
ESTAÇÕES DIFERENTES
Stephen King - "Different Seasons"
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sexta-feira, setembro 21, 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

domingo, setembro 16, 2007
Das coisas que mais lamento é ter-me tornado mais pessimista. Mais desconfiado, mais descrente, menos efusivo ou descontraído nas manifestações de proximidade para com os outros que me saíam com uma facilidade tremenda. É triste pensar que a chuva afinal pode mesmo constipar-nos se nos atrevermos a passear lá fora para encharcar as meias, ou que alguém pode pegar em coisas que dissemos em formato mas não intentamos em sentido, e distorcer para criar pequenas perturbações com potencialidade de crescimento.
Mas não raras vezes pensamos muito simplesmente que, (especialmente se a etapa for complicada de ultrapassar), a hesitação permanece algures entre o desejo de uma próxima prova, e a vontade que as restantes desaparecessem num bater de palmas.
A verdade é que perante uma conquista, os momentos de pausa e paragem para saborear nunca devem ser menosprezados. Já bem basta o fardo do cacete que se tem em ter sempre de arranjar novas escadas para subir, ou aceitar o cansaço desanimador pelos degraus que faltam.
Mas verdade, verdadinha?
Já sabia bem um descanso, e a ausência, ainda que temporária, de coisas com que me preocupar. Quando passa das dez chatices consecutivas, devia pedir-se desconto de tempo, e passar essa fase do jogo.
Give me a break . . .
quinta-feira, setembro 13, 2007

Acho que num impulso, nunca detestei tanto não ter um quintal como agora, ao deparar-me com este animal. É um cão talvez semelhante a tantos outros, mas a mim causou-me um impacto diferente. Vejam a expressão e se tiverem curiosidade, leiam “A Agressão” do Konrad Lorenz, e talvez seja possível passar alguma empatia relativa à profunda tristeza que significa para mim não poder ficar com este bicho.
Espero sinceramente que alguém possa.
quarta-feira, setembro 12, 2007
Apesar de nunca ter sido fã desta espécie de programas em que três ou mais idiotas pomposos, sentados num palanque se divertem a gozar com pessoas que obviamente não têm talento para aquilo que se apresentam, devo dizer que este vídeo que vão ver arrepia a pele. Os "críticos" não sabem o que fazer ao queixo.Absolutamente arrebatador.
I've always loved an underdog. :)

Valeu-me a pachorra do amigo para tamanho disparate.
terça-feira, setembro 11, 2007

Pegando na fantástica muleta que esta música significa, surge no meio desse mesmo cansaço uma percepção geral do estado de coisas. E não é sem alguma surpresa, mas muito mitigada por um mais perigoso senso de cansaço, que se verifica o quão de pantanas a nossa vida pode ficar de um momento para o outro. Surge como um processo de acumulação subtil mas em breve, como dizia um professor de latim que tive, as pequenas pedras acumulam-se e tornam-se uma rocha que acaba por pesar como uma falésia.
E esse estado de percepção, em que as pontas são bem mais que soltas e não há mãos para agarrar tudo e mais alguma coisa, parece-me que mais não somos que corredores de fundo. Sabemos que cada passo que dói é apenas reflexo de uma aceitação desse percurso já sem uma lógica clara de vitória, restando apenas uma verificação de progressão. A incerteza da nossa própria finalidade é apenas combatida com uma teimosia em ignorar e contrariar tempos que se desejam felizmente esquecidos. Definições de monstros que ficaram algures perdidos nos medos que os criaram.
É impossível para alguns duvidarem de si mesmos. Para outros, é impossível questionarem-se, reiterarem a sequência dos seus passos e entenderem o local onde se achavam inseridos à guisa do que a sua necessária imperfeição poderia originar. E se bem que é com certeza mais fácil culpar que definir, sê-lo-à bem mais fácil se estiver já aqui à mão, em voz interna, ainda que se substituam as acusações por perguntas.
É na percepção desapontada (sem saber totalmente com o quê ou quem e que se julgava desajustada de certo estágio etário) que reside a capacidade de ver o grande cenário. O cenário em que a tristeza é apenas debilitante no que concerne à energia para explicar os seus factores de produção, e não no que concerne aos meios de combate. E aí, mais do que nunca, a focagem deve ser claramente direccionada para o entendimento feito do despir do próprio. Pelas irregularidades da pele, as faltas de pontaria da voz, as incorrecções necessárias das mil interpretações conceptuais, conseguir raspar a pele ao ponto de nos vermos à transparência.
E perceber que uma vez analisadas as lógicas, e efectuadas as auto-punições, restará avaliar aquilo que, ainda que possa parecer perdido, se possa repetir em conceitos de amor variado, ainda que não nos mesmos habitáculos humanos.
Mais perigosa que a desilusão é o cansaço, apenas alternado pela teimosia de ver em poucos outros o inalterado estado de uma realidade que nos deixa um pé no material, ao invés de transpor a insubstancialidade de uma tristeza tão imensa para todas as manifestações de um ser auto-consciente.
E sinceramente, esta é uma reflexão direccionada aos poucos que ainda teimam em conhecer-me, pelo que fará todo o sentido do mundo para esses, e nenhum para praticamente ninguém.
E com todo o respeito, isso não me importa grande coisa a esta altura, nem nesta circunstância particular.
Amanhã, como diz o cliché, é outro dia. E em breve, serão todos eles outros e todos bem diferentes.
As marcas são afinal como chicotadas. Provocam a reacção, e a reacção é movimento que se define como vida.
So get busy living, or get busy dying... That's goddamn right.
Num país dominado pela palhaçada futebolística, os meninos que se queixam quando têm de jogar duas vezes por semana e que dão a vergonha sonífera semanal talvez devam ver o que é sentir a honra de vestir a nossa camisola.
Até arrepia. :)
Força rapazes!!!
segunda-feira, setembro 10, 2007
A discriminação de género existe. Infelizmente é uma realidade à qual é impossível escapar no campo da verificação dos factos, e está tão enraizada em alguns comportamentos quase automáticos, que todos os dias se verificam, mesmo contra o abanar de cabeça poiliticamente correcto. Claro que não vale a pena sermos mais papistas que o papa, julgo eu, e achar que todas as acções devem pautar-se por uma suposta rectidão impoluta, que os maus instintos podem ser completamente erradicados. Que diabo, eu gosto de ver o Willie E. Coyote levar com as bigornas e as catapultas na cabeça, e dificilmente o gostaria de ver na realidade, mas adiante.
terça-feira, setembro 04, 2007
sexta-feira, agosto 31, 2007
quinta-feira, agosto 30, 2007
É uma banda que descobri quase por acaso, e ouço recorrentemente.
Foi o único vídeo que consegui encontrar dos Atomship, com imagens anime ou manga, não estou certo.
Fica a letra.
Muito "auto-sintomática" nos dias de hoje...
O que sentimos pode ser uma brutalidade.
Uma brutalidade feita de todas as recordações de todos os instantes em que nos sentimos pequenos perante o criámos do nada. Aquilo que agarrámos com unhas em sangue, o que nos construiu através da percepção de que nos perdemos no que nem sequer sabíamos possuir.
São recortes do passar do tempo, erguidos em escaparates feitos de madeira de sândalo, trazida pelas correntezas de todos os mares onde nos atrevemos a colocar um pé ao de leve na água. O sal que provamos, é salivado, tem cheiro de água engolida, de beijos acabados há meio segundo, dolorosamente inéditos e irrepetíveis.
São brutalidades porque passam como serrilhas, sulcando, partindo a unidade da pele em mil conceitos mais pequenos, que não são senão tijolos. E amontoam-se, deixando as perguntas, as perplexidades, a memória dos estados que atravessámos num veículo que cresce como uma coisa viva, embebida na melancolia doce de uma tristeza antiga. De aço. Cárcere.
Por isso, levanta a saia um pouco mais, e mostra-me o mundo, como diz este moço.
E nos sonhos de rapaz, acho-me imperfeito e em consequência, vivo.
Brutalizado.
Perfect Circle - "BLUE" I
Em Junho de 2004, Maynard James Keenan e os Perfect Circle lançaram um concurso para videos a adaptar à sua faixa "Blue", que, para mim e a par de "The Noose", é a melhor canção do fabuloso 13th Step.
Os Perfect Circle, ao que parece, findaram as suas actividades, para grande desgosto meu (felizmente os Tool andam de boa saúde, assim como Puscifer, o projecto paralelo de MJK), mas seguidamente ficam alguns dos magníficos projectos que foram a concurso, finalizando com o vencedor, o qual figura no DVD da banda, que me foi oferecido por um grande amigo há uns tempos.
Enjoy... I know I will.
quarta-feira, agosto 29, 2007

Volta e meia, quando a insónia ou o telejornal às sete e pouco da manhã está lento e estou eu a debater-me com o prato de muesli, rodo o canal e deparo-me com este senhor.
Bem sei que o senhor em causa tem uma legião de fãs que ultrapassa em larga medida a lista telefónica de alguns estados dos EUA, mas existem de facto coisas naquele programa que me deixam intrigado e sinceramente perplexo.
Mais do que serem ditas algumas coisas com as quais discordo, o que não é nada por aí além porque felizmente as pessoas têm opiniões diferentes, é o modo como as coisas são ditas, expostas, e colocadas em praça pública. As pessoas aplaudem, como se o facto do Sr. Smith ter encornado a mulher, que por acaso era uma megera cheia de problemas com cartões de crédito, ou como se a Amber ter comido a vizinha do lado porque o marido não se chegava à frente, fossem elementos do mais empolgante espectáculo. A devassa da vida privada é consentida, é um facto, mas é o tom professoral e paternalista que me faz confusão. Não vejo ali um único elemento de pudor perante a vida das pessoas, mas apenas uma espécie de evangelista supostamente compreensivo que simplesmente verbaliza conselhos oriundos da sua douta ciência de análise comportamental.
Atenção, como disse, não suspeito da competência do senhor, e volta e meia o moço diz coisas com as quais concordo e que me parecem certeiras, mas a verdade é que , para mim, aquilo não passa de um circo, onde o guru dispensa a sua imesa sabedoria num espectáculo mediático do que é a intimidade e espaço privado das famílias, e mesmo das pessoas. E não se ensaia em dizer às pessoas que estão erradas, que estão malucas da cabeça, etc, coberto por uma suposta cartilha comportamental sacramental que, curiosamente, nunca tem dados científicos para partilhar e corroborar com os espectadores (nos livros com certeza terá, mas apoio-me apenas nos programas de tv). É preciso uma pessoa ter realmente uma segurança e costinhas bem quentes para julgar as pessoas com aquela facilidade de quem espraia uma espécie de superioridade moral, a qual, julgo eu, é sempre discutível.
Triste parece-me também quem se sujeita a este tipo de coisas. Quem traz a vida privada para a praça pública, aceita câmaras de televisão a filmar discussões, agressões verbais ou físicas, vergonhas, inseguranças, dependências, you name it. Triste que o desejo de mediatização faça com que as pessoas vendam tudo e mais um par de botas, como se aquela meia dúzia de frases e um público pronto a aplaudir quando o cartaz é mostrado pudesse realmente resolver o problema em causa. Por vezes qual é a diferença com o Jerry Springer? Bem, talvez o facto de ninguém ainda se ter pegado à porrada, mas acho que a coisa já esteve por um fio.
E tudo sucede sob a capa da ajuda bem intencionada, mas que diabo, desde que vendável, como as resmas de páginas dos inúmeros livros do Dr. Phil os quais ele não se cansa de promover nos intervalos. Tudo é espectáculo, tudo é vendável, e isso não deixa de me inquietar ou mesmo entristecer. Acho que a mediatização está a chegar às mais impensáveis fronteiras.
Mas cada um come do que gosta, já lá diz a minha mãe.
As botas rasas e ortopédicas de borracha não me convencem, é um facto.
Mas caraças, se são confortáveis...
Não dava para fazer um modelo "em bonito"?
terça-feira, agosto 28, 2007
Ser conciliador é uma virtude, mas o conciliador-mor de uma tal religião popular acabou cruxificado.
Há uma lição aqui com certeza...

sexta-feira, agosto 17, 2007
Na sequência do post anterior, tudo se pode repetir acerca deste filme, embora a morfologia do conceito se altere.
Esta é uma história de reencontros, do que não pode ficar encerrado, do fio condutor. Gritos. O abismo infinito da vida, ou as mordidelas do horror existencial e tão quotidiano, como diria um outro autor.
E eis Samantha, como havia dito.
Se o Nicholas Sparks conseguisse escrever uma história de amor assim, já teria lido e relido toda a obra dele.
Esta é uma história de amor sem florinhas, sem cortar esquinas, sem poupar as contrariedades do que pode incutir contradições no espírito, sem esconder os medos do tempo, das transformações ( "change of heart" parece-me na mouche). É belíssima, forte e marcada pelo desequilíbrio das personagens quase afogadas nas emoções que a sustentam. É a história que gostaríamos de contar, ou mostrar, a quem nos preenche o coração, e aquela que adoraríamos infligir a quem o partiu.
É uma história que acaba por ser cortante. Seca, afiada, e no entanto colorida como a cabeleira da Clementine.(*)
Fala da memória e apresenta a mais original morfologia da fórmula "o que os olhos não vêm, o coração não sente". E fala do rotundo fracasso que isso pode implicar, porque os pedaços de vida em falta são afinal aquilo que a memória não pode trazer, o que implicaria que nunca ultrapassaríamos os nosso vazios, medos e desconstruções.
Esta é uma história de amor dolorosamente bem contada.
(Especialmente quando o cabelo da Clementine é vermelho ou laranja)
(*) Esta é uma das duas únicas personagens pelas quais tive uma paixoneta. Sim, leram bem. Uma espécie de sentimento de leve ansiedade por alguém que não existe, nem nunca existiu. A outra é Samantha, do brilhante Garden State. Maluqueiras, go figure...
quinta-feira, agosto 16, 2007
Pode ser-se absolutamente feliz perante um instante de uma obra de arte?
Claro que sim. Eu estava lá, em 1999.
Celebre-se.
Existem instantes na nossa vida nos quais parece que entramos em consonância com a vibração mais estruturante do mundo. Como se este nos atravessasse de um lado ao outro, e nos dissesse que em raríssimas ocasiões podemos realmente sentir-nos completos quando em contacto com algo. Este filme, que tem mais 100 cenas tão memoráveis como esta, ainda hoje provoca arrepios na minha pele, e acorda-me do "coma" que o medo do mundo normal tantas vezes traz.
quarta-feira, agosto 08, 2007
"(...)how to shoot somebody who'd out drew ya..."
Jeff Buckley - Halleluyah
Julgo que é pacífico o entendimento segundo o qual as nossas acções e características carregam consigo efeitos. Ao sermos exteriorizados por nós próprios, é inegável a produção de efeitos que se gera em razão de cada uma das nossas características, actos, comportamentos e reacções. É razoavelmente linear pensar que temos uma previsão relativa à forma como afectaremos os outros. No entanto a palavras-chave é previsão, e como a meteorologia, o que é verdade hoje, pode ser varrido pelo vórtice do anticiclone de amanhã. Há algo na nossa singularidade que deixa uma marca, quer queiramos quer não.
terça-feira, agosto 07, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007


