
ESTAÇÕES DIFERENTES
Stephen King - "Different Seasons"
Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com
quinta-feira, março 15, 2007
quarta-feira, março 14, 2007

Esses momentos tornam-se uma terapia, uma espécie de local seguro onde paramos quando estamos fartos de jogar à apanhada com o que quer que nos assola todos os dias. Uns usam drogas, outros bebida, outros ainda psiquiatras ou psicólogos. Outros escurecem. Outros desligam através da expressão artística de pessoas que por acidente até parece que os conhecem.
terça-feira, março 13, 2007
Parece que, segundo várias opiniões que vou ouvindo, a dor colectiva é um caso digno de nota, ao passo que a dor individual é um acto de imodéstia e dramatização indesculpável. Isto, claro, a não ser para aqueles que o saibam fazer com elegância.
segunda-feira, março 12, 2007

Afinal como é?
Existem pessoas que fazem mal, ou pessoas que simplesmente se comportam conforme que lhes é permitido pelas outras?
É um dilema lixado, porque de alguma forma está sempre ligado à noção daquilo que define cada personalidade, dos limites auto-impostos, e mais do que tudo, daquilo que achamos não admissível em abstracto.
Que diabo, fraquezas toda a gente tem, e quem nunca fez asneira ou se comportou de forma da qual não se orgulha particularmente, que atire a primeira pedra. Mas usar conscientemente determinadas estratégias que serpenteiam pelas fraquezas do outro para daí tirar dividendos da sua credulidade é algo que sinceramente me dá alguma urticária.
Mas vamos lá a ver a real perspectiva das coisas.
Até que ponto esse discurso/estratégia tem pernas para andar sem a conivência do ouvinte? Até que ponto os factos justificam uma intervenção racional no sentido do esclarecimento, e da escolha esclarecida?
Os "artistas", coelhos fofinhos com dentes afiados se quiserem (eu gostei imenso da imagem), são como uma engrenagem bem oleada, onde o funcionamento dos conceitos é tão fluido como um mar sulista num dia de verão onde nem o vento sopra. Cai bem, parece ter a lógica daquilo que o ouvinte integra como sendo o encaixe das suas próprias inevitabilidades, e nas quais se escuda para depois tirar as conclusões menos boas.
As pessoas que, mesmo sabendo que os seus alvos são assim construídos, aproveitam essa debilidade, demonstram duas formas de desrespeito.
1 - Pelo outro, porque bater em quem está em baixo ou demonstra incapacidade de se defender é baixo por qualquer padrão aplicável. É sorver o inatacável da outra pessoa, é instrumentalizá-la ao ponto de uma auto-gratificação que se justifica na estratégia aplicável.
2 - Por si próprios, porque se a pica se mantém por pessoas que tão mal se têm em própria conta, que não protestam, que não reagem, então os manipuladores detestam verticalidade e apreciam moluscos invertebrados, o que não os abona muito.
Os artistas, que deambulam numa constância da sua atitude muito bem calculada e inteligentemente armada, predam naquilo que deveria ser matéria da integridade pessoal. Aquelas coisas onde não se toca, onde não devemos mexer, mesmo que pareça tão fácil, tão exposto. Mas se for a ser perfeitamente pragmático, esses especímenes só farão aquilo que lhes é permitido. E se a porta é escancarada, mesmo quando o cavalo é claramente de Tróia, então a ocasião faz o ladrão, já lá dizem os antigos.
Agasta-me mais a atitude de teimosa recorrência, de estupidez (desculpem lá os maus fígados, dormi pouco) a qual, perante as continuas manifestações de histórias coladas com cuspo e desrespeitos variados, escudam o masoquismo e a falta de respeito próprio sob a capa de um sentimento qualquer. E depois queixam-se tremendamente porque afinal de contas, as atitudes e lógicas que se verificam não assentam na perspectiva que idealizavam. É uma outra forma de inflexibilidade por crença auto-imposta.
sexta-feira, março 09, 2007

Da Genealogia e Morfologia do Horror.
Já me havia cruzado com este caso a propósito do livro de Jack Ketchum chamado "The Girl Next Door", que desde já recomendo, embora recomende também um estômago suficientemente forte, porque é absolutamente necessário. Já agora complementem com a leitura do livro "The Indiana Torture Slaying: Sylvia Likens' Ordeal and Death", de John Dean, coisa que pretendo fazer em breve. E depois arejar bem a cabeça para aceitar a informação e expurgar o incómodo amargo que a incredulidade provavelmente deixará na cabeça durante uma ou duas semanas.
quinta-feira, março 08, 2007
(Disclaimer: Como o assunto me interessa muitíssimo, este post é muito grande e chato como a potassa, ao contrário do tema que o motiva. Sintam-se à vontade para seguir em frente.) Só por si poderia originar um aceso debate relativamente á natureza e efemérides que parecem conter em si mesmas elementos de discriminação. No entanto, se servir para denunciar de forma oficial os ainda recorrentes e inaceitáveis fenómenos de discriminação e violência que um género imprime sobre o outro em sociedades onde a ideia de um Estado de Direito é uma quimera, já terá alguma utilidade.
Na lógica e âmbito de direitos e deveres como cidadãos e seres humanos, a igualdade deve ser absoluta. Sem excepções que não estejam associadas à própria condição do género e intransponíveis deste para outro, como alguns aspectos da maternidade, interrupção da gravidez, tipos legais de crime específicos, etc.
Se um dia como este servir para denunciar determinadas práticas e afastá-las de qualquer espécie de defesa por diferenciação cultural e civilizacional, então que possa esse propósito significar a própria (muito discutível) defesa de um dia como este.
Parece impossível pensar em determinadas situações que ainda ocorrem, que são prática comum na chamada era da informação, mas que decorrem todos os dias. De acordo com as autoridades da ONU:
- Nos Eua uma mulher é espancada a cada 18 minutos, sendo esta a causa de cerca de 22% a 35% das visitas às urgências.
- No Peru, cerca de 70% dos crimes denunciados à policia envolvem violência doméstica.
- Em todo o mundo, mas com especial ênfase nos continentes Asiático e Africano, dois milhões de mulheres (sim, 2 000 000) são sujeitas a excisões genitais, em práticas que envergonhariam por defeito alguma da barbárie que criada pelas crónicas mais negras da idade média.
- Em Ankara, na Turquia (como sabem, candidato a Estado Membro da UE) Mehmet Halitogullari ignorou os pedidos de clemência da própria filha de 14 anos, estrangulando-a com um fio metálico até que ela perecesse. Este pai estrangulou a própria filha, vendo-a morrer lentamente, na agonia da asfixia porque a mesma tinha, segundo ele, manchado a honra da família por ter sido raptada e violada. O “pai” justificou a sua acção pelo facto de ter a necessidade de limpar a honra da família, dizendo que ignorou os gritos da filha, assassinando-a a sangue frio. E este é só um exemplo dos assassinatos de honra, o que é prática frequente naquele país, no qual se compara este acto a cortar um dedo. E isto sucede com a conivência da própria família, incluindo em alguns casos, as outras mulheres da família. Correndo o risco de ser pouco objectivo, isto pouco se afasta da psicopatia assassina de muitos serial killers.
- De acordo com relatos da ONU oriundos da Índia, a pesquisa genética para reprodução selectiva é um negócio em expansão, além de que as clínicas especializadas utilizam publicidade na qual se diz que é preferível gastar 38 USD numa interrupção de gravidez de uma menina do que 3800 USD num dote a conceder mais tarde.
A Índia é também conhecida pelos amantes repudiados que desfiguram ou matam a mulher que lhes interessa usando para tal ácido sulfúrico, ou por esposos que consideram o dote adquirido muito baixo.
Além disso, existem os bordéis disfarçados de ashrams “sagrados”, para onde são enviadas as "meninas viuvas" que Deepa Mehta correndo risco de vida às mãos dos fundamentalistas que, curiosamente, ficaram mais furiosos com a denúncia de um amor entre castas diferentes do que com a admissão da prostituição dessas menina e mulheres viúvas. Apesar dos movimentos reformistas, estes fenómenos parecem continuar a existir nos dias de hoje.
-E para não falar nas violações como prática de eugenia, conhecidíssimas nos conflitos dos Balcãs, bem como em muitos países africanos, e em especial no horror de DARFUR.
-E finalizando com uma nota de humor, saibam que é, ou irá ser ilegal vender brinquedos sexuais, com especial incidência nos vibradores, em vários estados dos EUA como Alabama, Tennessee, Texas e Arkansas, dando multas e penas de trabalho pesado, mas onde é facílimo e barato comprar uma arma. Mas a ridicularia não termina aqui, estendendo-se ao Tribunal Federal que legitima a criação deste tipo de legislação. no mínimo idiótica.
Enquanto tudo isto for uma realidade, o dia da mulher, nem que seja pelo facto de chamar a atenção para situações que não figuram nos piores pesadelos de muitos, talvez tenha algum sentido, não como data de diferenciação de género, mas como chamada de atenção para aquilo que ainda ocorre em forma de violência exercida por um género sobre o outro. Nada justifica tal assimetria de direitos e garantias entre seres humanos. E quanto a isto estamos conversados. Qualquer ser humano, homem ou mulher, tem direito à protecção dos seus direitos e igualdade de circunstâncias, tratando-se de forma objectiva de forma igual o que é igual e de forma diferente o que é diferente.
Existem no entanto outras perspectivas, especialmente no ambito da manutenção da diversidade necessária entre géneros e na riqueza que daí advém, bem como nos eternos combates de perspectivas entre os dois sexos, especialmente no que diz respeito à sua inter-relação social, emocional e consequentemente comportamental.
Homens e mulheres também andam às turras, e andarão sempre, pelas formas como a sua genética e condição de aprendizagem, social ou não, os condicionam ou fazem crescer. Essas diferenças vão desde a forma como se pratica e sente o núcleo da prática sexual, bastando para isso pensar que o clítoris tem o dobro das fibras nervosas que o pénis tem, sendo oito e quatro mil respectivamente. Pode parecer uma piada, mas não é efectivamente.
Eu acho sinceramente que as mulheres me enriquecem a vida. Das mães, às namoradas, às amigas, às amantes, muito raramente senti que não tenha aprendido alguma coisa com elas, especialmente em meio à dificil navegação dentro das suas complexidades e necessárias incongruências, típicas do ser humano. Como ser pensante, emocional e sexual, a mulher é sempre um mundo a descobrir, e qualquer atitude de condescendência por razões de género é produto da pior forma de ignorância ou sobranceria possível.
No entanto, algumas das maiores detractoras do machismo ou da tentativa ou exercicio de domínio ilegítimo de um sexo sobre o outro, são defensoras de práticas e posições que em nada diferem daqueles que criticam, e que infelizmente são mais frequentes do que se julga. A pior face do feminismo assenta na condescendência e exercício de preconceito escarnecedor sobre o outro género. É combater fogo com fogo e usar de tácticas de desgaste de um discurso válido para efeitos também eles violentos e em muitos casos, inaceitáveis.
Algumas das vozes do feminismo não defendem a igualdade das mulheres, mas uma espécie de reconhecimento de uma suposta superioridade que deveria ser evidente, sendo denunciada por uma espécie de condescendência infantilizante que além de ser injusta, tenta ser generalizante. No fundo, trocar um dominador ilegítimo por outro, face á denuncia de supostas fraquezas e evidentes inferioridades. Já falei de alguém que o demonstra sem pejo aqui. Alguém que já foi acessora de imprensa do Presidente da República, e que tem a responsabilidade de não passar tamanha demonstração de preconceito para alguma opinião pública que infelizmente a ouvirá e interiorizará os disparates proferidos. Mas como ela existem muitas, e o discurso é perfeitamente reconhecível no seio das nossa intimidade social, onde estes discursos são ouvidos e supostamente legitimados.
Eu não temo mulher alguma. Respeito aquelas que me respeitam, e não tenho problema nenhum em aprender com mulheres que são mais capazes, hábeis e no fundo melhores do que eu. Mas não superiores naquele sentido já referido. Reconheço a qualidade superior à minha, como o faço relativamente a homens, se for esse o caso. Argumentem, convençam-me, e estou-me borrifando para o timbre de voz ou que tipo de volume está na zona do peito. Seja homem ou mulher, valem as palavras, as acções e as formas de estar e viver. Se for melhor e for mulher, entao toca a aprender algo com ela. Sem medos ou inferioridades.
Sim, sou um defensor acérrimo da qualidade da mente e do corpo. Muitas mulheres consideram isso uma espécie de exercício de machismo, porque significa uma pressão para elas. Errado. Porque a pressão, pelo menos para mim, é exercida também no plano mental, emocional e da prática da cidadania, para homens ou mulheres. E deixemo-nos de ideias de que não há pressão física sobre os homens, porque isso é uma treta na qual já ninguém acredita. Há de todas as formas. As pessoas tornaram-se exigentes, e acho bem. Nem nós próprios nos devemos dar por garantidos a nós, e não evoluir é morrer tanto aos olhos dos outros como aos nossos. O truque é ser exigente, mas claro, não maníacos do perfeccionismo. A regra do bom senso não é, como noutras situações, despicienda aqui.
Em suma, este dia diz-me pouco porque não me lembro das mulheres só neste contexto. Mas também não tenho nada contra ele se significar uma forma visível de corrigir desigualdades, injustiças e deter agressões injustificadas (*).
Celebro o conceito da mulher todos os dias. E todos os dias ele me irrita, admira, maravilha, intriga, chateia, desilude, ensina, ou seja, todos os dias o ser humano capta o meu interesse por cada uma das suas facetas psico-fisico-intelecto-sexuais.
Feliz (mais) um dia de metade da humanidade.
Ok, a minha preferida, pronto.
(*)o que por definição são quase todas as formas de agredir seja quem for. Não todas, mas quase.
quarta-feira, março 07, 2007

À primeira vista pode parecer uma contradição em termos. O espaço para a racionalidade no afecto parece aferível a partir de uma lógica quase semelhante ao método científico.
Mas será?
Será mais afectuoso eliminar a racionalidade, a lógica, a explicação, todas direccionadas num caminho direccionado à reconstrução, à ajuda consciente e material do objecto de afeição? Ou será preferível deixar que o afecto se manifeste como uma exculpação emocional onde a mesma só significará a persistência dos erros, e o correspondente sofrimento do que teima em permanecer imutável?
Sinceramente, acho que ambos são necessários, sempre numa lógica de ajuda. Saber que a afeição nos pode levar no caminho claro do respeito pelo outro. É mil vezes preferível sentir o afecto ao ponto de aplicarmos uma lógica que conduza ao melhoramento do outro, não porque somos melhores, mas porque reforçamos e sublimamos aquilo que aquele tem e que pode ser tão visível e material, ao ponto de o arrancar do local onde se afunda.
A racionalidade afectiva é dizer o necessário porque se gosta. É trilhar o caminho do que é mais difícil de dizer porque o respeito a isso obriga. É celebrar as qualidades pela indignação que causa vê-las escondidas pela teimosia da própria pessoa. É ser mais activo na procura da verdade pessoal, mas sem cegueira, e sem condescendências. É querer mesmo o melhor na pessoa, sentindo que ela o pode dar.
Existem aqueles que a aplicam, que a professam e pregam, mas sempre na acção, na vertente do outro, daqueles que lhes causam o afecto, e que o merecem no melhor que pode ser dado, no qual a racionalidade não está esquecida. Existem aqueles que não estão quietos, nem conseguem. E o que seria de nos sem esses teimosos, que agem, que fazem, que mexem, tudo porque de alguma forma, sabem que a inacção condescendente e a pancadinha inerte mas combalida e "afectuosa" nas costas é apenas mais uma demonstração daquilo que o Paul Thomas Anderson dizia serem "as coisas que deveríamos estar a fazer uns pelos outros... e não estamos."
E o mais fantástico é que não acham o que fazem nada de especial.
Acham normal. Acham convictamente racional que perante o afecto, só se possa agir assim.
Ainda bem...
I've worn the world without a word
And I don't care too much for what they say
Grip my smothering end
Another day will pass again
Keep My fire alive for I'm not afraid
Can I make them understand
Who in the world would have thought this
God I'll never know your plans
Doin what i got to
What I Got to hang on
Cause I'm doin what I got to
What I got to hang on
Hanging on by a thread this is what I got
So hang on to this"
Thank you :)
terça-feira, março 06, 2007
"I consider myself a handicapped person in that I used to believe that everyone, uh, that their intention in the world was to learn more, to do better, to seek out the truth, and the older I get, I realize that’s not the case with most people. They’re pretty content with the way things are and to just kind of live day by day."
Maynnard James Keenan
segunda-feira, março 05, 2007
sexta-feira, março 02, 2007
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?"
Mário Quintana
Roubado vergonhosamente aqui...
