimos o ecos de sofrimentos surdos e células furiosamente desviantes no tecido social. Deambula-se entre a reacção violenta, ou a tristeza paralisante que arrasta tantas pessoas emersas no pragmático para uma necessidade absoluta do genuíno, do vivo, do presente, do sensível.
Os sinais passam incólumes e sem serem notados.
A depressão, também económica, grassa por todo o lado. Porque de alguma forma toda a gente se recusa a simplificar, criando objectivos que nem sequer estão certos de querer perseguir.
E depois esquecemos a simplicidade.
Esquecemos o que faz falta?
Não. Julgo que não.
Criamos manobras de diversão até rebentar a frágil válvula de contenção.
E depois cresce-se. Depois seca-se.
Depois encolhe-se os ombros, mata-se a vida no rio interno.
Sorri-se, quanto muito, mostrando o sol de uma manhã de puro inverno.
E lá vamos. Pé ante pé.
Prestes a revelar segredos acerca do que queremos, e que ingloriamente julgamos esquecer a cada passada pragmática.
A pertença não é bem uma escolha, julgo eu.
Sei lá... se calhar é.
Bem, a minha posição sobre a Igreja católica, especialmente o Vaticano, e provavelmente sobre todas as religiões organizadas em geral é sobejamente conhecida, pelo que não vale a pena, pelo menos aqui, reforçá-la.
Não tenho grande simpatia pelo Papa, especialmente pela sua cruzada moralista e conservadora que caracterizou o pontificado, embora reconheça que é um homem empenhado e que ao contrário de se ter refugiado no palácio dourado do estado-chupista do mundo, viajou e levou a sua palavra além fronteiras, numa demonstração de algum pluralismo. A mensagem que levava era, em alguns pontos, para além do discutível, mas enfim...
Agora falo no homem. Um homem que há muito deveria ter descido do "trono" que ocupa. Eu pergunto-me como raios é que os benvolentes católicos conseguiam ver, uma e outra vez, o sofrimento agudo de um homem sem condições de saúde mínimas, que se exaure em viagens, comunicações e compromissos. É desumano e confrangedor ver aquele homem, nos mais variados púlpitos, a recitar uma ladainha arrastada, em padecimento evidente.
Alguns argumentam que assim o faz porque quer. Bem, isso parece-me um falso argumento, próximo das correntes mais radicais de qualquer religião.
Apesar de não gostar lá muito dele, nem daquilo que representa, o Papa é um ser humano, e como tal, tem direito á sua dignidade, ao recato e descanso dos seus ultimos anos sem estar constantemente lançado num "tour de force" que o mergulha num sofrimento e esforço que custa ver.
Espero que seja desta vez que deixem o homem descansar, e que se acabem as quesílias internas quanto ao sucessor. Ou então talvez só se satisfaçam quando ele sucumbir em plena actividade, o que me parece, no mínimo, macabro e inexplicável.
Carol, meu velho, espero que te deixem descansar. Apesar de tudo, acho que o mereceste.