Noto que em algumas franjas da opinião feminina, e reforço o termo algumas, que o ressabiamento está a crescer de forma avassaladora, mascarado de uma espécie de evolucionismo socialmente correcto.
Pérolas como a superioridade de um qualquer eterno feminino, associado a uma perspectiva maniqueísta de que ao universo masculino está necessariamente traduzida numa infantilidade e deslealdade quase genéticas, revelam um desconhecimento algo paternalista que por vezes inquina qualquer crítica, mesmo as legítimas.
Pensar que muitas mulheres não traem, ou que não procuram de alguma forma muitas das coisas que aparentemente criticam, é ter uma visão unilateral ou parcial da realidade. Pensar que algum dos géneros pode defender-se das suas iodiossincrasias, negando essa mesma defesa ao género contrário, é apenas um exercício de sobranceria, que vitima quer o machismo, quer o feminismo.
São perspectivas que abandonam o espirito crítico e se apoiam em normas de comportamento reiterado e na idolatria da tradição. São o pior dos vincos na contenda do tecido social inter-géneros, e, na minha modesta opinião, todos são culpados.
Talvez porque o esforço esteja em superiorizar e não entender, na paixão das defesas e não no espirito crítico das eventuais, e diga-se, necessárias discórdias.
A discriminação por género é tão nociva quanto qualquer outro motivo baseado numa realidade existencial própria do indivíduo, e que em nada afecte o seu valor como ser participante.
Podemos gostar mais de umas coisas e menos de outras.
Mas de alguma forma, cada uma das defesas ou ataques deve ser argumentativa. E não baseada num simples pressuposto de facto - ser homem ou mulher.
