ESTAÇÕES DIFERENTES

"The most important things are the hardest things to say. They are the things you get ashamed of, because words diminish them - words shrink things that seemed limitless when they were in your head to no more than living size when they're brought out. But it's more than that, isn't it? The most important things lie too close to wherever your secret heart is buried, like landmarks to a treasure your enemies would love to steal away. And you may make revelations that cost you dearly only to have people look at you in a funny way, not understanding what you've said at all, or why you thought it was so important that you almost cried while you were saying it. That's the worst, I think. When the secret stays locked within not for want of a teller, but for want of an understanding ear."

Stephen King - "Different Seasons"


Partilhar informação @ estacoesdiferentes@gmail.com

quinta-feira, abril 12, 2007

"But I'd only told them the truth. Was that so selfish? Our integrity sells for so little, but it is all we really have. It is the very last inch of us. But within that inch we are free. (...) Every inch of me shall perish. Every inch, but one. An inch. It is small and it is fragile and it is the only thing in the world worth having. We must never lose it or give it away. We must NEVER let them take it from us. I hope that whoever you are, you escape this place. I hope that the worlds turns, and that things get better."
Valerie's Speech - V for Vendetta

A questão da integridade ou ideal interno e pessoal é dos assuntos mais complexos de debater ou objectivar para entendimento alheio. E pelas mais variadas razões.
Não é fácil explicar a razão pela qual nos arreigamos a uma coerência. Coerência ditada por nós, numa espécie de lógica de maximização do respeito entre o próprio e as coisas que o rodeiam. Torna-se complicadíssimo objectivar a pulsão que impele cada um a respeitar a sua integridade, e a não ser capaz de a render em determinados momentos ou condicionalismos.
É de facto mais fácil viver de acordo com uma padronização adaptativa, ou seja, a exibição das máscaras que escondem o desespero dos vazios parcelares, e a adequação à tolerância máxima daqueles que escolhemos para nos rodearem.
A defesa da tal diferença exponenciada na honestidade máxima possível ( porque total ainda acho complicado tal é a diversidade de sensibilidades no mundo de tanta gente), pode colidir com a normalidade dos processos. Aquilo que é considerado adequado, e que em muitos casos redunda numa já aqui falada definição de maturidade. E quando colide, julgamos essa defesa da maturidade assenta numa espécie de opção total por um formato de vida, onde uma outra coerência ou ideal assentou arraiais.

Mas…

Cada vez são mais os casos em que os dois mundos são juntos numa espécie de peneira mal enjorcada, e as soluções são encontradas por entre becos estranhos e lógicas tão adaptadas às conveniências que mais parecem bolhas de ausência de realidade com portas de chave única. E os utilizadores defendem afinal de contas uma opção por uma visão concretizada no aceite, no adequado, na parte chamada real e palpável, ao mesmo tempo em os segredos onde a integridade se estilhaça são perpetrados todos os dias, como uma espécie de segunda e necessária história
É humano ser incompleto, inseguro, cometer erros e ter fraquezas. É humano rebentar por qualquer lado, mas por vezes a realidade ultrapassa em muito a ficção, e aquilo que permanece, encontrados os factos, foi a censura de uma integridade pela diferença perpetrada por uma coerência inexistente e por consequência, ilegítima.
É preciso ter uma lata do caraças para apregoar o número da evolução social, da familiazinha nuclear muito bonita para a fotografia, da mulher que se exibe orgulhosamente como parte do contrato social e a pertença às tribos dignamente gregárias, apregoar estes tipos de modelos como parte da necessária lógica de crescimento ou evolução.
Ou para falar dos deveres do estado e simplesmente escamotear os deveres de pagamento de impostos como se fosse um sinal luminoso de esperteza saloia, numa clara idiotice de discurso adaptativo consoante o que dá jeito ao umbigo onde tudo se exige e nada se cumpre.
Para encolher os ombros e meter ao bolso porque, que diabo, toda a gente faz isso!
Isto para depois aceitar toda a espécie de desvios que se auto justificam como a forma que a pessoa encontra de “estar ou viver bem”, viver “como consegue”. É preciso que se esclareça a total inexistência de qualquer juízo de moralidade maniqueísta no que quero dizer. Mas é um claro ataque a uma incoerência feita de uma censura leve levada a cabo por quem prega mas definitivamente não cumpre. E os pontos a que estes telhados de vidro podem ir desafiam qualquer lógica e imaginação mais potente.

A integridade que cada um tem, a qual por vezes nos leva à negação em cortar cantos e dobrar esquinas pela facilidade, e que se radica naquilo que dizemos interiormente como récita da nossa estrutura pessoal, é defendida a duras penas. Os juízos dos grupos, (especialmente se assentarmos numa teimosia comportamental onde a satisfação própria pelos caminhos seguidos não é uma questão controvertida senão para os observadores), podem por esta estrutura em causa de mil e uma formas. E normalmente, fazem-no nas costas das suas próprias transgressões, riscando com tinta indelével as páginas supostamente imaculadas da porra da cartilha.
E de uma forma mais directa, esta é uma forma talvez vaga de dizer a alguns dos meus críticos pessoais que os seus conselhos sobre o que é a normalidade, sobre o que são os comportamentos ditos adequados, sobre o que é crescer ou ser maduro são, hoje em dia, ainda mais uma espécie de latido inconsequente manchado pelas dentadas dadas na própria cauda.

Ninguém é perfeito, somos todos humanos e como tal, finitos e incompletos.
A integridade pode realmente manobrar-se. Que atire a primeira pedra quem não o fez. Mas como já foi dito, é tudo aquilo que temos realmente. É aquilo que não podemos aldrabar, que nos ecoa na cabeça vezes e vezes sem conta. Onde, não importa a circunstância, não entramos. É como a orientação sexual. É aquilo em cada um, e pronto, inamovível. Dali não passamos.

Se a assumpção da possibilidade de ser humano e fazer merda é substituída por uma espécie de máscara genérica supostamente madura e genérica, então a hipocrisia chega ser fedorenta, e como tal, ilegítima e insusceptível de constituir cartilha do que é saber viver e como dever fazê-lo.
Vivemos como podemos, é um facto.
Mas, por favor, não pintem mais quadros de normalidadezinha pacata, de superfície imaculada, de paredes externas sem rachas, só para encontrar lá dentro um universo de paixões e actos nem sempre cheios de sol.

Tenham pachorra…
"Good evening, London. Allow me first to apologize for this interruption. I do, like many of you, appreciate the comforts of every day routine- the security of the familiar, the tranquility of repetition. I enjoy them as much as any bloke.
But in the spirit of commemoration, thereby those important events of the past usually associated with someone's death or the end of some awful bloody struggle, a celebration of a nice holiday, I thought we could mark this November the 5th, a day that is sadly no longer remembered, by taking some time out of our daily lives to sit down and have a little chat. There are of course those who do not want us to speak. I suspect even now, orders are being shouted into telephones, and men with guns will soon be on their way. Why? Because while the truncheon may be used in lieu of conversation, words will always retain their power. Words offer the means to meaning, and for those who will listen, the enunciation of truth. And the truth is, there is something terribly wrong with this country, isn't there? Cruelty and injustice, intolerance and oppression. And where once you had the freedom to object, to think and speak as you saw fit, you now have censors and systems of surveillance coercing your conformity and soliciting your submission. How did this happen? Who's to blame? Well certainly there are those more responsible than others, and they will be held accountable, but again truth be told, if you're looking for the guilty, you need only look into a mirror. I know why you did it. I know you were afraid. Who wouldn't be? War, terror, disease. There were a myriad of problems which conspired to corrupt your reason and rob you of your common sense. Fear got the best of you, and in your panic you turned to the now high chancellor, Adam Sutler. He promised you order, he promised you peace, and all he demanded in return was your silent, obedient consent. Last night I sought to end that silence. Last night I destroyed the Old Bailey, to remind this country of what it has forgotten. More than four hundred years ago a great citizen wished to embed the fifth of November forever in our memory. His hope was to remind the world that fairness, justice, and freedom are more than words, they are perspectives. So if you've seen nothing, if the crimes of this government remain unknown to you then I would suggest you allow the fifth of November to pass unmarked. But if you see what I see, if you feel as I feel, and if you would seek as I seek, then I ask you to stand beside me one year from tonight, outside the gates of Parliament, and together we shall give them a fifth of November that shall never, ever be forgot. "
V for Vendetta (grande Alan Moore - que venha o magnífico Watchmen)
Porque repetir o essencial nunca é demais.
Podemos ser obrigados a cumprir o programa, mas nunca, nunca, nunca a achar que essa prepotência é certa ou sequer desejável. Podem tolher-nos a capacidade de reagir, mas nunca a indignação ou liberdade de pensar.
Repito o que disse há dias atrás.
A maior e mais difícil avaliação a que sou constantemente sujeito é reputarem-me de ingénuo não porque pense que as coisas podem realmente mudar, mas aparentemente porque acho que devem.

segunda-feira, abril 09, 2007

Este fim de semana vi o "300".
Como disse um amigo meu, é obra de culto antes mesmo de o ser. Julgo que o Tarantino foi esperto (se é que o fez propositadamente) em não deixar sair o seu GRINDHOUSE ao mesmo tempo que este filme de Zach Snyder, porquanto a coisa na bilheteira poderia ficar feia.
É uma obra que nos deixa alguma estranheza, mas muitas e diversas impressões. Eu ia à espera de mais, confesso, mas ainda assim...

Visualmente é um triunfo absoluto.
Os rapazes foram treinados fisicamente a pontos inimagináveis para se tornarem reais deuses gregos, e as imagens mostram bem os resultados do que deve ter sido um sofrimento contínuo durante 4 meses ou mais. Para mim, que faço desporto de competição há mais de 20 anos, (embora agora essa competição seja no máximo mediana), já sofri na pele treinos bem extremos. Mas aquilo que actores e duplos suportaram durante seis meses é algo que nem sequer me passa pela cabeça, tal é o grau de esforço e dor física necessário.
No entanto os resultados estão lá. Se não são efectivamente a melhor elite de soldados da história, parecem. Mas coitados, saiu-lhes do pelo.
Eis o que os moços têm de fazer sem descanso entre exercícios, todos os dias, por vezes mais que uma vez por dia, sem prejuízo de outro trabalho fisico adicional. (Gerald Butler disse inclusive que entre takes ia levantando pesos ou fazendo exercícios.):
Receita de espartano:
25 elevações
50 arranques com mais de 60 kg
50 flexões de braços
50 saltos por cima de uma caixa de 24 polegadas
50 floor wipers - (ninguém sabe explicar bem o que isto é...)
50 movimentos de braços com 16 kg em cada um
25 elevações....
(chiça!!!!)
Mas há muito mais para ver que a forma física dos moços, embora seja curioso notar que sendo "300" um filme mais passível de agradar ao panorama masculino, tem atraído mulheres em barda ás salas.
A cor, a realização, os cenários, os enquadramentos e planos, as coreografias das batalhas, a grandiosidade das imagens, tudo se insere num épico "curto", pouco subtil a espaços, mas capaz de dar um espectáculo de arregalar os olhos.
A história é simples, como de resto toda a ideia subjacente, mas nem por isso deixa de ser eficaz. Não existem diálogos absolutamente memoráveis, nem dramatismo digno de especial nota. Neste filme, a ideia subjacente à magnífica BD que lhe deu origem nunca a abandona. O tom seco, violento, mas pungente e visualmente belo da obra de Frank Miller perpassa toda a transposição da mesma pelas mãos hábeis de Zack Snyder. E os actores entregam-se, o que desde logo é uma mais valia.
Tem ali algumas ideias um bocado complicadas e discutíveis, especialmente se tivermos em conta o cenário político internacional dos dias de hoje. Esta coisa na qual os persas são uma malta muito má, decadente e que arreia porrada de criar bicho por onde quer que passe, e Esparta auto identificar-se como uma ilha de razão e liberdade na qual por acaso até se deitam pela ribanceira abaixo as crianças menos que perfeitas, e se lançam as que sobram ao destino da natureza ou de um micro-espaço de violência, morte e demais sevícias, pode levar a algum debate sobre a oportunidade da lógica subjacente à obra. Há ali um elemento de risco, até mesmo repudiável em abstracto, especialmente na ideia da raça perfeita. Mas que diabo, tirar esse tipo de conclusões de um pretenso subcontexto é olhar para o filme de forma redutora. O H.P. Lovecraft era um racista xenófobo dos quatro costados, e por vezes descai-se na sua obra, mas não é essa a ideia principal que passa pois não? Aqui também não, julgo eu. Mas tenho para mim que essas interpretações serão possíveis a quem as queira isolar de tudo o resto. Aos mais paranóicos e picuinhas, porque não ver a campanha persa como uma cruzada ao contrário? Para os mais distraídos, a BD é de 2004, sendo que a ideia que lhe deu origem é prévia, o que julgo que iliba Miller de qualquer simpatia pró imperialista, pelo menos na obra em questão. (E eu julgo-me insuspeito, porquanto reputo a administração Bush de cancerígena, para dizer o mínimo...)
Muitos dos críticos de cinema nacionais (que novidade...) arrasam o filme. Alguns argumentos entendo perfeitamente, outros acho que são produto do snobismo e ocasional falta de honestidade intelectual de que muitos deles sofrem, enrolados no seu discurso hermético o qual, bem espremido, dá meia duzia de gotas pouco esclarecedoras. Alguém dizia, na "Premiere" se não me engano, que a crítica existia para ajudar a pensar o cinema e as obras, não para mostrar a suposta e superior cultura cinéfila de meia dúzia de escribas que arrasam tudo o que não seja a sua concepção de cinema.
"300" é um filme que deixa algo, embora seja defensável que é um algo essencialmente visual. Mas fica. E é, juntamente com "Sin City" e "V for Vendetta", talvez uma das melhores adaptações de sempre da BD, embora eu ache qualquer um dos anteriores bem melhor que este "300" em toda a linha narrativa, e pelo menos equiparável no plano visual.
Para quando Watchmen, que segundo dizem os rumores, pode igualmente ter a mão de Snyder??
Quem fará de Rorschach?

Este fim de semana vi o primeiro-ministro duas vezes. Acompanhado da sua namorada, lá ia ele, descontraído, calça de ganga e blusão de cabedal, a caminho do cinema.
A panóplia de seguranças era discreta q.b., mas rápida e facilmente identificável. Alguns a ler o sempre conhecido jornal, outros a limpar a área, a revistar os w.c., outros a tentar aparentar casualidade.
Deu-me vontade de lhe dizer uma ou duas coisitas, é um facto, e creio que muito boa gente talvez partilhasse dessa ideia. Sem a maquilhagem que com certeza usa para as suas aparições públicas e televisivas, pareceu-me um homem mais pequeno, franzino e sulcado no rosto do que eu imaginava. Estranha coisa que alguém possa governar o destino de tanta gente.
Se bem que depois de ver o "300", toda a gente parece pequenita...

quinta-feira, abril 05, 2007

"Um estudo do Ministério do Ensino Superior revela que em 1996 não houve nenhum aluno diplomado em Engenharia Civil, pela Universidade Independente (UnI). Este dado contraria os documentos, apresentados ao PÚBLICO como fazendo prova da licenciatura do primeiro-ministro, que indicavam que José Sócrates havia concluído o curso no dia 8 de Setembro de 1996." - In Público de hoje."
O problema não é se o homem é licenciado ou não. O Richard Branson também não é, nem o Harry S. Truman era, e esta mania portuguesinha dos títulos seria risível se não fosse triste. Mas a muralha de dissimulação levantada pelo Governo acerca disto, e a mentira que pode estar por trás mostra um desprezo pela transparência e legitimidade democrática que não é aceitável em lado nenhum. Além disso, a tentativa de controlar e baralhar a imprensa sobre esta matéria é inaceitável.
Impõe-se o esclarecimento não do grau académico do 1º Ministro, mas da razão pela qual a muralha erguida sobre o caso.
Respeito, meus senhores! Pela legitimidade democrática, pelas pessoas.
Palavras para quê ?
A tristeza profunda é silente.
Graças a um grande amigo, tenho a possibilidade de folhear e ler gratuitamente algumas das revistas masculinas que por aí andam. E tirando a GQ, cujos artigos e qualidade fotográfica estão, para mim pelo menos, claramente acima da média (embora volta e meia pisem na bola - a entrevista e a homilia feita à Carolina Salgado só é ultrapassada em ridicularia pelas respostas da própria, muito próximas do inenarrável), existe uma restante panóplia de publicações cuja qualidade é, em muitos casos, pouco mais que sofrível.

No entanto aquela que figura na base de pirâmide é a MAXMEN, por uma variedade de razões, mas vou apenas enumerar algumas.
1 - Erros ortográficos a torto e a direito, e alguns deles absolutamente indesculpáveis porque se trata efectivamente de ignorância e não de um azar dactilográfico. A frase "e não ouve queca para ninguém" sugere que alguém precisa de ir ao otorrinolaringologista porque tem surdez vocabular selectiva perante a linguagem de cama, e não que naquele instante alguém ficou sozinho e agarrado ao que tem de seu.
2 - Os artigos, exceptuando os de informação que até são bem documentados e escritos em estilo interessante (os de criminologia e automóveis, por exemplo), são uma panóplia de clichés a puxar para o camionista que há em nós. Não me entendam mal. Eu gosto de ver as meninas, e agora as mamas expostas que elas carregam, mas todo o teor da revista assenta numa espécie de pseudo-humor nivelado por baixo, quando, face aos assuntos, poderia ser puxado bem para cima. O especial destaque vai para uma rubrica nova chamada as "3 katrinas", (provavelmente uma metáfora desinspirada sobre as pombinhas da catrina ) onde a pobreza de discurso e de ideias roça o básico e o risível. Curiosamente o erro mencionado em 1 aparece nesta secção, onde é o menor dos males. O tom supostamente bem disposto onde os homens são todos reunidos num bando cuja sofisticação intelectual começa e acaba no meio das pernas (seja de quem for) é cansativo, generalizador e pleno de tom "batanete".

3 - As convidadas a mostrar os atributos são sempre geniais, maravilhosas, etc, etc, etc, por mais idiotices que digam, com especial relevo para essa ameba chamada Pimpinha Jardim, cuja burrice é tão completa que redunda na ignorância da mesma por parte da sua portadora. Diz a revista que o director está a pensar em erigir-lhe uma estátua. Brincadeira ou não, espero que seja o Cutileiro a fazer a estátua, e que seja algo parecido com a coisa que está no topo do parque Eduardo VII, onde nem os pombos param o suficiente para fazer o seu serviço.

4 - Quando o topo da qualidade de escrita de uma publicação é a MRP, acho que está tudo dito. Sinceramente. O Miguel Sousa Tavares dizia que quem vende meio milhão de livros tem pelo menos direito a dizer alguma coisa. Bem, o 24 horas é o jornal com a maior tiragem de todos. Será que o raciocínio é o mesmo? Aplica-se?

5 - E há a coluna de uma senhora chamada Ana Anes... Bem, adiante...


O slogan "a revista que sabe o que os homens gostam" parece poder traduzir-se em quantidades consideráveis de generalizações gratuitas de género (passe a redundância), futebol, mamas e cus (que desde que sejam bons, não importa as asneiras que digam), e uma espécie de uniformização por baixo feita do "porreirismo pueril mas encantador dos homens-que-afinal-não-passam-de- crianças-grandes-e um-bocado-para-o-boçais,-mas-a-gente-gosta-deles-à-mesma."
Sou, provavelmente e pelo menos em parte, tão neanderthal como o próximo, mas há limites para tudo. E não há mamas que disfarcem tanta pobreza...
O mais curioso é que isto é feito intencionalmente, para audiência claramente avaliada como tal e que aceita o barrete.
Scary...






Ela voltou.

Felizmente.

Quanto à nota acerca relativa aos destroços, subscrevo inteiramente. Mas infelizmente, também fui ver os meus quando me ocorreu tal coisa. É uma espécie inexplicável de curiosidade e necessidade. Não entendi este impulso na altura na altura, mas tive de ir ver. E o efeito não é realmente simpático.

As melhoras para a recuperação, embora na escrita ela já pareça efectivada.
Bonne chance!

quarta-feira, abril 04, 2007

"And then I realized it. It was the glee. Excitement. Pure and simple.

There was movement. Where once there was a slow, decaying death, there was now movement, noise, flying dust. The elderly smiled and talked about the people who passed by, the cars that were parked, and I imagined, the interviewer’s short skirt. I laughed inside and thought about all the things that I sometimes came across and that make no sense at all. They are the things that might just turn all of your certainties around in a second, and leave you slightly lost in what’s already a world on uncertainty and insecurity.

And I say that about myself, because that collective merriment was apparently contagious, since I found myself on my way to see a place where a man had taken his life, and I was smiling like a guy who’s out on a date with the perfect and unattainable woman. All that was happening seemed vivacious, happy, and filled with a life not forgotten, (since there never had been anything quite like that in the region’s history), but discovered, found, as a valuable fossil or treasure. The reason or origin for such matters was unimportant. They were smiling because of days that, as one of the elders would tell me later, just seemed to short."



Unfinished story...
But not for long
Bem sei que os liberais irão ter mil respostas (menos contratá-los para as suas empresas ou dar-lhes formação habilitante), dez mil teorias muito arranjadinhas, cheias de número e quejandos, mas a minha pergunta é muito simples:
E agora, o que se faz a 3000 pessoas?
A ideia de que se é diferente/original/"kindoffreakish" só porque se quer é semi-falaciosa.
A vontade pode não ter nada a ver com o caso.
A visão que nos entra pelos olhos pode ser barrada pelas pálpebras, mas quando as abrimos, os formatos mantêm-se. Logo, por muito que queiramos alterar o cenário, é como ele se nos apresenta, e da forma como o organizamos na lógica de vivência, que estabelece essa originalidade.
A merda é que por vezes as pedras voam, os rinocerontes têm cata-ventos na ponta do focinho, e as perguntas são sempre demasiadas.
E quando é bom por isso mesmo, então a confusão está lançada.
E já que hoje estou com a CRP na mente:
Artigo 34.º
(Inviolabilidade do domicílio e da correspondência)

1. O domicílio e o sigilo da correspondência e dos outros meios de comunicação privada são invioláveis.

2. A entrada no domicílio dos cidadãos contra a sua vontade só pode ser ordenada pela autoridade judicial competente, nos casos e segundo as formas previstos na lei.

3. Ninguém pode entrar durante a noite no domicílio de qualquer pessoa sem o seu consentimento, salvo em situação de flagrante delito ou mediante autorização judicial em casos de criminalidade especialmente violenta ou altamente organizada, incluindo o terrorismo e o tráfico de pessoas, de armas e de estupefacientes, nos termos previstos na lei.

4. É proibida toda a ingerência das autoridades públicas na correspondência, nas telecomunicações e nos demais meios de comunicação, salvos os casos previstos na lei em matéria de processo criminal.


E atenção, isto cobre telemóveis e demais meios de comunicação onde esteja em causa a privacidade da informação que ao próprio e só a ele se destina.
Quem já foi "violado" desta forma, saberá o que custa. E a indignidade de que se reveste.


Como terão reparado, activei a moderação de comentários. Isto porque alguém me invadiu a caixa de comentários com uma mensagem de teor xonófobo, a qual me escuso se repetir, e o que é pior, por alguma arte informática, não permitia que a apagasse. Logo, a única solução foi a apagar o post em causa, e activar a moderação de comentários.
É algo que não me agrada de maneira nenhuma, por duas razões:
- Não tenho assim tantos comentadores como isso, e os que gentilmente cá passam deveriam colocar as suas ideias directamente no espaço onde desejam.
- Porque à partida parece que estou a limitar a liberdade de expressão, o que não é verdade, como explicarei seguidamente. Ainda assim, chateia-me, e dá trabalho, porque tenho de ir ao mail ver o que lá está e depois aprovar os comentários.
Tudo o que sejam mensagens de cariz propagandístico a incitar a coisas como violência, ódio, xenofobia, misoginia, ideologia totalitária e/ou sonegadora de direitos fundamentais da pessoa human, insulto directo e injustificado,e quejandos, nem sequer serão admitidos.
Posso estar enganado, e provavelmente estarei, mas esta é a minha casa, e aqui não tenho de aturar as verborreias de gente que nem qualificação me merece. E para mais, a nossa lei fundamental garante-me toda a argumentação possivel para nem sequer ter em consideração conversa de gente débil mental, designadamente no seu art. 46º.
Digam de vossa justiça, comentem, concordem, discordem, mandem-me pastar ou à merda (mas com fundamentação que não só o insulto) se desejarem. Mas tudo o que revista o cariz acima referido não verá a luz do dia, pelo menos nesta casa.
Dito isto, quem tem a gentileza de comentar que o faça por favor.
Têm a minha palavra que somente o acima referido será retirado.
Abraço a todos
SK

terça-feira, abril 03, 2007

Anunciando o nosso primeiro:

"Sua Exª O Primeiro Ministro, o bacharel ou ex-aluno de licenciatura, José Sócrates."

Isto é que prestígio...
Sou agnóstico.
Isso é assente e mais empedernido do que seria imaginável em qualquer representação conceptual. Talvez haja lá alguma coisa, mas o que é ou deixa de ser não sei, e ninguém sabe. Claro que isto poderia levar-nos a um discorrer incessante sobre os mecanismos da fé e a sua importância na construção das consciências, personalidades, e por aí fora.
Mas não é por aí que vou hoje.
Falo apenas nas coincidências, nos pequenos eventos que sucedem quando não são esperados.
Nas coisas que não entendemos, nas perguntas que ficam por responder, no que poderiamos fazer mas parece tão difícil. Cada inspiração parece ter o cansaço de um dia, e no entanto ocorrem coisas que não aparentemente estão excluidas do calendário de previsões.
Se pensarmos que em meio a tanta coisa que adoramos e detestamos na paz dos dias, surge a incapacidade do sossego. E pior ainda, a atenção que lhe damos, porque na escaramuça das tendências surge o avançar do dia a dia. Ou pelo menos assim mo vão dizendo.
E no meio de tudo isto, baralha, troca, volta a dar, e o jogo nunca é o mesmo.
A graça de estar vivo no meio das regras, mas em partidas onde nunca somos os mesmos, e onde as cartas operam improbabilidades estarrecedoras.
Não fazer sentido é mau.
Mas procurar esse mesmo sentido é passadeira de vida.
Calcemos os sapatos de ténis e vamos lá ver o que se passa.
Como é que nos tornamos ferozes?

À primeira mordida, pois claro.
Pena enferrujada.

Dias cheios.

Bolas...

domingo, abril 01, 2007

Ter coração não significa reconhecer a existência do músculo, mas saber que o podemos ver no mais evidente local anatómico, quando nos referimos àquele em metáfora.
Sentir não é, nem deve ser, cegar.
Tapar o sol com a peneira também poderá dar cancro de pele...
A maior e mais difícil avaliação a que sou constantemente sujeito é reputarem-me de ingénuo não porque pense que as coisas podem realmente mudar, mas aparentemente porque acho que devem.
Tendo de ser o que somos, o que em meu ver sucede por processos tão naturalísticos e necessários como respirar, aceitamos as imperfeições, mas nunca como uma imobilidade.
As empatias são possíveis, mas sempre parciais, como o sabor diferenciado mas complementar que duas bocas encontram num beijo.
É diferente, mas de alguma forma funciona.
E até que se misture numa substância unitária, ou composta, existe o toque das arestas, as avaliações, e as tentativas de junção.
E a viagem resultante vale a pena.
Talvez seja mesmo por ela que vale a pena.
Talvez todas as formas de amor sejam isso mesmo.
Asas, rodas ou flutuadores.
Com coração, claro.