ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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sexta-feira, maio 13, 2005



Ignora-se com a facilidade da distância. Porque se reganha um controlo, e em última instância resta apenas a liberdade do que não mais importa.
Terrivel e inexplicável, como todas as aleatoriedades potencialmente o são.

quinta-feira, maio 12, 2005

Os sonhos com qualquer manifestação de beleza feminina são um problema.
Ocasionalmente damos com eles... e estamos bem despertos.
O nosso inconsciente não percebe o que constitui um claro conflito de interesses.
Nem para nós somos bons, sinceramente...




É um habito da malta portuguesa, com certeza.
Háuma lógica na intimidação que preclude a ideia do são e honesto confronto.
A intimidação, pela ilicitude do desiquilibrio, mostra uma dupla face. A tentação do poder, e a emergência de vinganças passadas.
Sim, porque como me disse um amigo meu, a maldade é uma puta rodada, mas que nem por isso deixa de ser subtil.
Além disso, a intimidação é fácil, e só se torna eficaz quando o confronto de forças não presume qualquer competição honesta. E como tudo o que é excessivamente fácil, ou não tem qualidade, ou cedo ou tarde dá asneira...
ESPANTO, UM OCEANO DE BABA E EGO NAS IMEDIAÇÕES DE URANO...

Meus amigos, por alguma razão, ou várias que desconheço, a fantástica Charlotte, dona e senhora do excelente e até por vezes intimidante
Bomba Inteligente resolveu dar destaque a este estaminé e consequentemente, a este vosso amigo.
Não, não vou ser elegante e deixar de dizer que não caibo em mim de surpreso e obviamente agradado por esta distinção feita por um dos melhores e mais inteligentes locais da blogosfera. Nem vou negar com uma deferência simpática que é precisamente este tipo de situações que compensam a manutenção de um blog. Quem escreve gosta de ser lido. Simple as that.
Mas daí a saber a razão exacta pela qual fui parar ao destaque, há uma considerável diferença. Mas também não me cabe a mim decifrá-la. Mesmo que conseguisse.
Obrigado querida Charlotte, por este gesto. Nem sempre estamos de acordo, mas que piada teria se assim fosse?
A todos quantos cá venham parar, aos visitantes e amigos regulares, só espero que continue a valer a pena dar cá um pulo.
Como diria Kurt Vonnegutt, "And so it goes"...
Grande e agradecido Abraço a todos
SK


Deixem-me dizer-vos uma ou duas coisas acerca da minha família nuclear.
Acerca do meu pai e mãe.
Em meio a tanta conturbação relacinal que se testemunha, os meus pais criaram uma referência esperançosa. Mostraram como se aldraba o tempo, com truques e segredos que só a eles pertencem, e reinventam na sua simplicidade uma progressão de tempo quando a vida necessariamente entra em velocidade de cruzeiro.
A discordância apenas redundou em liberdade. Liberdade de pensamente nunca ausente de disciplina. Disciplina assente na idolatria do respeito e consideração pelo próximo.
Os meus pais estão juntos há 37 anos, e mostram com a graciosidade de quem teve uma sorte incontestável e gloriosa, que por vezes o impensável pode acontecer. Que duas pessoas existem melhorando apenas quem e o que está á sua volta, e em consequência disso nunca granjearam a aprovação ou o poder de outro tipo de conquistas.
Aos meus pais que me salvaram a vida em vários momentos de minutos feitos, e que ao fazê-lo mostraram que certas coisas não se aprendem. Os meus pais não se tornaram no que para mim foram e são. Eles existem como tal desde sempre. E falar de orgulho é fazer-lhe a parca justiça de quem os admira com mil perguntas a mais em cada mão, e tanta mais ignorância relativa á forma de (saber)viver.
Não agradeço vezes suficientes, porque não o sei fazer, e eles não merecem tão pouca justiça feita. Mas crio em mim a referência que me dão desde sempre, como uma espécie de lógica emocional da simplicidade dos afectos. Como aquilo que fazemos, porque gostamos, passa por uma medida de respeito até na discordância. No verdadeiro crescimento.
Por isso deixem-me dizer uma ou duas coisas acerca dos meus pais.
Quem me dera conseguir dizer-lhes na medida em que lhes fizesse justiça.
Quem me dera saber viver com metade da mestria que lhes sai natural, sendo quem são, e criando-me a esperança de que certas coisas são possíveis.
Não é essa a tarefa de qualquer pai?
Demonstrar que o que a vida poderia eventualmente ser?
Que o impo´ssível até acontece, de quando em vez?
(IMPOSSIBLE?) WISHFULL THINKING



"Joel: I could die right now, Clem. I'm just... happy. I've never felt that before. I'm just exactly where I want to be."

Eternal Sunshine of The Spotless Mind - M. Gondry

quarta-feira, maio 11, 2005

Dizem que uma vez divididos, não há nada a subtrair.
É um pouco como restabelecer a nossa identidade a partir das coisas que nos reconhecemos. Como prática onanista, padece precisamente do mesmo problema. A auto-suficiência, a longo prazo, é uma falácia.
Bem sei que existe uma espécie de louvor omnipresente à identidade e ao isolamento como formas de reforço da auto-confiança ou do valor próprio. Mas a verdade parece-me clara.
A outra face da auto-suficiencia é um corredor de fundo que cedo ou tarde apanha toda a gente. E ao fazê-lo, as conclusões, minadas pelo cansaço e silêncio, são toldadas até se tornarem um murmúrio inaudível.
E precisamente por isso que o protesto não é então ouvido, e tudo se precipita para um fim.
Feliz ou não, depende da reserva que não dividimos. Depende da ulterior massagem do futuro.
Depende de cada um, acho eu.
EXORCISMOS





You've got your ball
you've got your chain
tied to me tight tie me up again
who's got their claws
in you my friend
Into your heart I'll beat again
Sweet like candy to my soul
Sweet you rock
and sweet you roll
Lost for you I'm so lost for you
You come crash into me
And I come into you
I come into you
In a boys dream
In a boys dream
Touch your lips just so I know
In your eyes, love, it glows so
I'm bare boned and crazy for you
When you come crash
into me, baby
And I come into you
In a boys dream
In a boys dream

If I've gone overboard
Then I'm begging you
to forgive mein my haste
When I'm holding you so girl
close to me
Oh and you come crash
into me, babyAnd I come into you
Hike up your skirt a little more
and show the world to me
Hike up your skirt a little more
and show your world to me
In a boys dream.. In a boys dream
Oh I watch you there
through the window
And I stare at you
You wear nothing but you
wear it so well
tied up and twisted
the way I'd like to be
For you, for me, come crash
into me

Dave Matthews - "Crash"


No Comments
Not able to do so at this time.
Steve Nash é o MVP da NBA deste ano. Baixo, não é especialmente forte, nem salta grande coisa. Tem um controle de bola absolutamente espantoso, e um lançamento certeiro.
Um triunfo da garra, do talento para além do impensável e de uma mistura entre loucura, uma visão e inteligência para o jogo que talvez só seja comparável a esse grande mito que é Larry Bird.
Grande, grande, grande Steve Nash. É o segundo "estrangeiro" (Nash é canadiano) a ser galardoado com este troféu MVP, tendo sido precedido por Hakeem Olajuwon, para mim o melhor poste/centro/jogador5 de sempre da NBA.
Go Phoenix! Só por isto, seria engraçado vê-los ganhar este ano, mas não só. Jogam o basquetebol mais divertido e espectacular da liga.


Máximas ao pequeno almoço.


"A petulância é uma taça de irreverência coberta de compacta estupidez."

terça-feira, maio 10, 2005

DAYDREAMING




Só falta um livro de W.H. Auden, a colecção "Sandman" do Neil Gaiman e o Slaughterhouse 5 debaixo do braço, uma roupa de Verão, e estar sentada numa esplanada a beber um Vodka Absolut "straight", enquanto espera pela reposição do American Beauty, do Big Fish no Monumental, ou do "Sonho de Uma Noite de Verão" no palácio de Queluz...
SPORTING A UM PASSO E FINALMENTE UM IRMÃO
Ontem em Alvalade, com o meu irmão.
Como já vos tinha dito, tenho-o de volta, e neste momento, mais do que nunca, a presença, contributo e companhia são fundamentais, prazenteiras, e um alívio depois de cinco anos de ausência.
Os irmãos mais velhos podem significar conceitos dispares para cada pessoa, tendo em conta um historial feito de tantas coisas quantas as experiências partilhadas. A verdade é que normalmente se tornam uma referência, ainda que as diferenças sejam assinaláveis.
Mas de alguma forma, o seu retorno prova isso mesmo. Porque mais que a presença física, está em vias de retornar alguém que torna os locais melhores e diverte com o seu mau perder, teimosia de aço e auto-confiança inabalável.
É que sabem, nada disto lhe retira a humanidade e generosidade, não obstante as tentativas de anos a fio por parte tantos que o rodearam.
Não, não há paralelismos com o Sporting.
Mas ontem foi a primeira vez que fomos a um estádio, só os dois.
E muitas coisas que lá se passaram, não conseguiria explicar-vos.
Um dos meus blogs favoritos, o Barnabé , adoptou um sistema para os comentários que mais me parece um tiro no pé.
A obrigatoriedade de um sistema de registo, embora tenha a sua lógica, afasta muitos dos comentadores ocasionais, e alguns dos regulares, porque as pessoas simplesmente não estão para perder tempo a registar-se em algo que nem sabem bem o que é.

Não coloco em causa de forma alguma a ideia que assistiu a esta inovação, mas a eficácia parece-me duvidosa. Basta olhar para o número de participações nos posts, e constatar isso mesmo.

Amigos, vejam lá se mudam isso.

Um Abraço

SK
DEMENTIA PREACOX

"Amor da tua vida ou o Jackpot do Euro Milhões?"

"Espera aí um instante... Vou ter de ter uma "conversinha" com aquele gajo do governo civil..."

segunda-feira, maio 09, 2005

Por objectivos.
Dizia-me uma amiga que por vezes não temos outra solução que não seja regermo-nos por objectivos. Por indicadores.
Faz sentido. A progressão, ou a sensação de que estamos mesmo no seio desta, é o móbil de qualquer vida. Nada se compara a uma viagem. Ao deslocarmo-nos de um ponto para o outro. O conseguir, tornando-nos diferentes. Mais completos, infelizes, questionadores, ansiosos, cobiçosos.
Por objectivos.
É precisamente por isso que se é feliz a espaços. Porque as viagens também terminam, e há que constituir bagagem para a próxima.
A infelicidade é a ausência de bilhetes em cima da mesa.
A propósito do programa de ontem do Júlio Machado Vaz, recordo algumas das questões que sobrevieram à discussão que surgiu.
Falamos em modos diferentes de gostar das pessoas, e das traduções fácticas desses estados emocionais. No fundo, defende-se o relativismo necessário da formas de manifestação, como elemento necessário da diversidade intelectual.
No entanto pergunto-me até que tempo essa forma de amar, de conceder ao outro aquilo que somos nós, pode ser relativizado ao extremo, e colocado como uma escolha legítima.
Existirá mesmo uma total ausência referencial dos modos de gostar de uma pessoa?
Ou será a compatibilidade apenas uma lógica implacável, relativamente à qual nem vale a pena estabelecer directrizes?
"Desperation is like stealing from the Mafia: you stand a good chance of attracting the wrong attention."

Doug Horton

sábado, maio 07, 2005

Andar perdido não é um temor abstracto.
É uma festa maldosa.
Não sabe quando nem porque se é convidado.
Ou pior.
Na maior parte dos casos podemos ser os anfitriões inconscientes.
Ao encontrar-me no rescaldo de um período de tempo durante o qual me certifiquei a cada instante da afeição que me une a uma série de pessoas, concluo que só posso esperar que as escolhas efectuadas por cada um se demonstrem em si mesmas como legítimas e justificadas.
Porque ao celebrar-se os sorrisos das pessoas de que se gosta, e aceitando a finitude necessária de alguns esforços, só é possível esperar que quem realmente os estime, entenda porque são feitos.
Que seja possível entender que os erros e más interpretações assentam numa teimosia muito clara. Pelas pessoas. Por algumas, pelo menos.

E que no fim, será isso que ao restar, definirá a potencialidade da vida como um circulo de objectivos.
Como um local antes visto, mas que nunca ficou igual.
Felizmente.