ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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quinta-feira, setembro 29, 2005

Julgo que podem existir milhares de formas para se lidar com aquilo que nos vai acontecendo. Aquilo que acontece e que nos muda a vida não tem propriamente um arquétipo definido. Não pede opinião. Não faz grandes apresentações. Escorregamos pelos acontecimentos como um reflexo falhado de equilíbrio, conscientes da queda, mas sempre com a esperança de que o impacto não se dará. Claro que quando a dor se instala, e percebemos que a previsão estava certa, a surpresa instala-se sempre.
Há algo de estranho e sempre intrusivo na dor pessoal. Aparece, sorri com dentes afiados, deixa as marcas e desaparece, fazendo com que o tempo em que a alojámos pareça sempre perdido, ao contrário de umas quantas e interessantes teorias de construção pessoal.

Tretas.

As dores de crescimento nem sempre são necessárias ou fazem sentido. É ao contrário, por acaso. As dores de crescimento e dita construção pessoal que se justificam como tal são poucas, e têm um sabor misto. E são normalmente aquelas que esquecemos porque as transformamos no esforço necessário para ter atingido alguma felicidade, ainda que a espaços.

E as outras?

As outras ficam, fazem estragos, e desdramatização alguma consegue reparar alguns dos fragmentos que se soltam. Gostaria de dizer o contrário, é verdade, mas nunca recuperamos algumas coisas. Transformamo-nos, e com esperamça, melhoramos. Mas nunca mais somos o que fomos, e isso deixa sentimentos mistos de nostalgias confusas. Pelo menos não é linear que cresçamos. Que mudamos sim, mas o sentido só mais tarde se pode aspirar a entender. Acho eu...
A força de uma mentira depende da convicção com que a depositamos no outro e a credibilidade intrínseca. A credibilidade depois divide-se em dois factores para que a mentira resulte.
Ou tem de ser de tal forma absurda que ninguém teria a coragem de a mencionar como sendo um facto real, ou está de tal forma escorada numa credibilidade do senso comum que a argumentação corroborativa assemelha-se a um colete à prova de balas.
Vá lá, quantos de nós já não pensaram que aquilo que alguém nos dizia era tão quimérico que ninguém se atreveria a tentar vendê-lo a menos que por alguma alta improbabilidade da vida, tivesse realmente acontecido?

quarta-feira, setembro 28, 2005

Em qualquer forma de esperança não há outra hipótese senão sublimar o impossível e defender o improvável.
Alguma alma caridosa pode ajudar-me a impedir que o spam publicitário nos comentários prolifere?

Muito agradecido:)



Qual Top Model, qual actriz de cinema, qual raio que o parta.
Esta senhora...
E depois é ouvir-lhe a voz e multiplicá-la por tudo o que possam imaginar.


SLOW LIKE HONEY
'Words & Music: Fiona Apple

You moved like honey in my dream last night
Yeah, some old fires were burning
You came near to me and you endeared to me
But you couldn't quite discern me

Does that scare you?
I'll let you run away
But your heart will not oblige you
You'll remember me like a melody
Yeah, I'll haunt the world inside you
And my big secret -- Gonna win you over


Slow like honey, heavy with mood
I'll let you see me, I'll covet your regard

I'll invade your demeanor
And you'll yield to me like a scent in the breeze
And you'll wonder what it is about me
It's my big secret --

Keeping you coming slow like honey, heavy with mood
Though dreams can be deceiving

Like faces are to hearts
They serve for sweet relieving
When fantasy and reality lie too far apart
So I stretch myself across, like a bridge

And I pull you to the edge
And stand there waiting
Trying to attain
The end to satisfy the story
Shall I release you?
Must I release you?
As I rise to meet my glory
But my big secret

Gonna hover over your life
Gonna keep you reaching
When I'm gone like yesterday
When I'm high like heaven
When I'm strong like music 'Cuz
I'm slow like honey, and
Heavy with mood

terça-feira, setembro 27, 2005

Don't keep your good luck to yourself.
Blue

"I didn't want to know
I just didn't want to know
Best to keep things in the shallow end
Cause I never quite learned how to swim
I just didn't want to know
Didn't want, didn't want,
Didn't want, didn't want
Close my eyes just to look at you
Taken by the seamless vision
I close my eyes,
Ignore the smoke,
Ignore the smoke,
Ignore the smoke
Call an optimist, she's turning blue
Such a lovely color for you
Call an optimist, she's turning blue
While I just sit and stare at you
Because I don't want to know
I didn't want to know
I just didn't want to know
I just didn't want
Mistook the nods for an approval
Just ignore the smoke and smile
Call an optimist, she's turning blue
Such a lovely color for you
Call an optimist, she's turning blue
Such a perfect color for your eyes
Call an optimist, she's turning blue
Such a lovely color for you
Call an optimist, she's turning blue
While I just sit and stare at you
I don't want to know

Maynard James Keenan

segunda-feira, setembro 26, 2005

Ser livre é uma forma de estar. É perceber que aquilo que nos mantinha agarrado a certas ideias pode sempre voltar, mas que decidiu ir-se embora. Passou adiante, como um predador já saciado que cheira a caça apenas como forma de reconhecimento do ambiente.
Estão lá os dentes, e o risco da ilusão de liberdade parece demasiado premente.
E no entanto está instalada uma espécie de serenidade estranha. Os acontecimentos passam à nossa frente como o resumo alargado de um filme. Estão lá os pormenores de realização, as cenas mal cortadas, as excruciantes, as desnecessárias, as belas, as que fazem valer a pena ter a noção de algo concluso.
Ser livre é entender ao máximo, no âmbito da frieza da realidade, aquilo que passamos a ser capazes de entender, onde antes apenas se combatia e criavam quezílias internas. É olhar para caminhos pedregosos e não desdenhar da suposta estupidez que leva alguns a trilhá-los.
Ser livre não é viver sem medo, mas abraçar a sua proximidade como um risco enimente. É dançar bêbedo num beiral que se torna um pouco mais largo, não sendo capaz ainda assim de deter o vento frio que denuncia o vazio mesmo ali ao lado.
Ser livre é perceber que nas amarras protectoras existem nós corroídos, elos ferrugentos que se partem perante a força de outra coisa maior que a imobilidade.
Ser livre é ter a noção de que o processo de transformação das dores pessoais nada mais é que uma teimosia, a qual só resulta quando julga que dela desistimos.
Quis ser livre durante um largo período de tempo. Porque acho que devemos isso a cada um de nós, num pressuposto claro de evidências e lógicas internas, no caminho para o potencial. Em sublimação, pelo menos sempre que possível.
Ser livre não é sonhar.
É perceber que acabamos de acordar, e nem tudo é absolutamente distinto dos alicerces dos nossos delírios.
Ser livre é não ter a certeza, e ir assim mesmo.
Porque volta a fazer sentido a viagem.
Seja ela qual for.

sexta-feira, setembro 23, 2005

A propósito deste post de um amigo meu, gostaria de falar um pouco sobre o tema que ele adianta.
Existe todo um debate em torno da questão, que mais me parece ir de encontro ao que são os códigos tradicionais. A metrossexualidade, ou qualquer outra designação que tenham convencionado atribuir-lhe, parece-me apenas uma evolução lógica. Tem um significado real do que é evolução tendente à igualdade não redutora. Em melhores termos, aquela que respeita as faces desejáveis da necessária diversidade entre géneros, mas nunca os limita na busca de uma evolução intrínseca, e obviamente, numa melhoria da relação com os outros.
Existem mulheres que fogem a sete pés do novo especimen, e outras que agradecem o advento do cuidado mínimo com a aparência. (E sim, as mulheres também são seres visuais, voyeurs e estetas pronta a qualificar e sntir os impactos de algo que pode ser o mínimo do seu paradigma.)
A verdade é que, á semelhança do que diz o meu amigo, o metrossexual propriamente dito não existe. Ou a existir, é apenas o produto de um estereótipo inventado pela malta que insiste em manter uma fidelização ao macho latino e cria uma espécie de ícone pronto a ser atacado, especialmente porque não existe.
Como tudo na vida, a conta peso e medida de qualquer conceito. Qualquer afectação ou exagero entra no plano do rídiculo e do conceito pronto a seer engolfado pela chacota.
Mas desenganemo-nos se de alguma forma a evolução das coisas nos pode deixar indiferentes perante aquilo que passa a ser exigido de nós. Malta, acordem para a vida. As mulheres também têm a sua quota parte de exigência. E embora possam ser mais generosas e miopes quanto ás nossas limitações físicas, a verdade é que também fazem as suas exigências, e começam a traçar os seus limites.
E sinceramente, acho bem. Acho que não é plano isolado de um qualquer género a capacidade e preocupação com a sua evolução e melhoria pessoal, seja em que plano for. Sim, porque essa designação do chamado homem moderno também compreende a evolução da sua sensibilidade ao nível da cultura, da mentalidade, da abertura de horizontes. Aquilo que é apelidado de metrosseuxualidade nada mais é que uma reinvenção daquilo que aconteceu no renascimento onde homens como Giordanno Bruno eram filósofos, matemáticos, pintores, mas também atletas. Ou seja, a evolução e a melhoria de motivação intrínseca no sentido de ir ao encontro de algo melhor, de si para si próprio, e por inerencia, para com os outros. E mais propriamente as outras.
Por isso, e na linha do que diz o meu amigo, a associação da metrossexualidade com a homossexualidade tem dois gravíssimos problemas:

1 - É feita como se a segunda fosse algo de pernicioso que transpira para a primeira

2 - É um estereótipo criado para tranquilizar a inércia de certas pessoas relativamente ao que é uma evolução natural, sem exageros ou afectações. Para certas pessoas, o esforço para estar melhor (fisica e intelectualmente) é supostamente eivado de um artificialismo evidente. Tal conclusão é injusta. Estarmos melhores perante nós e mesmo perante aqueles que connosco interagem é até uma medida de respeito para com todos os envolvidos.

Claro que no fundo, cada um vive como quer, e isso é perfeitamente legítimo.
Mas qual é o problema no facto de os homens quererem evoluir, estar melhores, ir mais longe? Em cuidarem de si mesmos?

quarta-feira, setembro 21, 2005

A baixaria que tem sido o debate político, e já agora porque não toda a esfera politizada da nossa sociedade, reflete, mais do que qualquer coisa, um estado de apatia e desencanto perante as realidades. Reflete o encolher de ombros simbólico de um povo que agoniza ao colocar o primeiro joelho no chão.
Que a chuva traga melhorias, porque o sol só acentua as sombras esconsas do país.
Os textos anteriores foram os ultimos textos do Verão que morre amanhã.
Doravante, o laranja é a cor do Outono.

Ab Imo Pectore, Ad Absurdum...
Acho que de uma certa forma, a amizade é um acto de vontade.
Pode fazer-se alguma coisa por ela.
Pode fazer-se muito mais esforços.
Controlar mais fenómenos de comportamento.
Uma amizade pode querer-se na totalidade, e aceitar-se nesse outro tanto.
Uma amizade satisfaz mais do que dói, e por momentos, pode quase enganar ao ponto de se pensar que nada mais que ela é necessário para que a imensa fome de alma que por vezes temos fique queda e saciada.
Mas somente quase... é uma ilusão quase perfeita. Quase...
Porque de uma certa forma, nunca sabemos até que ponto podemos ser ultrapassados por nós mesmos. Os nossos desejos brincam connosco, fazem-nos voar ou enterram-nos em escuridão opaca. Dançamos a sua musica como se nada mais pudéssemos ouvir.
E nessa redoma de encantamento, nessa parcela de mundo que pode realmente isolar-nos, talvez só a amizade possa entrar. Porque será ela que acabará por nos vingar sempre, quando a ilusão termina e deixa aquela voraz insaciedade. Aquela que muitos dizem que o tempo cura, mas que bem vistas as coisas, só piora, até que apodrece e se esquece, porque a substância sonhada deixa de ter o formato pelo qual foi amada.
No fundo, é um processo de substituição, nunca de esquecimento. Porque esse momento deixa-nos sempre de alguma forma perdidos nem que seja pela reiterada memória que dele possamos ter.
E aí, como em tantas outras coisas, a amizade pode ser a única coisa que possa fazer algo semelhante a um salvamento.
A pior coisa que existe para qualquer forma de amor é a inalterabilidade.
O inapelável.
A simples ideia de que não existe coisa alguma que se possa fazer para chegar ao reduto da vontade do objecto do desejo.
No fundo é ausência de razões perante a inviolável liberdade da outra pessoa. Pede-se uma tarefa para superar, mas ela nunca chega. Os amantes, julgo eu, desesperam precisamente quando a perda é irreversível.
E por duas razões.

A primeira, porque a inércia forçada cria um senso de impotência dupla – pela vontade em aceitar desafios maiores que a vida, e por entender que não existe nenhum que seja eficaz, aumentando assim a sensação de inutilidade.

A segunda porque de alguma forma o amor atinge o seu ponto mais elevado quando se apresenta inacessível. Para algumas pessoas, a intolerabilidade do sofrimento acessório é uma realidade tão presente como a verificação do sentimento. As pessoas rendem-se no campo de batalha, precisamente quando já não há inimigo. E o querer atinge as fronteiras do desespero.

É estúpido e de alguma forma ilógico. Gosto de pensar que muitas pessoas, (e incluo-me nelas), aceitam a continuidade da dor e irreversibilidade até criarem anticorpos absolutamente eficazes. Um amor real que se consiga esquecer realmente nunca retorna. É a morte no seu estado puro.

sexta-feira, setembro 16, 2005

I guess we all did it some time...

I haven´t done it for months now, and don't have the need anymore, but I'll always understand the impulse.
Tenho estado incapaz de manter uma regularidade no blog.
Por toda a espécie de motivos imagináveis.
Mas está para breve um regresso em força.
Espero...

quarta-feira, setembro 14, 2005


(foto - Filipa Oliveira)


A Dor.

A dor não é mitigável. Quando é real é bruta, incontida. É um dente farpado da realidade, cravado numa infecção envelhecida. A dor aparece sempre injusta. Aparece como o reflexo de uma desordenação do estado natural de tudo. Escapa ao entendimento por ser uma imaterialidade constituída por um mau estar. Uma sensação.
A dor é sempre uma via dual. Alguém é sempre responsável e alguém responsabilizado. A dor real é o conjunto de todos os segundos de solidão concentrada num esgar de mal-estar produzido por um qualquer deus interno e obscuro.
A dor é subestimada. Encarada como um luxo. É uma espécie de muleta aos discursos socialmente correctos e interpretativos da necessária alternância de sorte. Pior ainda, em muitos casos é ignorada como um recorte de personalidade.
A dor não pede licença. E não se combate. A dor é o abraço de um porco-espinho ferrugento, o perpassar de todas as mágoas de todos os conceitos num filamento afiadíssimo cujo corte, inclemente, teima em permanecer.
A dor não é relativizável. A dor é sempre relativa ao observador, e é talvez a maior injustiça quando o seu surgir está sempre precedido da total incapacidade de a afastar. Não salvamos, e mesmo não culpados, aparecemos sempre como responsáveis.
A dor é a reprodução do inferno em que se tornam os outros. É um instante. Terrível e inexplicável. Sem pretensões a razoável, mascara-se de eterna, como qualquer outra emoção real.
A dor colhe todas as estrelas num céu nocturno e deixa apenas a escuridão. No seu esplendor, é uma massa intransponível e incompreensível, como a ordem ilegítima de um tirano sem rosto sequer.
A dor é em si mesma um mundo, que ao sentir alheio parece até bela, cheia de significado.
Mas a certo ponto é uma inutilidade destrutiva. O veículo para os recortes derrotados e horríveis de todos os conceitos-chave.
A dor é parcialmente necessária, porque a alternância é o estado de sobrevivência obrigatória da alma.
Mas à semelhança do Diabo, o seu maior truque é convencer toda a gente da sua mitigada existência.
A dor está lá, e em momento algum, quando é real e carnívora, se desejaria que assim fosse.



terça-feira, setembro 13, 2005



"Beauty ought to look a little surprised: it is the emotion that best suits her face. The beauty who does not look surprised, who accepts her position as her due -- she reminds us too much of a prima donna."

Edward M. Forster

Eu sabia que alguém sabia...

sexta-feira, setembro 09, 2005





Deparei-me com ela no outro dia. Escondida num jardim anónimo. Estava ali, e olhava-me. Fixamente. Os recortes desencontrados da sua perfeição, as cores cortadas do tecido real por mãos de artesanato. Criada assim sabe-se lá porquê.
Existiam outras rosas á volta. Algumas delas até maiores, mais esplendorosas, mas esta estava ali, centrada como num instante de antecipação de climax. Perfeita porque naquele instante parecia não poder ser outra. Assim, encontrada involuntariamente.
Poderia pensar árdua e longamente acerca de um instante involuntário e perdido assim numa perfeição subjectiva. Mas longe vão as perspectivas optimistas da necessidade do equilíbrio no decurso da realidade como a conheço.
Por vezes acontece o mesmo com as pessoas. Deparamo-nos com aquilo que emanam, o que deixam transparecer no seu cocktail de tendências contraditórias, e aprendemos a gostar do seu cunho impossível de prever. Dos seus elementos, perfeitamente alinhados em discórdia como a impensável arquitectura de pétalas desta flor que me meteu comigo.
Não a pude deixar em paz, e avaliar pelos índios norte americanos, atrevi-me a roubar-lhe um pouco da alma, sabendo que a vida lhe era curta. Com pessoas assim, feitas de tantas camadas, temos mais sorte. Normalmente perduram mais, ou pior ainda, nunca murcham. E capturamo-las na memória exactamente da mesma maneira. Como artesanato da natureza oferecida num esplendor fugaz, provocador e lancinantemente belo.
Tirei a fotografia e não repeti o estalido do obturador. Parecia-me que tinha ficado assim num único segundo, e ela nunca mais me deixaria tê-la ou persegui-la daquela maneira. Percebi que ela se expunha, que dançava assim, em cores, convicta de que o meu reconhecimento do seu poder era quase absoluto. Num segundo, num instante, num compasso de vida.
Algumas pessoas são assim.
Surgem como se nunca as tornássemos a ver. Marcam cada passo á volta do nosso espaço como pegadas em cimento de secagem rápida. Criam a ilusão da partida eminente, mesmo que saibamos que estarão ali por muito mais tempo. Obrigam-nos a criar através delas, roubando o seu efeito e transformando-o em qualquer método de expressão do incomunicável, pelo menos em termos de lógica. Somos tentados a cada segundo a fazer-lhes justiça. Mortos se ficarmos quedos.
Esta flor já morreu há algum tempo. Murchou como a Lauren Bacall, que em tempo algum nos deixa esquecer a sua imponência, jocosa da nossa imperfeita juventude.
Passei pelo mesmo jardim anónimo, e ela não estava. Como o melhor dos instantes que não se repete, o vazio incomodou-me. A nostalgia de um instante de imaginação não se torna menos dolorosa por isso mesmo. Picasso sabia-o, "porque tudo o que se pode imaginar, é real".
A minha esperança é que com as pessoas, isso seja algo diferente.
Será?
Run! He's got a Towel!!!!





Monty Python all the way!!!

Creio que muita gente não gostará deste filme, mas eu deliciei-me com o nonsense e a delirante imaginação de Douglas Adams. Marvin, o robô depressivo é um absoluto clássico.
Vão ver, a sério. É uma experiência.
Estão enganados os moços....


You are .jpg You are very colorful.  Sometimes you forget things, or distort the truth.  You like working with pictures more than words.
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