ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


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domingo, fevereiro 19, 2006

Love is a burning thing
and it makes a firery ring
bound by wild desire
I fell in to a ring of fire...I
fell in to a burning ring of fire
I went down,down,down
and the flames went higher.
And it burns,burns,burns
the ring of firethe ring of fire.
The taste of love is sweet
when hearts like our's meetI
fell for you like a child
oh, but the fire went wild..
I fell in to a burning ring of fire.....

Johny Cash

Bem sei que Match Point é provavelmente uma obra superior em todos os aspectos, mas "Walk The Line" tocou-me de uma outra forma. Por todos os motivos e mais alguns.
Ah, o o Joaquin Phoenix canta para cacete...
"The first and simplest emotion which we discover in the human mind, is curiosity."

William Burke


When you're right, you're right....

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Não é todos os dias que se arranja um(a) stalker...

Há gente triste e pequenita realmente...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Há uma perplexidade que tenho de confessar relativamente a este post da Isabela.
O discurso tende um pouco para a generalização, mas tenho por provável que se trata da experiência de quem escreve, e como tal, o universo que mais lhe parece correcto.
No entanto pergunto... que raio de homens se têm cruzado com a querida Isabela? Que raio de carapuça é esta que tanto nos querem enfiar, e que a mim nem sequer entra na cabeça?
Mas alguém tem dúvida de a realidade sexual tem tantas nuances quantas as práticas e entendimentos que se possa ter do outro? Alguém resume a prática sexual ao coito, deixando de parte tudo o que se pode fazer com a pele, com as imagens, com os jogos? Alguém tem a noção de se sem procurar o prazer alheio, o nosso de pouco vale ou compensa?
Se a mulher tem bem mais que uma vintena de pontos erógenos que nós, e tendo em conta que o clitóris não tem outra função naturalistica que não a produção de prazer, há alguma dúvida que o toque é a melhor forma de levá-la onde ela e nós queremos ir? Que o corpo feminino é um veiculo construido para o (seu próprio) prazer? Há alguém que ache algo mais assombroso e erótico que a linguagem corporal de uma mulher a quem se faz sexo oral?
Sinceramente, há aqui elementos que me fazem ter medo da pretensa realidade do meu género, ou simplesmente olhar para uma realidade que parece anacrócina ou demasiado datada, e sobretudo inflamada por uma percepção apenas parcial do fenómeno.
Deixem-me que vos diga que muitas mulheres também são insatisfeitas por sua responsabilidade, porque tem elementos da sua personalidade que nao a deixam libertar-se de um certo condicionalismo cultural, muitas vezes auto-imposto. Por isso, não me revejo neste cenário, nem o conheço.
Não o entendo como generalizável, e julgo sinceramente que na lógica de conhecer o outro ou outros, há um principio geral abstracto que serve para tudo. Observar, inquirir, descobrir, para depois se poder ser o melhor que for possível. Seremos sempre bons? Não. Mas se tentarmos, se a imaginação não for só um conceito vago e indeterminado, então ao tentarmos, talvez consigamos.
E quanto ás mulheres que são más na cama?
Porque não se fala nelas? Nas suas falhas?
No que não arriscam, não fazem, não se permitem?
Porque elas existem. E de que maneira!
Há más atitudes dos dois lados da barricada, definidas pelas pessoas, enão necessariamente pelo seu género. E não se trata de politicamente correcto aqui, mas sim de uma lógica atinente ao que aqui se pretende retratar, e que não reconheço como aplicável a mim ou como entendo o meu género.
Pela primeira vez em mais de dez anos, escrevo neste dia fora do requisito essencial para fazer parte dele. E devo dizer-vos que, por um lado, é curioso ver o fenómeno de fora, especialmente quando já há muito que a zanga de tempos dificílimos se diluiu numa realidade que tem tanto de complicada como de interessante.
Os relacionamentos estão a mudar, dizem alguns. Talvez. Ou talvez as pessoas tenham perdido a pachorra para a inércia que ataca alguns dos relacionamentos "estáveis", devido a tantos ataques dos chamados pragmatismos. As contas, os putos, as chatices, e o diabo a quatro destroem o tecido relacional como qualquer falta de movimento pode atrofiar e rasgar um músculo.
E o mais curioso é que a grande maioria destas coisas são criadas por vontade dos próprios intervenientes no relacionamento. É um pouco como um ladrão que tem oportunidade de encher os bolsos e a sacola com tudo o que puder sacar da câmara do tesouro, apenas para morrer afogado no fosso, devido ao peso que carrega consigo.
E depois surgem as queixas. Os olhos cansados, a rotina pragmática que assassina o erotismo e o simples gozo de estar com alguém porque afinal de contas, as responsabilidades tornaram-se o motivo para viver, e não um acessório que permite essa mesma vida.
Sei que muitos me largarão um tijolo na cabeça, mas quando começam os processos de substituição, os problemas da criança-rei (substituto), parece que um esforço hercúleo acabará por limpar todos os pequenos crimes que os dois relacionados vão cometendo entre si.
Bem sei que isto não é genérico, mas são muitas as pessoas que colocaram a sua vida em piloto automático, e que julgam que essa modorra será suficiente.
O problema é que o amor é como um bonsai daqueles que são do caraças para manter vivos. É um filho da puta caprichoso e retorcido, mas cuja beleza inerente o deixa perfeitamente imune às supostas tentativas que tenhamos de o ignorar, pelo menos enquanto conceito.
O dia dos namorados ( desgraçado do Valentim perdeu a cabeça literalmente por causa de uma mulher) não deve obviamente substituir um elemento de continuidade ao longo de todo o ano. Desgraçado do(a) idiota que só oferece prendas neste dia, e que compra alguma coisa cheia de coraçõezinhos que dão mau nome à piroseira. Mas também não julgo que este dia seja algo de negativo. Tomara que muitos dias aparecessem como uma justificação para se fazer algo de bom perante alguém de quem se gosta, e consigo pensar em efemérides muito piores.
Mas a verdade é que uma rosa mal enjorcada ou um livro comprado nos saldos do Carrefour não ajuda em nada a conseguir provar uma preocupação sincera e emocional.
Sem imaginação e vontade de rir, sem a preogressão e a evolução do corpo e da mente, tudo recai numa sensação de falsa segurança, mas sem o elemento que motivou tudo. E o cansaço vive da permissão dos seus portadores.
Por isso, feliz dia de São Valentim a quem o aproveite da melhor forma, como mais um jantar e sessão de sexo desenfreado numa lógica onde estes dois se repetem amiude e com gosto. Sim, apimentado pela ocasião pode levar a uma loucura extra. E esses sim, são os verdadeiros viajantes do dia de São Valentim. Os restantes não passam de consciências culpadas com uma má receita no bolso.
Mas o Amor ainda tem que se lhe diga...

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Era o Hal Hartley que dizia que não existia nada além de desejo e os problemas que isso acarretava.
A falta de desejo é um problema em si mesmo bem maior, parece-me.
O desejo cria a racionalidade, porque esta só existe na evolução, e só evolui quem deseja.
Ao querer chegar a alguém, a lógica aplica-se.
Seja em que contexto for.
Só chegamos, evoluindo no que somos, para podermos aparecer como algo junto a alguém.
Só desejando chegar, podemos ter, porque querermos ser.
Parece-me...
Nunca mais olharei para uma bola de ténis da mesma maneira.
Ou para o corrimão de um passeio ribeirinho, junto ao Tamisa ou não.
Aumentou a minha ânsia de ver Londres.
Woody Allen assina um registo fantástico, visto por dentro. Por dentro da carne, do sangue, por dentro das convenções, da conflitualidade dos estados emocionais, das necessidades de sobrevivência confundidas com o conforto irrecusável e as premissas aceites numa barganha pelo que se julga indispensável na alma.
Match Point aborda de forma dura, mas magistralmente rica, o mais complexo e bem filmado enrolar de corda ao próprio pescoço que vi em anos.
Na minha modesta opinião, nunca vi um personagem devorar-se a si mesmo com tanta determinação, na linha clássica do caminho sem retorno característico de qualquer tragédia grega.
Fala-se da sorte. Fortuna imperatrix mundi. Da sorte como motor da vida, como construtor ou destrutor de existências, na lógica de um detalhe que forma mundos, acontecimentos e escolhas.
Allen filma um conjunto de personagens vivas, numa cidade que parece ainda mais viva que eles. Talvez seja um problema meu, mas não me ri uma única vez durante o filme inteiro. Estava demasiado tomado pelo destino terrível de todos os personagens para reconhecer o humor do Allen na emanação reiterada das suas neuroses.
O que posso dizer de Match Point, é que Allen não viu a sua bola bater na rede e cruz´-la para ganhar um ponto suave do outro lado. Este filme é um Ás, uma bola que não dá para responder, sem sorte, só com arte, só com saber, só com um olho para ver a realidade e enchê-la de uma beleza fria e uma dor credível.
Woody Allen - Game, Set and Match...



Há uma espécie de estratégia subreptícia de alguns sectores da opinião pública no sentido de acusarem os detractores da Igreja Católica de brandura com os recentes acontecimentos relativos às caricaturas dinamarquesas e a onda de violência islâmica que terá acarretado.
Qualquer insinuação nesse sentido é claramente despropositada, e vou dar a minha visão das coisas, na medida em que me seja possivel.
Qualquer regime ou organização teocrática/dogmática é para mim uma violência contra as minhas noções de racionalidade, de valor da psique humana, da sua natureza e capacidade. Mas isso são opiniões. No entanto, quando estes regimes ou actos começam a interferir na esfera dos direitos humanos, daquilo que considero ser a dignidade mínima da pessoa humana, então a coisa muda de figura.
A atitude de alguns sectores do Islão face a este assunto é absolutamente inaceitável, e própria de uma certa cultura de fanatismo que isola esses mesmos sectores na pior forma de terceiro mundismo imaginável. A verdade é que a violência e retaliação verbal ou física isola os seus praticantes numa insustentabilidade de posições, e por isso mesmo, fazendo perder a mensagem de (justa?) indignação.
Agora relativamente a esses sectores da opinião pública que esfregam as mãos porque o Islão está a pintar-se da pior cor possível nos dias que correm, e porque os supostos defensores da nação islâmica aos seus direitos estão cair em contradição, só digo isto.
Disparates.
Não há qualquer desculpa para os actos perpetrados nas embaixadas, ou a suposta morte do padre italiano à porta da sua igreja. Não há qualquer justificação em qualquer forma de relativismo cultural para as repetidas violações de direitos humanos básicos, especialmente no que concerne às mulheres. A teocracia ferrenha de alguns sectores importantes dos estados islâmicos, combinados com a miséria sem fim à vista que assola o povo, isola os seu discurso numa espiral de violência que inquina os esforços de outros sectores dessa sociedade em atingir a moderação, o diálogo, a abertura e integração no mundo moderno.
No entanto, esses sectores que acusam os críticos ( como eu orgulhosamente me confesso) da Igreja Católica, e conservadorismos afins, de serem brandos com esta questão, analisam na medida em que lhes é conveniente.
(E atenção que criticar a Igreja CAtólica ou os Radicais islâmicos não significa criticar os católicos ou os muçulmanos. Apenas os seus extremismos levados a cabo por quem supostamente os representa oficialmente.)
A verdade é que não ouvi este brado em uníssono quando os padres norte americanos foram acusados e culpados da prática de pedofilia em dezenas de crianças, e a Igreja simplesmente realocou os padres prevaricadores, sendo que muitos nem sequer chegaram a ser expulsos ou excomungados. E isto só para citar um exemplo.
Que fiquem bem assente que ninguém é condescendente com a morte, a violência e a violação dos direitos humanos e que, quando alguém se identifica como agnóstico ferrenho ( e a espaços anti-clericalista),é-o genericamente, seja o criticado católico, muçulmano, hindu, ou budista.
Não há brandura selectiva.
Pelo menos não aqui.
Porque a pessoa humana não pode ser sujeita a determinados relativismos supostamente culturais ou religiosos. A liberdade digna e em respeito ainda é o bem insubstancial mais precioso da humanidade. Se a religião organizada o entendesse, talvez a sua mensagem não parecesse tão desfasada da natureza humana.
P.S. Se querem que vos diga, dos casos que mais me impressionou em sociedades rígidas e que se escudam num falso relativismo cultural, aconteceu na India.
Um casal de jovens, de castas diferentes, apaixonaram-se e foram decapitados pelas respectivas famílias. Sim, leram bem, decapitados. As estruturas rígidas, e as supostas regras contra a natureza humana, ainda por cima no que ela tem de melhor. O Amor. E imaginem aquele par de pessoas que teve a cabeça cortada por se manter fiel a algo que uma sociedade se recusou a entender, substituindo por assassinato a sangue frio.
Bem, a minha querida amiga LISA lançou-me este repto que, ao que parece, anda a fazer furor por tudo quanto é blog. E antes de responder, queria apenas deixar uma ideia. De que as manias são, por vezes, a pura manifestação da nossa originalidade. Uma pessoa sem manias deve ser uma seca desmarcada, e uma pessoa só constituída por manias, uma insanidade sem nada de divertido e tudo de stressante.
Ter "manias" parece-me algo relacionado com o ter uma originalidade, paixão ou fraqueza imensas por um par de coisas ou mais. No meu caso, vai muito para além das 5, lamento confessar...

Assim sendo, cá vai.

Regulamento: "Cada bloguista participante tem de elencar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."

1 - Barulho no cinema - fico positivamente doente com qualquer espécie de ruído parasita no cinema. Conversadores, pipoqueiros, atendedores de telemóvel, todos estes energúmenos me dão cada vez mais vontade de me empenhar até às orelhas, arranjar um plasma ou um lcd e ficar em casa a curtir cinema como deve de ser. Claro que nada se compara ao grande ecrã, mas pelo menos não tenho de levar com a malta que pensa que civismo deve ser o novo modelo da Honda...

2 - Roer as unhas - Não, nunca até ao sabugo, nem ao ponto de ficar com os dedos feitos em gelatina disforme, mas vou alisando os bordos com os dentes, num acto contínuo. Se estiver stressado ou concentrado, pior ainda.

3 - Querer saber tudo/ curiosidade - Péssima mania de querer dissecar, entender, perceber todos os mecanismos de causa efeito. Especialmente no que diga respeito às pessoas e suas atitudes, aos fundamentos do amor, da irritação, etc. A curiosidade leva-me sempre a querer ver, a querer perceber, entender, descobrir, por a nu. Por vezes pode ser desagradável para os interlocutores, mas ocasionalmente, nem isso me faz parar... não sei porquê - já viram o contra-senso?

4 - Casas de banho – esqueçam. Se não for a de minha casa, de casa dos meus pais, só um cataclísmico desarranjo intestinal me fará usar outra casa de banho que não a minha.
5 - Livros, musica e cinema - Mais do que manias, levam-me o dinheiro todo, e tenho pilhas de coisas que ainda tenho de ver ou ler, mas isso nunca me impede de aumentar o espólio sempre que tenho oportunidade. Só tocar em livros, DVDs ou bilhetes de cinema e CDs chega a ser motivo para os adquirir. Ir para casa com aquele peso dentro da mochila, ou de um saco de plástico, tocar-lhes, examinar e arrumar na prateleira. Fico a olhar para eles um tempo e durante os dias seguintes vou às prateleiras só para contemplar o crescimento do espólio, além de ver , ouvir ou ler o que lá está.
No espírito da passagem de testemunho, cá vai... passo o desafio à
Ana, à Ametista , ao Inconformado , e à Isabela

Bonne chance!!!!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Aos amigos que sem tretas resolvem sorrir-nos sempre que é possível.
Que nos isolam numa imagem que se torna mágica não por nós, mas pelo seu talento vertido na fotografia.
Pela simpatia do trato, e a sinceridade nas partilhas das coisas simples que a amizade descomplexada traz.
Por uma lembrança para uma noite de música com ícones de 25 anos que mais parecem putos energéticos e pejados pelo talento de mil vidas. Por aquela sala enorme a cantar em uníssono.
Pela busca que faz do âmago dos outros sem afectações do glicodoce desnecessário.
Pelo Personal Jesus de há duas noite, obrigado....

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

A verdade é um pouco como uma vacina.
Deve ser administrada como precaução e prevenção, ainda que seja feita da pior das doenças em estado lantente.
A protecção que confere, permite a evolução perante outros riscos.
Considero-me uma pessoa até bastante imparcial no que toca à questão do médio oriente.
Acho que de alguma forma a noção de diálogo, seja entre estados ou pessoas, há muito que se perdeu numa apaixonada fogueira de ódios e lealdades, onde a teocracia ainda tem um peso imenso.
A ocupação dos territórios Árabes é, em meu ver, um escândalo que a comunidade internacional vê com um olhar meio filtrado, mas o recrudescimento do terrorismo mostra claramente que o fanatismo é uma excrescência da qual o mundo tem de se ver livre rapidamente.
Não partilho minimamente da visão securitária e saloia do palerma que rege os EUA, e dos que, surpreendentemente vêm a público dizer que nem sequer se importam que alguém ouça as suas chamdas telefónicas, desde que ninguém lance uma bomba suja em Times Square. Entristece-me ver a falta de memória de que os sistemas securitários, apenas a um passo dos totalitários e ditatoriais, parecem beneficiar. Gostaria de ver se esses amigos que assim falam também gostariam que lhes censurassem o conteúdo de internet, ou de filmes e livros, ou que lhes entrassem pela casa dentro porque um dos miúdos por acaso falou com um colega de uma famíia àrabe ao telefone. Bolas, porque não copiar um sistema politico como o chinês, onde toda a gente se porta bem e a segurança é mantida à lei da mais odiosa repressão e hipocrisia ditatorial? Ali dificilmente se lançam bombas, realmente...
Mas isto a propósito de quê?... Ah, sim, esta trapalhada das caricaturas.
Na lógica do que disse acima, a liberdade de expressão é-me muito cara. E sobretudo não há qualquer desculpa para aquilo que foi levado a cabo quase a eito em embaixadas europeias por parte de grupos fundamentalistas. E lamento se não vou ser politicamente correcto, mas se essas caricaturas foram destinadas a criticar a postura fundamentalista e belicista de uma certa facção do mundo árabe, como já outras foram feitas no sentido de criticar o cristianismo e quejandos, então ainda menos razão dou aos detractores e críticos da ditas imagens.
É precisamente com iniciativas destas, e vamos lá ver o que vai ser o governo do Hamas, que o algum do mundo árabe perde a legitimação do discurso denunciador de muitos dos abusos de que é vítima. Porque em algum do seu discurso teocrático e inflamado de críticas ao ocidente, falta a perspectiva da auto-análise, especialmente neste caso.
A liberdade religiosa é tão legítima como a liberdade de expressão. E neste caso, nem sequer há qualquer incitamento ao racismo, à violência, ao abuso sexual, ao genocídio. É um gozo com algo que admito ser sagrado para alguns, mas que em momento algum legitima o retorquir em violência, próprio de selvagens fanáticos que não merecem qualquer respeito ou crédito.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

"Brokeback Mountain," "Capote," "Crash," "Munich" and "Good Night and Good Luck"

O quinteto que me vai levar o dinheiro, embora o Crash já tenha feito a sua quota parte no impacto que me provocou.
Tenho muita curiosidade em ver "Capote", especialmente pela aparição da personagem da Harper Lee, que escreveu um dos livros que mais gosto.
"Munich" pôs a comunidade judaica de Hollywood em desassossego. Só por isso vale a pena ver.
"Good Night and Good Luck" - caça às bruxas, ou como era o Bushismo com outro nome. Clooney a mostrar argumentos que não os habitualmente referidos pelas moças.
Gostei muito do livro "Shipping News", o que me leva a ter curiosidade em ver como pegaram nesta história da Annie Proulx, mesmo antes de ler o livro.

Enfim, a noite do Óscar traz glória a pequenos filmes, sobre realidades complexas e uma reflexão geral sobre o estado das coisas.
Espero até lá ter visto os 5.

Oscar Night is happy insomnia night...
Ryan Adams and The Cardinals...

Excelente...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Neve = arquitectura lacrimal como suspeita de criatividade divina.
No que te reinventaste, está a lógica do que sempre foste.
Simplesmente resolveste mostrar.
E é por isso que a morte não é uma opção.
E então o céu começou a desfazer-se em farrapos brancos. Parecia que mãos enormes se ocupavam de picotar as nuvens com milhões de alfinetes gelados, povoando a terra de um frio belo.
As pessoas sorriam, e o cenário transformou-se, porque nada nos seus devidos lugares estava habituado a esta mudança de cenário. As árvores, as estradas, os carros, os animais de rua, todos se posicionavam numa estranheza simpática pela novidade que o dia havia trazido.
Havia um brilho diferente, uma espécie de carícia gelada do dia para aqueles que agradeciam de forma simples algo de comum na natureza, mas tão aparentemente deslocado.
A neve caiu, ainda por cima no meu dia de aniversário. Aliado ao calor que nem sei como agradecer da parte de alguns, várias coisas se conjugaram, e por vezes vemo-nos na contingência de olhar para as realidades da única forma que podemos.
Em admiração por aquilo que é transcendentemente belo e compensador, mas que o faz sem nos dar cavaco.
Domingo foi um dia branco em todos os sentidos, e por vezes seria inacreditavelmente autista não se agradecer pelas coisas simples que marcam memórias perenes, em geral, a todos quantos se preocuparam, sendo natureza ou Homem, em provocar-me um sorriso.
Obrigado. :)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

The status-quo definition song...


The Path

Souls they float like the memories I've opened
Go and kiss all the butterflies I've broken
Sow their wings to the coat of my misfortune
Grow to reach the plains I have only spoken

I'm walking on a river
I'm handing out the bread to my father's son
I'm looking at this lonely land
And I'm standing in the eye of a hurricane

Waterfalls upon my hair
Wash away all the tangles in my head
I look inside the poolIt's my reflection
Now I've reached a higher place.

I'm tearin' down a temple
Be alright, gonna build me another one
Won't see me getting tired
I'd break my back just to be inside again
Be inside again...Be inside again...Be inside again...
Well I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
And now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone.
And I've had years and years of doubt
Now it's gone...

Manmade God

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A descoberta dos outros é a revelação do que afinal, e dialecticamente falando, não somos.
Há quem diga que os homens, em termos de infidelidade e concorrência, temem menos uma mulher que outro homem. Aliás, e peço desculpa se generalizo um pouco, parece-me ser essa a convicção reinante. Se não for, óptimo. É porque concordam comigo, já que eu não comungo dessa ideia.
Uma mulher é um adversário equiparado ou ainda pior que outro homem. Talvez haja aquela desculpa que interiormente nos diz - " bem, se fui trocado por uma mulher, é porque aquilo que a minha namorada queria eu nunca lhe poderia ter dado de qualquer forma". É um bom argumento, mas não é exacto. É precisamente porque uma mulher pode dar a outra aquilo que nós simplesmente não podemos que a torna uma concorrente temível. Com um homem podemos concorrer em termos de igualdade de armas, ou pelos menos, equiparação. Com uma mulher, concorremos na base da opção. Temos umas coisas para dar, e ela tem outras. Não há hipótese de uma concorrência directa, mas apenas como duas linhas que correm paralelas, sem nunca se tocarem.
Além disso, as mulheres conhecem a anatomia feminina. E por muito bem ensinados que estejamos, ou ansiosos por aprender e seguir instruções, não sabemos como é ser mulher, o que outra mulher sabe perfeitamente. E mais do que a anatomia, conhecem intimamente aquilo que Nick Hornby chamava o "Garden Variety Woman Schizoshit", o que representa uma vantagem imensa!
Portanto, a mim pessoalmente, o facto do meu concorrente ser uma mulher não me descansa de forma alguma. Aumenta a preocupação e o cuidado, sendo que estamos em última instancia a concorrer contra nós próprios, obrigando-nos a tentar mostrar o quão melhor será a nossa opção em detrimento da outra.
E em última análise, as mulheres são ferozes competidoras, o que me faz realmente pensar a razão pela qual muita gente fica mais descansada ou aliviada se a perda ou desvio for com alguém do mesmo sexo que o parceiro.
A nossa linguagem ou rituais urbanos produziram uma espécie dual de pessoa, ao qual designámos de maluco. E diga-se desde já que não se trata daquela pessoa com perturbações mentais graves, esquizofrenias, oligofrénicos, dementia preacox, etc...
Não, falo daquela pessoa que assume um comportamento um pouco mais alheado dos protocolos ditos conveninentes ou comuns, e que como tal recebe um rótulo de maluco.
Este rótulo até é bem visto pela grande maioria das pessoas na sua vertente positiva, rebelde e brincalhona. O maluco(a) é um tipo de tem um livro de regras um pouco diferente dos outros, que fala, veste-se, e se comporta de forma diferente da grande maioria. Quando se fala dele, toda a gente sabe quem é, e o que provavelmente terá feito perante uma qualquer situação. É o gajo que vai de fato é ténis para o casamento da tia da Quinta da Marinha, guia um carro como se fosse o Automan, e tem geralmente pouco cuidado com a integridade física. É efusivo, assertivo e honesto ao ponto de ninguém lhe levar a mal as brechas na hipocrisia bem comportada. É o bom maluco, ou o maluco Jeckyl.
Depois vem outro especimen. O maluco perigoso. O tipo agressivo, com tendências inatas para uma forma de violência ou comportamento que ultrapassa os limites da graça ou segurança. É aquele tipo que entra em qualquer lado e ninguém se chega muito perto com medo e lhe pisar o pé. Como dizia um tipo certa vez, é aquele tipo que se o vês num bar, pagas-lhe imediatamente um copo, porque se começa a confusão, o gajo já sabe de que lado tu estás.
É o tipo que normalmente avia dois ao três ao mesmo tempo, e no processo partiu um joelho ou um braço. De tendência obcecada, não mede os comportamentos ou forma como sente as coisas, e sai tudo em bruto, muitas vezes em forma de violência. É o tipo de quem se diz "tu nem te metas com esse gajo. Ele é doido. Mas mesmo doido!" em contraposição com o primeiro especimen, de quem se comenta normalmente "vamos fazer isto, e eu falo com o coiso... sim o gajo é completamente avariado, ideal para isto. Vai ser do melhor".
É alguém que sofre um processo de solidão em camadas, tendo em conta que os contactos que estabelece acabam por reconhecer essa característica e colocá-lo a uma distância segura, e se possível, útil. É o tipo perfeito para se ter numa equipa de desportos colectivos, ou numa saida colectiva depois de um concerto. O problema é que por vezes nem nós estamos safos...
É o maluco Hyde.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Experience

"The lords of life, the lords of life,
I saw them pass,
In their own guise,
Like and unlike,
Portly and grim, --
Use and Surprise,
Surface and Dream,
Succession swift and spectral Wrong,
Temperament without a tongue,
And the inventor of the game
Omnipresent without name; --
Some to see, some to be guessed,
They marched from east to west:
Little man, least of all,
Among the legs of his guardians tall,
Walked about with puzzled look.
Him by the hand dear Nature took,
Dearest Nature, strong and kind,
Whispered, "Darling, never mind!
To-morrow they will wear another face,
The founder thou; these are thy race!"
Ralph Waldo Emerson
Faça-se justiça...

E num instante, voaste.
Saiste e a expressão estava lá. Nos gestos dos teus dedos, na comprensão de uma lógica outrora perdida. Exibias as marcas como a determinação de um segundo na vida, como uma dança de uma banda moribunda, e ficaste parada no compasso que não se completou.
Havia sorrisos nas ausências, e agora, nada nas mãos restava parado, nem sequer sustentado pela vaga noção do que havia a retribuir ou consertar.
Há, nas palavras, o reencontro com uma serenidade, um caminho nos passos de uma intenção, e toda a aceitação de um beijo do futuro.
Não tenho os riscos no papel, mas as frases desenham-se. São extraídas do que nunca pode ser roubado, porque sobrevém do risco de seres tu, no caminho, nos passos finais de uma perseguição.
E agora que o sol brilha, mesmo que o escondam em jeito de teste, a minha mão passa o espaço num palmo imaginário, e contorna-te o rosto.
Mais viva que nunca, é tempo.
Não de dívidas saldadas, mas de direitos que permanecem enquanto moldados às pegadas de agressões que nada significam.
Sorrir é brilhar. Mesmo sem sol, porque agora sim, és capaz de o imaginar...
Visita altamente recomendável .

Para não dizer obrigatória.
"Sê o que gostarias de parecer."

Sócrates ( O de Atenas, claro, por clara antítese)
O mestre...

Serenade

So sweet the hour, so calm the time,
I feel it more than half a crime,
When Nature sleeps and stars are mute,
To mar the silence ev'n with lute.
At rest on ocean's brilliant dyes
An image of Elysium lies:
Seven Pleiades entranced in Heaven,
Form in the deep another seven:
Endymion nodding from above
Sees in the sea a second love.
Within the valleys dim and brown,
And on the spectral mountain's crown,
The wearied light is dying down,
And earth, and stars, and sea, and sky
Are redolent of sleep, as I
Am redolent of thee and thine
Enthralling love, my Adeline.
But list, O list,- so soft and low
Thy lover's voice tonight shall flow,
That, scarce awake, thy soul shall deem
My words the music of a dream.
Thus, while no single sound too rude
Upon thy slumber shall intrude,
Our thoughts, our souls-
O God above!
In every deed shall mingle, love.

Poem by Edgar Allen Poe (1850)
Vejam lá onde e como é que procuram a pornografia ...

Isto é tão 1984 que até chateia.
Big Brother's really watching you...
Qual pode ser a justificação estatal para uma tão crassa, embora aparente, violação da privacidade e liberdade inerente do cidadão num Estado de Direito?
Ah, esqueci-me... é o terrorismo, e as armas de destruição maciça, algures perdidas na areia...
Business
is business after all...
PRIMEIRA IMAGEM

Numa tarde de sol,
dispôs-se no bordado e a bordar.
É que a luz da varanda era tão forte
que os olhos se detinham,
implodindo.
“Um sonho”, desejara.
E alguém, sorrindo,
Ientamente afastou-se,
monte acima.


Ana Luisa Amaral
Meus Amigos.

Firefly é a melhor série de televisão do mundo.
Morta quase á nascença pela idiotice dos executivos da FOX.

O que vale é que vem aí o V for Vendetta do Alan Moore...

segunda-feira, janeiro 23, 2006



"They say your entire life flashes in front of your eyes when you die.
It's not really your entire life... It's just the moments that stood out... And they're not the ones you'd expect, either... The moments you remember are tiny ones, some you haven't thought of in years... If you've thought of them at all... But in the last second of your life, you remember them with astonishing clarity...
Because they're just so...
beautiful... ...that they must have been imprinted, on like a cellular level...

For me it was, lying on my back at Boy Scout camp, watching falling stars...

And yellow leaves from the ginkgo trees that lined our street...
Or my grandmother's hands, and the way her skin seemed like paper...
And the first time I saw my cousin Tony's brand new Firebird
And the way I felt when Angela first smiled at me...
Carolyn...
And Janie.
And Carolyn's roses..
And beauty...

I guess I could be pretty pissed of f about what happened to me... but it's hard to stay mad, when there's so much beauty in the world. Sometimes I feel like I'm seeing it all at once, and it's too much, my heart fills up like a balloon that's about to burst... And then I remember to relax, and stop trying to hold on to it, and then it flows through me like rain and I can't feel anything but gratitude for every single moment of my stupid little life...

You have no idea what I'm talking about, I'm sure...
but don't worry...

You will someday."

Allan Ball - American Beauty - Original Script.

É um trecho repetente no Estações, mas as saudades não são apenas aplicáveis relativente às pessoas. Além disso, a imagem acima necessita de um texto à altura.
De volta, com a metáfora do fascínio.
Até já.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

O trabalho tem destas coisas.
Quando é intenso, e em algo que interessa e motiva, deixa-nos de alguma forma cansados, mas com a noção de objectivo concluído. Senso de realização, diria a fórmula mais comum.
No meu caso tem-me afastado do blog, que sendo um diário pessoal, foi acumulando coisas.
Mas em breve volta na sua força máxima, espero.
Até já.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Pinhal!
A coerência é complicada. Muito complicada. Exigente, e como qualquer conceito perfeito em si mesmo, julgo eu, cobra a factura necessária à sua verificação no plano factual. Exige trabalho e alguma dose de sacrifício, e pior que tudo, raras vezes é reconhecida porque, afinal, errar e ser incompleto é humano.
A grande questão prende-se com as falhas. Até que ponto as falhas podem ou não ser determinantes, e a forma como estas são depois integradas na taxa de sucesso da chamada competência social.
A verdade permanece clara. É certo que nenhuma boa acção fica jamais impune, mas a verdade vai um pouco mais longe. Ao olharmos para a nossa vivência, e tentando ser justos, chegamos a uma conclusão dupla. Fazemos sempre mais merda do que pensamos, e somos sempre menos reconhecidos do que deveríamos. Ou seja, onde deveria operar-se um equilíbrio, conclui-se que nada mais existe senão uma espécie de reconhecimento por danos. Aquilo que rebenta e deixa estragos, acaba por ser a única coisa que deixa memória. Talvez porque os efeitos levem mais tempo a passar, ou porque a sucessão de felicidades se torna numa rotina mais suave.
A coerência é então um processo possível e desejável. Nem sempre totalmente executável, já que existem realmente impulsos na mente que simplesmente desafiam a nossa capacidade para os enquadrar em conceitos ou motivações. Mas caminha em direcção a ela é, mais que um dever, uma lógica de vida que se encontra consigo mesma. Não é necessário ser perfeito. É necessário tentar, expiando o mal que sabemos que fizemos ou fazemos, e tendo a noção que o problema não é errar, mas sim não tentar remediar esse erro.
Progredir é levantar, precisamente após a queda, quando tudo ainda dói.
Acho eu.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Bem, uma coisa é certa.
Quando o mau gosto chega ás insinuações pessoais, a coisa tem de mudar.
A partir de hoje, para grande tristeza minha, comentários perfeitamente ofensivos e disparatados serão apagados.
A estupidez tem limites.
Assim como a minha paciência.

terça-feira, janeiro 10, 2006

O dom da ubiquidade vinha a calhar por vezes...
É oficial.
Tenho neste momento uma espécie de hate-mail assumido.
É a glória, diriam alguns, é uma chatice, diriam outros.
Para mim, é indiferente. Se as pessoas conseguirem argumentar, terei todo o prazer em discutir e aceitar as suas discordâncias. Se é somente para chatear a molécula, gostaria de esclarecer que escrevo como me parece, como vejo a realidade das coisas. Além disso, este sítio é muito mais um diário pessoal que qualquer outra coisa.
Mas se realmente se aborrecem, porquê cá passar? Masoquismo? Desejo de chatear ou ser engraçadinho? Bem, à vontade. Sou um democrata, portanto, acho que as opiniões devem existir e todos devem ter direito a manifestá-las.
Mas também creio na fundamentação, e nesta, o máximo de lógica.
Se for para debater, óptimo.
Se é para chatear, falarão sozinhos a partir de hoje.

O programa segue dentro de momentos.
A Friend With Talent
Realmente a competitividade justifica tudo.

Importa é vencer, meus amigos. Ganhar é tudo.

Lá fora é que a malta é desenvolvida e civilizada. Lá fora é que se trabalha...

Enfim...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

E afinal somos mesmo responsáveis.
Por tudo aquilo que mesmo sem a vontade a comandar, nos torna diferentes perante os olhares persistentes, cada carícia de luz que faz da escuridão sentida apenas uma breve recordação.
Afinal damos por nós a ser os carrascos das nossas perspectivas, como agentes que mesmo que incontrolados nos seus efeitos, ainda lançam uma mão mais ou menos segura, capaz apenas com a medida de si mesma.
E afinal somos mesmo responsáveis.
Mesmo numa relativa ignorância dos processos necessários.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo...

A LISTA - PARTE V

1. Lê um livro e aprimora o teu modo de vida. Arranja mais um ideal ou quem sabe um novo.


2. Faz um exercício de consumismo perfeitamente disparatado pelo menos uma vez na vida. Mas com algo que queiras pelo menos um pouco.


3. Viaja. De carro, avião, para outros países, pelo teu próprio, mas arranja maneira de caminhar sempre para qualquer lado que não conheces, ou rever aqueles nos quais não podes estar frequentemente.


4. Questiona-te sempre. E depois de obteres as respostas momentâneas, volta a questionar-te.


5. Nunca te leves demasiado a sério. Mas também não deixes que a importância que possas ter seja eterna e completamente desconsiderada.


6. Sê feliz à tua custa. Mas aceita ajuda de outros quando esta te parecer sincera. Se vier de quem está melhor que tu, é bom, se for de quem está pior, é óptimo!


7. Delimita os conceitos e atitudes até que te pareçam consistentes e reais. Mas recorda-te de que se tudo são símbolos, à tua interpretação não poderá faltar o cunho pessoal e a parcela de inexplicável.


8. Combate a prepotência e o despotismo. Mas primeiro, aprende a reconhecê-los em ti e começa por aí.


9. Cuidado com a sinceridade. Quando existe de menos, consegue viver-se até melhor que quando ela sobeja, mas a ilusão morrerá quando morrer o nível de poder pessoal e circunstancial que possas ter. No segundo caso, as pessoas reconhecerão o que podes fazer. No primeiro, apenas reconhecerão o que poderás fazer por elas.


10. Divide as tarefas da casa. Cozinha com grande aparato, suja a cozinha toda, mas lembra-te de a limpares somente no dia seguinte.


11. Cuidado com os “presentes de grego”. Há muitos simulacros muito mais subtis que um enorme cavalo de madeira, mas que fazem muito mais estragos.


12. Aproxima-te dos teus irmãos. Dos teus pais. Aprende a conhecê-los. Não os tomes por garantidos, apenas por se tratar da família.


13. Nunca desprezes ou desconsideres um festejo ou celebração abstractamente merecedora de atenção. É um tipo de passividade que se torna um hábito muito mais rapidamente do que se possa imaginar.


14. Preocupa-te. Mas nunca desesperes. E se não puderes evitar, resiste até sentires que podes passar o testemunho.


15. Procura uma certa estranheza. Se a encontrares, tenta adaptá-la, mas se não conseguires, recorda-te dela como exemplo para algo que eventualmente te aconteça.


16. Aceita conselhos, mas não adoptes cegamente quaisquer máximas.


17. Recorda-te o menos possível o que te deixa infeliz. Mas nunca te esqueças desse mesmo algo. Evitarás amargas surpresas e falsas ignorâncias.


18. Inventa qualquer coisa. Basta uma frase que nunca mais ninguém possa repetir.


19. Entende que o relativismo pode ser absoluto em conceito, mas altamente destrutivo se absoluto na realidade.


20. Quem nada teme, nada ama. Tem muito medo!


21. Aprende a jogar às cartas.


22. Olha atentamente para os cartazes de cinema e teatro. Podem ser o indicativo para umas horas que mudam uma vida.


23. O sofrimento verdadeiro só é alardeado em situações limite. Para aplacá-lo, é preciso saber procurá-lo.


24. Encontra um bom clube de vídeo!

25. Organiza os teus álbuns de fotografias. Mais tarde, serão arautos da tua memória e depositários de todos os pormenores.



terça-feira, janeiro 03, 2006

Forgetting Someone

Forgetting someone is like forgetting to turn off the light in the backyard so it stays lit all the next day.

But then it is the light that makes you remember.

Yehuda Amichai

Vergonhosamente roubado
a um dos melhores blogs do ano.
Sobre este senhor, Stephen King disse uma vez que ele nunca dobrava as regras... limitava-se a contar a verdade, por mais feia que ela parecesse.
E ao que parece, era um ser humano exemplar, que simplesmente contava o que via, com a legitimidade daqueles que viram para relatar a história, ao invés de a pesquisarem em virtude de um anacronismo necessário.
As críticas que lhe foram feitas, conforme se pode ler no artigo, demonstram até que ponto aqueles que se arrogam o conhecimento da cultura num dado momento, são desconsiderados por uma obra que afinal de contas, acaba por perdurar e vingar.
Normalmente, quando se tenta contar a verdade, até mesmo dentro da fantasia, de cosmogonias criadas, raramente se erra por muito. É nos jeitos, nas flores e nas fórmulas que reside a desonestidade a falta de qualidade, sinceramente...
"I never truckled; I never took off the hat to Fashion and held it out for pennies. By God, I told them the truth."
Frank Norris
Jornalistas com demasiado tempo nas mãos, ou um fenómeno literário de monta?

Harry Potter desbloqueia as urgências em Inglaterra...


Vejam porquê...
Ao seu melhor...

Leitura indispensável.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Em primeiro lugar, bom ano para todos.
Que 2006 seja bem melhor que 2005.
O Estações ainda se encontra em cima da mesa do conselho de administração, para resolução do seu futuro.
Digamos que a passagem de ano não ajudou muito a polir os contornos desse mesmo futuro.
Mas é possível que em breve volte.
Feliz Ano Novo.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Estou de férias.
Razão pela qual o blog está em pausa.
Como muitas outras coisas.
Durante alguns dias, veremos se o Estações tem ou não futuro.
Eu espero que sim...

Até já

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Falsidade e cinismo. Escarnecido e repudiado quase de imediato por qualquer pessoa que se encontra com os conceitos, mas mais usado que qualquer mentira branca perante um cenário onde a mesma pode evitar chatice desnecessária.
Em primeira mão, o cinismo e falsidade parecem, para quem os usa, estar revestidos de uma qualquer capa de elegância estranha. É como se a pessoa soubesse que está a fazer merda, mas porque até tem uma capa de elegância e aparência normalizada, passa como algo que só uma educação superior pode conceder. E o mais engraçado é que existe uma espécie de ilusão na qual as pessoas parecem ter a noção de que esse cinismo ou falsidade nunca transparecem. Os sorrisos amarelos, os gestos afectados, os olhares semi-cerrados surgem como uma capa de invisibilidade perante a fundamentação factual e indesmentível dos actos.
A verdade é que essas atitudes, ou conceitos, desrespeitam mais ainda a pessoa que os pratica, porque são uma mentira dentro da mentira. Acabam por se lhes colar como uma segunda pele, e a tolerância exercida rouba qualquer espécie de confiança externa que lhes possa ser entregue. E julgo que não existe nada mais triste do que olharmos para alguém e percebermos que podemos esperar tudo. Que o bom e o mau poderão ser encarados como normais, como indiferentes, como uma mancha de indefinição vinda de alguém que com o passar do tempo, não deixa as marcas necessárias ou desejáveis em alguém, mas simplesmente isso... marcas. Pedaços de algo irrelevante porque absolutamente esperado.
A falsidade acaba por ter sempre as pernas curtas. E cedo ou tarde, ainda que permanecendo impune, julga-se peranto o próprio praticante. Ela, assim como o cinismo, são as muletas da adaptação solitária de um qualquer mecanismo pretensamente darwinista de eficiência social. É das piores formas de selvajaria polida que existem.
Ao contrário das deslealdades singulares, ninguém é falso uma vez. A falsidade pressupõe continuidade no tempo. E premeditação, consciência de que a atitude se repete uma, e outra, e outra vez, baseado em motivações que a espaços, até mesmo os praticantes esquecem. É algo que pode ser calculado ao pormenor, e que nem sequer tem a desculpa de um comportamento pleno daquela pathos violenta que volta e meia nos leva a cometer erros.
A falsidade é algo que parece cair bem, e denunciar até alguma inteligência. Mas o escárnio incluido nesse comportamento acaba por recair naquele que, quando descoberto, não tem nenhuma outra alternativa senão canibalizar-se com a sua própria pele podre. Os falsos acabam por acumular outra péssima caracteristica. Mais cedo ou mais tarde são os seus próprios delatores...

terça-feira, dezembro 13, 2005

Excerto....

"É extremamente difícil explicar às pessoas o impacto de certas coisas na nossa mente ou aquele local estranho e intangível onde formamos os nossos juízos estéticos. É uma forma de solidão, como outras, mas de um certo modo nunca desistimos de querer generalizar ou universalizar a noção clara de que um autocarro acabou de nos atropelar a alma. Nunca sabemos como o fazer, ou as tentativas, ainda que satisfaçam os outros, nunca fazem o mesmo por nós.
Esses momentos tornam-se uma terapia, uma espécie de local seguro onde paramos quando estamos fartos de jogar à apanhada com o que quer que nos assole todos os dias. Uns usam drogas, outros bebida, outros ainda psiquiatras ou psicólogos. Os mais afortunados, usam amigos verdadeiros, mas esses são ainda mais raros que bruxas a recitar poesia.
Eu fecho os olhos e vejo aquela rapariga vestida de bruxa, com as formas do corpo jovem e belo desenhadas mas igualmente difusas na luz roxa, lendo um poema que faz exactamente as mesmas perguntas que eu e sem responder acaba por confortar-me. É um truque como todos os outros, É meu. Daí a sua validade idiossincrática e duvidosa.
Bem sei que é bem mais elegante ser cínico, e que a mais das vezes se confunde essa predisposição mental com a verdade ou sinceridade. Não haja também qualquer dúvida que eu próprio concordo algumas vezes com essa premissa ou atitude. Mas naquele instante essa noção irritar-me-ia se nela tivesse sequer pensado, como me irrita agora que a vejo em tela de recordação. Porque era algo ao qual eu desejava dar uma importância que acabou por verificar-se no decurso da minha vida, ainda que os restantes milhões de pessoas no mundo não pudessem estar-se mais nas tintas para isso. É uma realidade dura de enfrentar, e nada nova. Mas nunca me habituei a ela e calculo que ninguém o faça."
“The Tyger Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal band or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare sieze the fire?
And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And, when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?
What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the Lamb make thee?
Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night, What immortal hand or eye,
Dare frame thy fearful symmetry?

William Blake
(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu. Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)

A LISTA - PARTE IV

1. Reconhece que optas sempre, mas admite contentar outras vontades. Quem sabe se não acabarás por concordar?

2. Tem sempre sonhos. Alimenta-os sempre, por mais estapafúrdios que sejam. Poderá ser a coisa mais preciosa a partilhar com outra pessoa, ou a marca mais evidente da tua identidade.

3. Tem paciência. Mesmo quando já a tiveres perdido completamente, pelo menos recorda-te de que a tiveste e que a quiseste manter.

4. Persegue os que amas. Nunca desistas de obter uma confirmação exacta do que podes conseguir. Mas nunca exageres, e liberta-os sempre antes da ultima tentativa.

5. Faz amizade com um médico, um advogado e um empregado de papelaria e livraria.

6. Transforma-te no que puderes, mas não te faças no que não és.

7. Indigna-te sempre que achares legítimo. O cinismo é subtil, por isso acautela-te.

8. As coisas nunca estão tão más como parecem, mas também nunca ficarão tão bem como se espera. Se possível ,vive feliz nesse intermédio.

9. Aceita a desilusão. Mas nunca a aches natural.

10. Passeia pela internet e fala com alguns desconhecidos. Mas quando sentires necessidade de gesticular e fazer caretas ao monitor, então está na hora de descansar e ler um livro.

11. Faz surpresas a quem amas. Nunca são demais e repelem o cansaço da convivência. São o antídoto do veneno comodista.




E nos instantes em que nos reencontramos connosco, salvos do que nos carcomia, e encontrados na constância do instinto, aceitamos o respeito, a tolerância, e a dor doce dos impulsos, como os formatos esperados de algo que se jugava meio perdido, mas que se encontra somente protegido.
E nas perspectivas de uma vida que segue, apesar de tudo, há intermitências do que não se perdeu, do que não é possível de expurgar da teimosia sanguínea de um modo de vida.
É esse pedaço que mostras.
É esse o sabor do mundo.
É viver nele.

terça-feira, dezembro 06, 2005

Há algo que não entendo na lógica de espectador ou cidadão com consciencia política.
Se um debate corre civilizadamente, se as pessoas apresentam as suas ideias com elevação (que não de tom de voz), há um bocejo generalizado.
A imprensa, e os comentadores, agem como a turba excitada em busca de sangue, sendo os mesmos idiotas que depois reclamam que o discurso político está desacreditado e entrou definitivamente na bandalheira.
Provavelmente o debate Soares/Cavaco vai ter contornos circenses muito mais ao gosto da malta que quer é ver palhaçada e baixaria, porque pelos vistos, isso é que constitui um debate quente, mesmo que a noção de debate seja prematuramente substituída por baderna inconsequente e ataques pessoais.
Ou um Louçã/Cavaco... isso é que vai ser engraçado. Panelas e maços de manifestos políticos a voar por todo o lado.
Realmente, só temos a classe e situação política que queremos.
Que tristeza...
Neste dia, em 1926, Benito Mussolini introduziu um imposto aos homens solteiros.

É caso para dizer que, em certa medida, algumas ditaduras ainda se mantêm. Mais suaves e escondidas, mas ainda assim, socialmente visíveis.

E certos preços a pagar ainda são altos, embora de certa forma opcionais.

Mas só de certa forma . . .
"It is a golden maxim to cultivate the garden for the nose, and the eyes will take care of themselves."

Robert Louis Stevenson


Sim, mas sempre com mínima promessa de flor, ó Robert...

segunda-feira, dezembro 05, 2005



Como diria o Euronews... No comments....
(...)Qualquer coisa que esteja bem nestas tomadas de consciência, é mérito de quem as passou.
O que estiver mal, estará por culpa de quem as interiorizou incorrectamente, ou seja, eu.
Se vos parecer demasiadamente com um texto de auto ajuda, fica desde já esclarecida que não é essa a intenção, e apresentadas as desculpas por isso mesmo :)

A LISTA - PARTE III

21. Arranja um cão ou um gato, ou uma iguana, ou qualquer outro animal de companhia. É a forma mais clara que a natureza tem de te dizer que te aceita, sem palavras ou símbolos humanos, e com um grau de incondicionalidade que não conhece par.

22. Quando amares, aceita-o. Quanto mais protestares contra ti próprio, mais tempo levas a desfrutar de quem te corresponde, ou a esquecer quem não o faz.

23. Engana apenas em ultimo caso. Mas nunca partas do princípio de que não o farás. Quanto mais o pensares, mais rapidamente acontecerá.

24. Conhece a fundo aquilo que detestas. É a forma mais eficaz de desmereceres aquilo que eventualmente o mereça, e de reconheceres o alcance dos teus preconceitos.

25. Opina, mas julga o menos possível.

26. Conhece a fundo aquilo que amas e em que acreditas. Dessa forma, poderás a mais das vezes ser contestado, mas nunca desarmado.

27. Pratica um desporto. Saboreia a competição. Mas tem cuidado com o teu desejo de ganhar perante a generalidade das regras.

28. Apoia os teus superiores e acarinha os teus subordinados. Mas somente quando aches que realmente o merecem, e se fores obrigado a fazê-lo, fá-lo pela medida mínima. Quem tiver de o fazer, cedo o perceberá.

29. Olha para outros que não o teu companheiro ou companheira. A diversidade é necessária e a tentação inevitável. Supera-se melhor aquilo que se conhece.

30. Mascara-te todos os Carnavais.
Nos ultimos dias encontrei-me incapaz de escrever.
Quando estamos emersos em alguma espécie de confusão, especialmente quanto á própria identidade no espaço dos outros, tendemos a caminhar para alguma reclusão. E no meio do cansaço, surgem as inevitáveis perguntas, tão próprias de momentos e instantes que a pressão socializante tornam especialmente penosos.
Fiz a minha árvore de Natal, e congratulo-me por conseguir olhar para ela com alguma surpresa alegre. Pensei genuinamente que olhar para aquela iluminação colorida, na minha sala semi escurecida e cortada em pedaços por algumas velas, seria penoso. Mas não. É apenas uma percepção clara de que certas coisas germinam dentro de nós, mesmo contra qualquer intempérie menos clemente. Que a percepção de certa ideia permanece clara, e apesar de ferida de um certo respirar fundo, está lá, envolta nos elementos que a tornaram desde sempre querida ou importante.
Julgo que mais realidades deveriam ter esta característica de perenidade. Afinal, as memórias aparecem assim, feitas de parcelares detalhes que duram o espaço de uma vida, feitas dos sulcos que são as letras de cada uma das nossas histórias.
Estes são tempo extremamente dolorosos para algumas pessoas. Porque a pressão é avassaladora e plena de perguntas demasiado incómodas. Há uma atmosfera no ar que tem aquela particularidade de ser duplamente avassaladora. E desenganemo-nos. É de facto inclemente, como qualquer potenciação dos nossos melhores sentimentos, ou anseios por estes.
Mas a árvore está lá. As luzes piscam e não me ligam nenhuma, e as velas parecem mais brilhantes.
Para um agnóstico, a magia desta quadra parece uma piada. Mas não é.
Porque afinal de contas, ela é feita pelas outras pessoas.
E é por isso que se torna tão fantástica ou insuportável.