ESTAÇÕES DIFERENTES
Stephen King - "Different Seasons"
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quarta-feira, agosto 01, 2007
sexta-feira, julho 27, 2007

Não se trata de ser de esquerda, direita, centro, de cima ou de baixo. Trata-se de coerência mínima e bom senso.
terça-feira, julho 24, 2007
domingo, julho 15, 2007
quinta-feira, junho 28, 2007
terça-feira, junho 26, 2007
Normalmente se tenho algo a dizer às pessoas, digo-o, ou se a praça pública não é o local adequado, envio um mail ou uma carta, expressando o meu desacordo ou coisa que o valha.
O anonimato total, que se expressa através da ideia do toca e foge, faz lembrar os sacos de água suja ou os palitos nas campainhas dos prédios. A partir dos seis ou sete anos deixa de ter graça ou justificação.
Já o tinha dito, mas fica aqui novamente a chamada de atenção.
segunda-feira, junho 25, 2007
sexta-feira, junho 22, 2007
Este filme, e esta magnífica faixa trazem recordações, mas sobretudo, reflexão.
Sempre achei extremamente difícil contar uma boa história de amor. Talvez porque a natureza contraditória do fenómeno faça com que a sua materialização se deva revestir de especiais cuidados, sob pena de ficar soterrado pelos constrangimentos, e não elevado pela intensidade daquilo que o torna (perigosamente) único.
Também considero que o amor é um “transmorfo” subjectivo. Cada hóspede da sua influência cria um universo próprio para o poder vivenciar, e as manifestações alteram-se consoante a capacidade do seu portador. É como um vírus (a maior parte das vezes benigno, mas nem sempre) cujas mutações correm pelo contorno do seu portador, chegando mesmo a transformá-lo.
Recordo aquele texto que andou a circular na internet, do MEC (A Causa das Coisas continua a ser, para mim, a referência. A crónica "Almoços" é a melhor e mais hilariante crónica que alguma vez li na vida), a propósito do chamado "Elogio do Amor Puro". Entendendo a posição do senhor (e o texto é de facto belo), mas não posso deixar de discordar com algumas coisas, que foram defendidas e assumidas como máxima de vida por uma carrada de gente, começando logo pela designação "Amor puro".
Não sei o que significa. Que vem a ser amor puro? Pureza num conceito tão contraditório, violento e caótico como este parece-me quase como colocar uma tiara de fada na cabeça da MAE WEST. Não joga. Quanto muito existe um destilar da capacidade de querer, a qual torna o sentimento tão afiado e intenso que corta tudo à sua passagem, mas não há nada de puro, nada de cândido ou limpinho. Amor é sangue e pele debaixo das unhas, e transmuta-se como uma segunda pele, adaptando-se ao tamanho e ritmo dos corações. Quando estes se partem, a tal pele estala, e como diz o outro, o vento acaba por levar tudo. O amor é sim o mais contaminado de todos os sentimentos, julgo eu.
Depois elogiar o amor sem razão alguma, aleatório, estúpido, cego e doente, mais parece uma ronda de tiro aos patos. Mas que merda de mania esta de achar que os mais elevados e poderosos sentimentos humanos se caracterizam por uma total ausência de relação "causa-efeito", ainda que seja parcial! Será assim tão nobre e bonito olhar para alguém e, assim do nada, deixar de ter capacidade de “empatizar” seja com o que for porque a suposta rajada aleatória do amor varre tudo à sua passagem? Será que a ideia do valor intrínseco da pessoa, daquilo que nos encanta na sua capacidade de comunicar, de ser, de se mexer, de problematizar, de fazer rir, de deixar sair as contradições que a fazem humana, são meros detalhes despiciendos, perante a tal grandeza da estupidez linda do suposto amor de origem desconhecida? A mim parece-me terrível que algo tão importante como o amor possa ser definido como uma indeterminação arbitrária, onde aquilo que sou como pessoa é simplesmente dispensável, perante o grande mistério totalitarista do amor que não se sabe de onde vem.
Tenham paciência...
Existe, obviamente, mistério no Amor. Porque entre dezenas ou centenas de pessoas que conhecemos, muitas delas com charme, encanto, inteligência, beleza, só muito poucas nos fazem suar com a antecipação do toque. É esta espécie de triagem que constitui o mistério, por uma combinação de coisas cuja matriz desconhecemos, e que nos retira o peso do corpo ao descobri-la. Mas que diabo, o substrato está lá. Há algo que reconhecemos como fundamento parcial daquele ser humano que nos encanta. Olhamo-lo, ouvimo-lo, cheiramo-lo e sabemos que lá está algo que tem coincidência com os nossos pontos de aceitação, com juízos estéticos, éticos, emocionais, e mesmo aquilo que nos irrita compõe o ramalhete. Aceitar a total falta de fundamentação, é, em meu modesto ver, reduzir a pessoa e o próprio amor a uma espécie de esoterismo dogmático, e o amor tem para mim muito pouco de religioso ou de "é assim porque é e o que é que a malta há-de fazer." (E sou tão sensível ao maravilhoso final do "The Dead" do Joyce como qualquer romântico inveterado.)
Se a beleza do amor é a falta de comunicação, a casmurrice, a ansiedade, os gritos, a falta de um mínimo de lógica e senso, as tragédias gregas, e se só isto significa esse algo que entra por nós a dentro e nos desequilibra, nos faz melhores, mais completos e mais vivos, então eu estou mesmo morto e não recebi o aviso lá em casa. Escandaleira, possessividade paranóica e drama não é amor, mas apenas uma forma de exercer poder sobre alguém.
Amor real, para mim, traduz-se em sentirmos que, por causa de alguém, somos muito melhores do que éramos, mais capazes, mais completos, e sobretudo, diferentes. Diferentes porque maiores, porque algo transforma as realidades, que parecem sempre iguais, em algo para o qual existem fundamentos, mas raramente uma explicação cabal.
Amor é perdermo-nos no que somos, e no que alguém é. É perceber que o coração pode partir-se e esse risco pode transformar-se num abandono à realidade que se vê sem cores ou formatos. Amor não é um tom pardacento ou misturado no completo desconhecimento. É passar do cinzento ao vermelho, e viver as gradações como se caíssemos de uma falésia, mas nunca em total desconhecimento.
Amor não é puro.
É justamente o contrário.
O amor é a mais notável forma de contaminação.
As boas histórias (acerca dele) são feitas de perguntas, de descobertas e sobretudo, de reconhecimentos inauditos, braço dado com as novidades de quem levou aquilo que era um pouco mais longe no nosso reconhecimento.
(E, claro está, é também um aroma corporal de fazer dobrar os joelhos e transpirar sem calor...)
quarta-feira, junho 20, 2007
However, the moment has come for me to put off the jester's cap and bells.
I do thank Sweden for its wonderfully warm hospitality and I do thank the Nobel Foundation and the Swedish Academy for the welcome and unexpected way in which they have, so to speak, struck me with lightning. I only wish all borders were as easy to cross and all international exchanges as friendly.
I have been in many countries and I have found there people examining their own love of life, sense of peril, their own common sense. The one thing they cannot understand is why that same love of life, sense of peril and above all common sense, is not invariably shared among their leaders and rulers.
Then let me use what I suppose is my last minute of worldwide attention to speak not as one of a nation but as one of mankind. I use it to reach all men and women of power. Go back. Step back now. Agreement between you does not need cleverness, elaboration, manoeuvres. It needs common sense, and above all, a daring generosity. Give, give, give!
It would succeed because it would meet with worldwide relief, acclaim and rejoicing: and unborn generations will bless your name."
The cry of a child by the roadway, the creak of a lumbering cart,
The heavy steps of the ploughman, splashing the wintry mould,
Are wronging your image that blossoms a rose in the deeps of my heart.
The wrong of unshapely things is a wrong too great to be told;
I hunger to build them anew and sit on a green knoll apart,
With the earth and the sky and the water, re-made, like a casket of gold
For my dreams of your image that blossoms a rose in the deeps of my heart."
William Butler Yeats
Mais Yeats para um dia melhor... :)
Sempre gostei mesmo, mesmo, mesmo muito deste senhor...
Mesmo muito.
Picked him for her own,
Pressed her body to his body,
Laughed; and plunging down
Forgot in cruel hapiness
That even lovers drowm
William Yeats
Eu sempre gostei muito deste senhor...
Tanta verdade em tanta beleza simples...
terça-feira, junho 19, 2007
"It is the oldest ironies that are still the most satisfying: man, when preparing for bloody war, will orate loudly and most eloquently in the name of peace. This dichotomy is not an invention of the twentieth century, yet it is this century that the most striking examples of the phenomena have appeared. Never before has man pursued global harmony more vocally while amassing stockpiles of weapons so devastating in their effect. The second world war - we were told - was The War To End Wars. The development of the atomic bomb is the Weapon to End Wars.
And yet the wars continue."
Alan Moore - "Watchmen"
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"JON: I'm leaving this galaxy for one less complicated.
VEIDT: But you'd regained interest in human life.
JON: Yes, I have. I think perhaps I'll create some.
VEIDT: I did the right thing, didn't I? It all worked out in the end.
JON: "In the end?" Nothing ends, Adrian. Nothing ever ends."
Alan Moore - "Watchmen"
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"Who watches the watchmen?"
Juvenal, Satires, VI, 347
Carl Gustav Jung
segunda-feira, junho 18, 2007
"(...)O toque da tintura de iodo doía sempre muito. Instalava-se entre as fendas nos lábios, causando um arrepio inicial muito forte o qual rapidamente se transformava em dor pulsante quando a carne se apercebia da substância que se lhe juntava. O que arde cura, já dizia a mãe dela e provavelmente milhares de outras mães que esfregavam o álcool ou tintura de iodo nos joelhos esfolados dos miúdos no final de um dia de brincadeira.
Mas ali nunca se brincava. E quando ela pensava que sim, o resultado posterior era sempre bem pior. Não há nada como a fúria mascarada de bom humor ou alegria. A ilusão era teimosa e aparecia sempre. Como um miúdo prestes a ser atropelado depois da proibição de brincar na estrada. Aquela sensação de que as coisas aparentam ser diferentes, a expectativa, o toque que parece tão genuíno. Tão confortante. Não admirava que a dor se tornasse muito pior. Como um contraste brutal que se estendia muito para além das marcas físicas. A quebra de esperança uma e outra vez. A humilhação perante a ilusão.
Isabel olhava-se ao espelho. O rosto era fino, bonito, de traços bem delineados. O nariz, mesmo depois de no passado ter sido partido em dois locais, recuperara a beleza feita de uma curva ligeira e levemente empinada. Os lábios eram carnudos e o sorriso feito da luminosidade própria de quem sorri com todo o rosto. O corpo, segundo aquilo que lhe diziam muitas amigas menos favorecidas pela natureza, era feito daquela massa que suporta todas as passagens do tempo e asneiras do quotidiano. Fizera alguns trabalhos como modelo enquanto tirava o curso de psicologia, mas este levara a melhor sobre uma entrega real ao mundo das passerelles. Fora no entanto num desses desfiles que conhecera o Rui. Um director-geral da maior sucursal de uma marca famosa de roupa em Portugal.Um tipo alto e largo, com olhos de um azul cegante e sorriso encantador. Dinheiro a rodos. Um discurso sedutor que a levou claramente a esquecer o olhar demasiado brilhante e incisivo. A forma como arreganhava o lábio inferior enquanto falava. Os gestos corteses, a capacidade para as melhores surpresas, um certo arrebatamento contido que lhe causava a ela um fantástico senso de insaciedade relativa. Isabel perdeu-se rapidamente, com a facilidade de quem escorrega por uma encosta cheia de gelo. Tudo parecia assentar. As palavras, os gestos, o decorrer dos dias onde sempre existia algo para fazer. Em cerca de um ano, a boda estava marcada.
O inebriamento fez com que Isabel descurasse alguns pormenores, ou na sua linguagem silenciosa e interna, coisas que pareciam tudo mas provavelmente não eram nada. Afinal, toda agente tem mau feitio ocasionalmente, e a quota parte de perversidade em alguns aspectos acaba por simplesmente fazer parte do encanto de cada um. Mesmo que pareçam aquelas coisas que indiciam algum perigo.
Na primeira noite após o retorno da viagem de lua-de-mel, Isabel fez uma proposta sexual pouco habitual para ela própria. Sentia-se completamente rendida aquele homem e a sua mente simplesmente viajava para a exploração de tudo o que fosse possível com ele. E foi então que surgiu pela primeira vez. A expressão feliz, alegre. Um sorriso diferente de tudo porque em si era um paradoxo. Havia quase como que uma luz que se acendia no rosto de Rui, como qualquer filamento brilha intensamente antes de causar um curto-circuito. Quando ela entrou no quarto com as botas de cabedal de salto alto e nada mais e antes que pudesse colocar-se de quatro, o sobrolho direito conheceu a primeira chaga. A mão pesada do marido fechou-se numa espécie de pedra feita de dedos e bateu-lhe na fronte direita, abrindo um corte que necessitaria de sete pontos para fechar. Isabel voou para trás, desamparada pela dor, impacto e surpresa, e caiu no chão. O sangue vertia em golfadas pelo sobrolho esquerdo, desenhando uma pintura grotesca no rosto. As lágrimas saltaram antes mesmo dela perceber, e a cabeça era agora um reino de dor tão forte que chegava a causar náuseas estomacais. Sentia-se completamente perdida. Não tinha qualquer noção do que se passara, e por um instante balsâmico, a mente tentou iludi-la a pensar que teria batido na ombreira da porta. No entanto, a realidade era sempre muito mais lesta como mensageira, e percebeu rapidamente que o Rui lhe tinha batido. Ficou deitada no chão, nua, com as botas calçadas. A pintura já completamente borrada no rosto, e o sangue que lhe coloria a face, as mãos e agora um pouco do peito. E a dor. A dor imensa. A dor da humilhação, da surpresa, do medo. Todas juntas às guinadas insuportáveis que advinham do sobrolho direito, aberto como uma boca em pleno grito.Com uma calma palaciana, Rui aproximou-se dela e agarrou-lhe pelos cabelos. Olhou-a nos olhos.E embora ela só pudesse ver pelo olho direito, e ainda assim meio cego pelas lágrimas, reparou que o sorriso não desaparecera dos lábios. Mas todo o rosto era uma máscara de ira e desprezo demasiado difícil de contemplar. Uma ameaça pura, uma intenção de violência feita olhar. Rui tirou a mão da melena, mas não em antes arrancar uma mão cheia de cabelos pela raiz. Isabel gritou. A sua cabeça era agora um oceano de dor. A mente, um inferno de humilhação sem fim à vista. Apresentava-se perante ela uma estrada de recordação feita de anos.
Isabel e Rui eram casados havia três anos. Os cenários nunca mudariam, e os motivos aumentavam exponencialmente. Isabel sabia que a sua vida era um risco constante. Um risco que implicava ver aquele sorriso. Os motivos nunca eram certos, e não havia forma de evitar. A brutalidade ganhava aquele contorno de elemento auto-explicável. Existia. Como uma tempestade. A tempestade pode ser injusta, mas existe. E ela está lá e não há como escapar quando se está no trilho do tornado. Era esta a ideia de Isabel.Felizmente não tinha filhos. Era este o pensamento que tinha cada vez que curava u ma ferida. Mas naquela manhã o teste fora positivo, pelo que Rui lhe abrira o lábio em três locais. Isto depois de forçar o vómito por tantas pancadas consecutivas no estômago. Isabel vira a morte de perto. Porque não havia o sorriso. Havia a possibilidade da escuridão completa, daquela da qual nunca se despertava."
Em Portugal (fonte – PSP, GNR e APAV – Relatório “Mulheres (In)visíveis”) - No ano de 2005 foram denunciados 18.192 casos de violência doméstica à GNR e/ou à PSP. A APAV recebeu, no mesmo ano, 12.809 denúncias. Entre 65% a 87% dos casos apresentados às autoridades, o agressor era cônjuge ou companheiro da vítima. - Fonte: Amnistia Internacional
Só gostava que fosse mesmo um mero exercício de ficção...
"There was a time that the pieces fit
But I watched them fall away
Mildewed and smouldering
Strangled by our coveting
I've done the math enough to know
The dangers of our second guessing
Doomed to crumble unless we grow
And strengthen our communication
Cold silence hasA tendency to
Atrophy any
Sense of compassion
Between supposed brothers..."
A facilidade com que se pode cair num ressentimento generalizado faz pensar. A facilidade com que determinadas coisas deixam de ter importância, ou como podemos rebelar-nos contra elas, é assustadora na sua simplicidade.
A geração de respeito pelos outros, na sua ausência de compaixão ou simples desinteresse em ver a perspectiva alheia, pode estar precisamente no endurecimento do trato. É com absoluta tristeza que se verifica que a guarda mais baixa só produz fatalidades, que, apesar de pequenas, infectam o tecido da proximidade e geram os isolamentos surdos.
A guarda baixa é um imã. Atrai aquilo de que não deveríamos ter de nos proteger. Gera a noção de fraqueza onde se quer apenas empatia e comunicação sem complicações ou artifícios. É triste porque é fácil, e raramente se explica em conceitos unos. Muitas vezes parece fazer-se apenas porque se pode.
Por vezes, fazer as coisas unicamente como queremos é apenas uma forma de sobrevivência. As tentativas de concordância abrem brechas que esperam toque, mas encontram unhas de lâmina.
E na percepção dos cortes, o antiséptico nada faz, porque se confunde com a inevitável armadura, dentro da qual nada sara ou piora.
É essa a ironia da situação. Algo infecta a meio caminho entre a ausência de curativo, e a protecção abafada e infecciosa que o receio gera, de forma espontânea e inexorável. Muros vivos, que crescem sem mão, ou justificação plena, deixando-nos algures entre a moínha persistente e a calma ressentida e orfã própria da protecção.
sexta-feira, junho 15, 2007
Associated Press Writer © 2007 The Associated Press
On today's Houstou Chronicle - 15-06-2007
Os tipos andavam sossegados, e eu também. Em espécie de política "live and let live". Mas a Igreja não pode passar muito tempo sem deixar escapar um dos seus homéricos disparates, como é este caso.
De acordo com o cardeal supra citado, a política da AI sobre aborto em reacção a acções de violência sexual levada a cabo sobre mulheres deve ser fundamento para cessação de apoios à organização.
Para além de ser um disparate idiota e monumental, (semelhante a ir a África e dizer a países com problemas de sobrepopulação e disseminação preocupante de DST que o preservativo era pecado), pode causar problemas a estas organizações, que em muitos casos também dependem de donativos da generalidade das pessoas e de mecenas. Bem vistas as coisas, criar esta mancha de desaprovação sobre uma organização com tanta importância como a AI, aprovando implicitamente os resultados de violações, é algo que só vem juntar-se ao rol de disparates anacrónicos e dogmáticos de uma das várias religiões dominantes no mundo, que se preocupam, no plano dos principios (e de muitas concretizações), mais com a cartilha que com as pessoas a quem deveriam dirigir-se.
E depois perguntam-me porque raio sou agnóstico.
quinta-feira, junho 14, 2007
terça-feira, junho 12, 2007
segunda-feira, junho 11, 2007
Disseram-me uma vez que a expressão de qualquer coisa através de uma construção funcionava como um paliativo. Era uma forma não de evitar uma morte, mas de a ir adiando, definhando em desaceleração, aceitando os impactos das coisas que se perdem ou deixam de ver como uma onda de erosão lenta, e destruição longínqua e imprevisível.
Essa expressão surge na forma como nos criamos. Toca em tudo. Constrói tudo. Forma-nos e encabeça a teimosia da nossa originalidade. É razão de ira quando se mascara de algo que não se descortina, quando entoa os seus cânticos em timbre baixo e com letra incompreensível.
A expressão pode é, lamentavelmente, aparecer em necessidade e perder-se em forma. Como querer respirar o vento, algo do seu imenso acaba por escapar-se e nada resta senão a percepção de algo que não se delineou.
E quando não se sabe o que é, aceita-se?
Não, teima-se com o que temos à mão. E deixa de ser paliativo.
quarta-feira, junho 06, 2007
Thank Someone or Something for small mercies...


terça-feira, junho 05, 2007
Hoje é dia 05/06/07 ...
Repita eu mil vezes, e a frase parece-me sempre nova...
segunda-feira, junho 04, 2007
Por mais que gostem de ti.
E custa.
E que sorte tenho por vezes, ao ver o esforço dos que não tinham nada que o fazer, motivados também pelo pouco que lhes posso dar. E como tornam a minha vida possível, pelo simples prazer de me terem por lá, com os meus disparates.
sexta-feira, junho 01, 2007
C., és a imagem daquilo que sempre te conheci e do qual beneficiei.
Um homem de coerência, coragem, inteligência. Mas é também a tua humanidade que tanta falta faz por aqui, no grupo a que pertencíamos, pela amizade que sempre teremos.
Grande Abraço!
Pegando num bom ponto levantado por este post da Luna, senti-me tentado a elaborar algumas considerações sobre o chamado Romance ( vulgo sedução, flirt, conversinha de pé de orelha, bater o couro - Luna, tens razão, ainda é a mais identificativa.)
Ora vamos lá organizar-nos.
Não há dúvida que as coisas mudaram. Alguns dirão que para melhor, outros para pior. Mas o ponto levantado pela Luna, e muito bem em meu ver, prende-se com outra coisa. Prende-se com a ideia de facilitismo que rasga uma parte significativa do nosso comportamento socializante, e que, à falta de melhor explicação, se concentra no "mais rápido, mais completo, mais simples".
Em certas coisas, nada contra. Não tenho a mínima pachorra para a defesa da conversa do bandido, porque sinceramente, essa mesma conversa assenta em factores que, a considerar a pessoa como inteligente e bem humorada, se tornam desnecessários. A conversa do bandido, o andar à volta, o toque (ups) acidental, o mascarar da personalidade numa espécie de oleosidade conceptual, acabam por redundar num prolongar desnecessário do processo de "obtenção" de alguma coisa. A conversa do bandido não é flirt. É apenas uma espécie de modelo normalizado de desonestidade simpática que vai testando por eliminatória até encontrar uma de duas variáveis - a) a mulher inteligente que até engraçou com o gajo e não quer perder mais tempo, fingindo que engole as patranhas, ou, b) a burrice que acha reais os encómios rebuscados e por vezes constrangedores de tão formatados (e clichê) que são, confundindo estratégia primária com um olhar especial ou "individualizado".
Nesta lógica, a conversa do bandido, o flirt trapalhão, standartizado, preguiçoso para nada mais serve que esgotar a paciência a uma pessoa, a qual rapidamente indulgencia o autor porque lhe acha piada ao corporal, ou simplesmente condescende e quando tem de ir, desaparece. Se for este o caso, não sei porque raio não vão essas pessoas logo directamente ao assunto. Mais vale. Nos casos da conversa do bandido, mais vale passar adiante e avaliar hipóteses. Aturar uma conversa dessas parece-me algo semelhante a um(a) amante cheio de vigor físico, mas sem jeitinho nenhum, que apesar de durar tempos e tempos, não traz mais nada senão canseira e uma sequência de desilusões, já que a partir de certa altura espera-se que algo melhor venha, mas, desgraça, só continua o marasmo e a sensaboria.
Além disso, a conversa do bandido, em meu modesto ver, só inferioriza a destinatária porquanto a toma por simplória, à qual apenas meia duzia de larachas basta. E gostaria tanto de dizer que conheço poucos casos em que isso acontece, e que nunca vi mulheres muito inteligentes a engolir patranhas no mínimo risíveis. Mas a verdade é mais triste.
Mas outra coisa é o flirt propriamente dito. A conversa, o conhecimento, o jogo, a piada, a sinceridade educada, o atrevimento bem humorado. Isso é outra conversa. E deve ser uma longa conversa. Passar isto adiante é simplesmente retirar todo e qualquer potencial à troca posterior, seja ela o one night stand ou coisa mais prolongada. O sexo é (também e muito) psiquíco. Está na capacidade que o outro adquire de estabelecer uma dualidade, ou seja, deixar-nos curiosos e deliciosamente desconfortáveis ao mesmo tempo. E qualquer espécie de toque será sublimado se a mente se encontrar oleada e sempre carregada por estímulos que derivam da real tentativa de conhecer alguma coisa sincera e única acerca da pessoa em causa. É, no fundo, isso que fará com que a pessoa se sinta especial, porque o interlocutor não tem merdas, respeita a pessoa, e tem mais que fazer do que lhe servir meia dúzia de piropos requentados que nem eficácia "batanete" têm. No fundo, o flirt cria a sensação de curiosidade e semeia alguma afeição. Dure ela o que durar, desde que seja genuína, ganhará o respeito próprio porque acaba realmente por ser algo derivado do interesse que alguém ganha perante nós. E ignorar isto é, em meu modesto ver, estar cada vez mais longe da percepção de coisas no sexo oposto que são do mais divertido e esclarecedor que se possa pensar. A intenção pode ser clara, mas todo o contacto deverá ser uma tentativa de conhecer melhor alguém, e não uma espécie de formulário imaterial para simplesmente aliviar hormonas.
A título de "disclaimer", nada tenho contra as coisas rápidas, ou fugazes que, pela sua natureza assim o tenham de ser. Por vezes mais vale um momento único do que um prolongamento de chatices e incompatibilidades.
Mas nada serve sem a criação do interesse através da revelação do que somos, com a sinceridade q.b., mas sempre despida dos mecanismos subreptícios, as falsas flores, lacinhos e romantismos. Cheiram mal antes mesmo de apodrecerem, o que acontece rapidamente.
O que se passa com o romance?
Bem...
A mesma coisa que sucede com muitas outras coisas, como a leitura, a evolução, a curiosidade intelectual, etc. A malta quer a coisa rápida, eficaz, indolor e incómoda ao mínimo, esquecendo que o sabor de algumas vitórias e conquistas surge precisamente num paralelo com o velho brocardo aplicável ao acto de viajar.
"Getting there is half the fun!"
Certo Luna?
Para mim é. Aliás, sempre foi.
Obrigado pela desculpa dada para me pronunciar sobre o tema.
