Ainda a propósito daquilo que as pessoas podem querer noutra:
A teoria do culto da bela e monstro, na personificação do homem elefante como possível amante, quero eu crer que se trata apenas de uma hipérbole para provar um ponto de vista. Porque a não ser, então estamos na presença de um fenómeno perante o qual eu faço uma vénia em reverência. A questão é que existe esta espécie de alergia á identidade física como sendo parte da constituição da pessoa total, e por conseguinte, como elemento de atracção ou fundamento para o desenvolvimento de paixões ou mesmo amor.
A teoria do culto da bela e monstro, na personificação do homem elefante como possível amante, quero eu crer que se trata apenas de uma hipérbole para provar um ponto de vista. Porque a não ser, então estamos na presença de um fenómeno perante o qual eu faço uma vénia em reverência. A questão é que existe esta espécie de alergia á identidade física como sendo parte da constituição da pessoa total, e por conseguinte, como elemento de atracção ou fundamento para o desenvolvimento de paixões ou mesmo amor.
Não, não vou cavalgar a onda do politicamente correcto, e sobretudo, tendo em conta que no mundo de hoje a exigência feminina cresceu brutalmente ( e em meu ver bem - a barriga e o ar desconchavado já eram, e elas sabem-no bem), a ideia de que qualquer espécie de identificação física é necessária parece-me irrefutável.
Se alguém consegue efectivamente sentir alguma coisa por alguém que não lhe transmite qualquer sensação de atracção física, então dou os meus parabéns, mas não vou aceitar a estigmatização primária ( a da cabeça de baixo é de facto infeliz) aplicada a quem exige um elemento de beleza física que lhe seja subjectivamente agradável.
A mulher que mais amei até hoje provavelmente não era nenhuma brasa, mas eu achava que sim, que o era. Tinha uma silhueta que me tirava do sério, o sorriso era fantástico, havia harmonia no corpo, no cabelo,em toda a pessoa física. Para mim era lindíssima, e talvez para a pessoa ao lado não o fosse. Mas que existiam elementos objectivos dessa beleza? Pois claro. O corpo era firme, a silhueta elegante. Tudo o resto podia ser magia levada a cabo pela forma como ela me consigra fazer olhar para ela, à custa da pessoa que era, da brilhantez do seu pensamento, da sua sensualidade e da forma como usava o sarcasmo. Mas estava lá.
A situação é muito clara.
Nos ultimos anos as companhias de cosméticos e cuidados pessoais viram as suas quotas de mercado subir tremendamente, porque os homens entraram no mercado. As mulheres começaram a exigir a barriga lisa, o perfume, a pele em condições, e mais coisas.
Será isto mau?
Será mau exigir isso, como exigir sentido de humor, inteligência, humanidade e sensualidade intelectual? Ou tudo e parte do conjunto que se aprende a gostar, amar ou simplesmente ao que atrai?
E sinceramente, porque será que quando se fala em comer por comer, o ideal sensual tem de lá estar, mas isso pode estar arredado da pessoa que eventualmente se ame? Não será isto uma contradicção em termos? Mas eu quero que uma desconhecida me dê mais tesão abstracto do que a pessoa que eu amo ou possa vir a amar?
Indo buscar o brocardo cliché de todos os tempos, a mens sana in corpore sano é afinal de contas uma noção de completo na pessoa. Se essa noção de completo passa por barrigas e uma total ausência de elemento físico, então o seu a cada um e todos felizes. Mas estigmatizar as pessoas que procuram algum elemento físico ( mínimo para si!) como sendo alimárias primitivas que só pensam com as feromonas é um preconceito próprio do feminismo na sua pior faceta, ou seja, uma substituição em troca de género com o machismo, numa espécie de lógica paternalista e um complexo de superioridade indefensável.
Homens e mulheres são e deve ser sempre iguais nos seus direitos objectivos e na salvaguarda de tudo o que diga direito à protecção e desenvolvimento da pessoa humana - trabalho, direitos de cidadania, progresso, acesso à informação e riqueza, etc, etc, etc - e nao propalar-se uma qualquer superioridade que não existe. São diferentes, e felizmente, propensos à complementaridade, embora se insista numa espécie de competição ao velho estilo do bolinha e luluzinha. Aproveitar os contributos das características próprias dos géneros só nos pode enriquecer. Cavar trincheiras só fará o contrário.
Sinceramente, acho que o elemento físico (mínimo)é imprescindível, e que qualificar as pessoas que o exigem ( porque também têm para dar ou esforçam-se nesse sentido) como sendo inferiores e menos elucidadas relativamente ao que a natureza human tem de melhor, é preconceito, e como tal, sem justificação. Para informação pertinente, uma mulher que seja somente corpo e zero de alma ou inteligência nem sequer serve para "comer", usando o léxico já previamente referido. Portanto, o que interessa é a complementaridade - corpo e alma numa harmonia mínima que apaixone - e como tal subjectiva. As mulheres não precisam de mim para nada, assim como eu não preciso delas para nada. Mas a diferença é que as quero porque gosto delas, porque as minhas melhores amigas são mulheres e porque me fascinam o contributo que trazem à minha vida.
Espero ter-me explicado convenientemente. Exijo aquilo que sei que me afecta, impressiona e emociona. Porque somos todos corpo e alma, e negar isso, é cortar a pessoa ao meio. Mas o seu a cada um.
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