ESTAÇÕES DIFERENTES
Stephen King - "Different Seasons"
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segunda-feira, março 10, 2008
sexta-feira, março 07, 2008
quinta-feira, março 06, 2008
E percebi naquela altura que Tarantino, na sua genialidade, também tem boa memória ou uma necessária mente de pesquisador. A verdade é que se juntarmos este filme ao excelente e gloriosamente amalucado "Catch 22", veremos que uma certa vaga de cinema tem progenitores. É pena é que esse contágio não seja mais prolífero, e se produzam ainda mais filmes com esta inteligência e humor de primeira água.
Scene from "Deliverance"
Scene from "Catch 22"
No outro dia estava numa sala de cinema a ver o (excelente e espartano) Michael Clayton, e tinha ao meu lado um animal de carga que revolvia o saco das pipocas como se estivesse a procurar ouro num regato do Yukon. Era um cagaçal tal que até a namorada lhe teve de dizer, depois de enfardarem a maioria das pipocas, que ele devia fazer menos barulho.
Associado a alimárias como estas, existem os míopes ou simplesmente mentecaptos, com claras dificuldades para ler, que não sabem o que quer dizer o anúncio em letras garrafais que passa simpaticamente no ecrã a instruí-los a desligar ou silenciar a porra dos telemóveis.
Isto é, no mínimo, falta de respeito, e sobretudo próprio de quem vai a uma sala de cinema com a clara noção de que desfrutar da obra é secundário perante o enfardamento sonoro do milho estourado associado a toques de telemóvel seguidos da frase "Agora estou no cinema... depois ligo-te". E isto claro, se tivermos sorte.
Martin, estou contigo.
Associação Amigos no Cinema, toca a reunir.
A estupidez fora das salas de cinema, para bem da arte e do respeito por todos.
quarta-feira, março 05, 2008
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Concordância em género, número e grau.
Excelente...
quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Foto by YU
Como qualquer forma de acrimónia que anda de mãos dadas com o magnetismo, o sexo gera muitos subtemas, que em bom rigor, servirão em muitos casos para extrapolar a discussão para os (des) entendimentos. E entre géneros, eles são fartos.
A propósito de uma conversa em corrente de mail, a qual, lamentavelmente, até deu pouco feedback para o que se estaria à espera, falava-se do empurrão """"subtil"""" do homem à cabeça mais ou menos arisca da moça que partilhe nudez e fluidos com eles em dada ocasião.
Falava-se, como já se falou tantas vezes, da relutância em sentir a mão "condutora", e a lógica de escolha e à-vontade que daí advém.
Bem, até aí, é pacífico. A malta faz o que quer, como quer, e a consensualidade lá vai ditando os compassos ritmados do tango. No entanto, a verdade é que há uma lógica neste tipo de observação que faz alguma espécie. E faz espécie porque parece direccionada ao homem, ao ser masculino que supostamente parece querer exercer alguma pressão pouco sofisticada neste momento. Os comentários que se suguem caminham no trilho da generalização supostamente divertida dos pensamentos com a "cabeça de baixo" e a pouca sofisticação da sexualidade masculina, e blá, blá, blá.
Esta lógica não só é uma treta generalizante, e como tal, torta à nascença, como acaba por ter dois gumes. A verdade é que as queixas acerca da falta de iniciativa oral por parte dos homens reverberam por todo o lado, mas raras são as corajosas (na minha experiência pessoal) que relatam qualquer episódio de "condução da cabeça" do parceiro, optando por queixas silenciosas ou testemunhos que ficam bem em talk-shows acerca da adaptabilidade no seio de uma troca, seja ela mais ou menos plena de envolvência emocional.
Qual é o problema aqui?
Simples.
Em primeiro lugar, qualquer movimento condicionador da iniciativa leva a perguntas desconfortáveis. Se nos primeiros passos de descobrimento do outro isso se pode justificar, (se bem que a iniciativa na lógica do vale tudo menos tirar olhos pode aniquilar essa coisa do cuidado...) quando está estabelecido, e por sorte, conjugada uma série de vontades e rituais, a chatice da falta de iniciativa só é superada pelos gestos condicionadores dessa mesma inércia. E atenção que não estou a falar de gestos rituais onde as pessoas gostam de brincar mais a bruta, fingindo que são obrigadas a fazer alguma coisa. Falo do gesto porque a pessoa que supostamente deveria receber essa dádiva já entendeu, de alguma forma, que a coisa não vai lá sem lembrete. E pior que isso, só emitir mesmo o lembrete, seja por palavra ou trejeito.
Em segundo lugar, a verdade é que se a queixa feminina existe quanto a inércia idêntica, é porque se reconhece que a falta de iniciativa chateia, talvez até mais do que o toque do sino a lembrar que é hora de descer uns quantos meridianos no corpo. E se há esse reconhecimento, então o que será pior? A mão na cabeça, ou o queixume silencioso quanto à ausência daquilo que deveria surgir sem ter de se pedir? Aliás, a iniciativa é tão importante, que um dos gozos magistrais é precisamente a competição divertida e saudável, expressa no "agora sou eu.. não não, sou eu, não desculpa, mas sou eu..." e por aí fora.
Isto leva também a reflectir sobre aquela dualidade entre a suposta e constante predisposição masculina, que é o Matusalém das falácias, face à má reacção feminina perante a ausência de tal apetite ininterrupto, quando as moças estão dispostas. A verdade é que a ideia de sofisticação no sexo prende-se com os mecanismos que criam a ansiedade e vontade associada, a vulga "pica", e não nos actos propriamente ditos. Achar que duas pessoas podem foder como se bailassem no palco do São Carlos é, em meu ver, uma visão distorcida da perda de controlo que tanta falta faz à saúde intrínseca de qualquer relação sexual. Parece performance e concentração, quando o que se quer é escorregar sem conseguir reganhar equilíbrio.
Claro está, e salvo melhor opinião, cada um gostará do que gosta, o que leva a concluir algo muito simples. São as empatias que marcam o passo. E se a coisa necessita recorrentemente da mão na nuca ou do queixume da inércia feito piada sexista, então a empatia padece de um grave estado de saúde. A mão na cabeça ou a sugestão verbal, se recorrente, significa algo mais que a simples condenação de um gesto. Sinceramente, até acho que aquilo que chateará muitas mulheres que o sintam talvez seja o facto de terem de ser lembradas, e não o gesto em si. É talvez no facto de ser exposto o seu "esquecimento" que reside o desagrado. Ninguém gosta de lembranças acerca dos seus esquecimentos intencionais. Especialmente na comunicação não verbal deste calibre, que salvo novidades absolutas, deveria ser precedida de todas as pistas.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Ele – Nem por isso. Sou admirador do Sebastião Salgado, conheço a foto que toda a gente conhece do Steve McCurry, mas o meu conhecimento em fotografia fica por aí.
Ela – São muito bons. Mas estes são fotógrafos mais complicados. Mais polémicos. Um deles, a Cox, retratou a ultima ceia substituindo Cristo por uma mulher negra nua.
Ele – Estou a ver que a coisa não pode ter ficado pacífica.
Ela – E vês bem. A senhora tem uma ala própria, de acesso restrito num dos museus onde tem trabalho exposto permanentemente. Parece que a correspondência de ódio e ameaças não pára. Até o presidente da câmara de Nova Iorque ameaçou interditar o trabalho dela.
Ela – Exacto. Recordas-te ou viste o “Intimidade”?
Ele – O filme?
Ela – Sim. Sabes de certeza qual é. Aquele em que a protagonista, a Kerry Fox, faz sexo
oral real ao colega de cena?
Ele – Ah, sim, já sei. Pois… ouvi falar qualquer coisa acerca disso.
Ela – Foram feitas muitas entrevistas. Os tablóides ingleses começaram a tocar a corneta
e as histórias começaram a vir ao de cima. Há uma entrevista do Linklater… o namorado… a um jornal inglês, onde o tipo tenta explicar como é que se lida com a mulher a ter sexo real à frente das câmaras.
E conta uns episódios engraçados.
Sabes o que é que ela disse ao namorado, quando ele lhe perguntou porque é que ela
queria arriscar-se a fazer o tipo de cenas de sexo que o realizador lhe pediu para retratar no filme?
Ele – Não faço ideia…
Ela – Porque, como actriz e mesmo cinéfila, nunca fizera aquilo antes. Espero que a ti te explique muita coisa.
Ele – Entendo. Mas ainda assim, como seriam as conversas daquele casal depois da estreia do filme…
Ela – Sim, é complicado, mas por vezes para se fazer certas coisas, há uma escolha legítima, em meu ver. É uma afirmação, mais nada. Um modo de vida. Ela como artista, escolheu fazer as coisas assim e correr o risco. Ele aceitou. Não é qualquer um que o faz.
Ele – É o teu caso?
Ela – Sim. Isso choca-te? A violência que viste é encenada mas o sexo é real. As fotografias não funcionavam se o sexo não fosse real. Exactamente como naquele filme. A emoção surge, nesse contexto, na reprodução do sentimento que se quer causar. E eu quero abanar o barco, digamos
assim. É caso para dizer que neste momento tens de fazer perguntas muito complicadas ao que chamas de moralidade própria.
Ele – Para já acho-a suficientemente elástica, mas porquê exactamente?
Ela – Para saberes se valeu a pena vir aqui. Agora estou a ser provocadora, eu sei, mas quem anda à chuva…
No fundo, é tudo encenação. Arte. Trabalho.
Os verdadeiramente curiosos dão os melhores modelos, sabias? São os únicos entusiastas, na minha opinião.
Ele – Bem, não sei…ahmn…. Se é tudo trabalho,
onde é que fica a emoção para causar o tal impacto da
arte que falaste?
Ela – Isso só descobrirás por ti próprio."
terça-feira, fevereiro 26, 2008


Esperamos sempre alguma coisa de alguém, assim como esperam de nós. E ainda bem, acho eu. Que mundo seria este onde as pessoas simplesmente não conseguissem criar uma qualquer espécie de laço mutualista ou cúmplice. A liberdade de acção é sagrada, mas o descaso hedonista (faço quando me apetecer mesmo e viva o velho), leva a coisas complicadas como o espaço vazio na necessidade. A mim já me chamaram generoso, mas eu tenho-me apenas por normal. Por alguém que faz o que é normal, quando o que está em causa é afeição entre as pessoas.
O cuidado que se tem com alguém revela a atitude que se tem com a maioria das coisas na vida. E esse cuidado cria amizades, amores, laços intemporais, porque certa forma de sorriso ou surpresa, nenhuma naturalidade ensina aos que se julgam verdadeiramente próximos. Por isso sim, acho que a gratidão e a acção espontânea criam um senso de singularidade e união num mundo cada vez mais umbiguista e escondido. E posso exigir das pessoas apenas que elas tenham cuidado comigo e com outros. Não que gostem de mim ou percam tempo a fazer-me seja o que for. Mas se gostam, têm de ter (algum) cuidado, alguma atenção. Não há laço que sobreviva sem que nos coloquemos um pouco na pele do outro, e façamos nascer quase do nada a vontade de lhe fazer alguma coisa. E se isso não podemos exigir, o que concordo, elegemos. Mas aqueles a quem fazemos bem, e que se revêem agradados nesse bem, a inércia não pode ser resposta, nem o descuido. Daí a ontologia da exigência e a selecção dos realmente importantes.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
E no meio do espalhafato divertido, há ali um cérebro pulsante e grau "zero" de medo relativo qualquer julgamento. No bullshit whatsoever, isso é no mínimo, admirável. Neste caso, muito divertido.
Pedrada no charco, definitivamente.
E se já tencionava ver "Juno" desde que o "Rotten Tomatoes" falara sobre o mesmo, ( já há uns tempitos atrás - maravilhosos idiotas os responsáveis pelas nossas distribuidoras), agora é que vou mesmo!
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
É um documentário sobre aves aquáticas, mas é simultaneamente tão mais do que isso. Sobre o respeito, luta e beleza intrinseca à vida, muito destacada da racionalidade de que tanto nos orgulhamos. Por vezes, nem sei bem porquê...
Maravilhoso.
Dez anos após a primeira exibição deste filme, os seus "feitores" sentraram-se a uma mesa e produziram esta deliciosa entrevista a quatro vozes. Para mim falta ali o autor da história, Stephen King, mas ok, passa.
Apenas uma nota pessoal. Morgan Freeman poderia ler a lista telefónica e a voz hipnotizaria à mesma. (Recomendo vivamente a sua versão do belíssimo "Marcha dos Pinguins". )
Enjoy!
quinta-feira, fevereiro 21, 2008
Quando te peguei naquilo que tinhas como mão, percebi que havia pouco a fazer. Não havia morte. Havia pouca ausência de silêncio. Que quer isso dizer. Falo das poucas palavras, das coisas pequenas que deixavas sair a espaços, permeada com a percepção da tua incapacidade. Até o toque dos teus dedos, como uma miúda que tacteia no escuro, era medroso. Era inseguro porque à teimosia das tuas perguntas estava associada a tua nova resolução, ainda que o rio que deixavas correr pela cara abaixo desmentisse tudo como uma empolada resolução de ano novo.
Os teus olhos não eram os mesmos, mas não por causa do inchaço. A tua confusão era a minha confusão, e os abraços possiveis mais ameçavam parecer-se a encontrões na rua, dados pelos desnorteados que seguram demasiadas coisas em braços delgados.
Olhei e vi apenas o longo discorrer do conforto, permeado pelas ansiedades que já não te reconheço como tuas. Depois, multiplico-te pela número de coisas em caras que vejo, e reconheço-te, já cansado, por toda a parte. Identifico-te num alinhamento de criminosos suaves de todos os dias, percebo que as perguntas são inúteis, e sei-te como a medida de controlo do meu sangue. Aquele que ainda bombeia, percebendo-te como a cerca de madeira podre que espera pelo Verão e a pintura das felicidades adiadas.
E entendo ainda menos aqueles que se queixam de tal facto, mas passeiam alegremente na savana. Que diabo. As pintas e os dentes são auto-demonstrativos não? Se colocam o corpito de gazela curiosa ao alcance das fauces, não estará tudo dito?
quarta-feira, fevereiro 20, 2008
Parece que já terá sido tudo dito sobre este filme, mas este é de facto um filme diferente. Traz algo, incomoda, fascina, coloca-se debaixo da pele. Lewis é um actor absolutamente magistral. Os maneirismos são de tal forma espantosos que a transformação parece total e originária, ou seja, uma não transformação, mas como que o teletransporte de Plainview para as cenas em que alguém grita "Acção". É um filme sobre a obsessão mas também sobre as lógicas que assistem ao desenvolvimento dessas obsessões, especialmente com a metáfora consumidora do sucesso. A assustadora personagem de Daniel Plainview representa, até mesmo na deformação suave do seu corpo e expressão, as consequências da obsessão pelo conseguir, em meio a todas as complexidades que claramente o lançam na espiral de insanidade, culminada numa cena final que ficará na história.
"Eu simplesmente não suporto que mais ninguém tenha sucesso" - Daniel Plainview.
Está tudo dito, portanto...
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Long time coming
It seemed to take me through
Long time coming
Many served the few
And long to taste the shame
That bows down before you
Long time coming
It seemed to get me by
Long time coming
It seemed to satisfy
You longed to taste the shame
That everybody tries
Shame shame
Throw yourself away
Give me little bits of
More than I can take
If it sits upon your tongue
Or naked in your eyes
Give me little bits of
More than I can try
Long time coming
It seemed to take me through
Long time coming
Many served the few
And long to taste the shame
That bows down before you
Shame shame
Throw yourself away
Give me little bits of
More than I can take
If it sits upon your tongue
Or naked in your eyes
Give me little bits of
More than I can try
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Para mim, leitor e ávido espectador de "The Shining", este é e será sempre a minha imagem indelével de Danny Torrance, assim como Jack Torrance será sempre Jack Nicholson. Sempre.
Há algo na expressão deste miúdo que não sei definir, algo de encantador mas perturbador ao mesmo tempo. Talvez tenha sido a mão e visão do Stanley a gravá-lo desta forma, mas fica aqui para que avaliem.
Quanto a Nicholson, é Nicholson.
Danny e Jack.
The Shining.
I snapped more solidly out of my last doze and became aware that something was different It took a moment or two to figure it out: although the moon was down, I could see my hands resting on my jeans. My watch said quarter to five. It was dawn.
I stood, hearing my spine crackle, walked two dozen feet away from the limped-together bodies of my friends, and pissed into a clump of sumac. I was starting to shake the night-willies; I could feel them sliding away. It was a fine feeling.
I scrambled up the cinders to the railroad tracks and sat on one of the rails, idly chucking cinders between my feet, in no hurry to wake the others. At that precise moment the new day felt too good to share.
Morning came on apace. The noise of the crickets began to drop, and the shadows under the trees and bushes evaporated like puddles after a shower. The air had that peculiar lack of taste that presages the latest hot day in a famous series of hot days. Birds that had maybe cowered all night just as we had done now began to twitter self-importantly. A wren landed on top of the deadfall from which we had taken our firewood, preened itself, and then flew off.
I don't know how long I sat there on the rail, watching the purple steal out of the sky as noiselessly as it had stolen in the evening before. Long enough for my butt to start complaining anyway. I was about to get up when I looked to my right and saw a deer standing in the railroad bed not ten yards from me.
My heart went up into my throat so high that I think I could have put my hand in my mouth and touched it. My stomach and genitals filled with a hot dry excitement. I didn't move. I couldn't have moved if I had wanted to. Her eyes weren't brown, but a dark, dusty black - the kind of velvet you see backgrounding jewelry displays. Her small ears were scuffed suede. She looked serenely at me, head slightly lowered in what I took for curiosity, seeing a kid with his hair in a sleep-scarecrow of whirls and many-tined cowlicks, wearing jeans with cuff and a brown khaki shirt with the elbows mended and the collar turned up in the hoody tradition of the day. What I was seeing was some sort of gift, something given with a carelessness that was appalling.
We looked at each other for a long time ... I think it was a long time. Then she turned and walked off to the other side of the tracks, white bobtail flipping insouciantly. She found grass and began to crop. I couldn't believe it. She had begun to crop. She didn't look back at me and didn't need to; I was frozen solid.
Then the rail started to thrum under my ass and bare seconds later the doe's head came up, cocked back toward Castle Rock. She stood there, her branch-black nose working on the air, coaxing it a little. Then she was gone in three gangling leaps, vanishing into the woods with no sound but one rotted branch, which broke with a sound like a track ref's starter-gun.
I sat there, looking mesmerized at the spot where she had been, until the actual sound of the freight came up through the stillness. Then I skidded back down the bank to where the others were sleeping.
The freighter's slow, loud passage woke them up, yawning and scratching. There was some funny, nervous talk about "the case of the screaming ghost," as Chris called it, but not as much as you might imagine. In daylight it seemed more foolish than interesting - almost embarrassing. Best forgotten.
It was on the tip of my tongue to tell them about the deer, but I ended up not doing it. That was one thing I kept to myself. I've never spoken or written of it until just now, today. And I have to tell you that it seems a lesser thing written down, damn near inconsequential. But for me it was the best part of that trip, the cleanest part, and it was a moment I found myself returning to, almost helplessly, when there was trouble in my life - my first day in the bush in Vietnam, and this fellow walked into the clearing where we were with his hand over his nose and when he took his hand away there was no nose there because it had been shot off; the time the doctor told us our youngest son might be hydrocephalic (he turned out just to have an oversized head, thank God); the long, crazy weeks before my mother died. I would find my thoughts turning back to that morning, the scuffed suede of her ears, the white flash of her tail. But eight hundred million Red Chinese don't give a shit, right? The most important things are the hardest to say, because words diminish them. It's hard to make strangers care about the good things in your life."
Stephen King - The Body - 1982