Julgo que podem existir milhares de formas para se lidar com aquilo que nos vai acontecendo. Aquilo que acontece e que nos muda a vida não tem propriamente um arquétipo definido. Não pede opinião. Não faz grandes apresentações. Escorregamos pelos acontecimentos como um reflexo falhado de equilíbrio, conscientes da queda, mas sempre com a esperança de que o impacto não se dará. Claro que quando a dor se instala, e percebemos que a previsão estava certa, a surpresa instala-se sempre.
Há algo de estranho e sempre intrusivo na dor pessoal. Aparece, sorri com dentes afiados, deixa as marcas e desaparece, fazendo com que o tempo em que a alojámos pareça sempre perdido, ao contrário de umas quantas e interessantes teorias de construção pessoal.
Tretas.
As dores de crescimento nem sempre são necessárias ou fazem sentido. É ao contrário, por acaso. As dores de crescimento e dita construção pessoal que se justificam como tal são poucas, e têm um sabor misto. E são normalmente aquelas que esquecemos porque as transformamos no esforço necessário para ter atingido alguma felicidade, ainda que a espaços.
E as outras?
As outras ficam, fazem estragos, e desdramatização alguma consegue reparar alguns dos fragmentos que se soltam. Gostaria de dizer o contrário, é verdade, mas nunca recuperamos algumas coisas. Transformamo-nos, e com esperamça, melhoramos. Mas nunca mais somos o que fomos, e isso deixa sentimentos mistos de nostalgias confusas. Pelo menos não é linear que cresçamos. Que mudamos sim, mas o sentido só mais tarde se pode aspirar a entender. Acho eu...




