ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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segunda-feira, janeiro 30, 2006

Neve = arquitectura lacrimal como suspeita de criatividade divina.
No que te reinventaste, está a lógica do que sempre foste.
Simplesmente resolveste mostrar.
E é por isso que a morte não é uma opção.
E então o céu começou a desfazer-se em farrapos brancos. Parecia que mãos enormes se ocupavam de picotar as nuvens com milhões de alfinetes gelados, povoando a terra de um frio belo.
As pessoas sorriam, e o cenário transformou-se, porque nada nos seus devidos lugares estava habituado a esta mudança de cenário. As árvores, as estradas, os carros, os animais de rua, todos se posicionavam numa estranheza simpática pela novidade que o dia havia trazido.
Havia um brilho diferente, uma espécie de carícia gelada do dia para aqueles que agradeciam de forma simples algo de comum na natureza, mas tão aparentemente deslocado.
A neve caiu, ainda por cima no meu dia de aniversário. Aliado ao calor que nem sei como agradecer da parte de alguns, várias coisas se conjugaram, e por vezes vemo-nos na contingência de olhar para as realidades da única forma que podemos.
Em admiração por aquilo que é transcendentemente belo e compensador, mas que o faz sem nos dar cavaco.
Domingo foi um dia branco em todos os sentidos, e por vezes seria inacreditavelmente autista não se agradecer pelas coisas simples que marcam memórias perenes, em geral, a todos quantos se preocuparam, sendo natureza ou Homem, em provocar-me um sorriso.
Obrigado. :)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

The status-quo definition song...


The Path

Souls they float like the memories I've opened
Go and kiss all the butterflies I've broken
Sow their wings to the coat of my misfortune
Grow to reach the plains I have only spoken

I'm walking on a river
I'm handing out the bread to my father's son
I'm looking at this lonely land
And I'm standing in the eye of a hurricane

Waterfalls upon my hair
Wash away all the tangles in my head
I look inside the poolIt's my reflection
Now I've reached a higher place.

I'm tearin' down a temple
Be alright, gonna build me another one
Won't see me getting tired
I'd break my back just to be inside again
Be inside again...Be inside again...Be inside again...
Well I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
And now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone...

Manmade God

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A descoberta dos outros é a revelação do que afinal, e dialecticamente falando, não somos.
Há quem diga que os homens, em termos de infidelidade e concorrência, temem menos uma mulher que outro homem. Aliás, e peço desculpa se generalizo um pouco, parece-me ser essa a convicção reinante. Se não for, óptimo. É porque concordam comigo, já que eu não comungo dessa ideia.
Uma mulher é um adversário equiparado ou ainda pior que outro homem. Talvez haja aquela desculpa que interiormente nos diz - " bem, se fui trocado por uma mulher, é porque aquilo que a minha namorada queria eu nunca lhe poderia ter dado de qualquer forma". É um bom argumento, mas não é exacto. É precisamente porque uma mulher pode dar a outra aquilo que nós simplesmente não podemos que a torna uma concorrente temível. Com um homem podemos concorrer em termos de igualdade de armas, ou pelos menos, equiparação. Com uma mulher, concorremos na base da opção. Temos umas coisas para dar, e ela tem outras. Não há hipótese de uma concorrência directa, mas apenas como duas linhas que correm paralelas, sem nunca se tocarem.
Além disso, as mulheres conhecem a anatomia feminina. E por muito bem ensinados que estejamos, ou ansiosos por aprender e seguir instruções, não sabemos como é ser mulher, o que outra mulher sabe perfeitamente. E mais do que a anatomia, conhecem intimamente aquilo que Nick Hornby chamava o "Garden Variety Woman Schizoshit", o que representa uma vantagem imensa!
Portanto, a mim pessoalmente, o facto do meu concorrente ser uma mulher não me descansa de forma alguma. Aumenta a preocupação e o cuidado, sendo que estamos em última instancia a concorrer contra nós próprios, obrigando-nos a tentar mostrar o quão melhor será a nossa opção em detrimento da outra.
E em última análise, as mulheres são ferozes competidoras, o que me faz realmente pensar a razão pela qual muita gente fica mais descansada ou aliviada se a perda ou desvio for com alguém do mesmo sexo que o parceiro.
A nossa linguagem ou rituais urbanos produziram uma espécie dual de pessoa, ao qual designámos de maluco. E diga-se desde já que não se trata daquela pessoa com perturbações mentais graves, esquizofrenias, oligofrénicos, dementia preacox, etc...
Não, falo daquela pessoa que assume um comportamento um pouco mais alheado dos protocolos ditos conveninentes ou comuns, e que como tal recebe um rótulo de maluco.
Este rótulo até é bem visto pela grande maioria das pessoas na sua vertente positiva, rebelde e brincalhona. O maluco(a) é um tipo de tem um livro de regras um pouco diferente dos outros, que fala, veste-se, e se comporta de forma diferente da grande maioria. Quando se fala dele, toda a gente sabe quem é, e o que provavelmente terá feito perante uma qualquer situação. É o gajo que vai de fato é ténis para o casamento da tia da Quinta da Marinha, guia um carro como se fosse o Automan, e tem geralmente pouco cuidado com a integridade física. É efusivo, assertivo e honesto ao ponto de ninguém lhe levar a mal as brechas na hipocrisia bem comportada. É o bom maluco, ou o maluco Jeckyl.
Depois vem outro especimen. O maluco perigoso. O tipo agressivo, com tendências inatas para uma forma de violência ou comportamento que ultrapassa os limites da graça ou segurança. É aquele tipo que entra em qualquer lado e ninguém se chega muito perto com medo e lhe pisar o pé. Como dizia um tipo certa vez, é aquele tipo que se o vês num bar, pagas-lhe imediatamente um copo, porque se começa a confusão, o gajo já sabe de que lado tu estás.
É o tipo que normalmente avia dois ao três ao mesmo tempo, e no processo partiu um joelho ou um braço. De tendência obcecada, não mede os comportamentos ou forma como sente as coisas, e sai tudo em bruto, muitas vezes em forma de violência. É o tipo de quem se diz "tu nem te metas com esse gajo. Ele é doido. Mas mesmo doido!" em contraposição com o primeiro especimen, de quem se comenta normalmente "vamos fazer isto, e eu falo com o coiso... sim o gajo é completamente avariado, ideal para isto. Vai ser do melhor".
É alguém que sofre um processo de solidão em camadas, tendo em conta que os contactos que estabelece acabam por reconhecer essa característica e colocá-lo a uma distância segura, e se possível, útil. É o tipo perfeito para se ter numa equipa de desportos colectivos, ou numa saida colectiva depois de um concerto. O problema é que por vezes nem nós estamos safos...
É o maluco Hyde.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Experience

"The lords of life, the lords of life,
I saw them pass,
In their own guise,
Like and unlike,
Portly and grim, --
Use and Surprise,
Surface and Dream,
Succession swift and spectral Wrong,
Temperament without a tongue,
And the inventor of the game
Omnipresent without name; --
Some to see, some to be guessed,
They marched from east to west:
Little man, least of all,
Among the legs of his guardians tall,
Walked about with puzzled look.
Him by the hand dear Nature took,
Dearest Nature, strong and kind,
Whispered, "Darling, never mind!
To-morrow they will wear another face,
The founder thou; these are thy race!"
Ralph Waldo Emerson
Faça-se justiça...

E num instante, voaste.
Saiste e a expressão estava lá. Nos gestos dos teus dedos, na comprensão de uma lógica outrora perdida. Exibias as marcas como a determinação de um segundo na vida, como uma dança de uma banda moribunda, e ficaste parada no compasso que não se completou.
Havia sorrisos nas ausências, e agora, nada nas mãos restava parado, nem sequer sustentado pela vaga noção do que havia a retribuir ou consertar.
Há, nas palavras, o reencontro com uma serenidade, um caminho nos passos de uma intenção, e toda a aceitação de um beijo do futuro.
Não tenho os riscos no papel, mas as frases desenham-se. São extraídas do que nunca pode ser roubado, porque sobrevém do risco de seres tu, no caminho, nos passos finais de uma perseguição.
E agora que o sol brilha, mesmo que o escondam em jeito de teste, a minha mão passa o espaço num palmo imaginário, e contorna-te o rosto.
Mais viva que nunca, é tempo.
Não de dívidas saldadas, mas de direitos que permanecem enquanto moldados às pegadas de agressões que nada significam.
Sorrir é brilhar. Mesmo sem sol, porque agora sim, és capaz de o imaginar...
Visita altamente recomendável .

Para não dizer obrigatória.
"Sê o que gostarias de parecer."

Sócrates ( O de Atenas, claro, por clara antítese)
O mestre...

Serenade

So sweet the hour, so calm the time,
I feel it more than half a crime,
When Nature sleeps and stars are mute,
To mar the silence ev'n with lute.
At rest on ocean's brilliant dyes
An image of Elysium lies:
Seven Pleiades entranced in Heaven,
Form in the deep another seven:
Endymion nodding from above
Sees in the sea a second love.
Within the valleys dim and brown,
And on the spectral mountain's crown,
The wearied light is dying down,
And earth, and stars, and sea, and sky
Are redolent of sleep, as I
Am redolent of thee and thine
Enthralling love, my Adeline.
But list, O list,- so soft and low
Thy lover's voice tonight shall flow,
That, scarce awake, thy soul shall deem
My words the music of a dream.
Thus, while no single sound too rude
Upon thy slumber shall intrude,
Our thoughts, our souls-
O God above!
In every deed shall mingle, love.

Poem by Edgar Allen Poe (1850)
Vejam lá onde e como é que procuram a pornografia ...

Isto é tão 1984 que até chateia.
Big Brother's really watching you...
Qual pode ser a justificação estatal para uma tão crassa, embora aparente, violação da privacidade e liberdade inerente do cidadão num Estado de Direito?
Ah, esqueci-me... é o terrorismo, e as armas de destruição maciça, algures perdidas na areia...
Business
is business after all...
PRIMEIRA IMAGEM

Numa tarde de sol,
dispôs-se no bordado e a bordar.
É que a luz da varanda era tão forte
que os olhos se detinham,
implodindo.
“Um sonho”, desejara.
E alguém, sorrindo,
Ientamente afastou-se,
monte acima.


Ana Luisa Amaral
Meus Amigos.

Firefly é a melhor série de televisão do mundo.
Morta quase á nascença pela idiotice dos executivos da FOX.

O que vale é que vem aí o V for Vendetta do Alan Moore...

segunda-feira, janeiro 23, 2006



"They say your entire life flashes in front of your eyes when you die.
It's not really your entire life... It's just the moments that stood out... And they're not the ones you'd expect, either... The moments you remember are tiny ones, some you haven't thought of in years... If you've thought of them at all... But in the last second of your life, you remember them with astonishing clarity...
Because they're just so...
beautiful... ...that they must have been imprinted, on like a cellular level...

For me it was, lying on my back at Boy Scout camp, watching falling stars...

And yellow leaves from the ginkgo trees that lined our street...
Or my grandmother's hands, and the way her skin seemed like paper...
And the first time I saw my cousin Tony's brand new Firebird
And the way I felt when Angela first smiled at me...
Carolyn...
And Janie.
And Carolyn's roses..
And beauty...

I guess I could be pretty pissed of f about what happened to me... but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst... And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life...

You have no idea what I'm talking about, I'm sure...
but don't worry...

You will someday."

Allan Ball - American Beauty - Original Script.

É um trecho repetente no Estações, mas as saudades não são apenas aplicáveis relativente às pessoas. Além disso, a imagem acima necessita de um texto à altura.
De volta, com a metáfora do fascínio.
Até já.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O trabalho tem destas coisas.
Quando é intenso, e em algo que interessa e motiva, deixa-nos de alguma forma cansados, mas com a noção de objectivo concluído. Senso de realização, diria a fórmula mais comum.
No meu caso tem-me afastado do blog, que sendo um diário pessoal, foi acumulando coisas.
Mas em breve volta na sua força máxima, espero.
Até já.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Pinhal!
A coerência é complicada. Muito complicada. Exigente, e como qualquer conceito perfeito em si mesmo, julgo eu, cobra a factura necessária à sua verificação no plano factual. Exige trabalho e alguma dose de sacrifício, e pior que tudo, raras vezes é reconhecida porque, afinal, errar e ser incompleto é humano.
A grande questão prende-se com as falhas. Até que ponto as falhas podem ou não ser determinantes, e a forma como estas são depois integradas na taxa de sucesso da chamada competência social.
A verdade permanece clara. É certo que nenhuma boa acção fica jamais impune, mas a verdade vai um pouco mais longe. Ao olharmos para a nossa vivência, e tentando ser justos, chegamos a uma conclusão dupla. Fazemos sempre mais merda do que pensamos, e somos sempre menos reconhecidos do que deveríamos. Ou seja, onde deveria operar-se um equilíbrio, conclui-se que nada mais existe senão uma espécie de reconhecimento por danos. Aquilo que rebenta e deixa estragos, acaba por ser a única coisa que deixa memória. Talvez porque os efeitos levem mais tempo a passar, ou porque a sucessão de felicidades se torna numa rotina mais suave.
A coerência é então um processo possível e desejável. Nem sempre totalmente executável, já que existem realmente impulsos na mente que simplesmente desafiam a nossa capacidade para os enquadrar em conceitos ou motivações. Mas caminha em direcção a ela é, mais que um dever, uma lógica de vida que se encontra consigo mesma. Não é necessário ser perfeito. É necessário tentar, expiando o mal que sabemos que fizemos ou fazemos, e tendo a noção que o problema não é errar, mas sim não tentar remediar esse erro.
Progredir é levantar, precisamente após a queda, quando tudo ainda dói.
Acho eu.